quarta-feira, 31 de julho de 2013

Biblistas Mineiros: novo número da Estudos Bíblicos em 2014

O grupo dos Biblistas Mineiros está concluindo mais um número da revista Estudos Bíblicos. Sairá em algum momento de 2014 e será o número 120, de out/dez 2013.

No dia 8 deste mês de julho estivemos reunidos na FAJE - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia -, em Belo Horizonte, para concluir o debate ali iniciado em julho do ano passado.

Este número de Estudos Bíblicos se articula a partir dos temas dos megaeventos e da espetacularização da vida social no mundo globalizado, já que estamos no contexto da Copa do Mundo, sediada no Brasil em 2014.

Estavam presentes:
  • Airton José da Silva - Professor no CEARP / Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto, SP
  • Cynthia Dias Rayol - Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE, Doutora em Medicina
  • Elisabete Corazza - Irmã Paulina, Diretora do SAB e animadora no Projeto Teologia Viva da Arquidiocese de Belo Horizonte
  • Jaldemir Vitório - Diretor da FAJE e Professor na mesma instituição
  • Johan Konings - Professor Emérito da FAJE
  • José Mauricio Murillo Alvarado - Doutorando em Teologia Bíblica na FAJE
  • Júnior Vasconcelos do Amaral - Doutorando em Teologia Bíblica na FAJE
  • Karina Andrea Pereira Garcia Coleta - Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE, formada em Economia e Tradução
  • Leyde Maria Maroni Leite - Formação na PUC Minas e CEBI, Assessora Bíblica na região de Belo Horizonte
  • Luciana Cangussu Prates - Formada em Letras e Psicologia pela UFMG, Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE
  • Maria de Lourdes Augusta - Religiosa das Pequenas Irmãs da Divina Providência – Professora de Teologia em Mariana, MG
  • Paulo Jackson Nóbrega de Sousa - Professor na FAJE e na PUC Minas
  • Telmo José Amaral de Figueiredo - Doutorando em Letras Hebraicas pela FFLCH/USP, em S. Paulo
  • Wolfgang Gruen - Ex-Professor da PUC Minas e do ISTA, Assessor Bíblico-Catequético e de Ensino Religioso
  • Zuleica Aparecida Silvano - Irmã Paulina, Assessora no SAB, Professora na FAJE

Ausências justificadas: José Luiz Gonzaga do Prado, Neuza Silveira de Souza, Pascal Peuzé e Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa.

Os artigos da Estudos Bíblicos:
  • Grandes projetos na Bíblia e a resistência do povo - Gilvander Luís Moreira
  • Gn 11,1-9: Contramito torre de Babel ao mito da fundação de Babilônia - Jacir de Freitas Faria
  • A sabedoria do pobre salva a cidade. Leituras de Eclesiastes 9,14-16 - Wolfgang Gruen
  • Jeremias, profeta crítico do poder imperial. A hegemonia e a grandeza babilônica, numa leitura profética da história, à luz da fé - Jaldemir Vitório
  • Religião e formação de classes na antiga Judeia - Airton José da Silva
  • Resistindo à globalização: os Macabeus - Neuza Silveira de Souza e Maria de Lourdes Augusta
  • O cego Bartimeu e a pastoral do espetáculo - José Luiz Gonzaga do Prado
  • Paulo, os jogos e a linguagem esportiva - Zuleica Aparecida Silvano
  • Espetáculos de derrota no século XXI - Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
  • A Prostituta Babilônia - Leitura de Apocalipse 17 e 18 - Johan Konings

Fonte: Além de minhas anotações pessoais, servi-me do relato feito por Telmo José Amaral de Figueiredo, Coordenador/Secretário do grupo [títulos dos artigos atualizados em 06/06/2014 - 15h30]

12 coisas que você precisa saber sobre privacidade na Internet

Twelve Things You Need to Know About Internet Privacy - Gizmo's Freeware: updated 28. July 2013 - 19:19 by v.laurie

  1. Não é possível ter 100% de privacidade na Internet: aprenda a conviver com isso e aja com prudência
  2. Goste ou não, você tem que confiar em alguém, pois tudo o que você faz na Internet passa por numerosos intermediários  
  3. Medidas para garantir maior privacidade dificultam o uso da Internet, por isso escolha o nível de privacidade adequado ao seu uso da rede
  4. Há inúmeras maneiras de espionar conexões sem fio ou celulares
  5. Todos os e-mails que você envia são públicos
  6. E-mail apagado ainda está em algum lugar
  7. Tudo o que você faz ou diz na Internet é gravado em algum lugar, geralmente em vários lugares
  8. Postar em redes sociais é como escrever em um mural público
  9. Cuidado com o que você revela na Internet, pois toda informação que você coloca na rede é compartilhada ou vendida
  10. É quase impossível remover todos os vestígios de algo que foi colocado na Internet
  11. Os anunciantes sempre tentam rastreá-lo para entupir seu computador com publicidade
  12. Monitore seus cartões de crédito e contas bancárias com frequência

Isto é só um resumo. Leia o texto original, que indica o pode ser feito, em cada caso, para minimizar os riscos da navegação na rede.

Só que depois das revelações de Snowden sobre o Prism...

Leia Mais:
How to Harden Your Browser Against Malware and Privacy Concerns
Como bloquear janelas pop-up de publicidade
Segurança

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Resenhas na RBL - 22.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

David J. H. Beldman and Craig G. Bartholomew, eds.
Hearing the Old Testament: Listening for God's Address
Reviewed by Jeanette Mathews

Reinhard von Bendemann and Markus Tiwald, eds.
Das frühe Christentum und die Stadt
Reviewed by Stephan Witetschek

Mark E. Biddle
Reading Judges: A Literary and Theological Commentary
Reviewed by Trent C. Butler

Joachim Conrad
Karl Heinrich Grafs Arbeit am Alten Testament: Studien zu einer wissenschaftlichen Biographie
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Scott S. Elliott and Roland Boer, eds.
Ideology, Culture, and Translation
Reviewed by Lénart J. de Regt

Georg Fischer, Dominik Markl, and Simone Paganini, eds.
Deuteronomium: Tora für eine neue Generation
Reviewed by Mark Christian

Elizabeth Frood
Biographical Texts from Ramessid Egypt
Reviewed by Gerald Moers

Dong-Hyuk Kim
Early Biblical Hebrew, Late Biblical Hebrew, and Linguistic Variability: A Sociolinguistic Evaluation of the Linguistic Dating of Biblical Texts
Reviewed by Frank H. Polak

Peter Thacher Lanfer
Remembering Eden: The Reception History of Genesis 3:22-24
Reviewed by L. Michael Morales

David Penchansky
Understanding Wisdom Literature: Conflict and Dissonance in the Hebrew Text
Reviewed by Peter Hatton


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O possível modelo político de Francisco

Chi rilegga le quattro opzioni qui elencate potrà avere dei dubbi sulla loro bontà di fondo, specialmente se ha spirito un po' conservatore; potrà avere dei dubbi sulla loro percorribilità storica - ci vorrebbe un pontificato ben lungo; potrà avere dei dubbi che siano pensieri così seri a limitare l'empito umano del Pontefice; ma non potrà avere dubbi sul fatto che questo gesuita diventato Papa non è solo «tanto bono» e sorridente.


A cultura de governo do papa: entre senso de realidade e conflitos evitados - Giuseppe De Rita: Corriere della Sera - 23/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 25/07/2013

Que cultura política e de governo o Papa Francisco expressa? A pergunta se intensificou nas últimas semanas, também com referência aos seus banhos de multidão em Lampedusa e no Rio: à apreciação geral da sua capacidade relacional, acompanharam-se algumas dúvidas sobre os perigos do excesso de relação direta com o povo, talvez sem uma adequada cultura de governança. Como ex-aluno dos jesuítas, eu reagi pensando que tal carência é improvável em um jesuíta, especialmente quando percorreu uma complexa carreira eclesial. Então, fui ler os textos do cardeal Bergoglio em matéria sociopolítica, originados da difícil evolução das Igrejas sul-americanas. E neles captei quatro opções "de governo" de notável densidade e atualidade.

. A primeira opção é por uma aderência simples e feroz à realidade, colocando em segundo plano o valor das ideias, dos projetos e dos programas

. A segunda opção é o privilégio a ser dado ao tempo com relação ao espaço, "porque o tempo inicia processos, e o espaço os cristaliza"

. A terceira opção é a de que "a unidade é superior ao conflito", e que a composição das coisas deve ser preferida à segmentação das dialéticas sociais

. A quarta é inovadora, relativa à cultura de governo: se governa através de um "modelo poliédrico, que na unidade mantém a originalidade das parcialidades individuais"

Quem reler as quatro opções aqui listadas poderá ter dúvidas sobre a sua bondade de fundo, especialmente se tiver um espírito um pouco conservador; poderá ter dúvidas sobre a sua viabilidade histórica (seria preciso um pontificado bem longo); poderá ter dúvidas de que são pensamentos tão sérios que limitam o ímpeto humano do pontífice; mas não poderá ter dúvidas sobre o fato de que esse jesuíta que se tornou papa não é apenas "tão bom" e sorridente.

Leia o texto completo.


Tra senso di realtà e conflitti evitati: la cultura di governo del PapaGiuseppe De Rita: Corriere della Sera - 23 luglio 2013

Quale cultura politica e di governo esprime papa Francesco? La domanda si è intensificata nelle ultime settimane, anche in riferimento ai suoi bagni di folla a Lampedusa e a Rio: all'apprezzamento generale della sua capacità relazionale si sono accompagnati alcuni dubbi sui pericoli di troppo diretto rapporto con il popolo, senza magari un'adeguata cultura di governance. Da antico allievo dei gesuiti ho reagito pensando che tale carenza è improbabile in un gesuita, specialmente se ha percorso una complessa carriera ecclesiale. Mi sono quindi andato a leggere i testi del cardinale Bergoglio in materia sociopolitica, originati dall'evoluzione difficile delle chiese sudamericane. E ne ho colto quattro opzioni «di governo» di notevole spessore ed attualità.

. La prima opzione è per un'aderenza semplice e spietata alla realtà, mettendo in secondo piano il valore delle idee, dei progetti e dei programmi

. La seconda opzione è il privilegio da dare al tempo rispetto allo spazio, «perché il tempo inizia processi e lo spazio li cristallizza»

. La terza opzione è quella che «l'unità è superiore al conflitto», e che la composizione delle cose va preferita alla segmentazione delle dialettiche sociali

. La quarta, quella relativa alla cultura di governo: si governa attraverso un «modello a poliedro, che nell'unità mantiene l'originalità delle singole parzialità».

terça-feira, 23 de julho de 2013

Dos danos políticos da mídia alienada

Quem desconfia fica sábio...

