terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Doncovim? Oncontô? Proncovô?

"Divagarzim" vamos ampliando a visão de onde estamos. Quem sabe um dia descobrirei, de fato, doncovim, oncotô, proncovô. Afinal, sou mineiro!

Pois acabei de conhecer isto aqui, que deve ser de qualidade, sendo reproduzido até pela NASA:

The Scale of the Universe 2 - A Escala do Universo - By Cary Huang - 2012

Clique aqui, escolha a língua portuguesa e bom divertimento.


E, se apreciar um belo texto, veja este, em espanhol:

El sexto día di órdenes a mi Sabiduría para que creara al hombre, partiendo de siete elementos, a saber: su carne de la tierra, su sangre de rocío y del sol, sus ojos del abismo de los mares, sus huesos de piedra, su pensamiento de la celeridad angélica y de las nubes, sus venas y sus cabellos de hierbas de la tierra, su alma de mi propio espíritu y del viento. Y le doté de siete sentidos: oído en relación con la carne, vista para los ojos, olfato para el alma, tacto para los nervios, gusto para la sangre, consistencia para los huesos y dulzura para el pensamiento. Y me ingenié para que hablara palabras sagaces. Creé al hombre partiendo de la naturaleza visible e invisible, de ambas a la vez, muerte y vida; y la palabra  conoce la imagen lo mismo que a cualquier otra criatura, pequeña en  lo grande y grande en lo pequeño. Y le dejé establecido en la tierra como un segundo ángel, honorable, grande y glorioso. Y le constituí como rey sobre la tierra, teniendo a su disposición un reino gracias a mi Sabiduría. Y entre mis criaturas no había nada parejo a él sobre la tierra. Y le asigné un nombre que consta de cuatro elementos: Oriente, Occidente, Norte y Sur. Y puse a su disposición cuatro estrellas insignes, dándole por nombre Adán. Le doté de libre albedrío y le mostré dos caminos, la luz y las tinieblas. Entonces le dije: "Mira, esto es bueno para ti y aquello malo" (11,57-65).

Afinal, que texto é esse?

É um trecho do relato da criação do homem segundo o Livro Eslavo de Henoc.

Este é um apócrifo apocalíptico proveniente da Palestina ou do Egito. Foi escrito por um autor judeu ou judeu-cristão do século I d.C.  A língua original era o grego. A versão que temos está em eslavo antigo.

Esta tradução em espanhol está no IV volume, de 1984, p. 177-178, da obra de DIEZ MACHO, A.; PIÑERO, A. (eds.) Apócrifos del Antiguo Testamento I-VI. Madrid: Cristiandad, 1982-2009. A tradução, do original, é de A. de Santos Otero.

Para entender melhor o contexto, confira o meu artigo Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras. Sobre o Livro Eslavo de Henoc, confira, neste artigo, especialmente aqui.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Revistas online sobre o mundo antigo

Uma lista com 197 revistas online e livre acesso.

Em português, espanhol e catalão.

Dedicadas ao estudo das civilizações do mundo antigo.

La siguiente lista incluye los títulos de 197 revistas de acceso libre en español, catalán, y portugués cuyo enfoque es el estudio de las civilizaciones del mundo antiguo. Esta lista ha sido tomada de la lista completa de AWOL.

The following list includes the titles of 197 open access periodicals in the Spanish - Catalan - Portuguese languages focusing on the study of the ancient world. It is a extracted from AWOL's full List of Open Access Journals in Ancient Studies.

Spanish/Catalan/Portuguese Open Access Journals on the Ancient World

Fonte: AWOL - The Ancient World Online

Mais de 470 livros de Bíblia gratuitos

Chamo a atenção dos interessados em estudos bíblicos para o Projeto ICI (International Cooperation Initiative) da SBL.

No momento estão disponíveis para download gratuito, em pdf, 471 livros (Online Books in the Program as of December 31, 2015).

E são bem recentes.

Só de publicações feitas em 2013 há 32 livros. E em 2014? São 27 livros. 2015 ainda não entrou na lista.

Clique aqui ou aqui.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Herodes e o menino Jesus indígena

Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a.C.).

Herodes  se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. Primeiro apoia Antônio, mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio, no ano 31 a.C., Herodes vai imediatamente visitar o vencedor, que está na ilha de Rodes, e, em gesto teatral, depõe a coroa a seus pés.

Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território, a exoneração de tributo a Roma, a isenção de tropas de ocupação, a autonomia interior para as finanças, a justiça e o exército.

Latuff: O Menino Jesus Indígena e o Herodes do Agronegócio

Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. Isto significa, antes de mais nada, que ele elimina, através de assassinatos e intrigas várias, adversários seus, inclusive alguns membros de sua família – como esposa e filhos.

Consolidado o poder, constrói obras grandiosas na Judeia. Templos, teatros, hipódromos, ginásios, termas, cidades, fortalezas, fontes. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém, a partir do inverno de 20-19 a.C.

Reconstrói Samaria, dando-lhe o nome de Sebaste, feminino grego de Augusto, em homenagem ao Imperador romano; constrói um importante porto, Cesareia Marítima; Mambré, lugar sagrado ligado a Abraão, recebe uma grande construção que o valoriza; fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium, Heródion, Massada, Maqueronte, Hircania etc. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita.

Observemos os nomes de suas construções, reveladores de seu espírito político:

. Sebaste (Samaria), em homenagem a Augusto
. Cesareia (Marítima), em homenagem a César Augusto
. Antipátrida, em homenagem a seu pai Antípater
. Fasélida, em homenagem a seu irmão Fasael
. Cipros, em homenagem a sua mãe
. Heródion, em homenagem a si mesmo
. fortaleza Antônia (em Jerusalém), em homenagem a Marco Antônio.

Valorizando o culto, Herodes Magno ganha para si o povo. Construindo fortalezas, controla possíveis revoltas. Matando seus inimigos, seleciona seus herdeiros. Apoiando a cultura helenística, aparece diante do mundo. Servindo fielmente a Roma, conserva-se no poder.

Entretanto, Herodes não tem legitimidade judaica, pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. Assim, por ser estrangeiro, não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido.

Quando vence os seguidores de Antígono, Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica:

. nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e, mais tarde, da alexandrina
. exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais; se a pessoa recusar o juramento, é perseguida
. interfere na justiça do Sinédrio
. manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior, sem direito a resgate
. a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal.

Mas, se ele viola assim a tradição, como consegue legitimidade?

A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus:

. o rei é legitimado como pessoa e não por descendência
. o poderio não se orienta pela tradição, mas pela aplicação do direito pelo senhor
. o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a “assignatio
. a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei, quando diz que o rei é “lei viva” (émpsychos nómos), em oposição à lei codificada, ou seja: o rei é a fonte da lei, porque ele é regido pelo “nous“: o rei tem função salvadora e, por isso, dá aos seus súditos uma ordem racional, através das normas do Estado.
. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael), e nas cidades não judaicas por ele fundadas, a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia, com os camponeses dentro!

Douglas E. Oakman, em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus, mostra que a violência que sofriam era brutal. Fraudes, roubos, trabalhos forçados, endividamento, perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. Existia uma violência epidêmica na Palestina.

Cerca de 1/3 das crianças que ultrapassavam o primeiro ano de vida morriam até os 6 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos, 90% já desaparecido, chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população.

Um pobre no Império Romano, no século I de nossa era, tinha uma expectativa de vida de 30 anos, quando muito. Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose, seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado. 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas.

E é neste contexto que Douglas E. Oakman propõe uma leitura radical do Pai Nosso. Ele sugere que o pedido perdoa-nos as nossas dívidas (Mt 6,12) refere-se aos processos nos quais os camponeses perdiam sua terra para os credores urbanos que sistematicamente exploravam as condições econômicas precárias em que viviam. Além disso, argumenta Oakman, a prece final (Mt 6,13) não nos ponha em teste – normalmente traduzida com a ideia anacrônica de não cair em tentação – é o apelo do camponês para que não seja levado a um tribunal de cobrança de dívidas e colocado diante de um juiz corrupto (mas livra-nos do Maligno) cujo veredicto daria à expropriação de sua terra força de lei.

Obs.: os autores e  os textos podem ser conferidos nas fontes indicadas abaixo.


Fontes:
História de Israel: o domínio romano
Leitura socioantropológica do Novo Testamento
O Pai Nosso trata da fome, do endividamento, da opressão

sábado, 19 de dezembro de 2015

Ditadura impediu Dom Helder de ganhar Nobel da Paz

Dossiê revela que militares impediram dom Helder Camara de ganhar o Nobel da Paz

PASCOM da Arquidiocese de Olinda e Recife - 18.12.2015

Não restam mais dúvidas: o Governo Militar interferiu diretamente para que o ex-arcebispo de Olinda e Recife, dom Helder Camara, não recebesse o prêmio Nobel da Paz. A manobra foi comprovada através de documentos inéditos obtidos pela Comissão Estadual da Memória e Verdade (CEMVDHC). O quarto volume dos Cadernos da Memória e Verdade, que revela detalhes do caso, foi lançado nesta sexta-feira, 18, durante solenidade ocorrida no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco.

O Dom da Paz foi indicado em três oportunidades à premiação no início nos anos 1970. Tido como favorito, o ex-arcebispo foi intensamente procurado na época pela imprensa internacional, que dava como certa a conquista.

