terça-feira, 30 de outubro de 2012

Analistas perplexos ponto zero


Muitos analistas da imprensa tradicional estão atônitos. Tentam atropeladamente fugir às óbvias conclusões sobre o processo eleitoral. Ora ensaiam dar ênfase a uma suposta fragmentação do voto, ora dirigem olhos para uma eventual terceira via na polarização nacional, com a ascensão do PSB. Não passam de manobras diversionistas. A aposta que faziam era derrotar o PT e diminuir gravemente seu peso político. Perderam, e feio. A estratégia antipetista repousava no julgamento do chamado “mensalão” (...) O que se esperava, quando a deliberação togada chegasse às ruas, era o derretimento do PT. Na pior das hipóteses, ao menos um sensível encolhimento e a derrocada na tentativa de conquistar a maior cidade brasileira. No auge da ofensiva, não faltaram vozes que vaticinavam o ocaso da liderança de Lula. Mas as forças de direita viram ruir seus sonhos e tomaram uma tunda histórica. Os áulicos do reacionarismo ainda não entendem o que se passou, diz Breno Altman, em Quem tem domínio do fato, na democracia, é o povo - Carta Maior: 30/10/2012.


:: Atônito: do latim, attonìtus,  'assustado pelo ruído do trovão', 'amedrontado', 'maravilhado'.

:: Perplexo: do latim, perplexus, 'emaranhado', 'confundido'.

Sinônimos: abismado, admirado, assombrado, atarantado, atordoado, aturdido, boquiaberto, confuso, desnorteado, desorientado, embasbacado, espantado, estarrecido, estupefato, pasmo, transtornado (cf. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 2009.4).


Leia Mais:
Mídia derrotada mais uma vez pelo PT de Lula - Ricardo Kotscho: Balaio do Kotscho 29/10/2012 - 12h25

domingo, 28 de outubro de 2012

Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga


Dom Pedro Casaldáliga – “O problema é ter medo do medo”

A entrevista foi feita por Ana Helena Tavares e publicada por Quem tem medo da democracia? em 21.10.2012.

O QTMD? foi ver e ouvir de perto um pouco da história de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, que optou por viver “descalço sobre a terra vermelha”. Descalço, quer dizer sem consumismo. Sobre a terra vermelha, uma terra ensopada de suor e de sangue.

Para ele, todos os partidos e governos têm três dividas com o povo: a da reforma agrária, a da causa indígena e a dos pequenos projetos.

A entrevista pode ser lida também na Adital ou em Notícias: IHU.

Confira também um álbum com 80 fotos registradas pelo QTMD? na casa de Dom Pedro Casaldáliga.

:: Quem é Dom Pedro Casaldáliga?


Atualização: 12.12.2012 - 09h00

Entidades divulgam nota de solidariedade a dom Pedro Casaldáliga


Ao se aproximar a desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè, após mais de 20 anos de invasão, quando os não indígenas estão para ser retirados desta área, multiplicam-se as manifestações de fazendeiros, políticos e dos próprios meios de comunicação contra a ação da justiça.

Neste momento de desespero, uma das pessoas mais visadas pelos invasores e pelos que os defendem é Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, a quem estão querendo, irresponsável e inescrupulosamente, imputar a responsabilidade pela demarcação da área Xavante nas terras do Posto da Mata.

As entidades que assinam esta nota querem externar sua mais irrestrita solidariedade a Dom Pedro. Desde o momento em que pisou este chão do Araguaia e mais precisamente, desde a hora em que foi sagrado bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, sua ação sempre se pautou na defesa dos interesses dos mais pobres, os povos indígenas, os posseiros e os peões. Todos sabem que Dom Pedro e a Prelazia sempre deram apoio a todas as ocupações de terra pelos posseiros e sem terra e como estas ocupações foram o suporte que possibilitou a criação da maior parte dos municípios da região...

Leia a nota completa.

Notícias dão conta de que Dom Pedro Casaldáliga, ameaçado de morte pelos invasores, foi retirado da região e está sob proteção da Polícia Federal em local não divulgado.

