segunda-feira, 30 de março de 2015

Resenhas na RBL - 20.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Alex Damm
Ancient Rhetoric and the Synoptic Problem: Clarifying Markan Priority
Reviewed by C. Clifton Black

Michael Fieger, Jutta Krispenz, and Jörg Lanckau, eds.
Wörterbuch alttestamentlicher Motive
Reviewed by Trent Butler

John Harrison and James D. Dvorak, eds.
The New Testament Church: The Challenge of Developing Ecclesiologies
Reviewed by Robert Matthew Calhoun

Knut Martin Heim
Poetic Imagination in Proverbs: Variant Repetitions and the Nature of Poetry
Reviewed by Bálint Károly Zabán

Rüdiger Jungbluth
Im Himmel und auf Erden: Dimensionen von Königsherrschaft im Alten Testament
Reviewed by Sven Petry

Ian Christopher Levy, Philip D. W. Krey, and Thomas Ryan, eds.
The Letter to the Romans
Reviewed by Anders Runesson

Herbert Marks, ed.
The English Bible, King James Version: The Old Testament
Reviewed by David G. Burke

Francis J. Moloney, SDB
Love in the Gospel of John: An Exegetical, Theological, and Literary Study
Reviewed by Catrin H. Williams

JoAnn Scurlock and Richard H. Beal, eds.
Creation and Chaos: A Reconsideration of Hermann Gunkel’s Chaoskampf Hypothesis
Reviewed by Craig W. Tyson

Christopher R. Seitz
The Character of Christian Scripture: The Significance of a Two-Testament Bible
Reviewed by Stephen J. Andrews

Anna Rebecca Solevåg
Birthing Salvation: Gender and Class in Early Christian Childbearing Discourse
Reviewed by Sarah E. Rollens

Michael D. Swartz
The Signifying Creator: Nontextual Sources of Meaning in Ancient Judaism
Reviewed by Joshua Schwartz

Abraham Terian, trans.
Magnalia Dei: Biblical History in Epic Verse by Grigor Magistros
Reviewed by Adam Carter McCollum

Benyamim Tsedaka and Sharon Sullivan, eds.
The Israelite Samaritan Version of the Torah: First English Translation Compared with the Masoretic Version
Reviewed by James R. Blankenship

J. Ross Wagner
Reading the Sealed Book: Old Greek Isaiah and the Problem of Septuagint Hermeneutics
Reviewed by Johann Cook


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Resenhas na RBL - 13.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Robert B. Chisholm Jr.
A Commentary on Judges and Ruth
Reviewed by Mark E. Biddle

John W. Daniels Jr.
Gossiping Jesus: The Oral Processing of Jesus in John’s Gospel
Reviewed by Peter J. Judge

John Goldingay
Isaiah 56-66: Introduction, Text, and Commentary
Reviewed by Johanna Erzberger

Steven A. Hunt, D. Francois Tolmie, and Ruben Zimmermann, eds.
Character Studies in the Fourth Gospel: Narrative Approaches to Seventy Figures in John
Reviewed by Craig R. Koester

Demetrios S. Katos
Palladius of Helenopolis: The Origenist Advocate
Reviewed by Jon F. Dechow

Phillip J. Long
Jesus the Bridegroom: The Origin of the Eschatological Feast as a Wedding Banquet in the Synoptic Gospels
Reviewed by Marianne Blickenstaff

Roberto Martínez
The Question of John the Baptist and Jesus’ Indictment of the Religious Leaders: A Critical Analysis of Luke 7:18–35
Reviewed by Brian C. Dennert
Reviewed by Bart J. Koet

Benjamin J. Segal
A New Psalm: The Psalms as Literature
Reviewed by Hallvard Hagelia

N. T. Wright
Pauline Perspectives: Essays on Paul, 1978–2013
Reviewed by Russell Morton


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terça-feira, 24 de março de 2015

Pode uma História de Israel ser escrita?

Pode uma 'História de Israel' ser escrita? Observando o debate atual sobre a História de Israel. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2001. A bibliografia foi atualizada em 2015.

Em julho de 1996 foi realizado em Dublin, Irlanda, o Primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica, do qual participaram pesquisadores escolhidos.

Diz Lester L. Grabbe no primeiro parágrafo do livro por ele editado - e que traz os resultados do Seminário - Can a ‘History of Israel’ Be Written? [Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita?]. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997 [London: T. & T. Clark, 2005 - ISBN 0567043207]:

“O grupo surgiu das frustrações que eu, em primeiro lugar, venho sentindo acerca da atual situação do debate sobre como escrever a história de Israel e Judá nos segundo e primeiro milênios AEC e no século I da EC” (p. 11).

E continua:

“Nos últimos anos, um certo número de estudiosos – a maioria deles europeus por origem ou adoção – tem feito um ataque radical sobre o modo como a história de ‘Israel’ tem sido escrita. Mesmo aqueles outrora considerados radicais não escaparam da crítica. Este movimento, a princípio minoritário, causou pouco impacto no debate. Recentemente, porém, ele adquiriu personalidade, mas a resposta foi o surgimento de protestos, incluindo a sugestão de que tais tendências são perigosas, ou que podem ser tranquilamente ignoradas ou – de modo curioso – ambas as coisas ao mesmo tempo” (p. 11).

Lester L. Grabbe está se referindo à controvérsia existente entre a postura maximalista “que defende que tudo nas fontes que não pode ser provado como falso deve ser aceito como histórico” e a postura minimalista “que defende que tudo que não é corroborado por evidências contemporâneas aos eventos a serem reconstruídos deve ser descartado” (E. Knauf, citado por H. Niehr no mesmo livro, na p. 163). Os autores “minimalistas” são também conhecidos como membros da “Escola de Copenhague”.

Retomando Grabbe:

“Isto sugeriu que o tempo estava maduro para algo mais organizado, que abordasse as questões centrais de maneira sistemática e que determinasse quais são as reais posições e problemas (...). A tarefa inicial foi agrupar especialistas europeus que estavam, de maneira geral, convencidos de que existe, de fato, um problema” (p. 11-12).