De acordo com o coordenador da Comissão da Verdade PE, Fernando Coelho, o dossiê apresenta correspondências oficiais obtidas com o Ministério de Relações Exteriores e adentra numa esfera pouco explorada em relação à Ditadura: a área da diplomacia. O material foi obtido durante os dois anos de atuação da CEMVDHC. “Publicamos dezenas de documentos oficiais, correspondências, por exemplo, do ministro das Relações Exteriores para os embaixadores, do embaixador para o ministro dando instruções e dando conta das providências tomadas para impedir que dom Helder recebesse o Nobel. O conteúdo é objetivo, claro e determinante e traz providências e prestação de contas”, revela Coelho.


Leia o texto completo.  Também aqui.

A documentação obtida e produzida pela comissão pode ser acessada através do site da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).


Leia Mais:
Dom Helder Câmara

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Uma história da Teologia da Libertação

Dicionário conta história da Teologia da Libertação

Cristina Fontenele - Adital - 15.12.2015

Escrito quase na totalidade por teólogos latino-americanos, está em finalização o Dicionário Histórico da Teologia da Libertação (TdL), que será lançado para o mundo francófono (Europa e Canadá), pela editora belga Lessius, com o apoio de professores eméritos. Com previsão para setembro do próximo ano, a obra será produzida nas versões francês, castelhano, português e inglês. O trabalho, que já dura três anos, tem o objetivo de apresentar um panorama da evolução da TdL desde o seu surgimento, na época do Concílio Vaticano II [1965], até os dias atuais.

Luis Martínez, teólogo chileno que vive em Bruxelas, na Bélgica, e um dos coordenadores do projeto, explica que o dicionário está organizado em três grandes blocos. A primeira parte desenvolve 10 temas principais da TdL, como, por exemplo, o tema Libertação, que foi escrito por Leonardo Boff; Cristologia, pelo teólogo Jorge Costadoat, de Santiago [Chile]; e comunidades de base, por Socorro Martínez, da Ameríndia. "A Gutiérrez [Gustavo Gutiérrez, considerado o pai da TdL] não pedimos nada, o deixamos tranquilo, mas ele está muito presente em todo o dicionário. Há uma nota bibliográfica, a maior, sobre ele, assim como a de Boff.”

Martínez, por sua vez, escreveu uma nota sobre o sacerdote chileno Ronaldo Muñoz. "Ele foi meu professor, estudamos Teologia e fundamos juntos a Comunidade Teológica do Sul. Em geral, quem escreveu sobre alguém é porque o conhecia”.

Em um segundo bloco, o livro faz um desenvolvimento geográfico da TdL por país e, na terceira parte, são apresentadas em torno de 150 biografias, entre bispos, teólogos, mártires e laicos, que acompanharam a TdL e a mantiveram com sua prática. Este último bloco é precedido de uma introdução histórica, com os obstáculos, as resistências e as conquistas alcançadas pela TdL. Martínez relata que praticamente todos os teólogos presentes no II Congresso de Teologia da Ameríndia, realizado em Belo Horizonte, em outubro deste ano, escreveram algum verbete para o dicionário. "90% da obra foi escrita por teólogos latino-americanos, que falam sobre os próprios colegas e sua realidade. É como escutar uma família falando dela mesma”.

Com a chegada de Papa Francisco, Martínez destaca que a Teologia da Libertação volta a ser "posta sobre a mesa”, quando era creditada por muitos como uma Teologia "morta”. A principal expectativa com o lançamento do Dicionário é, de acordo com o teólogo, apresentar ao resto do mundo um caminho sólido percorrido pela América Latina, a partir da grande recepção do Concílio, sobretudo, à Igreja europeia.

Leia o texto completo.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Resenhas na RBL - 11.12.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Deborah Levine Gera
Judith
Reviewed by Patricia Ahearne-Kroll

Christopher B. Hays
Hidden Riches: A Sourcebook for the Comparative Study of the Hebrew Bible and Ancient Near East
Reviewed by Brad E. Kelle
Reviewed by Victor H. Matthews

Thomas Hieke
Levitikus: Erster Teilband: 1–15 and Levitikus: Zweiter Teilband: 16–27
Reviewed by Erhard S. Gerstenberger

Doohee Lee
Luke-Acts and ‘Tragic History
Reviewed by Gregory Sterling

Meir Lubetski and Edith Lubetski, eds.
New Inscriptions and Seals Relating to the Biblical World
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Piotr Michalowski
The Correspondence of the Kings of Ur: An Epistolary History of an Ancient Mesopotamian Kingdom
Reviewed by T. Sharlach

J. Brian Peckham
Phoenicia: Episodes and Anecdotes from the Ancient Mediterranean
Reviewed by Josette Elayi

Matthew Thiessen
Contesting Conversion: Genealogy, Circumcision, and Identity in Ancient Judaism and Christianity
Reviewed by James C. Miller
Reviewed by Rafael Rodríguez


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

CNBB divulga nota sobre o momento nacional

Na terça-feira, 8 de dezembro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota sobre o momento nacional.

O texto é assinado pela Presidência da entidade constituída pelo arcebispo de Brasília e presidente, dom Sergio da Rocha; pelo arcebispo de Salvador e vice-presidente, dom Murilo Krieger; e pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner.

Neste momento grave da vida do país, a CNBB levanta sua voz para colaborar, fazendo chegar aos responsáveis o grito de dor desta nação atribulada, a fim de cessarem as hostilidades e não se permitir qualquer risco de desrespeito à ordem constitucional”, diz um trecho da nota.

No texto, a CNBB apela para o diálogo e para a serenidade e expressa repúdio ao recurso da violência e da agressividade nas diferentes manifestações sobre a vida política do país.

Confira, abaixo, a íntegra da nota.



NOTA SOBRE O MOMENTO NACIONAL

E nós somos todos irmãos e irmãs (cf. Mt 23,8)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, fiel à missão evangelizadora e profética da Igreja, acompanha, com apreensão e senso de corresponsabilidade, a grave crise política e econômica que atinge o país e, mais uma vez, se manifesta sobre o atual momento nacional.

Ao se pronunciar sobre questões políticas, a CNBB não adota postura político-partidária. Não sugere, não apoia ou reprova nomes, mas exerce o seu serviço à sociedade, à luz dos valores e princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja. Desse modo, procura respeitar a opção política de cada cidadão e a justa autonomia das instituições democráticas, incentivando a participação responsável e pacífica dos cristãos leigos e leigas na política.

Neste momento grave da vida do país, a CNBB levanta sua voz para colaborar, fazendo chegar aos responsáveis o grito de dor desta nação atribulada, a fim de cessarem as hostilidades e não se permitir qualquer risco de desrespeito à ordem constitucional. Nenhuma decisão seja tomada sob o impulso da paixão política ou ideológica. Os direitos democráticos e, sobretudo, a defesa do bem comum do povo brasileiro devem estar acima de interesses particulares de partidos ou de quaisquer outras corporações. É urgente resgatar a ética na política e a paz social, através do combate à corrupção, com rigor e imparcialidade, de acordo com os ditames da lei e as exigências da justiça.

Para preservar e promover a democracia, apelamos para o diálogo e para a serenidade. Repudiamos o recurso à violência e à agressividade nas diferentes manifestações sobre a vida política do país, e a todos exortamos com as palavras do Papa Francisco: “naquele que, hoje, considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! (...) Ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação, para construir a justiça, a confiança e a esperança ao vosso redor” (Mensagem para a Celebração do XLVII Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2014, 7).

Confiamos o Brasil ao Senhor da vida e da história, pedindo sabedoria para os governantes e paz para nosso povo.

Imaculada Conceição, vosso olhar a nós volvei, vossos filhos protegei!


Brasília-DF, 08 de dezembro de 2015

Dom Sergio da Rocha -  Arcebispo de Brasília-DF - Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger -  Arcebispo de São Salvador da Bahia- BA - Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner - Bispo Auxiliar de Brasília-DF - Secretário Geral da CNBB


Fonte: CNBB

Livros de Introdução à Bíblica Hebraica de J. J. Collins foram reeditados

COLLINS, J. J. Introduction to the Hebrew Bible. 2. ed. Minneapolis: Fortress Press, 2014, 640 p. – ISBN 9781451469233.

John J. Collins, Introduction to the Hebrew Bible
 

John J. Collins' Introduction to the Hebrew Bible is one of the most reliable and widely adopted critical textbooks at undergraduate and graduate levels alike, and for good reason. Enriched by decades of classroom teaching, it is aimed explicitly at motivated students regardless of their previous exposure to the Bible or faith commitments. Collins proceeds through the canon of the Old Testament and the apocrypha, judiciously presenting the current state of historical, archaeological, and literary understanding of the biblical text, and engaging the student in questions of significance and interpretation for the contemporary world. The second edition has been revised where more recent scholarship indicates it, and is now presented in a refreshing new format.



COLLINS, J. J. A Short Introduction to the Hebrew Bible. 2. ed. Minneapolis: Fortress Press, 2014, 336 p. – ISBN 9781451472943.

John J. Collins, A Short Introduction to the Hebrew Bible
 

A marvel of conciseness, John J. Collins' A Short Introduction to the Hebrew Bible is quickly becoming one of the most popular introductory textbooks in colleges and university classrooms. Here the erudition of Collins' renowned Introduction to the Hebrew Bible is combined with even more student-friendly features, including charts, maps, photographs, chapter summaries, illuminating vignettes, and bibliographies for further reading. The second edition has been carefully revised to take the latest scholarly developments into account. A dedicated website includes test banks and classroom resources for the busy instructor.

