sexta-feira, 29 de março de 2013

Os dez anos da invasão do Iraque


Leia as análises do especial de Carta Maior:

Os dez anos da invasão do Iraque



Em 2003 escrevi em minha página:

O estudioso do mundo bíblico não pode ficar alheio ao grave conflito que acontece hoje no Oriente Médio...

E acrescentei uma citação de Paul Virilio:
"Acredito que a 'guerra preventiva' é uma forma de crime contra a humanidade. Ela não será a primeira batalha de uma 3ª Guerra Mundial, mas o primeiro passo para uma espécie de guerra civil globalizada (...) É uma ameaça verdadeira contra a humanidade", diz Paul Virilio, 70, urbanista e filósofo francês, em entrevista à Folha.com de 06.04.2003.

E em 2006, quando fui escolhido o biblioblogueiro do mês de setembro, em uma entrevista feita por um colega norte-americano, reafirmei:

O estudioso do mundo bíblico não pode ficar alheio aos graves conflitos que acontecem hoje no mundo. É espantoso que um biblista consiga “tirar água de pedra” quando está analisando um texto bíblico, mas seja incapaz de sair de sua “torre de marfim” para a “torre de Babel” do mundo atual e dialogar com a pluralidade das culturas e das linguagens. No caso dos atuais conflitos do Oriente Médio, o silêncio dos biblistas sobre o que acontece ali é o resultado de uma cumplicidade com aqueles que estão matando multidões de seres humanos para sustentar os excessos do consumismo capitalista. O biblista é um privilegiado por sua formação e pelos instrumentos de análise ao seu alcance: como ele pode viver no mundo atual como se ele não existisse? Não vejo inocentes nesta situação…


quinta-feira, 28 de março de 2013

Seminário do PIB para professores de Bíblia em 2014


Sobre a iniciativa, leia:
. PIB cria seminário para professores de Bíblia
. Cássio: Diário do Seminário no Bíblico 23.01.2012

O seminário de 2013 foi sobre a Literatura Joanina.


Sobre o seminário de 2014:
:: Tema: O Pentateuco
:: Data: 20-24 de janeiro de 2014
:: Coordenador:  Jean-Louis Ska
:: Inscrição: até 10 de outubro de 2013


No site do PIB se lê em italiano [ou English]:

Seminario 2014: dal 20 al 24 gennaio 2014

Tema del seminario: Il Pentateuco

La modalità di attuazione sarà la stessa dei seminari precedenti, con lezioni frontali al mattino (dove sarà possibile comunque intervenire con domande e chiarimenti) e sedute seminariali nel pomeriggio. Il seminario sarà in italiano. In base alla provenienza degli iscritti si potrà tener presente la possibilità di qualche seduta pomeridiana in altre lingue.

Condurranno il seminario i professori:
:: Jean-Louis Ska, S.J., professore di esegesi di Antico Testamento al PIB [status quaestionis]. Egli è anche il coordinatore del seminario.
:: Federico Giuntoli, professore di esegesi di Antico Testamento al PIB [tradizioni patriarcali].
:: Daniele Garrone, professore di Antico Testamento alla Facoltà Valdese di Teologia (Roma) [Esodo].
:: Innocenzo Cardellini, professore di Antico Testamento alla Pontificia Università Lateranense (Roma) [libro dei Numeri].
:: Jean-Pierre Sonnet, S.J., professore di Antico Testamento della Pontificia Università Gregoriana (Roma) [Deuteronomio].
:: Altri Docenti verranno attivati per dirigere i seminari pomeridiani, in funzione del numero degli iscritti.

Iscrizioni
Chi fosse interessato è pregato di dare la propria adesione entro il 10 ottobre 2013, inviando una e-mail all’indirizzo: pibsegr@biblico.it.

Ai partecipanti viene chiesto un contributo di € 120.
Per gli iscritti all’associazione ex-alunni PIB il contributo sarà invece di € 100.

Tale contributo potrà essere versato all’inizio del seminario. Non è necessario inviare alcuna somma al momento dell’iscrizione; si chiede però gentilmente di inviare la propria adesione solo se realmente si prevede di partecipare, proprio perché l’organizzazione finale della settimana dipenderà anche dal numero dei partecipanti.

Per ulteriori informazioni rivolgersi a: Segretario Generale PIB (pibsegr@biblico.it)


segunda-feira, 25 de março de 2013

Iraque, dez anos: a guerra compensa


Iraque dez anos depois: a guerra é um grande negócio! 

Reginaldo Mattar Nasser: Carta Maior 24/03/2013

O ataque norte-americano ao Iraque completou dez anos nesta semana. Dez anos depois, está claro que a estratégia do presidente George W. Bush fracassou: os EUA e seus aliados não conseguiram alcançar os objetivos anunciados e as consequências da operação militar foram desastrosas, seja do ponto de vista moral, econômico ou militar. Mas o que o discurso sobre a derrota dos EUA não revela é que essa guerra foi e continua sendo uma grande vitória para alguns.

"A suposta irracionalidade das ações contraproducentes no terreno militar, durante esses 10 anos no Iraque, é mais aparente do que real e não se trata, como querem ver alguns críticos da ação dos EUA, de uma guerra interminável no sentido de carecer de objetivos claramente definidos ou mal executados. A elite no poder sabe muito bem o que se espera desse estado de guerra permanente: a expansão dos negócios, domínio de territórios e influencia política".

Leia o artigo.

CNBB: Subsídio para o Mês da Bíblia 2013


A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética lançou recentemente o livro Mês da Bíblia 2013: Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Lucas. Brasília: CNBB, 2013, 48 p. - ISBN 9788579721953.

O livro é um subsídio que motiva para vivermos com intensidade o mês da Bíblia e nos direciona com profundidade ao Evangelho de Lucas, ensinando e fortificando quem almeja se tornar verdadeiramente um discípulo missionário.

Os interessados podem adquirir o livro nas Edições CNBB.


