sábado, 18 de agosto de 2018

O Pentateuco e a OHDtr podem ter sido escritos na época helenística

Um artigo interessante.

Os estudiosos, em sua maioria, defendem a época persa como termo final para a escrita do Pentateuco e da Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr).

Neste artigo, entretanto, Robert K. Gnuse, professor da Loyola University New Orleans, descreve a posição de alguns estudiosos da Escola de Copenhague que apontam a época helenística para a escrita do Pentateuco e da OHDtr. Diz Gnuse que estes autores precisam ser levados a sério, pois podem estar indicando corretamente o rumo da pesquisa futura sobre o Antigo Testamento.


GNUSE, R. K. A Hellenistic First Testament: The Views of Minimalist Scholars. Biblical Theology Bulletin, volume 48, n. 3, p. 115-132, 2018.

Biblical Theology Bulletin, volume 48, n. 3, 2018


Um Primeiro Testamento helenístico: as perspectivas de alguns estudiosos minimalistas

Gnuse diz no resumo:

This article summarizes the views of six significant “minimalist” scholars and others, who theorize that the Primary History in the First Testament was generated in the Hellenistic Era after 300 bce . Some critique of their views is provided combined with a theoretic counter-response. The purpose of this article is primarily to expose the American audience to the writings of the “Copenhagen School” of biblical studies.

Este artigo resume as visões de seis estudiosos “minimalistas” e outros, que propõem que a História Primária no Primeiro Testamento [do Gênesis até Segundo Reis] foi produzida na Era Helenística, após 300 a.C. É oferecida alguma crítica de seus pontos de vista, combinada com uma contrarresposta teórica. O objetivo deste artigo é principalmente explicar para o público norte-americano os escritos da “Escola de Copenhague” de estudos bíblicos.


Ele explica na conclusão:

I have been involved in this discussion over the past twenty years. I have suggested that Greek narratives do lie behind some of the narratives in the biblical text, which implies for some accounts a very late Persian era origin and for other accounts a Hellenistic era origin (...). Because of my own research, I am sympathetic to the “minimalist” viewpoint, especially those ideas suggested by Lemche and Thompson, who admit the existence of biblical narratives prior to the Hellenistic era. I, however, assume that those narratives are more expansive than they are willing to acknowledge. I am fascinated by the views of Gmirkin, Niesiolowski-Spano, and Wadjenbaum. I am not convinced, as are they, that the Primary History is completely a Hellenistic creation. Nor am I convinced by all of their arguments. But ultimately the point that I wish to make is that the scholarship of these authors must be taken seriously in the future and not facilely dismissed, as is too often the case on this side of the Atlantic. They may represent the future of critical studies in the First Testament.

Eu estive envolvido nesta discussão nos últimos vinte anos. Sugeri que as narrativas gregas estão por trás de algumas das narrativas no texto bíblico, o que implica, para alguns relatos, uma origem da era persa muito tardia e, para outros relatos, uma origem da era helenística (...). Devido à minha própria pesquisa, sou simpático ao ponto de vista “minimalista”, especialmente aqueles sugeridos por Lemche e Thompson, que admitem a existência de narrativas bíblicas anteriores à era helenística. Eu, no entanto, assumo que essas narrativas são mais extensas do que eles estão dispostos a reconhecer. Eu sou fascinado pelas visões de Gmirkin, Niesiolowski-Spano e Wadjenbaum. Não estou convencido, como eles, de que a História Primária é completamente uma criação helenística. Nem estou convencido de todos os seus argumentos. Mas, em última análise, o que defendo aqui é a ideia de que a erudição desses autores deve ser levada a sério no futuro e não deve ser ignorada, como acontece com muita frequência neste lado do Atlântico. Eles podem representar o futuro dos estudos acadêmicos sobre o Primeiro Testamento.


Gnuse expõe e avalia as posições de Giovanni Garbini, Niels Peter Lemche, Thomas L. Thompson, Russell Gmirkin, Lukasz Niesiolowski-Spano e Philippe Wajdenbaum. Além destes seis autores, ele cita outros que abordam o assunto muito rapidamente ou que ainda defendem uma época persa para a escrita destes textos, como John Strange, Thomas Bolin, Flemming Nielsen, Jan-Wim Wesselius, K. Stott, Daniel Hawk, Gerhard Larsson, Emanuel Pfoh, Etienne Nodet e Philippe Guillaume.

