terça-feira, 9 de outubro de 2018

O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil

O ebook do livro O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil, de vários autores, organizado por Esther Solano Gallego, pode ser baixado gratuitamente até o dia 28/10/2018.

GALLEGO, E. S. (org.) O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2018, 128 p. - ISBN 9788575596548.

GALLEGO, E. S. (org.) O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2018.

Diz o blog da editora Boitempo:

Livro organizado por Esther Solano Gallego faz raio-x do avanço das direitas no Brasil e ajuda a traçar estratégias para combater Bolsonaro antes que seja tarde demais.

O Brasil vive um dos momentos mais tensos de sua história. As próximas semanas de campanha para o segundo turno das eleições presidenciais serão decisivas para o futuro da democracia no país. Para ajudar a compreender como chegamos até aqui, o que pode está por vir e como melhor agir neste momento crítico, a Boitempo acaba de liberar o e-book gratuito do livro de intervenção O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil, um retrato completo do avanço das direitas no Brasil, organizada por Esther Solano. Precisamos nos fazer perguntas difíceis para enfrentar as ameaças de retrocesso e este livro é um importante ponto de partida.

Até o dia do segundo turno, 28/10/2018, o leitor poderá baixar gratuitamente o livro digital nas principais livrarias do ramo. Confira os links na Amazon, Apple, Google Play e Kobo.

O ódio como política, organizado por Esther Solano, chega às livrarias durante o período eleitoral, no momento em que o campo progressista assiste perplexo à reorganização e ao fortalecimento político das direitas. "Direitas", "novas direitas", "onda conservadora", "fascismo", "reacionarismo", "neoconservadorismo" são algumas expressões que tentam conceituar e dar sentido a um fenômeno que é indiscutível protagonista nos cenários nacional e internacional de hoje, após seguidas vitórias dessas forças dentro do processo democrático. Trump, Brexit e a popularidade de Bolsonaro integram as complexas dinâmicas das direitas que a coletânea busca aprofundar a partir de ensaios escritos por grandes pensadores da atualidade. Tendo como foco central o avanço dos movimentos de direita, os textos analisam sob as mais diversas perspectivas o surgimento e a manutenção do regime de ódio dentro do campo político.

Luis Felipe Miguel abre o livro apresentando os três eixos da extrema-direita brasileira: o libertarianismo, o fundamentalismo religioso e o revival do anticomunismo. Silvio Almeida continua o raciocínio discorrendo sobre a distinção entre o conservadorismo clássico e o neoconservadorismo atual, para o qual a democracia não passa de um detalhe incômodo. Carapanã tenta responder à pergunta de como chegamos a este cenário de recessão democrática analisando os ataques ao Estado na América Latina e no Brasil. Flávio Henrique Calheiros Casimiro trabalha a cronologia da reorganização do pensamento e da ação política das direitas brasileiras, buscando suas raízes nos anos 1980. Camila Rocha questiona a caracterização das novas direitas brasileiras como militância ou como resultado do financiamento de organizações que articulam think tanks globalmente.

Rosana Pinheiro-Machado e Lucia Mury Scalco analisam as transformações da juventude periférica, que migrou da esperança frustrada para o ódio bolsonarista na última década. Ferréz também traça um retrato das periferias e do reacionarismo contido nelas, com uma linguagem forte e poética. Rubens Casara escreve sobre a direita jurídica de tradição antidemocrática, marcada por uma herança colonial e escravocrata. Edson Teles reflete sobre a militarização da política e da vida, e sobre a dinâmica da dualidade "inimigo interno" versus "cidadão de bem".

Na economia, Pedro Rossi e Esther Dweck analisam alguns mitos do discurso da austeridade, enquanto Márcio Moretto conduz-nos a uma dimensão de vital importância para as direitas na atualidade: as redes sociais e como estas organizam o debate político. Já o pastor Henrique Vieira aborda o fundamentalismo religioso e como este se traduz em ações truculentas e em projetos de poder, como a Frente Parlamentar Evangélica. Ainda sobre os perigos do discurso da moral e dos bons costumes, Lucas Bulgarelli analisa a oposição aos direitos LGBTI nos últimos anos, e Stephanie Ribeiro apresenta as ameaças da retórica antifeminista no ideal da mulher submissa, "bela, recatada e do lar". Por fim, Fernando Penna reflete sobre o caráter reacionário do projeto Escola sem Partido, que fomenta um clima de perseguição inquisitorial em muitas escolas brasileiras sob o lema de um suposto pensamento neutro.