O artigo apresenta algumas das mais importantes publicações dos participantes do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica [foram realizados 17 seminários entre 1996 e 2012] e procura explicar suas posições no atual debate sobre a História de Israel.


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domingo, 22 de março de 2015

A invasão de Judá por Senaquerib em 701 a.C.

Estou estudando nestes dias, na Literatura Deuteronomista, com o Segundo Ano de Teologia do CEARP, O Contexto da Obra Histórica Deuteronomista - confira meu artigo de 2005 - e o assunto da última aula foi a invasão de Judá por Senaquerib, da Assíria, em 701 a.C. quando em Jerusalém reinava Ezequias e lá estavam os profetas Isaías e Miqueias. Veja uma síntese aqui.

Andei lendo algumas coisas recentes sobre o tema, entre elas o seguinte livro, muito interessante:

KALIMI, I.; RICHARDSON, S. (eds.) Sennacherib at the Gates of Jerusalem: Story, History and Historiography. Leiden: Brill, 2014, XII + 548 p. - ISBN 9789004265615.


Sumário

The Contributors

1. Sennacherib at the Gates of Jerusalem—Story, History and Historiography: An Introduction  - Isaac Kalimi and Seth Richardson

Part One: I will defend this City to Save It
2. Sennacherib’s Campaign to Judah: The Chronicler’s View Compared with His ‘Biblical’ Sources - Isaac Kalimi
3. Cross-examining the Assyrian Witnesses to Sennacherib’s Third Campaign: Assessing the Limits of Historical Reconstruction - Mordechai Cogan
4. Sennacherib’s Campaign to Judah: The Archaeological Perspective with an Emphasis on Lachish and Jerusalem - David Ussishkin
5.  Beyond the Broken Reed: Kushite Intervention and the Limits of l’histoire événementielle - Jeremy Pope

Part Two: The Weapon of Aššur
6. Family Matters: Psychohistorical Reflections on Sennacherib and His Times  - Eckart Frahm
7. The Road to Judah: 701 b.c.e. in the Context of Sennacherib’s Political-Military Strategy - Frederick Mario Fales
8. Sennacherib’s Invasion of the Levant through the Eyes of Assyrian Intelligence Services - Peter Dubovský

Part Three: After Life
9. Memories of Sennacherib in Aramaic Tradition - Tawny L. Holm
10. Sennacherib’s Campaign and its Reception in the Time of the Second Temple - Gerbern S. Oegema
11. Sennacherib in Midrashic and Related Literature: Inscribing History in Midrash  - Rivka Ulmer
12. The Devil in Person, the Devil in Disguise: Looking for King Sennacherib in Early Christian Literature - Joseph Verheyden
13. The First “World Event”: Sennacherib at Jerusalem - Seth Richardson


Os 12 autores

  • Mordechai Cogan (Ph.D. University of Pennsylvania) is Professor Emeritus of Biblical History in the Department of Jewish History, The Hebrew University of Jerusalem. 
  • Peter Dubovský (Ph.D., Harvard University). Since 2008 he has been professor of Old Testament exegesis at the Pontifical Biblical Institute in Rome. 
  • Mario Fales (Ph.D., University of Rome) is Full Professor of Ancient Near Eastern History at the University of Udine.
  • Eckart Frahm (Ph.D. Göttingen, Habilitation Heidelberg) is Professor of Assyriology at Yale University, where he has been since 2002. 
  • Tawny Holm (Ph.D., The Johns Hopkins University) is Associate Professor of Jewish Studies and Classics & Ancient Mediterranean Studies at The Pennsylvania State University. 
  • Isaac Kalimi (Ph.D., The Hebrew University of Jerusalem) is Gutenberg Research Professor in Hebrew Bible and Ancient Israelite History, Seminar für Altes Testment und Biblische Archaeologie, Johannes Gutenberg-Universität Mainz, Germany, and Senior Research Associate with the University of Chicago. 
  • Gerbern S. Oegema (Habilitation, University of Tübingen), is professor of biblical studies at the Faculty of Religious Studies of McGill University since 2002. 
  • Jeremy Pope (Ph.D., John Hopkins University) is Assistant Professor in the Department of History at the College of William and Mary in Williamsburg, Virginia. 
  • Seth Richardson (Ph.D., Columbia University), Assyriologist and historian, was Assistant Professor of Ancient Near Eastern History at the Oriental Institute of the University of Chicago from 2003–2011. 
  • Rivka Ulmer (Ph.D., Goethe University of Frankfurt) researches Midrash. She teaches Jewish Studies at Bucknell University (The John D. & Catherine T. MacArthur Chair in Jewish Studies, 2002–2007).
  • David Ussishkin (Ph.D., The Hebrew University of Jerusalem) is Professor Emeritus of Archaeology at Tel Aviv University, Israel. 
  • Joseph Verheyden studied Philosophy (M.A.), Religious Studies (M.A.), and Oriental languages-Christian Orient (M.A.), before receiving his Ph.D. in Theology at the Catholic University of Leuven. Currently he is Professor of New Testament at the Catholic University of Leuven. 



