quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Talmud online

Para quem tem interesse no Talmud, lembro que a tradução de Adin Steinsaltz está online em hebraico e inglês no site Sefaria.

Sobre isso dois artigos, em inglês, podem ser lidos:

:: Online library sets Talmud ‘free’ with full, no-charge translations - By Ben Sales - 8 February 2017 - The Times of Israel
For centuries, studying a page of the Talmud has come with a bevy of barriers to entry. Written mostly in Aramaic, the Talmud in its most commonly printed form also lacks punctuation or vowels, let alone translation. Its premier explanatory commentary, composed by the medieval sage Rashi, is usually printed in an obscure Hebrew typeface read almost exclusively by religious, learned Jews. Even then, scholars can still spend hours figuring out what the text means. And that’s not to mention the Talmud’s size and cost: 37 full volumes, called tractates, take up an entire shelf of a library and can cost several thousand dollars. Now, a website hopes to build on these earlier breakthroughs and break all the barriers at once. Sefaria, a website founded in 2013 that aims to put the seemingly infinite Jewish canon online for free, has published an acclaimed translation of the Talmud in English. The translation, which includes explanatory notes in relatively plain language, was started by Rabbi Adin Steinsaltz in 1965 and is considered by many to be the best in its class (...) The translation’s publication was made possible by a multimillion-dollar deal with the Steinsaltz edition’s publishers, Milta and Koren Publishers Jerusalem, and financed by the William Davidson Foundation, a family charity. The edition will be known as The William Davidson Talmud.


:: The Babylonian Talmud Is Now Available Free Online in English and Hebrew - By Yair Rosenberg - February 7, 2017 - Tablet
One of the most accessible Hebrew and English translations of the Babylonian Talmud is going open source. Today, Sefaria, an online nonprofit bringing traditional Jewish texts to the internet, announced that it will be posting the entire compendium with the crisp bilingual translation of Jerusalem polymath Rabbi Adin Steinsaltz Even-Yisrael. A multi-decade scholarly effort first published in Israel, the Hebrew Steinsaltz Talmud has long been a print staple of the beit midrash, while the English edition has been distributed by Random House and Koren Publishers. Now, however, both translations will be available to anyone with an internet connection, thanks to a grant from the William Davidson Foundation.


Quem é Adin Steinsaltz? Confira aqui, aqui e aqui.

Observo que o site Sefaria está também disponível em aplicativos gratuitos para Android e iOS.

domingo, 16 de setembro de 2018

A Bíblia desenterrada de Finkelstein e Silberman em nova edição

É isto que os autores deste livro pretendem contar: “A história do antigo Israel e o nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva, uma perspectiva arqueológica”. Os autores pretendem separar história de lenda. Enfim, declaram, seu propósito não é simplesmente desmontar conhecimentos ou crenças, mas partilhar as mais recentes percepções arqueológicas “não apenas sobre o quando, mas também sobre o porquê a Bíblia foi escrita, e porque ela permanece tão poderosa ainda hoje”.


FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p. - ISBN 9788532658074.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p.

Esta obra, um marco na História de Israel, que fora lançada em português em 2003 [A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. – ISBN 8589876187], e está esgotada, recebe agora nova edição pela Vozes, certamente bem mais cuidada e com título muito mais adequado. Eu a utilizo, desde seu lançamento em inglês, em 2001, como bibliografia básica em meu curso de História de Israel.

Recomendo a leitura de minha resenha do original em inglês:

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. The Bible Unearthed. Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. New York: The Free Press, 2001, xii + 385 p. – ISBN 9780684869124

Leia Mais:
The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil
Israel Finkelstein
Neil Asher Silberman

sábado, 15 de setembro de 2018

Expedition: revista online do Penn Museum

 
Expedition - Volume 55 / Issue 2 - 2013

Since 1958, Expedition has been published as the members' magazine of the Penn Museum. Here you can find a complete online archive of nearly 2,000 articles published in Expedition up to last year. Special issues focus on themes, current excavations, research projects, or upcoming exhibitions. To explore the Museum's other digital content, visit The Digital Penn Museum.

domingo, 9 de setembro de 2018

Jogo Real de Ur

O Jogo Real de Ur foi encontrado nas escavações feitas na cidade mesopotâmica de Ur pelo arqueólogo britânico Sir Leonard Woolley na década de vinte do século passado. Um dos tabuleiros encontra-se no Museu Britânico, em Londres, desde 1928. Foi datado como sendo de aproximadamente 2500 a.C. e pertence à cultura suméria.