Edições para Kindle disponíveis na Amazon do Brasil.


John J. Collins is Holmes Professor of Old Testament Criticism and Interpretation at Yale Divinity School.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Observatório Bíblico: 10 anos online

Observatório Bíblico está comemorando hoje seu décimo aniversário: foi criado no dia 7 de dezembro de 2005.

Tags do blog Observatório Bíblico

Até aqui 3415 postagens foram publicadas.

Observatório Bíblico celebrates today 10 years online.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Francisco na África

Em imagens.

Um tweetbook da viagem de Francisco à África nos dias 25-30 de novembro de 2015.

Feito por Antonio Spadaro. Com 440 fotos.

O download, gratuito, pode ser feito em pdf, epub ou mobi.

#PAPAINAFRICA

#Viaggio di Papa Francesco in AFRICA 25-30 Novembre 2015.

A tweetbook by Antonio Spadaro - Tuesday, December 1, 2015

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Impeachment? Saiba mais

Impeachment?

Veja, julgue, aja!

Leia aqui, aqui, aqui e aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Francisco sobre o clima: caminharemos para o suicídio?

Desde 30 de novembro está sendo realizada, em Paris, a XXI Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, também conhecida como Conferência das Partes (COP21), onde se busca chegar a um acordo que evite uma temperatura global acima dos 2ºC, pois, caso contrário, levar-nos-ia a ultrapassar o ponto de não retorno de uma espiral ascendente de consequências apocalípticas.

Francisco falou sobre o tema com os jornalistas na viagem de volta da África. Cf. aqui [atualização feita em 02.12.2015 - 17h00]

:: Sem acordo climático, "estamos no limite do suicídio", diz papa - Brasil 24/7 - 30/11/2015
O papa foi perguntado se a conferência do clima da Organização das Nações Unidas em Paris marcaria uma virada na luta contra o aquecimento global. "Eu não tenho certeza, mas eu posso dizer para você que é agora ou nunca", declarou ele. "A cada ano os problemas ficam piores. Estamos no limite. Se eu puder usar uma palavra forte, eu diria que nós estamos no limite do suicídio."


:: El Papa sobre el clima: "o se cambia ahora o nunca más. Estamos al borde de un suicidio" - Andrea Tornielli - Vatican Insider - 30/11/2015
El mundo está al borde del suicidio, si no cambia decididamente la dirección para afrontar los problemas relacionados con el cambio climático relacionados con el actual modelo de desarrollo. Lo dijo Papa Francisco dialogando con los periodistas durante el vuelo que lo llevó de Bangui a Roma.


:: Il Papa: "Clima: si cambi ora o mai più. Siamo al limite del suicidio" - Andrea Tornielli - Vatican Insider - 30/11/2015
Francesco dialoga con i giornalisti sul volo di ritorno dall’Africa: "Siamo al limite di un suicidio per dire una parola forte e io sono sicuro che quasi la totalità di quelli che sono a Parigi hanno questa coscienza e vogliono fare qualcosa".


:: Francis: “Regarding the climate, it’s either now or never. We are on the verge of suicide” - Andrea Tornielli - Vatican Insider - 11/30/2015
The world is on the verge of suicide if we do not radically change the way in which we deal with problems linked to climate change and the current development model. Francis said this in his conversation with journalists on board the flight from Bangui to Rome. The Pope also responded to a couple of questions about the Vatileaks scandal.


Leia Mais:
Sobre a encíclica ecológica de Francisco

Apresentações feitas no Congresso 2015 da SBL

O Congresso Anual da SBL foi realizado em Atlanta, Georgia, de 21 a 24 de novembro de 2015.

Veja os resumos (abstracts) das apresentações.


2015 Annual Meeting - Atlanta, GA: 11/21/2015 to 11/24/2015 - Meeting Abstracts


Leia Mais:
2015 ETS and SBL Paper Summaries
Blogging the #AARSBL15 Blogger Session
The Final Blogger Session #AARSBL15

Biblical Studies Carnival 117

Seleção de postagens dos biblioblogs em novembro de 2015.

The 2015 SBL Annual Meeting Carnival: All The Best Tweetings

Trabalho feito por Jim West em seu biblioblog Zwinglius Redivivus.

Obs.: este é o 'carnival' oficial e não o paralelo que Jim costuma fazer!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Livro de John Day sobre Gênesis 1-11

DAY, J. From Creation to Babel: Studies in Genesis 1-11. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 248 p. - ISBN 9780567664211.

John Day, From Creation to Babel: Studies in Genesis 1-11


The stories of Genesis 1-11 constitute one of the better known parts of the Old Testament, but their precise meaning and background still provide many debated questions for the modern interpreter. In this stimulating, learned and readable collection of essays, which paves the way for his forthcoming ICC commentary on these chapters, John Day attempts to provide definitive solutions to some ofthese questions. Amongst the topics included are the background and interpretation of the seven-day Priestly Creation narrative, problems in the interpretation of the Garden of Eden story, the relation of Cain and the Kenites, the strange stories of the sons of God and daughters of men and of Noah's drunkenness and the curse of Canaan, the precise ancient Near Eastern background of the Flood story and the preceding genealogies, and the meaning and background of the story of the tower and city of Babel. Throughout this volume John Day constantly seeks to determine the original meaning of these stories in the light of their ancient Near Eastern background, and to determine how far this original meaning has been obscured by later interpretation.


Leia The Serpent in the Garden of Eden and its Background, texto que faz parte deste livro, modificado e publicado pelo autor em The Bible and Interpretation em abril de 2015.


John Day é Professor Emérito de Estudos de Antigo Testamento na Universidade de Oxford, Reino Unido.

Jessé Souza tenta explicar o Brasil

Leia, ou veja em vídeo, uma interessante entrevista que aconteceu no Brasilianas.org, da TV Brasil, em 16/11/2015:

Jessé Souza: O desafio de desconstruir os intérpretes do Brasil

O sociólogo Jessé Souza, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), está lançando um livro, chamado A tolice da inteligência brasileira, que traz argumentos apontando que os grandes intérpretes da sociedade brasileira estiveram durante todo esse tempo errados.

Em Luis Nassif Online - 23/11/2015.

Resenhas na RBL - 16.10.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Daniel I. Block
Beyond the River Chebar: Studies in Kingship and Eschatology in the Book of Ezekiel
Reviewed by Corrine Carvalho

Tony Burke
Secret Scriptures Revealed: A New Introduction to the Christian Apocrypha
Reviewed by Julia Snyder

N. Clayton Croy
Prima Scriptura: An Introduction to New Testament Interpretation
Reviewed by Valeriy A. Alikin

Eugen J. Pentiuc
The Old Testament in Eastern Orthodox Tradition
Reviewed by Antonios Finitsis

Mark Reasoner
Roman Imperial Texts: A Sourcebook
Reviewed by Ulrich Busse

Yvonne Sherwood
Biblical Blaspheming: Trials of the Sacred for a Secular Age
Reviewed by Hector Avalos

Christopher R. Seitz and Kent Harold Richards, eds.
The Bible as Christian Scripture: The Work of Brevard S. Childs
Reviewed by Jason A. Bembry
Reviewed by H. F. Van Rooy

Michael E. Stone and Matthias Henze
Fourth Ezra and Second Baruch: Translations, Introductions, and Notes
Reviewed by Johann Cook
Reviewed by Karina Martin Hogan


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livro de John Van Seters sobre o Pentateuco

Mais um clássico reeditado na coleção Cornerstones (= pedras angulares) da Bloomsbury T & T Clark.

VAN SETERS, J. The Pentateuch: A Social-Science Commentary. 2. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 224 p. - ISBN 9780567658791.





John Van Seters, The Pentateuch: A Social-Science Commentary



Diz a editora:

"In this magisterial overview of the Pentateuch John Van Seters reviews the various historical-critical attempts to read it that arise from notions about the social evolution of Israel's religion and culture. Is the Pentateuch an accumulation of folk traditions, a work of ancient historiography, a document legitimizing religious reform? In dialogue with competing views, Van Seters advocates a compositional model that recognizes the social and historical diversity of the literary strata. Van Seters argues that a proto-Pentateuchal author created a comprehensive history from Genesis to Numbers that was written as a prologue to the Deuteronomistic History (Deuteronomy to 2 Kings) in the exilic period and later expanded by a Priestly writer to make it the foundational document of the Jerusalem temple community.

This social-science commentary on the Pentateuch is renowned as one of the most influential volumes on this group of texts. For the new edition Van Seters has revised several sections of the text, updating and integrating new bibliographical items, and refining the text where necessary. A reflective preface summarizes these changes and developments for the reader's convenience".

Livro de Larry W. Hurtado foi reeditado

HURTADO, L. W. One God, One Lord: Early Christian Devotion and Ancient Jewish Monotheism. 3. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 288 p. - ISBN 9780567657718.




Larry W. Hurtado, One God, One Lord



Em seu blog, Larry W. Hurtado escreveu em 19.08.2015:

The major addition to this edition is a 53-page Epilogue, in  which I first explain briefly how the book arose (key influences, etc.), and how it fits into the research program in which it was an early and important step, and then I spend most of the Epilogue underscoring major results argued for in the book and discussing the “Ongoing Debate,” that is, how scholarly discussion has proceeded since the book’s appearance in 1988 (and especially since the 1998 2nd edition).

