sábado, 29 de dezembro de 2012

Os 50 anos do Vaticano II na REB


O fascículo 288 da REB, de outubro de 2012, é dedicado aos 50 anos do Vaticano II.

Destaco os artigos de:

  • Antonio José de Almeida: Critérios básicos para a interpretação do Vaticano II
  • Francisco de Aquino Júnior: Igreja dos pobres. Do Vaticano II a Medellín e aos dias atuais
  • Paulo Suess: A "virada popular" inibida. Proposta missionária do Vaticano II no cinquentenário de sua abertura à luz da pastoral latino-americana
  • Agenor Brighenti: Sinodalidade eclesial e colegialidade episcopal. A relevância ofuscada das conferências episcopais nacionais
  • Antonio Luiz Catelan Ferreira: A noção eclesiológica de comunhão na obra de Jean Jérôme Hamer


Na seção de comunicados:

  • Demétrio Valentini: 50 anos de recepção do Concílio na Igreja da América Latina


Em apreciações:

  • FAGGIOLI, M. Vatican II: The Battle for Meaning. Mahwah, NJ: Paulist Press, 2012, 224 p. - ISBN 9780809147502 - Resenha escrita por Rodrigo Coppe Caldeira (disponível online aqui)



Leia Mais:
Livros e artigos sobre o Vaticano II
O Vaticano II no Observatório Bíblico

Resenhas na RBL: 23.12.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:


Frederick Dale Bruner
The Gospel of John: A Commentary
Reviewed by Sonya S. Cronin

Georg Fischer and Dominik Markl
Das Buch Exodus
Reviewed by Paul Sanders

Peter Hon Wan Lau
Identity and Ethics in the Book of Ruth: A Social Identity Approach
Reviewed by Timothy Stone

Nancy C. Lee
Lyrics of Lament: From Tragedy to Transformation
Reviewed by Ulrich Berges
Reviewed by Leonard Mare

Mikeal C. Parsons
Body and Character in Luke and Acts: The Subversion of Physiognomy in Early Christianity
Reviewed by Stephan Witetschek

Matthew S. Rindge
Jesus' Parable of the Rich Fool: Luke 12:13-34 among Ancient Conversations on Death and Possessions
Reviewed by Matthew Hauge

John H. Sailhamer
The Meaning of the Pentateuch: Revelation, Composition and Interpretation
Reviewed by Andrew Steinmann

Simon P. Stocks
The Form and Function of the Tricolon in the Psalms of Ascents: Introducing a New Paradigm for Hebrew Poetic Line-form
Reviewed by Gert T. M. Prinsloo

Klaus Wachtel and Michael W. Holmes, eds.
The Textual History of the Greek New Testament: Changing Views in Contemporary Research
Reviewed by James Leonard


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Rumo a um paradigma pós-religional?


Fala-se cada vez mais do declínio do cristianismo no Ocidente. Suspeita-se, entretanto, que a crise não seja apenas do cristianismo, mas da própria natureza das religiões e de sua crescente incapacidade de se adaptarem às profundas mudanças culturais em curso. Surge a hipótese do advento de um paradigma pós-religional, no qual as religiões neolíticas seriam inviáveis quando se tornar dominante a sociedade do conhecimento. Parece que se as religiões não se libertarem de seus condicionamentos religionais ancestrais, ver-se-ão relegadas como elementos puramente residuais nas margens da história.

A revista da ASETT/EATWOT - Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo / Ecumenical Association Of Third World Theologians - VOICES, publicou em seu número de janeiro-março de 2012, a Consulta Teológica Latino-Americana sobre Religião. Com a colaboração da PUC-Minas, a consulta foi realizada em Belo Horizonte, MG, de 12 a 14 de setembro de 2011, no Simpósio Internacional da ASETT/EATWOT.

O texto está diponível para download, em formato pdf, em inglês e espanhol, no site de VOICES: Toward a Post-religional Paradigm? EATWOT's Latin American Consultation on Religion. São 16 autores e 310 páginas.

Para muitos leitores pode ser interessante ir direto para o texto que traz a proposta teológica de um paradigma pós-religional, o que facilitará a compreensão do tema de capa da revista. Este texto está disponível para download, também em separado, no mesmo site de VOICES, em inglês, espanhol e italiano. Além disso, a revista REB, fascículo 288, de outubro de 2012, traz uma versão do texto em português nas p. 944-957.

Transcrevo os dois primeiros parágrafos da proposta teológica de um paradigma pós-religional. Em espanhol, inglês e italiano.


Hacia un paradigma Pos-religional: Propuesta teológica - Comisión Teológica Internacional de la EATWOT
Cada vez se está hablando más del declive del cristianismo en Occidente. El catolicismo y el protestantismo por igual, atraviesan una grave crisis, tanto en Europa como en América del Norte. Son cada vez más los observadores que pronostican que a continuación la crisis va a afectar también a otras religiones. Se sospecha que la crisis no parece deberse a un problema propio del cristianismo, sino a la naturaleza misma de «las religiones», y la incapacidad creciente que éstas experimentan para acomodarse al profundo cambio cultural que está en curso. La hipótesis del advenimiento de un «paradigma pos-religional» quiere plantear la posibilidad de que estemos ante una transformación socio-cultural de hondo calado, en la que las «religiones neolíticas» van a dejar de ser viables cuando se implante a fondo la adveniente de «sociedad del conocimiento», que será una sociedad «pos-religional», y que las religiones que no se liberen de sus condicionamientos «religionales» ancestrales se verán abocadas a los márgenes residuales del curso de la historia. Es obvio que este paradigma-hipótesis estaría conviviendo con fenómenos bien contrarios de conservadurismo religioso, revivals espirituales, carismatismo y neopentecostalismo. Sólo en algunos sectores geográficos puede estarse dando mayoritariamente, pero algunos observadores afirman que crecen los síntomas de que en las capas urbanas, cultas, tanto de jóvenes como de adultos, con acceso a cultura y tecnología... estaría empezando a hacerse presente este paradigma, también en América Latina (¿también en África y Asia?). Prescindiendo de sondeos cuantificadores de campo, nos queremos concentrar en la elaboración teórica de una primera presentación reflexiva e indagatoria de lo que aquí queremos llamar «paradigma pos-religional», que proponemos a debate y contraste de la comunidad de estudiosos de la teología y de las ciencias de la religión, así como de los «pastores» y de todas las personas preocupadas por la evolución actual de lo religioso.

Towards a Post-Religional Paradigm: Theological proposal - EATWOT's International Theological Commission
There is more talk about the decline of Christianity in the West every day. Both Catholicism and Protestantism are in a deep crisis, in Europe and in North America. But more observers are foreseeing that after the crisis of Christianity other religions will undergo a crisis. There is the suspicion that the present crisis is not due to a problem of Christianity itself, but more to the nature of “religions” as we know them, and the growing incapacity of these to accommodate to the deep cultural changes that are under way. The hypothesis of the advent of a so-called “post-religional paradigm” wishes to express the possibility of our facing a very deep socio-cultural transformation, in which “neolithic religions” will stop being viable when the “society of knowledge” gets rooted, which will be a “post-religional” society, and in which religions that have been unable to free themselves from ancestral “religional” conditionings will be relegated to residual margins of the course of present history. It is obvious that this paradigm-hypothesis would coexist with very opposed phenomena of religious conservatism, spiritual revivals, charismatism and neo-pentecostalism. This new paradigm may be present mostly in some specific geographical sectors, but some observers state that the symptoms are growing in urban sectors that are educated, both young and adult, with access to culture and technology... it might be starting to appear also in Latin America (also in Africa and Asia?). Without taking into account quantitative field investigations, we want to concentrate on the theorising of a first reflexive and inquisitive presentation of what we want to call “post-religional paradigm,” which we present to be debated and contrasted by the community of students of theology and of the sciences of religion, as well as pastors and all people concerned about the present evolution of the religious.