Leia Mais:
O bispo Pedro Casaldáliga tem de deixar sua residência em São Félix do Araguaia por sofrer ameaças
Dom Pedro Casaldáliga recebe ameaças
Organizações expressam solidariedade à Dom Pedro Casaldáliga
Organizaciones expresan solidaridad con Don Pedro Casaldáliga

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O que aprendemos com os Manuscritos do Mar Morto?


Um texto bem didático de John J. Collins, professor da Yale University, publicado no Huffington Post em 22.10.2012.

Leia: Dead Sea Scrolls: What Have We Learned? [Manuscritos do Mar Morto: o que aprendemos com eles?]

Os 4 primeiros parágrafos do texto dizem:

"The Dead Sea Scrolls, discovered near the site of Qumran, south of Jericho in the years 1947-1956 were dubbed 'the academic scandal of the 20th century' because of the long delay in publication. Over the last 20 years or so, however, they have been fully published, except for occasional scraps that continue to come to light. Ever since their discovery, they have aroused passions on a scale that is extraordinary for an academic subject. Now that those passions have cooled, the time is ripe to ask what we have really learned from this remarkable discovery.

First, it may be well to recall some basic facts. Fragments of approximately 930 manuscripts, dating from the late third century B.C.E. to the first century C.E. have been discovered -- 750 in Hebrew, 150 in Aramaic and a small number in Greek. Before the discovery of the Scrolls we had no extant literature in Hebrew or Aramaic from Israel in this period. The Scrolls, then, shed unprecedented light on Judaism around the turn of the era, at the time when Christianity was born.

Since the initial batch of scrolls included a rule for a sectarian religious community, the immediate assumption was that the scrolls had been the property of that community. This assumption appeared to be confirmed by the excavation of the ruins at Qumran. Consequently, the corpus of texts became known as 'the library of Qumran.' But it is difficult to believe that a community at this remote location had a library equal to that of the largest Mesopotamian temples. The scrolls do seem to be a sectarian collection, but they were probably brought from diverse sectarian communities to be hidden in advance of the Roman army during the Jewish revolt of 66-70 C.E. [sublinhado meu].

The Scrolls, then, were not the property of a small secluded community. They contain much that reflects Judaism of the time. They include copies of all the Hebrew Bible except Esther, but we cannot be sure that they regarded them all as 'biblical' in our sense of the word. They included editions of some 'biblical' books that differ from those that came down to us, and had multiple copies of several books that are not in our Bibles. They show that the process of the formation of the Hebrew Bible was not yet complete around the turn of the era".

Leia o texto completo e veja as 21 fotografias no final.

E, para se divertir, uma "pérola" de um comentário ao texto acima recolhida por Deane Galbraith, e que mostra como as teorias conspiratórias continuam soltas por aí, pode ser vista em John J. Collins in the Huff Post: Dead Sea Scrolls are Great for Knowledge about Ancient Judaism, Even Better for Fueling Conspiracy Theories.


:: Quem é John J. Collins?

:: Um livro de John J. Collins sobre os Manuscritos do Mar Morto?
COLLINS, J. J.  The "Dead Sea Scrolls": A Biography. Princeton: Princeton University Press, 2012, 288 p. - ISBN: 9780691143675.

Leia Mais:
Manuscritos do Mar Morto e Qumran/Dead Sea Scrolls & Qumran

O bóson de Higgs e a formação do Universo


O Bóson de Higgs e a elegância invejável do Universo: este é o tema de capa da revista IHU On-Line, n. 405, de 22.10.2012.

Diz o Editorial:
"Estranho, belo, assimétrico, fértil e cada vez em mais acelerada expansão. Assim os cientistas entrevistados pela IHU On-Line desta se referiram ao Universo analisando o seu surgimento, bem como a recente confirmação da existência do Bóson de Higgs. Envolto em uma polêmica em função da duvidosa nomenclatura 'Partícula Deus', o Bóson inspirou a presente edição da revista, e trouxe ao debate as origens do cosmos, os grandes desafios da Física e mostrou que há muito mais perguntas do que respostas quando procuramos saber mais sobre o Universo.