I can’t claim to have read or referenced everything that may have been published on the broader clutch of topics and questions involved in what is typically called the origins and early development of “Christology.” Instead, I’ve aimed to note and discuss briefly what seem to me important works that more specifically engage the questions and major areas of focus in the book.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Livros de Davies e Lemche sobre História de Israel

Dois clássicos reeditados e um novo.


DAVIES, P. R. In Search of 'Ancient Israel': A Study in Biblical Origins. 2. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 192 p. - ISBN  9780567662972.

Davies, In Search of 'Ancient Israel': A Study in Biblical Origins


DAVIES, P. R. The History of Ancient Israel: A Guide for the Perplexed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 200 p. - ISBN 9780567655851.

Davies, The History of Ancient Israel: A Guide for the Perplexed




LEMCHE, N. P. Ancient Israel: A New History of Israel. 2. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, 296 p. - ISBN 9780567662781.

Lemche,  Ancient Israel: A New History of Israel



Leia artigos dos dois autores sobre os 2 livros reeditados (In Search of 'Ancient Israel' e Ancient Israel: A New History of Israel)  e também sobre o novo (The History of Ancient Israel) em The Bible and Interpretation:

:: A Guide for the Perplexed - Philip R. Davies - November 2015
What makes me a disciple of von Rad is that for me too the stories count for more than the “facts”. I have no commitment to “scripture”, but if I want to understand “ancient Israelites” or any other human groups or individuals from the past, I will do so better by coming to terms with what they thought about the past than what had actually transpired. If, as I think was most often the case, the writers of these biblical stories did not actually know what had happened, then the actual events have a restricted relevance to them: it would have made no difference to these writers whether what they narrated had happened or not.


:: Ancient Israel: A New History of Israel: Thoughts about a reissue - Niels Peter Lemche - November 2015
"In any case, I firmly believe that by the beginning of the twenty-second century, the Minimalists will be remembered and respected as worthy exemplars and forebears of the best current thought" (Sara Mandell).

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Teólogos divulgam carta de apoio a Francisco

Teólogos querem fortalecer apoio ao Papa Francisco contra oposição da Cúria conservadora - Cristina Fontenele -  Adital: 11/11/2015

Em carta aberta de apoio ao Papa Francisco, teólogos/as de todo o mundo se dizem "perplexos” com a oposição de alguns cardeais ao modo de Francisco conduzir o Sínodo e a Igreja. Tais grupos estariam postulando uma volta ao "modelo de Igreja do passado”, em uma espécie de campanha mundial contra o Sumo Pontífice, especialmente dentro da Cúria Romana. O principal objetivo é desestabilizar o modo de ser Papa, "despojado dos símbolos de poder”. Aderiram à carta cerca de 300 pessoas do Brasil, de toda América Latina, Caribe e representantes da Europa, do Canadá e dos Estados Unidos (...)

O texto foi apresentado pelo teólogo brasileiro Leonardo Boff durante o II Congresso Continental de Teologia, realizado de 26 a 30 de outubro, em Belo Horizonte (Estado de Minas Gerais), pela rede Ameríndia. Em entrevista à Adital, Boff explica que 15 dias antes do Congresso ele estava em Roma, onde teve a oportunidade de conversar com o embaixador argentino junto a Santa Sé, muito próximo ao Papa.

Boff teria, então, recebido um pedido pessoal do Papa para apoiá-lo na defesa contra as agressões que estaria sofrendo a partir de duas frentes – internamente, pelas oposições de bispos, da Cúria Romana, inclusive, com difamações; e externamente, por grupos de leigos conservadores, pessoas que o consideram, como os Estados Unidos, um comunista, marxista, porque ele exige transformações na economia, na política, na defesa dos pobres.

"Ele está numa situação altamente crítica e pediu o apoio dos cristãos e das pessoas do mundo inteiro, de boa vontade, interessadas no bem na humanidade, para que deem apoio explícito a ele.”, revela Boff. Segundo o teólogo, o objetivo é lançar a carta nas grandes mídias mundiais, para que do mundo inteiro as pessoas possam subscreverem o documento. O texto já foi traduzido para seis idiomas: português, espanhol, alemão, inglês, francês e italiano.

Leia o texto completo E siga o link para a carta.

Leia Mais:
II Congresso Continental de Teologia

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ayrton's Biblical Page: 16 anos online

Criada em 10 de novembro de 1999, Ayrton's Biblical Page está comemorando hoje 16 anos de existência.

Ayrton's Biblical Page celebrates today 16 years online.

sábado, 7 de novembro de 2015

Sítios arqueológicos do ANE no Google Earth

Veja ANE Placemarks for Google Earth.

ANE.kmz works with Google Earth, which has to be downloaded. When opened inside Google Earth, ANE.kmz gives, to the left, an alphabetic list of ancient sites and, to the right, on the satellite photo the same sites marked. For the moment, there are some 2500 sites with modern names; among them some 400 have ancient names. Additions of more sites are planned.

Israel Finkelstein fala sobre as origens de Israel

Demorei para ver, mas quando Israel Finkelstein esteve no Brasil, em outubro de 2015, ele deu uma entrevista para Reinaldo José Lopes, que a publicou na Folha de S. Paulo em 19/10/2015.

Leia:

Mudanças ambientais podem explicar o surgimento do povo israelita

Amostras de pólen obtidas no leito do mar da Galileia e do mar Morto podem ser a pista que faltava para explicar como surgiu o povo israelita, cuja religião deu origem ao judaísmo e ao cristianismo.

Segundo pesquisadores israelenses, os dados sugerem que, a partir de 1250 a.C., várias ondas prolongadas de seca devastaram a Terra Santa ao longo de um século e meio, fazendo com que bandos de refugiados fundassem novas comunidades na zona montanhosa da região. Esses novos vilarejos acabariam levando à formação dos antigos reinos de Israel e Judá.

Um dos que propõem essa tese é o arqueólogo Israel Finkelstein, da Universidade de Tel Aviv. O trabalho dele tem ajudado a repensar a relação entre os relatos da Bíblia, de um lado, e os dados históricos e arqueológicos, de outro.

Finkelstein conversou com a Folha durante sua visita ao Brasil na primeira semana de outubro, quando participou de conferências organizadas pela Universidade Metodista de São Paulo e pela Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica.



Leia Mais:
Israel Finkelstein: uso três importantes chapéus

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Estudo de Roland Boer sobre a economia do antigo Israel

Um elogiado estudo sobre a economia do antigo Israel. Parece ser algo denso e sólido. E que deve ir muito além dos costumeiros estudos na área.


BOER, R. The Sacred Economy of Ancient Israel. Louisville: Westminster John Knox Press, 2015, 570 p. - ISBN 9780664259662.



Roland Boer, The Sacred Economy of Ancient Israel

Diz a editora:

The Sacred Economy of Ancient Israel offers a new reconstruction of the economic context of the Bible and of ancient Israel. It argues that the key to ancient economies is with those who worked on the land rather than in intermittent and relatively weak kingdoms and empires. Drawing on sophisticated economic theory (especially the Régulation School) and textual and archaeological resources, Roland Boer makes it clear that economic "crisis" was the norm and that economics is always socially determined. He examines three economic layers: the building blocks (five institutional forms: subsistence survival, kinship-household, patronage, estates, and tribute-exchange), periods of relative stability (three regimes: the subsistence regime, the palatine regime, and the regime of plunder), and the overarching mode of production. Ultimately, the most resilient of all the regimes was subsistence survival, for which the regular collapse of kingdoms and empires was a blessing rather than a curse. Students will come away with a clear understanding of the dynamics of the economy of ancient Israel. Boer's volume should become a new benchmark for future studies.


A economia sagrada do antigo Israel oferece uma nova reconstrução do contexto econômico da Bíblia e do antigo Israel. O estudo argumenta que a chave para as economias antigas está com aqueles que trabalhavam a terra e não em reinos e impérios intermitentes e relativamente fracos. Com base em sofisticada teoria econômica (especialmente a escola da regulação, em francês: l'école de la régulation) e recursos textuais e arqueológicos, Roland Boer deixa claro que a "crise"  econômica era a norma e que a economia é sempre socialmente determinada. Ele examina três camadas econômicas ou blocos de construção (cinco formas institucionais: economia de subsistência, parentesco, clientelismo, propriedades e troca de tributo), períodos de relativa estabilidade (três regimes: o regime de subsistência, o regime palatino e o regime de pilhagem), e o abrangente modo de produção. Em última análise, o mais resistente de todos os regimes era a economia de subsistência, para a qual o colapso regular de reinos e impérios era uma bênção e não uma maldição. Os leitores vão obter deste estudo uma compreensão clara da dinâmica da economia do antigo Israel. O volume de Boer deve tornar-se um novo ponto de referência para estudos futuros.


O autor usa, principalmente, três pilares teóricos: a escola da regulação francesa, as pesquisas marxistas da era soviética e os estudos de Mario Liverani.


Sumário:

Chronologies

Introduction: On Economics and the Ancient World

Chapter 1: The Question of Theory

Chapter 2: Of Bread, Beer, and Four-Legged Friends

Chapter 3: Clans, Households, and Patrons

Chapter 4: Feeding the Nonproducers, or, (E)states

Chapter 5: The Many Faces of Plunder, or, Tribute-Exchange

Chapter 6: Spiral of Crises

Conclusion: A Subsistence Regime for Today?