Jogo Real de Ur - The Royal Game of Ur  (The British Museum)


:: Jogo Real de Ur - The Royal Game of Ur: Play Store (Android)
Há mais de uma opção. Testei este jogo aqui.  Após entrar no jogo, clique no ponto de exclamação  para ver um tutorial de como jogar.

:: Jogo Real de Ur: LuduScience
Site em português de Portugal. Além de breve apresentação, as regras podem ser baixadas em formato pdf. Confira, no menu, outros jogos antigos em "Jogos tradicionais".

:: The Royal Game of Ur: The British Museum
Site do Museu Britânico. Apresentação do jogo, descrição da descoberta, imagens do jogo, bibliografia. Em inglês.

:: The Royal Game of Ur: Board and Pieces
Site sobre jogos abstratos. História da descoberta do jogo e explicação detalhada, com desenhos, de como jogar. Há, neste site, uma bibliografia. Em inglês.

:: Royal Game of Ur – Game of 20 Squares: Ancient Games
Site de Eli Gurevich. História do jogo e explicação de como jogar. Há também um blog sobre jogos antigos. Em inglês.

:: The Rules of the Royal Game of Ur: Masters Traditional Games
Traz as regras do jogo e suas variações, discutindo duas ou três possibilidades. Há regras para vários jogos tradicionais de tabuleiro aqui. Confira também a página Ancient & Historical Board Games. Em inglês.

:: Deciphering the world's oldest rule book - Irving Finkel: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, no qual o curador do Museu Britânico Irving Finkel conta como encontrou e traduziu as regras do Jogo Real de Ur. Publicado em 23 de novembro de 2015.

:: Tom Scott vs Irving Finkel: The Royal Game of Ur: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, onde podemos ver Irving Finkel e Tom Scott jogando o Jogo Real de Ur no Museu Britânico. Publicado em 28 de abril de 2017.

:: Irving Finkel, On the Rules for the Royal Game of Ur: Academia.edu
Sobre as regras do Jogo Real de Ur: texto do livro de FINKEL , I. Ancient Board Games in Perspective: Papers from the 1990 British Museum Colloquium. London: British Museum Press, 2007, 352 p.  ISBN 9780714111537. Confira o livro na Amazon aqui. O texto está disponível para download em Academia.edu. É bastante técnico, porém. Em inglês.

:: 126 imagens do Jogo Real de Ur: Blog de Dmitriy Skiryuk (Дмитрий Скирюк)
Estas imagens estão no blog de Dmitriy Skiryuk, um reconstrutor russo de jogos. As legendas podem ser traduzidas do russo para o português com o auxílio do Google Tradutor.

:: BELL, R. C. Board and Table Games from Many Civilizations. Mineola, NY: Dover Publications, 2012, 464 p. - ISBN 9780486238555
Um livro muito elogiado sobre jogos de tabuleiro. Em inglês.

Leia Mais:
Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia
Histórias do Antigo Oriente Médio: uma bibliografia

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Desdemocracia e epistemicídio

A agenda neoliberal impôs-se como uma nova forma de governamentalidade normativa, que estende a lógica do capital ao mundo inteiro, instalando a pós-democracia ou desdemocracia. O que vimos, entre inertes e revoltados na noite de 2 de setembro de 2018, aqui no Brasil, foi a concretização do epistemicídio em seu estágio mais primitivo e violento.

Museu Nacional - Rio de Janeiro - 02/09/2018

O Brasil sem Brasil: emblema da tragédia do Museu Nacional - por Rosane Borges: CartaCapital — 03/09/2018


A tragédia que se abateu sobre o Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do Brasil, foi a peça que estava faltando para dar sentido à engrenagem de destruição do país da qual somos, simultaneamente, ferramentas e operadores (in)voluntários. 

A agenda neoliberal impôs-se como uma nova forma de governamentalidade normativa, que estende a lógica do capital ao mundo inteiro, instalando a pós-democracia ou desdemocracia, nas palavras dos especialistas no assunto, Pierre Dardot e Christian Laval.