Leia Mais:
CEBI: Subsídio para o Mês da Bíblia 2013

Luteranos convidam Papa para comemorações dos 500 anos da Reforma


A notícia está no site da ALC, com data de 22/03/2013 : Líderes luteranos convidam Francisco I para comemorações dos 500 anos da Reforma protestante [pode ser lida também em Notícias: IHU On-Line: 25/03/2013]

O presidente da Federação Luterana Mundial, bispo Munib A. Younan, entregou ao papa Francisco I, na quarta-feira, 20, no Vaticano, uma cruz pintada em El Salvador, com o desejo que de que ela o inspire no novo ministério. Younan esteve acompanhado do secretário geral do organismo ecumênico, pastor Martin Junge (...) O secretário geral reafirmou o compromisso da Comunhão Luterana com o diálogo ecumênico que, no caso com a Igreja Católica, já tem mais de cinco décadas. “Uma igreja não pode ser por si própria. Ela requer laços fortes de relações e intercâmbio mútuo e edificante. Os diálogos ecumênicos são uma expressão importante do que é ser igreja na sociedade de hoje”, assinalou. Os líderes luteranos reiteraram o convite a Francisco I para que participe, em 2017, das comemorações dos 500 anos da Reforma protestante.

Leia o texto completo.

Leia Mais:
Lutero e os 500 anos da Reforma
Luteranos incentivam diálogo inter-religioso

Papa Francisco: primavera ou inverno na Igreja?


Depende do grupo que faz a avaliação. Os gestos surpreendentes de Francisco parecem que têm provocado  sensações, sentimentos e desejos diferentes, divergentes e convergentes. Prestemos atenção aos “sinais dos tempos”, pois para uns seria o início de uma “nova primavera” e para outros estaria chegando o seu fim. Saiba sobre as apropriações, interpretações e recuperações dos primeiros gestos do papa Francisco junto a diferentes grupos eclesiais no Brasil.


O artigo A recepção de Francisco no Brasil. Entre o início e o fim de uma “primavera”  é de Sérgio Ricardo Coutinho, presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina - CEHILA-Brasil. Publicado em Notícias: IHU On-Line em 25/03/2013.

Destaco alguns trechos e, como sempre, recomendo a leitura do artigo completo.

(...) Entre os membros da estrutura eclesiástica, de modo especial os cardeais brasileiros que participaram do último Conclave, Francisco traz a esperança de uma Igreja “reformada”, mais simples, despojada, ao lado do povo, para ser capaz de uma “nova evangelização” e se tornar crível.

Dom Raymundo Damasceno Assis (presidente da CNBB) assim vê o novo papa: “Um pastor que ama o seu povo, que está inteiramente voltado para o cuidado do seu povo, mas ao mesmo tempo aberto ao mundo, a todos os demais povos, com os que pertencem a uma outra religião... um homem de grande simplicidade, de grande amor aos pobres".

Para Dom Claudio Hummes: “o nome é todo esse programa. Hoje, a Igreja precisa, de fato, de uma reforma em todas as suas estruturas. Será uma obra gigantesca. Alguém disse já que a escolha do nome Francisco já é uma encíclica, não precisa nem escrever”.

Outro grupo eclesial, formado pelos(as) teólogos(as) da libertação, o horizonte de expectativa é uma mescla da sensação de uma brisa de “primavera” em meio ao ainda pesado vento de “inverno” presente. Para Leonardo Boff, “o importante agora não é o homem, mas sim a figura de um papa que escolheu se chamar Francisco, que não é apenas um nome, mas sim um projeto de Igreja. Uma Igreja pobre, popular. Uma Igreja do Evangelho, distante do poder e próxima das pessoas. Penso que esse papa é o novo rosto da Igreja, humilde e aberta, que pode trazer a experiência do ‘Grande Sul’, onde vivem 70% dos católicos”.

Segundo José Oscar Beozzo, experiente historiador da Igreja, a presença de um papa jesuíta é uma grata ruptura na tradição histórica porque “sempre houve um temor de ter um jesuíta, de ser ao mesmo tempo um ‘papa branco’ e ‘papa negro’. Isso [a eleição de Francisco] rompeu com uma tradição histórica, pro bem da Igreja”. Para ele, a escolha do nome toca um tema fundamental na trajetória da Igreja latino-americana: a opção pelos pobres, como também um compromisso com a preservação ambiental.

Paulo Suess, missiólogo e assessor do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), falando em nome das pastorais sociais do Brasil, deseja que o papa Francisco, inspirado no santo de Assis, “no abraço dos leprosos, que hoje se encontram não só na cúria romana, mas por toda parte do mundo, encontre sua missão profunda e conversão permanente” e que ele, “como São Francisco, na oração diante do ícone da cruz na Igreja de São Damião, escute a voz de Jesus, que o convida para a reconstrução da Igreja em ruína da qual todos fazemos parte”.

Apesar desta recepção positiva, entre as mulheres a percepção e a apropriação é bem diferente.

Para a teóloga feminista Ivone Gebara, “a figura bondosa e sem ostentação eleita pelos cardeais... escondeu o homem real com suas numerosas contradições e temos [agora] uma percepção mais realista de sua biografia”, ou seja, a aproximação do então cardeal Jorge Maria Bergoglio com a ditadura militar argentina. Daí ela recupera uma tese típica dos anos de “Guerra Fria” e também utilizada agora pelo governo venezuelano após a morte de Hugo Chávez: o “complô”. “Foi possível intuir que sua eleição é, sem dúvida, parte de uma geopolítica de interesses divididos e de equilíbrio de forças no mundo católico. A cátedra de Pedro e o Estado do Vaticano devem mover suas pedras no xadrez mundial para favorecer as forças dos projetos políticos do norte e dos seus aliados do sul. O sul foi de certa maneira co-optado pelo norte. Um chefe político da Igreja, vindo do sul vai equilibrar as pedras do xadrez mundial, bastante movimentadas nos últimos anos pelos governos populares da América latina e pelas lutas de muitos movimentos entre eles os movimentos feministas do continente com reivindicações que atormentam o Vaticano.”

Na linha dos movimentos feministas que “atormentam” o Vaticano, a socióloga Lúcia Ribeiro revelou seu mal-estar ao acompanhar toda a cobertura dada pela mídia, por muitos artigos e entrevistas sobre a eleição de Francisco. Isto porque “todo o processo visibiliza e deixa explícita a exclusão da mulher da esfera de poder da Igreja Católica”. Reconhece que as mudanças estruturais são demoradas, mas “o fundamental é a transformação que vem das bases. É aí que as mulheres começam a ocupar um lugar fundamental, como agentes de pastoral, coordenadoras de comunidades, assessoras, participantes de ministérios não ordenados, ou de tantas outras formas, como membros ativos de suas comunidades”.

