quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Literatura Pós-Exílica 2018

A Literatura Pós-Exílica é estudada no segundo semestre do segundo ano de Teologia no CEARP. Com enorme abrangência e carga horária limitada, apenas 4 horas semanais, esta disciplina aborda 4 momentos:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos: de Ezequiel a Joel
2. Romance, novela, conto: de Rute a Judite
3. Historiografia: a Obra Histórica do Cronista e 1 e 2 Macabeus
4. A literatura apocalíptica: Daniel e os apocalípticos apócrifos (ou pseudepígrafos).

São privilegiados, pelo minguado do tempo, os momentos 2 e 4. Os profetas são vistos mais rapidamente, pois o profetismo já foi estudado no primeiro semestre; e, infelizmente, a historiografia é apenas mencionada. Já o item 2 é fundamental para se entender o complexo universo de conflitos em que se busca uma identidade judaica - que acaba plural - e o item 4, a apocalíptica, é a porta que deve ser cuidadosamente aberta para a entrada, no semestre seguinte, em o mundo do Novo Testamento.

Dispostos cronologicamente os livros, teríamos o seguinte panorama desta enorme literatura:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
Ezequiel: 593-571 a.C.
Dêutero-Isaías (Is 40-55): cerca de 550
Ageu: 29.8 a 18.12.520
Zacarias 1-8: 18.12.520 a 7.12.518
Trito-Isaías (Is 56-66): entre 520 e 510
Malaquias: entre 480 e 450
Zacarias 9-14: final séc. IV - início séc. III
Joel: séc. IV ou III

2. Romance, novela, conto
Rute: ca. 450 a.C.
Jonas: ca. 450
Ester (hebr.): ca. 350
Tobias: ca. 200
Judite: ca. 150

3. Historiografia
OHCr: 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias: séc. IV a. C.
1 e 2 Macabeus: entre 90 e 70

4. A literatura apocalíptica (seleção)
Daniel: 164 a. C.
O livro etiópico de Henoc: séc. II-63 a.C.
O livro eslavo de Henoc: séc. I d.C.
O livro dos Jubileus: 100 a.C.
Os Salmos de Salomão: 63-40 a.C.
Os Testamentos dos 12 Patriarcas: 130-63 a.C.
Os Oráculos Sibilinos: séc. I a.C.
Assunção de Moisés: 30 a.C.-30 d.C.
O Apocalipse siríaco de Baruc: 75-100 d.C.
O IV livro de Esdras: fim do séc. I d.C.

I. Ementa
Procura compreender a vivência dos judaítas no exílio, lendo os profetas Ezequiel e Dêutero-Isaías. De igual modo, no pós-exílio, através do estudo dos profetas da reconstrução, tais como Ageu, Zacarias, Trito-Isaías e outros. Aborda também os romances, novelas e contos (Rute, Jonas, Ester, Tobias, Judite), que apontam para a construção de uma identidade judaica, tanto dentro do país como na diáspora. A literatura histórica da época, através da Obra Histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias), também é tratada. Finalmente, a significativa literatura apocalíptica, tanto canônica, como Daniel, quanto apócrifa, até Qumran. É um momento privilegiado para a preparação dos estudos neotestamentários, no contexto dos domínios persa, grego e romano sobre a Palestina. O multifacetado encontro entre o judaísmo e o helenismo é abordado em detalhes.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno conhecer a complexidade dos vários judaísmos surgidos no pós-exílio, suas teologias e o ambiente carregado de especulações apocalípticas em que se deu a pregação de Jesus e a escrita do Novo Testamento.

III. Conteúdo Programático
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
:: Ezequiel
:: Dêutero-Isaías (Is 40-55)
:: Ageu
:: Zacarias 1-8
:: Trito-Isaías (Is 56-66)
:: Malaquias
:: Zacarias 9-14
:: Joel

2. Romance, novela, conto
:: Rute
:: Jonas
:: Ester
:: Tobias
:: Judite

3. Historiografia
:: A obra histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias)
:: 1 e 2 Macabeus

4. A literatura apocalíptica
:: Daniel
:: Os apócrifos apocalípticos

IV. Bibliografia
Básica
ARANDA PÉREZ, G. et al. Literatura judaica intertestamentária. 2. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2013, 528 p. - ISBN 8527606097.

