domingo, 29 de junho de 2014

Caos Construtivo: o projeto Novo Oriente Médio

Esse projeto, que tem estado em fase de planejamento por diversos anos, consiste em criar um arco de instabilidade, caos e violência que se estenda do Líbano, da Palestina e da Síria até o Iraque, o Golfo Pérsico, o Irã e as fronteiras do Afeganistão, guarnecido pela OTAN”. O projeto ‘Novo Oriente Médio’ foi introduzido publicamente por Washington e Tel Aviv esperando que o Líbano fosse o ponto de pressão para realinhar todo o Oriente Médio e assim desencadear as forças do “caos construtivo”. Esse “caos construtivo” — que gera condições de violência e guerra na região — seria então usado de forma e permitir que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e Israel pudessem redesenhar o mapa do Oriente Médio de acordo com suas necessidades e objetivos geoestratégicos... (Mahdi Darius Nazemroaya, Plans for Redrawing the Middle East: The Project for a “New Middle East”, November 2006).


This project, which has been in the planning stages for several years, consists in creating an arc of instability, chaos, and violence extending from Lebanon, Palestine, and Syria to Iraq, the Persian Gulf, Iran, and the borders of NATO-garrisoned Afghanistan. The ‘New Middle East’ project was introduced publicly by Washington and Tel Aviv with the expectation that Lebanon would be the pressure point for realigning the whole Middle East and thereby unleashing the forces of “constructive chaos.” This “constructive chaos” –which generates conditions of violence and warfare throughout the region– would in turn be used so that the United States, Britain, and Israel could redraw the map of the Middle East in accordance with their geo-strategic needs and objectives… (Mahdi Darius Nazemroaya, Plans for Redrawing the Middle East: The Project for a “New Middle East”, November 2006).


:: Terrorismo patrocinado pelos EUA no Iraque e “O Caos Construtivo” no Oriente Médio - Julie Lévesque/Global Research | Washington - Opera Mundi 25/06/2014 - 15h21

O Iraque está novamente nas capas. E novamente a imagem que nos é apresentada pelos meios de comunicação de massa é uma mistura de meias-verdades, mentiras, desinformação e propaganda. A grande mídia não conta que os Estados Unidos estão patrocinando os dois lados do conflito iraquiano. Washington está publicamente apoiando o governo xiita do Iraque, enquanto secretamente treina, dá munição e patrocina o sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). Apoiar o influxo de brigadas terroristas no Iraque é um ato de agressão estrangeira. Mas a mídia de massa te dirá que a administração Obama está “preocupada” com as ações cometidas pelos terroristas.

A narrativa preferida da maior parte dos grandes meios de comunicação ocidentais e dos EUA é a de que a situação corrente é devida à “retirada” das tropas estadunidenses que terminou em dezembro de 2011 (mais de 200 soldados norte-americanos e assessores militares permaneceram no Iraque). Esse retrato, no qual a retirada dos EUA é culpada pela insurgência, não faz conexão entre a invasão dos EUA em 2003 e a ocupação que se seguiu. Também ignora os esquadrões da morte treinados pelos assessores norte-americanos no Iraque na esteira da invasão e que são o coração da agitação atual.

Como de costume, a grande mídia não quer que você entenda o que está acontecendo. Seu objetivo é moldar percepções e opiniões, construindo uma visão de mundo que serve a interesses poderosos. Por causa disso, eles vão te dizer que é uma guerra civil.

O que está se desenrolando é um processo de “caos construtivo”, projetado pelo Ocidente. A desestabilização do Iraque e sua fragmentação foram planejadas há muito tempo e são parte do “mapa militar Anglo-Americano-Israelense no Oriente Médio”, conforme explicado em 2006 no seguinte artigo...

Leia o texto completo.


:: US-Sponsored Terrorism in Iraq and “Constructive Chaos” in the Middle East - By Julie Lévesque: Global Research, June 19, 2014

Iraq is once again front page news. And once again the picture that is presented to us in the Western mainstream media is a mixture of half truths, falsehoods, disinformation and propaganda. The mainstream media will not tell you that the US is supporting both sides in the Iraqi conflict. Washington is overtly supporting the Iraqi Shiite government, while covertly training, arming and funding the Sunni Islamic State of Iraq and Syria (ISIS). Supporting the influx of terrorist brigades in Iraq is an act of foreign aggression. But the mainstream media will tell you that the Obama administration is “concerned” by the actions committed by the terrorists.

The preferred narrative in the U.S. and most Western mainstream media is that the current situation is due to the U.S “withdrawal” which ended in December 2011 (more than 200 U.S. troops and military advisors remained in Iraq). This portrait of events in which the US withdrawal is to blame for the insurgency does not draw any connection between the U.S. invasion of 2003 and the occupation that ensued. It also ignores the death squads trained by U.S advisors in Iraq in the wake of the invasion and which are at the heart of the current turmoil.

As usual, the mainstream media does not want you to understand what’s going on. Its goal is to shape perceptions and opinions by crafting a view of the world which serves powerful interests. For that matter, they will tell you it’s a civil war.

What is unfolding is a process of “constructive chaos”, engineered by the West.  The destabilization of Iraq and its fragmentation has been planned long ago and is part of the ”Anglo-American-Israeli ‘military road map’ in the Middle East”, as explained in 2006 in the following article...


Leia Mais:
O estudioso do mundo bíblico não pode ficar alheio ao grave conflito que acontece hoje no Oriente Médio
O que está acontecendo no Oriente Médio hoje?
O frágil equilíbrio do Oriente Médio está se rompendo

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Alguns ebooks e revistas da Brill, gratuitos

Alguns ebooks e umas tantas revistas de graça. Isto pode interessar a alguns. Ainda mais se considerarmos os altos preços da Brill...

:: Brill Open E-Book Collection

:: Free Access 4 You
In addition to Brill’s Open Access initiatives, Brill has made a selection of new journals (now in their issues 1-3) freely accessible for individuals. Take advantage of this opportunity and get a feel for the latest additions to our journal program, free of charge.

