sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Morreu o biblista Carlo Maria Martini


Carlo Martini, o grande biblista, morreu. Ele era o reitor do Pontifício Instituto Bíblico e professor de crítica textual quando fiz meu curso em Roma.

:: Fallece el cardenal Carlo Maria Martini - Vatican Insider 31/08/2012

:: La scomparsa del cardinale Martini, l'uomo del dialogo - Vatican Insider 31/08/2012

:: Cardinal Martini dies at age of 85 - Vatican Insider 31/08/2012


Leia Mais:
Carlo Maria Martini no Observatório Bíblico
Carlo Maria Martini na Biblioblogosfera
Carlo Maria Martini em Notícias IHU

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As religiões dos brasileiros, segundo a IHU On-Line


A grande transformação do campo religioso brasileiro

O Censo 2010, recentemente publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE desenha os contornos que apontam para a grande transformação do campo religioso brasileiro. O mapa religioso que emerge desta publicação é o tema do n. 400 da revista IHU On-Line, publicada em 27.08.2012. Contribuem para o debate Faustino Teixeira, Pierre Sanchis, José Rogério Lopes, Leonildo Silveira Campos, Monica Grin, Michel Gherman, José Reginaldo Prandi, Frank Usarski, Bernardo Lewgoy, Renata Menezes e Cecilia Loreto Mariz.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Palestras com o biblista Erhard S. Gerstenberger


:: Dia 03.09.2012: 20h30  
Teologias pluriformes no AT e a nossa fé no Deus universal  
Palestra na Faculdade de Teologia da IPI (Igreja Presbiteriana Independente)
Rua Genebra 180 – Bela Vista - Fone 3106.2026  - São Paulo
(Travessa da Rua Maria Paula, perto da Praça da Sé)

:: Dia 04.09.2012: 19h30  
Viver os Dez Mandamentos hoje: reflexões hermenêuticas e teológicas
Palestra na Universidade Metodista de São Paulo - São Bernardo, Rudge Ramos
Auditório da Faculdade de Teologia – Edifício Ômega
Rua Planalto 125 - Fone 4366.5808
(Rua ao lado do campus grande, entre Rodovia Anchieta – passarela – e Rua do Sacramento)

:: Dia 05.09.2012: 09h00        
Do deus patriarcal ao Deus universal.  Os caminhos maravilhosos  da fé bíblica
Aula para estudantes do ITESP (Instituto Teológico de São Paulo)
Rua Dr. Mário Vicente 1108 – Ipiranga - Fone 2914.6036  - São Paulo
(Perto do Metrô Ipiranga)

:: Dia 05.09.2012: 19h30    
Precisamos de um decálogo novo para a nossa época?
Encontro e palestra (menos acadêmica) na Paróquia da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), Santo André - Rua Almirante Tamandaré 550 - Fone 4436.596
(Entre Av. Pereira Barreto e a Av. Portugal, perto do shopping)

:: Dia 06.09.2012: 19h00
Precisamos de um decálogo novo para a nossa época?      
Encontro e palestra popular na Paróquia Santo Arnaldo Janssen (paróquia católica de padres verbitas), Diadema
Capela Nossa Senhora do Campanário, Jardim Campanário, Rua Arapongas 66 - Fone 4092.2288
(50m da Av. Brasília, perto do Zoológico, trajeto do EMTU no 50, Saúde – SBC)

:: Quem é Erhard S. Gerstenberger?

Resenhas na RBL: 24.08.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

S. Bar, D. Kahn, and J. J. Shirley, eds.
Egypt, Canaan and Israel: History, Imperialism, Ideology and Literature
Reviewed by Aren M. Maeir

Bruce Chilton and Paul V. M. Flesher
Targums: A Critical Introduction
Reviewed by David Shepherd

Scott W. Hahn
The Kingdom of God as Liturgical Empire: A Theological Commentary on 1-2 Chronicles
Reviewed by Mark Mcentire

Roy L. Heller
Conversations with Scripture: The Book of Judges
Reviewed by Klaas Spronk

Wes Howard-Brook
"Come Out My People!": God's Call Out of Empire in the Bible and Beyond
Reviewed by David M. Valeta

Jodi Magness
Stone and Dung, Oil and Spit: Jewish Daily Life in the Time of Jesus
Reviewed by Sean Freyne
Reviewed by Sarah E. Rollens

Robin Routledge
Old Testament Theology: A Thematic Approach
Reviewed by Hubert James Keener

Erich Zenger; ed. Christian Frevel
Einleitung in das Alte Testament
Reviewed by Trent C. Butler
Reviewed by Jordan M. Scheetz