Verso un paradigma post-religionale: Proposta teologica - Commissione Teologica Internazionale dell'EATWOT
Si parla sempre più del declino del cristianesimo in Occidente. Il cattolicesimo e il protestantesimo attraversano entrambi una grave crisi, tanto in Europa quanto in America del Nord. Sono sempre di più gli osservatori che prevedono che la crisi colpirà successivamente anche altre religioni. Si sospetta che essa non sia dovuta a un problema proprio del cristianesimo, bensì alla natura stessa delle religioni, e all’incapacità crescente di queste a far fronte al profondo cambiamento culturale in corso. L’ipotesi dell’avvento di un paradigma post-religionale delinea la possibilità che si stia dinanzi a una trasformazione socio-culturale di grande profondità, in cui le religioni neolitiche siano destinate a segnare il passo nella misura in cui si insedierà la nascente società della conoscenza, che sarà una società post-religionale, e che le religioni che non si liberino dei propri condizionamenti religionali ancestrali si vedranno sospinte ai margini della storia. È ovvio che l’ipotesi di questo paradigma stia convivendo con fenomeni opposti di conservatorismo religioso, revival spirituali, crescita carismatica e neopentecostale. Ma ciò si registra in maniera massiccia solo in alcuni settori geografici, mentre, secondo alcuni osservatori, nelle fasce urbane, colte, di giovani e di adulti con accesso a cultura e tecnologia comincerebbe a farsi presente questo paradigma, anche in America Latina (pure in Africa e in Asia?). Prescindendo dalle indagini sul campo, vorremmo concentrarci sull’elaborazione teorica di una prima presentazione di ciò che qui intendiamo chiamare paradigma post-religionale, su cui invitiamo a dibattere la comunità di studiosi di teologia e di scienze della religione, come pure i pastori e tutte le persone interessate all’evoluzione attuale della dimensione religiosa.


Leia Mais:
ASETT/EATWOT
Comissão Teológica Latino-Americana
RELaT - Revista Electrónica Latinoamericana de Teología

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Morreu o biblista frei Gorgulho


Morreu hoje cedo, dia 26 de dezembro, às 6h20, frei Gilberto da Silva Gorgulho, aos 79 anos de idade. O corpo está sendo velado na Igreja São Domingos, na Rua Caiubi, 164, nas Perdizes, São Paulo. O cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, preside missa de corpo presente, hoje às 19h00. Amanhã, 27, haverá outra missa às 6h45. Às 8h00 o corpo segue para o Cemitério Santíssimo Sacramento, Avenida Doutor Arnaldo, 1200.

Frade dominicano, nasceu em Cristina - MG, na diocese de Campanha, em 9 de julho de 1933. Frei Gorgulho fez seus estudos de exegese na École Biblique et Archéologique Française de Jérusalem.

Formou gerações no pós-concilio na fidelidade ao espírito da “Dei Verbum”, sempre trabalhando com a exegeta norte-americana Anne Florence (Ana Flora) Anderson. Além de suas muitas publicações, vale lembrar que, junto com Ivo Storniolo e Ana Flora Anderson, Gorgulho coordenou a tradução da Bíblia de Jerusalém para o português.

Lecionou em vários institutos e faculdades de Teologia de São Paulo. Nos últimos anos esteve ligado ao programa de pós-graduação de Ciências da Religião da PUC-SP.

Gorgulho foi um dos colaboradores do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, na assistência aos frades dominicanos presos durante o regime militar.


Fontes: Arquidiocese de São Paulo - O Estado de S. Paulo - Blog do Telmo José Amaral de Figueiredo



Leia Mais:
Frei Gorgulho: ler a Bíblia com o coração comprometido com os pobres - Jung Mo Sung: 26/12/2012 (cf. também aqui)
Domingos Zamagna fala sobre frei Gorgulho



sábado, 22 de dezembro de 2012

Netanyahu: o que a ONU diz não me interessa

Uma solução justa, pacífica e duradoura só será possível quando Israel abandonar os territórios ocupados e se implementarem as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas (Manuel Quintero Pérez: Terrorismo versus segurança)


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou na noite desta sexta-feira  (21/12) que Israel tem o direito de construir assentamentos na região oriental de Jerusalém, área reivindicada pelos palestinos, mesmo com a desaprovação de boa parte da comunidade internacional e da ONU (Organização das Nações Unidas). Em entrevista ao Canal 2 da televisão local, o premiê, que é favorito na eleição legislativa marcada para janeiro de 2013, ele afirmou que trata-se de uma questão de princípios, e pouco importa o que as Nações Unidas pensam a respeito. "Vivemos em um estado judeu e Jerusalém é a capital de Israel. O Muro das Lamentações não é território ocupado. Construímos em Jerusalém porque é nosso direito. O que a ONU diz não me interessa", manifestou o chefe do Governo israelense (...) Um dia após o reconhecimento da Palestina como estado observador não membro da ONU no dia 29 de novembro, Israel anunciou planos para construir 3.000 novas unidades de moradia em assentamentos judaicos e avançar o polêmico projeto de edificação na zona E-1, que conectaria o grande assentamento de Maaleh Adumim com Jerusalém e minaria a continuidade territorial do Estado palestino. Esse anúncio foi duramente criticado por 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU. Seu principal aliado, os Estados Unidos, afirmaram que Israel “está provocando um padrão de ações provocativas” que vão contra a Resolução de Dois Estados e desacreditam as manifestações dos dirigentes israelenses a favor da paz.

Fonte: Opera Mundi: Netanyahu: “Não me interessa o que a ONU diz sobre assentamentos” - 22/12/2012  11h05


Amid increasing international criticism of Israel's recent approval of construction plans in the West Bank and East Jerusalem, Prime Minister Benjamin Netanyahu said in a television interview Friday that he is not interested in what the UN has to say about the subject. Following the UN vote granting the Palestinians non-member status, Israel announced plans to advance a long-frozen project for the E-1 corridor, which links the city of Jerusalem with the settlement of Ma'aleh Adumim. The Netanyahu government also announced plans to build 3,000 new residential units beyond the green line. Criticism of these reached as far as the UN this week, when on Wednesday fourteen members of the UN Security Council condemned Israel for its intention to move ahead with construction in E-1, as well as with building new settler homes. On Tuesday the U.S. State Department accused Israel of engaging in a "pattern of provocative action" that runs counter to statements from Israeli leaders that they are committed to peace. In Friday's Channel 2 interview, Netanyahu said construction is a matter of principle. "We live in a Jewish state, and Jerusalem is the capital of Israel. The Western Wall is not occupied territory. We will build in Jerusalem because this is our right. What the UN says doesn't interest me." 

Fonte: Haaretz: Netanyahu: I'm not interested in what UN says about settlement construction - Dec.21, 2012 | 9:56 PM


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Resenhas na RBL: 16.12.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:


Moshe Bar-Asher and Devorah Dimant, eds.
Meghillot [Hebrew]: Studies in the Dead Sea Scrolls, VIII-IX
Reviewed by George Brooke

Radcliffe G. Edmonds III, ed.
The "Orphic" Gold Tablets and Greek Religion: Further along the Path
Reviewed by Timothy Pettipiece

Craig A. Evans, ed.
The World of Jesus and the Early Church: Identity and Interpretation in the Early Communities of Faith
Reviewed by Judith Lieu

Jonathan Knight
Revelation
Reviewed by Michael Naylor

Te-Li Lau
The Politics of Peace: Ephesians, Dio Chrysostom, and the Confucian Four Books
Reviewed by Minna Shkul

Abigail Pelham
Contested Creations in the Book of Job: The-World-as-It-Ought- and-Ought-Not-to-Be
Reviewed by Norman Habel

Michael Peppard
The Son of God in the Roman World: Divine Sonship in its Social and Political Context
Reviewed by Matthew Forrest Lowe

Daniel B. Wallace, ed.
Revisiting the Corruption of the New Testament: Manuscript, Patristic, and Apocryphal Evidence
Reviewed by J. K. Elliott

Beat Weber
Werkbuch Psalmen III: Theologie und Spiritualität des Psalters und seiner Psalmen
Reviewed by Mark Elliott

Ina Willi-Plein
Das Buch Genesis: Kapitel 12-50
Reviewed by Wolfgang Zwickel


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A velha cara da nova direita brasileira


O  Instituto Millenium é a versão contemporânea, mas não moderna, dos golpistas do passado.

