quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Talmud online

Para quem tem interesse no Talmud, lembro que a tradução de Adin Steinsaltz está online em hebraico e inglês no site Sefaria.

Sobre isso dois artigos, em inglês, podem ser lidos:

:: Online library sets Talmud ‘free’ with full, no-charge translations - By Ben Sales - 8 February 2017 - The Times of Israel
For centuries, studying a page of the Talmud has come with a bevy of barriers to entry. Written mostly in Aramaic, the Talmud in its most commonly printed form also lacks punctuation or vowels, let alone translation. Its premier explanatory commentary, composed by the medieval sage Rashi, is usually printed in an obscure Hebrew typeface read almost exclusively by religious, learned Jews. Even then, scholars can still spend hours figuring out what the text means. And that’s not to mention the Talmud’s size and cost: 37 full volumes, called tractates, take up an entire shelf of a library and can cost several thousand dollars. Now, a website hopes to build on these earlier breakthroughs and break all the barriers at once. Sefaria, a website founded in 2013 that aims to put the seemingly infinite Jewish canon online for free, has published an acclaimed translation of the Talmud in English. The translation, which includes explanatory notes in relatively plain language, was started by Rabbi Adin Steinsaltz in 1965 and is considered by many to be the best in its class (...) The translation’s publication was made possible by a multimillion-dollar deal with the Steinsaltz edition’s publishers, Milta and Koren Publishers Jerusalem, and financed by the William Davidson Foundation, a family charity. The edition will be known as The William Davidson Talmud.


:: The Babylonian Talmud Is Now Available Free Online in English and Hebrew - By Yair Rosenberg - February 7, 2017 - Tablet
One of the most accessible Hebrew and English translations of the Babylonian Talmud is going open source. Today, Sefaria, an online nonprofit bringing traditional Jewish texts to the internet, announced that it will be posting the entire compendium with the crisp bilingual translation of Jerusalem polymath Rabbi Adin Steinsaltz Even-Yisrael. A multi-decade scholarly effort first published in Israel, the Hebrew Steinsaltz Talmud has long been a print staple of the beit midrash, while the English edition has been distributed by Random House and Koren Publishers. Now, however, both translations will be available to anyone with an internet connection, thanks to a grant from the William Davidson Foundation.


Quem é Adin Steinsaltz? Confira aqui, aqui e aqui.

Observo que o site Sefaria está também disponível em aplicativos gratuitos para Android e iOS.

domingo, 16 de setembro de 2018

A Bíblia desenterrada de Finkelstein e Silberman em nova edição

É isto que os autores deste livro pretendem contar: “A história do antigo Israel e o nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva, uma perspectiva arqueológica”. Os autores pretendem separar história de lenda. Enfim, declaram, seu propósito não é simplesmente desmontar conhecimentos ou crenças, mas partilhar as mais recentes percepções arqueológicas “não apenas sobre o quando, mas também sobre o porquê a Bíblia foi escrita, e porque ela permanece tão poderosa ainda hoje”.


FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p. - ISBN 9788532658074.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p.

Esta obra, um marco na História de Israel, que fora lançada em português em 2003 [A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. – ISBN 8589876187], e está esgotada, recebe agora nova edição pela Vozes, certamente bem mais cuidada e com título muito mais adequado. Eu a utilizo, desde seu lançamento em inglês, em 2001, como bibliografia básica em meu curso de História de Israel.

Recomendo a leitura de minha resenha do original em inglês:

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. The Bible Unearthed. Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. New York: The Free Press, 2001, xii + 385 p. – ISBN 9780684869124

Leia Mais:
The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil
Israel Finkelstein
Neil Asher Silberman

sábado, 15 de setembro de 2018

Expedition: revista online do Penn Museum

 
Expedition - Volume 55 / Issue 2 - 2013

Since 1958, Expedition has been published as the members' magazine of the Penn Museum. Here you can find a complete online archive of nearly 2,000 articles published in Expedition up to last year. Special issues focus on themes, current excavations, research projects, or upcoming exhibitions. To explore the Museum's other digital content, visit The Digital Penn Museum.

domingo, 9 de setembro de 2018

Jogo Real de Ur

O Jogo Real de Ur foi encontrado nas escavações feitas na cidade mesopotâmica de Ur pelo arqueólogo britânico Sir Leonard Woolley na década de vinte do século passado. Um dos tabuleiros encontra-se no Museu Britânico, em Londres, desde 1928. Foi datado como sendo de aproximadamente 2500 a.C. e pertence à cultura suméria.