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL: 17.08.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Reinhard Achenbach, Rainer Albertz, and Jakob Wöhrle, eds.
The Foreigner and the Law: Perspectives from the Hebrew Bible and the Ancient Near East
Reviewed by Bradford A. Anderson

David A. Bergen
Dischronology and Dialogic in the Bible's Primary Narrative
Reviewed by Sara Koenig

Georg Fischer
Die Anfänge der Bibel: Studien zu Genesis und Exodus
Reviewed by Frank H. Polak

Bonnie J. Flessen
An Exemplary Man: Cornelius and Characterization in Acts 10
Reviewed by Jean-François Racine

John Goldingay
Key Questions about Biblical Interpretation: Old Testament Answers
Reviewed by John E. Anderson

Feidhlimidh T. Magennis
First and Second Samuel
Reviewed by William L. Lyons

Elizabeth A. McCabe, ed.
Women in the Biblical World: A Survey of Old and New Testament Perspectives
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

James D. Nogalski
The Book of the Twelve
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Christian Smith
The Bible Made Impossible: Why Biblicism Is Not a Truly Evangelical Reading of Scripture
Reviewed by Craig L. Blomberg

Dieter Zeller
Jesus - Logienquelle - Evangelien
Reviewed by John S. Kloppenborg

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alguns livros sobre o Apocalipse


Arrumei ontem uma pequena bibliografia sobre o livro do Apocalipse para um ex-aluno. Apenas uma meia dúzia de livros em português publicados por editoras brasileiras, alguns traduzidos, outros por aqui escritos. As apresentações dos livros são das editoras. Talvez esta lista possa ser útil para algum leitor do blog, embora o Apocalipse [do Novo Testamento] não seja meu campo de estudos.

Recomendo, sobre a apocalíptica em geral e sobre a apocalíptica judaica, a leitura de meu artigo online Apocalíptica: Busca de um Tempo sem Fronteiras, com uma consulta à bibliografia, em português e inglês, no final do texto. Pode ser útil também ler meu artigo, publicado pela Vozes, Paideia grega e Apocalíptica judaica. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 113, p. 11-22, 2012.

ANDRADE, A. L. P. Eis que faço novas todas as coisas: teologia apocalíptica. São Paulo: Paulinas, 2012, 128 p. 
Neste livro Aíla Luzia Pinheiro de Andrade mostra o desejo profundo da comunidade joanina de um novo tempo, um tempo de paz e de liberdade para os cristãos professarem a sua fé. A autora  desenvolve em cinco capítulos o essencial sobre a apocalíptica: o primeiro capítulo apresenta o sentido da revelação, que é o propósito da apocalíptica, e o contexto histórico conflituoso onde ela aparece; o segundo capítulo indica algumas características teológicas que são comuns a judeus e cristãos, e o que é específico de cada uma; o terceiro capítulo aborda os escritos canônicos do Primeiro Testamento, mais os apócrifos e escritos do Mar Morto; o quarto capítulo apresenta os escritos canônicos do Segundo Testamento e os apócrifos que surgiram contemporânea e posteriormente; o quinto e último capítulo dá um destaque à "A teologia do Apocalipse de João". Situa-a no seu contexto histórico e desenvolve alguns elementos centrais dessa teologia.

BORTOLINI, J. Como ler o livro do Apocalipse: resistir e denunciar. 9. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 192 p. - ISBN 853490345X.
As chaves usadas nesta obra mostram que o livro do Apocalipse é um livro de denúncia e resistência, que convida a celebrar e a testemunhar com urgência, na esperança de que se realize, aqui e agora, um novo céu e uma nova terra, fontes de vida e felicidade para todos.

HOWARD-BROOK, W.; GWYTHER, A. Desmascarando o imperialismo: interpretação do Apocalipse ontem e hoje. São Paulo: Paulus, 2003, 360 p. - ISBN 8534919186.
Esta obra proporciona recursos para uma interpretação do Apocalipse fiel ao seu contexto original ("ontem") e significativo agora ("hoje"). Para isso, os autores examinaram as raízes e os ramos da literatura apocalíptica em geral, bem como o ambiente específico do Apocalipse no Império Romano do século I d.C. Com esse pano de fundo em mente, analisam o Apocalipse tematicamente, procurando responder ao que parece ser a preocupação central do texto em si e dos leitores fiéis e inteligentes dos dias atuais. Assim, este livro é um passo no sentido de recuperar a força do Apocalipse para os leitores cristãos de hoje. Ao mesmo tempo que absorve a literatura erudita, leva em conta todas as pessoas intrigadas com a força do Apocalipse e que estejam discernindo com sinceridade qual é o chamado para suas vidas.

