quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Boff apoia Francisco contra Messori

Apoio ao Papa Francisco contra seus detratores - Leonardo Boff: Carta Maior 30/12/2014

Está se articulando em várias partes do mundo, mas principalmente na Itália entre cardeais e pessoas da Cúria mas também entre grupos leigos conservadores, uma dura resistência e demolição da figura do Papa Francisco. Escondendo-se atrás de um escritor leigo famoso, convertido, Vittorio Messori, mostram seu mal-estar.

Assim foi com tristeza que li um artigo de Vittorio Messori, no Corriere della Sera de Milão com o titulo: "As opções de Francisco: dúvidas sobre a virada do Papa Francisco", de 24/12/2014. Esperou a véspera do Natal para atingir mais profundamente o Papa. O que lhe critica é especialmente a sua “imprevisibilidade que continua perturbando a tranquilidade do católico médio”. Ele admira a perspectiva linear “do amado Joseph Ratzinger”. E sob palavras piedosas instila insidiosamente muito veneno. E o faz, como confessa, em nome de muitos que não têm coragem de se expor.

Quero propor um contraponto às dúvidas de Messori. Este não percebe os novos sinais dos tempos trazidos por Francisco de Roma. Ademais demonstra três insuficiências: duas de natureza teológica e uma de interpretação da relevância da Igreja do Terceiro Mundo.

Ele se escandalizou com a “imprevisibilidade” deste Pastor “que continua perturbando a tranquilidade do católico médio”. Há de se perguntar pela qualidade da fé deste “católico médio” que sente dificuldade de entender um pastor que tem “odor de ovelhas” e anuncia “a alegria do evangelho”. São geralmente católicos culturais, habituados à figura faraônica de um Papa com todos os símbolos do poder dos imperadores romanos pagãos. Agora comparece um Papa “franciscano” que confere centralidade aos pobres, não “veste Prada”, critica corajosamente o sistema econômico que produz tantos pobres no mundo, que abre a Igreja a todos os seres humanos sem julgá-los, mas acolhendo-os no espírito que ele chamou de “revolução da ternura”, falando aos bispos latino-americanos.

Há um notável vazio no pensamento de Messori. Estas são as duas insuficiências teológicas: a quase ausência do Espírito Santo e o cristomonismo (continua).


O texto de Vittorio Messori, no original italiano, pode ser lido no Corriere della Sera - 24 dicembre 2014: Le scelte di Francesco: I dubbi sulla svolta di Papa Francesco.


Leia o texto de Leonardo Boff, se preferir, em espanhol, em Religión Digital, de 30/12/2014:

Apoyo al Papa frente a un escritor nostálgico, Vittorio Messori

He leído con un poco de tristeza el artículo crítico de Vittorio Messori en el Corriere della Sera precisamente en el día menos adecuado: la noche feliz de Navidad, fiesta de luz y alegría: "Las opciones de Francisco: las dudas sobre el rumbo del Papa Francisco".

El autor ha intentado dañar esta alegría del buen pastor de Roma y del mundo, el Papa Francisco. Pero en vano, porque no conoce el sentido de misericordia y de espiritualidad de este Papa, virtud que seguramente no demuestra Messori. El uso que él hace de las palabras compasión y comprensión, llevan por dentro veneno. Y lo hace en nombre de muchos otros que se esconden tras él y no tienen el coraje de aparecer en público.

Me propongo hacer otra lectura de Papa Francisco, como contrapunto a la de Messori, un converso que, en mi opinión, todavía debe llevar a término su conversión con la recepción del Espíritu Santo, para que no vuelva a decir las cosas que ha escrito...


:. Sobre Vittorio Messori

:. Sobre Leonardo Boff

:. Sobre Francisco

domingo, 28 de dezembro de 2014

Jesus não nasceu em 25 de dezembro?

Esta pergunta sempre retorna nesta época do ano. Já escrevi sobre isto no blog. Recomendo:

Por que o Natal é celebrado em 25 de dezembro? - Observatório Bíblico - 18 de dezembro de 2011

Há também, em minha página, enquetes sobre o nascimento e morte de Jesus.

E acrescento mais um texto, deste ano:

Why is Christmas on Dec. 25? (It wasn’t always.) - Valerie Strauss: The Washington Post - 24 de dezembro de 2014

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Frase do dia - 23.12.2014

A cruzada contra a corrupção pode conter na sua origem a própria corrupção.

Armando Boito Jr., Quem é contra a corrupção?


Leia Mais:
A condenação moral da corrupção não basta I
A condenação moral da corrupção não basta II

Lançada a versão beta do Kaiana

A equipe de desenvolvimento do projeto União Livre acaba de anunciar, agora, em dezembro de 2014, a liberação da versão beta do Kaiana, distro brasileira.

Leia: Lançamento do Kaiana versão Beta e o Projeto União Livre no ano de 2014.

Clique aqui e faça o download.


Leia Mais:
Kaiana, distro brasileira, começa a tomar forma
Kaiana

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Frase do dia - 18.12.2014

Anunciado ontem, o reatamento de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba tem uma utilidade suplementar no Brasil: coloca em seu devido lugar o anti-comunismo primitivo que fez uma grande aparição na última campanha presidencial. 

Paulo Moreira Leite, A vitória dos bons princípios.


Leia Mais:
Usa-Cuba, Bergoglio in prima linea per tessere la tela del dialogo - Andrea Tornielli: Vatican Insider 18/12/2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Como o Linux funciona?

Um livro para o usuário com alguma experiência que gosta de saber porque o Linux faz as coisas que faz e como as faz.

WARD, B. How Linux Works: What Every Superuser Should Know. 2. ed. San Francisco: No Starch Press, 2014, 392 p. - ISBN 9781593275679. Edição para Kindle aqui.

(...) How Linux Works deals less with practical day-to-day issues and deals more with what the operating system is doing under the surface while we are using it. While other texts talk about creating files or scanning through logs, How Linux Works deals with the methods programs use to talk to the Linux kernel and how files are organized and located on the hard drive. Other books discuss setting up permissions on files and directories, How Linux Works shows us how permissions are implemented. Recently we've been hearing debates over different types of init software, How Linux Works discusses how each init implementation works and goes over the benefits and drawbacks of each one.

Brian Ward's book is for a specific sort of person, someone that is less interested in what their operating system does and more interested in why. Why is accessing swap space slow? What do inodes do and why do we have them? How do threads work? What goes on behind the scenes when the kernel is scheduling processes? Why do we need a boot loader to bring the operating system on-line? All good questions curious people want answers to and Ward has those answers (and many, many more).

Something I like about How Linux Works is there is a certain abstract approach to the text. There are relatively few practical examples or tutorials on display, most of the book is focused on explaining what goes on in the background when we do certain things (...) Admittedly, if you are new to Linux and trying to figure out web browsing and package management, then this book is probably going to provide more information than you want to digest right now. However, if you are curious as to how Linux (and similar operating systems) do the things they do, if you want to know (in gritty detail) how the pieces of your operating system fit together, then How Linux Works will answer your questions in clear, concise terms. (da resenha publicada por Jesse Smith em DistroWatch - 15/12/2014)


Diz o autor Brian Ward no prefácio do livro:
I wrote this book because I believe you should be able to learn what your computer does. You should be able to make your software do what you want it to do (within the reasonable limits of its capabilities, of course). The key to attaining this power lies in understanding the fundamentals of what the software does and how it works, and that’s what this book is all about. You should never have to fight with a computer.

Linux is a great platform for learning because it doesn’t try to hide anything from you. In particular, most system configuration can be found in plaintext files that are easy enough to read. The only tricky part is figuring out which parts are responsible for what and how it all fits together (...)

Although Linux is beloved by programmers, you do not need to be a programmer to read this book; you need only basic computer-user knowledge. That is, you should be able to bumble around a GUI (especially the installer and settings interface for a Linux distribution) and know what files and directories (folders) are. You should also be prepared to check additional documentation on your system and on the Web. As mentioned earlier, the most important thing you need is to be ready and willing to play around with your computer.

Sobre as duas edições do livro:
A primeira edição é de 2004, e sobre as novidades da segunda, publicada agora em novembro de 2014, diz o autor:  I have omitted some older and perhaps less relevant material... Of course, so much of the original subject matter in this book has changed over the years, and I’ve taken pains to sort through the material in the first edition in search of updates... I’ve also omitted some of the historical information that was in the first edition, primarily to keep you focused.

Quem é Brian Ward?
Brian Ward has been working with Linux since 1993. He has a Ph.D. in computer science from the University of Chicago, and currently works in San Francisco as a consultant and instructor.



Leia Mais:
Lista de etimologias de termos usados em computação
TI - post publicados no blog

sábado, 13 de dezembro de 2014

Descalço sobre a Terra Vermelha

A partir de hoje, 13 de dezembro, às 21h30, a TV Brasil apresenta a minissérie Descalço sobre a Terra Vermelha.

Em três episódios com 52 minutos, a produção conta a trajetória de vida do bispo emérito de São Félix do Araguaia, o catalão Dom Pedro Casaldáliga. O religioso é uma figura emblemática, tanto na Espanha quanto no Brasil, por sua incansável luta em favor dos desfavorecidos da região do Mato Grosso, no Centro-Oeste brasileiro.

Baseada na obra homônima de autoria do escritor Francesc Escribano, a série narra a relevante atuação do religioso – seja em conflitos entre latifundiários no Mato Grosso, contra o regime militar e lutando contra a miséria e opressão da população local – de forma delicada e profunda. Dirigida pelo cineasta catalão Oriol Ferrer, a obra é resultado da coprodução entre a TV Brasil, a espanhola TVE, a catalã TV3, a brasileira Raiz Produções e a Minoria Absoluta, produtora espanhola.