Para o físico Arthur Maciel, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, a partícula recentemente descoberta no European Organization for Nuclear Research – CERN não resolve todas as incógnitas das teorias atuais, e inclusive cria novos problemas. Talvez essa seja a ponta de 'um grande iceberg de novos fenômenos físicos' que entusiasma os cientistas.

O matemático jesuíta George Coyne (Universidade do Arizona) acentua que o acaso, a necessidade e a fertilidade se imbricam na composição da concepção de Universo como se fossem 'três bailarinas'.

Gerard’t Hooft, Prêmio Nobel em Física em 1999 e professor de Física Teórica no Spinoza Institut, em Utrecht, na Holanda, acentua que as interações entre físicos e matemáticos têm se mostrado importantes para o avanço da ciência. Contudo, a aproximação com outros ramos do conhecimento ainda é difícil.

O diretor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Basílio Santiago, dá detalhes sobre o projeto Dark Energy Survey – DES, do qual faz parte, e que procura mapear o céu e compreender um pouco mais sobre a expansão do Universo e sua formação.

De acordo com o físico jesuíta Gabriele Gionti, do Observatório Vaticano, para as pessoas de fé a harmonia do Universo expressa a beleza e bondade do Criador, mas não o prova.

Demonstração fundamental porque comprova a hipótese do preenchimento do espaço vazio com uma sustância invisível que permeia o Universo, encontrar o Bóson tem papel fundamental em determinar as características das partículas elementares, afirma Gian Giudice (CERN), físico de partículas e cosmólogo.

O jesuíta Guy Consolgmagno, astrônomo do Observatório Vaticano, menciona que a tentativa de encontrar ordem no Universo é o que move a ciência, mas não podemos usá-la para provar Deus.

O físico brasileiro e professor no Dartmouth College, nos Estados Unidos, Marcelo Gleiser, diz que apesar de 'bela' a ideia de que há uma teoria final da Natureza não possui suporte nas observações feitas do Universo. São as imperfeições e assimetrias que possibilitam a complexidade do cosmos.

A energia escura e o Bóson de Higgs como problemas que ainda não possuem solução são examinados por Rogério Rosenfeld, diretor do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP. Ele adverte que são necessários mais dados experimentais para comprovar se a partícula descoberta é mesmo o bóson do Modelo Padrão.

Oferecer uma compreensão detalhada sobre o que é o Bóson-H é o fio condutor do artigo de Mario Novello, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas – CBPF".


Leia Mais:
O bóson de Higgs foi encontrado?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Morreu Frank Moore Cross

Frank Moore Cross: 1921-2012. Um pesquisador notável. Confira aqui, aqui e aqui.

Liberdade acadêmica ameaçada: o caso Christopher Rollston


"Sua localização no limiar entre experiência de fé e experiência científica implica que a teologia será, também, e inevitavelmente, uma teoria crítica da fé vivida. Teólogas e teólogos não podem aceitar e compactuar com formas de vida cristã que reduzam a fé aos interesses institucionais que regulamentam a vida de seus fiéis, ou aos interesses individualistas de crentes que confundem salvação com a satisfação de seus próprios desejos" (Júlio Paulo Tavares Zabatiero).

"Mesmo que toda teologia seja confessional, porque é ciência da fé, dentro de uma determinada igreja ou religião, ela tem também uma dimensão racional. Ela deve explicitar a racionalidade e a razoabilidade da fé, com vistas a evitar expressões fundamentalistas, fanáticas, proselitistas, que são contrárias à liberdade religiosa e, portanto, desumanas" (Vitor Galdino Feller).


Mais um caso de tensão entre liberdade acadêmica desejada e vigilância confessional praticada está, nestes dias, em discussão na biblioblogosfera. Nos Estados Unidos, o professor Christopher A. Rollston, conhecido epigrafista, estaria sendo ameaçado de punição pela instituição onde ensina, o Emmanuel Christian Seminary, de Johnson City, Tennessee, por causa de um artigo por ele publicado no Huffington Post sobre a marginalização da mulher na sociedade israelita. Marginalização, segundo ele, legitimada pela maioria dos textos bíblicos, nos quais atitudes como a de Paulo (Rm 16,1.7; Gl 3,28) constituem uma exceção.