KRAYBILL, J. N. Culto e Comércio Imperiais no Apocalipse de João. São Paulo: Paulinas, 2009, 376 p. - ISBN 9788535611359.
O autor do Apocalipse vivia na ilha de Patmos, onde enfrentava uma situação de marginalização, ele ou os cristãos da região. No meio do intenso comércio por mar, sofriam as influências sociais, econômicas e religiosas de Roma (Babilônia), cheia de luxo, idolatria e poder. Por isso, João advertia os cristãos para que rompessem ou evitassem laços econômicos e políticos com Roma, visto que as instituições e as estruturas do Império Romano estavam repletas de submissões profanas a um imperador que se proclamava divino (ou era tratado como tal). A blasfêmia do culto aos imperadores do fim do século I era ofensiva a João e a outros monoteístas zelosos. Mais propriamente, João acreditava que a ordem política de Roma era totalmente corrupta e voluntariamente se separou dela. Era hostil aos judeus e também aos cristãos que, de algum modo, adaptavam-se a práticas idólatras da sociedade imperial romana. Neste livro, o autor examina a maneira como o comércio e o culto imperiais se misturaram no mundo romano do século I e como João de Patmos achava que os seguidores de Jesus deviam reagir. J. Nelson Kraybill é presidente do Associated Mennonite Biblical Seminary, em Indiana, USA e a obra original foi publicada em 1999.

MATEOS , M. D. ; ARENS, E. Apocalipse, a força da esperança: estudo, leitura e comentário. São Paulo: Loyola, 2004, 384 p. - ISBN 9788515026456.
A linguagem colorida e cheia de símbolos de que é feito este livro, escrito por João, tem servido para justificar esperanças e desesperos. Por motivos óbvios, nós preferimos ficar com a esperança.

MESTERS, C. Esperança de um povo que luta: o Apocalipse de São João - uma chave de leitura. São Paulo: Paulus, 1997, 84 p. - ISBN  8534901449.
O autor reúne as informações deixadas por João, ao longo das páginas do Apocalipse. Depois as apresenta como chave de leitura para este livro considerado tão misterioso e estranho. Íntima introdução e direcionamento hermenêutico para a leitura satisfatória e proveitosa do Apocalipse.

MESTERS, C.; OROFINO, F. Apocalipse de São João. A teimosia da fé dos pequenos. 3. ed. Vozes: Petrópolis, 2008, 392 p. - ISBN 8532628052.
Este livro é destinado aos agentes de pastoral que se reúnem regularmente para estudar em grupo a Bíblia. O comentário procura ajudar o cristão de hoje a ler com inteligência o livro do Apocalipse e a manter-se firme no seguimento do Cordeiro (o Redentor), sem vacilar na luta contra os poderes da Besta (o poder contrário a Cristo).

MIRANDA, V. A. O caminho do cordeiro: representação  e construção de identidade no Apocalipse de João. São Paulo: Paulus, 2011, 200 p. - ISBN 9788534921428.
No primeiro capítulo deste livro, o autor se deterá em questões de suporte para o restante da obra. O texto do Apocalipse será relacionado à situação histórico-social das comunidades destinatárias, e questões como o papel da literatura na construção do mundo e na formação da identidade sectária também serão discutidas no capítulo inicial. O seguinte girará em torno da análise específica do episódio do Cordeiro e os 144 mil homens sobre o Monte Sião, concentrando esforços na compreensão de Apocalipse 14,1-5, com o auxílio de instrumentos de análise sincrônica, para entender a rede de tradições e intertextos presentes na passagem. Os dois momentos finais discutirão os elementos de identidade apontados no episódio de Apocalipse 14,1-5 e aplicados no Apocalipse como um todo, tanto a identidade relacionada com o contexto litúrgico quanto a identidade sectária que se manifestaria no cotidiano das relações com a sociedade e com outros grupos religiosos.

PRIGENT, P. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 1993, 455 p. - ISBN 9788515008742.
Neste comentário Pierre Prigent, professor da Faculdade de Teologia Protestante de Estrasburgo, propõe que se leia o Apocalipse não como a predição de uma história linear, e sim, como uma coleção de "sonhos" relacionados, todos eles, com o momento presente (do século I e também de hoje...). Interpretação decididamente antimilenarista, mas profundamente concorde com o espírito da literatura joaneia, como o autor mostra pelas frequentes aproximações ao evangelho e às cartas de João.