Três episódios de 52 minutos cada, nos dias 13, 20 e 27/12/2014, às 21h30, na TV Brasil.


Leia Mais:
Francesc Escribano fala sobre a série “Descalço sobre a Terra Vermelha”
Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga

A condenação moral da corrupção não basta II

>> Continuação de A condenação moral da corrupção não basta I

Um procedimento recorrente nos estudos da corrupção é a concentração da atenção no comportamento dos funcionários do Estado que se desviam de suas funções. Essa abordagem do problema tem suas raízes na maneira como a lei brasileira caracteriza a prática da corrupção, mas conserva também as marcas de uma abordagem teórica, que privilegia o estudo dos desvios daqueles que estão diretamente ligados à máquina de Estado e à aplicação de suas determinações como inerente à constituição do objeto de estudo que deve interessar aos cientistas políticos. Embora esse seja um aspecto fundamental do problema, tem se revelado inadequado. Se não podemos descurar das práticas dos funcionários de Estado, a esfera pública e suas interfaces com a esfera dos interesses privados têm se mostrado um terreno bem mais complexo do que aquele sugerido por algumas análises correntes. É claro que a presença de funcionários públicos nos escândalos políticos não pode ser descurada, mas com alguma frequência ela é apenas a ponta de um processo que transcende não apenas os limites do serviço público, mas também as fronteiras dos Estados. Prestar atenção à dimensão pública da corrupção pode levar a obscurecer o fato de que ela afeta igualmente os domínios privados. O funcionário corrupto é apenas uma parte de uma engrenagem que envolve atores privados, que representam interesses econômicos ou políticos que não são explicitados na esfera pública.

Há um senso comum recorrente que associa o fenômeno da corrupção à própria identidade do brasileiro. Por essa visão, o Brasil seria inevitável e definitivamente corrupto devido a certos valores e práticas que, presentes desde a origem, tornaram-se parte de seu caráter e de seu jeito de ser. Tal explicação, além de incorporar uma boa dose de preconceito, essencializa a história e simplifica ao atribuir uma sobrecarga explicativa à cultura, em detrimento de suas articulações variadas com outras dimensões da vida social. Uma coisa é reconhecer que na formação do Estado nacional e na constituição de nosso regime republicano houve escassos valores públicos e forte privatismo, ambígua situação legal e baixa adesão a procedimentos impessoais. Outra é deixar de reconhecer a variação histórica dos padrões de corrupção, de sua intensidade, generalidade e profundidade, segundo as várias fases do desenvolvimento econômico e democrático do país. Uma coisa é identificar sentimentos de conformismo, na cultura das elites e na cultura popular, em relação ao fenômeno da corrupção. Outra é deixar de lado, desvalorizar as atitudes e movimentos de opinião pública que expressam a revolta contra a reiteração dos fenômenos da corrupção. Enfim, a explicação tautológica que o Brasil é corrupto em função de sua identidade quase prescinde de refletir teoricamente e estudar empiricamente o fenômeno da corrupção. Não deixa de ser, apesar da crítica aparente, uma forma de se conformar à sua realidade.

Uma das tarefas à qual o livro pretende se dedicar é a de oferecer um conjunto de reflexões e estudos que alarguem a compreensão do fenômeno da corrupção para além das fronteiras que lhe são assinaladas pelos procedimentos analíticos aos quais nos referimos. Para isso, deixamos de lado o estudo direto dos casos recentes de corrupção, que foram muito explorados tanto pelos meios de comunicação quanto pelos estudiosos da vida pública, para tentar oferecer ao leitor as ferramentas necessárias para uma abordagem que junta ao estudo do presente o de suas raízes históricas e culturais. Isso não quer dizer que o livro não pretenda realizar uma contribuição ao processo de combate à corrupção: ele pretende mostrar quais são os fundamentos culturais e históricos que determinaram uma trajetória que, muito provavelmente, está chegando ao seu final. Ele também aponta com muita clareza qual é o elemento ou o conceito-chave para a superação da corrupção: o resgate do conceito de interesse público (...).

 A primeira seção do livro está voltada para as diversas teorias da corrupção. O ponto de partida é a investigação do pensamento de autores que desde a Antiguidade se dedicaram a estudar o problema (...) Na segunda seção estão reunidos estudos que dizem respeito à história brasileira e à cultura. No que se refere à história da corrupção no Brasil, os organizadores fizeram a opção por um conjunto pequeno, mas significativo, de ensaios e verbetes. Os ensaios sobre Brasil colonial, Brasil imperial e Brasil republicano têm o objetivo de dar uma perspectiva histórica sobre como a corrupção emergiu e foi tratada ou ignorada em todos estes períodos (...) Na última seção aparecem as análises de temas, problemas de atualidade e instituições que são imprescindíveis no combate à corrupção (...)

Não temos nenhuma dúvida de que, sob o ponto de vista do tratamento institucional da corrupção, o país passou por avanços significativos. No entanto, do ponto de vista da percepção do cidadão, o Brasil enfrenta um dilema: quanto mais a corrupção é combatida, mais ela é noticiada, e quanto mais ela é noticiada, maior é a sua percepção. Do ponto de vista do cidadão, o combate à corrupção gera a aparência de uma maior presença desta na vida administrativa do país. O objetivo deste livro é oferecer ao leitor um instrumental capaz de situá-lo no longo percurso de combate à corrupção nas democracias ocidentais e no Brasil. Esperamos que cada leitor se aproprie dele a partir da pluralidade de perspectivas inerente a um fenômeno que desperta mais paixões que qualquer outro na política brasileira contemporânea.

Participam do livro: Sérgio Cardoso, Helton Adverse, Marilena Chauí, Renato Janine Ribeiro, Cícero Araújo, Marcelo Santus Jasmin, Jessé Souza, Álvaro de Vita, Newton Bignotto, Juarez Guimarães, André Macedo Duarte, Wanderley Guilherme dos Santos, Leonardo Avritzer, Olgária Chain Féres Matos, Fernando Filgueiras, João Feres Júnior, Rubens Goyatá, José Maurício Domingues, Carlos Antônio Leite Brandão, Luciano Raposo Figueiredo, Evaldo Cabral de Mello, Lilia Moritz Schwarcz, José Murilo de Carvalho, Rodrigo Patto Sá Motta, Heloisa Maria Murgel Starling, Isabel Lustosa, Ram Mandil, Rosangela Patriota, Alcides Freire Ramos, Marcela Telles Elian Lima, Myrian Sepúlveda dos Santos, Maria Rita Kehl, Fátima Anastasia, Luciana Santana, Carlos Ranulfo Melo, André Marenco, Fábio Wanderley Reis, Cláudio Beato, Luiz Eduardo Soares, Jean Hébette, Raul da Silva Navegantes, Marlise Matos, Regis Moraes, Cristina Zurbriggen, Celi Regina Jardim Pinto,  Antônio César Bocheneck, Alberto Olvera, Enrique Peruzzotti, Francisco Gaetani, Aline Soares, Aaron Schneider, Venício A. de Lima, Rubem Barboza Filho, Maria Tereza Sadek, Bruno Speck, Marcelo Barros Gomes, Ricardo de Melo Araújo, Mário Spinelli, Vânia Vieira e  Ludovico Feoli.

A condenação moral da corrupção não basta I

Quando as dimensões concretas da sociedade não são levadas em conta, as questões políticas sofrem uma redução de seu conteúdo, perdendo sua autonomia. São consideradas de maneira abstrata, conduzidas ao espaço da ética, restritivamente, e resolvidas no moralismo.

Estive lendo AVRITZER, L. et alii (orgs.) Corrupção: ensaios e críticas. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012, 503 p. - ISBN 9788570419651.

E acho que há aqui muitas coisas proveitosas nestes dias em que a palavra mais ouvida no Brasil é "corrupção".

Esta obra, escrita especialmente por professores das áreas de ciências políticas e sociais, história, filosofia e direito, foi publicada pela primeira vez em 2008, reeditada em 2012, e é organizada por Leonardo Avritzer, Newton Bignotto, Juarez Guimarães e Heloisa Maria Murgel Starling.

Alguns trechos da introdução clareiam o objetivo e a importância dos mais de 60 ensaios que compõem o livro. O assunto foi aqui dividido em duas postagens, I e II. Algumas coisas podem ser vistas aqui.

A corrupção é hoje um tema central para todos os que se preocupam com os destinos das democracias ocidentais. Fenômeno recorrente na história de muitas nações, na América Latina, ele tem se mostrado resistente às mudanças institucionais, que contribuíram para que a vida pública de alguns países pudesse ser regida por parâmetros democráticos cuja ausência foi uma das responsáveis pela extensão das práticas corruptas a amplas esferas da vida pública ao longo do século 20. A história recente brasileira, particularmente depois da Constituição de 1988, mostra que a redemocratização do país tornou visíveis fatos que antes não chegavam ao conhecimento da opinião pública, mas não evitou que o fenômeno se repetisse. Dos escândalos do Governo Collor aos acontecimentos mais recentes envolvendo membros dos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva [e Dilma Rousseff - acréscimo meu], as evidências de que a corrupção está longe de ser um acontecimento marginal no interior da vida pública se acumulam. Essa constatação povoa as páginas dos jornais, a cada vez que surgem fatos incriminadores envolvendo personagens centrais da República, mas não gera necessariamente uma melhor compreensão de seus efeitos e de suas raízes. À justa indignação contra aqueles que são responsáveis pelos atos corruptos, segue-se com frequência uma condenação moral que, embora essencial, não dá conta de toda a complexidade do fenômeno. Uma das ambições deste livro é fornecer para o leitor um conjunto de referências que, sem negar a pertinência das abordagens morais e sem recusar a indignação como uma manifestação política legítima, permita avançar na compreensão de algo que faz parte da longa história política do Ocidente e resiste a toda análise unilateral de suas determinações.