Um trecho da introdução
The Assyrian siege of Jerusalem in 701 b.c.e. was a “world event,” both historically and historiographically. The encounter drew together the actions of disparate groups whose fate was bound together by Assyria’s empire: Babylonia, Anatolia, Syria, Egypt and Nubia were all affected by it. Just as importantly, the event formed the kernel for later literary traditions both east and west: in the Hebrew Bible, in Aramaic folklore, and in Greek and Roman sources about the East; in medieval Syriac tales, in Arabic antiquarianism; and even in the cultural politics of nineteenth century c.e. Europe and America. Thus the historical event formed the basis for ongoing and divergent interpretation in multiple cultural forms from antiquity to modernity. This rich material is fertile ground for historical scholarship: the event is not only important for biblicists and Assyriologists, but also for studies in ancient literature, diplomacy, folk tradition, imperialism, cult practice, epidemiology, military intelligence and com munication, class and politics, and the role of language in society. What is more, since the “siege” of Jerusalem also ironically has the distinction of being historically amplified from a non-event (no actual fighting, as such, occurred at Jerusalem), it excites philosophical and theological questions about the importance of “the event” as a historical category. The third campaign of Sennacherib to the west—in general, with specific reference to Judah and Jerusalem—has been well researched in historical and literary terms. However, it has not yet been much ­investigated from the point of view of historiography or reception history; the appearance of the subject in so many varied literatures is a phenomenon worthy of study. This volume intends to fill these gaps without covering every possible aspect of “Sennacherib studies” [sublinhado meu].The essays herein offer some novel historical approaches, such as psychohistory, mytho-history, and the integration of text, image, and archaeology, and build a bridge between the historical traditions of the ancient and late-antique worlds. The work also attends throughout to how deeply historiographic issues pervade our interpretations of historical events. When, indeed, does “historiography” begin to be relevant to the interrogation of sources we usually think of as “historical?” (...)
The volume comprises three major sections. The first section (“I Will Defend this City to Save It”) mainly concentrates on early sources— biblical, Assyrian and Egyptian texts and archaeological finds in the Land of Israel—concerning the events of 701 b.c.e. The second section (“The Weapon of Aššur”) focuses on the broader Assyrian political and military history forming the background of the campaign. The third section mainly traces the “after life” (Nachleben) of Sennacherib’s campaign as it was interpreted and transformed in the wide range of postbiblical literature, including Apocrypha and Pseudepigrapha, Aramaic and rabbinic literature, New Testament and the early Christian sources.
Como o livro é bastante caro, recomendo aos interessados consultar alguns capítulos disponíveis aqui. Procure pelos nomes dos autores.

terça-feira, 17 de março de 2015

SOTER 2015: Religião e Espaço Público

A SOTER - Sociedade de Teologia e Ciências da Religião - comunica que seu 28º Congresso Anual terá como tema Religião e Espaço Público: Cenários Contemporâneos e será realizado no campus Coração Eucarístico da PUC-Minas, em Belo Horizonte, de 14 a 17 de julho de 2015.

No ano em que a SOTER comemora seu 30º aniversário, este congresso objetiva recolocar em pauta, para debate e reflexão, a situação atual da religião no espaço público e sua influência nos diversos setores da sociedade e da cultura. Para aprofundar a discussão, partirá de cenários atuais, a saber: as relações entre religião e política, os fundamentalismos nas grandes tradições religiosas e suas influências sócio-culturais, a pluralidade de crenças nas sociedades modernas, o movimento dos novos crentes e das novas opções religiosas, o fenômeno dos sem-religião, bem como o desafio dos Estados Democráticos de Direito que vivem o paradoxo de serem laicos e, ao mesmo tempo, garantirem a liberdade religiosa.


Leia Mais:
Congressos e publicações da SOTER

Resenhas na RBL - 09.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Olivier Artus
Loi et Justice dans la Littérature du Proche-Orient ancien
Reviewed by Michael S. Moore

Gary M. Beckman, Trevor R. Bryce, and Eric H. Cline
The Ahhiyawa Texts
Reviewed by Aren M. Maeir

Keith Bodner
Elisha’s Profile in the Book of Kings: The Double Agent
Reviewed by Gerhard Karner

Walter Brueggemann
Reality, Grief, Hope: Three Urgent Prophetic Tasks
Reviewed by LeAnn Snow Flesher

Katharine J. Dell
Interpreting Ecclesiastes: Readers Old and New
Reviewed by Mark Sneed

Robert Geis
Exegesis and the Synoptics
Reviewed by Jeffrey Paul García

Wilfred J. Harrington
Reading Mark for the First Time
Reviewed by Jeff Jay

Thomas R. Hatina
New Testament Theology and its Quest for Relevance: Ancient Texts and Modern Readers
Reviewed by Gary M. Burge

John Huehnergard
An Introduction to Ugaritic
Reviewed by Philip C. Schmitz

Hans Leander
Discourses of Empire: The Gospel of Mark from a Postcolonial Perspective
Reviewed by Angela N. Parker

M. David Litwa
Iesus Deus: The Early Christian Depiction of Jesus as a Mediterranean God
Reviewed by Joseph Verheyden

Siobhan Dowling Long
The Sacrifice of Isaac: The Reception of a Biblical Story in Music
Reviewed by Deborah W. Rooke

Scot McKnight and Joseph B. Modica, eds.
Jesus Is Lord, Caesar Is Not: Evaluating Empire in New Testament Studies
Reviewed by Russell Morton

Sarah J. K. Pearce
The Words of Moses: Studies in the Reception of Deuteronomy in the Second Temple Period
Reviewed by Sven Petry

Kenneth C. Way
Donkeys in the Biblical World: Ceremony and Symbol
Reviewed by Brent Strawn


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Resenhas na RBL - 27.02.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Angelika Berlejung and Michael P. Streck, eds.
Arameans, Chaldeans, and Arabs in Babylonia and Palestine in the First Millennium B.C.
Reviewed by Aren M. Maeir

Matthew J. Goff
4QInstruction
Reviewed by Kenneth Atkinson
Reviewed by Jeffrey P. Garcia

T. Michael W. Halcomb
Entering the Fray: A Primer on New Testament Issues for the Church and Academy
Reviewed by C. Jason Borders

Andrew T. Lincoln
Born of a Virgin? Reconceiving Jesus in the Bible, Tradition, and Theology
Reviewed by Marianne Blickenstaff

Mark McEntire
Portraits of a Mature God: Choices in Old Testament Theology
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

Bert Newton
Subversive Wisdom: Sociopolitical Dimensions of John’s Gospel
Reviewed by Benjamin Reynolds

Chantal Reynier
Pour lire la lettre de Saint Paul aux Romains
Reviewed by Abson Joseph

Thomas Richter and Sarah Lange
Das Archiv des Idadda: Die Keilschrifttexte aus den deutsch-syrischen Ausgrabungen 2001–2003 im Königspalast von Qatna
Reviewed by Jan-Wim Wesselius