Outra interpretação vem da teóloga, respeitada nos meios eclesiais e eclesiásticos no Brasil e em Roma, Maria Clara Bingemer. Para ela, Francisco chamou a atenção por sua profunda espiritualidade inaciana e esta poderá ajudá-lo muito no exercício do seu ministério petrino: “Inclinando a cabeça pediu a oração do povo por sua pessoa e seu ministério. Foi um gesto típico de alguém formado na escola de Inácio de Loyola, cuja maior aspiração é seguir e servir o Cristo pobre e humilde”.

Entre os carismáticos, este mesmo gesto de Francisco proporcionou outra interpretação e outra apropriação. Para o fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, e para Luzia Santiago, uma das coordenadoras deste movimento, ir até a Praça de São Pedro foi uma “obrigação” porque tinham “que estar onde a Igreja está”. Para Monsenhor Jonas, Francisco “pede para que a Igreja seja orante, simples, pobre, totalmente a serviço” e “estamos aqui dispostos a fazer o que o papa nos diz a fazer”. E o que ele disse a fazer? “Que orem por ele”. Como um dos fundadores da Renovação Carismática Católica no Brasil, Monsenhor Jonas viu naquele gesto (de baixar a cabeça) o mesmo que acontece em muitos grupos de oração da RCC: “estava à espera da luz do Espírito Santo. Espera que seja conduzido pelo Espírito Santo e só faltou a Praça inteira estender a mão, para que orássemos em língua sobre o papa, porque o Espírito Santo estará presente para governar a barca de Pedro”.

Para este grupo, nunca houve “inverno” na Igreja. Somente “primavera” e ela continuará com a ajuda do Espírito Santo.

Por fim, o grupo dos restauradores da identidade católica. Para estes a “primavera” trazida por Bento XVI (mais que João Paulo II) parece que se transformará em um “outono” e temem o frio do “inverno”.

O desafio posto para este grupo vem da seguinte pergunta: Como ser obediente a um papa que se aproxima demais dos pobres e do Concílio Vaticano II? A resposta: recuperar a continuidade do papado.

Para Pe. Marcelo Tenório, articulista do site Montfort, o “Magistério de Bento XVI foi um magistério claro, preciso, tendo como fundamento a Verdade sobre Deus, sobre a Igreja e sobre o Homem. Preocupou-se profundamente com a questão da Sagrada Liturgia. Condenou severamente o relativismo”. No entanto, ficou deveras surpreso e decepcionado quando viu surgir o papa Francisco: “Não posso negar minha surpresa ao vê-lo surgir no balcão da Basílica. Também não posso negar que fiquei confuso diante de seus primeiros gestos, desde as vestes, como também o uso da Estola Petrina (que indica a autoridade do Vigário de Cristo), concluindo com sua inclinação diante do povo, além de se colocar, várias, vezes, apenas como ‘o bispo de Roma’”. Ao final do artigo não perde a esperança de um futuro melhor: “Os teólogos da libertação e escravidão das consciências, os boffes heréticos e baderneiros, os liberais, modernistas e positivistas apressadamente já se juntam para gritar ‘Viva Francisco!’ Contra eles e pela Igreja gritamos também nós, junto de Dom Bosco: VIVA O PAPA!”

Outro articulista do site, Alberto Zucchi, interpreta o nome Francisco de forma positiva em vista do projeto de Igreja que defendem: “A escolha do nome de Francisco lembrando ao Santo de Assis tem sido apresentada pela imprensa como sendo uma menção especial à proteção da natureza, mas a obra deste grande santo foi sobretudo a restauração da Igreja em um tempo de grande corrupção e heresia. Nosso Senhor pediu a São Francisco ‘restaura minha Igreja’. Sem dúvida o Papa precisará de muitas forças para restaurar a Igreja como pediu Nosso Senhor a São Francisco. Unamos nossas orações as do Papa. No momento é o que devemos e o que é possível”.

Outro que também comunga deste mesmo projeto eclesiológico é o Pe. Paulo Ricardo, que possui um programa em sua home-page “Christo Nihil Praeponere” (“A nada dar mais valor que a Cristo”).

Pe. Paulo organizou um longo programa, com mais de uma hora, para explicar aos seus fiéis seguidores os “novos” gestos do papa Francisco, especialmente na Liturgia. Segundo ele, seria um programa com um tom de “direção espiritual”, pois muitos estavam agitados, perplexos e com algum temor sobre o futuro da Igreja, e de sua liturgia, após a eleição de Francisco.

Diante de muitas questões recebidas por e-mail, entre elas sobre se deveria ou não obedecer ao papa, Pe. Paulo com muito cuidado diz: “Primeiro, precisamos crer, precisamos ter fé, fé na graça que ele recebeu ao ser eleito. Precisamos dar passos espirituais em diante. Esqueçam o passado e vamos ver o futuro que ele nos dará. Se nós estamos condenando antes de fazer as coisas assim não haverá condições de continuar”. E, com certa dose de constrangimento, arremata... (continua)


Leia Mais:
Oposição a Francisco e risco João Paulo I

domingo, 24 de março de 2013

Oposição a Francisco e risco João Paulo I

Os primeiros gestos e decisões de Bergoglio geraram uma onda de otimismo e apoio sem precedentes nos últimos pontífices. E, paralelamente, embora em silêncio ou sob o amparo do anonimato, começam a surgir as críticas à "humildade" do novo papa, que é acusado de querer "enterrar" a involução pós-conciliar desejada pelos dois pontífices anteriores.

"Esperemos que le dejen trabajar, y que no acabe como el pobre Juan Pablo I", es el deseo que se escucha en muchos ámbitos eclesiales, tanto en Roma como en Madrid. Unas palabras que denotan cierta intranquilidad ante las reservas que el "tsunami Bergoglio" ha suscitado en los sectores más ultraconservadores. El tiempo dará o quitará razones.

Artigo de Jesús Bastante: La “silenciosa oposición” al Papa Bergoglio. Publicado em Religión Digital em 22/03/2013.

Traduzido e publicado em português em Notícias: IHU On-Line, em 24/03/2013: A ''oposição silenciosa'' ao Papa Bergoglio.