Com muita frequência, a corrupção é abordada pelos meios de comunicação, e por cientistas sociais, por intermédio de índices que medem a “percepção da corrupção” pela população. Tais índices revelam a importância concedida a fenômenos que possuem um peso negativo na avaliação geral das políticas públicas. Eles apontam para o fato de que a população em geral não apenas tem consciência do fenômeno, mas se preocupa com seus efeitos sobre suas vidas. Não podemos, entretanto, esquecer que eles aferem a percepção, mas não servem para esclarecer os mecanismos internos aos processos aludidos. Um segundo instrumento recorrente nas análises da corrupção são os estudos realizados por institutos, os quais classificam os países segundo uma tabela que permite a comparação entre experiências distribuídas por todos os continentes. Nesse caso, o que se torna patente é o caráter internacional da corrupção e o fato de que é possível tanto concordar com um diagnóstico da situação de uma dada nação que leve em conta parâmetros partilháveis com outros países, quanto instituir práticas de controle, cuja eficácia pode ser medida por meio das mesmas referências que servem para fixar o diagnóstico.

As duas fontes anteriormente citadas nos ajudam a aquilatar a importância do problema da corrupção, sobretudo quando pensamos numa avaliação de políticas públicas e das instituições estatais concernidas. Elas possuem, no entanto, algumas limitações que devem ser levadas em conta. A primeira delas é que, para chegar a resultados mensuráveis, elas deixam de lado a grande complexidade do fenômeno estudado. A corrupção existe tanto em países democráticos quanto em países não democráticos, assim como em países com ampla liberdade de imprensa e em países com quase nenhuma liberdade de opinião. Evidentemente, a existência de instituições democráticas e a revelação da corrupção estão profundamente associadas, e não é possível avaliar comparativamente o fenômeno sem levar em conta a maior ou menor possibilidade de percebê-lo. Tal constatação nos permite entender um pouco melhor onde situar o Brasil em uma perspectiva comparada: trata-se de um dos países que tem mudado fortemente os comportamentos públicos e privados em relação à corrupção. No que diz respeito a comportamentos públicos, todos esses atos fazem com que a opinião pública volte seus olhos para as práticas dos funcionários de Estado.

>> Continua em A condenação moral da corrupção não basta II

Uma história de Israel baseada na Bíblia fracassa

Estive lendo a introdução do livro de LEMCHE, N. P. Changing Perspectives 3: Biblical Studies and the Failure of History. New York: Routledge, 2013, 352 p. - ISBN 9781781790175 - Ebook Kindle na Amazon do Brasil.

Os 21 capítulos deste livro de Niels Peter Lemche retomam textos publicados em revistas e obras coletivas entre 1974 e 2003. Estão em ordem cronológica.

A introdução é de John Van Seters. E começa assim:

The author of the collection of essays in this third volume of the Changing Perspectives series is widely known as the founder of the ‘Copenhagen School,’ a term that has become synonymous with rather radical and ‘minimalist’ views to many in biblical scholarship, especially in North America, and often without any clear idea about Lemche’s contributions to scholarship. Niels Peter Lemche conducted his theological studies and graduate research at the University of Copenhagen during the period of 1964 to 1978, and from there he had his first teaching appointment at the University of Aarhus, during 1978 to 1986. It was there that he published his very important doctoral thesis, Early Israel: Anthropological and Historical Studi­es on the Israelite Society before the Monarchy (in Danish, 1984, and English, 1985), and shortly thereafter became Professor of Theology at the University of Copenhagen (1987), where he has remained even since. It was primarily through this work, Early Israel, with its strong emphasis on anthropological and sociological approaches to Israelite history, that he became known to the English-speaking world of scholarship.

I wish to call special attention to this period of the mid-1980s because in the chapters that follow in this collection, this time period constitutes a significant divide between the first six, which would appear to most scholars as rather conservative in method and conclusions, and the rest, which reflect the various themes for which he is now famous [sublinhado meu]. In this way this division reflects Lemche’s own ‘change in perspective’ and the fact that during this early period in his career he was fully conversant with all of the biblical scholarship that was associated with the pre-monarchical origins of ‘early Israel’ and the possibility of Late Bronze Age traditions being reflected in biblical texts. The fact is that because of the prevailing trend in biblical scholarship during the 1960s and 1970s, it was expected that one have expertise in Akkadian and Ugaritic, in addition to the biblical languages, as well as a command of the history and civilization of the Near East back to the third millennium, and this is reflected very well in these opening articles, in which he is a master of this material. It is to this first group of articles that we will now turn.


Para ler toda a introdução clique, na página da Routledge, em View Inside this Book.

Sobre o livro, diz a editora:
Until the 1970s biblical studies belonged to the historical-critical school and had reached a point where all problems were believed to have been solved. Then all assumptions began to be turned on their head. Previously, historical studies constituted the backbone of biblical studies; now, every aspect of biblical history began to be questioned. The idea of the Old Testament as a source of historical information was replaced by an understanding of the texts as a means for early Jewish society to interpret its past. Biblical Studies and the Failure of History brings together key essays which reflect the trajectory of this scholarly shift in order to illuminate the state of biblical studies today. The early essays present historical-critical studies tracing historical information. Further essays employ a more critical and interpretive perspective to examine seminal issues ranging from the Hellenistic contexts of biblical tradition to the functioning of Old Testament society.


Sobre Niels Peter Lemche, cf. aqui e aqui.

Sobre John Van Seters, cf. aqui e aqui.

Um aviso: alguns livros publicados pela Equinox foram para a Acumen em 2012. Estes livros estão agora na Routledge, que adquiriu a Acumen. É o caso dos estudos bíblicos.

Some books previously published by Equinox moved to Acumen Publishing in late 2012 as part of a demerger. Books affected by this  now reside with Routledge following their acquisition of Acumen.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Devair, meu colega no CEARP, foi nomeado bispo

Devair Araújo da Fonseca, da diocese de Franca, SP, foi nomeado hoje bispo auxiliar de São Paulo.

Devair foi meu aluno no CEARP, onde fez a graduação em Teologia. Mestre em Teologia Dogmática pela Gregoriana, Roma, foi, nos últimos anos, meu colega no CEARP, onde lecionava disciplinas de sua área na Faculdade de Teologia.

Parabéns, Devair.

Quatrocentos não é pouco, um é muito

Eles eram 400 nas ruas de São Paulo, no primeiro sábado de dezembro de 2014, pedindo intervenção militar. Quatrocentos não é pouco. Um é muito.

Quando escuto brasileiros fazendo manifestação pela volta da ditadura, penso que eles não podem saber o que estão dizendo. Quem sabe, não diz. Mas esse primeiro pensamento é uma mistura de arrogância e de ingenuidade. O mais provável é que uma parte significativa desses homens e mulheres que têm se manifestado nas ruas desde o final das eleições, orgulhosos de sua falta de pudor, peçam a volta dos militares ao poder exatamente porque sabem o que dizem. Mas talvez seja preciso manter não a arrogância, mas a ingenuidade de acreditar que não sabem, porque quem sabe não diria, não poderia dizer. Não seria capaz, não ousaria. É para estes, os que desconhecem o seu dizer, estes, que talvez nem existam, que amplio aqui a voz das crianças torturadas, de várias maneiras, pela ditadura.

Crianças. Torturadas. De várias maneiras.

Leia: Aos que defendem a volta da ditadura - Eliane Brum: El País 08/12/2014


Sobre o livro Infância Roubada

O livro Infância Roubada: Crianças atingidas pela Ditadura Militar no Brasil  é resultado do ciclo de audiências “Verdade e Infância Roubada”, realizada pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” entre 6 e 20 de maio de 2013. Na ocasião, foram ouvidos cerca de 40 testemunhos de filhos de presos políticos, perseguidos e desaparecidos da ditadura. Hoje, adultos na faixa de 40, 50 anos, cujas histórias ainda não haviam sido contadas. Os depoimentos foram marcados por lembranças da prisão, do exílio, do desamparo, de questionamentos em relação às suas identidades, de medo, insegurança, isolamento, solidão e vazio que, em muitos casos, são traumas não superados. Clique aqui e faça o download gratuito do livro.


Leia Mais:
Relatório final da CNV está na Internet
Brasil 2014: mais leituras sobre direita e golpismo
“As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”

Estudos Bíblicos na Digital Commons Network

Na Digital Commons Network estão disponíveis, hoje, para leitura online e download 2.843 textos completos de artigos na área bíblica. De 1.363 diferentes autores. Totalmente gratuitos. Clique aqui.

Biblical Studies Commons. Open Access. Powered by Scholars. Published by Universities. 2,843 Full-Text Articles. 1,363 Authors.

The Digital Commons Network provides free access to full-text scholarly articles and other research from hundreds of universities and colleges worldwide. Curated by university librarians and their supporting institutions, this dynamic research tool includes peer-reviewed journal articles, book chapters, dissertations, working papers, conference proceedings, and other original scholarly work.

Relatório final da CNV está na Internet

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), entregue hoje à Presidenta Dilma Rousseff, está disponível na Internet. O download pode ser feito aqui.

Diz a página da CNV:

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade foi entregue hoje em cerimônia oficial no Palácio do Planalto à presidenta Dilma Rousseff. Dividido em três volumes, o relatório é o resultado de dois anos e sete meses de trabalho da Comissão Nacional da Verdade, criada pela lei 12528/2011.

