sábado, 31 de maio de 2014

Leitura ecológica de Gn 1: faça o download do texto

Proposta de uma leitura ecológica do relato sacerdotal da criação (Gn 1,1-2,4a):  esta é a monografia de conclusão do Curso de Teologia de Sebastião de Magalhães Viana Junior, estudante da FARP - Faculdade de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto. No ano passado, 2013, fui o orientador de Sebastião na elaboração deste estudo e José Luiz Gonzaga do Prado foi o leitor. Insisti com Sebastião, atualmente cursando o quarto e último ano de Teologia, para que o publicasse, pois sua leitura pode ser interessante para muita gente.

Observe sua perspectiva.

Ele diz, na Introdução da monografia, que "não é admissível que um teólogo pense Deus sem pensar o mundo. A criação é um episódio teologicamente importante, e é por isso que nós procuramos apresentar algumas palavras sobre ela neste nosso trabalho.

Duas perguntas nos motivaram e o texto bíblico de Gn 1,1–2,4a, o relato sacerdotal da criação, ofereceu-nos base para respondê-las sem fugir do conteúdo bíblico-teológico. Em primeiro lugar nos perguntamos: se Deus criou o mundo, 'e viu que era bom', por que há uma realidade que sofre e faz sofrer? Referimo-nos à crise ecológica. A habitabilidade do mundo em que vivemos está ameaçada e isso representa uma interpelação à qual a fé não pode se furtar. Como já antecipamos, o nosso não será um discurso autônomo sobre o em-si do cosmos. Isso não é de competência da teologia. Mas o que a teologia bíblica pode dizer a esse respeito, isso nós procuramos apresentar aqui. A base da nossa reflexão é o que diz a Tradição cristã. Justamente porque não é possível fazer teologia sobre o mundo dando as costas à gravidade do problema ecológico, nós não pudemos nos conformar, ficando de braços cruzados.

Para provocar uma reflexão, partimos do texto genesíaco sacerdotal sobre a Criação e do que a Tradição guardou a seu respeito. Isso porque este texto bíblico foi muito utilizado como fonte legitimadora da  'dominação', do consumo e da exploração predatória dos recursos naturais. Sendo assim – e aqui está nossa outra pergunta motivadora –, como podemos perceber que o texto, em vez de autorizar tal destruição, oferece uma mensagem de esperança e de salvação para nós hoje?

Graças a essas perguntas, o desenho do nosso trabalho se fez".

Clique no link abaixo e faça o download de

Proposta de uma leitura ecológica do relato sacerdotal da criação (Gn 1,1-2,4a)

São 58 páginas em formato pdf e o arquivo tem 627 KB.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A luta pela justiça no Antigo Testamento

Como analisar a denúncia profética da opressão? Como contextuar a súplica do justo oprimido pelo ímpio? Como compreender o dever do rei e/ou do Estado de proteger o oprimido? Como situar a proposta profética de construção de uma comunidade solidária? Como interpretar as leis da Torá preocupadas com a proteção dos pobres endividados e com a restauração de um campesinato independente? Como entender as afirmações da necessidade da justiça divina?

Uma proposta hermenêutica para a análise de tais textos bíblicos deveria considerar, pelo menos, quatro elementos:

  1. tentar identificar as situações sociais reais em que os textos bíblicos foram produzidos 
  2. observar os textos bíblicos como propostas que visam proteger os oprimidos a partir de um lugar social determinado
  3. analisar os textos bíblicos como a definição de valores éticos socialmente reconhecidos
  4. atualizar os textos bíblicos em seu persistente potencial de denúncia e anúncio


Confira uma proposta deste tipo em:

HOUSTON, W. J. Contending for Justice: Ideologies and Theologies of Social Justice in the Old Testament. London: Bloomsbury T & T Clark, 2008, 304 p. - ISBN 9780567033543. 


Sobre o livro:
Contending for Justice analyses texts on social justice in the Old Testament and argues that despite their ideological character they may still assist in shaping a Christian theological approach to social and global injustice. The book argues on the one hand that a class interest is involved in all texts on the subject of social justice, and on the other that, that the very interest demands that they should appeal to the broadest possible public by using generally accepted ethical and theological ideas. Four elements are set out in a hermeneutical proposal: texts should be understood as rhetoric in real social situations, as ideology protecting a social position, as defining recognized ethical values, and theologically as having a critical and constructive potential for the interpreter's own situation. A second chapter attempts to sketch the social conditions in which such texts were formed. The hermeneutical scheme is then applied, but not rigidly, to a wide range of texts: prophetic denunciations of oppression, texts in a variety of genres defining the characteristics of the just individual, texts in the Psalms and Isaiah defining the duty of the king to protect the poor, visions of a just community in the prophets, words of Torah aimed at protecting the indebted poor and restoring an independent peasantry, and assertions of the justice of God. The book concludes with brief reflections on the value of the Old Testament as a resource in the struggle for justice.  

Moralismo e política

Quando as dimensões concretas da sociedade não são levadas em conta, as questões políticas sofrem uma redução de seu conteúdo, perdendo sua autonomia. São consideradas de maneira abstrata, conduzidas ao espaço da ética, restritivamente, e resolvidas no moralismo.

Pela clínica psicanalítica, sabemos que aquilo que atacamos de modo implacável no outro não deixa de ter relação com aquilo que não suportaríamos reconhecer em nós mesmos (Mario Fleig, psicanalista).

Parece que JB "çaiu"!


>> Na véspera:

:: Ilhado no meio jurídico, Barbosa traça saída - Brasil 24/7: 28/05/2014
"Num feito inédito para um presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa conseguiu: está completamente ilhado em relação a seus colegas do Poder Judiciário. Do Procurador Geral da República ao presidente da Ordem dos Advogados, passando pelo plenário do Superior Tribunal de Justiça e todas as principais associações de magistrados, além do Conselho Nacional de Justiça, não há instância na qual Barbosa consiga angariar admiração. Quanto mais apoio ou compreensão... Pelas reações do meio jurídico aos seus posicionamentos, Barbosa é o primeiro a saber que lhe falta clima para prosseguir no cargo".