Trechos:
Ele é papa há apenas uma semana, e parece que a história fez uma reviravolta. Francisco é o pontífice de que a Igreja precisava? Além disso, é o pontífice de que a sociedade globalizada do século XXI precisa? Em um mundo cada vez menor, onde qualquer notícia chega imediatamente aos lugares mais remotos do globo, os primeiros gestos e decisões de Bergoglio geraram uma onda de otimismo e apoio sem precedentes nos últimos pontífices. E, paralelamente, embora em silêncio ou sob o amparo do anonimato, começam a surgir as críticas à "humildade" do novo papa, que é acusado de querer "enterrar" a involução pós-conciliar desejada pelos dois pontífices anteriores. O chamado de Francisco a uma maior austeridade, seu sonho de que esta seja uma "Igreja pobre e para os pobres", a ausência de enfeites em sua vestimenta e gestos como o de pedir a bênção do povo ou de ficar à porta da paróquia de Santa Ana para se despedir dos seus fiéis são gestos certamente revolucionários. E também indicativos de que certas coisas estão mudando. Para o desgosto de alguns. De quem?
Em primeiro lugar, da Cúria. Jorge Mario Bergoglio não é o papa que eles elegeriam a partir da estrutura (...)
Em segundo lugar, os novos movimentos. Viu-se isso na missa de início de pontificado de Bergoglio, por outro lado muito numerosa. Ali cabiam todos na Igreja. Não só os Kikos [membros do Caminho Neocatecumenal], o Comunhão e Libertação, os Legionários de Cristo e afins, cujas bandeiras, certamente, praticamente desapareceram da outrora conquistada Praça de São Pedro. Os "apóstolos da nova evangelização", a quem João Paulo II havia conferido exclusivamente a capacidade de se considerarem Igreja, têm que se relocalizar e buscar o seu lugar em uma instituição em que parece que, finalmente, todos podem entrar. As congregações religiosas, autênticas vilipendiadas durante os últimos 30 anos, voltam a respirar e se sentem com a liberdade e a confiança para continuar realizando o seu trabalho, em alguns casos milenar. Também os fiéis "a pé", que consideram o novo papa muito mais próximo em seus gestos e atitudes do que os papas anteriores.
Em terceiro lugar, os apologetas. Muitos representantes da "caverna" eclesial, midiática, social e política se encontram diante da tessitura da obediência cega à figura papal e da sensação de que o novo pontífice pode "trair" alguns princípios irrenunciáveis. Se já foram muitos os que, mais ou menos abertamente, criticaram a renúncia de Bento XVI por ter "descido da cruz", eles temem que a abertura sugerida por Bergoglio "acabe quebrando a Igreja" (...)
Em quarto lugar, muitos bispos, principalmente nos países da "velha Europa", especialmente a Espanha, aos quais a nomeação pegou-os "no contrapé" e que, por enquanto, optaram por esperar para ver se Francisco freia os passos que está dando ou que o tempo passe e a Cúria consiga "atar" alguns dos seus movimentos. Em todo caso, essa estrutura está disposta a "morrer matando".
[Em quinto lugar]: o prestigioso vaticanista Marco Politi (do jornal Il Fatto Quotidiano) também alertou para as resistências internas ao "papa dos pobres", que provêm de setores tradicionalistas e conservadores da Cúria Romana e que já começaram. Para Politi, é precisamente a determinação mostrada por Francisco que gerou essas reações subterrâneas internas à estrutura eclesiástica. "Exigir uma Igreja pobre e eclesiásticos irrepreensíveis significa pôr em contradição estilos de vida e comportamentos, que envolvem milhares de 'hierarquias' grandes e pequenas", escreveu. Essa exigência também pressupõe, nas palavras do vaticanista, "pôr em discussão palácios, carros, servidões, consumismo, carreirismo que proliferam no mundo eclesiástico, assim como em qualquer organismo social, convivendo lado a lado com existências totalmente desinteressadas dedicadas à missão" (...)
[Em sexto lugar], a resistência ao primeiro papa que se chama Francisco começa a ser percebida também entre algumas das penas de renome da Itália. Assim, Giuliano Ferrara, diretor do jornal Il Foglio, considerado um "ateu devoto", que passou de jovem comunista a liberal de direita, escreveu uma carta aberta diretamente a Francisco, intitulada "Padre, tenho medo da ternura", jogando com a homilia que o papa pronunciou na missa de inauguração do pontificado, em que convidou a não ter medo da ternura e da bondade.
O artigo termina assim:
"Esperemos que o deixem trabalhar e que ele não acabe como o pobre João Paulo I", é o desejo que se escuta em muitos âmbitos eclesiais, tanto em Roma quanto em Madri. Palavras que denotam uma certa intranquilidade diante das reservas que o "tsunami Bergoglio" despertou nos setores mais ultraconservadores. O tempo lhes dará ou não razão.

Leia o texto completo.

Leia Mais:
Leituras possíveis sobre o Papa Francisco
Ultraconservadores em estado de choque com o Papa Francisco
A eleição de Bergoglio foi considerada ótima ou boa por 74% dos brasileiros, segundo o Datafolha

terça-feira, 19 de março de 2013

André Wénin: eu proponho a Bíblia para pensar


Estes não são textos de catecismo, nem são dogmáticos. Mas são histórias. Eu proponho a Bíblia para pensar. Em outras palavras, eu diria que tais textos não nos dão certezas. Eu me distancio da dogmatização desses textos, no sentido do que eles pretensamente diriam a verdade acabada. Os textos não são teologia, mas são relatos de questões teológicas. Servem para nos ajudar a refletir sobre tais questões teológicas, e não para nos dar certezas. 


"Um trabalho de exegese e de transposição para compreender a Bíblia em nossos dias. Esse é um dos grandes esforços empreendidos pelo exegeta belga André Wénin, que está na Unisinos de 18 a 20 de março [de 2013] ministrando diversas atividades ligadas a uma análise do primeiro livro bíblico, o Gênesis. O evento faz parte do cronograma da 10ª Páscoa IHU – Ética, arte e transcendência, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. 'É preciso ter em consideração que em suas origens a Bíblia foi escrita em hebraico, portanto se trata de uma matriz cultural radicalmente diferente da grega, latina e mesmo europeia', disse na manhã desta segunda-feira, na abertura do curso Aprender a ser humano. Um estudo de Gênesis 1–4.