Frank Williams, trans.
The Panarion of Epiphanius of Salamis, Books II and III: De Fide
Reviewed by Simon Gathercole


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domingo, 15 de março de 2015

A lição de Esopo: os bens e os males

Ἀγαθὰ καὶ κακά

Ὑπὸ τῶν κακῶν τὰ ἀγαθὰ ἐδιώχθη ὡς ἀσθενῆ ὅντα· εἰς οὐρανὸν δὲ ἀνῆλθεν. Τὰ δὲ ἀγαθὰ ἠρώτησαν τὸν Δία πῶς εἶναι μετ'ἀνθρώπων. Ὁ δὲ εἶπεν <μὴ> μετ’ ἀλλήλων πάντα, ἓν δὲ καθ’ ἓν τοῖς ἀνθρώποις ἐπέρχεσθαι. Διὰ τοῦτο τὰ μὲν κακὰ συνεχῆ τοῖς ἀνθρώποις, ὡς πλησίον ὄντα, ἐπέρχεται, τὰ δὲ ἀγαθὰ βράδιον, ἐξ οὐρανοῦ κατιόντα.

Ὅτι ἀγαθῶν μὲν οὐδεὶς ταχέως ἐπιτυγχάνει, ὑπὸ δὲ τῶν κακῶν ἕκαστος καθ’ ἑκάστην πλήττεται.


Les Biens et les Maux

Les Maux, profitant de la faiblesse des Biens, les chassèrent. Ceux-ci montèrent au ciel. Là, ils demandèrent à Zeus comment ils devaient se comporter avec les hommes. Le dieu leur dit de se présenter aux hommes, non pas tous ensemble, mais l’un après l’autre. Voilà pourquoi les Maux, habitant près des hommes, les assaillent sans interruption, tandis que les Biens, descendant du ciel, ne viennent à eux qu’à de longs intervalles.

L’apologue fait voir que le bien se fait attendre, mais que chaque jour chacun de nous est atteint par les maux.

Fonte: Fables d’Ésope . Texte établi et traduit par Émile Chambry. Paris, 1927.



Os Bens e os Males

Por serem fracos, os bens, perseguidos pelos males, subiram ao céu. E perguntaram a Zeus como deveriam comportar-se com os homens. O deus lhes disse que deveriam aproximar-se dos homens não todos em conjunto, mas um de cada vez. Por isso, os males, como estão perto dos homens, aproximam-se constantemente deles, enquanto os bens, descendo do céu, o fazem lentamente.

É por essa razão que ninguém encontra os bens rapidamente mas, cada dia, cada um de nós é atingido pelos males.

Fonte: Esopo, Fábulas Completas. Tradução do grego de Neide Smolka. São Paulo: Moderna, 2005.

See also: Zeus and the Good Things.

:. Esopo viveu na Grécia no século VI a.C.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Leonardo Boff: a crise é induzida pela mídia

'Crise é forjada, mentirosa e induzida pela mídia', diz Leonardo Boff - Rede Brasil Atual: 11/03/2015

A crise econômica e política pela qual o país atravessa neste momento é "em grande parte forjada, mentirosa, induzida, ela não corresponde aos fatos", afirma o teólogo Leonardo Boff. Segundo ele, a crise é amplificada por uma dramatização da mídia. "Essa dramatização que se faz aqui é feita pela mídia conservadora, golpista, que nunca respeitou um governo popular. Devemos dizer os nomes: é o jornal O Globo, a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a perversa e mentirosa revista Veja."

Em entrevista à Rádio Brasil Atual na segunda-feira (9), o teólogo disse que, no entanto, o atual nível de acirramento no cenário político não preocupa porque, para ele, comparado a outros contextos históricos, a "democracia amadureceu". Ele diz acreditar, ainda, na emergência de uma "nova consciência política".

Boff também considera que o cenário brasileiro é bastante diferente da Grécia, Espanha e Portugal, onde são registradas centenas de suicídios, por conta do fechamento de pequenas empresas e do desemprego, e até mesmo de países centrais, como os Estados Unidos, que veem a desigualdade social avançar.

"A situação não é igual a 64, nem igual a 54", compara. "Agora, nós temos uma rede imensa de movimentos sociais organizados. A democracia ainda não é totalmente plena porque há muita injustiça e falta de representatividade, mas o outro lado não tem condições de dar um golpe."

Para Boff, não interessa aos militares uma nova empreitada golpista. Restaria ao campo conservador a "judicialização da política": "Tem que passar pelo parlamento e os movimentos sociais, seguramente, vão encher as ruas e vão querer manter esse governo que foi legitimamente eleito. Eles têm força de dobrar o Parlamento, dissuadir os golpistas e botá-los para correr".

Sobre o 'panelaço' ocorrido no domingo (8), durante o discurso da presidenta Dilma Rousseff para o Dia Internacional da Mulher, Boff afirma que o protesto é "totalmente desmoralizado", pois "é feito por aqueles que têm as panelas cheias e são contra um governo que faz políticas para encher as panelas vazias do povo pobre".

O teólogo afirma que a manifestação expressa "indignação e ódio contra os pobres" e são símbolo da "falta de solidariedade": "O panelaço veio exatamente dos mais ricos, daqueles que são mais beneficiados pelo sistema e que não toleram que haja uma diminuição da desigualdade e que gostariam que o povo ficasse lá embaixo".

Sobre o ato programado pela CUT e movimentos sociais para sexta-feira (13), Leonardo Boff diz que a importância é reafirmar os valores democráticos e a defesa da soberania do país: "Aqueles que perderam, as minorias que foram vencidas, cujo projeto neoliberal foi rejeitado pelo povo, até hoje, não aceitam a derrota. Eles que tenham a elegância e o respeito de aceitar o jogo democrático".

O teólogo frisa, mais uma vez, não temer o golpe. "É o golpe virtual, que eles fazem pelas redes sociais e pela mídia, inventando e fantasiando, projetando cenários dramáticos, que são projeções daqueles que estão frustrados e não aceitam a derrota do projeto que era antipovo."