>> No dia:

:: Os órfãos de Joaquim Barbosa - Saul Leblon: Carta Maior 29/05/2014
"Joaquim Barbosa deixa a cena política como um farrapo do personagem desfrutável que se ofereceu um dia ao conservadorismo brasileiro. Na verdade, não era  mais funcional ter a legenda política associada a ele. Sua permanência à frente do STF tornara-se insustentável. Vinte e quatro horas antes de comunicar a aposentadoria, já era identificado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como um fator de insegurança jurídica para o país. A OAB o rechaçava. O mundo jurídico manifestava constrangimento diante da incontinência autoritária. A colérica desenvoltura com que transgredia  a fronteira que separa o sentimento de  vingança e ódio da ideia de justiça, inquietava os grandes nomes do Direito... [assumindo], crescentemente, contornos de um coronel Kurtz, o personagem de Marlon Brando, em Apocalypse Now, que se desgarrou do exército americano no Vietnã para criar  a sua própria guerra dentro da guerra. Na guerra pelo poder, Barbosa lutava a batalha do dia anterior".


>> No dia seguinte:

:: Adversários de Dilma já disputam apoio de Barbosa - Brasil 24/7: 30/05/2014
"Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) se precipitam para conquistar filiação de Joaquim Barbosa, que antecipou sua aposentadoria do STF; ainda que o juiz tenha perdido o prazo para uma candidatura em 2014, ele é visto como uma importante arma da oposição contra a reeleição da presidente Dilma Roussef".

Resenhas na RBL: 27.05.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

William P. Atkinson
Baptism in the Spirit: Luke-Acts and the Dunn Debate
Reviewed by Lars Kierspel

Edward Ball and Margaret Barker, eds.
The Unconquered Land’ and Other Old Testament Essays: Selected Studies by Rudolf Smend
Reviewed by David J. Reimer

Carol J. Dempsey and Elayne J. Shapiro
Reading the Bible, Transforming Conflict
Reviewed by Joel Stephen Williams

Desiderius Erasmus; Andrew J. Brown, ed.
VI-4 Ordinis sexti tomus quartus: Novum Testamentum ab Erasmo Recognitum, IV, Epistolae Apostolicae (secunda pars) et Apocalypsis Iohannis
Reviewed by Jerome A. Lund

Shimon Gesundheit
Three Times a Year: Studies on Festival Legislation in the Pentateuch
Reviewed by William A. Tooman

Francisco Lozada Jr. and Greg Carey, eds.
Soundings in Cultural Criticism: Perspectives and Methods in Culture, Power, and Identity in the New Testament
Reviewed by Earl Kellett

Matthew R. Malcolm
The World of 1 Corinthians: An Exegetical Source Book of Literary and Visual Backgrounds
Reviewed by Bradley J. Bitner

John Oleson
Humayma Excavation Project, I: Resources, History and the Water-Supply System
Reviewed by Anne Lykke

Kathleen M. Rochester
Prophetic Ministry in Jeremiah and Ezekiel
Reviewed by Georg Fischer

Karlheinz Schüssler
Das koptisch-sahidische Johannesvangelium sa 506 aus dem Jeremia-Kloster von Sakkara: mit Textvarianten der Handschriften in Barcelona, Cairo, Dublin, Naqlun, New York
Reviewed by Johanna Brankaer


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Resenhas na RBL: 19.05.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

William Baird
History of New Testament Research, Volume 3: From C. H. Dodd to Hans Dieter Betz
Reviewed by Benjamin A. Edsall
Reviewed by Joshua Jay Stigall

Athalya Brenner and Gale A. Yee, eds.
Joshua and Judges
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

John K. Goodrich
Paul as an Administrator of God in 1 Corinthians
Reviewed by Kathy Ehrensperger
Reviewed by Korinna Zamfir
Reviewed by Jason Weaver

J. Edward Owens
Deuteronomy
Reviewed by H. F. van Rooy

Peter R. Rodgers
Text and Story: Narrative Studies in New Testament Textual Criticism
Reviewed by Thomas P. Nelligan

Luise Schottroff and Marie-Theres Wacker, eds.
Feminist Biblical Interpretation: A Compendium of Critical Commentary on the Books of the Bible and Related Literature
Reviewed by Lynn R. Huber

Jens Schröter
From Jesus to the New Testament: Early Christian Theology and the Origin of the New Testament Canon
Reviewed by Lee Martin McDonald


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segunda-feira, 26 de maio de 2014

FT fica nervoso com Piketty

Nisto tudo, manifesta-se uma constante que vem progredindo de modo alarmante em toda a mídia europeia. Tradicionalmente, esta mídia se mostrava sempre mais equilibrada e plural do que a nossa velha mídia oligárquica brasileira e latino-americana de um modo geral. Entretanto nos últimos tempos vem proliferando a contaminação daquela mídia por práticas comuns da nossa (Flávio Aguiar).


Se o FT ficou nervoso, então Piketty deve ser lido...

Ora, o FT. O FT? O FT!


:: ‘FT’ diz ter encontrado erros no livro de Piketty sobre desigualdade - Notícias: IHU On-Line 26/05/2014
O jornal britânico Financial Times diz ter encontrado "uma série de erros" nos cálculos que justificam as conclusões do livro Capital no Século XXI, do economista francês Thomas Piketty. O livro sustenta que houve um crescimento forte da desigualdade de renda nas últimas décadas. Fonte: O Estado de S. Paulo, 24/05/2014

:: Para Piketty, “o Financial Times se ridiculariza” - Notícias: IHU On-Line 26/05/2014
O economista francês Thomas Piketty defendeu, no sábado, as conclusões do seu último livro sobre o aumento das desigualdades econômicas no mundo, após as críticas feitas pelo Financial Times (FT). Em sua edição de sábado, o jornal britânico do mundo dos negócios apontou os erros de cálculo cometidos por Thomas Piketty em O Capital no Século XXI – que se tornou, desde a sua publicação, um fenômeno editorial –, o que teria falsificado suas conclusões. A reportagem é de Christian Losson e Iris Deroeux e está publicada no jornal francês Libération em 24/05/2014.