Excursuses

Glossary

Bibliography


Na página da editora, vejo muitos elogios ao estudo de Roland Boer, como:

"This is a remarkable book. It is a brilliant analysis of ancient Israel in its broader historical context. Boer has a more profound and extensive knowledge of the ancient economy than any other scholar working on the ancient world...". - Richard A. Horsley, Distinguished Professor Emeritus of Liberal Arts and the Study of Religion, University of Massachusetts.


"Marxism as a practical political ideology may have lost its momentum, but Marxism as an analytical method has not. Rather, this method is very precise and produces surprising results. Roland Boer's study is a fine example of what can be achieved by a consequent use of this method. Boer distinguishes between two societal systems in the ancient Near East: the subsistence survival strategy in its various forms and extractive regimes such as states. Thus he has authored a highly readable new kind of book about the society of ancient Israel and its economic forces". - Niels Peter Lemche, Professor Emeritus, Department of Biblical Exegesis, University of Copenhagen.


"Boer's growing corpus of critical work has not received nearly the attention that it merits. With this book Boer establishes himself as a front-line critical scholar whose work will be an inescapable reference point for future work. This courageous book is nothing short of a tour de force in which Boer probes the economic organization, structure, practice, and resources of the Near East and ancient Israel as a sub-set of that culture. (...) It is impossible to overstate the importance of this book and the sheer erudition that has made it possible. Boer's patient attention to detail, his mastery of a huge critical literature, and the daring of his interpretive capacity combine to make this book a 'must' for any who want to probe the economic sub-structure of biblical faith and the culture that was its environment". - Walter Brueggemann, William Marcellus McPheeters Professor Emeritus of Old Testament, Columbia Theological Seminary.


Roland Boer is Professor of Literary Theory at Renmin (People's) University of China, Beijing, and Research Professor in Religious Thought at the University of Newcastle, Australia.

Leia mais aqui e aqui

domingo, 1 de novembro de 2015

Biblical Studies Carnival 116

Seleção de postagens dos biblioblogs em outubro de 2015.

Biblical Studies Carnival – October 2015

Trabalho feito por Phil Long em seu biblioblog Reading Acts.

E há também The October Avignonian Carnival: The ‘SBL Is Just 20 Days Away’ Edition. By Jim West.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Ayrton's Biblical Page está quase toda atualizada

Faltam apenas 2 artigos e um pedacinho da "História de Israel". 

Notas de rodapé, bibliografia, imagens, parte dos textos... foram refeitos.

O endereço: http://airtonjo.com

Confira.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Resenhas na RBL - 02.10.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Jeff S. Anderson
The Blessing and the Curse: Trajectories in the Theology of the Old Testament
Reviewed by James K. Mead
Reviewed by Stephen Reed

Laurie Brink
Soldiers in Luke-Acts: Engaging, Contradicting, and Transcending the Stereotypes
Reviewed by Julia Snyder

Sebastian A. Carnazzo
Seeing Blood and Water: A Narrative-Critical Study of John 19:34
Reviewed by Daniel Frayer-Griggs

L. Juliana Claassens and Klaas Spronk, eds.
Fragile Dignity: Intercontextual Conversations on Scriptures, Family, and Violence
Reviewed by Deborah Ellens

Robert Gnuse
Misunderstood Stories: Theological Commentary on Genesis 1–11
Reviewed by Stephen Breck Reid

Jack R. Lundbom
Theology in Language, Rhetoric, and Beyond: Essays in Old and New Testament
Reviewed by Robert L. Foster

A. A. Macintosh and C. L. Engle
The T&T Clark Hebrew Primer
Reviewed by Stephen L. Herring

Richard C. Miller
Resurrection and Reception in Early Christianity
Reviewed by M. David Litwa

Charlie Trimm
YHWH Fights for Them!”: The Divine Warrior in the Exodus Narrative
Reviewed by Benjamin D. Giffone

Lily C. Vuong
Gender and Purity in the Protevangelium of James
Reviewed by Janet Spittler


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Resenhas na RBL - 25.09.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Gary A. Anderson and Joel S. Kaminsky, eds.
The Call of Abraham: Essays on the Election of Israel in Honor of Jon D. Levenson
Reviewed by Megan Warner

Bryan C. Babcock
Sacred Ritual: A Study of the West Semitic Ritual Calendars in Leviticus 23 and the Akkadian Text Emar 446
Reviewed by Daniel Oden

Reimund Bieringer, Ma. Marilou S. Ibita, Dominika A. Kurek-Chomycz, and Thomas A. Vollmer, eds.
Theologizing in the Corinthian Conflict: Studies in the Exegesis and Theology of 2 Corinthians
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Walter Bührer
Am Anfang…: Untersuchungen zur Textgenese und zur relativ-chronologischen Einordnung von Gen 1–3
Reviewed by Jordan M. Scheetz

Warren Carter
What Does Revelation Reveal? Unlocking the Mystery
Reviewed by Shane J. Wood

Yoram Cohen
Wisdom from the Late Bronze Age
Reviewed by Ralph K. Hawkins

István Czachesz and Risto Uro, eds.
Mind, Morality, and Magic: Cognitive Science Approaches in Biblical Studies
Reviewed by Paul Korchin

David A. deSilva
The Apocrypha
Reviewed by Daniel M. Gurtner

Jo Ann Hackett and Walter E. Aufrecht, eds.
An Eye for Form”: Epigraphic Essays in Honor of Frank Moore Cross
Reviewed by Heath D. Dewrell

Shalom E. Holtz
Neo-Babylonian Trial Records
Reviewed by J. H. Price

Mitri Raheb
Faith in the Face of Empire: The Bible through Palestinian Eyes
Reviewed by Michael Sandford


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Frase do dia - 20.10.2015

A tramada situação. A gente vê o inesperado.

Se e se? A gente ia ver, à espera. Com os soturnos pesos nos corações; um certo espalhado susto, pelo menos. Eram horas precárias.

Guimarães Rosa, Os irmãos Dagobé, em Primeiras Estórias.

sábado, 17 de outubro de 2015

Religião e formação de classes na antiga Judeia

Religião e formação de classes na antiga Judeia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 120, p. 413-434, 2013.

Vamos falar de um livro e de seu conteúdo. Trata-se de KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, [1988] 1997, 184 p. - ISBN 8505006798.

O livro de Hans G. Kippenberg é o resultado de uma tese de livre-docência apresentada na Faculdade de Filosofia e Sociologia da Universidade Livre de Berlim, Alemanha, em 1975.

Hans G. Kippenberg nasceu na Alemanha em 1939. Estudou Teologia, História das Religiões, Línguas Semíticas e Iranianas nas Universidades de Marburg (1959/60), Tübingen (1960/62), Göttingen (1962/63), Leeds (Reino Unido - 1966) e Berlin (1969-1976). Atualmente é Professor de Estudo Comparado das Religiões na Universidade Jacobs, Bremen, Alemanha.

Li, no original alemão, a primeira edição, de 1978: Religion und Klassenbildung im antiken Judäa: eine religionswissenschaftliche Studie zum Verhältnis von Tradition und gesellschaftlicher Entwicklung. 2. ed., erw. Aufl. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, [1978] 1982, 186 s. - ISBN 3525553667.

Fiquei entusiasmado com o livro e com o que pude aprender com ele. Notei, porém, que muitos interessados no tema tratado não conseguiam vencer as dificuldades da obra - um denso estudo socioantropológico, com vocabulário bastante técnico e centenas de notas de rodapé - que foi traduzida para o português por João Aníbal G. S. Ferreira em 1988, a partir da segunda edição ampliada, de 1982. Daí a ideia do resumo, que pode ser conferido aqui. Não ignoro, é claro, que os estudos nesta área fizeram avanços consideráveis nos últimos trinta e poucos anos, mas creio ser defensável a atualidade - pelo menos da maior parte - deste estudo.

O objetivo da obra: relacionar o conteúdo das tradições religiosas judaicas com a vida social dos judeus. O motivo da obra: os movimentos judaicos de resistência contra gregos e romanos tiveram interpretações divergentes por parte dos autores.

Por exemplo: M. Hengel (1961) defende que o movimento zelota de resistência tem, como dominantes, razões religiosas, afirmando, assim, a independência e a prioridade do religioso sobre o político-social, enquanto H. Kreissig (1970) defende que foram as contradições sociais, criadas por condições socioeconômicas, que possibilitaram o processo de resistência contra Roma, sendo os camponeses e sacerdotes das camadas mais baixas os seus motores principais. Percebe-se que Hengel e Kreissig trabalham dentro da dicotomia Religião e Sociedade: para um, são as motivações religiosas que dominam a história; para outro, são as motivações sociais que contam.

Mas, neste meio tempo, avançou a sociologia etnológica em três áreas: etnologia do parentesco, antropologia econômica e antropologia política. Daí o presente livro: ele interpreta a antiga literatura judaica em relação aos conceitos e métodos da etnologia - ou antropologia social. A etnologia tenta reconstruir o tipo de ordem social da Judeia antiga, comparando-o com os de outras sociedades do Antigo Oriente Médio.

Os movimentos judaicos de resistência levantam a seguinte questão: existia uma relação intrínseca entre determinados conteúdos da tradição religiosa e as lutas de resistência, ou a relação era extrínseca ou, até mesmo, casual?