Ouça a entrevista completa da Rádio Brasil Atual.

terça-feira, 10 de março de 2015

A História de Israel na pesquisa atual

A História de Israel na pesquisa atual. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 71, p. 62-74, 2001.

Este artigo foi publicado, de forma mais ampliada, na Ayrton's Biblical Page, onde acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. A bibliografia foi atualizada em 2015.

Poucas pessoas no Brasil, na virada do milênio, mesmo entre os especialistas, estavam informadas sobre as novas pesquisas na área da "História de Israel". E não havia quase nenhum debate sobre o tema. Quando eventualmente este acontecia, causava curiosidade, espanto ou, mais frequentemente, como posso testemunhar, rejeição. Eu mesmo senti este impacto nas primeiras leituras, como disse aqui nesta entrevista:

(...) quando li, em 1998, o livro de Philip R. Davies, In Search of ‘Ancient Israel’ [Em busca do 'Antigo Israel'], minhas certezas sobre o antigo Israel desabaram. Este livro me deixou muito incomodado. O consenso, que eu ainda pensava existir, fora rompido. Afinal: quem é Israel e como surgiu esta entidade? O antigo Israel, de um dado aparentemente conhecido através dos relatos bíblicos, tornou-se um problema a ser abordado com outros recursos, como a arqueologia, a análise socioantropológica etc (...)  Isto me fez partir para muitas e novas leituras. Infelizmente, a maioria em inglês ou alemão, inacessível para meus alunos ou, como percebi, desinteressante para muitos colegas biblistas ou até mesmo de aparência agressiva, pois desestabilizadora, para os teólogos sistemáticos com os quais eu trabalhava.


Esta, uma das razões porque este número da revista Estudos Bíblicos foi, a pedido da Vozes, ampliado e publicado em livro:

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. Petrópolis: Vozes, 2003, 181 p.  - ISBN 8532628281. O meu texto, que aborda as novas pesquisas, está nas p. 43-87.

A primeira edição esgotou-se em 2 meses. Uma segunda edição foi imediatamente lançada, mas também já está esgotada.

Transcrevo aqui trecho da resenha feita pelo exegeta argentino José Severino Croatto:

Escrito por um grupo de cinco biblistas mineiros, esse livro é uma tentativa de situar a História de Israel na pesquisa atual. Jacir de Freitas Faria, organizador, inicia o livro fazendo um apanhado dos “personagens” bíblicos mais notáveis, assim como são apresentados na Bíblia, enfocando em cada caso ou época a problemática da terra (...) As Bíblias servem para reconstruir a história real – não a reconstrução “teológica” – de Israel? Em poucas palavras, Romi Auth explica o problema no capítulo 2. Um ensaio sumamente útil para o leitor é o de Airton José da Silva (cap. 3) sobre “A história de Israel na pesquisa atual” (p. 43-87). Os pontos essenciais da problemática histórica: patriarcas, história javista, diferença entre Canaã e Israel, existência de um império davídico-salomônico ou do exílio babilônico, assim como a questão do “Israel” das origens, são tratados de forma muito sintética, mas clara. É excelente a referência aos mais recentes autores que estão discutindo estes assuntos, e valiosa a bibliografia utilizada, que, aliás, inclui dados informativos. Realmente, uma síntese inteligente do tema, tal como está sendo debatido nos círculos acadêmicos. Uma outra visão, não historiográfica, mas da tradição teológica, é apresentada por Johan Konings no capítulo 4. Neste caso, interessam a forma literária e os temas de cada um dos livros, os quais chamamos “históricos”, em nossa linguagem. Quais elementos historiográficos eles trazem? Que tipo ‘história’ eles representam? (...) Qual é a visão do profeta Amós sobre a historia de Israel? É o que apresenta Jaldemir Vitório no capítulo 5. Esta visão, crítica em termos religiosos, é ressaltada pelo autor como um dado importante neste livro profético. O final do livro está também sob os caprichos da ‘pena’ do seu organizador, Jacir de Freitas Faria (cap. 6), quem nos descreve como a história de Israel é recebida e relida nos Salmos.


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A História de Israel no debate atual

A História de Israel no Debate Atual. Cadernos de Teologia, Campinas, n. 9, p. 42-64, 2001.

Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué

(...)

Mas, a ‘História de Israel’ está mudando. O consenso foi rompido. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. A sequência patriarcas, José do Egito, escravidão, êxodo, conquista da terra, confederação tribal, império davídico-salomônico, divisão entre norte e sul, exílio e volta para a terra está despedaçada.

O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’, ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’.

O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos, afasta-nos cada vez mais do gênero histórico, e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos frequentemente não consegue provar sua existência.

A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. Uma ‘História de Israel’, que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’, melhor, uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos.

E há pesquisadores de renome na área, como Rolf Rendtorff, exegeta alemão, professor da Universidade de Heidelberg, falecido em 2014, que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1, p. 34-53, que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião.

Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos trinta e tantos anos, apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto.


Este artigo foi publicado, de forma mais ampliada, na Ayrton's Biblical Page, onde acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. A bibliografia foi atualizada em 2015. Clique aqui para ler o artigo.


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Vale a pena ler os profetas hoje?

Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000. A bibliografia foi atualizada em 2015.

Ainda vale a pena ler os profetas hoje? Que valor têm as suas palavras para nós hoje? O mundo mudou muito, e nós o que temos a ver com os problemas e as propostas de profetas israelitas que viveram há mais de 2500 anos?

O mundo mudou muito, mas as crises vividas pelos profetas ainda acontecem. Em contextos diferentes, é claro. Entretanto, os problemas da opressão, do domínio, do poder despótico, da manipulação da religião, da falsa consciência são mais atuais do que nunca. E é aí que entram os profetas: eles podem, com suas palavras tão antigas e tão atuais, nos ajudar a enfrentar as agudas situações de crise neste terceiro milênio.