O artigo de Christopher Rollston é: The Marginalization of Women: A Biblical Value We Don’t Like to Talk About [A marginalização das mulheres: um tema bíblico sobre o qual não gostamos de falar]  - Huffington Post blog - Posted: 08/31/2012 8:03 am


... about the unfolding events related to Christopher Rollston, a widely-appreciated and well-known Biblical scholar and epigrapher, who is facing disciplinary action and perhaps even termination at Emmanuel Christian Seminary, because of an article he wrote for the Huffington Post about the marginalization of women in the Bible (James F. McGrath)


Para acompanhar a discussão, os interessados podem ler In Support of Christopher Rollston e depois Support for Christopher Rollston: Update, posts publicados por James F. McGrath, respectivamente, em 09/10/2012 e em 16/10/2012 em seu blog Exploring Our Matrix.

 E, a partir daí, seguir os vários links citados.


Confira também:

:: Quem é Christopher Rollston?

:: Christopher Rollston na biblioblogosfera

:: Sobre o  Emmanuel Christian Seminary

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um diálogo de surdos

Todos os dias a gente vê isso: o pré-julgamento de casos com componente político ou religioso!

"Na verdade, o que poucos entendem – mesmo no meio jurídico – é que o julgamento de casos com importante componente político ou religioso [sublinhado meu] não se faz por meio do puro silogismo jurídico tradicional: a interpretação das normas jurídicas pertinentes ao caso, como premissa maior; o exame dos fatos, como premissa menor, seguindo logicamente a conclusão. O procedimento mental costuma ser bem outro. De imediato, em casos que tais, salvo raras e honrosas exceções, os juízes fazem interiormente um pré-julgamento, em função de sua mentalidade própria ou visão de mundo; vale dizer, de suas preferências valorativas, crenças, opiniões, ou até mesmo preconceitos. É só num segundo momento, por razões de protocolo, que entra em jogo o raciocínio jurídico-formal. E aí, quando se trata de um colegiado julgador, a discussão do caso pelos seus integrantes costuma assumir toda a confusão de um diálogo de surdos. Foi o que sucedeu no julgamento do 'mensalão'" (do texto de Fábio Konder Comparato, Para entender o julgamento do "mensalão", publicado em Carta Maior em 14/10/2012)


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Relatos do Congresso Continental de Teologia


São muitas e interessantes as participações no Congresso Continental de Teologia. Estão sendo relatadas por Notícias: IHU. Não deixe de conferir.




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Livro recomendado por Larry Hurtado


PAROSCHI, W. Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012, 328 p. - ISBN 7898521805449.

Obra recomendada por Larry Hurtado em New Portuguese Introduction to New Testament Textual Criticism.

Um livro para quem estuda Pentateuco


Talvez o leitor goste, talvez não. Mas quem estuda o Pentateuco deveria ler:

KNIGHT, D. A. Law, Power, and Justice in Ancient Israel. Louisville: Westminster John Knox Press, 2011, xxi + 303 p. - ISBN 9780664221447.

Leia uma resenha aqui (em alemão) e mais sobre Douglas A. Knight e suas obras aqui (em inglês). Duas dezenas de páginas podem ser lidas na própria Amazon.com, no Click to Look Inside, onde é possível perceber a perspectiva da obra.

Mesters e Orofino no Congresso Continental de Teologia


Carlos Mesters e Francisco Orofino participaram ontem, dia 09.10.2012, do Congresso Continental de Teologia no Instituto Humanitas Unisinos - IHU.  Notícias: IHU traz hoje, dia 10, um relato desta interessante conversa: A leitura popular da Bíblia e a besta neoliberal.

Dar um testemunho da caminhada do trabalho bíblico e das leituras populares da Bíblia que realizaram ao longo de 35 anos junto ao Centro de Estudos Bíblicos - CEBI. Com esse objetivo Francisco Orofino e Carlos Mesters entabularam um debate marcado pela riqueza de abordagens e por um humor delicado e calcado em experiências de sua vivência religiosa. A conversa aconteceu na tarde desta terça-feira, 09-10-2012, dentro da programação do Congresso Continental de Teologia, acolhido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU. A reportagem é de Márcia Junges.