Instalada em maio de 2012, a CNV foi criada para apurar e esclarecer, indicando as circunstâncias e a autoria, as graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988 (o período entre as duas últimas constituições democráticas brasileiras) com o objetivo de efetivar o direito à memória e a verdade histórica e promover a reconciliação nacional.

Para isso, a CNV adotou preceitos internacionais e delimitou que as graves violações de direitos humanos são as cometidas por agentes do Estado, a seu serviço ou com a conivência/aquiescência estatal, contra cidadãos brasileiros ou estrangeiros.

São graves violações de direitos humanos: as prisões sem base legal, a tortura e as mortes dela decorrentes, as violências sexuais, as execuções e as ocultações de cadáveres e desaparecimentos forçados. Praticadas de forma massiva e sistemática contra a população, essas violações tornam-se crime contra a humanidade.

Ao longo de sua existência, os membros da CNV colheram 1121 depoimentos, 132 deles de agentes públicos, realizou 80 audiências e sessões públicas pelo país, percorrendo o Brasil de norte a sul, visitando 20 unidades da federação - somadas audiências, diligências e depoimentos (continua).


Leia Mais:
1964: leituras
1964: mais leituras

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Brasil 2014: mais leituras sobre direita e golpismo

Há uma vontade de desestabilização estratégica em curso que está forçando os seus espaços de legitimação para além da institucionalidade democrática e constitucional e que não será paralisada ou isolada por procedimentos ou acordos, escreve Juarez Guimarães em 09/12/2014.


::  Na CartaCapital

Brasil: ressaca eleitoral ou polarização política? - Deutsche Welle - 06/12/2014
Faixas "Fora, Dilma" e "Fora, comunistas" em meio a gritos de "Somos coxinhas". Assim, cerca de 500 manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff no fim de semana passado, em São Paulo. As manifestações de grupos de direita e esquerda têm se intensificado no país desde as eleições presidenciais. Em novembro, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fez uma marcha na Avenida Paulista contra o ato de eleitores anti-PT descontentes com o resultado das urnas. Mesmo diante da divisão política expressada nas ruas, especialistas argumentam que o Brasil não vive uma polarização nos moldes de Estados Unidos e Venezuela. A divisão, afirmam, é apenas passageira (...) "O país vive, na verdade, uma ressaca política depois de uma eleição muito apertada. As pessoas estão usando a palavra ‘polarização’ de uma maneira bastante equivocada", avalia Timothy Power, diretor do Programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford (...) Para Power, o descontentamento de uma pequena parte da população se concentra na escolha para presidente, por causa dos programas sociais criados pelos governos petistas desde 2002.

O PSDB vai se aproximar da extrema-direita? -  Renan Truffi -  27/11/2014
Para o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o PSDB deixou de ser um partido de centro-esquerda e está, cada vez mais, à direita no espectro político. “O PSDB saiu do centro para a direita de cabeça. É um partido que se originou nas modernas classes médias, representada em Mario Covas e o Fernando Henrique daquela época, que era um professor de Sociologia antenado com as questões urbanas", afirma. "Agora não. Virou um partido reacionário que flerta com essa extrema direita”, argumenta (...) Mas será que o caminho natural do PSDB é aglutinar essa nova classe ultraconservadora? “Tenho dúvidas que o PSDB vá abrigar essa extrema-direita, até pela reação que os seus membros começam a ter em relação a isso", afirma Couto. "O que eu sinto, entretanto, é que há uma juventude tucana flertando com a extrema-direita, tendo posições realmente muito conservadores a ponto de cultuar ideólogos ultraconservadores como esse que eu falei”, conclui o cientista político Claudio Couto. “Acho que há motivos para alguém ficar com a pulga atrás da orelha com essa migração do PSDB para uma posição mais à direita”.

A democracia em risco - Marcos Coimbra - 24/11/2014
O ano de 2014 caminha para terminar de forma preocupante na política. Não era para ser assim. Há menos de um mês, realizamos uma eleição geral na qual a população escolheu o presidente da República, os governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, um terço do Senado, a totalidade da Câmara dos Deputados e das Assembleias estaduais. Mesmo em democracias consolidadas, momentos como aquele, em que todos são convocados a participar diretamente das grandes escolhas de um país, são esporádicos e precisam ser respeitados e valorizados (...) Em quase tudo, o Brasil mostrou-se capaz de igualar ou superar as mais sólidas democracias na capacidade de fazer eleições legítimas. Menos no comportamento de parte das oposições à direita. Ao contrário do eleitorado e das instituições, reagiram de forma arcaica e atrasada aos resultados. Desde a hora em que ficou clara a derrota, insurgiram-se. Seu inconformismo em aceitar o simples fato de não contarem com o apoio da maioria da sociedade o levou a posições descabidas (...) Essa mistura canhestra de preconceitos, invencionices jurídicas e péssima aritmética seria apenas cômica se não fosse trágica. Se não tivesse o apoio da mídia hegemônica conservadora e se não tivesse contraparte na ação de segmentos autoritários espalhados na sociedade e incrustada em nichos da máquina pública, em especial no Judiciário e no Ministério Público. Mundo afora, existem e procuram impor-se correntes de opinião antidemocráticas e intolerantes. Neonazistas assombram a Europa, os Estados Unidos não conseguem se livrar dos supremacistas brancos, em muitos lugares o antissemitismo permanece vivo e perigoso. Lamentavelmente, o Brasil tem radicais de extrema-direita, a espalhar seus ódios e preconceitos. Um anticomunismo ridículo e a saudade da ditadura os identificam. Agora se acham no direito de questionar a eleição. O PSDB precisa refletir a respeito de quem pretende representar. Fazer o têm feito e falar o que têm falado algumas de suas lideranças apenas serve para açular os ultraconservadores.

Guilherme Boulos: “A elite brasileira é atrasadíssima e semeia o ódio” - Renan Truffi - 15/11/2014 
À frente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos tem se firmado como uma nova liderança social no País. Nesta quinta-feira 13, Boulos foi responsável por uma passeata que reuniu pelo menos 10 mil pessoas, segundo a PM, na região central de São Paulo, durante três horas e sob forte chuva. A manifestação tinha o objetivo de “enfrentar a direita atrasada” e, ao mesmo tempo, deixar um recado para o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT): se a próxima gestão petista não for voltada para reformas populares, como prometido nas urnas, o MTST não vai sair das ruas. “É preocupante que os primeiros sinais da presidenta [Dilma] não tenham sido esses [de que o governo será progressista]", afirma. "Esse ato também tem o sentido de dar o recado que o povo vai lutar nas ruas pelo programa que foi eleito nas urnas”. Ao mesmo tempo, diz o líder do MTST, o ato foi um recado à direita conservadora. “[Há] um ranço de classe, de uma elite, de uma burguesia, que nunca aprendeu a conviver com o povo, uma elite que sequer admitiu a abolição da escravatura", afirma Bouolos. "Então, para eles, falar de Bolsa Família é revolução socialista, falar de investimentos sociais é algo inaceitável", diz. Segundo Boulos, o povo vai dar uma "resposta à altura, defendendo as reformas populares”. Leia a íntegra da entrevista, feita antes da manifestação.


:: No Brasil 24/7

PSDB radicaliza e se reinventa à direita - Breno Altman - 09/12/2014
Não são poucos aqueles que tratam de classificar como doidivanas o atual comportamento da oposição conservadora. O senador Aécio Neves e seus seguidores são vistos, por observadores de distintas origens, como se estivessem fora da casinha. A trupe pode ser acusada de representar os mais reacionários interesses políticos e de classe. Também resplandece o caráter antidemocrático e adverso à soberania popular de suas aleivosias. Mas não é um bando de loucos. Animados pela forte polarização da campanha eleitoral, oposicionistas de barricada estão rasgando fantasias e disputando a sociedade com um discurso sem maquiagem. Deram-se conta que parte importante do país, da qual brotam votos e apoios à coalizão política chefiada pelo PSDB, não deseja mais orbitar no campo de gravidade do centro político, cenário que se impôs desde a transição pactuada da ditadura para a democracia. Este setor quer ver suas aspirações, ideias, valores e emoções defendidos sem rapapés. Constitui-se de frações políticas e sociais que estão desembarcando da normalização implícita aos regimes democráticos liberais. Sua atitude passou a ter novos paradigmas, baseados em confrontação programática, ocupação de espaços públicos, tensão institucional e mobilização militante. Relevantes meios de comunicação funcionam como banda de música desta dança conservadora, além de fornecer bardos e menestréis para o minueto. São as vias de reinvenção da direita brasileira.

PML: a quem interessa a palavra impeachment? -  Paulo Moreira Leite - 09/12/2014
O jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília, questiona o uso da palavra 'impeachment' no noticiário sobre as manobras da oposição, em sintonia com parcela do Judiciário e dos meios de comunicação, para tratar das dificuldades que cercam o segundo governo Dilma. "Em primeiro lugar, impeachment é uma forma democrática de um país declarar o impedimento de um presidente que, acusado gravemente numa investigação criminal, tornou-se incapaz de responder pelas responsabilidades de governar", diz ele. "Não é isso o que assistimos no Brasil de hoje: temos uma oposição que faz ensaios para um golpe de Estado, mascarado pelo apoio de uma parcela do Judiciário e dos meios de comunicação, na esperança de dar ares de legalidade a uma infâmia." O efeito do uso abusivo da expressão, diz ele, é o desgaste de Dilma. "Nesta circunstância, a palavra impeachment tem um único efeito: enfraquecer uma presidenta que se movimenta para dar novas bases ao segundo mandato", afirma. "Num bolivarianismo ao contrário, a oposição tenta ir às massas na tentativa de construir uma base social para um jogo sujo. Encontra o vazio político, que é produto da  aprovação do governo, que permanece em patamares vergonhosamente altos para seus adversários. Enquanto gatos pingados carregam cartazes que pedem intervenção militar, 66% da população confirma seu apego a democracia". Segundo PML, é preciso tratar as coisas como elas são. "O golpismo de 2014, que se inspira em 1964 e 1954, deve ser repudiado como aquilo que é: um ataque a democracia, que prefere entregar o país à treva em vez de respeitar a vontade da maioria."