Última atualização: 27/08/2012 - 20h20

O obscurantismo cultural e científico está vivo


Por incrível que pareça, estamos atravessando, neste início do século 21, uma onda de obscurantismo cultural e científico sem precedentes. Ela tem origem, principalmente, nos Estados Unidos, mas está se propagando pelo restante do mundo. Ao mesmo tempo em que os físicos estão conseguindo desvendar os mistérios da natureza com a descoberta do bóson de Higgs - "a partícula de Deus" -, a cientologia avança nos Estados Unidos e a teoria da evolução de Darwin é questionada nas escolas de vários Estados daquele país. Algumas dessas crenças têm origem em pequenos grupos religiosos retrógrados que exploram a boa-fé de pessoas de baixo nível educacional, mas outras têm claramente motivações mais perversas e até interesses comerciais. A cientologia, em particular, é considerada uma religião nos Estados Unidos, sendo, portanto, isenta do pagamento de impostos. Alguns de seus ensinamentos atingem o nível do absurdo ao afirmarem que bilhões de seres de outras galáxias se apossaram dos seres humanos há dezenas de milhões de anos, quando ainda nem havia seres humanos, e continuam neles até hoje.

Quem diz isso é o físico José Goldemberg em artigo publicado em O Estado de S. Paulo em 20/08/2012, aqui citado a partir de Notícias: IHU On-Line, de 22/08/2012.

Leia Mudanças climáticas e os 'céticos'.

Leia Mais:
A ótica da evolução cósmica nos devolve esperança - Leonardo Boff: Adital 20/08/2012

A corrida armamentista do consumo


Você sabe o que são bens posicionais?

Não?

Então leia a entrevista Nem sei se posso, mas quero, do economista Eduardo Giannetti da Fonseca publicada em O Estado de S. Paulo em 19/08/2012 e reproduzida por Notícias IHU em 22/08/2012.

Ele diz, por exemplo:

"O filósofo francês Malebranche dizia que o desejo mais ardente das pessoas é conquistar um lugar de honra na mente dos seus semelhantes. Essa é a ideia do bem posicional: o proprietário pensa que as pessoas passam a respeitá-lo e admirá-lo mais porque ele pode desfilar um carrão, uma grife, um luxo".

"Estamos vivendo uma corrida armamentista do consumo, pois o bem posicional sempre se renova. Isto é, no momento em que se democratiza o acesso a um bem de consumo, outros novos são inventados. É como uma corrida armamentista: sempre teremos novos e diferenciados objetos de desejo. Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida armamentista sempre se renova. Não dá para desmontar totalmente as armadilhas dessa corrida, mas podemos almejar uma sociedade mais madura e marcada por uma pluralidade de valores. Assim nem todos estariam competindo na raia estreita, por um carro x ou y. Deveríamos conquistar um lugar de honra na sociedade mais pelo que somos e menos pelo que possuímos".


Fonte: Notícias: IHU On-Line 22/08/2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Paulo Suess: a atualidade do Concílio Vaticano II


"Como evento histórico, o Concílio [Vaticano II] é ponto de partida. Reinterpretações fazem parte da fidelidade aos seus documentos e da audácia da caminhada pastoral que a história exige. Podemos distinguir diferentes “convivências” com o Vaticano II:

1º: a não recepção pelo grupo em torno da chamada Fraternidade Pio X. Esse setor percebeu corretamente que o Vaticano II representa uma verdadeira reforma que inclui continuidade e ruptura;

2º: a recepção modernizante, porém essencialmente conservadora, sem assunção dos questionamentos do mundo moderno, que o Concílio fez;

3º: a recepção conclusiva, como se o Vaticano II fosse um ponto final ou uma trincheira que nos permite, em pleno inverno eclesial, esperar tempos mais favoráveis. Esse setor procura salvar afirmações fundamentais do Concílio – o “máximo” alcançável, o “sustentável” – sem a dinâmica histórica que o considera como ponto de partida;

4º: a recepção seletiva e estratégica pelo setor de movimentos pentecostais e fundamentalistas, que grosso modo dispensaram a “iluminação” conciliar, por confundirem com ilustração; sinais importantes deste setor são a emocionalidade, a visibilidade através de eventos de massa e o personalismo de um líder sedutor, popular e populista ao mesmo tempo. Sua presença maciça na mídia se explica pelo alinhamento sistêmico e político, por promessas milagrosas e pelo esquecimento da cruz. Esse setor reforça a alienação das massas populares e as afasta do mistério pascal;

5º: a recepção dinâmica na linha de uma pastoral de libertação e participação dos pobres, assumida por Medellín e as conferências seguintes. Bandeiras como Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, inculturação, Igreja autóctone com teologias e liturgias diferenciadas, diálogo, liberdade religiosa, macroecumenismo só terão futuro e serão hasteadas nessa perspectiva da historicidade do evento Vaticano II. Quem quer “segurar” o Concílio como ponto de chegada destrói suas intenções profundas".