Transcrevo alguns trechos e faço ao leitor o convite para ler o texto inteiro.


Da fala de Francisco Orofino:

:: Orofino recordou que, há tempos atrás, todos na Igreja Católica faziam catequese através de perguntas e respostas. Bastava decorar o catecismo para ganhar um santinho e fazer a primeira comunhão. Uma segunda característica era a divulgação da História Sagrada do Antigo e do Novo Testamento, de Bruno Heuser. Todos eram exortados a ler tal obra, relembra Orofino. Esse livro colocou na cabeça do povo uma coisa terrível: tudo que está na Bíblia é verdadeiro e histórico. Assim, as coisas ali escritas são verdadeiras porque são históricas.

:: O que é a primeira coisa que o povo procura na Bíblia?, questionou Orofino. O preço, respondeu ele próprio. Então, uma Bíblia popular tem que ter preço acessível. Em segundo lugar, vem o tamanho da letra. Se for pequena demais, ninguém compra. A terceira coisa que as pessoas prestam atenção na Bíblia é o livro de Apocalipse. Então, alguns leitores se assustam e até desistem de ler. Então, era preciso desenvolver uma metodologia de leitura da Bíblia numa perspectiva pastoral.

:: A leitura popular da Bíblia também ajudou a contornar algo difícil na Igreja Católica, que era dar possibilidade de fala àquelas pessoas a quem a palavra sempre foi negada. Levar as pessoas a falar é muito difícil, e mais ainda a dar opinião e enfrentar um esquema por ausência de informação e formação. Por isso, acentua Orofino, é perceptível através deste Congresso que houve avanços no protagonismo dos leigos. Trata-se de perceber que o leigo vai, gradativamente, conquistando sua fala, se construindo e capacitando. Esse leigo instruído e capacitado, com a fonte da revelação na mão, pode chegar mesmo a dizer que o padre está, por vezes, errado.

:: Francisco Orofino prosseguiu sua apresentação trazendo um elenco de questões que permitiram que a leitura popular da Bíblia abrisse o leque hermenêutico a partir dos trabalhos realizados pelo Centro de Estudos Bíblicos - CEBI: 1. A teologia da terra e o trabalho da CPT; 2. Grupos de fé e política; 3. Consciência indígena; 4. Luta dos afrodescendentes e teologia afro, luta das mulheres dos meios populares (Lei Maria da Penha); 5. Mobilização dos homossexuais; 6. Frentes ecológicas; 7. Fórum Social Mundial; 8. Capacidade de articulação das ONGs; 9. Avanços da ciência, principalmente a questão da informática e biotecnologia, além da física quântica.

:: Apesar de tudo isso que vivenciamos ao longo de 35 anos de lutas, percebemos que, para uma grande maioria de grupos da base, a pauta dos anos 70 e 80 continua de pé ainda anseia por trabalho, saúde, transporte, educação, moradia e alimentação. A pauta de reivindicações teve seu leque ampliado, mas as questões fundamentais permanecem as mesmas, frisou Orofino. É preciso, por isso, rever a metodologia de discussão.

:: Referindo-se ao último livro da Bíblia, o Apocalipse, Orofino mencionou a vinda da primeira besta, oriunda do mar, este sinônimo de abismo no livro sagrado. A primeira besta que emerge das águas é o estado de segurança nacional, que por vezes dá suas caras até hoje em situações de opressão política nos países do Terceiro Mundo. A segunda besta não vem do mar, mas da terra, está dentro da comunidade, disfarçada de cordeiro. Mas quando ela fala, a voz é do dragão. “Essa besta é poderosa porque desagrega e enfeitiça, uma vez que é capaz de criar maravilhas. Com ela se pode comprar e vender. Essa besta marca a todos: escravos, livres, ricos, pobres, pequenos, grandes. Todos querem a marca da besta para poder comprar e vender. Talvez seja o tema mais discutido desse Congresso Continental de Teologia: trata-se do liberalismo”.