DARDOT, P. ; LAVAL, C. A nova razão do mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016


Com a balada altissonante do neoliberalismo, retorna-se ao capitalismo em seu estado bruto, em sua vida nua; destrói-se e confisca-se direitos adquiridos (relembremos o que o STF fez com a CLT, abrindo as porteiras para a terceirização indiscriminada); hasteia-se a bandeira da terra arrasada para que todos saibamos que não há mais saída, restando-nos a triste constatação de que vivemos (e viveremos) por nossa própria conta.

Para quem ainda não tinha entendido a morfologia da destruição à brasileira, a anedótica pergunta “Quer que eu desenhe?” mostrou sua face. E o desenho foi pintado, ou melhor, filmado em nossas telas ao vivo e em cores de fogo, convertendo-nos em testemunhas oculares, telespectadores desesperados,  céticos em relação ao que víamos.               

A carbonização do Museu Nacional desponta como um emblema real e simbólico do que a regressão neoliberal representa. Responsável por abrigar parte significativa do nosso patrimônio científico, histórico e artístico (em torno de 23 milhões de peças lá estavam abrigadas), o Museu vinha agonizando já algum tempo, emitindo sinais de que (sobre)vivia numa atmosfera de deterioração que pressagiava um iminente colapso.

Leia o texto completo*.


* A lista de obras destruídas pelo incêndio do Museu Nacional citada no artigo pode não ser correta. Confira aqui e aqui.

sábado, 1 de setembro de 2018

Para compreender Francisco

:: A Igreja, Francisco e as resistências. Entrevista com Daniele Menozzi - IHU Online: 01/09/2018

- De que modo Francisco entende a relação entre Igreja e sociedade? E como ele manifesta isso no seu pontificado?

Parece-me que o núcleo fundamental da posição de Francisco em relação à sociedade contemporânea consiste na percepção de que a relação entre a Igreja e as pessoas não pode ser deduzida a partir de uma doutrina estabelecida a priori e considerada válida em todos os tempos e em todos os lugares. Isso não significa que a Igreja caia no relativismo, como consideram os tradicionalistas que se opõem veementemente ao pontífice. A Igreja tem o Evangelho como ponto de referência inevitável e absoluto.

Mas Bergoglio entendeu que o Evangelho só pode ser compreendido e comunicado no devir da história. A pretensão de estar fora e acima da história, como a Igreja fez nos últimos dois séculos, significou a sua renúncia a se colocar em sintonia com o mundo contemporâneo. Em suma, são os sinais dos tempos que permitem entender quais são os traços da mensagem evangélica que interceptam, em uma determinada situação histórica, as perguntas profundas dos seres humanos.

O Papa Francisco captou que, na condição da sociedade atual, a misericórdia representa o núcleo profundo do Evangelho que encontra ressonância em uma vida coletiva marcada pela difusão, em nível planetário, de problemas dramáticos: a crescente pobreza material; as iminentes ameaças de guerra, até mesmo nucleares; as estreitas respostas nacionalistas às grandes ondas migratórias; uma organização econômica marcada pela idolatria do lucro; uma degradação ambiental aparentemente incontrolável.

A opinião é do historiador italiano Daniele Menozzi, professor da Scuola Normale Superiore di Pisa, estudioso do papado moderno e contemporâneo, em entrevista concedida a Lorenzo Prezzi e publicada em Settimana News, 30/08/2018.


Original italiano:

:: La Chiesa, Francesco, le resistenze - Settimana News: 30/08/2018

In che modo Francesco comprende il rapporto tra Chiesa e società? E come lo manifesta nel suo pontificato?

Mi pare che il nucleo fondamentale della posizione di Francesco verso la società contemporanea consista nella percezione che il rapporto tra la Chiesa e gli uomini non può essere dedotto da una dottrina stabilita a priori e ritenuta valida in ogni tempo e in ogni luogo. Questo non significa che la Chiesa cada nel relativismo, come ritengono i tradizionalisti che si oppongono strenuamente al pontefice. La Chiesa ha come punto di riferimento ineludibile e assoluto il Vangelo.

Ma Bergoglio ha capito che il Vangelo può essere compreso e comunicato solo nel divenire della storia. La pretesa di stare al di fuori e al di sopra della storia, come la Chiesa ha fatto negli ultimi due secoli, ha significato una sua rinuncia a porsi in sintonia con il mondo coevo. Sono insomma i segni dei tempi che permettono di capire quali siano i tratti del messaggio evangelico che intercettano, in una determinata situazione storica, le domande profonde degli uomini.