Isto depende, porém, de um enfoque correto, de uma abordagem adequada dos textos dos profetas israelitas. O que nem sempre é fácil. Persistem ainda muitos obstáculos. Que, curiosamente, não vêm da antiguidade e da complexidade dos textos dos profetas. Vêm de nossa época e de nosso olhar: são os condicionamentos culturais ocidentais os que mais nos afastam de uma leitura proveitosa dos profetas.

É toda uma mentalidade, uma secular visão de mundo que nos domina, de tal modo que quase sempre a sobrepomos ao texto bíblico, ocultando o seu sentido original e inutilizando-o frente aos problemas reais do mundo atual.

Por isso, o que aqui proponho é a abordagem de alguns dos obstáculos hermenêuticos mais comuns, nos quais constantemente tropeçamos. Obstáculos hermenêuticos são armadilhas do pensamento. Isto servirá de alerta e alarme para nós. Pois só uma constante vigilância ideológica manterá aberta a nossa mente para a experiência do nascimento do sentido que acontece na operação de leitura dos textos proféticos.

O filósofo francês da ciência Gaston BACHELARD trabalhou de maneira muito interessante a questão dos obstáculos epistemológicos, noção na qual me inspirei para falar de obstáculos hermenêuticos. O texto de Bachelard está em sua obra La formation de l'esprit scientifique: contribution à une psychanalyse de la connaissance objective. 15. ed. Paris: Vrin, 2000, mas pode ser lido, em português, em BACHELARD, G. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. 3. ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2003.

Este texto foi adaptado de meu livro Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992, p. 110-122.


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SOTER 2000: Teologia na América Latina

Teologia na América Latina: Prospectivas. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000.

Realizou-se em Belo Horizonte, nos dias 24-28 de julho de 2000, o Congresso da SOTER, Sociedade de Teologia e Ciências da Religião. O tema, neste ano de balanços, foi Teologia na América Latina: Prospectivas. Do Congresso, que contou, pela primeira vez, com a adesão de vários países da América Latina, participaram 234 teólogos, teólogas e cientistas da religião. Destes, 77 vieram da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e Uruguai, além de convidados da Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos e Itália.

Alguns nomes de destaque na Teologia Latino-Americana que se fizeram presentes: Leonardo Boff, Clodovis Boff, Gustavo Gutiérrez (Peru), José Comblin, João Batista Libânio, Antônio Moser, Benedito Ferraro, Marcelo Barros, Alberto Antoniazzi, Faustino Teixeira, Pablo Richard (Costa Rica), Ronaldo Muñoz (Chile), Sergio Silva Gatica (Chile), Alberto Parra (Colômbia), José Duque (Costa Rica) e tantos outros. Sem nos esquecermos da presença do Vice-Presidente da Sociedade Europeia de Teologia e do Secretário da Sociedade Católica de Teologia dos Estados Unidos, ou do polêmico teólogo italiano Giulio Girardi, nem do fato inédito da participação e filiação à SOTER de Dom Emanuel Messias de Oliveira, Mestre em Bíblia, [então] bispo da Diocese de Guanhães, MG [atualmente, em 2015, Dom Emanuel é bispo de Caratinga, MG].


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quinta-feira, 5 de março de 2015

Cadernos de Teologia?

Cadernos de Teologia: outra revista citada em minhas publicações e, assim como os Cadernos do Cearp, por não ter sido indexada junto aos órgãos competentes, talvez seja pouco conhecida.

Esta foi uma revista acadêmica da FTCR - Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas -  da PUC-Campinas, que teve 11 números publicados entre outubro de 1995 e maio de 2002. Também desta revista fui o redator.

No primeiro número, Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Metropolitano de Campinas e grão-chanceler da PUC-Campinas, diz em sua "Mensagem de Abertura":

Com agrado, acolho a sugestão de dizer uma palavra, no início desta publicação. Uma palavra de esperança, de votos, de bênção. A semente que aqui se lança possa, à semelhança daquela da parábola, produzir muitos frutos de vida. É a Esperança que acalentamos (...) Será um grande serviço de reflexão em torno de temas que interessam a este "Cadernos de Teologia". Que seja capaz de realizar plenamente sua missão...

E José Arlindo de Nadai, então Diretor da FTCR, no editorial deste primeiro número, acrescenta:

É com alegria e esperança que apresentamos o primeiro número de "Cadernos de Teologia" do Instituto de Teologia e Ciência Religiosas - ITCR, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUCCAMP [Nota: a FTCR, naquela época, ainda era denominada ITCR]. Alegria porque, finalmente, conseguimos realizar um sonho acalentado há tantos anos! Esperança, pois, pretendemos manter periodicamente a publicação, como um serviço à comunidade. Escolhemos [para este primeiro número] a questão dos Essênios e os Manuscritos de Qumran pela atualidade do debate e avanço das pesquisas. E também pelo interesse de nossos professores e alunos do Instituto.

Quando começou, quem organizava os Cadernos de Teologia?

Diretor Responsável: José Arlindo de Nadai
Redator: Airton José da Silva
Secretário: Luiz Carlos F. Magalhães

Conselho Editorial:
Airton José da Silva
Benedito Ferraro
Éder Doniseti Justo
José Arlindo de Nadai
José Carlos de Oliveira
Luiz Carlos F. Magalhães

A revista, semestral, com tiragem de 500 exemplares distribuídos gratuitamente, trazia regularmente artigos e outras contribuições dos professores e estudantes da FTCR.