Acabei de ler um texto no site de CartaCapital, revista que aprecio e admiro, mas que hoje me deixou perplexo, por reproduzir um típico pensamento alienado e alienante.

Trata-se do artigo Papa é um Feliciano com muito mais poder e o apoio da Globo.

Foi escrito pelo editor de mídia online da revista, Lino Bocchini, no Blog do Lino, e representa, se diz na página, sua opinião sobre a visita do papa. Publicado em 23/07/2013 às 14h49. Última modificação: 23/07/2013 às 16h34.

Por que considero o texto alienado e alienante?

Vejamos: o processo de fetichização ou alienação ocorre quando as relações sociais entre os homens aparecem como relações entre coisas, como realidades naturais e independentes de suas ações. Os produtos de suas atividades revelam-se alheios à sua essência: há uma cisão entre essência (práxis criadora) e existência (vida social).

Ora, quando o pensamento não supera o imediatismo e o espontaneísmo, capta-se somente a forma aparente da realidade e não se atinge a sua essência. Várias manifestações do pensamento atual, sejam elas racionalistas ou irracionalistas, objetivistas ou subjetivistas, possuem esse traço fetichizador. Limitando-se à apreensão imediata da realidade, não elaborando as categorias a partir de sua essência econômica, o pensamento acaba servindo aos interesses da burguesia.

Este pensamento elege a subjetividade como única fonte de valores autênticos, subjetividade que acaba negando o real contraditório. E o que ocorre? Este protesto subjetivo transforma-se fatalmente em conformismo real. É um pensamento reprodutor do mecanismo capitalista, pois ataca sua aparência, deixando intacta sua essência.

E mais: esta contradição é sublimada na fuga do real pela transformação do ressentimento - sentimento considerado negativo e inaceitável - em indignação moral, atitude considerada positiva e corajosa.

Pergunto: CartaCapital não mereceria um editor de mídia online um pouco mais atento aos atuais interesses políticos em jogo tanto no Brasil quanto no Vaticano?

Atualização: 24.07.2013 - 11h40:
O autor do texto, Lino Bocchini, está apanhando feio dos leitores do site de CartaCapital nas centenas de comentários postados. Nota-se espanto e indignação da maioria por encontrar texto tão leviano no site de sua revista preferida.

Como gosta de dizer Mino Carta, é do conhecimento até do mundo mineral que o nivelamento de Francisco a Feliciano não tem cabimento.

Vale aqui citar um comentarista chamado Franco, que escreveu hoje: Lino Bocchini, pare tudo e comece de novo. Começando com um pedido de desculpas pelo infeliz texto. Carta Capital é maior que essa sua visão equivocada.

Atualização: 31.07.2013 - 14h02
Os comentários já passam de 600. E o desagrado da maioria dos comentaristas com o texto de Lino Bocchini continua. Pois é patente o "salto epistemológico" do autor ao comparar duas grandezas tão distintas como Francisco e Feliciano.

Como disse muito bem o comentarista Urbano Lopes da Silva Junior, 7 dias atrás: A comparação seria válida se as alegações feitas por ambos estivesse no mesmo contexto institucional. O Papa fala segundo a perspectiva da Igreja e ninguém (pelo menos na atualidade) é obrigado a ser católico. Felicianos e outros políticos protestantes usam as suas atribuições públicas para procurar traduzir as suas perspectivas religiosas, cujas recompensas devem ser atemporais e de outra dimensão que não a terrena, para um contexto temporal, terreno, transformando em imposição legal aspectos onde a laicidade é a forma menos desigual de conduzir os rumos da sociedade. São duas coisas fundamentalmente diferentes. Da mesma, não vejo problema de os protestantes fazerem coro de suas convicções a fim de orientar seus adeptos na sua vida espiritual. São esferas diferentes da vida. 


Leia Mais:
Feliciano e os defensores da moral e dos bons costumes

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Francisco no Brasil

>> Última atualização: 07.08.2013 - 15h15

:: Francisco no Brasil: riscos e possibilidades - John L. Allen Jr.: National Catholic Reporter, 19/07/2013, em Notícias: IHU On-Line: 22/07/2013 (cf. o texto original abaixo: Francis in Brazil...)
Sejamos claros: a primeira viagem transoceânica de Francisco nos dias 22 a 29 de julho ao Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude, será percebida quase certamente como um grande sucesso. Ele provavelmente irá atrair grandes e entusiastas multidões, o seu estilo livre e caloroso deverá se sair tão bem na estrada como em Roma, e a sua preocupação palpável pelos pobres deverá tocar cordas profundas em uma sociedade em que a justiça social é uma idée fixe. Além disso, em meio a um outono de descontentamento, os brasileiros parecem famintos por uma boa história para contar sobre si mesmos. Quando a palavra final for dada, a manchete dominante provavelmente será algo como: "Francisco traz paz e conquista corações". Dito isso, toda viagem papal é uma viagem ao desconhecido, e Francisco enfrenta alguns riscos reais nessa viagem, alguns imediatos e de curto prazo, outros de longo prazo e mais difíceis de avaliar em meio à euforia. Em termos de segurança e de controle da multidão, as autoridades do Brasil anunciaram que estão categorizando os eventos no itinerário do papa como "verde", "laranja" ou "vermelho", correspondentes ao nível de ameaça que eles acreditam que cada um deles apresenta. "Roubando" uma página da sua cartilha, vamos expor aqui diversos pontos de interrogação que se colocam diante de Francisco no Brasil em níveis ascendentes de seriedade. Além do imaginário e dos roteiros tranquilizantes, dependendo da forma como o novo pontífice navegar por esses riscos, haverá um longo caminho para moldar o substantivo sucesso ou fracasso da viagem.

:: Francis in Brazil and a new scandal in Rome: by John L. Allen Jr.: National Catholic Reporter - Jul. 19, 2013
Let's be clear: Francis' first overseas trip July 22-29 to Brazil for World Youth Day almost certainly will be perceived as a runaway hit. He'll likely draw large and enthusiastic crowds, his freewheeling and warm style should play as well on the road as it does in Rome, and his palpable concern for the poor should strike deep chords in a society where social justice is an idée fixe. Moreover, amid a summer of discontent, Brazilians seem hungry for a good story to tell about themselves. When the final word is in, the dominant headline will probably be something like: "Francis brings peace and wins hearts." That said, every papal trip is a journey into the unknown, and Francis faces some real risks on this outing, a few immediate and short-term, others longer-term and harder to evaluate amid the euphoria. In terms of security and crowd control, officials in Brazil have announced they're categorizing the events on the pope's itinerary as "green," "orange" or "red," corresponding to the threat level they believe each poses. Stealing a page from their playbook, we'll lay out here several question marks facing Francis in Brazil in ascending levels of seriousness. Beyond the imagery and feel-good storylines, how well the new pontiff navigates these risks will go a long way toward shaping the substantive success or failure of the outing.

:: Papa Francisco deve anunciar "evangelho social" no Brasil - Eduardo Febbro: Carta Maior 22/07/2013
Ficaram para trás as disputas orquestradas por João Paulo Segundo contra a Teologia da Libertação, os padres pedófilos, a corrupção no Banco do Vaticano, o IOR. Chegou o “momento da renovação”, como dizem os jovens que chegam ao Rio. Esta renovação tem um nome que contrasta com os últimos 35 anos de política vaticana: o “evangelho social”. A palavra “social” é já todo um desafio que prolonga a ruptura que Bergoglio encarnou na noite em que, após o Conclave tê-lo escolhido Papa, apareceu em uma janela da Praça de São Pedro e pronunciou a palavra “povo”. Em Roma, há dez dias, o círculo próximo ao Papa falava de uma “mensagem revolucionária”. É preciso esperar para ver e ouvir. Desde o compromisso de forjar “uma igreja pobre para os pobres”, Francisco foi despindo a figura papal de toda a roupagem monárquica, que a colocava acima dos fieis.  Sua viagem vem precedida por uma série de pronunciamentos que romperam com o conformismo vaticanista. Nas últimas semanas, Bergoglio denunciou a “tirania do dinheiro”, o “capitalismo selvagem” e a “globalização da indiferença”.

::  Em torno da visita do papa Francisco ao Brasil - Faustino Teixeira: Notícias: IHU On-Line 22/07/2013
A presença de Francisco deu um novo alento à Igreja Católica. Marca uma presença muito distinta com respeito aos dois últimos papas e vem movido por uma sede de mudança na vida eclesial, que traduz também uma indignação profética contra determinadas situações que maculavam o tecido católico. O que se vê nas ruas hoje no Brasil é também a expressão de uma insatisfação e uma sede de justiça e verdade, também de “afirmação de força e fé no futuro”. São vocalizações distintas, mas que convergem na busca de um mundo melhor e numa representação mais digna e autêntica. Creio que Francisco será acolhido entre nós com muita alegria e hospitalidade, e saberá também dizer uma palavra de alento e de esperança para esses jovens que hoje tomam conta de nossas ruas por todo o Brasil em busca de um horizonte menos sombrio e mais justo.

:: Leia a íntegra do discurso do papa na missa na Catedral Metropolitana do Rio - Folha de S. Paulo: 27/07/2013 - 10h11
Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente esperando o Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Também eles são convidados para a Mesa do Senhor (...) Em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão, a "cultura do descartável". Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas sejam regidas por dois "dogmas" modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vocês, seminaristas, que se preparam para o ministério, tenham a coragem de ir contra a corrente. Não renunciemos a este dom de Deus: a única família dos seus filhos. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.

 :: Leia a íntegra do discurso original do papa no Theatro Municipal - Folha de S. Paulo: 27/07/2013 - 11h52
A responsabilidade social exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era muito forte a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje (...) Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária, cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e cultura familiar e cultura da mídia. É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos. Será fundamental a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas. Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo.

:: "Amor eficaz" do papa é tipicamente latino-americano, diz teólogo - Deutsche Welle, na Folha de S. Paulo: 27/07/2013 - 16h16
Francisco enfoca a fé e o amor, entendendo o amor como um "amor eficaz". Esta é uma noção tipicamente latino-americana, que resultou das reflexões de teólogos da libertação. A ideia é que não basta falar de amor, nem expressar sentimentos de compaixão ou solidariedade. O amor deve se manifestar em atos concretos de ajuda. E, se for necessário, esse amor deve contemplar a organização política, para atingir certos fins. O que Francisco prega não é novo para muitos membros da Igreja Católica na América Latina. Nessa região vem-se praticando essa forma de amor desde os anos 1960. O que é realmente novo é um papa falar deste vínculo entre a fé e o amor de uma forma clara, sem pretender enfeitar a mensagem com formulações complicadas ou diplomáticas.