Contexto da afirmação: Paulo Suess, no 50º aniversário do início do Concílio Vaticano II, narra a gênese, o desenvolvimento e o impacto de um dos importantes documentos deste evento eclesial que é o decreto Ad Gentes. Segundo ele, “somos uma Igreja de apóstolos e mártires, hoje com poucos profetas” e alerta: “Missas e ministros midiáticos, alinhados a padrões de marketing, podem destruir o sagrado” (Entrevista à IHU On-Line 398, de 13/08/2012).

Fonte: Revista IHU On-Line n. 398 - Ano XII - 13/08/2012

Leia Mais:
Alguns livros e artigos sobre o Vaticano II

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Desabafos sobre o fim do Big Linux


Este é um texto interessante. E os comentários também valem a leitura.

No respeitado site Hardware.com.br (antigo GdH). Publicado em 14/08/2012. Escrito por Marcos Elias Picão.

Leia:

O fim do Big Linux e um desabafo sobre as distribuições em geral


Leia Mais:
Crise de distro! - Xerxes Lins: Viva o Linux 14/07/2010
A origem dos nomes [de algumas distribuições Linux] - Xerxes Lins: Viva o Linux 12/05/2009
A Origem dos Nomes (parte 2) - Xerxes Lins: Viva o Linux 14/09/2009

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Lançado o Big Linux 12.04 Final


BigBruno anunciou no Fórum que foi lançado hoje, 13.08.2012, o último iso do Big Linux: BigLinux 12.04 Final.

Download:
. Link:  http://www.biglinux.com.br/web/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=5
Outras opções:
http://www.biglinux.com.br/web/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=6
http://www.biglinux.com.br/web/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=7

. Tamanho: 1.3 GB
. MD5Sum: df9785b56c7b9f600941563fe565af23

Leia Mais:
Big Linux 12.04 RC já está disponível para download

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Espinosa, um dos pais da moderna crítica bíblica


Baruch Spinoza. Um convite à alegria do pensamento
Apontado como um dos grandes racionalistas na assim chamada Filosofia Moderna, Baruch Spinoza (1632-1677) é considerado o “pai” do criticismo bíblico moderno e um dos primeiros pensadores a formular uma potente crítica contra as ideologias estabelecidas. Filósofo de poucas obras publicadas em vida, em função da excomunhão e censura que lhe foram infligidas pela comunidade hebraica de Amsterdã, o holandês inspira a discussão de capa da IHU On-Line desta semana. Contribuem para o debate Maria Luísa Ribeiro Ferreira, Marilena Chauí, Diego Tatian, César Schirmer dos Santos, Homero Santiago, Bernardo Barata Ribeiro, Marcos Gleizer, Lia Levy, Mariana de Gainza, Vittorio Morfino e Laurent Bove.

Um trecho da entrevista de Maria Luísa Ribeiro Ferreira, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa:

IHU On-Line – Por que Spinoza é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno?

Maria Luísa Ribeiro Ferreira – Tal como muitos filósofos seus contemporâneos, Spinoza interessou-se pelo método, encontrando nele um guia que o pudesse conduzir à verdade. E essa busca o levou a procurar uma hermenêutica suscetível de se aplicar eficazmente ao texto bíblico, separando os produtos da imaginação e enfabulação do que poderia ser aceito como verdade. O Tratado teológico-político (TTP, 1670) é uma das suas obras maiores e, como o nome indica, tem uma dupla preocupação: por um lado, demarcar os territórios da teologia e da filosofia e, por outro, refletir sobre a liberdade, nomeadamente a liberdade de expressão, mostrando que ela em nada interfere com o governo de um Estado mas, pelo contrário, era essencial para assegurar a paz e a estabilidade.

O TTP apresenta um método original de interpretação dos textos sagrados. Dado que o seu desconhecimento de grego impedia Spinoza de se debruçar sobre os Evangelhos, circunscreveu-se ao Antigo Testamento tentando nele uma exegese que permitisse detectar incongruências e separar o joio do trigo. Os pressupostos dessa leitura iconoclasta encontram-se no capítulo VII da referida obra, intitulado Da interpretação da Escritura.