COLLINS, J. J. A imaginação apocalíptica: Uma introdução à literatura apocalíptica judaica. São Paulo: Paulus, 2010, 480 p. - ISBN 9788534932448.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004, 1416 p. I: - ISBN 8505006992; II: - ISBN 8534919917.

Complementar
BOCCACCINI, G. Além da hipótese essênia: A separação entre Qumran e o judaísmo enóquico. São Paulo: Paulus, 2010, 280 p. - ISBN 9788534932356.

CHAPMAN, H. H. ; RODGERS, Z. (eds.) A Companion to Josephus. Chichester, West Sussex, UK: Wiley Blackwell, 2016, XVI + 466 p. - ISBN 9781444335330.

DA SILVA, A. J. Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Flávio Josefo, homem singular em uma sociedade plural. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Leitura socioantropológica do Livro de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, p. 107-120, 2008. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Mês da Bíblia 2010: o livro de Jonas. Observatório Bíblico, 7 de maio de 2010.

DA SILVA, A. J. Os essênios: a racionalização da solidariedade. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Paideia grega e Apocalíptica judaica. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 113, p. 11-22, 2012.

DA SILVA, A. J. Religião e formação de classes na antiga Judeia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 120, p. 413-434, 2013.

DIEZ MACHO, A.; PIÑERO, A. (eds.) Apócrifos del Antiguo Testamento I-VI. Madrid: Cristiandad, 1982-2009 [Vol. VI: - ISBN 9788470575426].

JOSEFO, F. História dos Hebreus: obra completa. 5. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007, 1568 p. - ISBN 9788526306417.

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997, 184 p. - ISBN 8505006798. Resumo do livro no Observatório Bíblico.

KONINGS, J.; RIBEIRO, S. H. et al. Bíblia: Teoria e Prática. Leituras de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, 2008.

LIM, T. H. The Dead Sea Scrolls: A Very Short Introduction. 2. ed. New York: Oxford University Press, 2017, 168 p. - ISBN 9780198779520.

REIMER, H. et al. Segundo Isaías: Is 40-55. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 89, 2006.

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016, 536 p. - ISBN 9788532652416.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Daniel: reino de Deus x Imperialismo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 104 p. - ISBN 8534903131.


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Literatura Profética 2018


Abordarei agora a Literatura Profética, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 4 horas. A Literatura Profética trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas pré-exílicos. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária. Os profetas do exílio e do pós-exílio são estudados na Literatura Pós-Exílica, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas pré-exílicos, de Amós a Jeremias, passando por Oseias, Isaías, Miqueias, Habacuc e outros. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas pré-exílicos com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas pré-exílicos
:: Amós
:: Oseias
:: Isaías
:: Miqueias
:: Sofonias
:: Naum
:: Habacuc
:: Jeremias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998, 144 p. - ISBN 8534910634. Versão atualizada em 2011. Disponível online.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004, 1416 p. I: - ISBN 8505006992; II: - ISBN 9788534919913.

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016, 536 p. - ISBN 9788532652416.

Complementar
CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Arrancar e destruir, construir e plantar. A vocação de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 15, p. 11-22, 1987.

DA SILVA, A. J. Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992, 143 p. - ISBN 8505012666.

DA SILVA, A. J. O discurso de Jeremias contra o Templo. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 129, p. 85-96, 2016. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

DA SILVA, A. J. Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo na Ayrton's Biblical Page.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008, xiv + 389 p. - ISBN 9781906055134. Disponível online.

MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016, 168 p. – ISBN 9788534943048.

NISSINEN, M. Prophets and Prophecy in the Ancient Near East. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2003, 296 p. - ISBN  9781589830271. Disponível online.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012, 208 p. - ISBN 8535614346.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2011, 638 p. - ISBN 9788598481340.

WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006, 392 p. - ISBN 8599459031.

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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Literatura Deuteronomista 2018

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes - a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia - e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Artigo na Ayrton's Biblical Page, 2017.

RÖMER, T. A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008, 208 p. - ISBN 9788532637550.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco. Chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014, 304 p. - ISBN 8515024527.

Complementar
DA SILVA, A. J. et al. Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, 2005.

DA SILVA, A. J. Bibliografia comentada sobre a OHDtr. Observatório Bíblico - 24 de fevereiro de 2007.

DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005.

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 43-87 - ISBN 8532628281.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. - ISBN 8589876187.