Leia a reportagem de Leandro Fortes na CartaCapital – edição 727, de 12/12/2012*, p. 24-28.

Escreve Leandro Fortes em Saudades de 1964:

Em 1º de março de 2010, uma reunião de milionários em luxuoso hotel de São Paulo foi festejada pela mídia nacional como o início de uma nova etapa na luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos. Autodenominado 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, o evento teve como anfitriões três dos maiores grupos de mídia nacional: Roberto Civita, dono da Editora Abril, Otávio Frias Filho, da Folha de S.Paulo, e Roberto Irineu Marinho, da Globo.

O evento, que cobrou dos participantes uma taxa de 500 reais, foi uma das primeiras manifestações do Instituto Millenium, organização muito semelhante ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), um dos fomentadores do golpe de 1964. Como o Ipes de quase 50 anos atrás, o Millenium funda seus princípios na liberdade dos mercados e no medo do "avanço do comunismo", hoje personificado nos movimentos bolivarianos de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Muitos de seus integrantes atuais engrossaram as marchas da família nos anos 60 e sustentaram a ditadura. Outros tantos, mais jovens, construíram carreiras, principalmente na mídia, e ganharam dinheiro com um discurso tosco de criminalização da esquerda, dos movimentos sociais, de minorias e contra qualquer política social, do Bolsa Família às cotas nas universidades.

Há muitos comediantes no grupo. No seminário de 2010, o "democrata" Arnaldo Jabor arrancou aplausos da plateia ao bradar: "A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?" Isso, como? A resposta é tão clara como a pergunta: com um golpe. No mesmo evento brilhou Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Como se verá ao longo deste texto, há um traço comum entre vários "especialistas" do Millenium: muitos se declaram ex-comunistas, ex-esquerdistas, em uma tentativa de provar que suas afirmações são fruto de uma experiência real e não da mais tacanha origem conservadora. Madureira não foge à regra: "Sou forjado no pior partido político que o Brasil já teve", anunciou o "arrependido", em referência ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho Partidão. Após a autoimolação, o piadista atacou, ao se referir ao governo do PT de então: "Eu conheço todos esses caras que estão no poder, eram os caras que não estudavam". Eis o nível.

O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas. Jabor e Madureira estão perfilados em uma extensa lista de colaboradores no site da entidade, quase todos assíduos freqüentadores das páginas de opinião dos principais jornais e de programas na tevê e no rádio. Montado sob a tutela do suprassumo do pensamento conservador nacional e financiado por grandes empresas, o instituto vende a imagem de um refinado clube do pensamento liberal, uma cidadela contra a barbárie. Mas a crítica primária e o discurso em uníssono de seus integrantes têm pouco a oferecer além de uma narrativa obscura da política, da economia e da cultura nacional. Replica, às vezes com contornos acadêmicos, as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama.

Meio empresa, meio quartel, o Millenium funciona sob uma impressionante estrutura hierárquica comandada e financiada por medalhões da indústria. Baseia-se na disseminação massiva de uma ideia central, o liberalismo econômico ortodoxo, e os conceitos de livre-mercado e propriedade privada. Tudo bem se fosse só isso. No fundo, o discurso liberal esconde um freqüente flerte com o moralismo udenista, o discurso golpista e a des-qualificação do debate público. Criado em 2005 com o curioso nome de “Instituto da Realidade”, transformou-se em Millenium em dezembro de 2009 após ser qualificado como Organização Social de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça. Bem a tempo de se integrar de corpo e alma à campanha de José Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais de 2010. Em pouco tempo, aparelhado por um batalhão de “especialistas”, virou um bunker antiesquerda e principal irradiador do ódio de classe e do ressentimento eleitoral dedicado até hoje ao ex-presidente Lula...


Leia o texto completo em Notícias: IHU On-Line: Saudades de 1964. A nova direita - 19/12/2012.


* 12/12/2012 é a data da edição impressa. No site consta 07/12/2012.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O fim do fim do mundo


Lamento comunicar aos interessados que foi decretado o fim do fim do mundo.

Éschaton, em grego, significa "último", éschata "as últimas coisas". O termo hebraico correspondente é aharît: "fim", "conclusão", "resultado", "desfecho".

Éschaton como "fim do tempo do mundo", "destruição total do mundo" é um conceito que a Bíblia Hebraica (= AT) ignora. É que para o pensamento hebraico, mesmo um acontecimento intra-histórico tem o valor de definitivo, é aharît. A escatologia é, na Bíblia Hebraica, a transformação do mundo e da história, atingindo um "novo estado de coisas", sem um encerramento definitivo das coisas. A escatologia está, assim, ligada à história.

Para o pensamento apocalíptico desenvolvido em Israel  a partir do século II a.C., a história não é uma série de acontecimentos isolados, mas um todo unificado, um processo contínuo do começo ao fim do mundo. Seu tempo é mítico: início e fim (do mundo) encontram-se em um lugar teórico - mítico -, onde tudo começa enquanto tudo termina. O mundo está sempre nascendo como novo. A morte deste mundo, para o surgimento de um mundo novo, assegura a existência do mundo. A oposição, ou melhor, a continuidade entre "este mundo" e o "mundo que virá", a passagem de um mundo para o outro é típico da apocalíptica.


Chega? Talvez mais coisas possam ser lidas.

O verbo grego kalýpto significa "cobrir", "esconder", "ocultar", "velar". Neste sentido ele é usado, por exemplo, em Lc 23,30 ou 2Cor 4,3. Aqui, Paulo diz: "Por conseguinte, se o nosso evangelho permanece velado (kekalymménon) está velado (kekalymménon) para aqueles que se perdem...".

Na LXX (= Setenta ou Septuaginta) - tradução grega da Bíblia Hebraica feita a partir do século III a.C. - kalýpto é usado no mesmo sentido em Ex 24,15;27,2; Nm 9,15; 1Rs 19,13 e em muitos outros lugares. Ex 24,14 diz: "Depois, Moisés e Josué subiram à montanha. A nuvem cobriu (ekálypsen) a montanha". Nm 9,15 diz: "No dia em que foi levantada a Habitação, a Nuvem cobriu (ekálypsen) a Habitação, ou seja, a Tenda da Reunião...". O verbo hebraico assim traduzido é khâsah, "cobrir", "ocultar".

A preposição grega apó indica um movimento de afastamento ou retirada de algo que está na parte externa de um objeto. Assim é usada em Mt 5,29: "Caso o teu olho direito te leve a pecar, arranca-o e lança-o para longe de ti (apó sou)".

Em hebraico, o verbo gâlâh é usado com o significado de "despir", "descobrir", "revelar", "desvelar". Ex 20,26 diz: "Nem subirás o degrau do meu altar, para que não se descubra (thigâleh) a tua nudez". E 1Sm 2,27: "Um homem de Deus veio a Eli e lhe disse: 'Assim diz Iahweh. Eis que me revelei (nighlêthî) à casa de teu pai...'".

Dn 2,29 usa o verbo gâlâh para a revelação do que deve acontecer: "Enquanto estavas sobre o teu leito, ó rei, acorriam-te os pensamentos sobre o que deveria acontecer no futuro, e aquele que revela (weghâlê') os mistérios te deu a conhecer o que deve acontecer".