A hipótese do autor é a seguinte: a tradição se uniu com duas tendências antagônicas: a tendência à formação de classes e a tendência à solidariedade, formando, assim, dois complexos divergentes de tradição que fundamentam os conteúdos religiosos dos movimentos judaicos de resistência.

Continue aqui.

O que dizem os outros artigos desta Estudos Bíblicos? Confira uma síntese aqui.


Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]

Paideia grega e Apocalíptica judaica

Paideia grega e Apocalíptica judaica. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 113, p. 11-22, 2012.

Muitas e variadas foram as formas utilizadas pelos gregos em todo o Oriente Médio para implantar a helenização nos territórios conquistados pelos exércitos de Alexandre Magno no século IV aC. Muitas e variadas foram também as estratégias utilizadas pelos povos do Oriente Médio para lidar com este processo.

Entretanto, aqui vou apenas citar uma destas formas de implantação do helenismo, a paideia grega, e, com mais vagar, abordar uma interessante estratégia de resistência à helenização de alguns grupos da Palestina, a apocalíptica judaica.

Assim começa o meu artigo.

Desenvolvo o tema em três etapas:
1. A paideia grega chega a Jerusalém
2. A apocalíptica: estratégia para lidar com o imperialismo
3. Um exemplo: o livro de Daniel

Referências online? Pode o leitor que não tiver acesso à revista (veja aqui a lista dos artigos deste número) consultar os meus artigos Os instrumentos da helenização e Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras.


Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]

domingo, 11 de outubro de 2015

Resenhas na RBL - 18.09.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Wilhelm Bousset
Kyrios Christos: A History of Belief in Christ from the Beginning of Christianity to Irenaeus
Reviewed by Jonathan M. Potter

Claire Clivaz, Corina Combet-Galland, Jean-Daniel Macchi, and Christophe Nihan, eds.
Ecritures et réécritures: La reprise interprétative des traditions fondatrices par la littérature biblique et extra-biblique. Cinquième Colloque International du RRENAB, Université de Genève et Lausanne, 10-12 juin 2010
Reviewed by Renata Furst

Devorah Dimant
History, Ideology and Bible Interpretation in the Dead Sea Scrolls: Collected Studies
Reviewed by Peter Porzig

Benjamin H. Dunning
Christ without Adam: Subjectivity and Sexual Difference in the Philosophers’ Paul
Reviewed by Robert Paul Seesengood

Joseph R. Hacker and Adam Shear, eds.
The Hebrew Book in Early Modern Italy
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Richard Horsley
The Prophet Jesus and the Renewal of Israel: Moving Beyond a Diversionary Debate
Reviewed by Chris L. de Wet

Gideon R. Kotzé
The Qumran Manuscripts of Lamentations: A Text-Critical Study
Reviewed by Pieter B. Hartog

Frans van Liere
An Introduction to the Medieval Bible
Reviewed by Marcus Elder

Heinz-Werner Neudorfer
Der Brief des Paulus an Titus
Reviewed by Manabu Tsuji

Walter T. Wilson
The Sentences of Sextus
Reviewed by Johan Thom


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Resenhas na RBL - 15.09.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Mark W. Elliott, Scott J. Hafemann, N. T. Wright, and John Frederick, eds.
Galatians and Christian Theology: Justification, the Gospel, and Ethics in Paul’s Letter
Reviewed by Susan Eastman

Michael B. Hundley
Gods in Dwellings: Temples and Divine Presence in the Ancient Near East
Reviewed by Pekka Pitkanen
Reviewed by Paul Sanders

Mark D. Nanos and Magnus Zetterholm, eds.
Paul within Judaism: Restoring the First-Century Context to the Apostle
Reviewed by Mark M. Mattison

Mark Reasoner
Roman Imperial Texts: A Sourcebook
Reviewed by Warren Carter

R. S. Sugirtharajah
The Bible and Asia: From the Pre-Christian Era to the Postcolonial Age
Reviewed by Alex Damm

Caroline Vander Stichele and Susanne Scholz, eds.
Hidden Truths from Eden: Esoteric Readings of Genesis 1–3
Reviewed by Dylan M. Burns
Reviewed by Ronald Hendel

Wim J. C. Weren
Studies in Matthew’s Gospel: Literary Design, Intertextuality, and Social Setting
Reviewed by Brian C. Dennert

David Wolpe
David: The Divided Heart
Reviewed by Walter Dietrich


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sábado, 3 de outubro de 2015

A Pedra de Roseta está online

Foi a Pedra de Roseta (196 a.C.) que possibilitou decifrar os hieróglifos egípcios. Proeza conseguida por Jean-François Champollion (1790-1832).

A parte central do site é uma análise linguística integral do texto trilíngue sobre a Pedra de Roseta. No entanto, ele também procura apresentar informações interessantes para um leitor não acadêmico.

The Rosetta Stone online

Pedra de Roseta (196 a.C.) - British Museum
Pedra de Roseta


Diz o site:
This homepage is the outcome of a hands-on university seminar on the online presentation of the Rosetta Stone. It is a cooperation of the German Excellence Cluster Topoi and the Department of Archaeology of the Humboldt-Universität zu Berlin. For this project, the project leaders and the seminar participants combined their expertise in Egyptology, Ancient Greek Linguistics, General Linguistics, and Computer Sciences. A kernel part of the homepage is a full linguistic analysis of the trilingual text on the Rosetta Stone. However, it also seeks to present interesting information for a non-academic reader. The homepage is still under development.

On the Rosetta Stone, an Ancient Egyptian decree from 196 BCE was inscribed in three versions, in three language varieties and scripts:

  • Ptolemaic Neo-Middle Egyptian in hieroglyphic script (top section),
  • Demotic Egyptian in Demotic script (middle section),
  • Koine Greek language in Greek script (bottom section).


This type of artefact is called a trilingual. The Rosetta Stone played a crucial role in the famous decipherment of the hieroglyphic script by Jean-François Champollion (see the BBC documentary The Mystery of the Rosetta Stone).

A Pedra de Roseta desempenhou um papel crucial na famosa decifração da escrita hieroglífica por Jean-François Champollion (veja o documentário da BBC, The Mystery of the Rosetta Stone).


Leia também, sobre a Pedra de Roseta, aqui (em espanhol) e aqui (em português).

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Livro de Finkelstein sobre o reino de Israel em português

O premiado livro de Israel Finkelstein sobre Israel norte, publicado em francês e inglês, acaba de ser traduzido para o português.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015, 232 p. - ISBN 9788534942393.

O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte


Leia a apresentação da edição brasileira. Foi feita por José Ademar Kaefer, que já escreveu um livro sobre o mesmo tema.

Leia Mais:
Finkelstein no Brasil em 2015
Israel Finkelstein na Ayrton's Biblical Page e no Observatório Bíblico

O Vaticano II e a leitura da Bíblia

VASCONCELLOS, P. L. ; DA SILVA, R. R. O Vaticano II e a leitura da Bíblia. São Paulo: Paulus, 2015, 160 p. - ISBN 9788534942256.

O Vaticano II e a leitura da Bíblia


Diz a editora:
A leitura e o lugar da Bíblia na vida eclesial constituíram um dos temas mais candentes tratados no Concílio Vaticano II, algo que se re­fletiu no longo e tenso processo de redação daquele que alguns consideram o mais importante documento emanado dessa assembleia: a constituição dogmática Dei Verbum. Por um inovador entendimento do teor da revelação divina, ela veio reforçar o movimento de respeito ao texto bíblico e de superação de interpretações que tendiam a fazer da Escritura apenas a confirmação de teses anteriormente definidas, no campo da doutrina e da moral, bem como no das dinâmicas institucionais. Porém, esse vento novo sofreu as investidas de grupos defensores dos que se tomavam como autorizados guardiões da ortodoxia: houve quem nele visse os bafos do Anticristo... Na América Latina, e particularmente no Brasil, sofremos ações contrárias à concretização do entendimento da Igreja povo de Deus e ao compromisso histórico com as causas dos empobrecidos; a tentativa de desmantelamento da teologia da libertação e sua presença nas instituições teológicas; especificamente no tocante à leitura da Bíblia, assistimos ao fortalecimento de caminhos interpretativos na contramão das diretrizes conciliares, de cunho espiritualista, fundamentalista e moralista. No entanto, apesar das investidas e cerceamentos, o novo modo de ler a Bíblia, o estudo exegético e as experiências comunitárias, eclesiais e ecumênicas continuaram o seu curso e, ao longo desses cinquenta anos após o término do concílio, têm fertilizado muitas comunidades, desdobrando-se nas lutas sociais e ações pastorais; continuam crescendo como “flor sem defesa”.

Leia Mais:
Alguns livros e artigos sobre o Vaticano II

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Biblical Studies Carnival 115

Seleção de postagens dos biblioblogs em setembro de 2015.

September 2015 Biblical Studies Carnival

Trabalho feito por William Brown em seu biblioblog The Biblical Review.

E há também The September Carnival of Biblical Studies: The ‘September is the Most Boring Month of the Year’ Edition. By Jim West.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Israel Finkelstein: uso três importantes chapéus

A revista semestral de Teologia, Espaços, do ITESP - Instituto São Paulo de Estudos Superiores -, de São Paulo, traz em seu número 23/1, de 2015, interessante entrevista de professores e estudantes brasileiros com o arqueólogo Israel Finkelstein. A Entrevista com Israel Finkelstein, realizada na manhã de nove de dezembro [de 2014], está nas páginas 57-66 da revista e é assinada por Antonio Carlos Frizzo, Professor de Teologia Bíblica no ITESP.