GONZAGA DO PRADO, J. L. A invasão/ocupação da terra em Josué: Duas leituras diferentes. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 28-36, 2005.

JACOBS, M. R.; PERSON, R. F. Jr. (eds.) Israelite Prophecy and the Deuteronomistic History: Portrait, Reality, and the Formation of a History. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2013, 254 p. - ISBN 9781589837492. Disponível online.

PERSON, R. F. Jr. The Deuteronomic School: History, Social Setting and Literature. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002, xviii + 306 p. - ISBN 9781589830240. Disponível online.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 88 p. - ISBN 8534908923.


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Pentateuco 2018

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Tempo que atualmente se tornou curto, pois há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. A redação do Pentateuco em três tempos
2. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco
3. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21
4. Códigos do Antigo Oriente Médio
5. O Código da Aliança: Ex 20,22-23,19
6. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25
7. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24
8. Caim e Abel: Gn 4,1-26
9. Patriarcas pré-diluvianos - de Adão a Noé: Gn 5,1-28.30-32
10. O dilúvio: Gn 6,5-9,19
11. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9
12. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1
13. A história de José: Gn 37,5-50,26
14. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, 176 p. - ISBN 9788532603319.

SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2009, 144 p. - ISBN 857311844X.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014, 304 p. - ISBN 8515024527.

Complementar
BOUZON, E. O Código de Hammurabi. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, 240 p. - ISBN 8532607780.

BRANDÃO, J. L. Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, 336 p. – ISBN 9788551302835.

CRÜSEMANN, F. A Torá. Teologia e História Social da Lei do Antigo Testamento. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, 599 p. - ISBN 9788532623607.

DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia. Artigo na Ayrton's Biblical Page, 2018.

DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215. - ISBN 853561110X

DA SILVA, A. J. Pequena bibliografia sobre o Livro do Êxodo, o Pentateuco e o Êxodo do Egito. Observatório Bíblico: 19 de julho de 2011.

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. - ISBN 9781589831636. Disponível online.

DOZEMAN, T. B.; RÖMER, T.; SCHMID, K. (eds.) Pentateuch, Hexateuch, or Enneateuch? Identifying Literary Works in Genesis through Kings. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, 324 p. - ISBN 9781589835429. Disponível online.

GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco.  2. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2004, 328 p. - ISBN 9788527610575.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

MESTERS, C. Bíblia, livro da aliança. São Paulo: Paulus, 2017, 80 p. - ISBN 9788534944373.

SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016, 282 p. – ISBN 9788535641486.

STORNIOLO, I. Mandamentos, ontem e hoje (Entrevista com Pe. Ivo Storniolo). Vida Pastoral, São Paulo, n. 149 , p. 27-29, nov./dez. 1989. Disponível online.

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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Língua Hebraica Bíblica 2018

O curso de Língua Hebraica Bíblica compreende apenas 45 horas no segundo semestre do primeiro ano de Teologia. É um tempo insuficiente mesmo para a aprendizagem elementar do hebraico bíblico. Por isso o curso se propõe apenas familiarizar o estudante de Teologia com o universo da língua hebraica e o modo semítico de pensar. No transcorrer das aulas os três itens principais - ouvir, ler e escrever - são trabalhados simultaneamente e não sequencialmente. Este curso está disponível para download ou acesso online na Ayrton's Biblical Page > Hebraico.

I. Ementa
Introdução elementar à língua hebraica bíblica, que parte de um texto específico, Gn 1,1-8, e trabalha com os elementos de ortoépia (pronúncia normal e correta dos sons), ortografia (escrita correta das palavras) e etimologia (formação das palavras e suas flexões) encontrados neste pequeno trecho. O método escolhido foi o de ouvir, ler e escrever a língua hebraica.

II. Objetivos
Trabalha conceitos semíticos importantes para a compreensão do texto bíblico veterotestamentário.

III. Conteúdo Programático
1. Ouvir
Ouvir repetidamente o hebraico. Até o ouvido se acostumar com os sons estranhos. Não há aqui a preocupação em entender. O objetivo é fixar a atenção nos sons e acompanhar o texto de cada versículo, palavra por palavra. Até começar a distinguir onde está o leitor, no caso o cantor.

