terça-feira, 29 de novembro de 2011

Resenhas na RBL - 25.11.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ovidiu Creanga, ed.
Men and Masculinity in the Hebrew Bible and Beyond
Reviewed by Stuart Macwilliam

Katharine J. Dell, Graham Davies, and Yee Von Koh, eds.
Genesis, Isaiah and Psalms: A Festschrift to Honour Professor John Emerton for His Eightieth Birthday
Reviewed by Jeffery M. Leonard

Helen Leneman
Love, Lust, and Lunacy: The Stories of Saul and David in Music
Reviewed by Christina Landman

Amy-Jill Levine, ed.
A Feminist Companion to the Apocalypse of John
Reviewed by Renate Viveen Hood

Joseph F. Mali
The Christian Gospel and Its Jewish Roots: A Redaction-Critical Study of Mark 2:21-22 in Context
Reviewed by Tom Shepherd

Hugh R. Page Jr., ed.
The Africana Bible: Reading Israel's Scriptures from Africa and the African Diaspora
Reviewed by Gerald O. West

Emanuel Pfoh
The Emergence of Israel in Ancient Palestine: Historical and Anthropological Perspectives
Reviewed by Jeremy Hutton

Pekka M. A. Pitkänen
Joshua
Reviewed by Thomas B. Dozeman

Alf H. Walle
Pagans and Practitioners: Expanding Biblical Scholarship
Reviewed by Daniel K. Darko

John Walliss and Lee Quinby, eds.
Reel Revelations: Apocalypse and Film
Reviewed by T. Michael W. Halcomb

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O cerrado ameaçado

Tema de capa da IHU On-Line 382, de 28.11.2011:

Cerrado. O pai das águas do Brasil e a cumeeira da América do Sul

Diz o Editorial:
Buscando conhecer um pouco mais a cumeeira da América do Sul e o pai das águas do Brasil, vários pesquisadores e pesquisadoras contribuem nesta edição. Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, José Felipe Ribeiro explica didaticamente no que consiste o Cerrado, analisando por que é um mito a ideia de que no bioma Cerrado há apenas seca. Jorge Enoch Furquim Werneck Lima, pesquisador em Hidrologia da Embrapa Cerrados, afirma que esse bioma contribui para oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras, além de ratificar que a água do Cerrado não é importante apenas para a manutenção do bioma, mas também para todas essas regiões. Para o professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás, Altair Sales Barbosa, enquanto o desejo de explorar o Cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de criação de um programa racional de desenvolvimento será nula. Já para a coordenadora do Laboratório de Sementes do Instituto do Trópico Subúmido – ITS da PUC Goiás, Marilda da Conceição Ribeiro e Barros, a flora do Cerrado é reconhecida por vários pesquisadores nacionais e internacionais como um grande celeiro na oferta de bioprodutos com aplicações em quase todos os setores da economia de modo direto e indireto. Enquanto isso, o engenheiro florestal César Victor do Espírito Santo alerta que nas últimas quatro décadas houve um advento da expansão da fronteira agrícola no Brasil e que o Cerrado passou a ser um local de grande importância no cenário nacional e mundial em termos de produção agrícola e pecuária. O debate conta também com a contribuição do “desbravador da soja no Cerrado”, Romeu Afonso de Souza Kiihl, que frisa que o Brasil central, hoje, é responsável por mais da metade da soja que produzimos no país...

As entrevistas:
:: José Felipe Ribeiro: Cerrado: o grande potencial agrícola do Brasil?
:: Jorge Enoch Furquim Werneck Lima: O berço das águas no Brasil
:: Altair Sales Barbosa: Cerrado: “dor fantasma” da biodiversidade brasileira
:: Marilda da Conceição Ribeiro e Barros: Flora do Cerrado: caminho de descobertas
:: César Victor do Espírito Santo: O envolvimento da sociedade em prol do Cerrado
:: Romeu Afonso de Souza Kiihl: Soja do Cerrado: mercado promissor de exportação do Brasil?