A LXX traduz o verbo gâlâh pelo grego apokalýptô, que significa "descobrir", "revelar", "desvelar", "retirar o véu".

O NT usa o mesmo verbo neste sentido. Mt 10,26, por exemplo: "Não tenhais medo deles, portanto. Pois nada há de encoberto que não venha a ser descoberto (apokalyfthêsetai)". Ou Lc 10,22: "Tudo me foi entregue por meu Pai e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, e quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (apokalýpsai)".

Deste verbo deriva o substantivo feminino grego apokálypsis, "revelação", "apocalipse". Em Gl 2,2 Paulo diz a propósito de sua ida a Jerusalém: "Subi em virtude de uma revelação (apokálypsin)...". E o livro do Apocalipse começa assim: "Revelação (apokálypsis) de Jesus Cristo...".

De "apocalipse" deriva "apocalíptica" e é exatamente com esse nome que designamos uma corrente de pensamento e uma literatura surgidas em Israel entre os anos 200 a.C. e 100 d.C., mais ou menos.

Sobre isto, mais coisas podem ser lidas em meu artigo Apocalíptica: Busca de um Tempo sem Fronteiras.

Leia Mais:
Paideia grega e Apocalíptica judaica

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Manuscritos do Mar Morto estão online


The Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library

Sobre este projeto eu já falei aqui e aqui, pois, desde o ano passado, 5 manuscritos já estavam online. Agora, no site The Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library, estão online vários dos Manuscritos do Mar Morto. São cerca de 5 mil imagens de fragmentos dos manuscritos.

>> Atualização em 09.02.2014 - 12h10:
Agora, em fevereiro de 2014, são cerca de 10 mil imagens de fragmentos dos manuscritos...

Leio no site da IAA - Israel Antiquities Authority:

"On the occasion of the 65th anniversary of the discovery of the Dead Sea Scrolls, the Israel Antiquities Authority and Google are pleased to launch today the Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library website.  The public is invited to experience, view, examine, and explore this collection of over 5000 images of Dead Sea Scrolls, in a quality never seen before.

The library was assembled over the course of two years, in collaboration with Google, using advanced technology first developed by NASA. It includes some 1000 new images of scroll fragments; 3500 scans of negatives from the 1950s; a database documenting about 900 manuscripts, two-thousand years old, comprising thousands of scroll fragments; and interactive content pages. It enables scholars and millions of users worldwide to reveal and decipher details hence invisible to the naked eye. The site displays infra-red and color images at a resolution of 1215 dpi, at a 1:1 scale, equivalent in quality to the original scrolls. Google has provided hosting services and use of Google Maps, image technology and YouTube. The project was made possible by an exceptionally generous grant from the Leon Levy Foundation, and further contribution by the Arcadia Fund, as well as the support of the Yad Hanadiv Foundation.

One of the earliest known texts is a copy of the Book of Deuteronomy, which includes the Ten Commandments; part of chapter 1 of the Book of Genesis, dated to the first century BCE, which describes the creation of the world; a number of copies of Psalms scrolls; tiny texts of tefillin from the Second Temple period; letters and documents hidden by refugees fleeing the Roman army during the Bar Kochba Revolt; and hundreds of additional 2000-year-old texts, shedding light on biblical studies, the history of Judaism and the origins of Christianity"...


E leio no Official Google Blog:

A little over a year ago, we helped put online five manuscripts of the Dead Sea Scrolls—ancient documents that include the oldest known biblical manuscripts in existence. Written more than 2,000 years ago on pieces of parchment and papyrus, they were preserved by the hot, dry desert climate and the darkness of the caves in which they were hidden. The Scrolls are possibly the most important archaeological discovery of the 20th century.

Today, we’re helping put more of these ancient treasures online. The Israel Antiquities Authority is launching the Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library, an online collection of some 5,000 images of scroll fragments, at a quality never seen before. The texts include one of the earliest known copies of the Book of Deuteronomy, which includes the Ten Commandments; part of Chapter 1 of the Book of Genesis, which describes the creation of the world; and hundreds more 2,000-year-old texts, shedding light on the time when Jesus lived and preached, and on the history of Judaism.

Millions of users and scholars can discover and decipher details invisible to the naked eye, at 1215 dpi resolution. The site displays infrared and color images that are equal in quality to the Scrolls themselves. There’s a database containing information for about 900 of the manuscripts, as well as interactive content pages. We’re thrilled to have been able to help this project through hosting on Google Storage and App Engine, and use of Maps, YouTube and Google image technology.

This partnership with the Israel Antiquities Authority is part of our ongoing work to bring important cultural and historical materials online, to make them accessible and help preserve them for future generations. Other examples include the Yad Vashem Holocaust photo collection, Google Art Project, World Wonders and the Google Cultural Institute.

We hope you enjoy visiting the Dead Sea Scrolls Digital Library, or any of these other projects, and interacting with history.


Posted by Eyal Miller, New Business Development, and Yossi Matias, Head of Israel Research and Development Center - December 18, 2012. 


Leia Mais:
Google creates online archive of 5,000 massively detailed Dead Sea Scrolls images
Upgraded Version of Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library Launched - February 9, 2014

A luta pela terra e sua representação na mídia


Agronegócio procura regiões vulneráveis para se desenvolver. Entrevista especial com Tiago Cubas

O crescimento do agronegócio no Brasil está vinculado às "mudanças neoliberais nas leis de política agrária", que possibilitaram a expansão exorbitante do setor sucroalcooleiro, especialmente em São Paulo, diz Tiago Cubas à IHU On-Line (...) Autor da dissertação “São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009”, Tiago Cubas é membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária – NERA, e analisa os limites de desenvolvimento social em regiões onde cresce a produção do agronegócio. Na semana passada sua dissertação foi comentada na imprensa, e algumas matérias “distorceram o que foi de fato nosso objetivo”, avalia. A pesquisa se propôs a “expor a luta pela terra e a luta para se manter na terra produzindo a favor da soberania alimentar, consequentemente o protagonismo camponês no enfrentamento com o capital no estado de São Paulo, bem como sua representação, principalmente na grande mídia. Esse é um detalhe perdido ironicamente na cobertura da dissertação recentemente defendida”, lamenta.

(...) É impossível o diálogo entre qualquer tipo de conceito que remeta a equilíbrio no interior do sistema capitalista agrário do agronegócio. Assim como a falácia do aquecimento global e os créditos de carbono, a sustentabilidade é outro projeto de marketing que envolve grandes corporações capitalistas ligadas também ao agronegócio no intuito de mascarar o que, de fato, é a sua essência: a concentração, segregação e desigualdade. É importante aí entendermos os conceitos de essência do território e aparência do território. O território do capital se situa em aparentar a realidade como discurso único, e essa é a sua essência, a razão de não se explicar por completo, e assim ele se torna forte. Esse território é legitimado então quando o que está posto é a resolução para todas as coisas. Contudo, a imagem territorial (aparência) não pode ser atribuída à totalidade, ela apenas faz parte de uma realidade muito mais complexa do que vemos, o invisível (ou aquilo que ainda não foi escancarado). O território do agronegócio vive de sua aparência, porque a sua essência é não se explicar, é ser uma propaganda ambulante de si mesmo e do seu “bem”. Esse projeto publicitário, que envolve a imprensa corporativista, tenta convencer a sociedade de que o desmatamento histórico – agora mais evidente na área da Fronteira Legal da Amazônia –, as queimadas, os agrotóxicos, os transgênicos e a exploração do trabalhador urbano e rural não são resultados do sistema do agronegócio. Dessa forma ele propõe o discurso de que tem procurado se estabelecer “sustentável”.

(...) Em Ribeirão Preto [a capital do agronegócio brasileiro] o agronegócio de cana destruiu toda sua proteção florestal para fazer seus “mares” de cana, expulsou o campesinato do campo para a cidade, acabando com a diversidade que prevaleceu até os anos 1960. Impediu todos os planos de implantação de outras indústrias e brigou ferozmente para comprometer os sindicatos e não deixar o MST se organizar...