Para exemplificar, transcrevo os sumários dos números 1 e 11, primeiro e último publicados:


Número 1: ano 1 - outubro de 1995

Artigos
Airton José da Silva - Os Essênios e os Manuscritos do Mar Morto
Cássio Murilo Dias da Silva - Qumran e Jesus, Jesus e Qumran
Benedito Ferraro e Márcio Tangerino - Reino e Democracia

Pesquisas
Paulo Sérgio Lopes Gonçalves - A Igreja dos pobres nas obras de Leonardo Boff
Sávio Carlos Desan Scopinho - A epistemologia em questão
Wilson Denadai - A morte como símbolo de transformação

Notas Bibliográficas
SHANKS, H. Para compreender os Manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993 - José Carlos de Oliveira
VANDERKAM, J. C. Os Manuscritos do Mar Morto hoje. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995 - Éder Donisete Justo
GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: Edição Fiel e Completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995 - Airton José da Silva

Notícias
Semana Teológica: Globalização da Economia - Alexandre Sanches Ximenes
Curso Noturno - Teologia para Leigos: "Guia do Aluno"
Diretório Acadêmico João XXIII - Luiz Carlos F. Magalhães


Número 11: ano 8 - maio de 2002

Artigos
Ruy Rodrigues Machado - Oriente Médio: Geopolítica, Terrorismo e Guerra
Paulo Sérgio Lopes Gonçalves - A Pesquisa na Universidade Católica
Pedro Carlos Cipolini - Teologia do Episcopado
José Antonio Trasferetti - Pastoral da Família e AIDS. Comunicação, Saúde e Conscientização
Cássio Murilo Dias da Silva - Estudo Exegético de Jeremias 5,1-9 - Um Esboço
Sandro de Souza Portela - A Universidade Solidária e a Teologia

Resenhas
GNILKA, J. Jesus de Nazaré: mensagem e história. Petrópolis: Vozes, 2000 - Rodrigo Catini Flaibam
MOLTMANN, J. Trindade e Reino de Deus: uma contribuição para a teologia. Petrópolis: Vozes, 2000 - Rodrigo Catini Flaibam
BARREIRO, A. Igreja, Povo Santo e Pecador: estudo sobre a dimensão eclesial da fé cristã e o pecado na Igreja, a crítica e a fidelidade à Igreja. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2001 - Alexander Luiz Dezotti


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Cadernos do Cearp?

Em minhas publicações tenho citado esta revista. O que é? Ou, o que foi?

Cadernos do Cearp: uma revista acadêmica do Curso de Teologia do CEARP - Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto - que teve 13 números elaborados (entretanto, apenas 11 publicados) entre maio de 1994 e maio de 2001. Fui o seu redator.

No primeiro número, Dom Arnaldo Ribeiro, Arcebispo Metropolitano, deixou uma mensagem na qual, entre outras coisas, diz:

Na reunião de avaliação dos trabalhos escolares do CEARP - Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto - no final de 1993, foi apresentada, com muitos pormenores uma sugestão nascida nas avaliações feitas entre alunos e professores: chegou a hora de termos um órgão de divulgação de nossos estudos e da nossa vida acadêmica, criando a possibilidade de partilha com outros Centros de estudos teológicos (...) Os esforços iniciais chegam à sua plena realização. Surge o número inicial de Cadernos do CEARP. Uma nova vitória dos dedicados Professores, bem como dos estudantes que desejam sua Escola cada dia melhor, em tudo. Isto aqui é só uma simples apresentação, para dizer da minha alegria, das minhas esperanças. Com o meu abraço de parabéns...

E Francisco de Assis Correia, então Diretor do CEARP, no editorial deste primeiro número, acrescenta:

Com este primeiro número de Cadernos do CEARP, o nosso Curso de Teologia dá mais um passo, ainda que modesto. O objetivo deste órgão é: dinamizar o debate teológico existente, divulgar as pesquisas feitas pelo corpo docente e discente, dar a conhecer ao clero da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto e aos outros Institutos de Teologia do Estado de São Paulo o trabalho do CEARP...

Quando começou, quem organizava os Cadernos do Cearp?

Diretor: Francisco de Assis Correia
Redator: Airton José da Silva
Secretário: Edmar Roberto Prandini

Conselho Editorial:
Airton José da Silva
Alfeu Piso
Edmar Roberto Prandini
Francisco de Assis Correia
Paulo Cezar Mazzi
Paulo Fernando de Mello Cunha

A revista, com tiragem de 300 exemplares distribuídos gratuitamente, trazia regularmente artigos e outras contribuições dos professores e estudantes da Teologia do Cearp e, eventualmente, de convidados das Semanas Teológicas.

Para exemplificar, transcrevo os sumários dos números 1 e 11, primeiro e último publicados:

Número 1: ano 1 - maio de 1994

Artigos
1. DO PRADO, J. L. G. Para que teus dias se prolonguem: a família, fonte de vida
2.CORREIA, F. A.  A família: uma leitura do texto-base da CF 94 sob a ótica da alteridade
3. MASIN, J. Paternidade e maternidade responsáveis e os métodos de planejamento familiar

Sínteses
1. PIVATTI, C. Síntese na área de cristologia sistemática
2. RICARDO, P. L. Liturgia - celebrar o encanto da vida

Notas bibliográficas
1. MARCÍLIO, M. L. (org.) A família, mulher, sexualidade e Igreja na História do Brasil. São Paulo: Loyola, 1993 (Edmar Roberto Prandini)
2. FERRARO, B. Cristologia em tempos de ídolos e sacrifícios. São Paulo: Paulinas, 1993 (Paulo C. Mazzi)
3. BYRNE, B. Paulo e a mulher cristã. São Paulo: Paulinas, 1993 (Paulo F. de Mello Cunha)

Notícias
1. Planejamento familiar e métodos naturais
2. Religiosidade e cultura popular


Número 11: ano 6 - maio de 1999

Artigos
1. O “Novo Clero”: Arcaico ou Moderno? - Luiz Roberto Benedetti
2. Projeto Genoma Humano (PGH): Utopia do Homem Geneticamente Perfeito - Valdomiro José de Souza
3. Ainda Sobre os Transplantes de Órgãos - Francisco de Assis Correia
4. Solidariedade x Caridade - Mário José Filho
5. A Leitura Sócio-Antropológica da Bíblia Hebraica - Airton José da Silva
6. O Ser Humano: Ser de Necessidade e de Criatividade - Carlos Barbosa
7. Teologia e Método - Leandro Carlos dos Santos Pupin

Notas Bibliográficas
1. REEVES, H. Um pouco mais de azul: a evolução cósmica. São Paulo: Martins Fontes, 1998 - Antonio Élcio de Souza e Fábio Renato Brazolin de Carvalho
2. HAUGHT, J. F. Mistério e Promessa: Teologia da Revelação. São Paulo: Paulus, 1998 - André Luiz Massaro


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Leitura socioantropológica do Novo Testamento

Leitura socioantropológica do Novo Testamento. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000.


