quarta-feira, 16 de agosto de 2006

O que fez Israel no Líbano? Pode ter chegado a hora da verdade

BBC Brasil: 16/08/2006 - 17h28

Trégua põe uso da força em questão em Israel

Guila Flint

da BBC Brasil, em Tel Aviv

Dois dias depois do início do cessar-fogo no conflito contra o grupo libanês Hezbollah, Israel começa a debater sobre o saldo da guerra. Segundo pesquisas de opinião, a maioria dos israelenses acha que Israel não alcançou os objetivos estabelecidos pelo governo, quando decidiu iniciar uma ampla ofensiva no Libano após a captura de dois soldados israelenses pelo Hezbollah. Analistas locais descrevem a guerra em termos como "derrota", "fiasco", ou no mínimo "uma série insuportável de falhas"(...) O sentimento de "fracasso" decorre principalmente do fato de que, apesar de toda a força que Israel aplicou contra o Hezbollah, o grupo ter mantido sua capacidade militar. Até o último dia da guerra, a militância xiita continuou lançando foguetes e mísseis contra o norte do país. As promessas da liderança israelense de "desarmar o Hezbollah" e "eliminar a capacidade do grupo de ameaçar Israel" não se concretizaram (...) Para vários analistas, os resultados desta guerra vão levar os israelenses a se confrontar com os limites da força e questionar o unilateralismo adotado por Ariel Sharon e seguido por seu sucessor, Ehud Olmert. "Tento pensar quando foi a última vez que vi líderes israelenses conversando com líderes árabes sobre paz e tenho dificuldades de lembrar", escreve o jornalista Daniel Ben Simon, em artigo no jornal Haaretz. "Será que esta guerra desgraçada no Líbano e a matança sem fim em Gaza são conseqüência da falta de disposição para falar com nossos vizinhos? Quando foi a última vez que tentamos falar com os palestinos sobre seu futuro e o nosso? Quando tentamos averiguar com os libaneses a possibilidade de um acordo de paz assinado? Quando tentamos retomar as negociações interrompidas com a Síria?", pergunta Ben Simon. De acordo com Gideon Levy, também no jornal Haaretz, "o fracasso pode ter resultados positivos". "Se entendermos que aquilo que não funciona com força também não vai funcionar com mais força, esta guerra poderá nos levar à mesa de negociações." "Talvez mais israelenses se perguntem para que matamos e morremos e talvez entendam que tudo isso, novamente, foi em vão." (...) A frustração com o fracasso militar, porém, juntamente com uma insatisfação crescente de caráter social, também podem resultar no fortalecimento da direita e da concepção do uso de "mais força". Líderes de partidos de direita e pensadores conservadores afirmam que Israel não deveria ter concordado com o cessar-fogo antes de "uma vitória esmagadora". Em um artigo no jornal Maariv, o historiador Alexandre Blei, diretor do departamento de história de Israel da Universidade Judéia e Samaria, no assentamento de Ariel (Cisjordânia), pediu a renúncia do governo (cont.)

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