Da fala de Carlos Mesters:

:: Carlos Mesters assumiu sua parte do debate recuperando a importância da Dei Verbum, conectando-a a uma leitura popular da Bíblia. Quando estava sendo preparado o Concílio Vaticano II, o Cardeal Otaviani organizou um documento sobre a revelação divina, no sentido do que Deus falou no passado. Tal documento foi iniciado no Concílio, já na primeira sessão, e foi um dos últimos a ser concluído. Isso provocou uma tempestade na Igreja. As pessoas não leem a Bíblia para saber do passado, mas para entender como Deus apela para sua vida. Por isso a leitura orante é fundamental. “Deus está em tudo, assim como seu espírito. E a Bíblia nos ajuda a descobrir isso”, complementou Mesters.

:: Outro tópico que provocou reação na plateia foi a afirmação de que a Bíblia não é um catálogo de verdades. Trata-se da revelação da graça e misericórdia de Deus.

:: Alguns pontos da Dei Verbum que aparecem com força na leitura popular foram assinalados por Carlos Mesters: 1. A Bíblia é palavra de Deus; 2. A Bíblia é a palavra de Deus em linguagem humana; 3. A Bíblia não é um catálogo de verdades; 4. Jesus liga o Antigo e o Novo Testamento; 5. A Bíblia é livro da igreja, e através dela nos filiamos a uma grande tradição.

::  Mesters finalizou sua exposição apresentando aspectos da leitura orante e suas interpretações: “a palavra deve poder circular”, mencionou. Nas pequenas comunidades esse trabalho refaz o relacionamento humano na base. Se tentarmos esconder as divisões, aí esquecemos de consertar os relacionamentos em sua forma mais primordial. “Isso equivale a colocar peruca num careca: não faz cabelo nascer”.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eleições 2012: o festival de besteiras dos "calunistas"


Do Blog do Miro - 08.10.2012

“Calunistas” da mídia, metidos a especialistas em política e eleições, apostaram na derrota do PT e das esquerdas e no ressurgimento da direita nativa. Eles não deviam esquecer as besteiras que escreveram durante a campanha. O blog do jornalista Luis Nassif ajudou neste esforço ao listar as previsões – ou torcida – destes “formadores de opinião”. Cito algumas delas:

1. Dora Kramer (Estadão - 4/10)

a) Citando "outros"

Lula não é mais aquele, sua liderança se esvai e sua influência míngua, constatam analistas, cientistas, especialistas em geral.

b) Opinando

Verdade que ele [Lula] não inspira o mesmo entusiasmo entre os que até outro dia o consideravam um oráculo nem provoca o mesmo temor entre aqueles que, na oposição, evitavam enfrentá-lo. No ambiente dos políticos e partidos aliados tampouco priva da reverência de antes.


2. Merval Pereira (7/10)

A “mais complicada” eleição paulistana pode acabar deixando de fora da disputa Fernando Haddad, o candidato que o ex-presidente tirou do bolso de seu colete, outrora considerado milagreiro. Terá sido a primeira vez em que o PT não disputará o segundo turno na capital paulista, derrota capaz de quebrar o encanto que se criou em torno das qualidades quase mágicas do líder operário tornado presidente.


3. Ricardo Noblat (27/9)

Enquete: Pesquisas mostram PT fraco nas capitais. Aponte o motivo


4. Editorial do "Estado de S. Paulo": Lula está definhando? (30/9)


5. João Ubaldo Ribeiro (30/9)

Ele [Lula] insistirá e talvez ainda o vejamos perder outra eleição em São Paulo. Não a do Haddad, que aparentemente já perdeu. Mas a dele mesmo, depois que o mundo der mais algumas voltas e ele quiser iniciar uma jornada de volta ao topo, com esse fito candidatando-se à prefeitura de São Paulo.


6. Fernando Gabeira (28/9)

Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.


7. José Roberto de Toledo - Consumismo, mensalão e voto (24/9)

Um resultado possível a sair das urnas é o PT, desgastado pelas condenações do mensalão, perder espaço nas capitais mas crescer no interior. Será mais um passo para virar o novo PMDB.