:: 'Bergoglio é outro modelo de Igreja', constata o vaticanista Marco Politi - O Globo: 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 28/07/2013.
Reorganizar a Cúria e fazer a reforma do banco do Vaticano é uma questão técnica. Não é difícil. O mais difícil e mais ambicioso vai ser reorganizar a Igreja globalmente como instituição. O Papa não quer mais uma Igreja monárquica-imperial, mas sim uma Igreja comunitária guiada colegialmente pelo Papa junto com os bispos. Para ele, acabou o tempo em que a Igreja é guiada por um imperador, um monarca absoluto. A estrutura da Igreja, independentemente da personalidade do Papa, sempre foi monárquica-imperial. Ao renunciar aos símbolos, como o manto e os sapatos vermelhos, e adotar a cruz de ferro, ele não faz gestos apenas populistas. É um gesto político. Ele abriu uma revolução. Não sei como vai acabar, mas abriu o processo. Haverá resistências. Há uma resistência que ainda não se mostra publicamente e que até agora tem sido manifestada por vozes laicas e jornalistas. Acusam o Papa de pauperismo, populismo e demagogia. Vamos assistir a fortes resistências. Mas é o Papa certo para o momento atual. Bergoglio é o Papa não-Papa, que interpreta muito bem a situação de crise do mundo contemporâneo.

:: Leia íntegra do discurso do papa ao Celam - Folha de S. Paulo: 28/07/2013 - 16h47 [também aqui]
O clericalismo é também uma tentação muito atual na América Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo... A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais está na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical... Gosto de dizer que a posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias. No anúncio evangélico, falar de "periferias existenciais" descentraliza e, habitualmente, temos medo de sair do centro... Os bispos devem guiar, que não é o mesmo que comandar... Devem ser Pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham "psicologia de príncipes". Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas sobretudo para cuidar da esperança: que haja sol e luz nos corações.

:: Veja a íntegra da entrevista de Francisco a Gerson Camarotti 
GloboNews exibiu em 28/07/2013, às 23h00, versão completa da entrevista com Francisco. Ele falou sobre a necessidade de proximidade com o povo, da opção pela simplicidade, da globalização da indiferença e da idolatria do dinheiro, dos protestos dos jovens, do diálogo entre as religiões, entre outras coisas. Veja o vídeo.

:: Multidões, mais gestos e interrogações - Washington Uranga: Página/12 - 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 30/07/2013
Nem tudo está dito. Francisco entusiasma multidões. Também tem gestos e dá passos que incomodam a velha estrutura eclesiástica. Entusiasma e inquieta, gera adesões, expectativas e desconfianças. Há perguntas ainda sem respostas. Devemos continuar esperando. É muito cedo para tirar conclusões. Ainda não há elementos suficientes para responder se Francisco será diferente do que soube ser Jorge Mario Bergoglio.

:: “Colocar a Igreja na rua é um velho projeto”, afirma socióloga -  Martín Granovsky entrevista Verónica Giménez Béliveau: Página/12 - 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 30/07/2013
O que o Papa quis dizer aos fiéis argentinos com sua frase “façam agitação”?  O que significa colocar a Igreja Católica na rua? É uma proposta política e social? Com Francisco, qual é o cenário provável da moral sexual e a postura diante do aborto ou da anticoncepção? Como atua a crítica à pobreza? A análise de uma socióloga para além das historietas. A pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), a socióloga Verónica Giménez Béliveau, além de trabalhar no Centro de Estudos e Pesquisas Trabalhistas, também atua como professora adjunta do seminário Sociedade e Religião, na Universidade de Buenos Aires, dentro da Faculdade de Ciências Sociais.

:: 'A JMJ cristalizou a consagração da cultura gospel católica no Brasil'. Entrevista especial com Brenda Carranza - IHU On-Line: 31/07/2013
Parece-me que esta primeira viagem internacional do Papa é fundamental para compreender a dimensão das rupturas simbólicas que têm marcado o início de seu pontificado. Rupturas que, como já disse, articulam-se na solda que seus discursos, palavras e gestos mostram. A passagem de Francisco pelo Brasil sinaliza uma outra rota de um papado mais latino-americano do que europeu, mais colegiado do que hierárquico, mais pastoral do que magisterial, mais coração do que razão, mais Vaticano II do que disciplinar, mais social do que doutrinal, mais inspirador do que admoestador. Enfim, mais respiro. Estamos diante de novos rumos do catolicismo? O tempo confirmará. Por hoje, é uma esperança.

:: Uma Igreja missionária: a reforma de Papa Francisco. Entrevista especial com Sérgio Coutinho - IHU On-Line: 01/08/2013
Coutinho ressalta que Bergoglio [na visita ao Brasil] desenvolveu um “verdadeiro programa pastoral” para os bispos do Brasil e do CELAM, o qual teve como “chave de leitura não o magistério dos Papas anteriores e dos Padres da Igreja, mas o magistério dos bispos da América Latina e Caribe explicitado no documento de Aparecida”, acentuando a necessidade de uma “conversão pastoral”. Coutinho concorda com o conhecido vaticanista italiano Marco Politi: este pontificado é sim de “ruptura”. Ruptura com o modo “monárquico-imperial” de papado para um mais “pastoral-colegial”. Faz lembrar muito o pontificado de João XXIII, mas só que não na condição de um pontificado de “transição” após a longuíssima era do papa Pio XII. Desta vez, paradoxalmente, o pontificado de “transição” foi feito justamente por Bento XVI porque, mesmo sendo uma continuidade em termos de projetos eclesiológicos (ou modelos de Igreja) com o longo período de governo de João Paulo II, ele iniciou a “ruptura” com a sua renúncia e isto que possibilitou este giro de 180º. Por isso, Coutinho se lembra também de um famoso livro do historiador italiano Giuseppe Alberigo sobre o papa Roncalli: “Do Bastão à Misericórdia”. O papa Francisco está de fato reintroduzindo este giro: do “bastão”, da “volta à grande disciplina” (João Batista Libânio) de João Paulo II e Bento XVI, para a “misericórdia”. Neste sentido, “misericórdia”, “serviço”, “diálogo”, “proximidade”, “encontro”, “simplicidade” e “transparência” são as palavras de ordem deste pontificado.

:: ''Mudanças na Igreja não acontecem como num passe de mágica''. Entrevista especial com Manoel Godoy - IHU On-Line 07/08/2013
É interessante a observação que ouvi de quem esteve muito perto de todo o acontecimento da JMJ. Uma coisa é o discurso do Papa, outra a postura do clero presente: nada mudou. Os carreiristas continuaram buscando espaço de poder do mesmo jeito. Muita gente terá que adaptar-se em alguns aspectos, frente à nova agenda trazida pelo papa Francisco à Igreja, mas a mentalidade nociva de busca de poder, pelo que se viu durante a JMJ, continua sem grandes alterações. Também a performance dos novos movimentos continuou, como nas JMJ anteriores, a mesma. Será que os grandes eventos da Igreja continuarão a ser o momento forte de afirmação dos novos movimentos de corte fundamentalista e integralista?

Leia Mais:
Leituras possíveis sobre o Papa Francisco
Papa Francisco pede reabilitação da política
“Quem sou eu para julgar os gays”. Conversa do Papa com os jornalistas
World Youth Day 2013 - National Catholic Reporter
GMG Rio 2013 - Vatican Insider
Religión Digital - Juventud

domingo, 21 de julho de 2013

Três tarefas para o estudo da História de Israel

Qual é o futuro do passado de Israel?  What is the future of Israel's past?

Três tarefas que nascem da pesquisa recente do passado de Israel:

. aprofundar a questão metodológica no estudo da História de Israel

. avaliar o impacto dos novos rumos do estudo da História de Israel sobre a Bíblia

. integrar nos estudos futuros os fenômenos sociais, culturais e humanos mais amplos que contribuíram para a formação do passado de Israel


Quer saber mais?

Leia sobre isto um livro muito competente publicado em 2011:

MOORE, M. B.; KELLE, B. E. Biblical History and Israel’s Past: The Changing Study of the Bible and History. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2011, xvii + 518 p. - ISBN 9780802862600. Kindle Edition: Amazon.com.br.

Review by Bob Becking, Utrecht University, Utrecht, The Netherlands, RBL, published 2/6/2012, and by Ralph K. Hawkins, Averett University, Danville, VA. CBQ, vol. 75, n. 1, January 2013, p. 125-126.

Os escritos de Che Guevara

Unesco reconhece manuscritos de Che Guevara como patrimônio da humanidade

A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) incluiu, em cerimônia realizada nesta sexta-feira (19/07) em Havana, os escritos do revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara no Programa Memória do Mundo. Com isso, os manuscritos são reconhecidos agora como patrimônio da humanidade.

Leia em Opera Mundi - 19/07/2013.