Papa Francesco ha colto che, nella condizione della società odierna, la misericordia rappresenta il nucleo profondo del Vangelo che trova risonanza in una vita collettiva segnata dalla diffusione, a livello planetario, di drammatici problemi: la crescente povertà materiale; le incombenti minacce di guerra, anche nucleare; le grette risposte nazionalistiche alle grandi ondate migratorie; un’organizzazione economica segnata dall’idolatria del profitto; un degrado ambientale apparentemente inarrestabile.


Leia a entrevista completa.


Leia Mais:
Para entender o caso Viganò
Francisco no Observatório Bíblico

Biblical Studies Carnival 150

Seleção de postagens dos biblioblogs em agosto de 2018.

Biblical Studies Carnival 150

Trabalho feito por Kevin Turner em seu blog Monday Morning Theologian.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Os profetas maiores na pesquisa recente

Estou estudando, nos últimos meses, com meus alunos do Segundo Ano de Teologia do CEARP, os livros de Isaías, Jeremias e Ezequiel. Um dos livros que tenho utilizado para acompanhar as tendências da pesquisa na área é:

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008,  xiv + 389 p. - ISBN 9781906055134

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008


Given the many new methods and approaches for interpreting biblical literature that have appeared in the past several decades, it is hardly surprising that our understanding of the prophets Isaiah, Jeremiah and Ezekiel has expanded and diversified at a rapid pace. Historical-critical understandings and perspectives have been challenged and often dramatically altered. New approaches, such as social-scientific criticism, rhetorical criticism, feminist criticism, reader response criticism, literary analysis, anthropological analysis, structuralist criticism, ideological criticism, and deconstructionist criticism have both challenged old approaches and shed new light on the texts being studied. In this volume, Alan Hauser presents eleven articles, each with an extensive bibliography, that survey the variety and depth of recent and contemporary scholarship on these three prophets. Five of them are new to this volume. All are written by experts in each area of scholarship, including Marvin Sweeney, Paul Kim, Roy Melugin, Robert P. Carroll, Peter Diamond, Katheryn Pfisterer Darr and Risa Levitt Kohn. Hauser introduces the volume with a comprehensive summary and overview of the articles.


Recomendo o livro, embora publicado em 2008, por duas razões:

. está disponível gratuitamente no Projeto ICI da SBL. Observe o preço na Amazon e avalie se vale a pena.

. a bibliografia acadêmica sobre os profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel, em língua portuguesa, é escassa e, quando chega, é com muito atraso.


Pode-se consultar também:

:: Todos os seminários do PIB para professores de Bíblia - Observatório Bíblico: 9 de março de 2018

O primeiro seminário, em janeiro de 2012, foi sobre o profetismo, com destaque para Isaías e Jeremias. Leia o diário do seminário feito por Cássio Murilo Dias da Silva. E há material de estudo disponível para download.


:: O blog Biblical Studies journal alerts

Traz links para os mais recentes números de algumas importantes revistas acadêmicas de Bíblia, inclusive a Currents in Biblical Research, onde Alan J. Hauser, organizador do livro acima, é editor.

Leia Mais:
Literatura Profética 2018

Para entender o caso Viganò

:: Ex-núncio nos EUA, Viganò: ''O papa deve renunciar'' - Andrea Tornielli: IHU Online - 27/08/2018

O diplomata vaticano publicou um documento sobre o caso do cardeal homossexual McCarrick com acusações contra a cúpula vaticana dos últimos 20 anos.

As autoridades da Santa Sé tinham conhecimento, desde o ano 2000, da existência de acusações contra o arcebispo Theodore McCarrik, promovido no fim daquele ano a arcebispo de Washington e criado cardeal por João Paulo II no ano seguinte: era sabido que o prelado convidava seus seminaristas para dormir com ele na casa de praia. É o que afirma um documento de 11 páginas assinado por Carlo Maria Viganò, ex-secretário do Governatorato e ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, que foi afastado do Vaticano e enviado para a sede diplomática de Washington em 2011. O texto do Viganò está repleto de datas e de circunstâncias, e é claramente dirigido contra o Papa Francisco, do qual o ex-núncio pede a renúncia, porque, na sua opinião, teria removido as sanções existentes contra McCarrick após o conclave de 2013. O documento repropõe, detalhando-os, boatos e informações que já circularam pelo menos nos últimos dois meses na galáxia midiática antipapal e tradicionalista norte-americana e europeia, tentando descarregar toda a responsabilidade sobre os ombros do atual pontífice.


