domingo, 13 de janeiro de 2013

Aí o mineiro perguntou: como se faz um bispo, sô?


Entre o templo e os escribas, fico com os profetas (Jaime Pinksy)


VITAL, J. D. Como se faz um bispo: segundo o alto e o baixo clero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012, 364 p. - ISBN 9788520010891.


Acabei de ler os 24 capítulos do livro de J. D. Vital, Como se faz um bispo, segundo o alto e o baixo clero.  O livro é, em boa parte, uma mistura de saborosas estórias eclesiásticas embrulhadas no jeito mineiro de contar causos. Mas, de vez em quando, faz reflexões sérias. Muito sérias, como o último capítulo, A conversão dos bispos (p. 333-356).

Um livro que faz pensar.

Pelo menos para quem, como eu, que vive desde 1962 neste meio, tendo morado em lugares repetidamente citados pelo autor. Além de Patos de Minas, minha terra, nos seminários de Diamantina e Mariana. E em Roma, onde morei 6 anos no Pio Brasileiro, enquanto estudava na Gregoriana e no Bíblico. E foi em Roma, de 1970 a 1976, que convivi com boa parte das pessoas citadas e entrevistadas. Outras, conheci em Minas Gerais. Do alto e do baixo clero brasileiro.

Figuras que são grandes em vida e continuam grandes após a morte na memória dos bons, saem engrandecidas neste livro, e isto me alegra. Como Alberto Antoniazzi, José Comblin, João Batista Libânio, Leonardo Boff, Hans Küng, Frei Rosário Joffily [também aqui], Carlo Maria Martini, dom Helder Câmara, dom Paulo Evaristo Arns, dom Luciano Mendes de Almeida, dom Oscar Romero, dom José Maria Pires, dom Sérgio da Rocha, dom Aloísio Lorscheider, dom Ivo Lorscheiter, dom Angélico Sândalo Bernardino, dom Demétrio Valentini, dom Moacir Grecchi, dom Mauro Morelli, dom Pedro Casaldáliga, dom Tomás Balduíno e tantos outros.

Eles fazem parte de um grupo maior de teólogos "que pensam" e de cardeais, arcebispos e bispos com "luz própria", como insiste o autor. Assino embaixo.

Por outro lado, para um biblista como eu, estudioso e admirador dos profetas, fica uma certa sensação de desalento: séculos de história construíram enorme distância entre o projeto evangélico - tal como aparece, por exemplo, nos 4 evangelhos canônicos - e a luta pelo poder que se vê em certos meios eclesiásticos, fazendo persistir, entre outros desafios para a Igreja, como teimosa tiririca, a invidia clericalis...

O autor parece que contou, com honestidade e empenho de jornalista sério, o que conseguiu escavar.

Se em alguns casos, a coisa possa ter sido mais complicada do que está no livro, talvez seja porque o autor não conheça todo o imbróglio acontecido, ou, mais provavelmente, não tenha considerado conveniente acender lamparina em cômodos tão escuros desta complexa casa.

Percebo também que, em outras situações, preferiu-se uma versão mais "mineira", quer dizer, mais moderada, dos causos, isto porque gente de juízo não cava tão fundo em cova recente!

Estas são apenas anotações escritas a lápis no final do livro, na sexta-feira, dia 11.01.2013, quando terminei a leitura.

Recomendo uma boa resenha, feita por João Batista Libânio, que pode ser lida aqui (ou aqui). E outra, de Fernando Altemeyer Junior, que pode ser lida aqui.

O livro certamente será lido com proveito por quem vive no meio eclesiástico ou não.

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