(...) Ao iniciar sua fala, André Wénin assinalou que os textos a serem estudados não são 'textos de catecismo, nem são dogmáticos. Mas são histórias'. E acrescentou: 'Eu proponho a Bíblia para pensar. Em outras palavras, eu diria que tais textos não nos dão certezas. Eu me distancio da dogmatização desses textos, no sentido do que eles pretensamente diriam a verdade acabada'. Os textos, continuou, não são teologia, mas são relatos de questões teológicas. Servem para nos ajudar a refletir sobre tais questões teológicas, e não para nos dar certezas. A leitura que Wénin propõe se baseia numa leitura narrativa dos textos.  Não se trata de uma exegese histórica, portanto. O que interessa mais a esse pesquisador é lê-los como relatos e o apreender o que eles têm a dizer sobre os humanos em sua existência".

Leia o texto completo:
O verdadeiro poder de Deus é o poder de reter-se. André Wénin, exegeta belga, analisa Gênesis 1-4.

Em Notícias: IHU On-Line - 19/03/2013. A reportagem é de Márcia Junges.


Publicações de André Wénin na Loyola:

. O homem bíblico: Leituras do primeiro Testamento (2006)
. De Adão a Abraão ou as errâncias do humano: Leituras de Gênesis 1,1-12,4 (2011)
. José ou a invenção da fraternidade: Leitura narrativa e antropológica de Gênesis 37-50 (2011)


Leia Mais:
Decálogo, a revelação de Deus e caminho para felicidade? com André Wénin
Bibliografia de André Wénin

Resenhas na RBL - 17.03.2013


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Richard Bauckham
Living with Other Creatures: Green Exegesis and Theology
Reviewed by Phillip Sherman

Keith Bodner
Jeroboam's Royal Drama
Reviewed by Mark McEntire

Gerald J. Donker
The Text of the Apostolos in Athanasius of Alexandria
Reviewed by Chris De Wet

Erhard S. Gerstenberger
Israel in the Persian Period: The Fifth and Fourth Centuries B.C.E.
Reviewed by John Engle

Edwin M. Good
Genesis 1-11: Tales of the Earliest World
Reviewed by Brian D. Russell

Michelle J. Levine
Nahmanides on Genesis: The Art of Biblical Portraiture
Reviewed by George Savran

Jerome Murphy-O'Connor
Keys to Jerusalem: Collected Essays
Reviewed by Joshua Schwartz

Amy E. Richter
Enoch and the Gospel of Matthew
Reviewed by Daniel M. Gurtner

Emily Teeter
Religion and Ritual in Ancient Egypt
Reviewed by Michael B. Hundley

Gary Yamasaki
Perspective Criticism: Point of View and Evaluative Guidance in Biblical Narrative
Reviewed by Robert C. Tannehill


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL - 08.03.2013


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ulrich Berges
Jesaja: Der Prophet und Das Buch
Reviewed by Francis Landy

William G. Dever
The Lives of Ordinary People in Ancient Israel: Where Archaeology and the Bible Intersect
Reviewed by Diana Edelman
Reviewed by Aren M. Maeir

Mari Rapela Heidt
A Guide for Writing about Theology and Religion
Reviewed by Margaret E. Ramey

Siegfried Kreuzer, Martin Meiser, and Marcus Sigismund, eds.
Die Septuaginta: Entstehung, Sprache, Geschichte. 3. Internationale Fachtagung veranstaltet von Septuaginta Deutsch (LXX.D), Wuppertal 22.-25. Juli 2010
Reviewed by Hans Förster

Halvor Moxnes
Jesus and the Rise of Nationalism: A New Quest for the Nineteenth Century Historical Jesus
Reviewed by Hans Leander

Douglas E. Oakman
The Political Aims of Jesus
Reviewed by Alicia J. Batten

Elisabeth Schüssler Fiorenza
Transforming Vision: Explorations in Feminist The*logy
Reviewed by Elizabeth Min Hee Kim

Stanley E. Porter and Beth M. Stovell, eds.
Biblical Hermeneutics: Five Views
Reviewed by Akio Ito

Lisa M. Wolfe
Ruth, Esther, Song of Songs, and Judith
Reviewed by L. Juliana Claassens


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Ultraconservadores em estado de choque com o Papa Francisco

A insatisfação dos católicos ultraconservadores começou na noite de quarta-feira, no mesmo instante em que o nome de Jorge Mario Bergoglio foi anunciado como Papa Francisco. Desde então, fóruns tradicionalistas na internet veem como apocalíptico o futuro da Igreja nas mãos do argentino.


A reportagem de Andrei Netto foi publicada em O Estado de S. Paulo, hoje, 19/03/2013. O título: Estilo informal do papa revolta ultraconservadores.


Alguns trechos:

"O mesmo papa que será celebrado [obs.:aconteceu] por milhares de pessoas na Praça São Pedro na manhã de hoje já é desprezado por grupos ultraminoritários da Igreja. Cristãos que romperam com Roma desde a aprovação do Concílio Vaticano 2.º, há 50 anos, os 'tradicionalistas' estão em estado de choque com a escolha de Francisco como novo líder católico.

Para eles, um papa que se define como 'bispo de Roma', e não como sumo pontífice, que pede a bênção dos fiéis antes de lhes conceder a sua, que troca a cruz de ouro pela de ferro e prega uma Igreja 'pobre e para os pobres' não é digno de ser o sucessor de Pedro.

A insatisfação dos católicos ultraconservadores começou na noite de quarta-feira, no mesmo instante em que o nome de Jorge Mario Bergoglio foi anunciado como papa Francisco. Desde então, fóruns tradicionalistas na internet veem como apocalíptico o futuro da Igreja nas mãos do argentino. Entre os mais moderados, as palavras são de decepção profunda. Para os mais radicais, Bergoglio não será jamais reconhecido como papa, por ser visto como reformador, progressista e ligado à Teologia da Libertação.

Francisco também é criticado por sua disposição ao diálogo com judeus, muçulmanos e por supostamente ser 'amigo' dos 'sectos' maçônico e protestante. Não bastasse, o novo pontífice tem sido acusado de ser 'inimigo da Santa Missa' e da 'santa doutrina católica' por ser defensor do Concílio Vaticano 2.º, o verdadeiro vilão aos olhos dos tradicionalistas.

Nos fóruns online, os textos não falam Habemus Papam, mas Habent Papam ('Eles têm um papa').

(...)

[Dizem, entre outras coisas:] 'O que é grave é sua linha miserabilista e terceiro-mundista, que é inaceitável'.

(...)