Padrões de entonação do português brasileiro

Pesquisa identifica padrões de entonação do português brasileiro - Diego Freire: Agência FAPESP 26/06/2014
Além do vocabulário próprio e de peculiaridades relacionadas aos elementos das frases, o português falado no Brasil tem importantes diferenças em relação ao de Portugal e de outros países lusófonos no ritmo e na entonação da fala. Foi na melodia da língua falada que se concentraram os estudos da pesquisa “Fraseamento entoacional em português brasileiro”, conduzida com o apoio da FAPESP por Flaviane Romani Fernandes Svartman, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Frases escritas da mesma forma em todas as variedades do português são faladas de maneiras diferentes em cada lugar. Enquanto um brasileiro lê a sentença “A libanesa maravilhosa rememorava a melodia” pronunciando de forma mais marcante, em termos melódicos, as sílabas tônicas de cada palavra, um português marca melodicamente as sílabas iniciais e finais, dando a impressão de um ritmo mais acelerado. A sentença faz parte das gravações feitas pelos pesquisadores para os estudos. Por meio de leituras e conversações espontâneas de grupos de pessoas falantes do dialeto paulista, a pesquisa construiu uma base de dados que vai compor o Atlas Interativo da Prosódia do Português, o InAPoP, projeto ao qual a pesquisa de Svartman se vincula, coordenado pela pesquisadora Sónia Frota, da Universidade de Lisboa, com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e do Ensino Superior de Portugal. As gravações permitiram o estudo das estruturas de entonação e do processo de formação de padrões prosódicos de fala. O trabalho do grupo de Svartman integra também o projeto internacional Intonational Phrasing in Romance, desenvolvido por pesquisadores da Aix Marseille Université, na França, da Euskal Herriko Unibertsitatea, no País Basco, da Universidade de Lisboa, em Portugal, e da Universitat Pompeu Fabra, na Catalunha, e incluiu o português brasileiro na construção de um banco de dados da entonação das diferentes línguas românicas, o Romance Languages Database (RLD).
Leia o texto completo.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Recursos online para estudos bíblicos na Tyndale House

Tyndale House Online Resources - Recursos online na Tyndale House da Universidade de Cambridge, Reino Unido.

Se você procura bons recursos online, gratuitos, para o estudo da Bíblia, uma visita à Tyndale House é obrigatória.

Set amid the buildings of the University of Cambridge, Tyndale House is a study centre focusing on advancing understanding of the Bible. Tyndale House is committed to supporting Biblical research by providing electronic resources necessary for the task, without payment whenever possible. This includes means for writing and studying Biblical languages, finding primary and secondary literature, and studying the text in its original languages.

Free resources include:
  • Unicode Fonts – Greek, Hebrew & Transliteration fonts and keyboards for PCs and Macs
  • Finding Sources – links to the best Biblical Studies and Theology sites and sources
  • Finding Books – links to the best bibliography databases and catalogues for online reading
  • Bible Software – links and introductions to the best tools for Biblical Studies, commercial and free
  • 2LetterLookup – a quick-click dictionary for Hebrew, Greek, Syriac, Coptic, Arabic, Latin …
  • Lexicons – full-text lexicons for Biblical Languages which are faster to use than paper
  • Tregelles Greek NT – a neglected influential and useful edition of the Greek New Testament
  • Tyndale Toolbar – find online books, read 70+ Bible versions, translation tools and much more

E não deixe de conferir o interessante STEP Bible, version 2.0: an online resource making freely available serious Bible study software from the international team of researchers based at Tyndale House, Cambridge.

E o Tyndale House Weblinks?

E tem mais...

Em meu site e blog já falei muitas vezes dos vários recursos da Tyndale House para o estudo da Bíblia. Confira aqui.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Resenhas na RBL: 20.06.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Vita Daphna Arbel
Forming Femininity in Antiquity: Eve, Gender, and Ideologies in the Greek Life of Adam and Eve
Reviewed by F. Scott Spencer

Walter A. Elwell and Robert W. Yarbrough
Encountering the New Testament: A Historical and Theological Survey
Reviewed by Abson Joseph

Peter W. Flint
The Dead Sea Scrolls
Reviewed by George J. Brooke

William Goodman
Yearning for You: Psalms and the Song of Songs in Conversation with Rock and Worship Songs
Reviewed by T. Michael W. Halcomb

David Weiss Halivni
The Formation of the Babylonian Talmud
Reviewed by Joshua Ezra Burns

Robin M. Jensen
Baptismal Imagery in Early Christianity: Ritual, Visual, and Theological Dimensions
Reviewed by Denis Fortin

Isaac Kalimi, ed.
Jewish Bible Theology: Perspectives and Case Studies
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

William Loader
Making Sense of Sex: Attitudes Towards Sexuality in Early Jewish and Christian Literature
Reviewed by Michael Rosenberg

Víctor Morla
Los manuscritos hebreos de Ben Sira: Traducción y notas
Reviewed by Nuria Calduch-Benages

James Carleton Paget and Joachim Schaper, eds.
The New Cambridge History of the Bible: From the Beginnings to 600
Reviewed by J. Christopher Edwards


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RAMPART-A

:: Documentos mostram como a NSA grampeia o planeta - Jon Queally, Common Dreams: Carta Maior 21/06/2014
Novo relatório feito pelo The Intercept e um jornal dinamarquês associado revela que a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), além de seu conhecido programa de espionagem conhecido como Five Eyes, também possui acordos de vigilância extensos e até agora desconhecidos com outras nações, o que permite um acesso sem precedentes ao sistema de comunicação global e à informação privada de cidadãos do mundo todo que o utilizam. Baseado em documentos fornecidos por Edward Snowden, o relatório detalha um programa chamado RAMPART-A, que usa “pontos de congestionamento” espalhados pelo mundo e permite que a agência “intercepte o conteúdo de chamadas telefônicas, faxes, e-mails, chats de internet, dados de redes privadas e chamadas de softwares como o Skype".

Leia...