Se o golpe no TSE vingasse, todos perderiam - Eduardo Guimarães - 09/12/2014
Já que os fatos finalmente estão mostrando que jamais foi “alarmismo” denunciar (com muita antecedência) que a análise das contas de campanha de Dilma pela Justiça Eleitoral iriam produzir os devaneios golpistas que estão produzindo, pulemos a parte do “eu avisei” para a parte sobre “o que fazer”, que, no frigir dos ovos, é o que interessa a todos (...) Como se sabe, Lula já está se preparando para enfrentar um golpe no TSE que ainda há quem diga que é delírio (...) Suponhamos, agora, que, no TSE, os ministros João Otávio Noronha, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli cumpram o script e, por maioria de quatro a três, rejeitem as contas de campanha de Dilma (...) Nesse momento, o PT estaria recorrendo ao STF contra a decisão do TSE (...) Com a hipotética derrota também no STF, Dilma perderia o mandato e novas eleições seriam convocadas. O país, nesse momento, estaria conflagrado e afundando economicamente. A radicalização de parte a parte racharia a sociedade, o eleitorado. Com Dilma impedida, Lula se candidataria, a menos que prevalecesse a sugestão do Reinaldo Azevedo e o PT fosse colocado na ilegalidade, em pleno século XXI. Como aí já é demais, pois seria a volta da ditadura militar, suponhamos que Lula não seria preso e o PT não seria posto na ilegalidade. Assim, com o país conflagrado, a economia afundando, Aécio Neves e Lula disputariam uma nova eleição. O mais provável é que Lula venceria, mas mesmo se perdesse e Aécio fosse eleito, ele receberia um país conflagrado e uma oposição tão feroz quanto a que está comandando. Será que vale a pena herdar um governo assim? Será que vale a pena atirar o país em tal buraco achando que não será cobrado pelo que os brasileiros vierem a passar? Só o que já se pode garantir é que, até lá – e até o país se recuperar disso tudo –, você, cidadão comum que odeia o PT, se não for ligado a políticos provavelmente estaria desempregado e com a vida virada de cabeça para baixo. E é possível garantir que a mídia e o PSDB não resolveriam os seus problemas pessoais só por você odiar o PT. A pergunta que fica, pois, é a seguinte: vale a pena correr tal risco só por marra da oposição e da mídia, só porque não querem aceitar uma derrota nas urnas e esperar a próxima eleição? Você tem certeza de que é isso o que quer? Vale a pena afundar um país só por birra? Você, que apoia essa aventura, tem certeza de que sabe o que está fazendo?

Lula organiza reação ao golpe contra Dilma - Tereza Cruvinel - 08/12/2014
Está em curso uma escalada política para sangrar a presidente Dilma, buscando condições para um eventual impeachment, desconstruir a imagem mítica do ex-presidente Lula, para inviabilizar sua eventual candidatura a presidente em 2018, e ferir de morte o PT.  Estão tentando realizar o que Jorge Bornhausen pregou em 2005, quando disse que era preciso “acabar com esta raça”, tem dito o ex-presidente aos mais próximos (...) Diante de todos os sinais de que a ofensiva de agora tem elementos mais corrosivos dos que os utilizados em 2005, Lula e o comando petista decidiram fazer em Brasília, na quarta-feira, um ato político de resposta, de denúncia e mobilização da militância para a conjuntura difícil que está se desenhando.

E se o Nassif tiver razão? - Miguel do Rosário - 08/12/2014
Há semanas que o blogueiro Luis Nassif, em geral um analista moderado e pacato, como convêm a um bom mineiro, tem martelado que a escolha de Gilmar Mendes para relatar as contas de campanha de Dilma Rousseff, não foi uma coincidência. Aliás, duas coincidências: Gilmar foi “sorteado” para relatar as contas da campanha de Dilma e também do PT. Reza a lenda que o raio da tempestade não cai jamais no mesmo lugar. Não foi o caso desta vez. O raio caiu três vezes no mesmo lugar. Gilmar foi sorteado para relatar as contas de Dilma. Gilmar foi sorteado para relatar as contas do PT. Gilmar foi sorteado para relatar a interpelação que o PT decidiu fazer contra Aécio Neves, quando este disse que perdeu as eleições para uma “organização criminosa”. Nassif especulou, com base na sua intuição mineira e quiçá em alguma informação mais sólida, que Toffoli entrou para o esquema da mídia e do golpe [Luis Nassif: Armado por Toffoli e Gilmar, já está em curso o golpe sem impeachment - 18/11/2014 e A ópera do impeachment perto do primeiro grand finale - 07/12/2014]. E por isso teria fraudado o processo de escolha do relator das contas de campanha da Dilma duas vezes: 1) ao não esperar a nomeação de um novo ministro do TSE, aproveitando-se da viagem da presidenta para fora do país; 2) manipulando o sorteio para escolher Gilmar Mendes. A teoria de conspiração de Nassif, apesar de irretocável, não fez muito sucesso. Eu mesmo não acreditei. Pois agora começo a acreditar.

Sobre a necessidade de se isolar o golpismo

Há uma vontade de desestabilização estratégica em curso que está forçando os seus espaços de legitimação para além da institucionalidade democrática e constitucional  e  que não será paralisada ou isolada  por procedimentos ou acordos.

Leia:

O PSDB virou um partido golpista? - Juarez Guimarães: Carta Maior 09/12/2014

Se for correto o juízo que se expõe e se documenta neste artigo, estamos diante do maior desafio posto à democracia brasileira desde que se completou a transição da ditadura militar através da aprovação da Constituição de 1988. A passagem do PSDB  de um partido que busca a maioria nas urnas para um partido golpista mexe com o centro do sistema partidário brasileiro, pelas forças que representa, organiza e mobiliza.

Quem é Juarez Guimarães?

domingo, 7 de dezembro de 2014

Observatório Bíblico: 9 anos online

Observatório Bíblico está comemorando hoje seu nono aniversário: foi criado no dia 7 de dezembro de 2005.

Até aqui 3198 postagens foram publicadas.

Observatório Bíblico celebrates today 9 years online.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Quando acordou, era tarde

Quando acordou, era tarde: encerrado o primeiro turno, perdeu a cidadela mineira, a rede de segurança contra qualquer tombo nas eleições presidenciais. No segundo turno, ou vencia as eleições nacionais ou seria varrido do mapa político... Até meia hora antes do anúncio da apuração, esteve na frente. De repente, tudo foi se desvanecendo, virando fumaça. Foi como se aos 90 minutos na final de uma Copa do Mundo o favorito levasse um gol contra. A dupla derrota deslocou-o do seu eixo... E Aécio, que  era bom em política, em conspiração mostrou-se um aprendiz. Só um amadorismo exemplar para explicar essa campanha carbonária para propor abertamente a guerra política... Ontem, ao declarar-se derrotado por uma “organização criminosa” Aécio abdicou definitivamente de Minas...

Como bom mineiro, recomendo aos interessados um brilhante texto de Luís Nassif, mineiro, sobre outro mineiro, Aécio...

O dia em que os santos protetores de Minas abandonaram Aécio - Luis Nassif Online: 01/12/2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Biblical Studies Carnival 105

Seleção de postagens dos biblioblogs em novembro de 2014.

The November Carnival: The SBL Annual Meeting Edition #SBLaar14, With a Twitter Twist

Trabalho feito por Jim West em seu biblioblog Zwinglius Redivivus.

O Congresso Anual da SBL foi realizado em San Diego, Califórnia, de 22 a 25 de novembro de 2014. Veja os Resumos / Abstracts dos trabalhos apresentados.

Lembrando: o Congresso Internacional da SBL de 2015 será em Buenos Aires, Argentina.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Há quem tenha medo que o medo acabe

Para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas. Os fantasmas vão morrer apenas quando morrer o medo, mas há quem tenha medo que o medo acabe.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Washington Post-ABC News no mês de outubro, 90% dos norte-americanos avaliaram o Isis como uma séria ameaça aos interesses vitais dos EUA.

A percepção de que o Isis representa uma “ameaça existencial” permitiu, por sua vez, que o presidente Barack Obama solicitasse ao Congresso o montante de 5,6 bilhões de dólares para o inicio de uma nova guerra liderada pelos EUA no Iraque e na Síria. Assim, a Síria poderá tornar-se o 14º país islâmico que as forças dos EUA já invadiram, ocuparam ou bombardearam, e em que os soldados norte-americanos mataram ou foram mortos desde 1980. São eles: Irã (1980, 1987-1988), Líbia (1981, 1986, 1989, 2011), Líbano (1983), Kuwait (1991), Iraque (1991-2011, 2014-), Somália (1992-1993, 2007-), Bósnia (1995), Arábia Saudita (1991, 1996), Afeganistão (1998, 2001-), Sudão (1998), Kosovo (1999), Iêmen (2000, 2002-), Paquistão (2004-).

Como se sabe, em todas essas operações militares ocorre, previamente ou posteriormente, a montagem de uma enorme infraestrutura de guerra. As estimativas de gastos giram em torno de 10 trilhões de dólares ao longo das últimas quatro décadas com o argumento de combater ameaças e promover estabilidade no Grande Oriente Médio (...) Sem dúvida que tudo isso faz parte da cultura do medo que sempre existiu nos EUA, é verdade, mas que se tornou onipresente e absoluto após o 11 de Setembro (...)