Leia a entrevista publicada em Notícias: IHU On-Line. Reproduzida também em Carta Maior.



Pesquisa demonstra a pobreza gerada com o avanço do agronegócio

Uma pesquisa de mestrado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que existe uma relação entre a expansão de atividades do agronegócio e o crescimento da pobreza em áreas específicas do estado de São Paulo. Segundo o estudo, regiões reconhecidas pela força agroindustrial estão passando por um processo de concentração de renda, de terras e de pobreza.

A reportagem é de Aline Scarso e publicada pelo Brasil de Fato, 17/12/2012.

O levantamento sinaliza ainda que o agronegócio aproveita a vulnerabilidade das regiões para se instalar e criar raízes. Intitulado São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009, o estudo é do pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), Tiago Cubas. Ele trabalha com dados como o Índice de Pobreza Relativa, Índice de Gini e de Concentração de Riqueza para revelar uma situação de contradição.

Hoje a população rural do estado é de 1,7 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980 era de 2,9 milhões. De acordo com a pesquisa, a região do entorno da cidade de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia Brasileira, é uma das que mais aumentaram o abismo econômico entre a população durante os anos de 1988 a 2009. Situação semelhante também ocorreu no entorno das cidades de Araraquara e Campinas e nas regiões do Pontal do Parapanema – principalmente no entorno dos municípios de Presidente Prudente e Araçatuba, e do Vale do Ribeira, entorno do litoral sul paulista e de Itapetininga (veja mapa abaixo). Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

O autor mostra que as regiões onde isso ocorreu são espaços do desenvolvimento do agronegócio, especialmente da monocultura da cana-de-açúcar. É o caso da Região da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Araraquara e Campinas), onde a cana é preponderante. A área do Pontal do Parapanema, tradicionalmente reduto da pecuária no estado paulista, também sofreu com a expansão da monocultura. “Isso pode significar que o agronegócio escolhe as áreas mais vulneráveis para se instalar e, assim por diante, acirrar as desigualdades sociais e degradar o meio ambiente”, explica o pesquisador.

Leia o texto completo, reproduzido também em Notícias: IHU On-Line e na Carta Maior em 18/12/2012.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Resenhas na RBL: 07.12.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

David L. Balch and Jason T. Lamoreaux, eds.
Finding A Woman's Place: Essays in Honor of Carolyn Osiek
Reviewed by Ralph K. Hawkins

John Barton
The Theology of the Book of Amos
Reviewed by Tyler Mayfield
Reviewed by Heinz-Dieter Neef

Keith Bodner
Jeroboam's Royal Drama
Reviewed by Matthew Suriano

Michael D. Coogan and Mark S. Smith, eds.
Stories from Ancient Canaan: Second Edition
Reviewed by Henk Potgieter

Dean Flemming
Philippians: A Commentary in the Wesleyan Tradition
Reviewed by Matt O'Reilly

Frank Lothar Hossfeld and Eric Zenger
Psalms 3: A Commentary on Psalms 101-150
Reviewed by Thomas Kraus

Alice L. Laffey
First and Second Kings
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

Thomas C. Oden
The African Memory of Mark: Reassessing Early Church Tradition
Reviewed by J. Christopher Edwards

Nicholas Perrin and Richard B. Hays, eds.
Jesus, Paul and the People of God: A Theological Dialogue with N. T. Wright
Reviewed by James P. Sweeney


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Papiro Nash está online


O Nash consiste de uma folha de papiro, escrita em hebraico, com o texto do Decálogo (Ex 20,2-17 = Dt 5,6-21) e do Shema (Dt 6,4-5). Seu nome vem de Walter Llewellyn Nash que o adquire no Egito. Pertence à Universidade de Cambridge, Inglaterra. Data da metade do século II a.C. Antes da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto era o mais antigo manuscrito conhecido contendo um texto da Bíblia Hebraica. Agora foi digitalizado e pode ser visto na página da Cambridge Digital Library.

The Nash Papyrus is a second-century BCE fragment containing the text of the Ten Commandments followed by the Šemaʿ. Prior to the discovery of the Dead Sea Scrolls it was the oldest known manuscript containing a text from the Hebrew Bible. The manuscript was originally identified as a lectionary used in liturgical contexts, due to the juxtaposition of the Decalogue (probably reflecting a mixed tradition, a composite of Exodus 20 and Deuteronomy 5) with the Šemaʿ prayer (Deuteronomy 6:4-5), and it has been suggested that it is, in fact, from a phylactery (tefillin, used in daily prayer). Purchased from an Egyptian dealer in antiquities in 1902 by Dr Walter Llewellyn Nash and presented to the Library in 1903, the fragment was said to have come from the Fayyum.

Ten Commandments go digital
Cambridge University Library is to release digital versions of some of the most significant religious manuscripts in the world - following on from last year’s release of Isaac Newton’s manuscripts and notebooks. Launched in December last year (2011), the Cambridge Digital Library has already attracted tens of millions of hits on its website. Among the 25,000 new images being made freely available at http://cudl.lib.cam.ac.uk/ are a 2,000-year old copy of The Ten Commandments (the famous Nash Papyrus) and one of the most remarkable ancient copies of the New Testament (Codex Bezae). While the latest release focuses on faith traditions – including important texts from Judaism, Christianity, Islam, Buddhism, Hinduism and Jainism – many of the manuscripts being made available are also of great political, cultural and historical importance...

La Universidad de Cambridge digitaliza textos de 2.000 años de antigüedad
Una copia de los Diez Mandamientos de 2.000 años de antigüedad y uno de los primeros escritos en gaélico se ponen a disposición del mundo, gracias al proyecto de digitalización que está llevando a cabo la Universidad de Cambridge. El Papiro Nash -uno de los manuscritos más antiguos conocidos que contienen texto hebreo de la Biblia- se ha convertido en uno de los últimos tesoros de la humanidad. Se reunirá con otros textos antiguos como los cuadernos de Isaac Newton, la Crónica de Nuremberg y otros textos raros, como parte de la Biblioteca Digital de Cambridge, según afirmó la universidad el miércoles. "Cambridge University Library conserva obras de gran importancia para las tradiciones religiosas y comunidades de todo el mundo", dijo en un comunicado la Bibliotecaria de la universidad, Anne Jarvis. "Debido a su edad y a la delicadeza de estos manuscritos rara vez pueden verse - y cuando se muestran, sólo podemos mostrar una o dos páginas", afirmó Jarvis. Antes del descubrimiento de los Rollos del Mar Muerto, el Papiro Nash, fue de lejos el más antiguo manuscrito que contiene el texto de la Biblia hebrea y como documentos históricos más frágiles. La Biblioteca digital de la universidad está haciendo 25.000 imágenes nuevas, incluyendo una copia antigua del Nuevo Testamento, a disposición en su sitio web, que ya ha atraído a decenas de millones de visitas desde el inicio de proyecto, en diciembre de 2011. La última versión también incluye textos importantes del judaísmo, el cristianismo, el islam, el budismo, el hinduísmo y el jainismo.

Visite a Cambridge Digital Library.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

É só Valério falar que a mídia vaza por todo lado


Hoje é  um daqueles dias ajeitados para o "fim do mundo": 12/12/12, às 12h00...


Cerco se fecha contra Lula. E agora?

 Altamiro Borges: Blog do Miro - 11/12/2012

Reportagem do Estadão de hoje confirma, até para os mais ingênuos, que a direita midiática e partidária não vai recuar um milímetro na sua ofensiva para desconstruir a imagem de Lula – e para, logo na sequência, bombardear a presidenta Dilma. Ela teve como base um depoimento prestado por Marcos Valério, em 24 de setembro último, à Procuradoria-Geral da República, que “vazou” no jornal da famiglia Mesquita. Nela o publicitário afirma que pagou “despesas pessoais” do ex-presidente Lula e que sofreu “ameaças de morte”.

