terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O Evangelho de Paulo

Do campo para a cidade: o Evangelho de Paulo. Vida Pastoral, São Paulo, n. 152, p. 13-18, 1990.

A partir da década de 1960 o Brasil entrou em acelerado processo de modernização. Isso foi uma consequência de seu ingresso ativo no mercado capitalista mundial. Rápidas mudanças começaram a ser feitas.

Uma delas, das mais importantes, consequência da industrialização, foi o crescimento urbano. As cidades aumentaram em número e cresceram enormemente em população. Os grandes centros sofreram o inchaço típico das concentrações industriais.

E isso colocou um problema para a prática pastoral, que se vê hoje obrigada a criar novos mecanismos, mais adequados ao mundo urbano. Na verdade, a Igreja estava acostumada a uma centenária pastoral rural. E enfrenta agora complicados problemas urbanos, para os quais as soluções tradicionais não são suficientes.

Motivados por essa problemática, talvez seja interessante verificarmos, nas origens do cristianismo, processo semelhante. O primeiro que se deu.

O evangelho foi anunciado por Jesus e seus seguidores imediatos em ambiente em eminentemente rural, que era o da Palestina do século I d.C. É o que podemos facilmente perceber na leitura dos evangelhos, onde o referencial das parábolas, dos milagres e de outros ensinamentos é o da roça, do gado, da terra. Mesmo quem morava nas cidades da Judeia ou da Galileia, cidades pequenas, vivia em permanente contato com o campo e seu universo de valores.

Além disso, é um evangelho pregado por judeus a judeus. O espaço geográfico e a mentalidade são restritos a um povo só e a uma nação apenas.

Acontece que, cerca de dez anos após a morte de Jesus, o evangelho já era fortemente anunciado em outros países e para outros povos. Quem começou este processo foram os “helenistas”, judeus nascidos no exterior, segundo At 11,19-26. Saindo de Jerusalém, eles pregaram o evangelho aos gentios de Antioquia. Com sucesso. Antioquia, com seus 500 mil habitantes, era uma das maiores cidades do Império Romano.

Mas quem assumiu com maior determinação esta nova tarefa de anunciar o evangelho aos gentios foi Paulo de Tarso. Durante toda a sua vida, cerca de trinta anos de atividade apostólica, ele percorreu as cidades mais importantes da Ásia Menor e da Grécia anunciando o evangelho de Jesus Cristo.

Foi um passo decisivo na história da jovem Igreja, que se espalhou progressivamente por todo o Império Romano. Enfim: o evangelho acabou dando mais certo fora do que dentro da Palestina.

Acompanhando os passos de Paulo, é essa passagem que queremos examinar. Passagem do evangelho de um ambiente nacional, judaico e rural, a Palestina, para um ambiente universal, greco-romano e urbano, as cidades do Império Romano.

Vamos desenvolver o tema em três momentos, perguntando-nos a propósito dessa passagem do evangelho do ambiente palestino para o mundo greco-romano:

  • Quais foram as causas dessa passagem?
  • Como foi feita essa passagem?
  • Qual era a finalidade dessa passagem?


Esta é a introdução do artigo. Os itens acima têm os seguintes títulos:

1. Paulo, chamado para ser apóstolo
1.1. Eu sou de Tarso, cidade célebre
1.2. Quem não quer trabalhar também não há de comer
1.3. O que era para mim lucro eu o tive como perda

2. Expus-lhes o evangelho que prego entre os gentios
2.1. Saudai a Igreja que se reúne em vossa casa
2.2. Como bom arquiteto, lancei o fundamento
2.3. Não há entre vós muitos poderosos, nem muitos nobres

3. O homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei
3.1. Não há judeu nem grego: vós sois um só em Cristo Jesus
3.2. Quem ama o outro cumpriu a Lei

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