De certa forma, pode-se argumentar que não houve uma série de guerras no Grande Oriente Médio durante esse período de 40 anos, mas sim uma única e longa guerra, uma guerra sem fim. Supondo que o Estado islâmico seja derrotado, algo bastante provável, podemos ter certeza que de as campanhas militares seguirão seu curso. Assim como até pouco tempo atrás a Al Qaeda era a maior ameaça nunca vista anteriormente, novas ameaças, tão ou mais poderosas que o Isis, serão construídas e, provavelmente, teremos o 15º país islâmico a ser atacado, ou o retorno para algum campo de batalha de uma guerra considerada inacabada.


Leia o artigo de Reginaldo Nasser Guerra sem fim no Oriente Médio. Publicado na Revista Forum em 24/11/2014. Reproduzido em Carta Maior em 26/11/2014.


Reginaldo Nasser é professor do curso de Relações Internacionais da PUC-SP e do programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).

Leia Mais:
Oriente Médio

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenhas na RBL: 14.11.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ian Boxall
Patmos in the Reception History of the Apocalypse
Reviewed by Craig R. Koester

Joseph D. Fantin
The Lord of the Entire World: Lord Jesus, a Challenge to Lord Caesar?
Reviewed by Michael F. Bird

Gordon D. Fee and Robert L. Hubbard, eds., with commentary by Connie Gundry Tappy
The Eerdmans Companion to the Bible
Reviewed by Paul S. Evans
Reviewed by David M. Maas

Scott Hahn
Consuming the Word: The New Testament and the Eucharist in the Early Church
Reviewed by Sonya S. Cronin

Jan Willem van Henten and Joseph Verheyden, eds.
Early Christian Ethics in Interaction with Jewish and Greco-Roman Contexts
Reviewed by Cornelis Bennema

Jonathan Huddleston
Eschatology in Genesis
Reviewed by James S. Lee

Daniel D. Lowery
Toward a Poetics of Genesis 1-11: Reading Genesis 4:17–22 in Its Ancient Near Eastern Background
Reviewed by Thomas L. Brodie

Anne Porter and Glenn M. Schwartz, eds.
Sacred Killing: The Archaeology of Sacrifice in the Ancient Near East
Reviewed by William L. Lyons

Voker Rabens
The Holy Spirit and Ethics in Paul: Transformation and Empowering for Religious-Ethical Life
Reviewed by Nélida Naveros Cordova


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Por que uma nova enciclopédia bíblica?

Por que uma nova enciclopédia bíblica? As questões de gênero...

(...) "Oxford University Press is issuing a series of topically-oriented Encyclopedias of the Bible. Edited by Michael D. Coogan, the series includes (among others) the Oxford Encyclopedia of the Bible and Archaeology, the Oxford Encyclopedia of the Bible and Theology, and the Oxford Encyclopedia of the Bible and Law. It was my privilege to serve as the Editor-in-chief of The Oxford Encyclopedia of the Bible and Gender Studies (OEBGS), which was published in November 2014.

Why Gender Studies? In the contemporary climate, debates rage about the Bible’s relevance for the design and maintenance of modern social structures. For examples, does same-sex marriage violate the biblical “creation order”? Does the Bible dictate particular styles of child discipline or the gender requirements for religious leaders? What does it say about abortion? Did early Christianity promote women’s equality or subvert it? What about Mary Magdalene? Does the Bible consistently portray the deity as masculine? In Romans 1, did Paul condemn same-gender loving persons or those in pederastic relationships? Are only men’s interests reflected in the Bible?

OEBGS attempts to address these and other concerns by systematically exploring the ways in which gender is constructed in the diverse texts, cultures, and readers that constitute “the world of the Bible".”


Leia o artigo de Julia M. O'Brien, professora do Lancaster Theological Seminary, Pensilvânia, publicado, em The Bible and Interpretation, em novembro de 2014:

Why a New Bible Encyclopedia? Gender Matters

E veja também:

O'BRIEN, J. M. (ed.) The Oxford Encyclopedia of the Bible and Gender Studies: Two-Volume Set. New York: Oxford University Press, 2014, 1152 p. - ISBN 9780199836994.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O retorno da consciência apocalíptica

Nestes últimos dias de aula de 2014 estou trabalhando, com o Segundo Ano de Teologia do CEARP, o tema da apocalíptica judaica na Literatura Pós-Exílica. Clique em Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras e leia o texto que estamos estudando. O livro de Daniel é um dos textos abordados. Recomendo a bibliografia atualizada no final do artigo.

Pois é. O fascículo 3 de 2014 da Revista Internacional de Teologia Concilium, que recebi em setembro, trabalha também este tema: O retorno do apocalipticismo.

Diz:

Que papel desempenha a teologia no diagnóstico em que nos defrontamos do "retorno da consciência apocalíptica"? Sua tradição será uma fonte para as imagens que se adaptam ao espírito da época ou será que essa tradição judaico-cristã alberga também outros modos de leitura, que possivelmente estejam enterradas? O "fim" de um mundo e de um tempo estará apontando para o começo de um novo mundo e de um novo tempo? Ou será que esse pensamento representa apenas uma fuga da atualidade, que do contrário poderia parecer insuportável? Esse fascículo aborda o que significa "apocalíptica" na tradição bíblica, como essa tradição bíblica continua viva ou é absorvida de uma maneira nova na teologia cristã atual - e quais as consequências que surgem daí. Além disso, pedimos a alguns de nossos autores para analisarem de maneira bem concreta e explícita o tema da apocalíptica a partir de sua própria perspectiva cultural-religiosa...


The Return of Apocalypticism: In general, ‘apocalyptic’ (‘‘apocalyptic imagination’, ‘apocalyptic writing’, and so on) is now taken as referring to ‘eschatology’ (the theological doctrine of the ‘last things’), or to the onset of some ultimate horror or catastrophe, and to a compaction of historical time seemingly inimical to utopian visions or to hopeful signs of a new beginning. As association with the literal sense of the Greek apokaluptikos (=’revelation’; from apokaluptein = ‘uncover’) suggests the prospect of profound changes that might justify optimism or pessimism. An essentially negative aspect of this revived apocalyptic sensibility betrays a certain disorientation amidst the upheavals of the early twenty-first century customarily interpreted as anxiety arising from our contemporary situation or as fear of the future. Disasters are experienced as so overwhelming that images of the ‘last days’ are treated as cultural metaphors for a present age without a future, this present age being one that sees the possibilities of life as predetermined and unaffected by the shaping force of human action. Those apocalyptic images also become a signature of ‘post-modern’ culture, which treats all traditional symbols aesthetically and playfully, without any association with ethical, political or even religious convictions. One might almost be tempted to say that the more widespread this appreciation of an aestheticized apocalypticism becomes, the less attention is paid to those who are actually exposed to disasters that do indeed bear all the signs of ultimate catastrophe. Is nothing said or done about the victims of civil wars, extreme poverty, and climate disasters, precisely because their suffering is very real and not so easily assigned to the culture industry as the symbolic instances of art, culture and scholarship? Is there a similar indifference to the 85 wealthiest people in the world, who have accumulated more riches that the lesser half of the world population, or 3.5 billion people, as Oxfam asserts, because we are totally incapable of grasping this outrageous ratio? What is the role of theology in this revival of apocalyptic awareness? Is theological tradition a source of images that happen to fit the spirit of our age, or does Judaeo-Christian tradition offer other interpretation? Does the ‘end’ of this particular world and this particular age refer us to the beginning of a new world and a new age? Or does this notion merely represent a flight from present conditions that would be unbearable otherwise? This issue of Concilium enquires into the meaning of ‘apocalyptic’ in biblical tradition; how that tradition persists in, or is re-introduced into present-day Christian theology; and the consequences…….


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Concilium comemora 50 anos em 2015

Concilium recebeu o prêmio Herbert-Haag 2015

Ao comemorar seus 50 anos de existência a revista internacional de teologia Concilium foi agraciada com o Prêmio Herbert-Haag pela Liberdade na Igreja. O prêmio será entregue a Felix Wilfred em março de 2015 em Lucerna, Suíça.

Concilium awarded the Herbert-Haag Prize 2015 

Hymns Ancient & Modern, London, UK, the publishers of the English edition of Concilium (which appears in six languages), are proud to announce that the world’s leading international theological journal founded by Karl Rahner, Edward Schillebeeckx, Johann Baptist Metz, Yves Congar, Hans Küng, Paul Brand and Anton van den Boogard has been awarded the prestigious Herbert Haag Prize for 2015 by the Herbert Haag Foundation for Freedom in the Church located in Lucerne, Switzerland. The Herbert Haag Prize is one of the world’s most coveted awards in the field of theology and associated disciplines and has been given to Concilium in acknowledgement of the journal’s exceptional achievement over its 50 years of existence in describing and analysing all major aspects of theology in the modern world, its consistent practice in responsibly following and developing the world-shaking views and debates of the Second Vatican Council, and its fearless cutting-edge advancement of the open-ended spirit of the Council in the new era of intercultural theory and practice presided over by Professor Felix Wilfred. The Prize was also awarded to the German moral theologian Regina Ammicht Quinn, a member of the Editorial Board of Concilium and a regular contributor to the journal, who teaches in the International Centre for Science and Morality in Tübingen, for her many years of courageous exploration of questions associated with Christianity and human physiology, and especially sexuality, undaunted by attempted censorship by Vatican conservatives, right-wing opposition to her views, and ecclesiastical intervention to prevent her holding a chair of theology. The Prize will be received in Lucerne in March 2015 by Professor Felix Wilfred, President of the Board of Directors of Concilium, on behalf of the journal which he now administers from its international centre in Madras, India, and by Dr Ammicht Quinn.