Ainda segundo o sinistro depoimento, prestado após o empresário ser condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, Lula teria dado aval aos empréstimos que irrigaram o “mensalão” que comprou deputados da base aliada do seu governo. Marcos Valério fez as novas denúncias às procuradoras Raquel Branquinho e Cláudia Sampaio - esta última mulher de Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Com isto, ele tentou ser incluído no programa de proteção a testemunhas para reduzir a sua pena.

Direita em plena ofensiva

O depoimento “vazado” deu novo fôlego à oposição midiática e partidária. Em plena ofensiva, ela atua em várias frentes. Explora ao máximo o midiático julgamento do “mensalão do PT”, que já estava nos seus estertores e agora ganha nova dinâmica, e ainda abusa das baixarias, inclusive moralistas, no caso Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Tudo é calculado para fustigar a popularidade do ex-presidente Lula e, de quebra, para fragilizar o governo da sua sucessora.

Neste esforço, o que há de mais reacionário na política nativa se une. Logo após o factóide do Estadão, o PSDB anunciou que pedirá a imediata convocação de Marcos Valério para depor no Congresso Nacional. “Queremos ouvi-lo para que ele diga ao país o que disse ao procurador. O que se sabe são vazamentos. É oportuna a presença dele para confirmar o que saiu na imprensa”, justificou o exótico Álvaro Dias, líder tucano no Senado. Os demos, mais sujos do que pau de galinheiro, também pedem a convocação.

Aécio Neves bebeu novamente?

Já o cambaleante presidenciável do PSDB, Aécio Neves, disse que “o PT e o governo deveriam terminar este ano de luto”. Será que ele bebeu novamente? Será que ele já se esqueceu dos péssimos resultados das eleições municipais? Para o senador mineiro, as denúncias de Marcos Valério confirmam que “o nível das relações íntimas do governo federal nos tráficos de influência que lesaram o erário público... O mensalão está aí na sua fase final e já temos outras denúncias que justificam a investigação da Procuradoria-Geral”.

Outras lideranças políticas, de legitimidade próxima à nulidade, também ficaram excitadas com a denúncia do Estadão. Roberto Freire, o chefão do PPS, novamente tentou se colocar como o capacho da direita. Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que andava meio na moita por puro oportunismo eleitoral, voltou a esbravejar que “o PT se transformou num verdadeiro carrasco da ética” e que o governo Dilma é “incompetente”. Alguns “viúvos do Demóstenes”, que se travestem de esquerda, também já se ouriçaram...

Leia o texto completo.


Leia Mais:

Chame o ladrão - Leandro Fortes: CartaCapital - 11/12/2012 10h14
O que se deveria discutir é se, do ponto de vista ético, vale a pena acreditar no depoimento feito depois de Valério ter sido condenado no processo do mensalão. Trata-se de uma estratégia mais do que previsível de um réu apavorado diante da perspectiva de voltar para a prisão onde, segundo consta, sofreu todo tipo de extorsão. Marcos Valério esperou sete longos anos para revelar que, após se reunir com José Dirceu e Delúbio Soares, no Palácio do Planalto, foi ao gabinete presidencial receber um “ok” de Lula. Um réu desesperado por dizer isso, é um direito dele, é um ato de humanidade aceitá-lo como tal. Mas acreditar numa coisa dessas, para qualquer repórter que tenha passado mais de seis meses em Brasília, é quase inacreditável. Mas, de repente, Marcos Valério, o bandidão que financiava o PT, passou a ser uma fonte altamente confiável. O depoimento tardio de um condenado, sem base documental alguma, passou a ser mais uma prova da participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no “maior escândalo de corrupção da história do Brasil”, quiçá de toda a civilização ocidental, desde sempre.


Ofensiva contra Lula não tem mais limites -   Ricardo Kotscho: Balaio do Kotscho: 12/12/12
Julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e agora o vazamento na imprensa de novo depoimento feito à Procuradoria-Geral da República por Marcos Valério, réu condenado a 40 anos de prisão: a ofensiva contra o ex-presidente Lula não tem mais limites, é uma guerra sem quartel, sem data para acabar. Em texto publicado aqui mesmo no Balaio no último dia 2 de novembro, eu já previa: "O alvo agora é Lula na guerra sem fim". Não bastava condenar os dirigentes do PT acusados no processo do mensalão. O objetivo maior era demolir a imagem do principal líder do partido que completa dez anos no governo central agora em janeiro. Os antigos donos do poder simplesmente não se conformam de ter perdido o controle do país depois de 500 anos de dominío. Como não conseguiram recuperá-lo em sucessivas eleições, buscam agora outros meios para impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, atingindo o seu principal eleitor, o ex-presidente Lula.

Quem vazou as acusações de Valério para 'Veja' e agora para o Estadão? 

PT pede investigação de procuradoras por vazar depoimento de Valério

Procuradoras não confiam em depoimento de Valério

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Leonardo Boff: Veja, um monumento à razão cínica


Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

(...) Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial foi unânime na celebração de sua [de Oscar Niemeyer]  arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga (...)

Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: ”Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.

O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: ”conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.

O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good”(cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.

Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira...

Leia o texto completo.

Fonte: Leonardo Boff: LeonardoBOFF.com - 09/12/2012 [o texto pode ser lido também na Carta Maior].


Os arquivos do Projeto Portinari guardam um sem número de artigos desta rancorosa revista, assim como de outras da mesma editora, sobre meu pai, Cândido Portinari e outros seus companheiros de geração. Sempre pérfidos, infames e covardes, como este que vem agora tentar apequenar um grande homem que para sempre enaltecerá a nossa terra e o nosso povo (João Cândido Portinari, filho de Cândido Portinari).

Mais razão cínica? Leia Ideologia de Niemeyer foi mero detalhe, de Barbara Gancia, na Folha.com - 07/12/2012 - 04h40


Leia Mais:
Morreu Oscar Niemeyer (1907-2012)
Esquerda internacional destaca legado de Niemeyer para socialismo

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Amazon lança site em português


Amazon no Brasil: empresa lança site em português e Kindle chega em breve
O site da Amazon do Brasil entrou no ar à meia-noite desta quinta-feira (6) e deu início às atividades no nosso país. Em seu catálogo inicial, o consumidor poderá encontrar livros digitais e, em breve, o famoso leitor Kindle. A Loja Kindle Brasil oferece mais de 1,4 milhão de eBooks, agora disponíveis aos consumidores brasileiros com preços em reais (R$), incluindo mais de 13 mil eBooks em português...

Leia a notícia completa.

Fonte: Pedro Cardoso: TechTudo - 06/12/2012 00h42


Atualização: 02.02.2013 - 18h40

Os clientes da Amazon.com residentes no Brasil podem migrar sua conta do Kindle para a Amazon.com.br e, assim, ficarem aptos a comprar conteúdo do Kindle disponível na Amazon.com.br. Esses clientes vão poder continuar a fazer compras de varejo na Amazon.com, mas todas as compras de conteúdo para o Kindle serão feitas na Amazon.com.br.

:: Se eu migrar, poderei comprar produtos físicos na Amazon.com?
Sim. Você pode usar seu nome de usuário e senha da Amazon.com.br para acessar a Amazon.com e comprar eletrônicos, livros, cosméticos, roupas e muito mais. Para fazer compras na Amazon.com, você precisará de um cartão de crédito internacional. Fazer compras de produtos físicos fora do Brasil significa que seus pedidos podem estar sujeitos a despesas com frete international, impostos e taxas de cartões de crédito internacionais. Esses custos se aplicam a contas tanto da Amazon.com quanto da Amazon.com.br quando o cliente é residente no Brasil e faz compras no exterior.

