sábado, 29 de março de 2014

1964: leituras

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça (Dom Paulo Evaristo Arns)


:: 'Quantos morreram? Tantos quanto foram necessários', diz coronel sobre ditadura - Notícias: IHU On-Line 27/03/2014
Desde que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi criada, em maio de 2012, apenas quatro agentes da ditadura haviam aparecido nas convocações para depor em audiência pública, e apenas dois haviam confirmado a prática, ou a existência, de tortura. O coronel reformado Paulo Malhães se tornou o quinto a depor e o primeiro a admitir a participação em tantos crimes. O carro embicou no pátio do Arquivo Nacional, no Centro do Rio, e o corre-corre da imprensa se amontoando ao seu redor começou: "Chegou! Em depoimento que durou mais de duas horas, ele confirmou que torturou, matou e ocultou cadáveres de presos políticos na ditadura militar. Na audiência pública, a CNV apresentou o que se sabe sobre a Casa da Morte de Petrópolis, um centro clandestino mantido pelo regime militar no início da década de 1970. Malhães era um dos agentes ativos no centro de tortura – cujo nome vem da fama de que ninguém saía dali vivo. A única sobrevivente é Inês Etienne Romeu, presa e torturada por seis meses em 1971. Foi graças à sua memória e perseverança que a existência da casa veio à tona, em 1981. A reportagem é de Júlia Dias Carneiro e foi publicada pela BBC Brasil em 26/03/2014.

:: Coronel ensinou tortura no RS - Notícias: IHU On-Line 29/03/2014
O coronel reformado que estarreceu o país na terça-feira, ao revelar à Comissão Nacional da Verdade que matou, desfigurou e ocultou cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar, ensinou técnicas de tortura a repressores gaúchos. Agente do Centro de Informações do Exército (CIE), Paulo Malhães chegou a Porto Alegre em abril de 1970. Missão: eliminar grupos guerrilheiros que conflagravam o Estado. Apreciava martirizar três ou quatro ao mesmo tempo, o que denominava “dança de São Guido” – ritual macabro da Idade Média. Fazia fila para torturar, não tinha pudor. A reportagem é de Nilson Mariano e foi publicada no jornal Zero Hora em 28/03/2014.

:: A partir de 1971, ordem era matar - Notícias: IHU On-Line 22/03/2014
Pouco tempo depois, com a entrada de Carlos Lamarca na VAR, foi feita a maior ação armada da esquerda em todos os tempos, o roubo do cofre do Adhemar [de Barros]. Foi um sobrinho da Ana Capriglione [amante de Adhemar], Gustavo Buarque Schiller, que passou a dica. Ele contava que parte da grana do cofre vinha da venda de um estoque de vacina de varíola que Adhemar tinha revendido ao Paraguai depois de mandar vacinar as crianças paulistas com placebo. Gustavo foi preso em abril de 70 e trocado no sequestro do embaixador suíço [Giovanni Enrico Bücher]. Casou em Paris, mas nunca mais se acertou na vida. Depois que voltou do exílio chegou a nos visitar no Rio. Um dia, voltando de uma festa se jogou da janela de seu apartamento na avenida Rui Barbosa. Tinha uma filhinha de 1 ano. Depois da ação do cofre, meu aparelho caiu. Quando o Pedro Seelig [delegado do Dops de Porto Alegre] entrou com policiais armados de metralhadora, me pegou fazendo faxina. Eles nos vendavam na hora que nos prendiam, o que aumentava a sensação de desamparo. Fui torturada pelo major Átila Rohrsetzer, que era colega de turma do [coronel Brilhante] Ustra e diretor da Divisão Central de Informações do III Exército. Me mandaram tirar a roupa e ele me espancava me jogando de um lado para o outro. A gente deu sorte de ter sido preso ainda em 70, porque, a partir de 71, a ordem da ditadura era matar. A gente pelo menos tinha um IPM instaurado. O depoimento é de Vera Saavedra Durão, jornalista, em artigo publicado no jornal Valor em 14/03/2014.

:: Empresários que apoiaram o golpe de 64 construíram grandes fortunas - Notícias: IHU On-Line 29/03/2014
Com mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo sobre os empresários e o golpe de 64 e em fase de conclusão do doutorado sobre os empresários e a Constituição de 1988, o professor Fabio Venturini esmiuçou os detalhes de “como a economia nacional foi colocada em função das grandes corporações nacionais, ligadas às corporações internacionais e o Estado funcionando como grande financiador e impulsionador deste desenvolvimento, desviando de forma legalizada — com leis feitas para isso — o dinheiro público para a atividade empresarial privada”. Venturini cita uma série de empresários que se deram muito bem durante a ditadura militar, como o banqueiro Ângelo Calmon de Sá (ligado a Antonio Carlos Magalhães, diga-se) e Paulo Maluf (empresário que foi prefeito biônico, ou seja, sem votos, de São Paulo). Na outra ponta, apenas dois empresários se deram muito mal com o golpe de 64: Mário Wallace Simonsen, um dos maiores exportadores de café, dono da Panair e da TV Excelsior; e Fernando Gasparian. Ambos eram nacionalistas e legalistas. A Excelsior, aliás, foi a única emissora que chamou a “Revolução” dos militares de “golpe” em seu principal telejornal. A reportagem é de Luiz Carlos Azenha, publicada por Viomundo em  27/03/2014.


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