:: 'Politically Explosive' Docs Show How NSA Wiretaps Earth - Jon Queally:  Common Dreams - June 19, 2014
New reporting by The Intercept and a partner newspaper in Denmark reveals that the National Security Agency, beyond its well-documented close-ties to the so-called Five Eyes nations, has extensive and previously unknown surveillance agreements with other nations that allow it unsurpassed access to global communication systems and the private information of the world's citizens that travel through them. Based on documents provided by NSA whistleblower Edward Snowden, the new reporting details a program called RAMPART-A which uses digital "congestion points" located across the world and allows the agency to "intercept the content of phone calls, faxes, e-mails, internet chats, data from virtual private networks, and calls made using Voice over IP software like Skype."


Leia Mais:
Espionagem

Mais Copa do Mundo 2014 no Brasil

:: Copa: o Brasil ganhou, a mídia perdeu - Luis Nassif: GGN 24/06/2014
Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral - da imprensa nacional e internacional - que é uma Copa bem organizada... Agora, voltem algumas semanas atrás, pouco antes do início da Copa. A imagem disseminada pela imprensa nacional - era a de um fracasso retumbante... Um dos jornais chegou a afirmar que haveria atentados na Copa, fruto de uma fantasiosa parceria entre os black blocks e o PCC. Outro informou sobre supostas epidemias de dengue em locais de jogo da Copa... O episódio é exemplar para se mostrar a perda de rumo do jornalismo nacional, a incapacidade de separar a disputa política da noção de interesse nacional. E a falta de consideração para com seu principal produto: a notícia.

:: E o Brasil não bebeu água em meia cuia de queijo Palmira - Saul Leblon: Carta Maior 24/06/2014
Os caosnáticos que durante meses anunciaram o apocalipse para os 32 dias em que o país sediaria a Copa do Mundo devem estar duplamente arrependidos. Vencido 1/3 do torneio a apreensão cedeu lugar à agradável sensação de que, afinal, com todas as deficiências sabidas, esse lugar não é a montanha desordenada de incompetência, corrupção e conflagração anunciada – incentivada - por seus vocalizadores desinteressados. O cenário de terra arrasada, que faria a autoestima nacional beber água num pé da mesa, em meia cuia de queijo Palmira, passa ao largo do que se vê, se ouve e se vive dentro e fora dos estádios. Sobretudo, porém, o maior gol contra foi a aposta de que o fracasso da Copa serviria como credenciamento antecipado para  o conservadorismo ‘consertar o Brasil corroído pelo PT’. A menos que um acontecimento inesperado inverta o quadro em curso, a verdade é que estamos diante de um efeito bumerangue em espiral ascendente. Nem mesmo uma eventual eliminação brasileira do torneio poderá modificá-lo. O revés não é café pequeno. Ele desqualifica de forma importante o discurso derrotista da turma do Brasil aos cacos. O caos na Copa era (atenção: ‘é’) acalentado como um precioso passaporte emocional para garantir o livre trânsito do discurso conservador no imaginário brasileiro na disputa presidencial de outubro.

Leia os textos completos.

Leia Mais:
Mídia desembarca da teoria do caos na Copa - Brasil 24/7: 22/06/2014
Os 10 maiores micos da Copa do Mundo do Brasil - Najla Passos: Carta Maior 20/06/2014

Copa do Mundo 2014 no Brasil

Os arautos do caos e do desconcerto na velha mídia nacional e internacional perderam o pé e estão naufragando. Mas nem por isso vão perder a esperança, na expectativa de que ainda haja alguma catástrofe dentro dos campos ou fora dele. Afinal, velha mídia é velha mídia, e tem uma reputação a manter.


5 falácias e 5 verdades sobre a Copa no Brasil - Flávio Aguiar: Carta Maior 22/06/2014


Com base na cobertura da velha mídia nacional e internacional podemos afirmar sem medo de que eram e são falácias:

1. Acreditar que o Brasil não tem condição para organizar eventos deste porte, porque é um país onde grassam apenas  a corrupção, a violência e a incompetência. Quem acreditou nisto perdeu a aposta...

2. O Brasil é e será um país de eternos pobretões, miseráveis e favelados para sempre. O Brasil está se superando e deixando outras nações a ver poeira em matéria de combate à pobreza...

3. A população brasileira tornou-se contrária à realização da Copa no país. Esta é a oração mais repetida da ladainha contra o nosso país. Não é verdade. Sucessivas reportagens de outros países atestam o entusiasmo de nossa população com a Copa, além de depoimentos oriundos do Brasil também...

4. O Brasil não deveria aplicar em estádios o dinheiro que deveria aplicar em educação e saúde. Não só isto não é verdade  - os investimentos motivados pela Copa, inclusive nos estádios, são pequenos em relação ao que o país investe em educação e saúde -  como revela má fé ou ignorância por parte de quem os manipula ou repete. Quem faz isto ou oculta ou ignora a complexidade econômica, social e cultural de um país como o Brasil...

5. As vaias e os insultos do setor VIP no Itaquerão e as manifestações “Não vai ter Copa” são representativas do sentimento e mal estar geral da população. Não são. As vaias e xingamentos provocaram mais repúdio do que aplauso, inclusive por parte de gente do setor conservador e/ou que por qualquer razão não votou nem votaria na presidenta em outubro. As manifestações minguaram em frequência e em número de manifestantes e só ganham espaço na mídia devido à busca de sensacionalismo...


Vamos agora às verdades:

1. Esta pode não ser a Copa das Copas em matéria de futebol, mas decididamente é a melhor Copa nestes termos nos últimos tempos...

2. Nosso povo está dando um show de bola em matéria de alegria, hospitalidade e esportividade...

3. O nosso povo pensa com a cabeça e o coração e ama o nosso país...

4. A realização da Copa está contribuindo para construir uma imagem muito positiva do Brasil e disseminando-a pelo mundo afora. Aos poucos populações de todo o mundo vão pulando por cima dos noticiários preconceituosos e exclusivamente negativos e percebendo por trás deles ou mesmo nas entrelinhas o entusiasmo com que o nosso povo recebe a Copa e seus benefícios. Comentários de leitores indignados com notícias ou artigos que torcem tudo para mostrar apenas o que é ruim – ou o que deveria  ser ruim – se multiplicam.