:: É preciso ter duas contas, uma na Amazon.com e outra na Amazon.com.br?
Você não precisa ter duas contas na Amazon. Você pode continuar a utilizar os serviços da Amazon.com depois de migrar a sua conta do Kindle para a Amazon.com.br, então é desnecessário criar uma nova conta.

:: Se eu mudar de ideia, vou poder migrar de volta para a Amazon.com?
Você pode migrar sua conta de volta para Amazon.com na hora que quiser. Veja abaixo como proceder.

:: Decidi migrar minha conta da Amazon para a Amazon.com.br. O que eu tenho que fazer?
Se você é um cliente da Amazon.com elegível a migrar para a Amazon.com.br, siga estes passos (continua)

:: Quero migrar minha conta de volta para a Amazon.com. O que eu tenho que fazer?
Aqui está o passo-a-passo para migrar a conta de volta para a Amazon.com mesmo que você não tenha um endereço americano (continua)

Estes são trechos da Ajuda da Amazon.com.br


Leia Mais:
Editoras brasileiras fecham acordo com Amazon
Veja como comprar e-books em português na Amazon, Google Play e outros
E-reader Kobo Touch chega ao Brasil por R$ 400

O Brasil virou o barnabé da hora

Algo plantado daqui para lá...

Arrisquei, ontem, espiar o Jornal Nacional - abandonado desde eras pré-diluvianas - e fiquei muito impressionado com o rancor destilado...

Mídia omite a origem da crise e ataca o Brasil
De repente, o Brasil virou o barnabé da hora aos olhos da crítica econômica conservadora. A Economist, uma espécie de espírito santo do credo neoliberal, pede a demissão de Mantega e desqualifica os esforços contracíclicos do governo Dilma diante da pasmaceira internacional. Assemelhados nativos tampouco afeitos ao pudor retiram a soberba do bau e voltam a pontificar como se a reforma gregoriana tivesse eliminado o mês de setembro de 2008 do calendário jornalístico e com ele as ruínas da supremacia das finanças desreguladas. Governadores tucanos impávidos diante do incêndio global boicotam a redução no custo da tarifa elétrica proposto por Dilma, como se não houvesse amanhã. O Tesouro vai cobrir a estripulia tucana. Mas jornalistas alinhados acodem em massa na sua especialidade.O jogral que nunca desafina saboreia o PIB baixo e alardeia a primeira consolidação política do levante: a ineficácia do que chamam de 'intervencionismo estatal excessivo de Dilma'.  O que, afinal, deseja a turma braba que jogou a humanidade no maior colapso do sistema capitalista desde 1929  --e só poupou o Brasil porque não pode derrubar Lula em 2005, perdeu em 2006 e foi às cordas de novo em 2010? Simples: enquanto as togas cuidam do PT e de 2014 , trata-se agora de interditar o debate da crise e sabotar a busca de um novo modelo de  desenvolvimento a contrapelo dos 'mercados autorreguláveis'. É a volta do garrote a cobiçar o pescoço soberano do país. Compreender o papel que joga o monopólio midiático nesse estrangulamento é crucial para reagir com eficácia ao cerco. Em que medida é possível fazê-lo sem um contraponto de vozes plurais a afrontar o monólogo conservador na formação do discernimento social?  Mais que isso. Em que medida é possível restringir e vencer o embate no plano exclusivamente econômico sem alterar o desequilíbrio clamoroso na difusão das idéias? É disso que trata o Especial de Carta Maior que emoldura o debate da Ley de Medios argentina com a  amplitude e a premência que o tema encerra em nossos dias.

Fonte: Saul Leblon: Carta Maior 06/12/2012


Atualização em 10/12/2012:

Excertos da conversa de Maria da Conceição Tavares com Carta Maior - 09/12/2012:


"O coro contra o Mantega não me convence. Nem nas suas alegações, nem nos seus protagonistas, nem na sua batuta".

" Não acredito nessa geração espontânea nas páginas da Economist, por mais que isso combine com o seu conservadorismo. Não acredito que a motivação seja econômica e não acredito que o alvo seja o Mantega".

"Pela afinação do coro vejo mais como algo plantado daqui para lá; o alvo é 2014 e o objetivo é fortalecer o mineiro [Aécio Neves]".



Leia Mais:
Deu na Veja: "PSDB vai bater em Dilma"
Desespero: a ficha de 2009 e a foto de 2012

Resenhas na RBL: 01.12.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

A. Graeme Auld
First and Second Samuel: A Commentary
Reviewed by Phillip G. Camp

Michael F. Bird and Joel Willitts, eds.
Paul and the Gospels: Christologies, Conflicts and Convergences
Reviewed by Thomas P. Nelligan

Eva Cancik-Kirschbaum, Margarete van Ess, and Joachim Marzahn, eds.
Babylon: Wissenskultur in Orient und Okzident
Reviewed by Michael S. Moore

Gordon D. Fee
Revelation
Reviewed by Alexander Stewart

Mavis M. Leung
The Kingship-Cross Interplay in the Gospel of John: Jesus' Death as Corroboration of His Royal Messiahship
Reviewed by Michael Labahn

Alan T. Levenson
The Making of the Modern Jewish Bible: How Scholars in Germany, Israel, and America Transformed an Ancient Text
Reviewed by George Savran

Hans-Peter Mathys
Das Astarte-Quadrat
Reviewed by Sven Petry

Vincent Sénéchal
Rétribution et intercession dans le Deutéronome
Reviewed by Paul Sanders

Marvin A. Sweeney
Tanak: A Theological and Critical Introduction to the Jewish Bible
Reviewed by Jason M. Silverman

J. Brian Tucker
"Remain in Your Calling": Paul and the Continuation of Social Identities in 1 Corinthians
Reviewed by H. H. Drake Williams III


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Morreu Oscar Niemeyer (1907-2012)


"A vida é mais importante do que a arquitetura".

"Não é o ângulo reto que me atrai Nem a linha reta, dura, inflexível, Criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual, A curva que encontro nas montanhas do meu país, No curso sinuoso dos seus rios, Nas ondas do mar, No corpo da mulher preferida.

De curvas é feito todo o universo, O universo curvo de Einstein" (Oscar Niemeyer)


O nosso mais famoso arquiteto, Oscar Niemeyer, morreu ontem, 5 de dezembro de 2012, às 21h55, no Rio de Janeiro, aos 104 anos de idade. Hoje à tarde será velado no Palácio do Planalto, em Brasília.

Mas: Se realmente for verdade que só morre quem é esquecido, com centenas de projetos construídos em mais de 70 anos de vida profissional, vai ser difícil para Oscar Niemeyer deixar de ser lembrado.


Niemeyer: "Estou cansado de dizer adeus" - Renata Giraldi - Agência Brasil, em Carta Maior: 06/12/2012
Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, de 104 anos, que morreu na noite desta quarta (5), é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura. A capital Brasília é apenas uma das suas numerosas obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Dono de um espírito inquieto e permanentemente em alerta, Niemeyer lançou frases que ficaram na memória nacional. Ao perder mais um amigo, ele desabafou: “Estou cansado de dizer adeus”. Em meio a um episódio de mais violência no Rio de Janeiro, perguntaram para Niemeyer se ele ainda se indignava, a resposta foi rápida e objetiva. “O dia em que eu não mais me indignar é porque morri.”

Arquiteto Oscar Niemeyer morre aos 104 anos no Rio; enterro será na sexta - Folha.com: 05/12/2012 - 21h56
O corpo será levado na manhã desta quinta (6) para a capital federal e retorna no fim do dia ao Rio, onde acontecerá uma cerimônia restrita a família e amigos no Palácio da Cidade, em Botafogo, sede da Prefeitura do Rio. Na manhã de sexta (7), o espaço deverá ser aberto ao público. O enterro ocorre na tarde de sexta, no cemitério São João Batista, também em Botafogo (veja galeria de fotos da vida e das obras de Niemeyer)

"A vida é mais importante do que a arquitetura", escreveu Oscar Niemeyer - Folha.com: 05/12/2012 - 22h00
Nestes momentos de pausa e reflexão é que me permito dizer que a vida é mais importante do que a arquitetura. Que, um dia, o mundo será mais justo e a vida a levará a uma etapa superior, não mais limitada aos governos e às classes dominantes, atendendo a todos, sem discriminação.