O vaticanista italiano Marco Politi adverte para o fato de que os grupos mais tradicionalistas estão perdendo a paciência. 'Eles já ficaram extremamente irritados quando Bento XVI renunciou, já que reduziu a imagem do papa, transformando-o em apenas mais um dos cardeais', lembrou. 'Agora, Francisco mantém a tendência de se mostrar mais próximo do povo, dispensando e mudando ritos'"


Leia o texto completo. E durma-se com um barulho desses.

Por outro lado, o nervosismo dos ultraconservadores e os sinais de mudança até agora emitidos pelo Papa Francisco são um bom sinal. Por enquanto, apenas um sinal, mas, promissor!


Fonte: Estadão: 19/03/2013. O texto pode ser lido também em Notícias: IHU On-Line - 19/03/2013.

Leia Mais:
Leituras possíveis sobre o Papa Francisco
O que dizem os conservadores em seus fóruns e blogs sobre o Papa Francisco [atualizado em 27.03.2013]
Setores conservadores acusam o Papa de fazer “confusão litúrgica” por lavar os pés de duas mulheres, uma delas muçulmana [atualizado em 03.04.2013]

sexta-feira, 15 de março de 2013

Leituras possíveis sobre o Papa Francisco

>> Última atualização: 26.03.2013 - 11h30


Venho de um lugar que fica quase no fim do mundo. Mas estamos aqui.

:: Conclave: dois projetos e cinco cenários. Artigo de Paulo Suess

:: Com a eleição de Bergoglio afundam uma doutrina de política vaticana e uma escola teológica. Artigo de Marco Politi 

:: Papa Francisco: "É a melhor escolha possível. Que agora ele não aceite compromissos''. Entrevista com Hans Küng

:: Francisco, um bispo de Roma que vem da periferia. Artigo de Luiz Alberto Gómez de Souza

:: Os sete espantos do papa Francisco. Artigo de Paulo Suess

:: O que se diz do novo papa. Artigo de Eduardo Hoornaert

:: Francisco: um Papa que presidirá na caridade. Artigo de Leonardo Boff

:: O papa Francisco que eu conheço. Artigo de Margaret Hebblethwaite

:: O papa e a ditadura argentina. Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

:: Francisco e aquele ciclo que talvez irá se fechar - Francesco, quel cerchio che forse si chiude. Artigo de Sergio Soave

:: A ''oposição silenciosa'' ao Papa Bergoglio - La “silenciosa oposición” al Papa Bergoglio. Artigo de Jesús Bastante

:: A recepção de Francisco no Brasil. Entre o início e o fim de uma “primavera”. Artigo de Sérgio Ricardo Coutinho

:: "Ditadura do relativismo" e "sujeira": Já se vê uma continuidade entre Bento XVI e Francisco? Artigo de  Sérgio Ricardo Coutinho

:: ''Os males da Igreja se chamam vaidade e carreirismo''. Entrevista com Jorge Mario Bergoglio, atual Papa Francisco



Leia Mais:
Precisamos de um Papa como São Francisco
Especiais sobre a renúncia de Bento XVI
Notícias sobre a Igreja? Religião e mundo atual?
Alguns livros e artigos (online) sobre o Vaticano II

terça-feira, 12 de março de 2013

Jung Mo Sung: sobre a entrevista de Clodovis Boff


A fé cristã nasce em Cristo, mas a teologia não é fé, é uma reflexão sistemática sobre a nossa experiência de fé. As melhores teologias são aquelas que não tomam o lugar da fé e nem deixam que esta tome o seu.


Artigo publicado na Adital em 11.03.2013.

Cristo e os pobres: sobre a entrevista de C. Boff na Folha
O jornal Folha de São Paulo publicou nesta segunda-feira, 11/03/2013, uma entrevista com Clodovis Boff criticando a Teologia da Libertação (TL) no contexto da eleição do novo papa (...) Vou propor algumas breves reflexões sobre 3 pontos da entrevista. Uma das críticas que ele faz à TL é que suas correntes hegemônicas não teriam entendido "a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica” e por preferir não entender essa distinção se degeneraram em ideologia. Como essa distinção está explicitada no livro "Teologia da Libertação” de Gutiérrez, é difícil imaginar quais seriam essas correntes hegemônicas. Em todo caso, uma das novidades da TL não foi negar ou afirmar a primazia da libertação espiritual sobre a histórica, mas propor uma nova forma de compreender a relação entre as duas. O que os principais teólogos/as da libertação sempre afirmaram é que, em situações de tanta injustiça e morte, a fé em Jesus se torna concreta, se encarna, na experiência espiritual de encontrar na face do pobre a face de Jesus, conforme nos ensina o evangelho de Mateus, cap. 25. Isso nos leva a outra crítica C. Boff: "Jon Sobrino diz: ‘A teologia nasce do pobre’. Roma simplesmente responde: ‘Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito’. Assino embaixo.” Na forma como está escrito é facilmente perceptível que há dois temas em discussão: de onde nascem a teologia e a fé. É claro que a fé cristã nasce em Cristo, mas a teologia não é fé, é uma reflexão sistêmica sobre a nossa experiência de fé e, portanto, não necessariamente precisa começar com Cristo. Eu não sou especialista no pensamento de Sobrino, mas pelo que estudei dele posso afirmar que para ele o ponto de partida da reflexão teológica – que é diferente da fé – é o pobre enquanto nele encontramos a face de Cristo entre nós. Em outras palavras, o ponto de partida de teologia é a relação entre Cristo e o pobre (...) Por fim, C. Boff diz: "O ‘cristianismo anônimo’ constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais” e endossa a afirmação de dom Rommer de que "Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial". Eu realmente tenho dificuldade em achar que alguém tenha usado a tese rahneriana de "cristianismo anônimo” como desculpa, mas concordo que não basta fazer o bem para ser cristão. Pois, isso negaria que um budista ou um ateu pudesse fazer o bem sendo budista ou ateu, sem querer ser cristão, muito menos cristão anônimo. Aliás, na parábola do "juízo final” (Mt 25) a identidade religiosa ou ideológica das pessoas nem entra em discussão. 

Leia o texto completo.

:: Quem é Jung Mo Sung? Veja aqui e aqui.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O primeiro e-reader a gente nunca esquece


Há pouco mais de um ano, 70% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar em livros digitais. O mercado digital muda, porém, de maneira veloz. É um caminho sem volta.