Leia Mais:
David Harvey: leia Piketty, mas não se esqueça de Marx - Outras Palavras: 23/05/2014 [também aqui]
Uma crítica ao livro de Thomas Piketty

domingo, 25 de maio de 2014

Francisco na Palestina

:: Papa manda parar o jeep e reza ante o 'muro da vergonha' - Jesús Bastante: Religión Digital, em Notícias IHU On-Line 25/05/2014
Foi um gesto que surpreendeu e muito, a comitiva que acompanhava o Papa Francisco desde a sede da presidência da Autoridade Nacional Palestina até a basílica da Natividade, em Belém. Quando o jeep no qual ele estava passou junto ao Muro que separa a Cisjordânia de Israel, Bergoglio ordenou que o veículo parasse e ele desceu. A parada não estava prevista. Segundo os jornalistas que acompanham o Pontífice, Francisco ficou alguns minutos em oração, perto de uma torre de vigilância ocupada por um soldado de Israel, e rezou tocando a parede e apoiando a sua fronte nela. O Papa realizou este gesto inesperado a caminho da missa pública que presidiu ante milhares de pessoas e depois de um encontro com Abas, que lhe falou do "repugnante muro que Israel construiu pela força em nossa terra". Os cristãos da Terra Santa, em sua maioria palestinos, qualificam esta separação como "o muro da vergonha"...

:: El Papa mandó detener el jeep por sorpresa y oró ante el "muro de la vergüenza" - Jesús Bastante: Religión Digital 25/05/2014
Fue un gesto que sorprendió, y mucho, a la comitiva que acompañaba al Papa Francisco desde la sede de la presidencia de la Autoridad Nacional Palestina hasta la basílica de la Natividad de Belén. Cuando el jeep en el que viajaba pasaba junto al Muro que separa la franja de Cisjordania de Israel, Bergoglio ordenó detener el vehículo y se bajó del mismo. La parada no estaba prevista, y según los periodistas que acompañaban al Pontífice, Francisco se detuvo en oración durante unos minutos frente al muro de hormigón, muy cerca de una torre de vigilancia ocupada por un soldado israelí, y rezó tocando la pared y apoyando su frente en el mismo. El santo padre realizó este gesto inesperado de camino a una misa pública ante miles de personas y después de un encuentro con Abas, quien le habló del "repugnante muro que Israel construyó por la fuerza en nuestra tierra". Los cristianos de Tierra Santa, en su mayor parte palestinos, califican esta separación como "el muro de la vergüenza"...

:: Francesco prega in silenzio davanti al Muro di divisione - Gianni Valente: Vatican Insider 25/05/2014
Papa Francesco ha toccato il Muro della Divisione. In un clamoroso fuori programma del viaggio in Terra Santa, prima della Messa a Betlemme sulla piazza della Mangiatoia, il vescovo di Roma ha chiesto di essere portato in auto davanti a un punto della barriera di cemento che Israele sta costruendo dal 2002 e che corre in buona parte sui Territori Occupati palestinesi, contro tutte le regole di legalità internazionale. Lì Papa Bergoglio ha sostato per pochi minuti in totale silenzio, circondato da un gruppo di giovani palestinesi. Un silenzio più eloquente di mille discorsi...

:: Francis prays in silence before the Wall of division -  Gianni Valente: Vatican Insider 25/05/2014
Pope Francis has touched the Wall of Division. In a resounding unscheduled stop during his visit to the Holy Land, before the Mass in Bethlehem’s Manger Square, the Bishop of Rome asked to be driven in front of a point of the cement barrier that Israel has been constructing since 2002 and that runs largely through Palestinian occupied territory, contravening international laws. There, Pope Francis remained a few minutes in total silence, surrounded by a group of young Palestinians. It was a silence that said more than a thousand speeches could...

Estudos Bíblicos homenageia Comblin

O número 119 da revista Estudos Bíblicos, de julho/setembro 2013, faz uma homenagem ao teólogo José Comblin (1923-2011), trabalhando temas que eram característicos de sua obra.

Confira.

Leia Mais:
Outros depoimentos sobre José Comblin: 1923-2011

SOTER 2014: Espiritualidades e Dinâmicas Sociais

A SOTER - Sociedade de Teologia e Ciências da Religião - comunica que seu 27º Congresso Anual terá como tema Espiritualidades e Dinâmicas Sociais: Memória – Prospectivas e será realizado na PUC-Minas, em Belo Horizonte, de 15 a 18 de julho de 2014.

Leia Mais:
Congressos e publicações da SOTER

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma crítica ao livro de Thomas Piketty

Os chamados problemas econômicos são, na realidade, problemas políticos, e por mais que se tente silenciar, a luta de classes continua sendo, como bem disse Karl Marx, o motor da história. Como essa luta de classes se realiza, e através de quais instrumentos, é o maior desafio da análise da realidade com a finalidade de alterá-la. Thomas Piketty deu um passo nessa direção, mas seus silêncios deveriam ser preenchidos...


O porquê das desigualdades: uma crítica do livro de Thomas Piketty - Vicenç Navarro: Carta Maior 17/05/2014

Mas o fato de ser um livro que despertou enorme interesse (eu o recomendo e também utilizo em minhas aulas) não exclui a necessidade de criticá-lo – não tanto por aquilo que o livro diz, mas pelo que não diz. Na realidade, o que ele não diz limita a compreensão e, portanto, a utilidade do livro. E vou direto ao ponto. O problema do livro é que parece não perceber que não é possível entender o mundo do capital sem entender o mundo do trabalho, nem tampouco como os dois se relacionam entre si. Aí está o ponto fraco do livro. O elevado crescimento do capital está diretamente relacionado ao estancamento e à diminuição dos salários. É o que Karl Marx chamou, e com razão, de exploração de classe – exploração que existe, ainda que você, leitor, não a descobrirá lendo os maiores meios de informação e persuasão.

Leia o texto.

Leia Mais:
Sobre a desigualdade no capitalismo: Francisco e Piketty
Francisco e Piketty sobre a desigualdade

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Babilônia em 3D - Babylon 3D

Visite a cidade de Babilônia, reconstruída em 3D por Byzantium 1200, entre março e maio de 2013, para a exposição Mesopotâmia do Museu Real de Ontário, Canadá. Existe uma versão em vídeo.

Reconstruction of the ancient city of Babylon was created by Byzantium 1200 between March and May of 2013 for the Mesopotamia exhibition of the Royal Ontario Museum.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eleições no Brasil e geopolítica dos EUA

Os EUA estão deixando o Iraque e o Afeganistão em segundo plano e se preparando para enquadrar a China e também os BRICs. Neste cenário de reposicionamento, a eleição presidencial no Brasil desempenha um papel central, avalia o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo. 'O ataque à Petrobras não é só eleitoral, mas tem também um elemento de disputa comercial', diz. 