Sumário

Apresentação, Esther Solano Gallego
A reemergência da direita brasileira, Luis Felipe Miguel
Neoconservadorismo e liberalismo, Silvio Luiz de Almeida
A Nova Direita e a normalização do nazismo e do fascismo, Carapanã
As classes dominantes e a nova direita no Brasil contemporâneo, Flávio Henrique Calheiros Casimiro
O boom das novas direitas brasileiras: financiamento ou militância?, Camila Rocha
Da esperança ao ódio: a juventude periférica bolsonarista, Rosana Pinheiro-Machado e Lucia Mury Scalco
Periferia e conservadorismo, Ferréz
A produção do inimigo e a insistência do Brasil violento e de exceção, Edson Teles
Precisamos falar da “direita jurídica”, Rubens Casara
O discurso econômico da austeridade e os interesses velados, Pedro Rossi e Esther Dweck
Antipetismo e conservadorismo no Facebook, Márcio Moretto Ribeiro
Fundamentalismo e extremismo não esgotam experiência do sagrado nas religiões, Henrique Vieira
Moralidades, direitas e direitos LGBTI nos anos 2010, Lucas Bulgarelli
Feminismo: um caminho longo à frente, Stephanie Ribeiro
O discurso reacionário de defesa de uma “escola sem partido”, Fernando Penna


Leia Mais:
Livro do Lula: a verdade vencerá

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Einstein

Alice: "So how did you get so smart anyway?"

Albert: "I have no special talent, but I am very, very curious, Alice. All I do is ask questions, just like you do. Anybody can do that." (Genius - A vida de Einstein)


 Albert Einstein: 1879-1955

Recomendo:

:: A história de Albert Einstein - Documentário do History Channel sobre a vida de Albert Einstein. Vídeo no Youtube publicado em 2 de fevereiro de 2014.  Há outras opções no Youtube para este vídeo.

:: Dentro da Mente de Einstein - O Enigma do Tempo e Espaço - Documentário publicado no Youtube em 7 de dezembro de 2017. Este documentário está também na Netflix.

:: Genius - A vida de Einstein - Série do National Geographic em 10 episódios iniciada em 25 de abril de 2017. Pode ser encontrada na web.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Senet: jogo de tabuleiro do Egito antigo

O Senet é um dos mais antigos jogos de tabuleiro conhecidos. Senet, cujo nome significa “Jogo de Passagem" era um jogo de tabuleiro egípcio, dos períodos pré-dinástico e antigo, extremamente popular em todas as camadas da sociedade. Muitos historiadores creem que este seja um antepassado do gamão. O mais antigo hieróglifo representando um jogo de Senet é datado entre 3500 e 3100 a.C., o que faz dele o jogo de tabuleiro mais antigo registado pelo homem. Tabuleiros de aproximadamente 2650 a.C. estão registrados em tumbas egípcias. Nunca foram encontradas regras para o Senet, seja em papiros ou em paredes de tumbas. Acredita-se que, pelo fato de ter sido tão popular, ele tenha sido ensinado exclusivamente de um jogador para outro, sem necessidade de regras escritas. Ainda assim, com base em pinturas do jogo em tumbas, nas referências feitas a ele na escrita egípcia e olhando para os seus descendentes modernos, como o gamão, historiadores criaram o que se acredita ser a mais próxima reconstrução das regras de Senet.

Tabuleiro de Senet em faiança, gravado para Amenhotep III (ca. 1390-1353 a.C.) - Museu do Brooklyn, New York

:: Senet: Play Store (Android)
Há mais de uma opção. Testei este jogo aqui.  Após entrar no jogo, clique no ponto de exclamação  !  para ver um tutorial de como jogar.

:: Senet: LuduScience
Site em português de Portugal. Além de breve apresentação, as regras podem ser baixadas em formato pdf. Confira, no menu, outros jogos antigos em "Jogos tradicionais".

:: Como jogar Senet: Mitra Criações
Vídeo que ensina regras possíveis para o Senet. Publicado em 26 de março de 2016. Em português.

:: Senet: Board and Pieces
Site sobre jogos abstratos. História da descoberta do jogo e explicação detalhada, com desenhos, de como jogar. Há, neste site, uma bibliografia. Em inglês.

:: Senet – Game of 30 Squares: Ancient Games
Site de Eli Gurevich. História do jogo e explicação de como jogar. Há também um blog sobre jogos antigos. Em inglês.