Leia Mais:
O cerrado é mais uma vítima da sanha do mercado
SOS Cerrado

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Os nomes dos brasileiros

Maria e José são os nomes mais comuns no Brasil, veja lista
Um levantamento do bureau de informação e análise de crédito ProScore revelou que Maria e José estão no topo da lista dos 50 nomes mais comuns no Brasil. O nome Maria é usado por mais de 13 milhões pessoas, enquanto José, o segundo colocado, tem mais de 8 milhões de registros. Na sequência, com 3,5 milhões aparece Antônio. João e Francisco vêm em seguida, com 3 milhões e 2 milhões, respectivamente. Outro dado curioso do levantamento é o nome Luiz com "z" --que é três vezes mais usado que Luís com "s". Luiz ultrapassa os 1,5 milhões de adeptos, enquanto Luís não chega nem a 500 mil. A pesquisa foi feita na base da empresa --que conta com nomes e CPFs de 165 milhões de brasileiros. De acordo com Censo de 2010, há 190,7 milhões de habitantes no Brasil. Veja a lista dos 50 nomes mais usados no país.
Fonte: Folha.com: 28/11/2011 - 16h13

Os dez primeiros são:
1. Maria
2. José
3. Antonio
4. João
5. Francisco
6. Ana
7. Luiz
8. Paulo
9. Carlos
10. Manoel

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A pesquisa recente sobre o Pentateuco em dois livros

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K.; RÖMER, T. (eds.) Pentateuch, Hexateuch, or Enneateuch? Identifying Literary Works in Genesis through Kings. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, 324 p. - ISBN 9781589835429.

"The identification of literary works in the Pentateuch and the Former Prophets is a hallmark of the modern historical-critical interpretation of the Hebrew Bible. The theories of a Tetrateuch, a Hexateuch, or a Deuteronomistic History have played a central role in recovering the literary history of the Pentateuch and the Former Prophets. The breakdown of these methodologies in recent research has forced scholars to reevaluate the criteria for identifying literary works in the formation of the Hebrew Bible. The present volume explores anew, without presupposition or exclusion, the criteria by which interpreters identify literary works in these books as a resource for recovering the composition history of the literature. It also brings North American and European approaches to the topic into a common discussion. With contributions by: Konrad Schmid, Thomas Römer, Erhard Blum, David M. Carr, Suzanne Boorer, Christoph Levin, Cynthia Edenburg, Michael Konkel, Thomas Dozeman, Christoph Berner, Felipe Blanco Wißmann". Disponível para download gratuito no Projeto ICI da SBL.


DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K.; SCHWARTZ, B. J. (eds.) The Pentateuch: International Perspectives on Current Research.Tübingen: Mohr Siebeck, 2011, xviii + 578 p. - ISBN 9783161506130.

"The Pentateuch is both the literary capstone and the central core of the Hebrew biblical canon. It contains many of the best known and most influential literary texts of world literature. A firm conclusion of biblical research is that the sweeping narrative of the Pentateuch that begins with creation and concludes with the death of Moses was not composed by one author, but is the result of a literary process that took place over hundreds of years. Yet there remains significant debate among international researchers on the composition of the Pentateuch. The present volume contains a collection of articles from an international conference in Zürich that brought together leading voices from North America, Europe, and Israel to evaluate the present state of research on the composition of the Pentateuch. The aim of the conference was to clarify differences in methodology and to identify points of convergence in the present state of pentateuchal research as a basis for further discussion. With contributions by: Reinhard Achenbach, Rainer Albertz, Graeme Auld, Joel S. Baden, Michaela Bauks, Erhard Blum, David M. Carr, Thomas B. Dozeman, Jan Christian Gertz, Itamar Kislev, Israel Knohl, Gary N. Knoppers, Reinhard G. Kratz, Thomas Krüger, Christoph Levin, Christophe Nihan, Saul M. Olyan, Thomas Römer, Konrad Schmid, Baruch J. Schwartz, Sarah Shectman, Jean-Louis Ska, Benjamin D. Sommer, Jeffrey Stackert, Christoph Uehlinger, James W. Watts".