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Concilium comemora 50 anos em 2015

Concilium comemora 50 anos em 2015

A revista internacional de teologia Concilium se encaminha para o 50º aniversário de sua publicação, que traz a data de início do primeiro número: 15 de janeiro de 1965. Com o primeiro fascículo deste ano, 1/2014, dedicado à temática Viver na diversidade, a revista percorre assim o 50º ano de atividades (1965-2014), para se preparar para celebrar o 50º aniversário no Rio de Janeiro, Brasil, na semana de Pentecostes de 2015.

A análise é do teólogo italiano Rosino Gibellini, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e em filosofia pela Universidade Católica de Milão, publicada pelo blog Teologi@Internet, da Editora Queriniana, 16/06/2014.

No já histórico Editorial, assinado por Karl Rahner e por Edward Schillebeeckx no primeiro número da publicação (15 de janeiro de 1965), afirmava-se: "Em comparação com as enormes tarefas da Igreja em todo país, cada nação é 'teologicamente subdesenvolvida'. Nesta revista, a teologia de cada parte pretende ajudar as das outras nações a se desenvolver. Uma vez que existem muitas mais revistas do que as pessoas pode tomar conhecimento no seu dia-a-dia, deve haver uma que sirva de guia para elas e que remeta a elas. A revista quer ser expressão da responsabilidade que a teologia católica tem em relação à vida real da Igreja".

E Congar dava este testemunho ao programa pastoral e ecumênico da nova revista: "Concilium tenta ser um radar, que prolonga na mutação contemporânea a grande tradição teológica. A teologia está sempre em busca. Isso é importante no momento em que enfrentamos tantos problemas novos".

(...)

A revista nascera no fervor pastoral e teológico do Concílio Vaticano II, a partir de uma ideia do editor holandês, Paul Brand, de Hilversum (Holanda), já durante a primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962), que, presente em Roma, buscava agregar em torno do seu projeto editorial algumas assinaturas de teólogos-peritos.

No início, houve dificuldades, mas o projeto rapidamente se concretizou a partir do dia 20 de novembro de 1962, quando se definiu a linha de renovação da assembleia, com o pedido de remodelar fundamentalmente o esquema (projeto de texto) sobre as Fontes da Revelação, no dia 20 de novembro; pedido acolhido pelo Papa João XXIII no dia 21 de novembro de 1962: essa é a data indicada por várias reconstruções historiográficas do início da Concilium.

Os primeiros teólogos que aderiram foram o dominicano Edward Schillebeeckx, de Nijmegen, e o jesuíta Karl Rahner, de Innsbruck, aos quais logo se somaram o dominicano francês Yves Congar e dois jovens teólogos de língua alemã: Hans Küng, de Tübingen, e Johann Baptist Metz, de Münster.

São esses os Fundadores, aos quais se deve acrescentar dois nomes de leigos comprometidos (e essa já era uma novidade para uma revista teológica): o já citado editor Paul Brand, idealizador da Concilium; e o administrador presidente, especialista em orçamentos e economia, Anton van den Boogaard, de Nijmegen.

A organização prosseguiu, e, em Saarbrücken – na fronteira entre a França e a  Alemanha –, realizou-se a assembleia constituinte da Revista Internacional de Teologia Concilium, no dias 19 a 21 de julho de 1963, na presença de 13 teólogos e de dois leigos (aos teólogos já nomeados, é preciso acrescentar, em particular, também Walter Kasper. Ausências justificadas: R. Aubert, Y. Congar, J. Ratzinger). Data da fundação da revista: 20 de julho de 1963 (documentada no Rapport Sarrebruck le 20 juillet 1963).


Leia: O 50º aniversário da revista Concilium: um radar teológico - Notícias: IHU On-Line 18/06/2014


Original italiano:

Concilium verso il 50° anniversario: Un radar teologico - Rosino Gibellini: Teologi@Internet 16/06/2014

La rivista internazionale di teologia Concilium si avvia al 50° anniversario della sua pubblicazione, che reca la data d’inizio del primo numero: 15 gennaio 1965. Con il primo fascicolo di quest’anno, 1/2014, dedicato alla tematica Vivere nella diversità, la rivista così percorre il 50° anno di attività (1965-2014), per prepararsi a celebrare il 50° anniversario a Rio de Janeiro, Brasile, nella settimana di Pentecoste del 2015.

Nell’ormai storico Editoriale, firmato da Karl Rahner e da Edward Schillebeeckx nel primo numero della pubblicazione (15 gennaio 1965) si affermava: «In confronto ai compiti immani della Chiesa in ogni paese, ogni nazione è “teologicamente sottosviluppata”. In questa rivista la teologia di ciascuna parte intende aiutare quelle delle altre nazioni a svilupparsi. Siccome ci sono molte più riviste che l’uomo della pratica possa accostare, ce ne dev’essere un’altra che faccia da guida ad esse e da rapporto ad esse. La rivista vuol essere espressione della responsabilità che la teologia cattolica porta nei riguardi della vita reale della Chiesa». E Congar rendeva questa testimonianza al programma pastorale e ecumenico della nuova rivista: «Concilium tenta di essere un radar, che prolunga nella mutazione contemporanea la grande tradizione teologica. La teologia è sempre in ricerca. Ciò è importante nel momento in cui siamo aggrediti da tanti problemi nuovi».

(...)

La rivista era nata nel fervore pastorale e teologico del concilio Vaticano II da un’idea dell’editore neerlandese, Paul Brand di Hilversum (Paesi Bassi), già durante la prima sessione (11 ottobre – 8 dicembre 1962), che, presente a Roma, cercava di aggregare attorno al suo progetto editoriale, alcune firme di teologi-periti. All’inizio vi erano difficoltà, ma il progetto si va rapidamente concretizzando, a partire dal 20 novembre 1962, quando si fa chiara la linea di rinnovamento dell’assemblea, con la richiesta di rimodellare fondamentalmente lo schema (progetto del testo) sulle Fonti della Rivelazione, il 20 novembre; richiesta accolta dal papa Giovanni XXIII il 21 novembre 1962: rimane questa la data indicata da varie ricostruzioni storiografiche dell’inizio di Concilium.

I primi teologi ad aggregarsi furono il domenicano Edward Schillebeeckx di Nimega e il gesuita Karl Rahner di Innsbruck, a cui si aggiunsero presto il domenicano francese Yves Congar, e due giovani teologi di lingua tedesca: Hans Küng di Tubinga e Johann Baptist Metz di Münster. Sono questi i Fondatori, cui si devono aggiungere due nomi di laici impegnati (e questa era già una novità per una rivista teologica): il già citato editore Paul Brand, ideatore di Concilium; e l’amministratore-presidente, esperto in bilanci ed economia, Anton van den Boogaard di Nimega.

L’organizzazione procede e a Saarbrücken – sulla linea di confine tra Francia e Germania – si tiene l’assemblea costituente della Rivista Internazionale di Teologia, Concilium, il 19-21 luglio 1963, alla presenza di 13 teologi e di due laici (ai teologi già nominati è da aggiungere in particolare anche Walter Kasper; assenti giustificati: R. Aubert, Y. Congar, J. Ratzinger). Data di fondazione della rivista: 20 luglio 1963, documentata nel Rapport Sarrebruck le 20 juillet 1963 [prosegui].


Leia Mais:
Alguns livros e artigos sobre o Vaticano II
O Concílio Vaticano II

sábado, 15 de novembro de 2014

Resenhas na RBL: 06.11.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Walter Brueggemann
The Practice of Prophetic Imagination: Preaching an Emancipating Word
Reviewed by Leonard Mare

Michael H. Burer
Divine Sabbath Work
Reviewed by Margaret Daly-Denton

Timo Eskola
Beyond Biblical Theology: Sacralized Culturalism in Heikki Räisänen's Hermeneutics
Reviewed by Vernon K. Robbins

Irmtraud Fischer and Mercedes Navarro Puerto, eds., with Andrea Taschl-Erber
Torah
Reviewed by Elaine T. James

Philip Goodwin
Translating the English Bible: From Relevance to Deconstruction
Reviewed by Stephen Pattemore

George Anton Kiraz
The New Syriac Primer: An Introduction to The Syriac Language
Reviewed by H. F. van Rooy

Aaron J. Koller
The Semantic Field of Cutting Tools in Biblical Hebrew: The Interface of Philological, Semantic, and Archaeological Evidence
Reviewed by Stephen J. Bennett

Zhixiong Niu
The King Lifted up His Voice and Wept”: David’s Mourning in the Second Book of Samuel
Reviewed by David G. Firth

Mark Allan Powell
Jesus as a Figure in History: How Modern Historians View the Man from Galilee
Reviewed by Brian C. Small

Emmanuel L. Rehfeld
Relationale Ontologie bei Paulus: Die ontische Wirksamkeit der Christusbezogenheit im Denken des Heidenapostels
Reviewed by Lars Kierspel


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

A sonda Rosetta

A última quarta-feira, 12 de novembro de 2014, foi um dia para entrar na história!

No dia 12/11/2014, pela primeira vez, uma sonda espacial pousou em um cometa, a mais de 500 milhões de km da Terra.

A sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia, está estudando o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que contém materiais restantes da formação do Sistema Solar, cuja idade é de 4,56 bilhões de anos, aproximadamente. A pesquisa ajudará a entender a formação de nosso sistema.

Por que o nome Rosetta? Confira aqui e aqui. E o módulo que pousou no cometa chama-se Philae.

Siga as notícias a partir de Robô liberado pela sonda Rosetta pousa em cometa, confirma agência e dos links desta página.

E não deixe de ler o artigo do astrônomo Cássio Barbosa sobre o pouso da Philae no cometa.