:: The Rules of Senet: Masters Traditional Games
Traz as regras do jogo e suas variações, discutindo duas ou três possibilidades. Há regras para vários jogos tradicionais de tabuleiro aqui. Confira também a página Ancient & Historical Board Games. Em inglês.

:: 98 imagens de Senet: Blog de Dmitriy Skiryuk (Дмитрий Скирюк)
Estas imagens estão no blog de Dmitriy Skiryuk, um reconstrutor russo de jogos. As legendas podem ser traduzidas do russo para o português com o auxílio do Google Tradutor.

:: How Senet Works: HowStuffWorks
Como o Senet funciona? Texto de Laurie L. Dove. Publicado em 4 de abril de 2012. Em inglês.

Senet de Tutankhamon (ca. 1332–1323 a.C.) - Museu Egípcio do Cairo

Trecho de PICCIONE, P. A. In Search of the Meaning of Senet. Archaeology, vol. 33, n. 4 - July/August 1980 - p. 55-58 [em pdf aqui]:

Senet began as a, strictly secular game and its evolution can be analyzed in a practical as well as mystical sense. Historically, senet made it first known appearance in the Third Dynasty mastaba or tomb of Hesy-re, the overseer of the royal scribes of King Djoser at Saqqara, dating to approximately 2686 BC. Unidentified senet-like boards have also been found in Predynastic and First Dynasty burials at Abydos and Saqqara and date to about 3500-3100 BC. These and a number of First Dynasty (3100 BC) senet board hieroglyphics indicate that the game may be even older. Annotated depictions of people playing the game also appear on the walls of later Old Kingdom (2686-2160 BC) mastabas among other daily life scenes


Trecho de CRIST, W. ; DUNN-VATURI, A-E ; DE VOOGT, A. Ancient Egyptians at Play: Board Games Across Borders. London: Bloomsbury, 2016, 232 p. - ISBN 9781474221177:

Perhaps the best-known board game from ancient Egypt, senet, also appears in the offering list in Prince Rahotep’s tomb. As it was for mehen, this is the oldest known inscription offering the name of this game that is well attested in New Kingdom contexts. Much like mehen, this game also appears to have held strong connotations with the afterlife. The word zn.t means “passing” in Egyptian, and though any specific religious meaning the game may have held is unclear before the New Kingdom, its name does suggest at least a similar connection with the passing of the ba through the duat that is made explicit in the Book of the Dead. Piccione believes the full name of the game, zn.t n.t hb, “the passing game,” comes from the nature of gameplay where the pieces pass each other on the board. A canonical senet board is between 12 and 55 cm long, laid out in three rows of ten playing spaces, often with certain spaces marked, likely indicating a special outcome during the play of the game, as is shown below. Piccione points out that the name senet is only directly attributed to this pattern of spaces in the New Kingdom, and that Egyptologists have assumed that, when it appears in earlier texts, it refers to the same game. Without any evidence to suggest the name was once used for a different game, it is Piccione’s judgment the name senet referred to the same game in the Old and Middle Kingdoms as it did in the New Kingdom. The origins of senet in Egypt are confusing as there are no intact game boards that date before the Fifth Dynasty, though fragmentary boards, playing pieces and textual and representational art have been found to suggest its earlier existence (...) Toward the end of the Second Intermediate Period [nota: 1640-1550 a.C. - dinastias XV-XVII], senet game boxes appear in the archaeological record, though they probably existed earlier. While senet only appears in the material record as slabs or graffiti prior to the Second Intermediate Period, beginning in the Seventeenth Dynasty game boxes start to appear in Egypt.

Leia Mais:
Jogo Real de Ur

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Biblical Studies Carnival 151

Seleção de postagens dos biblioblogs em setembro de 2018.