Resenhas na RBL - 11.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Constantine R. Campbell
Paul and Union with Christ: An Exegetical and Theological Study
Reviewed by William Campbell

Daniel Epp-Tiessen
Concerning the Prophets: True and False Prophecy in Jeremiah 23:9–29:32
Reviewed by Kelvin Friebel

Judith Gärtner
Die Geschichtspsalmen: Eine Studie zu den Psalmen 78, 105, 106, 135 und 136 als hermeneutische Schlüsseltexte im Psalter
Reviewed by Susan Gillingham

Lee Martin McDonald
Formation of the Bible: The Story of the Church’s Canon
Reviewed by James Leonard

Matthew V. Novenson
Christ among the Messiahs: Christ Language in Paul and Messiah Language in Ancient Judaism
Reviewed by Nijay K. Gupta

Richard I. Pervo
Acts: A Commentary
Reviewed by Don Garlington

Karlheinz Schüssler
Biblia Coptica: Die koptischen Bibeltexte. Vollständiges Verzeichnis mit Standorten. Band 2/Lfg 1 sa 121–184
Reviewed by Elina Perttilä

Cynthia Shafer-Elliott
Food in Ancient Judah: Domestic Cooking in the Time of the Hebrew Bible
Reviewed by Stephen Reed

Caroline Vander Stichele and Hugh S. Pyper, eds.
Text, Image, and Otherness in Children's Bibles: What Is in the Picture?
Reviewed by Gottfried Adam

C. Richard Wells and Ray Van Neste, eds.
Forgotten Songs: Reclaiming the Psalms for Christian Worship
Reviewed by Leonard P. Maré

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL - 03.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Peter Arzt-Grabner and Christina M. Kreinecker, eds.
Light from the East: Papyrologische Kommentare zum Neuen Testament. Akten des internationalen Symposions vom 3.–4. Dezember 2009 am Fachbereich Bibelwissenschaft und Kirchengeschichte der Universität Salzburg
Reviewed by Scott Charlesworth

Daniel I. Block
Deuteronomy
Reviewed by Garrett Galvin

Terry W. Eddinger
Malachi: A Handbook on the Hebrew Text
Reviewed by Buzz Brookman

Jaco Gericke
The Hebrew Bible and Philosophy of Religion
Reviewed by Christian Danz

Yoram Hazony
The Philosophy of Hebrew Scripture
Reviewed by Craig G. Bartholomew

J. Edward Owens
Leviticus
Reviewed by David Talley

Gary S. Shogren
1 and 2 Thessalonians
Reviewed by Jason Weaver

Christopher W. Skinner and Kelly R. Iverson, eds.
Unity and Diversity in the Gospels and Paul: Essays in Honor of Frank J. Matera 
Reviewed by Lars Kierspel

Jean-Luc Vesco
Le Psautier de Jésus: Les citations des Psaumes dans le Nouveau Testament
Reviewed by Thomas J. Kraus

Johanna W. H. van Wijk-Bos
Reading Samuel: A Literary and Theological Commentary
Reviewed by Benjamin J. M. Johnson

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Aprenda francês de graça na web

"Francoclic" é um site contendo diversos recursos de acesso livre, destinado particularmente aos alunos e professores interessados na aprendizagem e no ensino da língua francesa e das culturas francófonas. "Francoclic" é o resultado de uma parceria entre a Embaixada da França no Brasil e o Ministério brasileiro da Educação para responder à um verdadeiro pedido dos atores da língua francesa no Brasil. 

«Francoclic» est un site de ressources libre d'accès destiné en particulier aux élèves et aux professeurs intéressés par l'apprentissage et par l'enseignement de la langue française et des cultures francophones. «Francoclic» est le fruit d’un partenariat entre l’Ambassade de France au Brésil et le Ministère brésilien de l’Education pour répondre à une véritable demande des acteurs de la langue française au Brésil. 


"Bonjour!": MEC cria site para ensinar francês gratuitamente
O FrancoClic é dividido em cinco módulos. O primeiro, “Reflets-Brésil”, visa a autoaprendizagem; o segundo, “Br@nché”, pode ser utilizado em sala de aula; o terceiro, “Agriscola”, tem como tema principal as especialidades agrícolas; e os dois últimos, “Le Monde Francophone d’un Clic” e “Images de France”, pretendem levar o estudante a descobrir a cultura francesa. No módulo do curso voltado para a autoaprendizagem, o “Reflets-Brésil”, estão disponíveis 24 lições que incluem aulas de gramática e vocabulário. Cada aula apresenta cinco vídeos com situações cotidianas em francês e comentários em português(...) O MEC garante que o material pode ser utilizado tanto por quem nunca teve contato com o idioma quanto por estudantes iniciados no francês, independente do nível em que estejam.

Fonte: Opera Mundi: 21/07/2013.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O levante dos bisturis

Credite-se à elite brasileira façanhas anteriores dignas de figurar, como figuram, nos rankings da vergonha do nosso tempo. O repertório robusto ganhou agora um destaque talvez inexcedível em seu simbolismo maculoso: uma rebelião de médicos contra o povo. No levante dos bisturis, ressoa o engenho colonial. Encara-se o privilégio de classe como o perímetro da Nação. Aquela que conta. O resto é o vazio. A boca do sertão, hoje, é tudo o que não pertence ao circuito estritamente privado. Sérgio Buarque de Holanda anteviu, em 1936, as raízes de um Brasil insulado em elites indiferentes ao destino coletivo (Carta Maior - 19/07/2013).

:: Os médicos brasileiros têm medo de quê? - Ricardo Palacios: CartaCapital -  07/07/2013
A exploração por parte do capital é uma novidade para o grêmio médico no Brasil. Recentemente um dos setores mais conservadores da sociedade viu sua condição de profissão liberal ser extinta pelos operadores dos planos de saúde que exploram a mais-valia obtida através da prestação dos serviços. Assim, aqueles que foram selecionados através de provas excludentes nas escolas de medicina e que sonham algum dia virar burgueses estão hoje na rua para lutar por reivindicações trabalhistas. Sim, os médicos agora fazem parte da classe trabalhadora, mesmo que não tenham consciência dessa nova relação com os meios sociais da produção (...) A última das batalhas do grêmio médico é, de longe, a mais complexa: o convite a médicos estrangeiros para trabalhar no território nacional. Esse assunto é particularmente sensível porque atinge ao mesmo tempo o status outorgado pelo ingresso às escolas médicas, posturas políticas, questionamento da liderança e o temor de concorrentes novos no mercado de trabalho. O ingresso às escolas médicas no Brasil acontece através de um penoso processo que visa excluir aqueles provenientes de camadas com menores recursos e oportunidades. Na visão oposta, trata-se da seleção dos “melhores”, como se nessa lógica inversa a qualidade de um médico fosse garantida pela seleção que teve para entrar, e não pela formação adquirida dentro da escola médica. Os médicos estrangeiros representam um desafio a esse paradigma.

:: O corporativismo médico vai às ruas - Caio Sarack: Carta Maior - 17/07/2013
Política e economia também são determinantes na saúde e devem, sim, aparecer em preocupações médicas. É um pouco comprometedor um médico que defende a não entrada de médicos cubanos quando a intenção deste mesmo médico é ter no interior e na periferia um trampolim para chegar às ricas capitais.

:: Conservadorismo de branco é a vanguarda do atraso - Breno Altman: Brasil 24/7 - 17/07/2013 [o texto pode ser lido também em Adital]
As três principais bandeiras nas marchas dos jalecos brancos são elucidativas. São contra a extensão da residência em dois anos, com obrigatoriedade de servir o Sistema Único de Saúde. Não concordam com a vinda de doutores estrangeiros para cobrir déficit de profissionais, especialmente nos rincões do país. Reivindicam a derrubada do veto presidencial sobre o chamado Ato Médico, que fixava supremacia da categoria em relação a outros trabalhadores do universo sanitário. São reivindicações de quem olha para o próprio umbigo.

O "palácio" de Qeiyafa era de quem? Davi?

Do próprio. É a alegação do Professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Mas...

Confira sobre isso:

:: Claim: Palace of David Discovered in the Foothills of Judah - Todd Bolen: BiblePlaces.com Blog - July 18, 2013
Professor Yosef Garfinkel has announced the discovery of two royal public buildings in his excavations at Khirbet Qeiyafa. According to the press release, one is the palace of David and the other was the king’s storehouse.

:: Peter van der Veen on the Methodological Problems of Calling the Qeiyafa Discovery ‘David’s Palace’  - Jim West: Zwinglius Redivivus - July 18, 2013
Even though I would be thrilled to have a palace of king David at Khirbet Qeijafa, how can we jump so quickly to our conclusions as Yossi Garfinkel does? 

:: Explorator 16:13-14, de 21.07.2013, traz dezenas de links sobre o assunto e comenta: Big news this week was obviously the claim that King David’s palace had been discovered at Khirbet Qeiyafa (how close the association of the palace to David seems to vary from publication to publication), although by the end of the week we were beginning to (rightly) see some skepticism about the claims.


Leia Mais:
As recentes descobertas em Khirbet Qeiyafa
Khirbet Qeiyafa: An Unsensational Archaeological and Historical Interpretation
Khirbet Qeiyafa


>> Última atualização: 21.07.2013 - 12h00

quinta-feira, 18 de julho de 2013

RIBLA volta a ser publicada em português

A RIBLA  - Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana -  que era publicada em português no Brasil pela Vozes -  e que está parada desde o número 61, de 2008 - voltará em nova editora, com seus três números anuais.

Dados enviados por Telmo José Amaral de Figueiredo, ontem, por e-mail, dão conta de que:

:: A equipe responsável no Brasil foi indicada na última assembleia da RIBLA na Colômbia, completada por mais alguns/algumas. São:
. Haroldo Reimer
. Ivoni Richter Reimer
. José Ademar Kaefer
. Marcos Paulo Bailão
. Mercedes Lopes
. Monika Otterman
. Nancy Cardoso

:: O coordenador da edição no Brasil é José Ademar Kaefer.

:: Estão sendo traduzidos os artigos do último número, o 67. Por volta do mês de setembro deverá ser publicado.

:: Os números atrasados serão recuperados aos poucos. Ou seja, a edição brasileira acompanhará a publicação em espanhol, publicando os números mais recentes e, aos poucos, serão publicados os atrasados. Possivelmente depois do número 67 sairá o 62.

:: Para o momento, tem um grupo que está preparando a próxima revista em espanhol, onde também há brasileiros participando, igualmente indicados na assembleia passada na Colômbia. De certa maneira, o grupo acima também está com esse papel. No entanto, na próxima assembleia, esse grupo brasileiro poderá, talvez, ser ampliado. O importante é que, no momento, se está conseguindo fazer a coisa andar e  finalmente a revista vai sair.

:: Para assinar
. Preço da assinatura: R$ 60,00
. Conta bancária para o pagamento da assinatura: Banco do Brasil - Agência 2897-5  - Conta corrente 30296-1 - Titular da conta: Nhanduti Editora LTDA-ME - CNPJ: 08.821.352/0001-10
. Importante: enviar endereço postal completo; anexar o comprovante do depósito escaneado ou gerado pelo internet banking - data, hora e número do depósito; se precisar, pedir nota fiscal (NFe = eletrônica) indicando os dados completos (incl. CPF ou CNPJ)

:: A editora
Nhanduti Editora
Rua Planalto 44, Rudge Ramos
09640-060 São Bernardo do Campo, SP - Brasil
Tel.: 055-11-4368-2035 / 055-11-4362-4457 / 055-11-8173-5528
E-mail: nhanduti@yahoo.es

Respondem pelas informações sobre a RIBLA: José Ademar Kaefer e Sirley Antoni

Leia Mais:
RIBLA Online em espanhol

Israel no tempo dos persas, de Gerstenberger, em português

Em 2005 foi publicado, na coleção Biblische Enzyklopädie, o livro de Erhard S. Gerstenberger sobre Israel na época persa. Em alemão: Israel in der Perserzeit: 5. und 4. Jahrhundert v. Chr. Stuttgart: Kohlhammer, 2005, 416 Seiten.