Isso explica sua extremada agressividade contra a Rússia na questão ucraniana, entre outras e também, em parte, a enorme campanha publicitária pela mídia de direita contra o atual governo brasileiro. A direita mundial quer derrubar quantos governos insubmissos às Potências Ocidentais puder, o mais rápido possível, antes que seja tarde demais (embora já seja - na verdade - muito provavelmente - tarde demais). Nesse contexto, o Brasil que se prepare, pois deve vir muito mais chumbo grosso total contra a candidatura governista nessas próximas eleições. A direita não só brasileira, mas mundial, está jogando pelo tudo ou nada no Brasil, país chave para o controle de toda a América do Sul, inclusive a Venezuela (Victor Emanuel Giglio Ferreira).


A eleição de 2014 no Brasil e o reposicionamento geopolítico dos EUA  - Marco Aurélio Weissheimer: Carta Maior 14/05/2014
A avaliação é do economista Marcio Pochmann, ex-presidente do IPEA e atual presidente da Fundação Perseu Abramo (...) Ao contextualizar o cenário internacional no qual se dará a disputa eleitoral este ano Brasil, Pochmann destacou como tema central o reposicionamento dos Estados Unidos. “Desde 2008, os Estados Unidos estão com um problema sério e olham para a China cada vez com mais atenção. Os EUA estão deixando o Iraque e o Afeganistão em segundo plano e se preparando para enquadrar a China  e também os BRICs. Além disso, estão enfrentando a crise energética apostando no xisto e ganharam em competitividade com a redução do custo de sua mão-de-obra nacional. Hoje, os EUA querem se livrar do Iraque e do Afeganistão e se concentrar na China”. Neste cenário, acrescentou Pochmann, a eleição de 2014 no Brasil é chave para os Estados Unidos. Não é pouca coisa que está em jogo no futuro político do país. “O ataque que a Petrobras vem sofrendo não é só eleitoral, mas tem também um elemento de disputa comercial dramático. O Brasil precisa ter grandes empresas, públicas e privadas, para assumir uma posição menos periférica em um mundo onde as grandes corporações econômicas são responsáveis por dois terços dos investimentos em novas tecnologias. Além isso, precisa também construir um grande bloco de investimentos, como tivemos com Getúlio e JK, com capacidade de coordenar o investimento privado no país”.
Leia o texto completo.


Recomendo ainda o comentário do leitor Victor Emanuel Giglio Ferreira em 15/05/2014:
Realmente, a próxima eleição no Brasil deverá ser uma das mais acirradas e importantes de sua história, visto a presente situação de forças geopolíticas internacional. A ascensão da China (já primeira potência econômica mundial a partir de 2014 - PIB - PPP), da Índia (3a. potência), Rússia (6a. potência) e Brasil (7a. potência), todos não alinhados política e economicamente às antigas potências ocidentais, vem criando um progressivo novo balanço de forças no cenário mundial, com crescente perda de poder e influência desse Ocidente capitalista e neoliberal. Vem cada vez mais transparecendo um certo pânico dessas antigas potências, inclusive dos EUA, visto que dentro de uns 10 anos, a continuarem as coisas no presente rumo, esses países não alinhados ao Ocidente, e liderados pela China, já estarão em situação econômica francamente superior às antigas potências e passarão a dar as cartas no planeta. Washington demonstra cada vez mais inquietação e pressa em tentar reverter esse quadro futuro, que parece cada vez mais próximo e inexorável. Isso explica sua extremada agressividade contra a Rússia na questão Ucraniana, entre outras e também, em parte, a enorme campanha publicitária pela mídia de direita contra o atual governo brasileiro. A direita mundial quer derrubar quantos governos insubmissos às Potências Ocidentais puder, o mais rápido possível, antes que seja tarde demais (embora já seja - na verdade - muito provavelmente - tarde demais). Nesse contexto, o Brasil que se prepare, pois deve vir muito mais chumbo grosso total contra a candidatura governista nessas próximas eleições. A direita não só brasileira, mas mundial, está jogando pelo tudo ou nada no Brasil, país chave para o controle de toda a América do Sul (inclusive Venezuela). Se passarem mais quatro anos de governo insubmisso a eles no Brasil, o quadro mundial provavelmente tornará um retrocesso ao passado de neocolonialismo impossível. Esse é o desespero da oposição nacional e internacional contra o partido governista no Brasil.

Leia Mais:
Pedradas contra o Brasil
Vai ter Copa: resposta à grande aliança

Frase do dia - 15.05.2014

Todo o mundo tem a incerteza do que afirma.

Guimarães Rosa, Lá nas campinas, em Tutameia.

sábado, 10 de maio de 2014

Top 50 Discussion Groups for the Bible

Peter Kirby mostra, neste post de 09.05.2014, a situação atual das listas de discussão sobre Bíblia e estudos bíblicos.

Em resumo:
  • A partir de 1999 as listas de discussão acadêmicas sobre Bíblia cresciam, ocupando o espaço do protocolo Usenet 
  • A partir de 2004 os blogs de Bíblia, os biblioblogs, passaram a ocupar o espaço das listas de discussão
  • E agora, em 2014?
In 2014, nearly all of the e-mail lists have died off or slowed to a crawl. The “Web 2.0″ revolution is now the old guard, and people are most comfortable with using the web protocol for everything. Yahoo! Groups has gone the way of Pluto: still there but not what it used to be. If Facebook is now the size of Jupiter, the blogosphere is Saturn with its rings, and Reddit is the red planet Mars. Several large web forums exist, but the Bible is only a sideshow for the big ones.

Quer dizer: as listas ainda existem e resistem. Mas hoje elas povoam mais o Facebook do que qualquer outro espaço da Internet...

Em seguida, ele lista os Top 50 Discussion Groups for the Bible.

Here are the top 50 discussion groups where you can talk about the Bible online…

Vale a pena examinar!

Morreu o biblista Maurice Casey

Acabei de ver a notícia no blog do Jim West: Sad News: Maurice Casey has Died.

Maurice Casey, exegeta britânico, especialista em Novo Testamento, nasceu em 1942. Era Professor Emérito da Universidade de Nottingham, Reino Unido.

Veja suas obras na Amazon - para Kindle também na Amazon brasileira.

Leia um pouco sobre Casey a partir deste meu post: O que Casey nos conta sobre Jesus de Nazaré?