The September Biblical Studies Carnival: A Learning Extravaganza At the Fair

Trabalho feito por Jim West em seu blog Zwinglius Redivivus.

sábado, 22 de setembro de 2018

Estudos Bíblicos: Fome e alimento na Bíblia

Fome e alimento na Bíblia - Estudos Bíblicos 137, Jan/Mar 2018

Fome e alimento na Bíblia - Estudos Bíblicos 137, Jan/Mar 2018

Fabrizio Zandonadi Catenassi. Reclamando "de barriga cheia": o maná e as codornizes em Qibrot-hatta'awah (Nm 11,4-35)

Luiz Alexandre Solano Rossi. Entre a fome e o desespero: análise bíblico-teológica de Neemias 5,1-5

Júlio Paulo Tavares Mantovani Zabatiero. Comprai e comei; comprai, sem dinheiro e sem pagar, vinho e leite (Is 55,1-2)

Rogério Goldoni Silveira. O SENHOR dá pão para os famintos: estudo do Salmo 146

Patrícia Zaganin Rosa Martins. Deus visitou o seu povo dando-lhe pão: A luta pela sobrevivência no livro de Rute

Flávio Henrique de Oliveira Silva. O Pão nosso de cada dia dá-nos hoje: observações à luz do Evangelho de Mateus

Ildo Perondi. As refeições de Jesus em Lucas

Cristina Aleixo Simões. As refeições entre as primeiras comunidades cristãs

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Talmud online

Para quem tem interesse no Talmud, lembro que a tradução de Adin Steinsaltz está online em hebraico e inglês no site Sefaria.

Sobre isso dois artigos, em inglês, podem ser lidos:

:: Online library sets Talmud ‘free’ with full, no-charge translations - By Ben Sales - 8 February 2017 - The Times of Israel
For centuries, studying a page of the Talmud has come with a bevy of barriers to entry. Written mostly in Aramaic, the Talmud in its most commonly printed form also lacks punctuation or vowels, let alone translation. Its premier explanatory commentary, composed by the medieval sage Rashi, is usually printed in an obscure Hebrew typeface read almost exclusively by religious, learned Jews. Even then, scholars can still spend hours figuring out what the text means. And that’s not to mention the Talmud’s size and cost: 37 full volumes, called tractates, take up an entire shelf of a library and can cost several thousand dollars. Now, a website hopes to build on these earlier breakthroughs and break all the barriers at once. Sefaria, a website founded in 2013 that aims to put the seemingly infinite Jewish canon online for free, has published an acclaimed translation of the Talmud in English. The translation, which includes explanatory notes in relatively plain language, was started by Rabbi Adin Steinsaltz in 1965 and is considered by many to be the best in its class (...) The translation’s publication was made possible by a multimillion-dollar deal with the Steinsaltz edition’s publishers, Milta and Koren Publishers Jerusalem, and financed by the William Davidson Foundation, a family charity. The edition will be known as The William Davidson Talmud.


:: The Babylonian Talmud Is Now Available Free Online in English and Hebrew - By Yair Rosenberg - February 7, 2017 - Tablet
One of the most accessible Hebrew and English translations of the Babylonian Talmud is going open source. Today, Sefaria, an online nonprofit bringing traditional Jewish texts to the internet, announced that it will be posting the entire compendium with the crisp bilingual translation of Jerusalem polymath Rabbi Adin Steinsaltz Even-Yisrael. A multi-decade scholarly effort first published in Israel, the Hebrew Steinsaltz Talmud has long been a print staple of the beit midrash, while the English edition has been distributed by Random House and Koren Publishers. Now, however, both translations will be available to anyone with an internet connection, thanks to a grant from the William Davidson Foundation.


Quem é Adin Steinsaltz? Confira aqui, aqui e aqui.

Observo que o site Sefaria está também disponível em aplicativos gratuitos para Android e iOS.

domingo, 16 de setembro de 2018

A Bíblia desenterrada de Finkelstein e Silberman em nova edição

É isto que os autores deste livro pretendem contar: “A história do antigo Israel e o nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva, uma perspectiva arqueológica”. Os autores pretendem separar história de lenda. Enfim, declaram, seu propósito não é simplesmente desmontar conhecimentos ou crenças, mas partilhar as mais recentes percepções arqueológicas “não apenas sobre o quando, mas também sobre o porquê a Bíblia foi escrita, e porque ela permanece tão poderosa ainda hoje”.


FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p. - ISBN 9788532658074.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018, 392 p.

Esta obra, um marco na História de Israel, que fora lançada em português em 2003 [A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. – ISBN 8589876187], e está esgotada, recebe agora nova edição pela Vozes, certamente bem mais cuidada e com título muito mais adequado. Eu a utilizo, desde seu lançamento em inglês, em 2001, como bibliografia básica em meu curso de História de Israel.

Recomendo a leitura de minha resenha do original em inglês:

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. The Bible Unearthed. Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. New York: The Free Press, 2001, xii + 385 p. – ISBN 9780684869124

Leia Mais:
The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil
Israel Finkelstein
Neil Asher Silberman