Fundação Oscar Niemeyer
A Fundação Oscar Niemeyer é um centro de informação e pesquisa voltado para a reflexão e difusão da arquitetura, urbanismo, design e artes plásticas para a valorização e preservação da memória e do patrimônio arquitetônico moderno do país. Mas, além de reunir o maior acervo bibliográfico e documental sobre o arquiteto, a fundação promove atividades permanentes de atendimento a antigos e novos arquitetos interessados na divulgação da moderna arquitetura brasileira.


Imprensa internacional diz que estilo de Niemeyer deu vazão à sensualidade e à beleza - Renata Giraldi:  Agência Brasil: 06/12/2012 7h58
A imprensa internacional publica desde a noite de ontem (5) notícias sobre a morte do arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, devido a complicações renais e desidratação. A morte de Niemeyer virou destaque nos principais veículos de imprensa. Nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França, nos países muçulmanos e na China, as agências de notícias, emissoras de televisão e jornais informaram sobre a morte lembrando sua trajetória e estilo. As agências internacionais de notícias Reuter, BBC e Bloomberg deram informações desde ontem à noite sobre a morte de Niemeyer. Ambas destacaram as obras do arquiteto, a construção de Brasília e as características peculiares do seu estilo. Em praticamente todas as reportagens havia fotos de Niemeyer e imagens de Brasília.


Muere Niemeyer, el poeta de la curva -  Francho Barón: El País - 6 Dic 2012
Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (Río de Janeiro, 1907), Oscar Niemeyer, el último superviviente de los grandes maestros de la arquitectura del Siglo XX, el poeta de la curva, el pensador polifacético que encantó al mundo con la sinuosidad y la belleza estética de su prolífica obra, ha fallecido a los 104 años en Río de Janeiro. Tras haberle ganado una sucesión de pulsos a la muerte, ilusionado con celebrar su 105 cumpleaños el próximo 15 de diciembre rodeado por su esposa, Vera Lúcia, sus nietos, biznietos y tataranietos, Niemeyer no ha resistido el último embate de la enfermedad y la vejez. Deja atrás una interminable lista de premios y reconocimientos, entre los que constan el Pritzker de Arquitectura (1987), el Príncipe de Asturias de las Artes (1989) o la Royal Gold Medal del Royal Institute of British Architects (1998).

Oscar Niemeyer, "l'architecte de la sensualité" - Le Monde: 06.12.2012 à 08h21
Le Brésilien Oscar Niemeyer, mort mercredi à l'âge de 104 ans, était un fervent communiste amoureux des courbes féminines qui a révolutionné l'architecture. "Ce n'est pas l'angle qui m'attire. Ni la ligne droite, dure, inflexible. Ce qui m'attire, c'est la courbe sensuelle que l'on trouve dans le corps de la femme parfaite", aimait à dire l'architecte de la nouvelle capitale brésilienne inaugurée le 21 avril 1960 au cœur du pays.

A Legendary Modernist - The New York Times: December 5, 2012
Oscar Niemeyer, the celebrated Brazilian architect whose flowing designs infused Modernism with a new sensuality and captured the imaginations of generations of architects around the world, died on Wednesday in Rio de Janeiro. He was 104.

Oscar Niemeyer, architect of Brazil's capital, dies aged 104 -  By Jonathan Watts: The Guardian - 6 December 2012
The architect known for his distinctive and frequently curvy style designed the main buildings of capital city Brasilia. "Right angles don't attract me. Nor straight, hard and inflexible lines created by man," he wrote in his 1998 memoir, The Curves of Time. "What attracts me are free and sensual curves. The curves we find in mountains, in the waves of the sea, in the body of the woman we love."

Addio a Niemeyer, maestro del Novecento - Corriere della Sera: 06/12/2012
Morto a Rio De Janeiro a 104 anni il grande architetto brasiliano, «Padre di Brasilia», tra i pionieri dell'uso del cemento armato.

Oscar Niemeyer: "Das Leben ist ein Hauch" - Deutsche Welle: 06/12/2012
Er gilt als Jahrhundertarchitekt und als der letzte große Vertreter der architektonischen Moderne. Ein Nachruf auf den verstorbenen Brasilianer Oscar Niemeyer, der deutsche Wurzeln hatte. "Ich zeichne gern. Ich sehe gern, wenn aus einem weißen Blatt Papier ein Palast, eine Kathedrale, die Figur einer Frau entsteht. Aber für mich ist das Leben viel wichtiger als die Architektur".

domingo, 2 de dezembro de 2012

Biblical Studies Carnival 81


Seleção das melhores postagens dos biblioblogs em novembro de 2012.

Biblical Studies Carnival November 2012

Trabalho feito por Bob MacDonald, do biblioblog Dust.



Bob MacDonald escreveu, em seguida, outro post, onde faz uma análise de seu trabalho: Carnival - analysis and reflection.

Ele explica, além de outras coisas, suas metas:
I had vague goals: how many posts written by women would I find? How many different languages could I unearth? Could there be representation from several religious traditions?  Are all continents represented?

Ou seja:
Eu tinha objetivos vagos: quantos posts escritos por mulheres eu iria encontrar? Quantas línguas diferentes eu poderia descobrir? Poderia haver representação de várias tradições religiosas? Estão todos os continentes representados?

O resultado:

  • América do Norte: domina com cerca de 65 (25% do sexo feminino), de aproximadamente 90 pessoas representadas
  • América do Sul: apenas 1, do Brasil [anoto aqui: foi o Observatório Bíblico]
  • Ásia: 2, da Índia
  • África: 4, eu acho (mas eu acho que um casal - o fundamentalista árabe e um do Malawi, e talvez outros 2)
  • Austrália / NZ:  tinha 5 pessoas representadas, sendo 2 do sexo feminino
  • Europa: da Grã-Bretanha são 7, dos quais 2 são do sexo feminino; do Continente também são 7, mais ou menos: nenhum da Alemanha, mas Itália, França (Languedoc), Países Baixos, Finlândia e Noruega estavam representados. Eu sei da existência de vários estudiosos da Dinamarca, mas suponho que eles não costumam  blogar...


Que eu saiba, ninguém até agora se preocupara em fazer um levantamento desta natureza.

Parabéns, Bob MacDonald!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Quando se tem um objetivo


A imensidão do universo tornam minúsculos os nossos maiores problemas e gigantes as menores alegrias. Ensina-nos a dar valor à vida que levamos e a pequenas coisas que às vezes passam despercebidas.

E então podemos constatar como tão poucas coisas são suficientes para vivermos em paz e bem.

Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais. Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias ou anos, sem se dar conta disso. O mínimo progresso que conseguimos fazer num dia em direção ao objetivo é importante, que seja de centímetros apenas. Com o tempo, nós acumulamos todos os progressos e os centímetros se transformam em quilômetros. Sentimos que estamos cumprindo uma obra de paciência e disciplina. E percebemos como é simples conseguir isso. Nada de sacrifícios extremos ou esforços impossíveis. Nada de grandes sofrimentos. Ao contrário, basta apenas o simples, minúsculo e indolor esforço de decidir. E ir em frente. Então, tudo se torna mais fácil. Os problemas encontram solução. Decidir sem medo de errar.

Esta é uma paráfrase de um trecho do livro de Amyr Klink, Cem dias entre céu e mar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p. 126-127.

Edição mais recente: 32. ed. 13. reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, 264 p. - ISBN 9788571644328.