5. Os arautos do caos e do desconcerto na velha mídia nacional e internacional perderam o pé e estão naufragando. Mas nem por isso vão perder a esperança, na expectativa de que ainda haja alguma catástrofe dentro dos campos (por exemplo, uma possível eliminação precoce do Brasil) ou fora dele: aqui serve qualquer coisa, de inundação a desastre. Afinal, velha mídia é velha mídia, e tem uma reputação a manter.


Leia o texto completo.


Leia Mais:
Leituras sobre futebol
Descompasso
Linchamento verbal
O complexo de vira-latas - The mongrel complex
Nos jogos lutamos contra nossas limitações, não contra nossos semelhantes

domingo, 22 de junho de 2014

Resenhas na RBL: 13.06.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Marielle Frigge
Beginning Biblical Studies
Reviewed by Markus Lang

Jenny R. Labendz
Socratic Torah: Non-Jews in Rabbinic Intellectual Culture
Reviewed by Joshua Schwartz

Bruce W. Longenecker
Hearing the Silence: Jesus on the Edge and God in the Gap -— Luke 4 in Narrative Perspective
Reviewed by Dieter T. Roth

Jill Middlemas, David J. A. Clines, and Else K. Holt, eds.
The Centre and the Periphery: A European Tribute to Walter Brueggemann
Reviewed by Chadwick Eggleston

Timothy Milinovich
Beyond What Is Written: The Performative Structure of 1 Corinthians
Reviewed by Matthew R. Malcolm

Joel B. Green and Lee Martin McDonald, eds.
The World of the New Testament: Cultural, Social, and Historical Contexts
Reviewed by John J. Pilch

Eileen M. Schuller and Carol A. Newsom
The Hodayot (Thanksgiving Psalms): A Study Edition of 1QHa
Reviewed by Philippus J. Botha

Ekkehard W. Stegemann; Christina Tuor and Peter Wick, eds.
Der Römerbrief: Brennpunkte der Rezeption
Reviewed by Oda Wischmeyer

Thomas L. Thompson
Biblical Narrative and Palestine’s History: Changing Perspectives 2
Reviewed by Ralph K. Hawkins

Caroline Vander Stichele and Hugh S. Pyper, eds.
Text, Image, and Otherness in Children's Bibles: What Is in the Picture?
Reviewed by David R. Jackson


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terça-feira, 17 de junho de 2014

Descompasso

Tolerância a ofensa prejudica candidatos

"Aécio Neves e Eduardo Campos quiseram explorar politicamente os xingamentos a Dilma Rousseff na abertura da Copa. Podem ter começado aí a perder a eleição.

(...) O grave, agora, não são tanto os insultos: é que dois candidatos presidenciais não percebam que a minoria de ofensores representa o atraso. Deste, nada sairá".

Leia o texto completo.

Fonte: Renato Janine Ribeiro no jornal Valor em 16/06/2014, reproduzido em Notícias: IHU On-Line 17/06/2014.

Leia Mais:
Dez teses sobre a ascensão da extrema direita europeia. O novo fascismo espreita o Velho Continente - Michael Löwy
Um país mais igualitário, sim - Sergei Soares

sábado, 14 de junho de 2014

Linchamento verbal

Quando as pessoas partem para o xingamento verbal ou virtual, demonstram completa ausência de argumentos para rechaçar as ideias com as quais não concordam. Não sabendo como argumentar, xingam.

Confira aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Como disse Kant (1724-1804), quando questionado sobre o significado da Aufklärung - O que são as Luzes [ou Esclarecimento]:

Sapere aude [Ouse saber]! Tenha a coragem de te servir de teu próprio entendimento. Eis a divisa das Luzes.

No original alemão: Sapere aude! Habe Mut, dich deines eigenen Verstandes zu bedienen! ist also der Wahlspruch der Aufklärung.

Citando o texto mais ampliado:

Esclarecimento (Aufklärung) significa a saída do homem de sua menoridade, pela qual ele próprio é responsável. A menoridade é a incapacidade de se servir de seu próprio entendimento sem a tutela de um outro. É a si próprio que se deve atribuir essa menoridade, uma vez que ela não resulta da falta de entendimento, mas da falta de resolução e de coragem necessárias para utilizar seu entendimento sem a tutela de outro. Sapere aude! Tenha a coragem de te servir de teu próprio entendimento, tal é portanto a divisa do Esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma parte tão grande dos homens, libertos há muito pela natureza de toda tutela alheia (naturaliter maiorennes), comprazem-se em permanecer por toda sua vida menores; e é por isso que é tão fácil a outros instituírem-se seus tutores. É tão cômodo ser menor (Immanuel Kant, Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento?  Traduzido por Luiz Paulo Rouanet). O texto continua...


Aufklärung ist der Ausgang des Menschen aus seiner selbstverschuldeten Unmündigkeit. Unmündigkeit ist das Unvermögen, sich seines Verstandes ohne Leitung eines anderen zu bedienen. Selbstverschuldet ist diese Unmündigkeit, wenn die Ursache derselben nicht am Mangel des Verstandes, sondern der Entschließung und des Mutes liegt, sich seiner ohne Leitung eines andern zu bedienen. Sapere aude! Habe Mut, dich deines eigenen Verstandes zu bedienen! ist also der Wahlspruch der Aufklärung. Faulheit und Feigheit sind die Ursachen, warum ein so großer Teil der Menschen, nachdem sie die Natur längst von fremder Leitung freigesprochen (naturaliter maiorennes), dennoch gerne zeitlebens unmündig bleiben; und warum es anderen so leicht wird, sich zu deren Vormündern aufzuwerfen. Es ist so bequem, unmündig zu sein.

Para quem quiser ler o original em alemão:

Immanuel Kant, Beantwortung der Frage: Was ist Aufklärung? (eBook gratuito para Kindle na amazon.com.br)

Ou em português:

KANT, I. Immanuel Kant: textos seletos. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, 112 p. - ISBN 9788532631923.


Para entender o contexto da afirmação de Kant, dê uma olhada em meu texto O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento.