 Robert K. Gnuse


Eu falaria ainda de Philip R. Davies, que também aborda o assunto. Ele afirma no capítulo 5 de seu In Search of 'Ancient Israel': Foi durante os Períodos Persa e Helenístico que a literatura bíblica deve ter sido composta, e é na sociedade desta época que nós devemos agora procurar pelas precondições que permitiram e motivaram a geração deste construto ideológico que é o Israel bíblico (p. 72). Tenho uma resenha do livro de Philip R. Davies, que pode ser lida aqui.

Sobre alguns destes autores da Escola de Copenhague, recomendo meu artigo Pode uma ‘História de Israel’ ser escrita? E os artigos sobre O Contexto da Obra Histórica Deuteronomista e A História de Israel no debate atual.


Leia Mais:
Os minimalistas na Ayrton's Biblical Page e no Observatório Bíblico

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Luta de classes no Novo Testamento

MYLES, R. J. (ed.) Class Struggle in the New Testament. Lexington Books/Fortress Academic. Em breve

Class Struggle in the New Testament engages the political and economic realities of the first century to unmask the mediation of class through several New Testament texts and traditions. Essays span a range of subfields, presenting class struggle as the motor force of history by responding to recent debates, historical data, and new evidence on the political-economic world of Jesus, Paul, and the Gospels. Chapters address collective struggles in the Gospels, the Roman military and class, the usefulness of categories like peasant, retainer, and middling groups for understanding the world of Jesus, the class basis behind the origin of archangels, the Gospels as products of elite culture, the implication of capitalist ideology upon biblical interpretation, and the New Testament’s use of slavery metaphors, populist features, and gifting practices. The book will become a definitive reference point for future discussion.

Sumário
  1. Class Struggle in the New Testament! (Robert J. Myles)
  2. Jesus, the Temple, and the Crowd: A Way Less Traveled (Neil Elliott)
  3. Romans Go Home? The Military as a Site of Class Struggle in the Roman East and New Testament (Christopher B. Zeichmann)
  4. Peasant Plucking in Mark: Conceptual and Material Issues (Alan H. Cadwallader)
  5. IVDAEA DEVICTA: The Gospels as Imperial “Captive Literature” (Robyn Faith Walsh)
  6. Fishing for Entrepreneurs in the Sea of Galilee? Unmasking Neoliberal Ideology in Biblical Interpretation (Robert J. Myles)
  7. Hand of the Master: Of Slaveholders and the Slave-Relation (Roland Boer and Christina Petterson)
  8. Populist Features in the Gospel of Matthew (Bruce Worthington)
  9. Troubling the Retainer Class in Antiquity (Sarah E. Rollens)
  10. Rethinking Pauline Gift and Social Functions: Class Struggle in Early Christianity? (Taylor Weaver)
  11. The Origin of Archangels: Ideological Mystification of Nobility (Deane Galbraith)
  12. Christian Origins and the Specter of Class: Locating Class Struggle in the New Testament Today (James G. Crossley)

Robert Myles is Lecturer in New Testament and Religion at Murdoch University in Perth, Western Australia.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Dos direitos das mulheres sobre a terra, segundo o Deuteronômio

Dois artigos:

:: The Land Rights of Women in Deuteronomy - By Don C. Benjamin - The Bible and Interpretation, August 2016

An important function of levirate marriage -- requiring women without husbands or heirs to delegate their land rights to guardians – is to protect the rights of elite males by limiting the number of women exercising their land rights independently. Therefore, the primary intention of Instructions on Widows (Deut 25:5-10) is not to provide widows with children, but to put their land back into production.