8. Rogério Gentile (20/9)

O julgamento no STF tem afetado Haddad, que está com um desempenho inferior ao tradicional do PT.Uma eventual condenação de José Dirceu pode agravar sua situação, por mais que ele tente se desvincular do colega de partido.


9. Cláudio Humberto (22/8)

Só no tranco

Apadrinhado de Lula, Haddad esperava atropelar Serra com a entrada da presidente Dilma e de Marta Suplicy na campanha. Deu chabu.


10. Marco Antonio Villa (7/10)

O grande perdedor é o Lula. Até agora, ele fracassou em suas principais movimentações. Se a candidata fosse Marta Suplicy em São Paulo, ela estaria no segundo turno.


11. Tuíte da revista "Veja" (7/10)

 @VEJA: Derrocada do PT e disputas acirradas marcam eleições

Resenhas na RBL: 05.10.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Reinhard G. Kratz and Hermann Spieckermann, eds.
One God-One Cult-One Nation: Archaeological and Biblical Perspectives
Reviewed by Aren Maeir

Matthew Morgenstern
Studies in Jewish Babylonian Aramaic Based Upon Early Eastern Manuscripts
Reviewed by Aaron Koller

T. Muraoka
A Grammar of Qumran Aramaic
Reviewed by Adam McCollum

Raj Nadella
Dialogue Not Dogma: Many Voices in the Gospel of Luke
Reviewed by Jean-François Racine

Bezalel Porten
The Elephantine Papyri in English: Three Millennia of Cross-Cultural Continuity and Change
Reviewed by Jeremy Hutton
Reviewed by Jerome A. Lund

Seth D. Postell
Adam as Israel: Genesis 1-3 as the Introduction to the Torah and Tanakh
Reviewed by L. Michael Morales

Armand Puig I Tàrrech
Jesus: A Biography
Reviewed by V. George Shillington

Gordon J. Wenham
Psalms as Torah: Reading Biblical Song Ethically
Reviewed by Joseph R. Kelly

Anne-Laure Zwilling
Frères et sours dans la Bible: Les relations fraternelles mises en récit dans l'Ancien et le Nouveau Testament
Reviewed by Jean-Paul Michaud


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL: 30.09.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Peter H. Davids
2 Peter and Jude: A Handbook on the Greek Text
Reviewed by Terrance D. Callan

Steven Fassberg
The Jewish Neo-Aramaic Dialect of Challa
Reviewed by Aaron Koller

Lisbeth S. Fried, ed.
Was 1 Esdras First? An Investigation into the Priority and Nature of 1 Esdras
Reviewed by Andrew Steinmann

Detlef Jericke
Regionaler Kult und lokaler Kult: Studien zur Kult- und Religionsgeschichte Israels und Judas im 9. und 8. Jahrhundert v. Chr.
Reviewed by John Engle

Vadim Jigoulov
The Social History of Achaemenid Phoenicia: Being a Phoenician, Negotiating Empires
Reviewed by S. Rebecca Martin

Karen H. Jobes
Letters to the Church: A Survey of Hebrews and the General Epistles
Reviewed by Peter H. Davids

Joel S. Kaminsky and Joel N. Lohr
The Torah: A Beginner's Guide
Reviewed by Rachel S. Mikva

William Loader
The Pseudepigrapha on Sexuality: Attitudes towards Sexuality in Apocalypses, Testaments, Legends, Wisdom, and Related Literature
Reviewed by Françoise Mirguet

Barry Smith
Jesus' Twofold Teaching about the Kingdom of God
Reviewed by Daniel A. Smith

Daniel F. Stramara Jr.
God's Timetable: The Book of Revelation and the Feast of Seven Weeks
Reviewed by Daniel Streett


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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Congresso Continental de Teologia na IHU On-Line


Congresso Continental de Teologia. Concílio Vaticano II e Teologia da Libertação em debate: este é o tema de capa da revista IHU On-Line, n. 404, de 05.10.2012.