Um dos tantos comentários interessantes que encontrei na web:

O Esclarecimento Kantiano - Anderson Rodrigo de Oliveira
Toda a presente dissertação do filósofo moderno Immanuel Kant gira em volta da resposta à pergunta sobre o esclarecimento (Aufklärung). Kant começa pelo próprio termo esclarecimento, que «é a saída do homem de sua menoridade». O que produz tal menoridade é o próprio homem, que não consegue sair de sua condição medíocre e tomar coragem de servir-se de si mesmo sem necessitar da ajuda de alheios. A menoridade do homem o afeta em todos os campos: na política, na sociedade, no trabalho etc. O processo para se sair desse estado de menoridade está no autocontrole e na liberdade que cada indivíduo deve cultivar. Somos convidados a não nos acomodar, a sair em busca do saber, por isso usa o termo latino: Sapere aude! (Ouse saber). Somente através dessa ousadia é que podemos sair de nossa condição. Essa ousadia implica a «coragem de fazer uso de teu próprio entendimento», o que é como que o slogan do esclarecimento. As principais causas que impedem o esclarecimento estão no comodismo, na preguiça e na covardia. Com tais causas, o homem permanecerá sempre em sua menoridade. Para as pessoas acostumadas a ‘receberem as coisas nas mãos’ (Kant enumera alguns: ter um livro que faz as vezes de nosso entendimento; um diretor espiritual que tem consciência em nosso lugar; um método que decide a nossa dieta etc.), torna-se difícil e perigoso renunciar sua menoridade (o texto continua).

terça-feira, 10 de junho de 2014

Leituras sobre futebol

A Copa do Mundo 2014 no Brasil é uma ótima desculpa para estudar a fundo a estrela da ocasião: o futebol. 

Nós, brasileiros, temos uma relação especial com esse esporte, gostando dele ou não. A bola rolando em solo nacional revela, historicamente e socialmente, um contexto de afinidade entre técnica, arte e superação. Compreendê-lo dá outras dimensões ao tema, e para atingi-las há uma série de livros imperdíveis, já lançados ou quase, à disposição, diz Camila Moraes: Opera Mundi - 31/05/2014, em

Leituras para a (e apesar da) Copa

E recomenda:

:: São raros os títulos de ficção envolvendo futebol que realmente toquem o leitor mais exigente. Mas um livro lançado no ano passado pela Companhia das Letras mudou esse paradigma. O Drible, de Sergio Rodrigues, conta uma história de reaproximação entre pai e filho: o primeiro é Murilo Filho, um cronista de futebol aposentado e à beira da morte, e o segundo, Neto, é um revisor de livros de autoajuda solitário, que coleciona quinquilharias dos anos 70 e relações amorosas descartáveis – e que sempre se sentiu preterido pelo pai famoso. Entremeado com esse relato está o livro que Murilo Filho escreve sobre um extraordinário jogador dos anos 60, que teria sido “maior que Pelé”, se seu final não tivesse sido trágico. De uma maneira envolvente e inclusive carregada de suspense, o autor constrói vários universos ao mesmo tempo – o familiar, o pessoal, o futebolístico –, chegando a retratar a época de ouro do futebol brasileiro com uma riqueza imaginativa que só a ficção poderia garantir (Cf. também aqui).

:: Na seara da não ficção, por outro lado, os horizontes são mais amplos e incluem paradas obrigatórias. Para começar, ninguém jamais será capaz de entender como nasce o futebol-arte no Brasil sem se debruçar sobre o clássico O Negro no Futebol Brasileiro, de Mario Filho. Reeditado recentemente pela editora Mauad (agora também em inglês, com vistas à chegada de jornalistas estrangeiros e turistas leitores), ele é pioneiro ao ressaltar a importância dos africanos para a originalidade do esporte mais popular do país. Foi publicado em 1947 com prefácio de Gilberto Freyre, que se declarou admirador do trabalho de Mario – cronista de O Globo por muitos anos.

:: Em uma linha parecida, está Veneno Remédio – O Futebol e o Brasil, de José Miguel Wisnik, pela Companhia das Letras. O livro aborda as questões políticas, sociais, econômicas e comportamentais em torno do futebol sem deixar de lado o jogo em si, que é o que finalmente cativa com tanta força as pessoas, seja no Brasil ou onde for (Cf. também aqui).

:: Para provar que os brasileiros não estão sozinhos quando o assunto é a devoção ao futebol, especialmente na América Latina, Eduardo Galeano contribui à discussão com Futebol ao Sol e à Sombra, editado aqui pela L&PM. O escritor uruguaio é fã de futebol e acredita que, com a bola rolando, exacerbam-se conflitos e paixões. Por isso, o compara com o teatro e a guerra em histórias contadas com maestria (Cf. também aqui).

:: Há ainda, no cenário dos grandes escritores, alguns títulos essenciais: A pátria de chuteiras, de Nelson Rodrigues, lançado no final de 2013 pela Ediouro com 40 textos do grande dramaturgo (e cronista de futebol também, contemporâneo de Mario Filho), escritos entre 1950 e 1970 [ver também de Nelson Rodrigues, Somos o Brasil]. Ebooks gratuitos na amazon.com.br.

::  Quando é dia de futebol, com escritos de Carlos Drummond de Andrade sobre futebol em suas múltiplas variantes, publicados em sua maioria nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil e reunidos em livro agora pela Companhia das Letras (Cf. também aqui).

::  Os Garotos do Brasil - Viagem à identidade secreta dos nossos craques, de Ruy Castro, que delineia, segundo o autor “o lado humano de atletas como Belini, Pelé, Garrincha, Zico, Ronaldo ‘Fenômeno’ e o goleiro Julio Cesar” – e que deverá sair em breve.

:: Como, no Brasil, falar desse esporte tão grande e de seus grandes craques é impossível sem citar Pelé, dois lançamentos do Rei do Futebol devem entrar pra lista. O primeiro é A importância do futebol, de título bem didático, que Pelé escreveu com o jornalista Brian Winter (Cf. também aqui, em inglês).

:: O outro, As joias do rei Pelé, reúne fotos de objetos que marcaram sua carreira estelar, como troféus, cetros e coroas, mas também um velho rádio e uma rudimentar caixa de engraxate. Ambos são editados no Brasil pela Realejo Livros, uma editora de Santos que também é livraria, onde futebol é assunto tratado com toda o conhecimento e dedicação que merece [só para os "corajosos"... livro caro demais!].