Observe o que diz a biblioblogosfera sobre suas obras, e as polêmicas que suscitam, aqui.


Atualização: 15/05/2014
Maurice Casey (Part 1 of 2): An Academic Life - Sheffield Biblical Studies 15/05/2014
Maurice Casey (Part 2 of 2): Influence - Sheffield Biblical Studies 15/05/2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Francisco e Piketty sobre a desigualdade

O tuíte do Papa sobre a desigualdade social aponta para uma recalibragem social, política e econômica

Ele veio com a clareza de um trovão numa planície qualquer. Cruzou o mundo num tuíte retuitado 14 mil vezes num único dia. Veio apenas duas horas depois dos últimos aplausos na Praça de São Pedro que deram fim à cerimônia de canonização dos santos João XXIII e João Paulo II.

Foi como se o Papa Francisco estivesse nos dizendo aonde precisamos ir, como igreja e como família humana, caso queiramos seguir um curso moral. É lá fora, entre os pobres e despossuídos do mundo. É lá onde encontramos a salvação.

Num tuíte de poucas palavras ele disse: “A desigualdade é a raiz dos males sociais”.

Vivemos um momento sem precedentes. Temos um pontífice que possui um grande apreço por questões globais e pela família humana, por seus anseios e falhas, como ninguém antes. Este é o nosso primeiro papa do sul global. Ao mesmo tempo, o seu cenário é amplo; a sua voz, clara; sua entrega, simples; sua autoridade, inatacável; seu domínio na comunicação, poderoso como o último celular lançado.

É claro, muitos não podem ouvir. Para uns, a mensagem é simples demais para se prestar atenção. Alguns, por exemplo, da direita política, foram rápidos no criticar o tuíte papal. Suas palavras, disseram eles, foram enigmáticas, demasiado simplistas, até mesmo ingênuas, incapazes de entender a economia moderna.

O que eles veem – e temem – é um papa que tem uma voz moral com uma vantagem política.

Como se fosse para fortalecer a pungência do momento, as palavras do Papa Francisco vieram ao mesmo tempo em que o novo livro do economista francês Thomas Piketty – “Capital in the Twenty-First Century” [O capital no século XXI] – estava aparecendo em todas as listas de best-sellers. Este tratado bem documentado, de 700 páginas, sustenta que o capitalismo deste século está numa viagem só de ida em direção a uma maior desigualdade. A nós é dado a certeza de uma desigualdade maior nas próximas décadas – isso sem uma grande intervenção política. Piketty não está sugerindo o descarte do capitalismo. Diz que este sistema pode funcionar para todos, mas que precisa de sérios ajustes...

Leia o texto completo.

Fonte: Editorial do National Catholic Reporter - NCR, de 07/05/2014, em Notícias: IHU On-Line 09/05/2014


O texto original, em inglês:

Editorial: Pope's tweet on inequality points to moral course -  NCR Editorial Staff  -  May. 7, 2014

It came with the clarity of a thunderclap on a Kansas plain. It shot across the world in a tweet retweeted 14,000 times within a day. It followed by only hours the last fading cheers on St. Peter's Square ending the canonization ceremony of Sts. John XXIII and John Paul II.

It was as if, history now behind him, Pope Francis was telling us where we have to go, as a church and human family, if we are to follow a moral course. It's out there among the poor and dispossessed of the world. That's where we find salvation.

Declared Francis in a seven-word tweet: "Inequality is the root of social evil."

We live in an unprecedented time. We have a pontiff who has a fix on global issues and the human family, its longings and failings, as none other before him. This is our first pope from the global South. Meanwhile, his stage is vast; his voice clear; his delivery simple; his authority unassailable; his mastery of communication keen as the latest cellphone.

Of course, not everyone can listen. For some the message is simply too much to take. Perhaps it will take time. Some, for example, on the political right were quick to pooh-pooh Francis' tweet. His words, they said, were puzzling, too simplistic, even naive, incapable of understanding modern economics.

What they see -- and fear -- is a pope who has a moral voice with a political edge. The storm will only get larger...


Leia Mais:
Sobre a desigualdade no capitalismo: Francisco e Piketty

terça-feira, 6 de maio de 2014

Resenhas na RBL: 02.05.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Mary Ann Beavis
Mark
Reviewed by Jeff Jay

Katherine M. Hayes
Proverbs
Reviewed by Bálint Károly Zabán

Jerry Hwang
The Rhetoric of Remembrance: An Investigation of the “Fathers” in Deuteronomy
Reviewed by Joel Barker

Paul S. Jeon
To Exhort and Reprove: Audience Response to the Chiastic Structures of Paul’s Letter to Titus
Reviewed by David P. Parris

Ann E. Killebrew and Gunnar Lehmann, eds.
The Philistines and Other “Sea Peoples” in Text and Archaeology
Reviewed by Ralph K. Hawkins
Reviewed by Raz Kletter

Yung Suk Kim, ed.
1 and 2 Corinthians
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Timothy Michael Law
When God Spoke Greek: The Septuagint and the Making of the Christian Bible
Reviewed by Martin Rösel

Dina Stein
Textual Mirrors: Reflexivity, Midrash, and the Rabbinic Self
Reviewed by Simon Lasair

Travis B. Williams
Persecution in 1 Peter: Differentiating and Contextualizing Early Christian Suffering
Reviewed by Torrey Seland


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Resenhas na RBL: 24.04.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Zeba A. Crook
Parallel Gospels: A Synopsis of Early Christian Writing
Reviewed by Mark Goodacre
NOTE: For further discussion between Zeba Crook, Mark Goodacre, and Stephen Carlson, see Loren Rosson’s blog The Busybody

Alinda Damsma
The Targumic Toseftot to Ezekiel
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Arthur J. Dewey, Roy W. Hoover, Lane C. McGaughy, and Daryl D. Schmidt
The Authentic Letters of Paul: A New Reading of Paul’s Rhetoric and Meaning
Reviewed by Nijay Gupta

Jan P. Fokkelman
The Book of Job in Form: A Literary Translation with Commentary
Reviewed by Roger Marcel Wanke

André Gagné and Jean-François Racine, eds.
En marge du canon: Études sur les écrits apocryphes juifs et chrétiens
Reviewed by Boris Paschke