Estou gostando demais das novas possibilidades de leitura oferecidas por meu Kindle, adquirido recentemente.

Estou apreciando, sem custo algum, textos clássicos das literaturas alemã, inglesa, norte-americana, francesa, árabe, escandinava antiga, latina, irlandesa, italiana etc. E a maioria nas línguas originais. Textos que eu lera, muitos deles, a partir de meus 11 anos de idade - quando tive acesso a uma boa biblioteca - em tradução apenas.

Pois acabei de ler este artigo na CartaCapital, de 11.03.2013 08:42, escrito por Samantha Maia: Meu primeiro e-book.

Que começa assim:
Há pouco mais de um ano, 70% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar em livros digitais. A experiência com essa leitura, em geral de obras disponibilizadas em PDF gratuitamente na internet, era considerada uma opção de segunda linha, incapaz de superar o papel. O mercado digital muda, porém, de maneira veloz. A aposta recente das grandes empresas vendedoras de e-books no Brasil – Amazon, Apple e Google – e a movimentação das maiores redes de livrarias brasileiras – Livraria Cultura e Saraiva – para não ficarem atrás no negócio marcam a entrada de vez do novo produto no País. “É um caminho sem volta”, diz Hubert Alqueres, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), representante das editoras. A Apple iniciou as vendas de e-books brasileiros em outubro de 2012, por meio da iTunes. Em dezembro foi a vez do Google, com o Google play, e da Amazon, com seu site brasileiro. Alex Szapiro, vice-presidente do Kindle da Amazon do Brasil, conta que a empresa estudou o mercado durante um ano e meio. “Viemos pelo potencial brasileiro de ser um dos maiores mercados do mundo.” A Livraria Cultura e a Saraiva já comercializavam livros digitais desde 2010, mas o volume de obras disponíveis equivalia a 10% do que existe hoje. O acervo continua pequeno comparado a mercados maduros. São 15 mil títulos em português, diante de 1 milhão de obras nos Estados Unidos, onde as vendas de e-books começaram nos primórdio dos anos 2000. No mercado de livro impresso, 58 mil títulos foram lançados apenas em 2011. Os investimentos das editoras para a conversão dos arquivos devem, no entanto, impulsionar rapidamente o número de obras brasileiras disponíveis em formato digital. Uma novidade importante foi o governo federal publicar, há duas semanas, um edital para a compra de 80 milhões de livros digitais didáticos, com entrega prevista a partir de 2015. A iniciativa casa com a aquisição recente de 600 mil tablets para professores. Pelo fato de 30% do faturamento do setor editorial brasileiro vir de encomendas governamentais, a primeira compra pública de e-books é um passo decisivo para organizar esse mercado e derrubar o custo de produção. A difusão dos tablets e dos smartphones no Brasil foi importante para aumentar a atratividade dos e-books com o ganho da mobilidade. Em 2012, cerca de 3 milhões de tablets foram vendidos no País. O livro eletrônico tem, porém, um instrumento próprio que ainda não é comum entre os brasileiros: o e-reader, ou leitor digital. São aparelhos leves, com menos de 200 gramas, dimensão em média de 6 polegadas e tela sem brilho, que cansa menos a vista. Custam de 300 a 400 reais, têm memória para armazenar mais de mil livros e bateria que dura até 30 dias. É em torno de tais dispositivos que está centrada a disputa no mercado local.

Leia o texto completo.

Leia Mais:
E-Books gratuitos para Kindle
Mais ebooks gratuitos para Kindle e outros leitores

Clodovis Boff reafirma postura conservadora


Está em entrevista de Clodovis Boff, mais conhecido pela mídia como irmão de Leonardo Boff, à Folha de S. Paulo de hoje.

Leia Irmão de Leonardo Boff defende Bento 16 e critica Teologia da Libertação

Fonte: Alexandre Gonçalves - Folha de S. Paulo: 11/03/2013 - 04h48

Leia Mais:
Clodovis Boff e a Teologia da Libertação
O texto de Clodovis Boff sobre a TdL e a pastoral [links para os textos de Leonardo e Clodovis Boff no debate de 2008]


Obs.: estou considerando, até prova em contrário, a possibilidade da Folha ter reproduzido a entrevista corretamente, o que não teria ocorrido em casos recentes com Leonardo Boff e José Oscar Beozzo.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Chavismo além de Chávez


O presidente da Venezuela e líder da 'revolução bolivariana', Hugo Chávez Frias, morreu nesta terça (5 de março de 2013), aos 58 anos, vítima de câncer. Agora que Chávez não existe mais, o que permanece é o chavismo. Até então, o oposicionismo venezuelano enfrentava um líder carismático de carne e osso. A partir de agora, enfrentará uma lenda.

:: Leia o especial de Carta Maior
O Chavismo além de Chávez

:: Também o especial de Brasil de Fato
Hugo Chávez (1954-2013)

:: E do Opera Mundi
Especial Venezuela: A Era Chávez


Atualização: 07/03/2013 - 17h00
A história registrará, com justiça, o papel que Chávez desempenhou na integração latino-americana e sul-americana, e a importância de seu governo para o povo pobre de seu país, diz Luiz Inácio Lula da Silva.

terça-feira, 5 de março de 2013

Precisamos de um Papa como São Francisco

Atualização: 13/03/2013
O cardeal de Buenos Aires, Argentina, Jorge Mario Bergoglio, eleito Papa hoje, adotou o nome de Francisco.

Fratelli e sorelle, buonasera! Voi sapete che il dovere del Conclave era di dare un Vescovo a Roma. Sembra che i miei fratelli Cardinali siano andati a prenderlo quasi alla fine del mondo... ma siamo qui... Vi ringrazio dell'accoglienza.