Jogo Real de Ur - The Royal Game of Ur  (The British Museum)


:: Jogo Real de Ur - The Royal Game of Ur: Play Store (Android)
Há mais de uma opção. Testei este jogo aqui.  Após entrar no jogo, clique no ponto de exclamação  para ver um tutorial de como jogar.

:: Jogo Real de Ur: LuduScience
Site em português de Portugal. Além de breve apresentação, as regras podem ser baixadas em formato pdf. Confira, no menu, outros jogos antigos em "Jogos tradicionais".

:: The Royal Game of Ur: The British Museum
Site do Museu Britânico. Apresentação do jogo, descrição da descoberta, imagens do jogo, bibliografia. Em inglês.

:: The Royal Game of Ur: Board and Pieces
Site sobre jogos abstratos. História da descoberta do jogo e explicação detalhada, com desenhos, de como jogar. Há, neste site, uma bibliografia. Em inglês.

:: Royal Game of Ur – Game of 20 Squares: Ancient Games
Site de Eli Gurevich. História do jogo e explicação de como jogar. Há também um blog sobre jogos antigos. Em inglês.

:: The Rules of the Royal Game of Ur: Masters Traditional Games
Traz as regras do jogo e suas variações, discutindo duas ou três possibilidades. Há regras para vários jogos tradicionais de tabuleiro aqui. Confira também a página Ancient & Historical Board Games. Em inglês.

:: Deciphering the world's oldest rule book - Irving Finkel: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, no qual o curador do Museu Britânico Irving Finkel conta como encontrou e traduziu as regras do Jogo Real de Ur. Publicado em 23 de novembro de 2015.

:: Tom Scott vs Irving Finkel: The Royal Game of Ur: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, onde podemos ver Irving Finkel e Tom Scott jogando o Jogo Real de Ur no Museu Britânico. Publicado em 28 de abril de 2017.

:: Irving Finkel, On the Rules for the Royal Game of Ur: Academia.edu
Sobre as regras do Jogo Real de Ur: texto do livro de FINKEL , I. Ancient Board Games in Perspective: Papers from the 1990 British Museum Colloquium. London: British Museum Press, 2007, 352 p.  ISBN 9780714111537. Confira o livro na Amazon aqui. O texto está disponível para download em Academia.edu. É bastante técnico, porém. Em inglês.

:: 126 imagens do Jogo Real de Ur: Blog de Dmitriy Skiryuk (Дмитрий Скирюк)
Estas imagens estão no blog de Dmitriy Skiryuk, um reconstrutor russo de jogos. As legendas podem ser traduzidas do russo para o português com o auxílio do Google Tradutor.

:: BELL, R. C. Board and Table Games from Many Civilizations. Mineola, NY: Dover Publications, 2012, 464 p. - ISBN 9780486238555
Um livro muito elogiado sobre jogos de tabuleiro. Em inglês.

Leia Mais:
Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia
Histórias do Antigo Oriente Médio: uma bibliografia

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Desdemocracia e epistemicídio

A agenda neoliberal impôs-se como uma nova forma de governamentalidade normativa, que estende a lógica do capital ao mundo inteiro, instalando a pós-democracia ou desdemocracia. O que vimos, entre inertes e revoltados na noite de 2 de setembro de 2018, aqui no Brasil, foi a concretização do epistemicídio em seu estágio mais primitivo e violento.

Museu Nacional - Rio de Janeiro - 02/09/2018

O Brasil sem Brasil: emblema da tragédia do Museu Nacional - por Rosane Borges: CartaCapital — 03/09/2018


A tragédia que se abateu sobre o Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do Brasil, foi a peça que estava faltando para dar sentido à engrenagem de destruição do país da qual somos, simultaneamente, ferramentas e operadores (in)voluntários. 

A agenda neoliberal impôs-se como uma nova forma de governamentalidade normativa, que estende a lógica do capital ao mundo inteiro, instalando a pós-democracia ou desdemocracia, nas palavras dos especialistas no assunto, Pierre Dardot e Christian Laval.

DARDOT, P. ; LAVAL, C. A nova razão do mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016


Com a balada altissonante do neoliberalismo, retorna-se ao capitalismo em seu estado bruto, em sua vida nua; destrói-se e confisca-se direitos adquiridos (relembremos o que o STF fez com a CLT, abrindo as porteiras para a terceirização indiscriminada); hasteia-se a bandeira da terra arrasada para que todos saibamos que não há mais saída, restando-nos a triste constatação de que vivemos (e viveremos) por nossa própria conta.

Para quem ainda não tinha entendido a morfologia da destruição à brasileira, a anedótica pergunta “Quer que eu desenhe?” mostrou sua face. E o desenho foi pintado, ou melhor, filmado em nossas telas ao vivo e em cores de fogo, convertendo-nos em testemunhas oculares, telespectadores desesperados,  céticos em relação ao que víamos.               