Grenville J. R. Kent
Say It Again, Sam: A Literary and Filmic Study of Narrative Repetition in 1 Samuel 28
Reviewed by D. Lowdermilk

Lee Martin McDonald
The Origin of the Bible: A Guide For the Perplexed
Reviewed by Stephen Reed

Andrew David Naselli
From Typology to Doxology: Paul’s Use of Isaiah and Job in Romans 11:34–35
Reviewed by Robert Foster

Stanley E. Porter and Andrew W. Pitts, eds.
Christian Origins and Hellenistic Judaism: Social and Literary Contexts for the New Testament
Reviewed by Gerbern S. Oegema

Karl-Gustav Sandelin
Attraction and Danger of Alien Religion: Studies in Early Judaism and Christianity
Reviewed by Erich S. Gruen


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domingo, 4 de maio de 2014

Sobre a desigualdade no capitalismo: Francisco e Piketty

Per i teo-con il cristianesimo è il cemento dell’Occidente, l’impronta morale sul capitalismo, la fortezza da difendere contro la secolarizzazione e l’Islam. Ora attaccano il Papa sostenendo che è comunista o che deraglia dalla dottrina millenaria: argomenti ricorrenti delle destre reazionarie.


::  É possível criticar o capitalismo? - Claudio Sardo: Notícias: IHU On-Line 04/05/2014
Um tuíte do Papa Francisco semeou o pânico entre os teocon e, mais em geral, entre aqueles que entendem o capitalismo como a religião natural do homem moderno. "A desigualdade é a raiz dos males sociais": essa é a mensagem lançada no dia 28 de abril pela conta @Pontifex. Não se trata, na verdade, de uma novidade absoluta. A expressão é a síntese de uma frase mais complexa da Evangelii gaudium, a exortação apostólica que constitui até agora o "manifesto programático" de Francisco. O problema é que, apenas em italiano, o termo inequità atenua a força da condenação moral. Em inglês, inequality significa desigualdade. Em alemão, ungleichheit é traduzido como desigualdade. E assim também em espanhol, a língua do papa: a palavra inequidad não permite outra tradução que desigualdade. Em suma, não há mais uma desigualdade iníqua a condenar e uma mais mórbida a perseguir: a raiz do mal é a "economia do descarte" que torna os homens cada vez mais desiguais. O impacto não podia não ser traumático, especialmente nos Estados Unidos, onde imediatamente se desencadeou uma intensa polêmica nas redes sociais. Estamos falando dos próprios fundamentos da ética do capitalismo. A desigualdade não é mais um mal necessário, o custo inevitável de um mecanismo social que, contudo, assegura desenvolvimento e dividendos para a comunidade. É a sua justificação moral que desaparece. E isso ocorre enquanto a crise está mudando os próprios paradigmas da ciência econômica. Não é apenas o Papa Francisco que deslegitima a ética do capitalismo e a ideia de uma "naturalidade" sua. Agora, a nata dos economistas explica, com os números em mãos, que o crescimento das desigualdades nas sociedades avançadas está favorecendo o decrescimento, a recessão, a ruptura das redes de coesão social. Faz refletir o sucesso nas livrarias norte-americanas do último livro do francês Thomas Piketty. O filão é o mesmo de Joseph Stiglitz e de Paul Krugman: o preço da desigualdade já é insustentável na própria perspectiva do mercado e do desenvolvimento. A análise é do jornalista italiano Claudio Sardo, em editorial publicado no jornal L'Unità em 01/05/2014.

Leia o texto completo.


O original, em italiano:

:: Si può criticare il capitalismo? - Claudio Sardo: L'Unità 01/05/2014

Un twitter di Papa Francesco ha seminato il panico fra i teo-con e, più in generale, fra quanti intendono il capitalismo come la religione naturale dell’uomo moderno. «L’inequità è la radice dei mali sociali»: è il messaggio lanciato il 28 aprile dall’account @Pontifex. Non si tratta, a dire il vero, di una novità assoluta. L’espressione è la sintesi di un più complesso periodo della Evangelii gaudium, l’esortazione apostolica che costituisce finora il «manifesto programmatico» di Francesco. Il problema è che soltanto nella lingua italiana il termine inequità attenua la forza della condanna morale. In inglese inequality vuol dire ineguaglianza. In tedesco ungleichheit si traduce con diseguaglianza. E così anche in spagnolo, la lingua del Papa: la parola inequidad non consente altra traduzione che diseguaglianza. Insomma, non c’è più una diseguaglianza iniqua da condannare e una più morbida da perseguire: la radice del male è l’«economia dello scarto» che rende gli uomini sempre più diseguali.

L’impatto non poteva non essere traumatico, soprattutto negli Stati Uniti dove si è scatenata immediatamente una vivace polemica sui social network. Stiamo parlando dei fondamenti stessi dell’etica del capitalismo. La diseguaglianza non è più un male necessario, il costo inevitabile di un meccanismo sociale che comunque assicura sviluppo e dividendi per la comunità. È la sua giustificazione morale a venir meno. E questo avviene mentre la crisi sta cambiando i paradigmi stessi della scienza economica. Non c’è soltanto Papa Francesco a delegittimare l’etica del capitalismo e l’idea di una sua «naturalità». Ormai il fior fiore degli economisti spiega, numeri alla mano, che la crescita delle diseguaglianze nelle società avanzate sta favorendo la decrescita, la recessione, la rottura delle reti di coesione sociale. Fa riflettere il successo nelle librerie americane dell’ultimo libro del francese Thomas Piketty. Il filone è lo stesso di Joseph Stiglitz e di Paul Krugman: il prezzo della diseguaglianza è ormai insostenibile nella prospettiva stessa del mercato e dello sviluppo.

Tornano alla mente gli articoli di Michael Novak, guida intellettuale dei teo-con, a commento della Evangelii gaudium. L’avversione era netta. Anche se la critica trattenuta da ragioni diplomatiche. A Novak non era sfuggito nel testo del Papa la contestazione più radicale al cuore del capitalismo, e cioè alla teoria della «ricaduta favorevole». Non è vero, ha scritto il Papa, che «ogni crescita economica, favorita dal libero mercato» produce maggiore equità e inclusione sociale. «Questa opinione, mai confermata dai fatti, esprime una fiducia grossolana e ingenua nella bontà di coloro che detengono il potere economico e nei meccanismi sacralizzati del sistema economico imperante». Quel participio, «sacralizzati», è spietato: denuncia ogni tentativo di assimilare il capitalismo alla natura o alla religione.