:: Finalmente, mas não por último, as crianças podem se divertir com outro título de ficção que merece entrar pra biblioteca da família. La cancha de los deseos, do maior escritor mexicano da atualidade, Juan Villoro, chegará ao Brasil por essas épocas (provavelmente como “O estádio dos desejos”) em edição da Terceiro Nome. O livro fala de Arturo, um menino que adora futebol, sonha em ser jogador, vai ao estádio com o pai e é feliz. Para ser ainda mais feliz, ele se dedica – junto ao pai cientista – a descobrir uma fórmula que faça o time de seu país ganhar, já que ele vivia perdendo.

Leia o texto completo.

Leia Mais:
O complexo de vira-latas - The mongrel complex
Nos jogos lutamos contra nossas limitações, não contra nossos semelhantes

Oriente Médio: sinais emblemáticos de Francisco

Na diplomacia, você vive de sinais emblemáticos (Lejeune Mirhan)

O encontro promovido pelo papa Francisco entre os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no Vaticano, para falar sobre a paz, e a visita papal à Terra Santa no final do mês passado são emblemáticos, avalia o sociólogo, professor, escritor e arabista Lejeune Mirhan, em entrevista a Opera Mundi. Para ele, Francisco "avançou mais do que qualquer outro líder do Vaticano" para fomentar o diálogo entre israelenses e palestinos. O fato de Francisco ter quebrado o protocolo ao descer do papamóvel e rezar pedindo paz no muro da Cisjordânia, conhecido como "Muro da Vergonha”, que separa Israel da Palestina, durante sua visita à região, “carrega muito significado. Esta atitude vale por dez anos de intifada”, disse Lejeune, referindo-se ao tipo de protesto comum na Palestina, em que pessoas atiram pedras contra o muro.

Leia: Visita do papa a 'Muro da Vergonha' vale por dez anos de intifada palestina, diz especialista

Fonte: Vanessa Martina Silva: Opera Mundi - 10/06/2014

Leia Mais:
Francisco na Palestina
Um papa que faz reis e presidentes rezarem

domingo, 8 de junho de 2014

Resenhas na RBL: 04.06.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Elie Assis
The Book of Joel: A Prophet between Calamity and Hope
Reviewed by Stephen Breck Reid

John Granger Cook
Roman Attitudes toward the Christians: From Claudius to Hadrian
Reviewed by Warren Carter

Jason von Ehrenkrook
Sculpting Idolatry in Flavian Rome: (An)Iconic Rhetoric in the Writings of Flavius Josephus
Reviewed by Jeff Jay

John C. Endres
First and Second Chronicles
Reviewed by Michael Avioz

Jack R. Lundbom
Deuteronomy: A Commentary
Reviewed by Glen A. Taylor
Reviewed by Timothy M. Willis

Lukasz Niesiolowski-Spanò
The Origin Myths of Holy Places in the Old Testament: A Study of Aetiological Narratives
Reviewed by Ralph K. Hawkins

Peter R. Rodgers
Exploring the Old Testament in the New
Reviewed by Michael Labahn

Beth M. Sheppard
The Craft of History and the Study of the New Testament
Reviewed by Ken Olson
Reviewed by Joseph E. Sanzo


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Recursos para estudos clássicos

Confira em AWOL - The Ancient World Online aqui.

CLASSICSINDEX: Links to Online Books (Google Books, Archive.org, etc.)

For the Study of Greek and Roman Classics, Early Judaism, and Christianity

Publicado por AWOL em 06/06/2014

O complexo de vira-latas - The mongrel complex

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol (Nelson Rodrigues).

By “mongrel complex” I call the inferiority in which Brazilians put themselves, voluntarily, before the rest of the world. This happens in all areas and, especially, in soccer (Nelson Rodrigues).


Nelson Rodrigues: Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética: Manchete Esportiva, 31/5/1958.

Confira o livro Somos o Brasil - Edição bilíngue, português-inglês, ebook Kindle, gratuito na amazon.com.br  e reproduzido em pdf em vários outros locais [digite no Google: Nelson Rodrigues e o complexo de vira-latas].


Tenho um amigo que é um dos tais brasileiros rubros de vergonha. Dizia-me: — “Junto da europeia, a nossa paisagem faz vergonha.” Mas ele dizia isso porque jamais olhara a nossa paisagem (Nelson Rodrigues).

I have a friend who is one of such Brazilians who are crimson with shame. He told me: — “In comparison with the European landscape, ours is a shame.” But he said that because he had never looked at our landscape (Nelson Rodrigues).


Nelson Rodrigues: Brasileiro, da cabeça aos sapatos : O Globo, 14/7/1966 - Esta crônica está no mesmo livro citado acima.


Sobre a polêmica atual gerada pelo ressuscitado complexo de vira-latas usado como arma política, confira:

Por causa da Copa, a velha mídia reforça “complexo de vira-latas” - Vermelho: 08/06/2014 [também aqui]

Documentário: O Complexo de Vira-latas -  Dirigido por Leandro Carproni, produção da Cabrueira Filmes e Sem Cortes Filmes [também aqui]

Muitos blogs católicos são conservadores

Muitos blogs católicos são conservadores - Tanti blog cattolici sono conservatori

Por trás disso, também há partes da hierarquia que preferem... se expressar indiretamente em muitos blogs conservadores... -- Dietro ci sono anche pezzi di gerarchia che preferiscono ... esprimersi indirettamente sui tanti blog conservatori... (Marco Politi)

Isto merece um debate!

Francisco entre lobos

POLITI, M. Francesco tra i lupi: Il segreto di una rivoluzione. 2. ed.  Roma-Bari: Laterza, 2014, 260 p. - ISBN 9788858110799.

Um livro para se prestar atenção. Do experiente vaticanista Marco Politi.