:: L’ex nunzio negli Usa Viganò: “Il Papa si deve dimettere” - Andrea Tornielli: Vatican Insider - 26/08/2018

Il diplomatico vaticano ha reso pubblico un documento sul caso del cardinale omosessuale McCarrick con accuse contro i vertici vaticani degli ultimi vent’anni

Le autorità della Santa Sede erano a conoscenza fin dal 2000 dell’esistenza di accuse contro l’arcivescovo Theodore McCarrick, promosso alla fine di quell’anno arcivescovo di Washington e creato cardinale da Giovanni Paolo II l’anno successivo: era noto che il prelato invitava i suoi seminaristi a dormire con lui nella casa al mare. È quanto si legge in un documento di 11 pagine firmato da Carlo Maria Viganò, ex segretario del Governatorato ed ex nunzio apostolico negli Stati Uniti, che venne allontanato dal Vaticano e inviato nella sede diplomatica di Washington nel 2011. Il testo di Viganò è zeppo di date e di circostanze, ed è chiaramente indirizzato contro Papa Francesco, del quale l’ex nunzio chiede le dimissioni perché a suo dire avrebbe tolto delle sanzioni esistenti contro MacCarrick dopo il conclave del 2013. Il documento ripropone, circostanziando le voci e informazioni già circolate almeno negli ultimi due mesi nella galassia mediatica antipapale e tradizionalista americana ed europea, cercando di attribuire ogni responsabilità sulle spalle dell’attuale Pontefice.

 

:: O catolicismo nos Estados Unidos e a tentativa de golpe contra Francisco. Artigo de Massimo Faggioli - IHU Online - 28/08/2018

Na sua carta de 20 de agosto a todo o povo de Deus, Francisco identificou no clericalismo a verdadeira chaga da Igreja: prova disso é a tentativa de golpe de Estado do fim de semana, com o memorial publicado pelo ex-núncio nos Estados Unidos, Carlo Maria Viganò. A manobra foi estudada minuciosamente tanto nos tempos quanto nos modos – especialmente olhando para os jornalistas hostis a Francisco que se prestaram a isso – e fracassou, pelo menos quanto à tentativa de empurrar o papa a renunciar. Mas, para entender o que está acontecendo na Igreja, este momento deve ser analisado na rota entre os Estados Unidos e o Vaticano.

(...)

Além dessa convergência entre a agenda pessoal de Viganò e a agenda ideológica do mundo estadunidense e anglo-saxão hostil a Francisco, o outro elemento-chave para compreender a operação e o motivo pelo qual ela fracassou é a transição de um certo tipo de catolicismo conservador para outro nos Estados Unidos.

Observando as publicações e os artigos de jovens jornalistas e intelectuais da nova geração de católicos estadunidenses (nascidos nos anos 1980-1990), é perceptível como eles não representam mais o catolicismo neoconservador “das antigas” (um nome acima de todos: George Weigel), aquele que chegou ao poder com o Partido Republicano, especialmente com George W. Bush em 2000 e nos Estados Unidos pós-11 de setembro de 2001.

Mas hoje a nova geração de católicos estadunidenses de direita (tanto leigos quanto padres e seminaristas, mas também alguns bispos) interpreta um catolicismo teologicamente neo-ortodoxo, moralmente neointegralista, politicamente antiliberal e anti-internacionalista, esteticamente neomedieval.

É o catolicismo cada vez mais visível na revista-farol da reação conservadora à teologia liberal, First Things, na qual as duas tendências e as divergências entre si são visíveis. Nessa transição de um tipo de conservadorismo católico para outro, nota-se uma diferença de ênfases nas críticas ao Papa Francisco. Ambos são muito críticos à teologia do Papa Francisco. A nova ala extremista e neointegralista, que lembra em alguns aspectos a Action Française de Charles Maurras nos anos 1920 (condenada por Pio XI), não hesita em identificar no Papa Francisco um papa herege ou não católico. Mas a velha geração de católicos neoconservadores não está disposta a arruinar a Igreja a fim de se livrar do Papa Francisco: e foi aí que faltou o apoio à operação Viganò.