Em 2011 saiu a tradução para o inglês: Israel in the Persian Period: The Fifth and Fourth Centuries. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, xv + 575 p. - ISBN 9781589832657.

A obra em inglês, assim como outras da mesma coleção, está disponível para download gratuito no projeto ICI da SBL.

Foram publicadas na RBL, em 15 de março e em 21 de junho de 2013, duas resenhas sobre o livro.

A boa notícia é que até o final de 2013 ou início de 2014 será publicada pela Loyola a tradução para o português.


Atualização: 20.04.2014 - 11h20

O livro foi publicado agora em 2014. Confira:

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: Séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014, 552 p. - ISBN 9788515040759.

domingo, 14 de julho de 2013

Sobre as jornadas de junho

Os levantes de junho fizeram o País tremer e algumas mentes fraquejarem. Afirmaram-se como um movimento potente, autônomo e sem precedentes na escala que alcançou. Para nós, o que de mais inovador e liberador neles se expressou foi a contestação (difusa e confusa, mas vigorosa) de duas dimensões da “pólis”: de um lado, a “política” autista e alienada de seus fundamentos constituintes; de outro, o sequestro das cidades pelo projeto autoritário de sociedade-empresa, que comprime as alternativas de sociabilidade na via única e estreita do consumo pago, e submete os pobres ao calvário dos transportes. Uma reivindicação por serviço público gratuito de qualidade desencadeou o movimento; uma contraditória mistura da tentativa de captura midiático-reacionária das manifestações com a indignação civil ante a repressão brutal e a surdez do poder o agigantou. Agora ele vive um momento de recomposição e relativo refluxo, mas está longe de se ter esgotado (...)

A situação é complexa, cheia de incógnitas e não isenta de riscos. Os poderes constituídos (partidos e magistraturas, Governo e oposição, e as respectivas instituições) não parecem até aqui nem aptos nem abertos, seja à compreensão do sentido profundo do levante democrático da multidão, seja a receber seu influxo e deixar-se atravessar por ele, renovando-se a partir dos fundamentos, “retornando aos princípios”. Muito ou quase tudo vai depender da posição do Governo diante do movimento, das relações que venham ou não a (r)estabelecer entre eles.

O paradoxo desse (re)encontro possível entre a potência constituinte (a “virtù”) e o Governo é que dele depende a “fortuna” das forças que hoje o controlam, particularmente do PT. Se Governo e PT apostarem no refluxo definitivo do movimento e (como até aqui) numa solução formal de mera “adequação” da representação constituída, as consequências serão muito negativas para ambos. Se, ao contrário, se abrirem corajosamente aos momentos constituintes que se multiplicam, retomando e ampliando a política dos pontos de cultura, contrapondo-se às políticas de remoções dos pobres, repensando os megaeventos, discutindo a democratização da comunicação, propondo a desmilitarização da segurança pública, a tradução política da potência do levante será uma inovação radicalmente democrática.


Leia Quem tem medo do poder constituinte? de Adriano Pilatti e Giuseppe Cocco. Notícias: IHU On-Line 14/07/2013.


Leia Mais:
As manifestações e a repressão: o que está acontecendo?
Considerações sobre as manifestações de junho

sábado, 13 de julho de 2013

Leonardo Boff: contra as tramoias da direita

A direita se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, temos chance de voltar e de colocar esse povo todo que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento.

"É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela mídia privada e familiar, está se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular esta energia a seu favor. A estratégia é fazer sangrar mais e mais a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.

Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações político-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam a ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.

Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte, entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos temos construído, com tantas oposições: um novo sujeito histórico, o PT e partidos populares, com a inserção na sociedade de milhões de brasileiros. Esta classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, temos chance de voltar e de colocar esse povo todo que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento. Aí não incomoda nem cria caos na ordem que por séculos construímos; mas, que, se bem olharmos, é ordem na desordem ético-social (...)

Se devemos criticar a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macroeconomia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político, especialmente aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fervorosamente nesta empreitada de volta ao velho status quo.

Por isso, as demonstrações devem continuar na rua contra as tramoias da direita. Precisam estar atentas a esta infiltração que visa a mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe, até sonham com a volta do braço armado para limpar as ruas.

Dai, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim, reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão e a oposição para juntas novamente esvaziar o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga benefícios compartilhados".

Contra as tramoias da direita: sustentar a Dilma Rousseff - Leonardo Boff: Adital 10/07/2013

Leia o artigo completo.

Leia Mais:
Considerações sobre as manifestações de junho
As manifestações e a repressão: o que está acontecendo?
Você vai ficar parado assistindo o golpe prosperar? - Eduardo Guimarães: 28/06/2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A América Latina na era das cyberguerras

O novo tesouro global é o controle do fluxo gigante de dados que conecta todos os continentes e civilizações.

(...) "O novo grande jogo não é a guerra por oleodutos. É a guerra pelos dutos pelos quais viaja a informação: o controle sobre as vias de cabos de fibras óticas que se espalham pela terra e pelo fundo dos mares. O novo tesouro global é o controle do fluxo gigante de dados que conecta todos os continentes e civilizações, conectando as comunicações de bilhões de pessoas e empresas.

Não é segredo que, na Internet e no telefone, todas as rotas que entram e saem da América Latina passam pelos EUA. A infraestrutura da Internet dirige 99%  do tráfego que entra e que sai da América do Sul por linhas de fibras óticas que atravessam fisicamente fronteiras dos EUA. O governo dos EUA não mostrou qualquer escrúpulo quanto a quebrar sua própria lei e plantar escutas clandestinas nessas linhas e espionar os seus próprios cidadãos. Todos os dias, centenas de milhões de mensagens de todo o continente latino-americano são devoradas por agências de espionagem dos EUA, e depositadas para sempre em armazéns do tamanho de pequenas cidades. Os fatos geográficos sobre a infraestrutura da internet, portanto, têm consequências sobre a independência e a soberania da América Latina.

O problema também transcende a geografia. Muitos governos e militares latino-americanos protegem seus segredos com maquinário de criptografia. São caixas e programas que 'desmontam' as mensagens na origem e as 'remontam' no destino. Os governos compram essas máquinas e programas para proteger seus segredos — quase sempre o próprio povo paga (caro) —, porque temem, corretamente, que suas comunicações sejam interceptadas.

Mas as empresas que vendem esses equipamentos e programas caros mantêm laços estreitos com a comunidade de inteligência dos EUA. Seus presidentes e altos executivos são quase sempre matemáticos e engenheiros da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) capitalizando as invenções que eles mesmos criaram para o Estado de Vigilância. Não raras vezes, as máquinas que vendem são quebradas: quebradas propositalmente, por uma razão. Não importa quem as use ou como as usem — as agências dos EUA conseguem 'remontar' os sinais e leem as mensagens.

Esse equipamento é vendido para a América Latina e outros países como útil para proteger os segredos do comprador, mas são, de fato, máquinas para roubar aqueles segredos.

Enquanto isso, os EUA aceleram a próxima grande corrida armamentista. A descoberta do vírus Stuxnet — e depois dos vírus Duqu e Flame — marca o início de uma nova era de programas complexos usados como arma, que Estados poderosos fabricam para atacar Estados mais fracos. A primeira ação agressiva contra o Irã visou a minar os esforços daquele país com vistas a defender sua soberania — ideia que é anátema para os interesses de EUA e de Israel na região.

Longe vai o tempo em que usar vírus de computador como arma de ataque era peripécia de romance de ficção científica. Agora, é realidade global"... (leia o texto completo).

O artigo: Assange: a América Latina na era das cyberguerras. Por Julian Assange.

Texto traduzido por Vila Vudu e publicado, em 11/07/2013, em Outras Palavras. O texto pode ser lido também em Opera Mundi.

Leia Mais:
Snowden

Inscrição do século X a.C. encontrada em Jerusalém


>> Última atualização: 11.07.2013 - 14h45

A New Ceramic Inscription from Jerusalem (10th century BC?) - George Athas: With Meagre Powers 10/07/2013
A new inscription purportedly dating to the 10th century BC has been discovered in excavations at Jerusalem. The inscription was inscribed on the shoulder of a large ceramic pithos jar that was turned up in Eilat Mazar’s excavation in the ‘City of David’ area (just south of the Old City walls). The Hebrew University of Jerusalem has issued a statement about the find, which I copy below at the end of this blog post (see blue section). Two photos accompanied the statement, and I have included them here in this blog post, too (...) To me the script certainly looks very old. I’m not sure I’d label it ‘Proto-Canaanite’, though. On first glance I would say tenth century BC seems about right, with the script bearing some resemblance to Phoenician. This is, of course, a preliminary estimate, because although there is a hi-res photo of the inscription here, I’d need to see the pottery up close in person to make a more definitive evaluation.

The 10th Century BCE Jerusalem Inscription - Jim West: Zwinglius Redivivus 10/07/2013
Hebrew University of Jerusalem archaeologist Dr. Eilat Mazar says she has unearthed the earliest alphabetical written text ever uncovered in the city, the university announced Wednesday. The inscription is engraved on a large pithos, a neckless ceramic jar found with six others at the Ophel excavation site below the southern wall of the Temple Mount. According to Dr. Mazar, the inscription, in the Canaanite language, is the only one of its kind discovered in Jerusalem and could be an important addition to the city’s history.The inscription is engraved in a proto-Canaanite / early Canaanite script of the eleventh-to-tenth centuries BCE, which pre-dates the Israelite rule and the prevalence of Hebrew script. Reading from left to right, the text contains a combination of letters approximately 2.5 cm tall, which translate to m, q, p, h,n, (possibly) l, and n. Since this combination of letters has no meaning in known west-Semitic languages, the inscription’s meaning is unknown.  Dated to the 10th century BCE, the artifact predates by 250 the earliest known Hebrew inscription from Jerusalem, which is from the period of King Hezekiah at the end of the 8th century BCE.