Ao longo dos tempos os textos sagrados foram objeto de múltiplas interpretações. Spinoza analisa-as, recusando a maior parte delas. Assim critica as leituras místicas, alegóricas e midrashicas, classificando-as como fantasias. Contesta a perspetiva de Maimónides , que pretendia subordinar o texto bíblico à razão, mas também ataca a interpretação de Alphakar, a qual abdica da luz natural e nos propõe uma hermenêutica norteada pela fé (TTP, caps. VII e XV).

A originalidade da metodologia spinozana assenta num preceito básico: a interpretação da Escritura por si mesma (TTP, cap. VII). A ele anexa cinco vias de leitura que devemos ter em conta: a via naturalista, que implica uma igualdade de tratamento entre a Natureza e os livros sagrados, considerando ambos como escrita divina e selecionando dos últimos aquilo que poderá interessar; a via histórico-contextual, que exige uma atenção às circunstâncias em que os acontecimentos ocorreram e ao modo como os diferentes livros foram selecionados para integrar o corpus canônico; a via psicológica, que atende à personalidade, formação intelectual e costumes dos diferentes autores; a via filológica, pela qual devemos ter em conta o universo linguístico dos judeus, analisando as expressões e termos utilizados; a via comparativa, que nos permite detectar incongruências entre os diferentes textos, levando-nos a interpretar alguns deles de um modo metafórico. Essa metodologia, que na altura foi atacada como herética, é hoje parte integrante dos estudos bíblicos e tais vias são aceitas como achegas hermenêuticas imprescindíveis.


Fonte: IHU On-Line 397 - Ano XII - 06.08.2012


Há alguns anos publiquei um artigo e um capítulo de um livro sobre a leitura sociológica e/ou socioantropológica da Bíblia. Aqui, quero apenas lembrar que do século XV ao século XVIII, acontecem dois deslocamentos no pensamento humano na Europa:

O primeiro é a passagem da especulação escolástica à filosofia da natureza. Esta, a natureza, passa a ser entendida e explicada experimentalmente. Este fenômeno se dá com a ascensão da burguesia, na forma de capitalismo mercantilista. É importante observarmos que Galileu (1564-1642) destrói a anterior concepção do universo como sistema imutável e hierarquizado, governado por Deus. Reduz o universo a um mundo geométrico, a uma física mecanicista.

O segundo deslocamento se dá quando se passa da análise da natureza para a análise da sociedade. Percebe-se, então, que a organização da sociedade não é natural, mas histórica. Questionam-se, filosoficamente, os fundamentos da sociedade, a partir da ótica da nova ordem burguesa. É uma crítica ao poder absoluto, no qual Deus criava, organizava e geria o mundo, através da Igreja e de suas leituras da realidade. É de se notar: Descartes (1596-1650) descobre o sujeito pensante autônomo, coloca a consciência como a medida e a forma do ser, marcando uma definitiva virada antropocêntrica.

Na questão da leitura da Bíblia dois nomes são importantes no século XVII:
. um racionalista: ESPINOSA (1632-1677)
. um empirista : HOBBES (1588-1679)

Ambos reivindicaram o uso da razão natural para uma correta interpretação dos textos, libertando-os de sentidos dogmatizantes pré-fixados pelos poderes dominantes.

Espinosa [=Spinoza], judeu, viveu  numa movimentada Holanda que tinha um Estado funda­do na liberdade burguesa, ou seja, liberdade de empresa e liberdade de consciência. Valorizava-se a atividade econômica e promovia-se a tolerância religiosa. A alta bur­guesia adotou o calvinismo liberal, contra o calvinismo ortodoxo - este condenava o desenvolvimento econômico como contrário à Bíblia -, adotado por todas as camadas prejudicadas com o desenvolvimento do mercantilismo.

No Tratado teológico-político - há cópias online -  escrito em 1665 e publicado em 1670, Espinosa inaugura o método histórico-crítico de leitura da Bíblia. Expõe-o no cap. VII e trata do Pentateuco no cap. VIII [cf. Tratado teológico-político. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008, 520 p. - ISBN 9788533624177].

O método histórico-crítico de Espinosa tem três princípios ou linhas de argumen­tação:
. a Bíblia não é um texto especulativo, mas religioso, moral e político
. a interpretação não deve ocupar-se com o problema da verdade e da racionalidade (no sentido metafísico, escolástico), pois não está lendo um texto especulativo, mas deve buscar o sentido dos relatos, compreendendo sua linguagem, as circunstâncias de sua ocorrência, seus personagens e seus destinatários
. o intérprete não pode buscar o sentido dos textos fora deles e não pode determinar tal sentido submetendo-os a critérios especulativos, metafísicos, escolásticos, mas precisa buscá-lo nos próprios textos bíblicos e no confronto entre eles para solucio­nar as dúvidas ou contradições.