"Der Pentateuch ist das literarische Herzstück und der sachliche Kern des hebräischen Bibelkanons und vereinigt in sich viele der bekanntesten und wirkungsmächtigsten Texte der Weltliteratur. Dass der von ihm umschlossene erzählerische Zusammenhang von der Schöpfung der Welt bis zum Tod Moses nicht von einem Autor stammen kann, sondern in einem mehrfach gestaffelten literarischen Prozess über Jahrhunderte hinweg entstanden ist, gehört zu den unhintergehbaren Resultaten der Bibelwissenschaft. Die internationale Forschungsdiskussion über den Pentateuch verläuft allerdings sehr divergent. Der vorliegende Band versammelt Beiträge eines internationalen Kongresses in Zürich, der sich zum Ziel gesetzt hat, die maßgeblichen Stimmen der Pentateuchforschung aus Nordamerika, Europa und Israel zu versammeln, Differenzen und Konvergenzen in Voraussetzungen, Methoden und Resultaten der gegenwärtigen internationalen Pentateuchforschung zu benennen und so eine Grundlage für weitere Diskussionen zu schaffen".

História de Israel e Teologia da Bíblia Hebraica

Recent Developments in the History of Ancient Israel and their Consequences for a Theology of the Hebrew Bible

By Thomas Krüger - University of Zurich

Paper presented at the SBL International Meeting in Rome, July 1, 2009.

Published in: Biblische Notizen 144, 2010.

Recent Research has emphasized the gap between the history of ancient Israel and the stories told about Israel in the Hebrew Bible. Should a theological interpretation of the Hebrew Bible ignore these contradictions between biblical texts and historical reality and read the texts in a metaphoric or paradigmatic fashion? Or should it critically evaluate the theological conceptions developed in the biblical texts in view of the reality they are referring to? This paper argues for the second approach which is consistent not only with our contemporary worldview but also with important biblical traditions of a critical theology.

Confira em Academia.edu ou em Zurich Open Repository and Archive.

Igreja, cultura e sociedade

Em outubro de 2012, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU irá promover o XIII Simpósio Internacional IHU – Igreja, cultura e sociedade: A semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica.

Confira.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mark Goodacre fala sobre blogs na SBL 2011

Vale a pena ler o seu post

Pods, blogs and other time-wasters

No Congresso da SBL deste ano, que começa amanhã em São Francisco, ele falará sobre

Pods, Blogs and other Time-wasters: Do Electronic Media Detract from Proper Scholarship?

É uma reflexão sobre o blogar, ou melhor, biblioblogar e sua relação com a produção acadêmica.

Blogar vale a pena para o estudioso de Bíblia ou é pura perda de tempo? É algo tedioso ou prazeroso?

Ora, esta discussão não começou agora. Dê uma olhada nos posts do Leia Mais...


Leia Mais:
Biblioblogs: problemas e soluções - 18 de novembro de 2005
Biblioblogs: mais problemas do que soluções? - 27 de novembro de 2005
Sobre o enfraquecimento da comunidade biblioblogueira - 21 de abril de 2006
Um blog é uma ferramenta democrática - 26 de maio de 2009
Conversa sobre blogs e academia continua - 28 de maio de 2009
Jim West defende a necessidade dos biblioblogs - 15 de dezembro de 2009
Jim Davila fala sobre os biblioblogs no século XXI - 19 de novembro de 2010
SBL 2010: considerações e links interessantes - 26 de novembro de 2010

Dom Leonardo traz ao CEARP a filosofia de Riobaldo

Com o tema "A metafísica como mediadora de um diálogo contemporâneo entre Filosofia e Teologia", o CEARP - Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto - promoveu de 16 a 18 de novembro a Semana Filosófica de 2011.

Além dos Professores Claudiano Avelino dos Santos (editor de filosofia da Paulus Editora) e Benedito de Almeida Júnior (Universidade Federal de Uberlândia - MG), que falaram nos dias 16 e 17, hoje tive a oportunidade de conhecer e ouvir Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da CNBB e Bispo Auxiliar de Brasília sobre A relação Filosofia/Teologia: aspectos necessários.

Muitas ideias interessantes para o debate foram apresentadas por Dom Leonardo, que é Doutor em Filosofia, mas o que conquistou minha mente e meu coração foram suas reflexões a partir da filosofia de Riobaldo, personagem do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Aquele livro que nunca acabei de ler, porque ao terminá-lo já o estou recomeçando!

Suspeitar... escutar... questionar... especular ideia... a curiosidade do ver, perguntar, criar...