The Decipherment of the New ‘Incised Jerusalem Pithos’ - Christopher Rollston: Rollston Epigraphy - Ancient Inscriptions from the Levantine World 11/07/2013

This inscription is written in the Early Alphabetic script. The inscription is written dextrograde. I am most comfortable with a date in the 11th century BCE. The extant lexeme on this inscribed pithos is arguably the word “pot.” [= pote, vaso, panela]  The word “pot” may have been followed by a personal name, such as “Ner” or (perhaps) a commodity such as “nard.” I prefer the assumption that it is a personal name. In terms of the language of this inscription, the language is certainly Northwest Semitic, and I would suggest that it is methodologically safest to posit that the language is Canaanite (as the script is Early Alphabetic, that is, Proto-Canaanite). However, I think that someone could propose that the language is Phoenician. In fact, I also believe that it is linguistically possible (but perhaps slightly more difficult) to argue that the language is Old Hebrew. Ultimately, however, as is often the case, there is no diagnostic element present which allows us to draw a firm conclusion. For this reason, the matter of the precise dialect of Northwest Semitic must be left open for this inscription, but my belief is that “Canaanite” is the best way to refer to the language of this incised pithos. Finally, I should like to conclude by stating that I believe this is a nice inscription, important in various ways. Of course, I personally would be very disinclined to “build a kingdom upon this potsherd.” But I would wish to state that this is an inscription that fits nicely into, and augments, the totality of our epigraphic evidence for the early Iron Age [os sublinhados são meus].

Uma animada discussão de biblistas sobre esta inscrição pré-israelita, ainda não decifrada, está em andamento na lista Biblical Studies.

E um alerta: qualquer artefato arqueológico encontrado em Jerusalém costuma vir embrulhado em muitos interesses políticos e, em consequência, recheado de informações contraditórias na mídia não especializada e, o que é pior, até na mídia especializada. Sobre isto, confira aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Francisco em Lampedusa

Não sabemos como vai acabar, se o pontífice argentino vai se manter de pé diante das oposições (por enquanto) subterrâneas. Mas a Igreja, como ele a entende, da forma como ele a faz entrever em Lampedusa e como ele espera remodelá-la, é assim. Sóbria, "pobre e para os pobres", uma Igreja para todos e não apenas para o rebanho dos fiéis, estendida para os desventurados, muito concreta ao mostrar ao mundo o que está errado e em apontar as responsabilidades dos maiores poderes político-financeiros que preferem se entrincheirar no anonimato.

Leia o artigo de Marco Politi: Em Lampedusa, para o desgosto de uma certa parte do clero.

Publicado em Il Fatto Quotidiano em 09/07/2013. Em português está em Notícias IHU On-Line de 10/07/2013.


Leia Mais:
Francisco foi a Lampedusa para chorar pelos mortos
O ''mea culpa'' do papa entre os imigrantes em Lampedusa para recordar os mortos no mar
"A globalização da indiferença nos tirou a capacidade de chorar". O discurso de Francisco em Lampedusa

terça-feira, 9 de julho de 2013

Snowden

>> Última atualização: 21.07.2013 - 15h50

:: Um terremoto chamado Snowden - Flávio Aguiar: Carta Maior 09/07/2013
Se houvesse uma escala para efeitos de denúncias internacionais, como há a Richter para os terremotos, o caso Snowden estaria no topo. De certo modo, as revelações do ex-espião norte-americano são mais impactantes do que as feitas tempos atrás por Julian Assange, com o auxílio de Bradley Manning.

:: Empresa do espião Snowden foi consultora-mor do governo FHC - Redação: Carta Maior: 10/07/2013
No governo de Fernando Henrique Cardoso, a Booz-Allen, na qual trabalhava o espião Edward Snowden, foi responsável por consultorias estratégicas contratadas pela esfera federal. Incluem-se aí o "Brasil em Ação" (primeiro governo FHC) e o "Avança Brasil" (segundo governo FHC), entre outras, como as dos programas de privatização (saneamento foi uma delas) e a da reestruturação do sistema financeiro nacional.

:: Snowden: Rússia e países latino-americanos ganharam "respeito do mundo" - Luciana Taddeo: Opera Mundi 12/07/2013 - 14h25
Explicando sua decisão que o obrigou a afastar-se da vida “em grande conforto” com sua família e uma “casa no paraíso” que conta ter tido antes até revelar os programas de espionagens dos EUA, Snowden alega acreditar no princípio declarado em Nuremberg na Alemanha, em 1945: “Os indivíduos têm obrigações internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência. Portanto, cidadãos individuais têm a obrigação de violar leis domésticas para prevenir que crimes contra a paz e a humanidade aconteçam”.

:: O objeto de desejo, a obsessão de Obama - Eric Nepomuceno: Carta Maior 13/007/2013
Mais enrolada que rocambole de avó ou bolo de rolo de Pernambuco, a situação de Edward Snowden continua atraindo as atenções de meio mundo. Encalhado em Moscou, sem ter para onde ir, ele resolveu pedir asilo à Rússia. Será o primeiro passo para poder ir para um dos três países – a Nicarágua, a Venezuela e a Bolívia – que ofereceram asilo ao ex técnico terceirizado da CIA que desmontou uma das grandes farsas do governo de Barack Obama. Empenhando uma palavra cada vez mais carente de valor, Obama havia assegurado que desmantelaria o gigantesco esquema de espionagem global armado pelo seu antecessor, George W. Bush. Pois não só manteve como o expandiu. Escudado no argumento da necessidade de evitar atentados terroristas, seu governo aproveitou para espionar a tudo e a todos (...) Snowden revelou parte do que sabe, e essa parte foi suficiente para que ele se tornasse uma obsessão para Obama, que desandou a distribuir ordens e determinações com a tranqüilidade de quem não só se crê, mas está convicto de ser o verdadeiro dono do mundo (...) Enquanto continua nebuloso o panorama, resta uma pergunta entre tantas: de onde tamanha sanha? Por que, afinal, Snowden se transformou na obsessão, no verdadeiro objeto de desejo de Obama? O enigma, talvez, nem seja tão intrincado assim. Obama, tido como fraco e frouxo, precisa mostrar que é forte e decidido. É uma questão interna. Os truculentos republicanos vivem dizendo que ele não é de nada. E, talvez por não ser de nada, Obama resolveu fazer uma exibição global de valentia. O custo, as conseqüências, nada disso importa. O que importa é satisfazer a opinião pública e seu eleitorado.

:: O caso Snowden: página especial de Carta Maior


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Snowden fala no aeroporto de Moscou em 12/07/2013. Leia íntegra

sábado, 6 de julho de 2013

A transnacionalização de credos brasileiros

Sementes ao vento: a diáspora das religiões brasileiras no mundo: tema de capa da revista IHU On-Line 424, de 24.06.2013.

A revista

Diz o editorial:
Como podemos compreender o fenômeno da transnacionalização de credos brasileiros? Quais são os contextos em que se inserem? Como a sociedade receptora dessas formas diferentes de fé se relaciona com seus praticantes? Essas e muitas outras questões permeiam o debate do qual brotam respostas apontam para a necessidade de ulteriores pesquisas, análises e reflexões.

Alberto Groisman, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, examina o Santo Daime como uma “amazonização” do Cristianismo e síntese da religiosidade e subjetividade contemporâneas.

A Umbanda e o Batuque no Cone Sul e a estigmatização social de seus praticantes é o assunto de Alejandro Frigerio, da Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales Argentina e da Universidade Católica Argentina.

Os jogadores de futebol como pastores neopentecostais e a cosmologia da prosperidade são debatidos pela antropóloga Carmen Rial, da UFSC.

Ushi Arakaki fala sobre a Umbanda no Japão e a busca pela ressignificação da vida dos nipo-brasileiros.

Brenda Carranza (PUC-Campinas) e Cecília Mariz (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ) dissecam o “catolicismo tipo exportação” e a “missão reversa” atribuídos à Canção Nova.

Dario Paulo Barrera Rivera, da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, discorre sobre o pentecostalismo brasileiro no Peru, representado pela Igreja Pentecostal Deus é Amor.

O sociólogo José Cláudio Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, recupera a gênese do Vale do Amanhecer, surgido em Brasília, e agora ativo em Atlanta, nos Estados Unidos.

Uma entrevista com Sara Delamont e Neil Stephens, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, debate tanto a secularização gradativa dessa nação, até as referências religiosas do Candomblé e da Umbanda oriundas da capoeira.

A publicação da coletânea The Diaspora of Brazilian Religions, 2013, organizada pela pesquisadora Cristina Rocha, da Universidade do Oeste de Sydney, na Austrália, e pelo pesquisador Manuel Vásquez, da Universidade da Flórida, nos EUA, propiciaram a edição deste número da revista IHU On-Line.


O livro

ROCHA, C.; VASQUEZ, M. A. (eds.) The Diaspora of Brazilian Religions. Leiden: Brill, 2013, 408 p. - ISBN 9789004236943.

The Diaspora of Brazilian Religions explores the global spread of religions originating in Brazil, a country that has emerged as a major pole of religious innovation and production. Through ethnographically-rich case studies throughout the world, ranging from the Americas (Canada, the U.S., Peru, and Argentina) and Europe (the U.K., Portugal, and the Netherlands) to Asia (Japan) and Oceania (Australia), the book examines the conditions, actors, and media that have made possible the worldwide construction, circulation, and consumption of Brazilian religious identities, practices, and lifestyles, including those connected with indigenized forms of Pentecostalism and Catholicism, African-based religions such as Candomblé and Umbanda, as well as diverse expressions of New Age Spiritism and Ayahuasca-centered neo-shamanism like Vale do Amanhecer and Santo Daime. 


Os autores

Cristina Rocha, Ph.D. (2004, University of Western Sydney) is a Research Fellow at the Religion and Society Research Centre and a Senior Lecturer at the School of Humanities and Communications, Arts, University of Western Sydney, Australia.

She is the editor of the Journal of Global Buddhism. Her publications include Buddhism in Australia (with M. Barker, Routledge, 2010) and Zen in Brazil: The Quest for Cosmopolitan Modernity (Hawaii UP, 2006).


Manuel A. Vasquez, Ph.D. (1994, Temple University) is Professor at the Religion Department, University of Florida.

He is the author of More than Belief: A Materialist Theory of Religion (Oxford UP, 2011) and The Brazilian Popular Church and the Crisis of Modernity (Cambridge UP, 1998). He also co-authored Living 'Illegal': The Human Face of Unauthorized Immigration (New Press, 2011) and Globalizing the Sacred: Religion across the Americas (Rutgers, 2003).


Contributors include Ushi Arakaki, Dario Paulo Barrera Rivera, Brenda Carranza, Anthony D'Andrea, Sara Delamont, Alejandro Frigerio, Alberto Groisman, Annick Hernandez, Clara Mafra, Cecilia Mariz, Deirdre Meintel, Carmen Rial, Cristina Rocha, Camila Sampaio, Clara Saraiva, Olivia Sheringham, Neil Stephens, Jose Claudio Souza Alves, Claudia Swatowiski, and Manuel A. Vasquez.