1. A Antropologia do Mundo Mediterrâneo e o NT

No outro artigo falamos só da Bíblia Hebraica e das questões que ela propõe a uma leitura sociológica. Mas se considerarmos mais especificamente o Novo Testamento hoje com o auxílio da antropologia, perceberemos que o mundo mediterrâneo no qual ele foi gestado tem muito menos em comum com o Ocidente moderno do que imaginamos. É que costumamos olhar o texto com os parâmetros sociais atuais e não conseguimos, frequentemente, perceber a diferença do mundo antigo.

Considerações deste gênero são feitas, por exemplo, por Richard L. Rohrbaugh, na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociais e a Interpretação do Novo Testamento”, obra escrita por membros do The Context Group, “uma associação de estudiosos interessados no uso das Ciências Sociais como um instrumento heurístico na interpretação do Novo Testamento” que ao longo de mais de uma década vem trabalhando com a questão da antropologia do mundo mediterrâneo, visto como uma unidade cultural onde foi escrito o NT.

O autor nos oferece alguns exemplos que apontam para o risco da projeção de nossa visão moderna de mundo para o universo do NT. Tomemos a questão da expectativa de vida hoje nos países ricos e nas cidades pré-industriais do Império Romano: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (não contabilizados, portanto, como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos, 90% já desaparecido, chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”.

É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados, já que um pobre em Roma, no século I de nossa era, tinha uma expectativa de vida de 30 anos, quando muito. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose, seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (...) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”*.


Continue a leitura clicando aqui. A bibliografia, no final do texto, foi atualizada em 2012.


Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de exegese bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450.


* Três notas de rodapé foram omitidas neste trecho aqui transcrito.


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Origem do discurso socioantropológico

O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000. 

O objetivo deste artigo é esboçar um panorama da origem e do desenvolvimento de duas ciências sociais que estão sendo hoje muito utilizadas na leitura da Bíblia. Trata-se da Sociologia e da Antropologia Cultural ou Social, somadas no discurso que caracterizamos como Socioantropológico. Em inglês, a terminologia comumente utilizada é Social-Scientific Criticism.

Continue a leitura clicando aqui. A bibliografia, no final do texto, foi atualizada em 2015.

Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de exegese bblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450.


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Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica

Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica. Cadernos do Cearp, Ribeirão Preto, n. 11, p. 75-98, 1999.

Philip R. Davies, exegeta britânico, ao falar dos métodos usados na leitura da Bíblia nas últimas duas décadas, sugere que a combinação das abordagens literárias e sociológicas apresenta hoje o mais promissor caminho para o avanço dos estudos da Bíblia Hebraica. É que estas abordagens examinam não somente a literatura e a realidade social de Israel, mas também as forças sociais subjacentes à produção da literatura bíblica, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto. Além disso, sublinha ainda Philip R. Davies, estas abordagens situam Israel no seu contexto histórico apropriado e questionam preconceitos teológicos que, frequentemente, estorvam os especialistas em exegese bíblica.

Na mesma direção sinaliza Norman K. Gottwald, quando diz que a leitura sociológica fecha a porta “firme e irrevogavelmente, às ilusões idealistas e supernaturalistas que ainda impregnam e enfeitiçam nossa perspectiva religiosa”, quando abordamos um texto bíblico. E acrescenta: "Cumpre que tanto Iahweh como 'seu' povo sejam desmistificados, desromantizados, desdogmatizados e desidolizados. Somente quando realizarmos esta desmitologização da fé javista, e dos seus derivados judaico e cristão, seremos capazes, aqueles dentre nós que foram formados e alimentados por esses símbolos judeus e cristãos curiosamente ambíguos, de alinharmos coração e cabeça, de combinarmos teoria e prática".

Vale lembrar aqui outro aspecto: a aplicação das Ciências Sociais ao estudo da Bíblia vem conseguindo responder satisfatoriamente a questões que a clássica “teologia bíblica” não conseguiu abordar de modo adequado até agora.

É igualmente importante salientar que a leitura sociológica da Bíblia está relacionada especialmente com os métodos histórico-críticos e com a leitura popular. Na medida em que toda abordagem sociológica de um texto histórico é também uma abordagem histórica, a leitura sociológica tem complementado e corrigido a leitura histórico-crítica. Especialmente importante é a percepção de que sua colaboração se faz necessária quando a historiografia não se contenta em descrever as ações dos grupos dominantes de determinada sociedade, mas a história quer revelar a atividade total de um povo. Do mesmo modo, a leitura popular que vem sendo feita entre nós se beneficia das contribuições das Ciências Sociais. No estudo do contexto em que foram escritos os textos bíblicos, por exemplo, costuma-se olhar os quatro lados da situação enfocada: os lados econômico, social, político e ideológico. Esta é uma atitude sociológica, entre outras que poderiam ser aqui citadas.

É sobre esta atitude que David J. Chalcraft, organizador de um livro sobre a aplicação das Ciências Sociais ao Antigo Testamento, diz: “A crítica social científica não deve se restringir a modelos e teorias preditivas no seu esforço para reconstruir o que está ‘atrás dos textos’: mais do que isso, ela abarca toda uma série de questões, teorias, conceitos e metodologias. Ela, e isso é o mais importante, implica em ‘modos de pensar’ sociológico e antropológico”*.


Este artigo foi publicado na Ayrton's Biblical Page. Confira: Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica. A bibliografia foi atualizada em 2012.

Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de exegese bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450. 


* Cinco notas de rodapé, presentes nesta introdução, foram aqui omitidas.


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segunda-feira, 2 de março de 2015

Biblical Studies Carnival 108

Seleção de postagens dos biblioblogs em fevereiro de 2015.

Biblical Studies Carnival – February 2015

Trabalho feito por Jennifer Guo em seu blog.

E há também The February Carnival: The ‘Love is in the Air’ Edition. By Jim West.