:: The Impact of Sargon & Enheduanna on Land Rights in Deuteronomy Preliminary Report - By Don C. Benjamin - The Bible and Interpretation, July 2018

Continuing work in my long-ago Deuteronomy and City Life (1983) and my recent Social World of Deuteronomy: a new feminist commentary (2015) and Land Rights of Women in Deuteronomy (2017), here I propose that Birth Stories of Moses parallel Birth Stories of Sargon to compare the way land rights were distributed in Akkad by Sargon and the woman Enheduanna with the way Moses and the women in Deuteronomy distributed land rights in ancient Israel. This paradigm suggests that the intention of Deuteronomy is to describe a utopia, where ownership, administrative and use rights are responsibly distributed as instructions on the maqom sanctuary (12: 2-28), tithing (14:22–29), pilgrimaging (16:1–17) and unresolved killings (19:1–13) reflect.


Como observa Jim Davila, este segundo artigo, de julho de 2018, começa oferecendo um bom panorama do que os estudiosos andam falando sobre o Livro do Deuteronômio. Por isso o recomendo.


Dois livros:

BENJAMIN, D. C. The Social World of Deuteronomy: A New Feminist Commentary. Eugene, OR: Cascade Books, 2015, 298 p. - ISBN 9781498228701 [ebook: 2018]

BENJAMIN, D. C. The Social World of Deuteronomy: A New Feminist Commentary. Eugene, OR: Cascade Books, 2015

The book of Deuteronomy is not an orphan. It belongs to a diverse family of legal traditions and cultures in the world of the Bible. The Social World of Deuteronomy: A New Feminist Commentary brings these traditions and cultures to life, and uses them to enrich our understanding and appreciation of Deuteronomy today. Benjamin uses social-scientific criticism to reconstruct the social institutions where Deuteronomy developed, and those that appear in its traditions. He uses feminist criticism to better understand and appreciate how powerful elite males in Deuteronomy view not only the women, mothers, wives, and widows in their households but also their powerless children, liminal people, slaves, prisoners, outsiders, livestock, and nature. Benjamin also uses feminist criticism to describe important aspects of the daily lives of these often overlooked peoples in ancient Israel. How the elite males in Deuteronomy view the women and other members of their households seldom reflects the underlying reality of how these women and others function.


:: BENJAMIN, D. C. (ed.) The Oxford Handbook of Deuteronomy. New York: Oxford University Press - Em breve

With some 30 chapters by scholars from Europe and the Americas.


Don C. Benjamin teaches Biblical and Near Eastern Studies at Arizona State University, Tempe, AZ, USA.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Mês da Bíblia 2018: Livro da Sabedoria

Com o tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e o lema “A Sabedoria é um espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6), o Mês da Bíblia 2018 traz como proposta de estudo o Livro da Sabedoria.

:: Mês da Bíblia 2018: Para que n'Ele nossos povos tenham vida: Sabedoria 1,1-6,21. Brasília: CNBB, 2018.
Mês da Bíblia 2018: Para que n'Ele nossos povos tenham vida: Sabedoria 1,1-6,21. Brasília: CNBB, 2018.


:: SAB Mês da Bíblia 2018 - A Sabedoria é um espírito amigo do ser humano. São Paulo: Paulinas, 2018, 64 p. - ISBN 9788535643725.

SAB Mês da Bíblia 2018 - A Sabedoria é um espírito amigo do ser humano. São Paulo: Paulinas, 2018


:: CENTRO BÍBLICO VERBO A Sabedoria é um Espírito Amigo do Ser Humano (Sb 1,6): Caminho para a justiça e a vida. São Paulo: Paulus, 2018, 144 p. - ISBN 9788534947404.

CENTRO BÍBLICO VERBO A Sabedoria é um Espírito Amigo do Ser Humano (Sb 1,6): Caminho para a justiça e a vida. São Paulo: Paulus, 2018


:: CEBI-MG Livro da Sabedoria: chave de ouro encerrando a 1a Aliança. São Leopoldo: CEBI, 2018, 96 p.
CEBI-MG Livro da Sabedoria: chave de ouro encerrando a 1a. Aliança. São Leopoldo: CEBI, 2018


:: Estudo do Livro da Sabedoria – para o “Mês da Bíblia” - Maria Aparecida de Cicco - Blog da Catequese - 4 de junho de 2018


Leia mais sobre o Mês da Bíblia e sua história aqui.