C’è nuovo materiale per discutere le diversità tra culture cattoliche e protestanti. La prospettiva di Francesco, comunque, non è quella di aggiornare la dottrina sociale della Chiesa. Non gli interessa una terza via cattolica tra il liberismo e il marxismo. Né tra il mercato e lo Stato. Alla Chiesa chiede di stare evangelicamente con i poveri e di guardare il mondo dal loro punto di vista. Di gridare le ingiustizie che altri non denunciano. Di offrire al mondo, ai cattolici in special modo, una riserva di pensiero critico sulla contemporaneità. Questo non è il solo mondo possibile. Non c’è sfiducia, o delegittimazione della politica. Anzi, Papa Francesco mostra di avere un’idea alta della politica (il contrario del populismo). Ma devono svolgerla i laici, i cittadini del mondo, di cui i credenti sono parte. Se i cattolici hanno un segno particolare, è quello di non fare un «idolo» di questa economia o di qualche altra ideologia.

Per i teo-con il cristianesimo è il cemento dell’Occidente, l’impronta morale sul capitalismo, la fortezza da difendere contro la secolarizzazione e l’Islam. Ora attaccano il Papa sostenendo che è comunista o che deraglia dalla dottrina millenaria: argomenti ricorrenti delle destre reazionarie. Per Francesco vale invece, come per Paolo VI, il principio di «non appagamento» della politica. I governi, i partiti devono fare di tutto per il bene comune, ma qualunque soluzione sarà sempre criticabile e perfettibile. Il pensiero critico resta la risorsa più preziosa a disposizione dell’uomo.

Anche a sinistra c’è chi farebbe volentieri a meno del principio di uguaglianza. Nel dibattito di questi anni è entrata a sinistra, eccome, la parola «equità» proprio per ammorbidire il senso dell’uguaglianza e per tenersi nel mainstream. Ma così la sinistra si è allontanata dalle contraddizioni reali. Nell’illusione di conquistare la modernità ha pagato un tributo al pensiero unico. La radicalità sta soprattutto nel pensiero, nella libertà di sottrarsi all’omologazione. La politica concreta sarà comunque e sempre un compromesso. Il problema è se nel compromesso la sinistra si sentirà appagata, o penserà ancora a un domani più giusto.



:: Livro de economia lidera lista de mais vendidos da Amazon - Andrea Freitas: Notícias: IHU On-Line  28/04/2014
Desigualdade social em quase 700 páginas de um livro. O assunto, a princípio, pode não atrair a curiosidade de tantas pessoas, mas “Capital In The Twenty-First Century” (O Capital no Século XXI, em tradução livre), do economista francês Thomas Piketty, alcançou nesta semana o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos da Amazon, superando títulos como “Frozen” e “Game of Thrones”. Logo após o lançamento da edição em inglês, no mês passado, o livro já aparecia entre os 100 mais vendidos da varejista on-line. Além disso, foi elogiado por críticos e economistas. Piketty, de 42 anos, é professor na Escola de Economia de Paris e seu livro trata da história e do futuro da desigualdade, a concentração de riqueza e as perspectivas de crescimento econômico. A tese central do livro — cujo título é uma alusão a “O Capital”, de Karl Marx — é que a desigualdade não é um acidente, mas uma característica do capitalismo e os excessos só podem ser alterados por meio da intervenção estatal. O trabalho argumenta que, a não ser que o capitalismo seja reformado, a ordem democrática será ameaçada. A reportagem é de Andrea Freitas, publicada pelo jornal O Globo em 27/04/2014.

Leia o texto completo.

:: “O Capital” de Thomas Piketty: tudo o que você precisa saber sobre o surpreendente best-seller -  Paul Mason: Notícias: IHU On-Line 04/05/2014
Que o capitalismo é injusto já foi dito antes. Mas é a forma como Thomas Piketty o diz – sutilmente mas com uma lógica implacável – o que levou os economistas da direita a um frenezi, tanto aqui [na Inglaterra] quanto nos Estados Unidos. O seu livro – intitulado “Capital in the Twenty-First Century” [O capital no século XXI] – disparou na lista entre os mais vendidos no site Amazon. Tê-lo consigo, em alguns ambientes de Manhattan, se tornou a mais nova ferramenta para se conectar socialmente com jovens progressistas. Ao mesmo tempo, seu autor vem sendo condenado como neomarxista por comentaristas de direita. Afinal, qual a causa de tudo isso? O argumento de Piketty é que, numa economia onde a taxa de rendimento sobre o capital supera a taxa de crescimento, a riqueza herdada sempre crescerá mais rapidamente do que a riqueza conquistada. Assim, o fato de que filhos ricos podem passar de um ano sabático sem rumo a um emprego no banco, na rede de televisão, etc., do pai – enquanto os filhos pobres continuam transpirando dentro de seus uniformes – não é acidental: é o sistema funcionando normalmente. Se se tem um crescimento lento junto de rendimentos financeiros melhores, então a riqueza herdada irá, na média, “superar a riqueza acumulada de uma vida toda de trabalho por uma ampla margem”, diz Piketty. A riqueza irá se concentrar em níveis incompatíveis com a democracia, irá abandonar a justiça social. Em suma, o capitalismo cria automaticamente níveis de desigualdade que são insustentáveis. A crescente riqueza daquele 1% não é um episódio isolado nem mera retórica. O comentário é de Paul Mason, editor cultural e digital do Channel 4 News, em artigo publicado por The Guardian em 28/04/2014.

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:: Piketty, um problema para a direita - J. Bradford DeLong: Notícias: IHU On-Line 04/05/2014
"Todo mundo certamente discorda de 10% a 20% da argumentação de Piketty e todo mundo têm dúvidas sobre talvez outros 10% a 20%. Mas, em ambos os casos, cada leitor tem seus próprios 10% a 20% pessoais. Em outras palavras, há um consenso majoritário de que cada parte do livro é, de modo geral, correta, o que significa haver um quase consenso de que a argumentação geral do livro é, grosso modo, correta", escreve J. Bradford DeLong, ex-vice-secretário assistente do Tesouro dos EUA, professor de Economia na Universidade da Califórnia em Berkeley e pesquisador associado ao Birô Nacional de Pesquisa Econômica, em artigo publicado pelo jornal Valor em 02/05/2014. No periódico online "The Baffler", Kathleen Geier tentou recentemente fazer um apanhado geral da crítica conservadora ao novo livro "Capital in the Twenty-First Century", de Thomas Piketty. O espantoso, para mim, é como revela-se fraca a abordagem da direita contra os argumentos de Piketty. A argumentação do autor é detalhada e complicada. Mas cinco pontos parecem particularmente relevantes.

