sábado, 25 de fevereiro de 2012

O frágil equilíbrio do Oriente Médio está se rompendo

O artigo, publicado na Carta Maior no dia 22/02/2012, é do Professor Francisco Carlos Teixeira, da UFRJ. O título: As novas condições estratégicas no Oriente Médio. A sinopse diz:

É comum que se escreva, sempre com algum exagero, que os últimos acontecimentos – sejam de qualquer natureza – mudaram as relações internacionais e as condições estratégicas regionais e/ou globais. Neste início de 2012, contudo, uma visão de conjunto do Oriente Médio/Ásia Central nos mostra que o equilíbrio conseguido com grande esforço depois do fim da Guerra Fria, em 1991, desmoronou.

No artigo ele diz que "a última década, grosso modo, foi de importantíssimas mudanças. Para facilitar a caracterização de tais mudanças, e apenas para efeito didático, vamos fazê-lo em dois movimentos. De um lado os fatores exógenos que impactaram a região e, de outro, os fatores endógenos que moldam as tendências atuais de mudança e que, por sua vez, impactam as relações globais".

Neste primeiro artigo, Francisco Carlos Teixeira trata de fatores exógenos (de proveniência externa), como:
  • A quase total retirada da Rússia do jogo político regional do Oriente Médio
  • A invasão norte-americana, e de seus aliados da OTAN, no Afeganistão em 2001, com um impacto de grandes proporções no Paquistão e no próprio Irã
  • O fracasso das mediações do conflito Israel-Palestina considerado, por muito tempo, um produto da Guerra Fria (1945-1991), mostrou tratar-se, em verdade, de um conflito nacional
  • A desastrosa invasão norte-americana do Iraque, em 2003, destruindo boa parte do equilíbrio regional, expresso nas relações Irã-Iraque, Arábia Saudita-Iraque e, mais complexo ainda, entre sunitas e xiitas em toda a região
  • A emergência de novos e autônomos polos alternativos de poder político e econômico, em especial a China Popular e a Índia - e mais recentemente o Brasil
  • A crise da Europa – uma crise econômica, política e de instituições da UE – acaba por levar a uma situação de militarização e saturação de iniciativas bélicas na região sul do bloco europeu, tudo em nome do chamado “Princípio de Intervenção Humanitária”, aplicado de forma bélica quando o país alvo não cumpra com a “Responsabilidade de Proteger” (“RtoP” ou “R2P”, conforme a sigla em inglês) seus próprios cidadãos
  • Como corolário do item anterior, a crise econômica europeia, acompanhada de recrudescimento dos setores chauvinistas e racistas nos partidos de centro-direita europeus (França, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, Polônia) consolida a recusa – nunca pronunciada – da admissão da Turquia na União Europeia
E ele explica:
"Estes são fatores de grande impacto sobre o Oriente Médio/Ásia Central que, nos últimos dez ou doze anos, conformaram largamente as relações internacionais na região. Não foram gerados na própria região, possuem profundas raízes históricas na própria dinâmica global, mas tiveram um impacto profundo sobre a região. De forma muito clara, por sua vez, geraram localmente apropriações originais que, por sua vez, darão movimento a tendências locais/regionais de grande alcance.

A crise mundial, desde 2008, com seu impacto direto sobre as economias europeias – os clientes e parceiros tradicionais das ditaduras “estabilizadoras” (quer dizer, sunitas, pro-ocidentais e indiferentes em relação ao destino da Palestina ) – enfraqueceu imesamente o equilibrio anterior. Da mesma forma, as reformas “regressistas” e liberais realizadas nas economias locais (bem antes de atingirem a Europa), destruiram o sistema clientelístico e provedor das elites que conseguiram, com a ajuda da brutal repressão de suas polícias políticas, manter a ordem oligárquica.

Assim, a partir de 2008, com maior expressão ao final de 2010, irrompem inúmeros e incontroláveis movimentos populares, greves e manifestações de rua no imenso arco que se estende do Atlântico, com o Marrocos, até o Golfo Pérsico, no Bahrein, passando pela Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia, Jordânia, Irã e Síria. De forma muito discreta na mídia ocidental, mas causando temor e perplexidade, milhares de israelenses vão às ruas em Jerusalém, Haifa e Tel-Aviv exigindo mais moradia e empregos e menos guerra.

É neste contexto que as direções políticas regionais – tanto no Cairo ou Teerã, quanto em Tel-Aviv ou Riad – correm em direção a uma agudização dos conflitos locais. A rua assusta os governos que então alardeiam a ameaça externa".

O autor continuará com a exposição dos fatores endógenos, ou seja, originados internamente.

Leia o texto completo.

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