A. LODS, Histoire de la litterature hébraique et juive: Des origines à la ruine de l'État juif (135 après J.-C.). Paris: Payot, 1950, p. 89-90 diz: "Se os resultados da exegese espinosista foram ultrapassados, o método não o foi. O TTP encerra o programa das ciências bíblicas tal como foi concebido e realizado pelo século XIX. Espinosa definiu o método dessas ciências: filológico, histórico e crítico. Distinguiu diferentes ramos: história da língua, história do texto, história do cânon, história da formação de cada livro, estudo das idéias dos diversos autores".

Espinosa defende que o método hermenêutico para se ler a Bíblia deve seguir os mesmos princípios do método usado para o estudo da natureza: assim para interpre­tar a Bíblia é necessário se ter um conhecimento histórico exato dela para então se des­cobrir o pensamento de seus autores.

As dificuldades não estão no assunto, mas na língua hebraica em que o texto foi escrito. Por isso é preciso procurar o seu sentido no uso hebraico da língua hebraica.

Deve-se excluir o recurso à metáfora para conciliar razão e revelação, lendo o texto a partir de especulações exteriores ao próprio texto: Espinosa rejeita assim a leitu­ra escolástica e rejeita igualmente a leitura rabínica, pois critica o esclarecimento de um texto obscuro por outro que nada tem a ver com ele.

Por exemplo: Moisés diz que "Deus é um fogo" em Dt 4,24: "... pois teu Deus Iahweh é um fogo devorador...". Ora, a metafísica dirá: como Deus é incorpóreo e a Bí­blia não pode conter falsidade, a fala mosaica é metafórica.

Mas, diz Espinosa, a fala mosaica é metafórica sim, só que não é por causa da especulação metafísica da incorporeidade de Deus. É que na própria afirmação hebrai­ca se sabe que "fogo" é metáfora de cólera e de ciúme. Assim, Moisés quer dizer que Deus é um deus ciumento e colérico!

No capítulo VIII do Tratado teológico-político, Espinosa mostra como Ibn Ezra, pensador judeu do século XII, já percebera que o Pentateuco não tinha sido escrito por Moisés. E Espinosa retoma seus argumentos e avança mais na mesma direção. Con­clui: "Por todas estas observações, surge mais claro que o dia que o Pentateuco não foi escrito por Moisés, mas por um outro que viveu muitos séculos depois de Moisés". Ou ainda: "Ninguém tem fundamento para afirmar que Moisés é o autor do Pentateuco, mas, ao contrário, tal atribuição é desmentida pela razão".

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Casey x Thompson: o filho do carpinteiro


Enquanto em Londres, na arena olímpica, atletas do mundo todo mostram suas habilidades, na arena acadêmica acontece uma animada discussão em torno de um livro:

THOMPSON, T. L.; VERENNA, T. S. (eds.) 'Is this not the Carpenter?': The Question of the Historicity of the Figure of Jesus. London: Equinox Publishing, 2012, 224 p. - ISBN 9781845539863.

Leia:
.  O polêmico filho do carpinteiro (Lester L. Grabbe x Richard Carrier)
. Thomas Thompson: não é este o filho do carpinteiro? (Thompson x Ehrman)

E, agora, Maurice Casey x Thomas L. Thompson, em:
Is Not This an Incompetent New Testament Scholar? A Response to Thomas L. Thompson

Um trecho:
In a recent article in this journal, Thomas Thompson wrote what he described as ‘A Response to Bart Ehrman,’ though the connection is not always obvious. The purpose of this response is not generally to defend Ehrman, but to point out that Thompson is completely wrong from beginning to end. Ehrman got one main point right, and it should be at the centre of the discussion [sublinhado meu]. He commented, ‘Thompson is trained in biblical studies, but he does not have degrees in New Testament or early Christianity. He is, instead, a Hebrew Bible scholar….’ Thompson’s lack of expertise regarding New Testament Studies and Early Christianity is palpable throughout his essay.

Tudo publicado na revista online The Bible and Interpretation.


:: Quem é Thomas L. Thompson?