2. Ler
Nesta seção o objetivo é tentar ler o hebraico. Estão disponíveis, para cada versículo de Gn 1,1-8, a pronúncia, a transliteração e a análise do texto. A pronúncia está bem simplificada, somente chamando a atenção para as tônicas, sem dizer se a vogal é breve ou longa e se o seu som é aberto ou fechado. Já a transliteração, representação dos caracteres hebraicos em caracteres latinos, é mais complexa e tem que ser detalhada.

3. Escrever
Nesta seção é possível aprender algumas regras básicas da gramática hebraica. Regras que permitirão uma escrita mínima de palavras e expressões. Mas a gramática é muito mais do que isto. Há sugestões de gramáticas e dicionários na bibliografia. E há revisões. Uma para cada versículo. As revisões ajudarão o estudante de hebraico verificar o seu nível de absorção do ouvir, do ler e do escrever. Poderão servir igualmente para as avaliações da disciplina.

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. Noções de hebraico bíblico. Revisto e atualizado em 23.01.2018. Brodowski, 2001.

BUSHELL, M. BibleWorks 10. Norfolk, VA: BibleWorks, 2015.

Complementar
ELLIGER, K.; RUDOLPH, W. Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5. ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, [1967/1977], 1997, lviii + 1574 p. - ISBN 9783438052193. A BHS está disponível também online ou para download gratuito.

FARFÁN NAVARRO, E. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Loyola, 2010, 192 p. - ISBN 9788515037445.

KALTNER, J.; MCKENZIE, S. L. (eds.) Beyond Babel: A Handbook for Biblical Hebrew and Related Languages. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002, 256 p. - ISBN 9781589830356. Disponível online.

KIRST, N. et alii Dicionário Hebraico-Português e Aramaico-Português. 31. ed. São Leopoldo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 2016, 305 p. - ISBN 8523301305.

LAMBDIN, T. O. Gramática do Hebraico Bíblico. São Paulo: Paulus, 2003 [5. reimpressão: 2016], 398 p. - ISBN 8534920931.

LANDES, G. M. Building Your Biblical Hebrew Vocabulary: Learning Words by Frequency and Cognate. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2001, 236 p. - ISBN 9781589830035. Disponível online.

MENDES, P. Noções de Hebraico Bíblico. Texto Programado. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011, 192 p. - ISBN 9788527504584.

ORTIZ, P. Dicionário do hebraico e aramaico bíblicos. São Paulo: Loyola, 2010, 176 p. - ISBN 9788515018970.

SCHÖKEL, L. A. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. São Paulo: Paulus, 1997 [6. reimpressão: 2014], 798 p. - ISBN 8534910464.


Leia Mais:
Preparando meus programas de aula para 2018
História de Israel 2018
Pentateuco 2018
Literatura Deuteronomista 2018
Literatura Profética 2018
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História de Israel 2018

Este curso de História de Israel compreende 4 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o século I d.C.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

2. As origens de Israel

3. Os governos de Saul, Davi e Salomão

4. O reino de Israel

5. O reino de Judá

6. A época persa e as conquistas de Alexandre

7. Os Ptolomeus governam a Palestina

8. Os Selêucidas: a helenização da Palestina

9. Os Macabeus I: a resistência

10. Os Macabeus II: a independência

11. O domínio romano


IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. - ISBN 8589876187.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008, 544 p. - ISBN 9788515035557.

PIXLEY, J. A História de Israel a partir dos pobres. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2013, 136 p. - ISBN 9788532602824.

Complementar
CURTIS, A. Oxford Bible Atlas. 4. ed. New York: Oxford University Press, 2007, 224 p. - ISBN 9780191001581.

DA SILVA, A. J. A História Antiga de Israel no Brasil: três opiniões.  Observatório Bíblico - 17 de outubro de 2013.

DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. In: História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 43-87 - ISBN 8532628281.

DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 71, p. 62-74, 2001.

DA SILVA, A. J. A história de Israel no debate atual. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. A origem dos antigos Estados israelitas. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 78, p. 18-31, 2003.

DA SILVA, A. J. História de Israel. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215. - ISBN 853561110X

DA SILVA. A. J. Os essênios: a racionalização da solidariedade. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Pode uma ‘história de Israel’ ser escrita? Observando o debate atual sobre a história de Israel. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Religião e formação de classes na antiga Judeia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 120, p. 413-434, 2013.

DA SILVA, A. J. The History of Israel in the Current Research. Journal of Biblical Studies 1:2, Apr.-Jun. 2001.