A carbonização do Museu Nacional desponta como um emblema real e simbólico do que a regressão neoliberal representa. Responsável por abrigar parte significativa do nosso patrimônio científico, histórico e artístico (em torno de 23 milhões de peças lá estavam abrigadas), o Museu vinha agonizando já algum tempo, emitindo sinais de que (sobre)vivia numa atmosfera de deterioração que pressagiava um iminente colapso.

Leia o texto completo*.


* A lista de obras destruídas pelo incêndio do Museu Nacional citada no artigo pode não ser correta. Confira aqui e aqui.

sábado, 1 de setembro de 2018

Para compreender Francisco

:: A Igreja, Francisco e as resistências. Entrevista com Daniele Menozzi - IHU Online: 01/09/2018

- De que modo Francisco entende a relação entre Igreja e sociedade? E como ele manifesta isso no seu pontificado?

Parece-me que o núcleo fundamental da posição de Francisco em relação à sociedade contemporânea consiste na percepção de que a relação entre a Igreja e as pessoas não pode ser deduzida a partir de uma doutrina estabelecida a priori e considerada válida em todos os tempos e em todos os lugares. Isso não significa que a Igreja caia no relativismo, como consideram os tradicionalistas que se opõem veementemente ao pontífice. A Igreja tem o Evangelho como ponto de referência inevitável e absoluto.

Mas Bergoglio entendeu que o Evangelho só pode ser compreendido e comunicado no devir da história. A pretensão de estar fora e acima da história, como a Igreja fez nos últimos dois séculos, significou a sua renúncia a se colocar em sintonia com o mundo contemporâneo. Em suma, são os sinais dos tempos que permitem entender quais são os traços da mensagem evangélica que interceptam, em uma determinada situação histórica, as perguntas profundas dos seres humanos.

O Papa Francisco captou que, na condição da sociedade atual, a misericórdia representa o núcleo profundo do Evangelho que encontra ressonância em uma vida coletiva marcada pela difusão, em nível planetário, de problemas dramáticos: a crescente pobreza material; as iminentes ameaças de guerra, até mesmo nucleares; as estreitas respostas nacionalistas às grandes ondas migratórias; uma organização econômica marcada pela idolatria do lucro; uma degradação ambiental aparentemente incontrolável.

A opinião é do historiador italiano Daniele Menozzi, professor da Scuola Normale Superiore di Pisa, estudioso do papado moderno e contemporâneo, em entrevista concedida a Lorenzo Prezzi e publicada em Settimana News, 30/08/2018.


Original italiano:

:: La Chiesa, Francesco, le resistenze - Settimana News: 30/08/2018

In che modo Francesco comprende il rapporto tra Chiesa e società? E come lo manifesta nel suo pontificato?

Mi pare che il nucleo fondamentale della posizione di Francesco verso la società contemporanea consista nella percezione che il rapporto tra la Chiesa e gli uomini non può essere dedotto da una dottrina stabilita a priori e ritenuta valida in ogni tempo e in ogni luogo. Questo non significa che la Chiesa cada nel relativismo, come ritengono i tradizionalisti che si oppongono strenuamente al pontefice. La Chiesa ha come punto di riferimento ineludibile e assoluto il Vangelo.

Ma Bergoglio ha capito che il Vangelo può essere compreso e comunicato solo nel divenire della storia. La pretesa di stare al di fuori e al di sopra della storia, come la Chiesa ha fatto negli ultimi due secoli, ha significato una sua rinuncia a porsi in sintonia con il mondo coevo. Sono insomma i segni dei tempi che permettono di capire quali siano i tratti del messaggio evangelico che intercettano, in una determinata situazione storica, le domande profonde degli uomini.

Papa Francesco ha colto che, nella condizione della società odierna, la misericordia rappresenta il nucleo profondo del Vangelo che trova risonanza in una vita collettiva segnata dalla diffusione, a livello planetario, di drammatici problemi: la crescente povertà materiale; le incombenti minacce di guerra, anche nucleare; le grette risposte nazionalistiche alle grandi ondate migratorie; un’organizzazione economica segnata dall’idolatria del profitto; un degrado ambientale apparentemente inarrestabile.


Leia a entrevista completa.


Leia Mais:
Para entender o caso Viganò
Francisco no Observatório Bíblico

Biblical Studies Carnival 150

Seleção de postagens dos biblioblogs em agosto de 2018.

Biblical Studies Carnival 150

Trabalho feito por Kevin Turner em seu blog Monday Morning Theologian.