O ataque ao Papa Francisco do último fim de semana também deve ser lido dentro da luta pela supremacia dentro do catolicismo estadunidense conservador, entre a velha escola neoconservadora e o novo integralismo medievalista. O ataque contra o Papa Francisco fracassou, mas não está claro o que acontecerá com a cultura católica conservadora nos Estados Unidos: se ela recuará para um neoconservadorismo que ainda mantém algum sentido das instituições (eclesiásticas ou não), ou se tomará o caminho de um jacobinismo católico que não tem medo de flertar com a ideia de um novo cisma do Ocidente.


:: Il cattolicesimo negli Stati Uniti e il tentato golpe contro Francesco - Massimo Faggioli: HuffPost.it - 27/08/2018
Nella sua lettera del 20 agosto a tutto il popolo di Dio, Francesco ha identificato nel clericalismo la vera piaga della chiesa: ne dà conferma il tentato colpo di stato del fine settimana, con il memoriale pubblicato dall'ex nunzio negli Stati Uniti, Carlo Maria Viganò. La manovra è stata studiata a tavolino sia nei tempi sia nei modi – specialmente guardando ai giornalisti ostili a Francesco che si sono prestati - ed è fallita, almeno quanto al tentativo di spingere il papa alle dimissioni. Ma per capire quanto sta succedendo nella chiesa, questo momento va analizzato sulla rotta tra Stati Uniti e Vaticano.

(...)

C'è poi un secondo elemento dell'operazione. Oltre a questa convergenza tra l'agenda personale di Viganò e l'agenda ideologica del mondo americano e anglosassone ostile a Francesco, l'altro elemento chiave per comprendere l'operazione e il motivo per cui è fallita è la transizione da un certo tipo di cattolicesimo conservatore a un altro negli Stati Uniti. Osservando le pubblicazioni e gli articoli di giovani giornalisti e intellettuali della nuova generazione di cattolici americani (nati negli anni ottanta-novanta) è percepibile come essi non rappresentino più il cattolicesimo neo-conservatore vecchia scuola (un nome per tutti, George Weigel), quello arrivato al potere col Partito repubblicano, specialmente con George W. Bush nel 2000 e nell'America post-11 settembre 2001. Ma oggi la nuova generazione di cattolici americani di destra (sia laici, sia preti e seminaristi, ma anche qualche vescovo) interpreta un cattolicesimo teologicamente neo-ortodosso, moralmente neo-integralista, politicamente anti-liberale e anti-internazionalista, esteticamente neo-medievale.

È il cattolicesimo sempre più visibile nella rivista-faro della reazione conservatrice alla teologia liberal, First Things, nella quale le due tendenze e le divergenze tra loro sono visibili. In questa transizione da un tipo di conservatorismo cattolico a un altro si nota una differenza di accenti nelle critiche a papa Francesco. Entrambi sono molto critici della teologia di papa Francesco. La nuova frangia oltranzista e neo-integralista, che ricorda per certi aspetti l'Action Francaise di Charles Maurras negli anni venti del secolo scorso (condannata da Pio XI), non si fa remore di identificare in papa Francesco un papa eretico o non cattolico. Ma la vecchia generazione di cattolici neo-conservatori non è disposta a fare macerie della chiesa pur di liberarsi di papa Francesco: ed è qui che è mancato il supporto all'operazione Viganò.

L'attacco a papa Francesco dello scorso fine settimana va letto anche all'interno della lotta per la supremazia all'interno del cattolicesimo americano conservatore, tra vecchia scuola neo-conservatrice e nuovo integralismo medievalista. L'attacco a papa Francesco è fallito, ma non è chiaro cosa sarà della cultura cattolica conservatrice negli Stati Uniti: se tornerà sui passi di un neo-conservatorismo che conserva ancora un qualche senso delle istituzioni (ecclesiastiche e non), oppure se prenderà la via di un giacobinismo cattolico che non ha paura di flirtare con l'idea di un nuovo scisma d'Occidente.


Leia Mais:
Francisco no Observatório Bíblico
Francisco no Twitter