DAVIES, P. R. In Search of ‘Ancient Israel’. 2. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, [1992] 2015, 166 p. - ISBN 9781850757375.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 6. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2014, 540 p. Vol 1: ISBN 9788562865244; Vol. 2: ISBN 9788562865411.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015, 232 p. - ISBN 9788534942393.

FINKELSTEIN, I. The Forgotten Kingdom: The Archaeology and History of Northern Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2013, 210 p. - ISBN 9781589839106. Disponível online.

FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. - ISBN 9781589832770. Disponível online.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. David and Solomon: In Search of the Bible's Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. New York: The Free Press, 2007, 352 p. - ISBN 9780743243636.

GERSTENBERGER, E. S. Israel in the Persian Period: The Fifth and Fourth Centuries B.C.E. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, 594 p. - ISBN 9781589832657. Disponível online.

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: Séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014, 552 p. - ISBN 9788515040759.

GOTTWALD, N. K. As Tribos de Iahweh: Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004, 939 p. - ISBN 8534922330.

HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galileia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000 [reimpressão: 2012], 196 p. - ISBN 8534915679.

HORSLEY, R. A. Jesus e a espiral da violência: Resistência judaica popular na Palestina Romana. São Paulo: Paulus, 2010, 304 p. - ISBN 9788534926355.

KAEFER, J. A. A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. São Paulo: Paulus, 2015, 112 p. - ISBN 9788534941549.

KAEFER, J. A. Arqueologia das terras da Bíblia. São Paulo: Paulus, 2012, 96 p. - ISBN 9788534933773.

KAEFER, J. A. Arqueologia das terras da Bíblia II. São Paulo: Paulus, 2016, 136 p. - ISBN 9788534943109.

KESSLER, R. História social do antigo Israel. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2010, 304 p. - ISBN 9788535625295.

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997, 184 p. - ISBN 8505006798.

LOWERY, R. H. Os reis reformadores: culto e sociedade no Judá do Primeiro Templo. São Paulo: Paulinas, 2012, 351 p. - ISBN 8535612912.

MAZAR, A. Arqueologia na terra da Bíblia: 10.000 - 586 a.C. São Paulo: Paulinas, 2012, 558 p. - ISBN 8535610316.

MORGENZTERN, I.; RAGOBERT, T. A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento. 2 DVDs. Documentário baseado no livro The Bible Unearthed [A Bíblia não tinha razão], de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. São Paulo: História Viva - Duetto Editorial, 2007.

STEGEMANN, W. Jesus e seu tempo. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2013, 576 p. - ISBN 9788562865886.

VAN SETERS, J. Em Busca da História: Historiografia no Mundo Antigo e as Origens da História Bíblica. São Paulo: EDUSP, 2008, 400 p. - ISBN 8531411017.

ZABATIERO, J. P. T. Uma história cultural de Israel. São Paulo: Paulus, 2013, 296 p. - ISBN 9788534937597.

Leia Mais:
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Pentateuco 2018
Literatura Deuteronomista 2018
Literatura Profética 2018
Literatura Pós-Exílica 2018

Preparando meus programas de aula para 2018

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula de Bíblia para 2018. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso em 2006, 2009, 2011, 2013, 2015 e 2017, mas a bibliografia vai mudando: livros novos, livros esgotados, links quebrados...

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: "Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was [que], mas um wie [como]: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar" explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267.

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel (alternativa: História da época do Antigo Testamento e História da época do Novo Testamento)

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à S. Escritura (alternativa: Métodos de leitura dos textos bíblicos)
:: Língua Hebraica Bíblica
:: Língua Grega Bíblica

3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Literatura Pós-Exílica
:: Literatura Sinótica e Atos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse


----------------------------------------
Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel: 4 hs/sem.
:: Literatura Profética: 4 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: Língua Hebraica Bíblica: 3 hs/sem.
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Pós-Exílica: 4 hs/sem.


Leia Mais:
História de Israel 2018
Língua Hebraica Bíblica 2018
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Literatura Profética 2018
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Nos 94 anos de papai, coisas da roça

A gostosura do queijo mineiro, a carne de lata que a minha irmã Sônia faz, o pão de queijo especial, as pamonhas... coisas da roça, mas, desse jeito, só em Minas Gerais.

Agora, dessa  vez eu vi uma coisa diferente no dia 19: lá na fazenda da Sônia e do Valdemar as seriemas são tratadas a pão de queijo!