Li a entrevista com meus alunos do Primeiro Ano de Teologia do CEARP e conversamos sobre alguns de seus aspectos. Afinal, Finkelstein é um dos autores indicados e estudados no meu curso de História de Israel e virá ao Brasil agora em outubro de 2015.

Transcrevo alguns trechos.

"Esta entrevista é resultado de um planejado encontro. Em meados de 2013, professores e estudantes na esfera bíblica, ligados ao Centro Bíblico Verbo, resolveram realizar uma viagem de estudo por sítios arqueológicos em Israel. Os locais a serem visitados foram previamente estudados (...) No segundo dia de viagem, nosso grupo é calorosamente recebido pelo professor Finkelstein. Nesta entrevista busca-se percorrer a visão singular e inquietante desse arqueólogo que optou em se aproximar da Bíblia e de sua história".

Israel Finkelstein
Israel Finkelstein

Logo no começo da entrevista diz Israel Finkelstein: "Sou um professor de arqueologia com especialização na época do bronze, ensino história bíblica e outras coisas. Atuo principalmente em três grandes projetos. Penso ser mais atraente afirmar que uso três importantes chapéus".

"Meu primeiro chapéu é a escavação. Tenho em Meguido meu importante projeto. A cada dois anos, saímos para a pesquisa de campo. Recentemente estivemos dois meses no local, com um grupo de 140 estudantes e mais uma equipe de apoio formada por 30 pessoas que colaboraram diretamente na infraestrutura. Não apenas escavamos como  também ensinamos os alunos. Iniciávamos os trabalhos bem cedo. Das 5h da manhã até as 13h as equipes estavam em campo. Na parte da tarde, ensinávamos, juntamente com todos da expedição, arqueologia e seus métodos, história de Meguido, datações, análises dos ossos, das porcelanas, os metais encontrados e outros temas relacionados ao universo da arqueologia. Este tipo de trabalho acontece a cada dois anos e começamos com este ritmo há 20 anos. Nele se envolve uma grande equipe formada por especialistas nas áreas da metalurgia, geologia, arqueologia, zoologia, biologia e botânica".

E o custo de tudo isto? "O custo de uma expedição como as que realizamos, num período de sete semanas no campo, sem contar fotografias, materiais de restaurações, tudo isso fica na casa de US$350 mil, aproximadamente. Depois dessa primeira etapa, temos ainda todo o processo de catalogar e especificar os materiais recolhidos com uma grande equipe formada por estudantes e especialistas. Eis aí um dos meus chapéus", diz Israel Finkelstein ao grupo.

E continua: "Um segundo chapéu, este sim, intensificado nos últimos cinco ou sete anos, é uma área de pesquisa que acontece com o apoio da União Europeia na esfera da Ciência da Vida e do Universo da geo-arqueologia. Olhando moléculas, detalhes moleculares que podem mudar o entendimento da história. Eis um projeto que me estimula muito. Percebo que estamos descobrindo elementos novos que podem nos ajudar a reconstruir o conhecimento da história humana. Este projeto já gerou mais de 60 artigos em diferentes revistas especializadas. Recentemente estudando algumas moléculas descobrimos partículas de canela datando do ano 1000 a.C., da época dos fenícios, e como canela é algo que não existe nesta região, somos convidados a pensar que o comércio entre os povos desta região com os povos da Índia era muito mais frequente do que podemos imaginar".

"Outro exemplo: eu pessoalmente acredito que o futuro da pesquisa está baseado na análise da população e no estudo do clima. Por exemplo, um trabalho realizado na região do Mar Morto, em análises do pólen e do carvão encontrados naquela região. As análises dos materiais acenaram que, entre os anos de 1250 e 1100 a.C., a região passou por uma forte crise climática (...) Por favor, não pensem que estou só ou que eu seja o líder nessa área de estudo. Formamos uma grande equipe com a participação de dois botânicos - um da Alemanha e outro de Israel; dois geólogos, e, na esfera da arqueologia molecular, contamos com a participação de um grupo de químicos".

E Finkelstein vai para o terceiro chapéu: "Meu terceiro chapéu, e penso que isso vos interessa, é a história bíblica. Meu interesse pela Bíblia veio por meio dos meus estudos na esfera da arqueologia. Sobretudo, na ânsia de reconstruir a história bíblica. A arqueologia me levou para o universo bíblico. Estou indo cada vez mais fundo neste universo. Em parceria com outros pesquisadores temos já publicados alguns trabalhos na Suíça, Alemanha e França. Os estudos bíblicos são muitos significativos na Alemanha, onde me identifico".

Perguntado sobre reações fundamentalistas na interpretação dos textos bíblicos, Israel Finkelstein explica: "É oportuno afirmar que eu não sou contra esta ou aquela corrente hermenêutica. O que sei é que não sou um ingênuo, um fundamentalista. Faço a minha pesquisa com os rigores impostos pelos métodos exegéticos. Busco compreender os rigores dos métodos que não são novos no universo da leitura e estudo bíblico. Estou numa linha pautada por Baruch Espinosa* que estabeleceu as bases do método filosófico e teológico e que séculos mais tarde possibilitou o método histórico-crítico que conhecemos hoje. Claro que, por ser israelita e judeu, a Bíblia tem um significado, um valor quase que carnal para meu universo cultural. O texto é muito importante para mim. Não estou indo somente para o lado do criticismo. Não me deixo influenciar por nenhum aspecto político. Me situo do ponto de vista da pesquisa e isso me é muito caro. Algo gratificante. Os textos bíblicos fazem parte do meu DNA. Estou convencido de que ler as páginas bíblicas de modo ingênuo, descontextualizado é reproduzir o desrespeito para com seus autores (...) que foram verdadeiros gênios da humanidade".

Perguntado sobre como vê a relação Bíblia-Arqueologia, diz Finkelstein: "O texto bíblico é uma redação tardia. Ele foi escrito séculos depois de um determinado fato (...) Já a arqueologia, que também é uma ciência, conta os fatos em tempo real (...) Todas as vezes que tenho à minha frente um determinado texto bíblico eu me pergunto: 'O que está acontecendo aqui? Por que estou vindo com uma ferramenta muito poderosa que é a arqueologia?' Por meio dos fragmentos arqueológicos podemos reconstruir um determinado momento histórico. Tal contexto histórico pode ser comprovado em todo o seu rigor e eu não preciso justificá-lo com os textos bíblicos. Aqui está um ponto fundamental nesta relação Bíblia e Arqueologia. A arqueologia se impõe por si mesma".

E explicita ainda: "Estou convencido de que os dois ambientes - Bíblia e Arqueologia - devem continuar mantendo um estreito diálogo. Outro ponto que destaco está em saber que existem duas formas de se olhar a história de um texto bíblico: um é o aspecto conservador ou fundamentalista; outro é o ponto de vista minimalista. Eu não me alinho a nenhuma dessas duas correntes. Opto por uma linha teórica, na qual não estou sozinho, que se encontra entre estas duas tendências hermenêuticas".

Finkelstein ainda conversou com o grupo de brasileiros sobre vários temas: sobre como suas publicações são recebidas em Israel, a estela de Merneptah, o reino de Davi e Salomão, a época de Josias, o reino de Israel do norte...

E, para terminar, um conselho para um jovem que deseja estudar arqueologia.

Diz Finkelstein: "A carreira é difícil por não haver muito espaço de trabalho e por haver muitas pessoas talentosas desejosas por ocupar o mesmo espaço (...) Eu estou feliz por encontrar, cada vez mais, pessoas desejosas de estudar arqueologia. Mas o caminho profissional não é fácil. É bom levar em conta que é preciso, em média, quinze anos de estudo para preencher suas inquietações acadêmicas e conseguir algum resultado profissional".


* Sobre Baruch Espinosa, leia: Espinosa, um dos pais da moderna crítica bíblica

Leia Mais:
Finkelstein no Brasil em 2015
Israel Finkelstein na Ayrton's Biblical Page e no Observatório Bíblico

Francisco em Cuba, ONU e USA: leituras

Pode-se situar com sensatez o Papa Francisco em alguma “caixinha” político-ideológica? Para muitos analistas, este Papa está se transformando em uma figura indecifrável em termos políticos e ideológicos clássicos. Ele é de direita? De esquerda? Liberal? Marxista? Dependendo do lugar em que se situa o autor da análise, cada um, mais de um ou todos estes qualificativos valem para Francisco (Washington Uranga).

As pessoas estão respondendo ao papa porque elas veem um homem coerente com o que diz. Ele pratica o que prega. Ele é verdadeiro. Autêntico. Ele não está tentando vender a si mesmo, como fazem a maioria dos políticos e celebridades; ele está promovendo Jesus e o Evangelho (...) Ele prega o Evangelho, não o catecismo (Thomas Reese).

Francisco em Cuba, ONU e USA em 2015


:: O efeito Francisco - Washington Uranga -  Página/12 - 27/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 28/09/2015
“A verdade é que o Papa Jorge Bergoglio transformou-se em uma figura política de relevância internacional que participa ativamente da agenda política, introduz temas na mesma e fixa posições a partir de uma perspectiva católica, cristã, mas também humanista e inter-religiosa. Para isso, coloca o acento na defesa do homem e da vida, e muito especialmente no cuidado dos pobres, dos excluídos, dos deslocados de qualquer tipo. O ponto que conecta todas as preocupações é formado pelo cuidado das pessoas e seus direitos. E seu slogan político são os três T: teto, terra e trabalho.”