Velha mídia, grande mídia, mídia burguesa

O que chamamos de mídia burguesa não passa de uma organização empresarial, capitalista, que vende propaganda. Nunca notícia. Está a serviço de um tipo particular de capitalismo, que é o financeiro. É golpista de primeira hora. Jamais teve apreço por democracia alguma. Muito ao contrário. Sempre que pode, em qualquer país do mundo, apoia abertamente golpes de estado contra presidentes democraticamente eleitos. Criminaliza a política em geral. Aliena o povo. Embandeira-se falsamente com palavras de ordem “moral” e “ética”, mas seus protegidos são os maiores corruptos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Considerações sobre as manifestações de junho

Recomendo o artigo Lições de um junho que ainda não acabou, de Magali do Nascimento Cunha, jornalista e professora da Universidade Metodista de São Paulo. Foi publicado por Notícias: IHU On-Line em 05/07/2013.

Alguns trechos das 4 lições, anotadas pela autora, de um junho que ainda não acabou:


1 - "O gigante acordou" ou saiu da espera?

A máxima “o gigante acordou” que fez parte da campanha afirmativa dos movimentos de rua de junho, acabou consagrando uma outra: a de que os brasileiros são acomodados, conformistas; é um povo pacífico e passivo que acaba aceitando tudo - daí as injustiças a que está acostumado.  Essa máxima, na verdade, sempre serviu a uma história oficial dos processos predominantes no País - dos colonizadores, aos imperiais e daí aos republicanos -, que não só desvalorizou e desclassificou movimentos históricos de resistência e revolucionários e sua repressão promovida pelos poderes dominantes, quanto desestimulou novos. Apesar deste imaginário social construído por este discurso que representa a coletividade do "ser brasileiro", reforçado pelo verso do hino nacional republicano - "deitado eternamente em berço esplêndido" - a história tem sido, de fato, construída por homens e mulheres, jovens e adultos, brancos, negros, indígenas, que sempre estiveram acordados, despertos, ligados, desde os primórdios da colonização até os anos recentes da chamada redemocratização, e estabeleceram dezenas de manifestações, levantes, revoltas, rebeliões, motins, conspirações, insurreições, revoluções, guerras, em todo o País.

A afirmação de que os brasileiros estiveram por, pelo menos, 20 anos, dormindo (já que a última grande manifestação pública teria sido o movimento pelo impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello, em 1992, por envolvimento em casos de corrupção) e estariam anestesiados/amordaçados pela Era PT No Poder, com suas políticas para levar mais gente para a classe média e ampliar o consumo, também não cabe. Serve, como na história oficial, para desvalorizar e desclassificar movimentos de sem-terras, sem-tetos, indígenas, mulheres, estudantes, trabalhadores urbanos, familiares de mortos pela violência urbana, que estiveram nas ruas nas últimas décadas colocando demandas específicas para seus segmentos mas também  reivindicando justiça, segurança pública, educação e saúde de qualidade para todos.

Coube especialmente às mídias lhes tirar a visibilidade ou diminuir a relevância. Se não houve consenso tão amplo, com menor segmentação, por demandas coletivas que levassem tantas pessoas às ruas nesse espaço de tempo como foi nesse junho de 2013, uma leitura que podemos fazer é que a população, vitoriosa com o impeachment de Fernando Collor e apostando nos governos de centro do PSDB e de esquerda do PT que se sucederam, decidiu esperar. Não estava dormindo - estava em estado de espera, ou, como se diz em relação aos modernos aparelhos eletrônicos, em stand by.

Parece que chegou o tempo de sair da espera e cobrar mudanças não vistas. Não que mudanças não tenham acontecido, em especial nos últimos 11 anos com políticas mais voltadas às demandas das classes menos privilegiadas e realização de real mobilidade (ascensão) na pirâmide social com diminuição dos índices de extrema de pobreza e maior acesso a direitos aparentemente simples como água e luz ou às vagas para estudo em universidades. Mas, especialmente durante os três períodos do governo petista, as políticas de amplas concessões ao sistema financeiro destoaram daquelas que ressaltaram a distribuição de renda, mas não se refletiram em mudanças no quadro da educação básica e da saúde, itens fundamentais para o estabelecimento de um país sem pobreza. Ademais, os casos de corrupção por personagens ligadas ao poder público (ressaltados simbolicamente no famoso "julgamento do mensalão") e a manutenção da cultura política partidária alimentada por jogos de poder que pouco tomam em conta o interesse público (evidenciado recentemente com o destacado "caso Marco Feliciano", que não tem trajetória ligada aos direitos humanos) serviram de e estímulo ao "sair da espera".

O junho de 2013 mostra que há disposição da população para se manifestar, protestar e reivindicar. É preciso lembrar que o processo de redemocratização, pós-ditadura militar, é lento e ainda está sendo vivenciado. São menos de 30 anos de reconstrução do processo democrático no país, quando pessoas que atuaram pelo regime militar e em todo o sistema de opressão, censura e repressão, ainda estão ativas, algumas delas em evidência e até no poder público. Apenas no governo Dilma Rousseff se conseguiu criar uma Comissão da Verdade para se superar omissões e apagamentos da história oficial e restaurar a dignidade roubada de pessoas e suas famílias pelo Estado. É um processo lento, de aprendizado paciente. O teólogo Leonardo Boff afirmou sabiamente o que esta dinâmica significa em uma frase num de seus espaços em rede social eletrônica: "Quanto mais pessoas se libertam da pobreza, mais cresce nelas o sentido de seus direitos. É uma das razões das demonstrações nas ruas".

Sim, "o gigante acordou" é uma afirmação de conotação mais negativa do que positiva, e também pretensiosa para os atuais movimentos. "O Brasil saiu da espera" parece mais coerente com o momento, pois está menos pobre e mais consciente, por isso se sente empoderado para cobrar, exigir.

2 - Sinal amarelo para os governos e os políticos

O que foi afirmado acima indica um sinal amarelo para os governos. A Presidenta Dilma Rousseff percebeu isto e não tardou em ouvir os movimentos e tentar responder a eles. Apesar de o governo federal ter sido colocado em maior evidência, os demais níveis de poder  (em especial doss Estado de São Paulo e do  Rio de Janeiro) também estão sob o julgamento popular e estão sendo/serão avaliados e cobrados.

No caso dos governos do PT é saudável que os movimentos de junho lhes provoquem e lhes recordem sua origem na esquerda e sua identidade com eles. É muito positivo que Dilma Rousseff se reúna com os diferentes grupos como vem fazendo desde o seu pronunciamento público. O mesmo deveria ser feito por governadores e prefeitos. Quando do "julgamento do mensalão" e do reconhecimento das trágicas consequências para o PT, assumido por lideranças históricas do partido, como Tarso Genro e Olívio Dutra, a palavra de ordem era a "refundação do partido"; eis aí mais um estímulo: desta vez o das ruas. Um sopro de ideais de esquerda fará muito bem aos governos petistas para que caminhassem, em especial, na direção das demandas por direitos coletivos.

Na linha pensamento de que as demonstrações nas ruas são reflexos de mais consciência, é possível afirmar que elas não se colocaram contra partidos ou movimentos ligados a eles, como desejaram evidenciar alguns manifestantes, até mesmo com ações violentas. Os atos de junho fizeram por denunciar o oportunismo dos políticos que só respondem/representam quando o povo vai para a rua. Esse oportunismo ficou ainda mais nítido quando pautas por longo tempo travadas em comissões e no próprio congresso, por não serem colocadas como prioridade (até porque não interessam ou afetam interesses pessoais e corporativos ligados aos próprios congressistas), agora estão tramitando com o cancelamento, inclusive, do recesso parlamentar de julho.

A presença de pautas de direita/conservadoras nas manifestações públicas é algo que não deve ser desprezado, pelo contrário, precisa ser melhor compreendida. Nesse caso, o que mais chama a atenção é a defesa de bandeiras do tipo "Anonymous" abraçadas por muita gente e reproduzida nas redes sociais eletrônicas. Todas as chamadas "cinco bandeiras" amplamente divulgadas tocavam na pauta relacionada à corrupção - nada em torno da justiça em relação a direitos coletivos que mexam com a ordem vigente, com a lógica dos privilégios. São pautas de forte apelo popular e que restringem tudo à questão da corrupção, como se, trocando as pessoas no poder por outras mais "limpas", o país se resolvesse, como que um “udenismo de máscaras”. Isso dá margem a demandas por uma volta dos militares ao poder, por exemplo, cujas ações no tempo da ditadura eram justificadas por valores como a moral e a retidão.

Este tipo de abordagem torna explícita que há, sim, vida política e ideológica conservadora que encontrou nos atos de junho uma forma de dar sinais de existência e, sentindo-se permitida a reagir contrariamente aos avanços sociopolíticos experimentados nas últimas décadas, com as máscaras do "anonimato", clamando por um retorno à velha ordem quando não se trabalhava por inclusão social e cidadania, ou pela Verdade, nem se estendia direitos a mulheres, crianças, adolescentes e homossexuais.

3 - Mídias: elemento ativo no processo

A perplexidade com as proporções dos movimentos explicitada pela cobertura inicial das mídias noticiosas seguida pela brusca mudança no tratamento da temática foram marcas deste fenômeno. Caso emblemático foi a alteração de abordagem, em 48 horas, dos noticiários da Rede Globo - tanto na TV Globo quanto na Globo News, de desclassificação dos atos em São Paulo como prática de "baderneiros" para a exaltação de uma "linda forma de manifestação” da vontade popular.

Que as mídias no Brasil, propriedades das famosas 10 famílias pertencentes à classe que sempre predominou no poder no País e de uma igreja pentecostal baseada princípios empresariais, nunca trabalharam para legitimar e fortalecer movimentos sociais, é fato amplamente conhecido e estudado, e quando forçadas pela pressão popular acabam se rendendo ao que é mais do que evidente.

Assim foi na Campanha das Diretas Já em 1984, quando os primeiros atos públicos foram ignorados, em especial nas telas da TV, e a Rede Globo chegou ao disparate de noticiar que havia multidões nas ruas, sim, mas para comemorar o aniversário de São Paulo. Quando não houve mais jeito, e as mídias tiveram que noticiar o que não se podia mais ser ignorado, ironicamente o locutor esportivo da Rede Globo Osmar Santos acabou se tornando locutor dos comícios pelas eleições diretas.

Nos episódios em torno do impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, a mudança de discurso ficou ainda mais evidentes pois a Rede Globo, por exemplo, era aliada do presidente. O silêncio e a omissão não puderam se sustentar tal da pressão das ruas e do movimento dos chamados "caras pintadas" e logo os estudantes já eram apresentados como revolucionários e grande esperança do Brasil.