E elas vêm pegar na porta de casa.

Seriema pegando pão de queijo na fazenda da Sônia em 19.01.2018
Seriema tratada a pão de queijo lá na Sônia

Seriema carregando seu pão de queijo lá na Sônia em 19.01.2018
Seriema levando seu pão de queijo


Cavaleira nova na fazenda da Sônia em 19.01.2018
Será que vai?

Na fazenda da Sônia e Valdemar em 19.01.2018
Até parece...

Cães na casa da Sônia em 19.01.2018
Cães na casa da Sônia e Valdemar

Este cão é um akita, japonês - Fazenda da Sônia e Valdemar em 19.01.2018
Cão akita, raça japonesa - casa da Sônia

Queijo na casa da Sônia - 19.01.2018
Queijo que a Sônia faz

Gracinha e Rita comprando queijo na Feira Livre do Produtor Rural em 20.01.2018
Comprando queijo na Feira Livre

Merenda na casa de papai em 18.01.2018
Geraldo e Rita merendando na casa de papai


Merenda na fazenda do papai em 18.01.2018
Merenda na fazenda do papai em 18.01.2018

Na casa do papai em 18.01.2018
Na casa do papai em 18.01.2018

Chegou um fazendeiro novo em Patos de Minas - casa da Sônia em 19.01.2018
Casa da Sônia em 19.01.2018

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A caminho de Patos de Minas, em 18.01.2018 - o Rio Grande em Rifaina
O Rio Grande em Rifaina - 18.01.2018










































A caminho de Patos de Minas, em 18.01.2018 - o Rio Grande em Rifaina
Indo para Patos de Minas - Rifaina: 18.01.2018


A caminho de Patos de Minas, em 18.01.2018 - o Rio Grande em Rifaina
Divisa de São Paulo com Minas Gerais - Rio Grande em Rifaina

Netas e netos de José Nicolau na casa da Sônia em 19.01.2018
Netas e netos de José Nicolau - Casa da Sônia: 19.01.2018

Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas
Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas

Gracinha e Rita na Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas - 20.01.2018
Gracinha e Rita na Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas


Gracinha e Rita na Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas - 20.01.2018
Gracinha e Rita na Feira Livre do Produtor Rural em Patos de Minas


Na orla da Lagoa Grande, em Patos de Minas, em 20.01.2018
Lagoa Grande, Patos de Minas


Com Dindinho e madrinha Maria em 19.01.2018
Visitando Dindinho e madrinha Maria em 19.01.2018

Rita e eu com Dindinho em 20.01.2018 na casa de papai
Rita e eu com Dindinho em 20.01.2018 na casa do papai

Rita e eu na festa de aniversário do papai em 20.01.2018
Rita e eu na festa de aniversário do papai

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A Folia de Reis de Alagoas, distrito pertinho do qual fica a fazenda, fez uma surpresa para o papai no dia 20.01.2018, na festa de seus 94 anos.

Folia de Reis de Alagoas na casa do papai - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na casa do papai - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na casa do papai - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na festa dos 94 anos de Zé Nicolau - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na festa dos 94 anos de Zé Nicolau - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na festa dos 94 anos do "seo" Zé Nicolau - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na festa dos 94 anos do "seo" Zé Nicolau - 20.01.2018


Folia de Reis de Alagoas na festa dos 94 anos do "seo" Zé Nicolau - 20.01.2018


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José Nicolau, meu pai: 94 anos

No dia 16 de janeiro de 2018, José Mariano da Silva, meu pai, mais conhecido como José Nicolau, ou "seo" Zé Nicolau, completou 94 anos de vida.

Nós, filhos de "seo" Zé Nicolau, com alguns parentes e amigos, passamos o sábado, dia 20, com ele. A Folia de Reis de Alagoas esteve na fazenda do papai e lhe prestou uma bonita homenagem.

Rita e eu chegamos em Patos de Minas no dia 18 e ficamos até dia 21. Como nos outros anos, Geraldo, meu irmão, e Gracinha, sua esposa, gentilmente nos acolheram em sua casa.

Parabéns, papai, por seus 94 anos de vida!