:: Papa na ONU: "Chega de abusos contra os pobres: trabalho, casa e terra são um direito de todos"  - Andrea Tornielli - La Stampa, 26/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 28/09/2015
Defender "com força" os direitos dos excluídos, junto com os do ambiente. Desmantelar as armas que nos tornam "Nações Unidas pelo medo". Evitar os conflitos através da negociação. Reformar a ONU, ampliando as presenças no Conselho de Segurança.

:: Francisco no Congresso dos Estados Unidos. Chaves de leitura - Washington Uranga -  Página/12 - 25/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 28/09/2015
Para falar aos congressistas – e dali para o mundo –, não deixou de lado sua condição de chefe da Igreja Católica, mas, com plena consciência do ambiente, utilizou uma linguagem universal, destinada aos católicos e aos que não são e se pôs em uma perspectiva inter-religiosa frente a um auditório que também é composto assim (...) Nenhum dos temas importantes ficou fora do discurso. Em seu discurso, sempre utilizou uma linguagem cuidadosa, mas não isenta de energia. E seguindo um estilo próprio de suas intervenções públicas, decidiu se dirigir, através de seus representantes, ao “povo” dos Estados Unidos, em especial aos trabalhadores, aos avós e aos jovens. Para sua estratégia discursiva, escolheu, como modo de aproximação e identificação, utilizar quatro figuras emblemáticas da história norte-americana: “Abraham Lincoln, a liberdade; Martin Luther King, uma liberdade que se vive na pluralidade e na não exclusão; Dorothy Day, a justiça social e os direitos das pessoas; e Thomas Merton, a capacidade de diálogo e a abertura a Deus”. E os apresentou como “quatro representantes do povo norte-americano” (...) Chamou ao compromisso, a partir de uma perspectiva inter-religiosa, na defesa da paz e a favor da justiça: a cooperação entre as religiões “é um potente instrumento na luta para erradicar as novas formas mundiais de escravidão, que são fruto de grandes injustiças que só podem ser superadas com novas políticas e consensos sociais”, quando “o mundo é cada vez mais um lugar de conflitos violentos, de ódio nocivo, de sangrenta atrocidade, cometida inclusive em nome de Deus e da religião”. E enfatizou em sua pregação: esperança, reconciliação, paz e justiça.

:: Íntegra do discurso do Papa Francisco ao Congresso Americano - Notícias: IHU On-Line - 25/09/2015
Na quinta-feira, 24 de setembro, o Papa Francisco proferiu seu discurso ao Congresso Americano, em Washington (...) "Sinto-me muito grato pelo convite para falar a esta Assembleia Plenária do Congresso «na terra dos livres e casa dos valorosos». Apraz-me pensar que o motivo para isso tenha sido o facto de também eu ser um filho deste grande continente, do qual muito recebemos todos nós e relativamente ao qual partilhamos uma responsabilidade comum. Cada filho ou filha duma determinada nação tem uma missão, uma responsabilidade pessoal e social. A vossa responsabilidade própria de membros do Congresso é fazer com que este país, através da vossa atividade legislativa, cresça como nação. Vós sois o rosto deste povo, os seus representantes. Sois chamados a salvaguardar e garantir a dignidade dos vossos concidadãos na busca incansável e exigente do bem comum, que é o fim de toda a política. Uma sociedade política dura no tempo quando, como uma vocação, se esforça por satisfazer as carências comuns, estimulando o crescimento de todos os seus membros, especialmente aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade ou risco. A atividade legislativa baseia-se sempre no cuidado das pessoas. Para isso fostes convidados, chamados e convocados por aqueles que vos elegeram".

:: Alguns pensamentos sobre o discurso do papa ao Congresso dos EUA  -  John L. Allen Jr. - Crux - 24/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 25/09/2015
Segundo uma estimativa, houve cerca de 1,8 bilhão de cidadãos norte-americanos desde a fundação da República, em 1776. Escolher apenas quatro grandes de todos os tempos, assim, é bastante audacioso, mas isso não impediu que o Papa Francisco o fizesse nesta quinta-feira no seu discurso profundamente antecipado ao Congresso dos EUA. No discurso, Francisco levantou quatro norte-americanos a uma menção especial. Eles incluíram dois não católicos, Abraham Lincoln e Martin Luther King Jr., e dois católicos, Dorothy Day e Thomas Merton. Em cada caso, o pontífice notou que 2015 marca um aniversário – 150 anos desde o assassinato de Lincoln, por exemplo, e 100 anos desde o nascimento de Merton. Vamos chamá-los de o "Quarteto Fantástico" do papa. Nesse espírito, aqui estão quatro considerações rápidas sobre quem são esses quatro norte-americanos que Francisco escolheu. Vamos nos concentrar principalmente em Day e em Merton, já que Lincoln e M. L. K. são seleções razoavelmente naturais sobre os quais qualquer não americano provavelmente está consciente.

:: Francisco, "pontifex" entre Roma e América, e dentro da Igreja dos EUA -  Massimo Faggioli - TheHuffingtonPost.it - 24/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 25/09/2015
O Vaticano é o "soft power" por excelência no mundo global, e, para o papa, construir pontes sempre fez parte do seu carisma político. O que é novo é a tarefa de levar novamente a uma possível unidade as muitas e diversas almas de uma Igreja grande e vital, mas também dilacerada na busca da afirmação das suas diversas identidades. A Igreja norte-americana é um teste importante para o papado, não só em vista do Sínodo dos Bispos, que se abre em duas semanas em Roma, mas também do futuro próximo do catolicismo global.

:: Francisco reacende a fé em Cuba -  Frei Betto - El País - 23/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 24/09/2015
Raúl Castro, ao receber o Papa, sabia tratar-se de um “companheiro”. Francisco fizera duras críticas ao capitalismo, qualificado por ele de “ditadura sutil”, em seus encontros mundiais com líderes de movimentos populares. Sua primeira encíclica, “Louvado seja – o cuidado de nossa casa comum”, é o mais contundente documento até hoje emitido sobre o tema socioambiental. O Papa associa devastação da natureza ao crescimento da miséria e da pobreza, e aponta a ambição de lucro e a economia de livre mercado como responsáveis por isso. Raúl estava seguro de que Francisco não causaria surpresas. O presidente de Cuba se equivocou. O Papa surpreendeu por sua empatia com o povo cubano, cristãos e ateus. Dispensou o Mercedes blindado reservado a seus deslocamentos e, pressionado a receber os guerrilheiros das FARC que, sob mediação cubana, negociam em Havana um acordo de paz com o Governo colombiano, optou por incluir em sua homilia, na missa na Praça da Revolução, seu apelo pelo bom êxito das negociações.

:: O que o Papa deixa em Cuba e o que busca nos EUA - José Manuel Vidal - Religión Digital - 22/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 23/09/2015
Em Cuba, esperavam um herói e um amigo, quase um pai da pátria. Nos EUA chega, ao menos no imaginário dos neocons, o Papa vilão, que põe em questão o capitalismo selvagem, que contamina a casa comum até fazê-la irrespirável. Do calor tropical cubano à frieza anglo-saxã (...) Em Cuba bastou a força do coração. Nos EUA terá que usar toda a sua capacidade de sedução.

:: Papa em Cuba, Opus Dei na retranca - Alberto Dines - Observatório da Imprensa - 22/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 23/09/2015
Francisco não é o primeiro pontífice a pisar em território cubano, é o terceiro. Mas é o primeiro desde 1959 a avistar em Havana a bandeira norte-americana tremulando ao lado da cubana. Façanha pela qual é um dos principais responsáveis, junto com o presidente Barack Obama. A grande imprensa brasileira sempre se assumiu como católica, apostólica, romana. Com a cobertura da viagem do papa à Ilha percebe-se que, além disso, nossos jornalões exibem-se majoritariamente, sem pudor, como sectários e reacionários. Dos três diários de referência nacional, dois deles seguem a linha inflexível da Opus Dei – “Globo” e “Estadão”. Sem forçar uma autonomia, a “Folha” procura demarcar-se sutilmente da discretíssima prelazia conservadora global, embora mantenha fortes vínculos com o seu expoente no Brasil, Yves Gandra Martins. O esquema foi reproduzido com total transparência no último fim de semana. Os jornalões obedeceram aos mesmos critérios e preconceitos, como se editados pela mesma pessoa ou conectados por telepatia.

:: Será que vamos escutar o Papa Francisco? -  Thomas Reese - National Catholic Reporter - 17/09/2015 - Em Notícias: IHU On-Line - 24/09/2015
Nas últimas semanas, tenho falado a inúmeras redes de televisão a respeito da visita do Papa Francisco aos Estados Unidos (...) Na maioria das vezes, as perguntas dos repórteres se enquadram em duas categorias: O que ele irá dizer e fazer? E será que isto fará alguma diferença? Em outro artigo, eu escrevi sobre o que penso que o papa dirá nestes dias. Aqui quero falar sobre o efeito que a visita do papa pode desencadear. Em certo sentido, o efeito que a visita do papa pode ter resume-se a se nós iremos, ou não, escutá-lo. Há uma série de obstáculos no caminho de nossa audição atenta ao que ele, o papa, vai dizer.