Explode o caso Vatileaks. Os cardeais querem saber
Na manhã de ontem foram três cardeais que manifestaram o desejo de saber o que consta na “Relatio” preparada pela comissão dos cardeais que fizeram a investigação. O conteúdo do relatório, até o momento, é secreto. O pedido foi feito pelo cardeal alemão Walter Kasper (...), pelo austríaco Cristoph Schönborn, arcebispo de Viena (...), e [pelo] húngaro Peter Erdö, arcebispo de Budapeste (...) Não por acaso também os cardeais de Washington e de Chicago, Donald Wuerl e Francis George, afirmaram, depois da primeira congregação geral, que o caso Vatileaks precisa ser discutido e “que algumas perguntas serão feitas aos cardeais envolvidos na investigação” (...). Sabe-se que Bento XVI não quis divulgar o relatório, mas permitiu que os três cardeais que investigaram o caso – Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi – forneçam informações de caráter geral (...) Mas seria um erro considerar que escândalos e Vatileaks tenham sido o tema principal do primeiro dia de trabalho: a preocupação da maioria dos presentes é encontrar um novo Papa que saiba falar ao mundo, anunciar o Evangelho de maneira positiva. “Seria preciso um Papa como São Francisco [sublinhado meu] – diz um cardeal influente no final dos trabalhos de ontem - um homem que saiba sorrir como João Paulo I, que possa mostrar o rosto da misericórdia de Deus. E que saiba reformar a Cúria para torná-la mais crível e transparente”.

Leia o texto completo.

A reportagem é de Andrea Tornielli e foi publicada pelo jornal La Stampa [Vatican Insider] em 05/03/2013. Fonte: Notícias: IHU On-Line - 05/03/2013.


Esplode il caso Vatileaks. Le porpore vogliono sapere - Andrea Tornielli - Vatican Insider/La Stampa: 05/03/2013
Tre cardinali di peso chiedono di conoscere i segreti dell’ultimo scandalo. La richiesta è stata avanzata dal tedesco Walter Kasper, ottant’anni appena compiuti, in conclave per un soffio, appartiene all’ala dei vecchi curiali più critici verso la gestione della Segreteria di Stato degli ultimi anni. Stessa domanda anche da due «papabili» europei di peso. Il primo è l’austriaco Cristoph Schönborn, arcivescovo di Vienna, che nel 2010 criticò pubblicamente l’ex Segretario di Stato Angelo Sodano per come erano stati gestiti i casi di abusi nell’ultimo periodo wojtyliano. Il secondo è l’ungherese Peter Erdö, arcivescovo di Budapest, considerato un possibile candidato europeo al Soglio di Pietro (...) Sarebbe però un errore considerare scandali e Vatileaks come il segno distintivo della prima giornata di dibattito: la preoccupazione della maggior parte dei presenti è quella di trovare un nuovo Papa che sappia parlare al mondo, annunciare il Vangelo in modo positivo. «Ci vorrebbe un Papa come San Francesco - confida a La Stampa un porporato influente a fine giornata - un uomo che sappia sorridere come Giovanni Paolo I, che possa mostrare il volto della misericordia di Dio. E che sappia riformare la Curia per renderla più credibile e trasparente».

Israelenses x Palestinos: ninguém acredita mais em paz


Maioria dos israelenses se sente confortável o suficiente para ignorar seus vizinhos
Um dos ministros da equipe que está deixando o governo de Israel após as últimas eleições me disse, sem rodeios, durante uma recente visita que fiz ao país: "Pela primeira vez, os palestinos não influenciaram as eleições". A maioria dos israelenses se sente confortável o suficiente para ignorar seus vizinhos. É como se eles estivessem no Titanic e preferissem não pensar no assunto. É um fato aceito e conhecido por todos na Casa Branca, e para além dela também, que a atual situação é insustentável – a ocupação da Cisjordânia por Israel, que já dura 46 anos, as fronteiras indefinidas, o conflito latente, a opressão. Mas pensar que essa situação poderá ser resolvida pode não ser nada além de uma ilusão. Israel sente que sua situação é sustentável. O milagre econômico que faz com que regiões do país se pareçam com o sul da Califórnia poderá continuar: o isolamento diplomático de Israel não equivale a isolamento comercial. A ocupação militar vai crescer com o apoio dos Estados Unidos. Uma forte corrente nacionalista israelense – nós ganhamos todos os territórios no campo de batalha e, por isso, ele é nosso! – vai prevalecer sobre a fadiga gerada pelas negociações de paz entre os israelenses liberais e um fragmentado movimento palestino (...) Sim, Israel, país que se estende por todas as terras de Eretz Israel (um termo bíblico usado para fazer referência à área localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão e que abrange toda a Cisjordânia), é sustentável. O status quo não é estático. Em suma, apesar dos padrões demográficos, que favorecem os palestinos, o poder pende para o lado de Israel. A vitalidade supera a demografia. "Muitos anos vão se passar sem que haja nenhuma definição", disse-me Tom Segev, ilustre historiador israelense. "Vamos continuar oprimindo; Eles vão continuar tentando lutar. Atualmente, a maioria dos israelenses sente que sua segurança está garantida sem ter que abrir mão de nada. Esse é o problema. A opressão dos palestinos é terrível. Mas a situação está calma. Por isso, os israelenses não percebem essa opressão cotidiana. Ninguém acredita mais em paz". Do lado palestino também ficou mais difícil de encontrar quem acredite em um acordo de paz baseado em dois estados. A expansão dos assentamentos com a aquiescência dos EUA levou à convicção de que não haverá um estado palestino viável na Cisjordânia e em Gaza (...) Eu disse que a situação de Israel é sustentável. E ela é, em termos físicos. Mas não é em termos éticos. Israel é um estado cuja Declaração de Independência, de 1948, diz que ele seria "fundado com base nos princípios da liberdade, da justiça e da paz de acordo com o espírito das visões dos profetas de Israel; que implementará a igualdade total de direitos sociais e nacionais para todos os seus cidadãos sem distinção de raça, religião e sexo; prometerá a liberdade de culto, opinião, língua, educação e cultura". A ocupação da Cisjordânia, onde vivem mais de 2,6 milhões de palestinos humilhados, contraria cada palavra dessa declaração. Em breve, o presidente Barack Obama visitará Israel e a Cisjordânia. Ele não tem nenhum motivo para ter esperanças. A paz está além de uma solução funcional, mas capenga. A falta de limites para a força de Israel e para a vitimização palestina estreitaram o caminho para que se chegasse aos conhecidos compromissos necessários para acabar com o conflito. 

Leia o texto completo.  O artigo é de Roger Cohen, colunista do jornal The New York Times. Foi reproduzido pelo portal Uol em 02/03/2013. O autor do texto se define como um sionista liberal.

Fonte: Notícias: IHU On-Line - 05/03/2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Biblical Studies Carnival 84


Seleção de postagens dos biblioblogs em fevereiro de 2013.

The February 2013 Biblical Studies Carnival!

Trabalho feito por Drewe, do blog Delving Into the Scriptures.