No jornalismo impresso, Folha de São Paulo, por exemplo, tanto no movimento pelas Diretas Já quanto no "Fora Collor", percebeu logo o sentido e o potencial das manifestações e fez ampla cobertura desde os primórdios mas assumiu uma postura declaradamente parcial: deixava claro que as eleições diretas em 1984 não deveriam abrir o Brasil para um governo de esquerda (naquela época as grandes "ameaças" eram Lula e Leonel Brizola) e seus discursos deixavam clara a opção por Ulisses Guimarães, alçado pelo jornal (e também pela Rede Globo e pela revista Veja) como o "Senhor Diretas", atribuindo-lhe os louros do movimento, inicialmente convocado, em 1983 pelo PT. Já no caso Collor a Folha trabalhou para descolar a imagem do presidente corrupto das políticas de ajuste ao capitalismo globalizado que ele implementava no país e que ela aprovava.

Essa memória é importante para se ter em mente duas realidades:

1) que as teorias conspiratórias em torno do poder das mídias devem ser, sim, rechaçadas, ressaltando-se o lugar dos receptores e de sua postura crítica. Não é à toa que desde as manifestações pelas Diretas Já e depois contra os efeitos do chamado "Plano Cruzado" do governo Sarney, no "Fora Collor" e agora nos atos de julho, é palavra de ordem frequente nas ruas o "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo". Palavras ainda mais intensificadas com ações explícitas de manifestantes de hoje na frente das instalações da emissora de TV nas grandes cidades, ou diante dos seus repórteres que cobriam os atos.

2) No entanto, não se pode esquecer a dimensão política em torno dos processos de comunicação, e, como foi dito acima, as mídias têm donos e donos comprometidos com processos historicamente desfavoráveis a demandas sociais de alteração da ordem vigente.

E aqui é preciso reforçar os estudos, os monitoramentos, para se compreender como se dão os processos comunicacionais. Os donos das mídias e os demais grupos que sempre foram privilegiados pelos contextos sociopolíticos e econômicos dominantes e excludentes não explicitam sua insatisfação com as possibilidades de mudança nestes campos e não aparecem discursando seu desejo de que nada mude e tudo fique como sempre foi. Esses grupos têm porta-vozes, os chamados "formadores de opinião", encarnados nos colunistas de Veja, de O Globo, do Estadão, da Folha e em comentaristas do Jornal da Globo e dos espaços da Globo News.

A defesa das demandas desses grupos fica então inserida em narrativas e análises que se expressam como se fossem conteúdos de interesse coletivo, pelo "bem do País". Foi assim que inicialmente os movimentos foram taxados de "baderna" mas depois eram "linda forma de o povo expressar voz" ou "esperança de uma nova forma de governo", mas com ênfase da questão da mudança relacionada ao tratamento moralista da corrupção (agora as pesquisas de jornais e TVs cobram a "prisão dos mensaleiros" - elemento que pouco apareceu nas ruas) o que desvia de demandas que são majoritárias nos atos de junho: mais direitos sociais coletivos garantidos e mais mecanismos democráticos de fazer valer a voz da população.

Um fator de destaque no tocante a relação das mídias com este processo foi o lugar das redes sociais eletrônicas. Decerto, estão se revelando alternativas à opção política das mídias tradicionais. A liberdade de expressão que possibilitam bem como a capacidade de articulação ficam mais evidentes no Brasil de junho 2013. Fato é que elas não são “a” expressão, são um meio de explicitá-la, afinal foi o presencial, a pressão das ruas que fez toda a diferença no processo, bem como o serão reuniões delas decorrentes.

4 - Fundamentalismo na relação religião-política

Há um imaginário sobre o fundamentalismo, por força do discurso da mídia noticiosa sobre as ações políticas relacionadas ao contexto islâmico, que o coloca como atributo não-cristão, do radicalismo e, portanto, do terrorismo. Este imaginário limitado às imagens construídas pelas mídias, que reproduzem discursos europeus e estadunidenses, impede o reconhecimento do fundamentalismo como um movimento reacionário, ou seja, de reação ao novo, ao avanço que leva o curso dos contextos para novos rumos, afinados com os tempos presentes e futuros. Fundamentalismo é sinônimo, sim, de conservadorismo intenso, um movimento de grupos que não desejam alteração de uma ordem de pensamento, e ação consequente, dominante. Têm aversão ao diálogo e à interação que sempre colocam em xeque os absolutismos, na medida em que diferenças ficam evidentes e provocam aprendizado que leva ao novo.

O fundamentalismo é um movimento que nasceu com evangélicos na passagem do século XIX para o XX. Uma reação às tendências teológicas que viam no advento das ciências humanas e sociais formas de fazer teologia e contextualizá-la, fazendo nascer novas leituras da Bíblia e da fé em Deus. O liberalismo teológico e a leitura crítica da Bíblia surgem neste clima. As reações de conservação da antiga ordem teológica foram imediatas e advogaram a inerrância bíblica, o valor inquestionável da leitura literalista e a negação da validade de qualquer mediação que não fosse a da fé, simplesmente, especialmente a das ciências. Boa parte dos evangélicos no Brasil do ramo tradicional e do pentecostal era e ainda é afinada com a corrente fundamentalista.

O Brasil de 2013 assiste a uma recomposição da Frente Parlamentar Evangélica [FPE] (números que variam mas giram em torno de 73 congressistas, de 17 igrejas diferentes, 13 delas pentecostais). De políticos, cujos projetos raramente interferem na ordem social, com defesa de interesses particulares ou corporativos,  na forma de “praças da Bíblia”, criação de feriados para concorrer com os católicos, benefícios para templos, e recorrentes casos de fisiologismo, esses deputados e senadores passaram a ser apresentados como defensores da família e do direito à liberdade de expressão (deles) contra a plataforma dos movimentos feministas e de homossexuais. Nesse caso valem alianças e parcerias até mesmo com parlamentares e grupos católicos tradicionalistas. Por isso é possível afirmar que algo de novo se desenha no cenário político brasileiro.

Ao constantemente evocarem os números do Censo 2010 que os coloca como 22% da população brasileira, grupos evangélicos com pretensões políticas demandam legitimidade social e mais espaço de influência. Este é um projeto cada vez mais nítido deste segmento social que certamente visa, como os demais grupos políticos, muito mais do que cadeiras no Congresso, mas também presidências de comissões e de ministérios relevantes (para além do único atual tímido Ministério da Pesca, sob a liderança do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivela).

A polêmica em torno do deputado federal Marco Feliciano (PSC/SP) e a forma como ele assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, deixa este projeto em evidência. Nesse caso não só uma presidência inédita de comissão foi alcançada, mas também maior visibilidade aos evangélicos na política e ao próprio PSC, que tem o nome "Cristão", no entanto sempre se caracterizou como um partido de aluguel para quem desejasse candidatura independentemente de confissão de fé.

Nesse sentido estas lideranças religiosas se sentem com poder para influenciar processos sociopolíticos e até mesmo para ameaçar lideranças políticas de tirá-las do poder. Exemplo é o que têm declarado o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia por meio de seus espaços nas redes sociais eletrônicas. Ele tem afirmado que foram aos evangélicos que começaram os movimentos de junho com Manifestação dos Evangélicos em Brasília pela Família e a Liberdade de Expressão que liderou (esquecendo que os atos de junho começaram mesmo nas reações contra a presença de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos). O pastor Malafaia também ameaça: "Para nós, evangélicos, não muda nada se não estivermos em reunião convocada [pela Presidenta Dilma Rousseff] com representantes da sociedade, mas o voto pra eles muda: somos 30%”. O pastor também tem discursado explicitamente contra o plebiscito sugerido ao congresso pela Presidenta.

Que tais grupos evangélicos tenham discurso conservador não é novidade, afinal é parte da formação predominante deste grupo religioso desde os seus primórdios no Brasil. O que há de novo é a maior visibilidade pela projeção que as mídias religiosas e não-religiosas têm dado a este discurso por meio dos espaços a Marco Feliciano e ao pastor Malafaia. O fato deste pastor se colocar como porta-voz dos evangélicos com críticas públicas explícitas, nada diplomáticas, ao governo federal, com reforço às ações da FPE, e receber amplo apoio (levou 40 ou 70 mil pessoas para a manifestação em Brasília - números que dependem de quem estima, mas são, de fato, altos) coloca em evidência o conservadorismo na sociedade brasileira, antes atribuído mais diretamente aos evangélicos, porém uma tendência forte, explicitada, como reconhecido acima, nos atos de junho por uma parcela dos manifestantes.

É nesse contexto que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), conhecido por suas posturas assumidamente conservadoras e agressivas e que não é ligado a grupos religiosos, afirmou que se sente como “irmão” de Marco Feliciano, aliança amplamente divulgada nas mídias noticiosas. Da mesma forma o pastor Silas Malafaia tem atuado como assessor da Rede Globo para assuntos religiosos e tem espaço em uma edição integral do Programa do Ratinho (SBT) para a exposição de suas ideias. A mesma visibilidade é dada por jornalistas porta-vozes de reações conservadoras a temas sociais, como José Luiz Datena, que, no seu programa na Rede Bandeirantes, ofereceu amplo espaço, por meio de entrevista, ao senador Magno Malta para que defendesse a redução da maioridade penal para aplacar a violência urbana, ou como Reinaldo Azevedo que, em seu blog no site da revista Veja, tornou-se árduo defensor de Marco Feliciano e Silas Malafaia, e se tornou leitura obrigatória para evangélicos, segundo indicação desses líderes religiosos.

Alianças do religioso com o não-religioso formando exércitos que marcham em defesa da moral e dos bons costumes - em defesa da família - não é algo novo no Brasil (1964 ainda está bem marcado na memória), mas é bastante novo no espaço político que envolve os evangélicos e suas conquistas na esfera pública. Em matéria na Folha de São Paulo, de 7/4/2013, o diretor do instituto de pesquisa Datafolha, Mauro Paulino, declarou que o discurso de Feliciano capta simpatias de parte da população: "Entre os brasileiros, 14% se posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito de conferir notoriedade a ele." Isto significa que apesar dos tantos slogans divulgados em manifestações presenciais e nas redes sociais - "Feliciano não me representa" - Feliciano, Malafaia, Bolsonaro e tantos outros ganham espaço e legitimidade. Portanto, há quem se sinta representado, sim, não somente do ponto de vista da popularidade mas do peso das articulações ideológicas em curso na sociedade brasileira. Tudo isto temperado com uma forte tendência de reação contrária às mudanças que a sociedade brasileira vem experimentando nas últimas décadas, resultantes de políticas de inclusão nas mais diversas frentes sociais.