Mais notícias e fotos no site da Agência Espacial Europeia - ESA, especialmente aqui e aqui.

Versão em português de Portugal aqui.

Fontes: G1 e ESA.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A memética negativa das narrativas midiáticas

Chegamos ao clímax de uma campanha eleitoral que reflete uma cultura de criminalização que produz uma ativa rejeição da política, apresentada cotidianamente em narrativas midiáticas que ficcionalizam as notícias e novelizam a política, com reiteradas associações da política e dos políticos com corrupção, ilegalidade, traições, intrigas. Uma memética negativa que afasta e despolitiza os muitos do que realmente está em jogo: interesses econômicos, especulação contra a vida, a privatização das riquezas, o moralismo e conservadorismo em que assujeitam minorias e diferenças.

Essa cultura do “ódiojornalismo” e o estilo Veja também aparecem na retórica dos articulistas e colunistas de diferentes jornais e veículos de mídia que formam hoje uma espécie de “tropa de choque” ultraconservadora (Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Demétrio Magnoli, Ricardo Noblat, Rodrigo Constantino, são muitos), que alimentam uma fábrica de memes de uma ultradireita que se instalou e trabalha para minar projetos, propostas, seja de programas sociais, seja de ampliação dos processos de participação da sociedade nas políticas públicas, seja de processos de democratização da mídia e todo o imaginário dos movimentos sociais.

Sabemos que uma revista como a Veja é motivo de piada em todos os Cursos de Comunicação do país, não apenas pelo nível de distorção e editorialização de suas capas, mas como exemplo de um singular negócio. A moeda da Veja e de parte da mídia nunca foi o jornalismo, mas a "produção de crise" e sua capacidade de produzir instabilidade política e destruir reputações. Essa é sua única moeda: a ameaça de produção de crise e o restabelecimento da "estabilidade".

Leia: As polarizações não dão conta das mudanças de imaginário

Entrevista da professora Ivana Bentes, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, à IHU On-Line - 05/11/2014.

Ayrton's Biblical Page: 15 anos online

Criada em 10 de novembro de 1999, Ayrton's Biblical Page está comemorando hoje 15 anos de existência.

Ayrton's Biblical Page celebrates today 15 years online.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Livro de Finkelstein: leitura obrigatória

K. L. Noll, da Universidade Brandon, Canadá, resenhista da obra de Israel Finkelstein citada no post anterior, diz:

Quem tiver estudado cuidadosamente as publicações de Israel Finkelstein não precisa ler este livro. Mas esta é uma leitura essencial para aqueles que não acompanharam este prolífico e importante pesquisador. A obra é um excelente resumo das conclusões das investigações arqueológicas de Finkelstein, bem como uma avaliação equilibrada e sensata de outras significativas pesquisas arqueológicas, epigráficas e bíblicas publicadas nos últimos anos. Em suma, este livro é uma leitura obrigatória para todos os estudiosos da Bíblia, arqueólogos, epigrafistas e estudantes de pós-graduação.

Anyone who has studied carefully every publication by Israel Finkelstein need not read this book, but it is essential reading for those who have not kept pace with this prolific and important researcher. The Forgotten Kingdom is a concise summary of Finkelstein’s conclusions from his own archaeological investigations, as well as a balanced and reasonable assessment of other significant archaeological, epigraphic, and biblical research published in recent years. In short, this book is a must-read for every biblical scholar, archaeologist, epigrapher, and graduate student associated with the Society of Biblical Literature and its affiliates.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Resenhas do livro de Finkelstein sobre o reino de Israel

Lembro aos interessados em história e arqueologia de Israel que o livro de Israel Finkelstein sobre o reino de Israel teve duas resenhas publicadas no mês passado pela RBL.

Confira.

sábado, 1 de novembro de 2014

Francisco: comprometido com o povo

“Sinto que agora temos um Papa comprometido com seu povo, com pensamento revolucionário, com sentimento social, e sobretudo com propostas para mudar e acabar com a injustiça, a violência e a guerra” (Evo Morales, Presidente da Bolívia).

Francisco: Igreja e justiça social - Editorial: La Jornada, México, em Carta Maior 30/10/2014

No marco do Encontro Mundial de Movimentos Populares, do qual o presidente da Bolívia, Evo Morales, participou o papa Francisco indicou que este nosso encontro responde a um compromisso muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para seus filhos; um compromisso que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos, com tristeza, cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho, e acrescentou: “É estranho, mas se falo disto para alguns, dizem que o Papa é comunista (…) Não entendem que o amor aos pobres está no centro do Evangelho”.

A frase citada é a ratificação, nas palavras pontifícias, de um compromisso social que a Igreja católica havia abandonado há muito tempo...


Leia o texto completo.


Francisco: Iglesia y justicia social -  La Jornada 29/10/2014
Ayer, en el marco del Encuentro Mundial de Movimientos Populares, al que asistió el presidente de Bolivia, Evo Morales, el papa Francisco indicó que este encuentro nuestro responde a un anhelo muy concreto, algo que cualquier padre, cualquier madre quiere para sus hijos; un anhelo que debería estar al alcance de todos, pero hoy vemos con tristeza cada vez más lejos de la mayoría: “tierra, techo y trabajo”, y añadió: “Es extraño, pero si hablo de esto para algunos resulta que el Papa es comunista (…) No se entiende que el amor a los pobres está al centro del Evangelio”. La alocución referida es la ratificación, en palabras pontificias, de un compromiso social que la Iglesia católica había abandonado hace mucho (...) El deslinde de Francisco de sus predecesores inmediatos y la recuperación de los postulados de justicia social del catolicismo son de por sí alentadores, pero lo es más que esa discusión no parezca destinada a quedarse entre los muros vaticanos y que, por el contrario, empiece a prender en las comunidades católicas de diversas latitudes e incluso en gobiernos como el del propio Evo Morales, quien ayer afirmó respecto de lo expresado por Bergoglio: “siento que ahora tengo Papa comprometido con su pueblo, con pensamiento revolucionario, con sentimiento social, y sobre todo con propuestas para cambiar y acabar con la injusticia, la violencia y la guerra”. 

Leia Mais:
Carta dos Excuídos aos Excluídos
Sobre a desigualdade no capitalismo: Francisco e Piketty

Direita brasileira está cada vez mais assanhada

>> Última atualização: 05/11/2014 - 14h30

O pedido de auditoria na eleição presidencial feito pelo PSDB poderia ser considerado uma tolice, não fosse a revelação de que se trata de operação combinada com pelo menos um dos principais jornais do país, o Estado de S. Paulo. Qual seria o efeito de tal notícia no ambiente das redes sociais digitais? Evidentemente, essa manobra tende a acirrar o radicalismo na parcela mais aloprada do eleitorado, aquela que prega diariamente o golpe militar e até o assassinato de adversários como ação política legítima. O episódio coloca a sexta-feira, 31 de outubro, no calendário de horrores criado pela simbiose bizarra entre a imprensa hegemônica e a oposição ao Executivo federal. Numa escala imaginária de despautérios, fica apenas alguns graus abaixo da manobra consumada no último fim de semana, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, por um panfleto de campanha distribuído sob o logotipo da revista Veja.


Nova direita surgiu após junho, diz filósofo - Eleonora de Lucena: Folha de S. Paulo: 31/10/2014
O “surto de impaciência” revelado pelas manifestações de junho de 2013 “provocou um surto simétrico e antagônico que é o surgimento de uma nova direita, um dos fenômenos mais importantes do Brasil contemporâneo. Uma direita não convencional, que não está contemplada pelos esquemas tradicionais da política”. Quem faz a análise é o filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo). Ele compara o que acontece aqui com a dinâmica nos Estados Unidos: “A direita norte-americana não está mais interessada em constituir maiorias de governo. Está interessada em impedir que aconteçam governos. Não quer constituir políticas no Legislativo e ignora o voto do eleitor médio. Ela não precisa de voto porque está sendo financiada diretamente pelas grandes corporações”, afirma. Por isso, seus integrantes podem “se dar ao luxo de ter posições nítidas e inegociáveis. E partem para cima, tornando impossível qualquer mudança de status quo. Há uma direita no Brasil que está indo nessa direção”, diz o filósofo. Segundo ele, “a esquerda não pode fazer isso porque tem que governar, constituir maiorias, transigir, negociar, transformar tudo em um mingau”. Nesse confronto, surge o que sociólogos nos EUA classificam como uma “polarização assimétrica”, com um lado sem freios e outro tentando contemporizar. Na avaliação de Arantes, o conceito de polarização assimétrica se aplica ao Brasil. “A lenga-lenga do Brasil polarizado é apenas uma lenga-lenga, um teatro. Nos Estados Unidos, democratas e liberais se caracterizam pela moderação – como a esquerda oficial no Brasil, que é moderada. O outro lado não é moderado. Por isso a polarização é assimétrica”. “Fora o período da eleição –que é um teatro em se engalfinham para ganhar– um lado só quer paz, amor, beijos, diálogo, tudo. Uma vez que se ganha, as cortinas se fecham e todo mundo troca beijos, ministérios –e governa-se. Mas há um lado que não está mais interessado em governar”, afirma. Arantes fez essa análise no final da tarde de quarta-feira (29), em palestra sobre as manifestações de junho de 2013 no 16º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação de Filosofia, que acontece nesta semana em Campos do Jordão (SP).
Leia o texto completo.

Este mesmo texto pode ser lido em Maria Frô, publicado em 31/10/2014 sob o título: Nova direita, financiada por corporações, deseja impedir que governos atuem


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Oposição tenta "asfixiar" 2º mandato
Há uma onda reacionária em movimento
Direita prega golpe abertamente
Banana’s Party