Algumas fotos [veja também as fotos das comemorações dos 90, 91, 92 e 93 anos]:


José Nicolau, papai, comemorando os 94 anos  - dia 20.01.2018
José Nicolau em 20.01.2018

José Nicolau com familiares na festa dos 94 anos, em 20.01.2018
José Nicolau com familiares em 20.01.2018
 
José Nicolau em 20.01.2018
José Nicolau na festa de aniversário - 20.01.2018

José Nicolau com parentes em 20.01.2018
Airton, José Nicolau, tio Tonico, tia Fia, tia Aurora

Três irmãos Nicolau: papai, tio Tonico e tia Fia
Três Nicolau: papai, tio Tonico e tia Fia

Rita e papai na fazenda em 18.01.2018
Rita e papai - 18.01.2018
 
Papai na casa do Geraldo e da Gracinha em 18.01.2018
Papai na casa do Geraldo em 18.01.2018

Com papai na casa do Geraldo e da Gracinha em 18.01.2018
Com papai em 18.01.2018

Rita e eu com papai em 18.01.2018
Rita e eu com papai em 18.01.2018

Rita e eu com papai em Patos de Minas - 18.01.2018
Rita e eu com papai - 18.01.2018

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Sobre a decifração da escrita cuneiforme

A história da decifração da escrita cuneiforme, que se encontra detalhada e saborosamente contada em Bottéro, Il était une fois la Mésopotamie, tem algumas datas significativas: 

a) entre 1772 e 1778, Carsten Niebuhr publica as inscrições monumentais mandadas fazer pelos reis persas Dario e Xerxes em Persépolis (no território atual do Irã), em três línguas 

b) em 1803, Georg Grotefend, comparando as três escritas, identifica nelas os nomes de reis persas escrita como Dario e Xerxes, bem como algumas fórmulas, dando os primeiros passos para a decifração 

c) em 1846, Henry C. Rawlinson completa a decifração dos quarenta e dois signos da primeira escrita, mandada fazer por Dario (522-486), na rocha de Behistun, a língua que ela registra, da família indo-europeia, sendo identificada como uma modalidade antiga do persa 

d) a segunda escrita é decifrada na sequência, contando com uma centena de signos, numa língua que se convencionou chamar de elamita, porque esteve durante muito tempo em uso no sudoeste do Irã, outrora chamado de Elam, território conquistado pelos soberanos aquemênidas 

e) avanços na decifração da terceira escrita se processaram paulatinamente por toda a primeira metade do século, em virtude do trabalho de muitos pesquisadores, até que, em 1857, a Royal Asiatic Society, de Londres, enviou o mesmo texto a quatro assiriólogos Rawlinson, Hincks, Talbot e Oppert, pedindo que cada qual o traduzisse isoladamente e, como as traduções coincidiam, entendeu-se que as bases para a decifração eram consistentes, essa terceira língua, da família semítica, tendo sido chamada de acádio a partir do nome da capital do império de Sargão (2334-2279 a. C.), a cidade de Akkad (o texto da prova de 1857 era uma inscrição do rei assírio Teglatphalassar, que reinou entre 1114-1076 a. C.) 

f) finalmente, uma outra língua seria ainda identificada nas inscrições cuneiformes espalhadas por toda parte, o sumério, que não tem relação com nenhuma outra língua conhecida, as datas principais sendo as da publicação de duas obras, Les inscriptions de Sumer et de Accad, de François Thureau-Dangin, em 1905, e Grundzüge der sumerischen Grammatik, de Arno Poebel, em 1923. Desde então, decifrado o cuneiforme, constatou-se que ele foi usado também para escrever um total de onze línguas de diferentes famílias sumério, acádio, eblaíta, elamita, persa, hurrita, hitita, palaíta, luvita, urartiano e ugarítico, usadas em todo o Oriente Médio e na Ásia Menor, da atual Turquia até o Egito.

Texto da nota 20 da Introdução de BRANDÃO, J. L. Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, 336 p. - ISBN 9788551302835


Leia Mais:
Cuneiforme

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os três reis magos

Está na hora de se ler o meu artigo

A visita dos Magos: Mt 2,1-12

Presépio

Neste artigo, escrito em 2002 e atualizado em 2016, procuro responder algumas perguntas, como:
  • Qual método de leitura usar?
  • Qual é o sentido de Mt 1-2?
  • Quem é Herodes Magno?
  • Qual é a data do nascimento de Jesus?
  • Jesus nasceu em Belém ou em Nazaré?
  • Quem são os Magos e que papel exercem no evangelho de Mateus?
  • Quais são as principais hipóteses sobre a estrela de Belém?