"Nos dias 7 a 11 de outubro a Unisinos sediará a realização do Congresso Continental de Teologia. O evento celebra o 50º aniversário do início do Concílio Vaticano II e os 40 anos do lançamento do livro Teologia da Libertação de Gustavo Gutiérrez, teólogo peruano. A presente edição da IHU On-Line, descreve as grandes intuições que animaram a caminhada da Igreja na América Latina nestes 50 anos depois do Concílio Vaticano II, que foi recebido neste Continente com entusiasmo e originou o que veio a ser a Teologia da Libertação. Seus alcances, limites e possibilidades são debatidas nesta edição por alguns dos conferencistas e pesquisadores/as que estarão no Congresso.

Contribuem no debate Jon Sobrino, Juan Carlos Scannone, Carlos Mendoza-Álvarez, Eleazar López Hernández, Margit Eckholt, Marilú Rojas, Olga Consuelo Velez, Margot Bremer, Victor Codina, Pedro Ribeiro de Oliveira, Sérgio Coutinho, Brenda Carranza, Paulo Suess e Francisco Orofino" (do Editorial).

Leia Mais:
Congresso Continental de Teologia no Observatório Bíblico

Tempo de partido, tempo de homens partidos


Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos - Carlos Drummond de Andrade, Nosso tempo.


Julgar Dirceu na véspera da eleição é decisão política do STF 

Dois assuntos estão nas manchetes. Estão nas manchetes há dois meses: as eleições municipais e o julgamento do chamado "Mensalão". Nesta decisiva semana das eleições começou o julgamento do "núcleo político" desse escândalo. Nesta quarta-feira, 3, entrou em pauta o julgamento de José Dirceu. Fato de enorme impacto. Fato com um impacto tão grande que quase não se admite quem queira percebê-lo nos seus vários ângulos, antecedentes e consequências.

Não há coincidência alguma no julgamento do "Mensalão" e as eleições se darem, milimetricamente, ao mesmo tempo. Há uma decisão. Decisão que é política. Tribunais são técnicos, mas são também "políticos" no sentido mais amplo da palavra. Não há coincidência em se julgar José Dirceu três, dois dias antes das eleições. Isso não é obra do acaso, do destino. Essa decisão, a do "quando" julgar, é, foi uma decisão política...

O artigo é de Bob Fernandes e foi publicado no Terra Magazine em 04/10/2012.

Leia o texto completo.

Fonte: Notícias: IHU On-Line - 05/10/2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tim Bulkeley: Deus não é somente Pai


O biblista neozelandês Tim Bulkeley, do biblioblog SansBlogue, que publicou excelente seleção das melhores postagens da biblioblogosfera em setembro, está fazendo mais uma experiência: um livro online que permite ao leitor interagir com o autor e com os outros leitores por meio de comentários e discussões que podem ser acrescentadas ao texto. Ele pede a colaboração de todos os biblioblogueiros nesta empreitada.

Ele diz:
Eu quero explorar como autores e leitores podem se engajar mais e em maior profundidade através da utilização das comunicações online. Meu livro Not Only a Father [o Deus da Bíblia não é somente um Pai, não é somente masculino, é também Mãe] não só está disponível em forma impressa na Amazon, mas o texto completo está também disponível online gratuitamente.

Do please participate in helping me to make my latest experiment in online publication work better. I want to explore how authors and readers can engage more and at greater depth through using online communications. My book Not Only a Father is not only available as a paperback on Amazon, but also the full text is online at http://bigbible.org/mothergod/ using a WordPress plugin that allows commenting and discussion at paragraph rather than post level (...) I would like to do an Online Book Launch to (roughly) coincide with the physical one. So I am asking a number of bloggers to agree to mention the book (especially the free online version) in a post in the first two weeks of October (the physical launch is 10th October). I am also trying to find people willing to read a few paragraphs and post a comment.

In each chapter and section there are small blue speech bubbles to the right of every paragraph. Click on them to see what others have said or to comment or ask questions yourself.

Biblical Studies Carnival 79


Seleção das melhores postagens dos biblioblogs em setembro de 2012.

September: Spring comes to Biblical Blogaria

Trabalho feito por Tim Bulkeley, do biblioblog SansBlogue.