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O livro:

O original, em francês: PIKETTY, T. Le Capital au XXIe siècle. Paris: Seuil, 2013, 970 p. - ISBN 9782021082289.

Em inglês: Capital in the Twenty-First Century. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014, 696 p. - ISBN 9780674430006.

Para Kindle, em inglês, na amazon.com.br, aqui.  Em português: lançamento em 01/11/2014 - capa comum e Kindle.

Site do autor e do livro - em francês e inglês:
Afin de ne pas surcharger le texte et les notes de bas de page, la description précise des sources historiques, des références bibliographiques, des méthodes statistiques et des modèles mathématiques a été renvoyée à une annexe technique disponible sur le site Internet suivant: http://piketty.pse.ens.fr/fr/capital21c


Leia Mais:
Evangelii Gaudium: Francisco e o capitalismo

Tomás: enviado para incomodar

:: Memória – Militância - Missão. Enviado para incomodar: Tomás Balduíno - Paulo Suess: Notícias: IHU On-Line 04/05/2014
"Dom Tomás Balduíno era uma memória viva da pastoral indigenista da Igreja Católica. Ele enriqueceu essa pastoral com a herança dominicana, viva em pessoas como Las Casas, António de Montesinos e Chenu. A pastoral indigenista pós-conciliar foi forjada na resistência à ditadura militar, à falácia do progresso e às promessas da integração sistêmica. Essa resistência perpassa uma mancha de sangue de testemunhas qualificados na grande tribulação – precursores da páscoa definitiva", escreve Paulo Suess, teólogo, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário - CIMI. Segundo ele, "D. Tomás defendeu os povos indígenas no templo e no pretório. Acompanhou a história do Cimi marcada por testemunhas qualificadas. Na trajetória de sua longa e abençoada vida de mais de 90 anos, muitas sementes, que o confessor Balduíno lançou, se multiplicaram nos corações e territórios dos povos indígenas. Nenhum inverno político ou eclesiástico conseguiu sufocá-los por baixo de um cobertor de gelo neoliberal ou neoagostiniano".

:: Tomás, o Dom: Jelson Oliveira, em nome da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil - Notícias: IHU On-Line 04/05/2014
Dom Tomás vestiu chapéus e cocares bem antes das mitras e solidéus. Carregou enxadas e foices nas mesmas mãos com as quais erguia báculos e cruzes. Aprendeu, viveu e ensinou que o poder evangélico é sempre um exercício de serviço.  Por isso, dançou com os indígenas, caminhou com os sem-terra, montou jegues, cavalos e aeronaves, sentou com presidentes, empinou bandeiras, abraçou árvores e gentes ao redor do mundo. Despertou raivas, desgostou uns tantos, provocou muitos. Tinha a suavidade de antigos amigos e a aspereza dos grandes profetas. Resistiu o que pôde. Agarrou-se à vida com todos os seus instintos. Agora, na doença. Antes, na saúde, na jovialidade e na sanidade de sua longa vida dedicada à causa da terra.

:: Dom Tomás Balduíno, doutor da fé - Marcelo Barros: Adital 03/05/2014
Tive a graça de Deus de conviver com ele e, por um bom tempo, morar na mesma casa. Fui seu amigo e assessor desde 1977 até agora, quando a sua partida nos separou. Ainda há poucos dias, conversávamos sobre como apoiar a renovação da Igreja proposta pelo papa Francisco e ajudar as Igrejas locais a assumí-la. Assim como Dom Hélder Câmara, no Brasil, Dom Oscar Romero, em El Salvador e Dom Samuel Ruiz, no sul do México, Dom Tomás soube revitalizar a missão do bispo como profeta da Palavra de Deus para o mundo. Para os oprimidos do mundo, ele foi realmente, como escreveu o profeta João no Apocalipse: "irmão e companheiro nas tribulações e no testemunho do reino” (Ap 1, 9). Exatamente, por essa sua compreensão da fé e do ministério episcopal, Dom Tomás tornou-se mesmo para não crentes testemunha autorizada de Jesus, ilustre doutor da fé e de uma espiritualidade libertadora. Ele nunca restringiu sua missão ao âmbito da Igreja. Soube sempre ser uma presença de irmão e companheiro solidário com as lutas sociais do povo, aliado incondicional dos lavradores e dos índios na sua legítima e evangélica luta pela terra e por uma vida digna.

sábado, 3 de maio de 2014

Dom Tomás Balduino (1922-2014)

Morreu o bispo emérito da cidade de Goiás (GO), dom Tomás Balduino, no final da noite de sexta-feira, 2 de maio, aos 91 anos de idade. Dom Tomás foi o fundador da CPT, a Comissão Pastoral da Terra.

Leia: A sentida morte de Dom Tomás Balduino - Altamiro Borges: Blog do Miro 03/05/2014

A nota da CPT, que conta um pouco da trajetória deste combativo bispo, foi reproduzida neste texto.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ayrton Senna Tribute 1994/2014

20 anos da morte de Ayrton Senna

No dia 1º de maio de 1994, a curva Tamburello do circuito de Imola, palco do GP de San Marino, tirou a vida de Ayrton Senna e deixou um vazio no coração de milhões de brasileiros e fãs da Fórmula 1 ao redor do mundo. Em 2014, ano em que se completam duas décadas sem o tricampeão mundial, o Autódromo Enzo e Dino Ferrari anunciou um mega evento em homenagem ao piloto que é considerado por muitos especialistas como o melhor de todos os tempos.

Visite o site Ayrton Senna Tribute 1994/2014.

Leia Mais
Ayrton Senna no Observatório Bíblico: aqui e aqui

Biblical Studies Carnival 98

Seleção de postagens dos biblioblogs em abril de 2014.

The April Carnival: The ‘You Can’t Be Serious With All This Wife of Jesus Fragment Chatter’ Edition

Trabalho feito por Jim West, do biblioblog Zwinglius Redivivus.