Leia Mais:
Mês da Bíblia no Observatório Bíblico

sábado, 4 de agosto de 2018

Evangelhos dominicais e festivos refletidos em grupos

GONZAGA DO PRADO, J. L. Os evangelhos dominicais e festivos refletidos em grupos. Petrópolis: Vozes, 2017, 512 p. - ISBN 9788532653598.

GONZAGA DO PRADO, J. L. Os evangelhos dominicais e festivos refletidos em grupos. Petrópolis: Vozes, 2017


Esta obra visa colaborar na formação de grupos de leitura, reflexão e meditação dos Evangelhos. Esses grupos são o primeiro passo para a formação das comunidades, unidades menores que, unidas em redes, formam a Igreja.


José Luiz Gonzaga do Prado é Mestre em S. Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma. Professor de Bíblia na Faculdade Católica de Pouso Alegre, MG. Participa do grupo dos Biblistas Mineiros.

Karl Marx, 200 anos

Karl Marx, 200 anos. Do capitalismo industrial às lógicas do mundo em rede

Este é o tema de capa da Revista IHU On-Line, edição 525, 30 de julho de 2018.

Karl Marx, 200 anos. Do capitalismo industrial às lógicas do mundo em rede

Como sobrevivem os homens?

Os homens sobrevivem nas histórias que deles se contam.

Quando um homem morre, sua história é tudo o que ele tem. Ele será lembrado por isso. Através de sua história, o homem pode viver para sempre.

Man meets his end, his story is all he has. He will be remembered by it. Through his history man can live forever.


Grendel, 2007 - Dirigido por Nick Lyon

Visite: Beowulf Resources

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Biblical Studies Carnival 149

Seleção de postagens dos biblioblogs em julho de 2018.

Biblical Studies Carnival 149 Has Come to Town!

Trabalho feito por Karen R. Keen em seu blog.

terça-feira, 31 de julho de 2018

A vida dos judaítas exilados na Babilônia

Judean Life in Babylonia - By Dr. Laurie Pearce - TheTorah.com

Após a conquista de Judá em 586 a.C., Nabucodonosor deportou muitos judaítas para a Babilônia. Como era a vida deles no exílio? Eles foram assimilados ou não? Que língua (s) eles falavam e que práticas religiosas eles mantiveram? Qual era a sua posição social e econômica? Registros babilônicos nos permitem vislumbrar a vida de alguns dos deportados.


Upon the conquest of Judah, Nebuchadnezzar deported many Judeans to Babylonia. What was their life like there? Were they assimilated, or did they stand out? What language(s) did they speak and what religious practices did they maintain? What was their social and economic standing? Babylonian records allow us glimpses into the lives of some of the deportees.


A Dra. Laurie Pearce é Professora de acádico no Departamento de Estudos do Oriente Médio, Universidade da Califórnia, Berkeley, USA.

Dr. Laurie Pearce is a Lecturer in Akkadian in the Department of Near Eastern Studies, University of California, Berkeley.

Ezequiel: sacerdote israelita e intelectual babilônico

Ezekiel: A Jewish Priest and a Babylonian Intellectual - By Dr. Laurie Pearce - TheTorah.com

Ezequiel, um sacerdote nascido, criado e educado em Judá, viveu e profetizou grande parte de sua vida adulta na Babilônia em contato com eruditos e escribas especialistas em cuneiforme. O uso que Ezequiel faz das palavras tomadas do acádico, suas alusões a obras-primas da literatura cuneiforme, como a Epopeia de Gilgámesh, e sua compreensão da cosmologia babilônica, tudo isso atesta sua inserção bastante significativa no ambiente cultural da Babilônia.

Ezekiel, a priest born, raised, and educated in Judah, lived and prophesied much of his adult life in Babylonia in contact with cuneiform scholars and scribes. Ezekiel’s use of Akkadian loanwords, his allusions to masterpieces of cuneiform literature (such as the Gilgamesh Epic), and his understanding of Babylonian cosmology all attest to his rather complete integration into the cultural milieu of Babylon.


A Dra. Laurie Pearce é Professora de acádico no Departamento de Estudos do Oriente Médio, Universidade da Califórnia, Berkeley, USA.

Dr. Laurie Pearce is a Lecturer in Akkadian in the Department of Near Eastern Studies, University of California, Berkeley.