A um ano da eleição, o papa ainda está bastante sozinho dentro da estrutura eclesiástica. Isso explica a sua extraordinária determinação. Ele goza de um consenso muito amplo entre os fiéis e na opinião pública agnóstica e não crente, mas na Cúria não se manifesta, por enquanto, um forte partido pró-Bergoglio. Ao contrário, há quem espere que o papa argentino seja uma exceção transitória... Um papa obtém obediência quase absoluta quando age ao longo dos trilhos da tradição. Se, ao invés, quer mudar e reformar, são infinitos os modos grandes e pequenos de lhe opor obstáculos... Os setores conservadores apontam para o desgaste do papa argentino, alavancam a fadiga que pode surgir com a repetição das suas exortações. Difundem o temor de que Francisco está construindo uma "outra Igreja", saindo dos trilhos da tradição, da doutrina e da reta interpretação da palavra de Deus... Há quem se rebele contra a ideia de que Francisco diminui a "sacralidade da pessoa papal". Quando Francisco condena a fofoca e a circulação de calúnias dentro dos aparatos, ele pensa nos sabotadores que falam em voz baixa... Não se deve subestimar nem mesmo a oposição inerte daqueles que na Cúria estão incertos em relação ao seu futuro e ao seu papel, e sentem que a estabilidade dos ditames tradicionais vacila... Há quem liquide com desencanto as suas palavras, especialmente sobre o tema da pobreza. Há uma rede subterrânea de interesses ramificados, que olha com suspeita e incômodo para as reformas... (do livro de Marco Politi, Francesco tra i lupi)


Do livro, diz a editora, em italiano:
È il leader più influente del pianeta. Si è prefisso un’impresa gigantesca: riformare la curia e rinnovare la Chiesa. Ma dietro le quinte la lotta è sempre più aspra. Il tempo è poco. La posta in gioco è la fisionomia del cattolicesimo di domani. Ha spezzato l'immagine di una Chiesa matrigna, ha rifiutato la pompa imperiale, non conosce barriere tra credenti e non credenti, nessun pontefice europeo ha vissuto come lui la miseria degli emarginati, è vicino alle angosce di uomini e donne di ogni credo. È immerso nella modernità, pratica la tenerezza e la compassione. Ma in Vaticano crescono le resistenze ai suoi audaci programmi di rifondazione della Chiesa come la partecipazione dei vescovi al governo ecclesiale, l'inserimento di donne ai vertici decisionali, l'approccio nuovo a divorziati e omosessuali. Ripulire lo Ior e le finanze vaticane è una fatica immane. L'episcopato italiano è un problema per il papa argentino. La rivoluzione è agli inizi: l'esito è incerto e il tempo non è molto. "Francesco tra i lupi" è la storia, mai raccontata prima, delle sfide nascoste alla rivoluzione di Bergoglio e dell'opposizione al papa più popolare dei nostri tempi, con particolari inediti sulla sua elezione. 


:: Os lobos de Francisco. Entrevista com Marco Politi - Notícias: IHU On-Line 08/06/2014
Uma ampla conversa com o vaticanista Marco Politi, autor de Francesco tra i lupi: Il segreto di una rivoluzione. Consensos verdadeiros, consensos da boca para fora, oposições amplas e latentes. Muitos blogs católicos são conservadores. O papa está consciente das resistências dentro do mundo católico. Uma estratégia inclusiva. Os meios de comunicação como instrumento para provocar o debate. O afastamento dos jovens, especialmente das garotas, com previsíveis dificuldades graves na transmissão da fé. A reportagem é de Giuseppe Rusconi, publicada no sítio Rosso Porpora em 04/06/2014 (link para o original italiano logo abaixo).

:: Marco Politi: I lupi di Francesco? Non vengono da Gubbio – Giuseppe Rusconi: Rosso Porpora - 4 Giugno 2014
Ad ampio colloquio con il vaticanista Marco Politi, autore di “Francesco tra i lupi. Il segreto di una rivoluzione”. Consensi veri, consensi a fior di labbra, opposizioni latenti ed estese. Tanti blog cattolici sono conservatori. Il Papa è consapevole delle resistenze all’interno del mondo cattolico. Una strategia inclusiva. I media come strumento per lanciare il dibattito. L’allontanarsi dei giovani, in particolare delle ragazze, con prevedibili difficoltà gravi nella trasmissione della fede.


Leia Mais:
Francisco

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Biblistas Mineiros publicam a Estudos Bíblicos 120

Acabo de receber o n. 120 da revista Estudos Bíblicos, de out/dez de 2013, produzida pelos Biblistas Mineiros, grupo do qual faço parte. São 10 artigos que ocupam quase 200 páginas.

Seu título: A volta de Babel: a Bíblia e os megaprojetos

Escreve Telmo José Amaral de Figueiredo no editorial: "As contribuições de nossos colegas biblistas, neste número de Estudos Bíblicos, procuram mostrar como a Bíblia é crítica em relação aos projetos imperialistas ou governativos que não visam o benefício do povo, mas o aumento e perpetuação do poder, da riqueza e da fama dos que comandam a sociedade".


O que dizem os artigos desta Estudos Bíblicos?

:: Grandes projetos na Bíblia e a resistência do povo - Gilvander Luís Moreira
Gilvander nos apresenta um amplo leque de grandes e impopulares projetos descritos em perspectiva crítica pela Bíblia, como a construção da torre de Babel, o bezerro de ouro, o gigante de pés de barro do livro de Daniel, o mercado no entorno do Templo de Jerusalém, o comércio ao redor da deusa Ártemis em Éfeso e o dragão do Apocalipse. O comum a todos estes textos é, justamente, a resistência popular aos megaprojetos idolátricos que visam não o bem das populações camponesas, da periferia dos grandes centros urbanos e das nações submetidas ao poder imperial.

:: Gn 11,1-9: Contramito torre de Babel ao mito da fundação de Babilônia - Jacir de Freitas Faria
Jacir propõe-nos o "contramito" de Gn 11,1-9, a torre de Babel, como crítica ao poderio babilônico. O destino dos impérios assassinos e opressores está nas mãos de Deus. A "confusão" e o conflito são subjacentes aos projetos que deixam o povo de fora e tentam impor a visão e a interpretação dos poderosos.