Leia Mais:
As Viagens dos Reis Magos
A Folia de Reis
Por que o Natal é celebrado em 25 de dezembro?
Presépios brasileiros

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Israel Finkelstein fala sobre arqueologia e história

 A Proper Answer: Reflections on Archaeology, Archaeologists and Biblical Historiography

By Israel Finkelstein

ANEToday is pleased to present comments by noted archaeologist Israel Finkelstein, delivered at a joint session of ASOR and the Society of Biblical Literature titled “Rethinking Israel” (Boston, November 2017). The session honored Professor Finkelstein’s many contributions and presented him with a festschrift, Rethinking Israel, Studies in the History and Archaeology of Ancient Israel in Honor of Israel Finkelstein, edited by Oded Lipschits, Yuval Gadot, and Matthew Adams.

LIPSCHITS, O. ; GADOT, Y. ; ADAMS, M. (eds.) Rethinking Israel: Studies in the History and Archaeology of Ancient Israel in Honor of Israel Finkelstein. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2017

I wonder what is going on? Does standing here in front of you, in a joint session of ASOR and SBL, which celebrates Rethinking Israel, mean that I have been “institutionalized”? This is a terrifying, compromising moment, which I can hardly contain. The whole thing is probably a mistake and therefore I am going to do my best this evening in order to de-institutionalize myself.

I have been in the field for 46 years, I have taught for 41 years and from the book that we are celebrating today, I learn that my academic record is not the worst, which means that I have earned my right to reflect on archaeology and archaeologists. Since this is a joint session of ASOR and SBL, and in order to comply with much of the contents of the book, I will put the spotlight on biblical historiography. I know that the event calls for me to behave myself and play the nice guy. Indeed, I will do my best to keep it light, but you cannot expect me, the man who has been described for so many years as an enfant terrible, to suddenly become a stately gentleman. 

(...)

In the field of archaeology of Israel and neighboring regions in the Bronze and Iron Ages, my ultimate goal is reconstructing history. I therefore see myself as a “historian practicing archaeology.” One of my closest associates has made a career of describing himself as a technician who brings the dry facts of archaeology to the high court of history and historians. Well, I have never been a technician and if there is a high court, I am confident enough to be a member of the jury. So, with all due respect to changes in the shape of the cooking pot’s rim, whether it is everted or inverted, this is not a topic worthy of devoting one’s life (at least my life) to. Of course, unless the cooking pot sheds light on something bigger in material culture, which in turn leads to better understanding of historical processes.

(...)

I see myself as being lucky on three fronts: to deal with the archaeology of such an important region, to focus on important periods related to the rise of Judeo-Christian civilization, and because of timing. Speaking about timing, I reached the frontline of research into the history of Ancient Israel when the traditional fortress of biblical archaeology started crumbling, enabling one to think differently and freely without being crushed by “authority” – the Thought Police. Many of us were there when the time was ripe; only some of us grabbed the opportunity. Make no mistake, there were endless attempts to stop me and others like me, with all sorts of “tricks and schticks,” some funny and others less so.

(...)

Let me caution you about the three types of academics in our field who are the most menacing to research. First among them is the one who selects the data in advance in order to serve his/her agenda. Here is the modus operandi: Identify a problem, usually a theme central to biblical research; lament how disputed it is and say that you are coming with no agenda – just to look at the facts. Select the data in advance, in order to give you the desired results and then conduct your “study.” Oops – believe it or not – the results fit what you wished to prove from the outset.

Then there is the cultureless ignorant, who boasts about his/her ignorance. Here is how to operate: Make sure that you read nothing and know nothing. Don’t be ashamed of your ignorance; to the contrary, make it the flagship of your work. Endlessly repeat your ignorance in the most provocative way possible. Remember that those whom you are catering to do not care about your ignorance as long as you give them what they want to hear.

Finally, there is the Authority academic who delivers the ideas of others. Here is the mode of operation: Identify a topic in the forefront of research, preferably to do with Ancient Israel. You have little to say, so look for a scholar whose ideas you like. In order not to be accused of plagiarism, attack the author viciously, but then, with a sophisticated twist, sell his/her ideas as your own in a pompous manner. Present yourself as a critical scholar, but cater to church and synagogue.

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Israel Finkelstein