:: Quem é Maurice Casey?

domingo, 5 de agosto de 2012

Resenhas na RBL: 03.08.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ann W. Astell and Sandor Goodhart, eds.
Sacrifice, Scripture, and Substitution: Readings in Ancient Judaism and Christianity
Reviewed by John Dunnill

Daniel Boyarin
The Jewish Gospels: The Story of the Jewish Christ
Reviewed by F. Stanley Jones

Jeffrey Brodd and Jonathan L. Reed, eds.
Rome and Religion: A Cross-Disciplinary Dialogue on the Imperial Cult
Reviewed by John Kloppenborg

Gonzalo Haya-Prats
Empowered Believers: The Holy Spirit in the Book of Acts
Reviewed by Nils Neumann

Larry W. Hurtado and Paul L. Owen, eds.
'Who Is This Son of Man?': The Latest Scholarship on a Puzzling Expression of the Historical Jesus
Reviewed by Christopher Tuckett

Yung Suk Kim
A Theological Introduction to Paul's Letters: Exploring a Threefold Theology of Paul
Reviewed by Jason Weaver

Stefanos Mihalios
The Danielic Eschatological Hour in the Johannine Literature
Reviewed by Dirk van der Merwe

Klaus Wachtel and Michael W. Holmes, eds.
The Textual History of the Greek New Testament: Changing Views in Contemporary Research
Reviewed by Jean-François Racine

James P. Ware
Paul and the Mission of the Church: Philippians in Ancient Jewish Context
Reviewed by Angela Standhartinger

John Morgan-Wynne
The Cross in the Johannine Writings
Reviewed by David Crump


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL: 26.07.2012


As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Coleman A. Baker
Identity, Memory, and Narrative in Early Christianity: Peter, Paul, and Recategorization in the Book of Acts
Reviewed by Jean-François Racine

John Choi
Traditions at Odds: The Reception of the Pentateuch in Biblical and Second Temple Period Literature
Reviewed by John Engle

John Drane
Introducing the New Testament
Reviewed by Nijay Gupta

John Paul Heil
Philippians: Let Us Rejoice in Being Conformed to Christ
Reviewed by Peter-Ben Smit
Reviewed by Todd D. Still

Scott C. Jones
Rumors of Wisdom: Job 28 as Poetry
Reviewed by Edward L. Greenstein

Amy-Jill Levine and Marc Z. Brettler, eds.
The Jewish Annotated New Testament
Reviewed by Stephen Moyise

Michael E. W. Thompson
Where Is the God of Justice? The Old Testament and Suffering
Reviewed by Pekka Pitkanen

J. Brian Tucker
You Belong to Christ: Paul and the Formation of Social Identity in 1 Corinthians 1-4
Reviewed by Maria A. Pascuzzi

Julie Woods
Jeremiah 48 as Christian Scripture
Reviewed by Frederik Poulsen


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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O polêmico filho do carpinteiro


Estão lembrados do livro?

THOMPSON, T. L.; VERENNA, T. S. (eds.) 'Is this not the Carpenter?': The Question of the Historicity of the Figure of Jesus. London: Equinox Publishing, 2012, 224 p. - ISBN 9781845539863.

Podem ler sobre ele, em artigo dos editores, aqui.

E ler mais sobre a polêmica de Thomas L. Thompson com Bart D. Ehrman em: Thomas Thompson: não é este o filho do carpinteiro?

E agora a resposta de Lester L. Grabbe, um dos autores do livro, a Richard Carrier, que resenhou a obra, em: Lester L. Grabbe Responds to Richard Carrier

:: Quem é Lester L. Grabbe?

:: Quem é Richard Carrier?

Biblical Studies Carnival 77


Seleção das melhores postagens dos biblioblogs em julho de 2012.

July 2012 Biblical Studies Carnival

Trabalho feito por Phillip J. Long, do biblioblog Reading Acts.

Como limpar um computador infectado


Leia este artigo em Gizmo's Freeware:

How to Clean An Infected Computer

O artigo foi atualizado em 01/08/2012 e é assinado por Chiron. Leia também os comentários, onde há mais dicas.

Leia Mais:
Você navega com segurança na Internet?
TI no Observatório Bíblico

Arquivada ação do PSDB contra "blogs sujos"


Procuradoria manda arquivar ação do PSDB contra “blogs sujos”

Em parecer apresentado nesta terça-feira (31), a Procuradoria Geral Eleitoral pede o arquivamento da representação apresentada pelo PSDB na qual o partido levanta a suspeita sobre o financiamento com dinheiro público de sites e blogs políticos.

Leia aqui ou aqui.

Leia Mais:
Os falsos paladinos da liberdade de expressão - Venício Lima: Carta Maior 31/07/2012
Os “blogs sujos” estão de fato se transformando em importante contraponto ao discurso homogêneo da grande mídia dominante. E isso parece ser intolerável para alguns setores – falsos paladinos – que ostentam publicamente a bandeira da liberdade de expressão e da democracia entre nós.