:: A sabedoria do pobre salva a cidade. Leituras de Eclesiastes 9,14-16 - Wolfgang Gruen
Gruen nos mostra que, como antídoto contra a megalomania  dos poderosos, a Bíblia em Ecl 9,14-16 nos apresenta a sabedoria do pobre, a qual difere totalmente daquela dos que planejam a "cidade" (a sociedade) sem levar em conta o seu povo. A sabedoria, diz Gruen, "é mais que acumulação de saberes, sabenças. É um saber depurado: prioriza o que importa e, nele, seu sentido e relevância". O pobre possui aquela desconfiança sábia que lhe faz ter a prudência necessária perante os grandes e ricos projetos. O sábio pobre tem como enxergar a situação, e dar passos para furar o cerco, cultivando a utopia e a esperança.

:: Jeremias, profeta crítico do poder imperial. A hegemonia e a grandeza babilônica, numa leitura profética da história, à luz da fé - Jaldemir Vitório
Vitório nos ajuda a compreender a atitude do profeta Jeremias diante da dominação babilônica e as tentações de pactos equivocados com outros poderes, neste caso, o Egito. Diante das ameaças e perigos de dois grandes impérios, como agir, qual critério adotar? Jeremias propõe não se encantar nem se amedrontar por demais diante dos impérios. Eles não são eternos, seus projetos não duram para sempre. Quanto maior for a tirania deles, maior será sua queda. No entanto, ele não defende uma atitude inconsequente e suicida contra a Babilônia. Nesse caso, a prudência cheia de esperança é a alternativa.

:: Religião e formação de classes na antiga Judeia - Airton José da Silva
Existem, quer concordemos ou não, classes em nossa sociedade. Airton resume e comenta o livro de H. G. Kippenberg, Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. Os sistemas persa, grego e romano, ao imporem leis em conflito com as tradições familiares de Israel, são geradores de escravidão, favorecendo a concentração de terras, a expropriação e o empobrecimento da maioria da população rural na antiga Judeia. Kippenberg nos mostra como, face a tal situação, a tradição religiosa judaica se uniu a duas tendências antagônicas: a tendência à formação de classes, por um lado, e, por outro lado, a tendência à solidariedade, formando, assim, dois complexos divergentes de tradição que fundamentam os conteúdos religiosos dos movimentos judaicos de resistência contra o domínio imperial estrangeiro.

:: Resistindo à globalização: os Macabeus - Neuza Silveira de Souza e Maria de Lourdes Augusta
Neusa e Maria de Lourdes, por sua vez, nos apresentam a revolta dos Macabeus como símbolo da reação anti-imperial. O modo de vida e a organização social promovidos pelo helenismo são o foco da atenção dos livros dos Macabeus, nos quais se mostra que nem todos os projetos de progresso e desenvolvimento político e econômico se traduzem em reais melhorias para a vida das pessoas, especialmente dos pobres. A fidelidade à aliança e às tradições alimentará e definirá a resistência a esses projetos autoritários.

:: O cego Bartimeu e a pastoral do espetáculo - José Luiz Gonzaga do Prado
José do Prado analisa a cena do cego Bartimeu em Mc 10,46-52.  Numa sociedade do espetáculo, dos projetos faraônicos e do consumismo, os indivíduos acabam por assumir essa ideologia em suas próprias vidas. Ele destaca que o nome desse cego pode significar "filho da honra/glória". Portanto, alguém fanático pelo prestígio, pelo aplauso, pela vontade de brilhar, colocar-se em evidência. Ele é cego "porque não vê o outro, não enxerga outra coisa que não a própria glória; é mendigo porque vive mendigando aplausos; está sentado porque não anda, não dá um passo, nada faz que não sirva para a própria glória; e está à beira do caminho, porque fica à margem da história". Esse cego seria uma projeção dos discípulos de Jesus, que estão sujeitos às tentações propostas por essa sociedade. A libertação das pessoas é passar a "ver", a enxergar o Messias que está diante delas.

:: Paulo, os jogos e a linguagem esportiva - Zuleica Aparecida Silvano
O esporte representa, sem dúvida, um dos principais componentes do mundo do espetáculo em todos os tempos e era muito valorizado no mundo helênico. Zuleica nos mostra como Paulo soube utilizar com maestria a terminologia esportiva em suas cartas. Ela constata que o "uso da linguagem e imagens desportivas, em Paulo, é semelhante ao uso simbólico-metafórico que verificamos no livro da Sabedoria, mormente pra ilustrar elementos do agir cristão". Paulo faz uso da linguagem que apela para a luta, a conquista, a competição, a fim de descrever a atitude que deve mover o cristão em sua missão evangelizadora.

:: Espetáculos de derrota no século XXI - Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
Tereza Virgínia, por sua vez, trabalha com a noção de "o caminho dos frágeis" presente no pensamento paulino. Seu propósito é contradizer a lógica da competição que há no mundo atual, a qual privilegia o campeão, o vencedor, mostrando que na fraqueza encontra-se algo da excelência humana, isto é, sua vulnerabilidade. Ela conclui que "somos responsáveis uns pelos outros, e as nossas fragilidades podem ser nossa fortaleza".

:: A Prostituta Babilônia - Leitura de Apocalipse 17 e 18 - Johan Konings
Konings, no último artigo da revista, faz uma leitura dos capítulos 17 e 18 do Apocalipse no contexto do atual domínio exercido pelo mercado sobre a sociedade mundial, de modo especial na América Latina, considerando igualmente o contexto que originou estas páginas. Estes dois capítulos celebram a condenação de "Babilônia": o 17 a associa ao nunca nomeado império romano, enquanto o 18 insere a derrota do império na tradição profética de denúncia das grandes cidades dominadoras. Segundo Konings, o "Apocalipse nos ensina a ver a figura idolátrica por detrás do sistema do comércio mundial, e não precisamos de muita imaginação para ver a mesma coisa hoje".

domingo, 1 de junho de 2014

Biblical Studies Carnival 99

Seleção de postagens dos biblioblogs em maio de 2014.

Biblioblog Carnival - May 2014

Trabalho feito por Jeff Carter, do blog Thatjeffcarter Was Here.

E há também It's Carnival Time! The All Twitter Edition! De Jim West.