Mestre não é quem sabe todas as respostas, mas é quem sabe fazer as perguntas certas...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Resenhas na RBL - 12.11.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Joseph Blenkinsopp
Creation, Un-creation, Re-creation: A Discursive Commentary on Genesis 1-11
Reviewed by John E. Anderson

Yoram Cohen, Amir Gilan, and Jared L. Miller, eds.
Pax Hethitica: Studies on the Hittites and Their Neighbours in Honour of Itamar Singer
Reviewed by Paul Sanders

Corneliu Constantineanu
The Social Significance of Reconciliation in Paul's Theology: Narrative Readings in Romans
Reviewed by Robert Jewett

Timothy G. Gombis
Paul: A Guide for the Perplexed
Reviewed by James S. Hanson

Ronald Hendel, ed.
Reading Genesis: Ten Methods
Reviewed by Frank H. Polak

Amanda H. Podany
Brotherhood of Kings: How International Relations Shaped the Ancient Near East
Reviewed by Bertrand Lafont

Hendrika N. Roskam
The Purpose of the Gospel of Mark in Its Historical and Social Context
Reviewed by W. R. Telford

Hayim Tawil
An Akkadian Lexical Companion for Biblical Hebrew: Etymological-Semantic and Idiomatic Equivalents with Supplement on Biblical Aramaic
Reviewed by Aaron D. Rubin

David Trobisch
Ein Clown für Christus: Die ganz andere Geschichte über Paulus und seine Zeit
Reviewed by Jeffrey F. Cayzer

Urban C. von Wahlde
The Gospel and Letters of John
Reviewed by George L. Parsenios

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40 anos da TdL

Teologia que interessa ao mundo - Marcelo Barros: Adital 14/11/2011
Por onde passo, escuto a pergunta: "Dizem que a Teologia da Libertação está morta!. É verdade?”. Quase todos se refugiam em um impessoal "dizem”. Poucos assumem que eles/as mesmos/as pensam isso. Há alguns anos, personagens da cúpula católica declararam que a Teologia da Libertação tinha morrido. Disseram isso para expressar que estavam livres de um problema incômodo. Afirmaram a morte desse caminho espiritual mais para desejar que isso aconteça do que por estarem convictos de que fosse real. Entretanto, como, nas últimas décadas, as Igrejas parecem mais conservadoras e mais centradas em si mesmas, alguns concluem que, por isso, não existe mais essa relação entre fé e compromisso social. Por tudo isso, vale a pena recapitular: Chama-se "Teologia da Libertação” toda reflexão que liga a fé e a espiritualidade com o compromisso de transformar esse mundo e servir às causas da justiça, da libertação dos oprimidos e da paz. Nesse ano, estamos justamente celebrando os 40 anos do surgimento desse tipo de reflexão teológica na América Latina. Em 1971 aparecia no Peru o livro "Teologia da Libertação” de Gustavo Gutiérrez, seguido de outros escritos. No Brasil, Rubem Alves e Richard Schaull, professores do Seminário Presbiteriano de Campinas, foram pioneiros nesse tipo de reflexão. Foram perseguidos pela ditadura militar e incompreendidos pela hierarquia de sua Igreja. Na Igreja Católica, Leonardo Boff, Hugo Assmann e outros jovens trilharam o mesmo caminho. Desde o começo, a Teologia da Libertação se diversificou em vários ramos e setores. Alguns autores aprofundaram mais a relação entre o compromisso cristão e a economia. Outros pesquisaram como aplicar à Teologia alguns conceitos vindos da análise da realidade, feita pelos socialistas. Homens e mulheres aprofundaram uma leitura da Bíblia a partir da realidade do povo. O que fez de pensadores tão diversos companheiros de uma mesma causa foi o compromisso de sempre tomarem como base a realidade de sofrimento injusto dos empobrecidos para servirem à sua libertação. Eles e elas elaboraram uma teologia que expressa a fé com palavras atuais e de modo a ser melhor compreendida pelo homem e pela mulher de hoje. Pela primeira vez, a teologia passou a interessar a muita gente do mundo inteiro, independentemente das pessoas terem ou não fé religiosa. Muitos jovens e intelectuais passaram a sentir-se ligados à caminhada cristã.

Leia o texto completo.


Leia Mais:
Congresso Continental de Teologia: visite o site
40 anos da Teologia da Libertação

A urgência de uma ética ecoantropocêntrica

Nós ainda estamos vivendo em conformidade com a ética antropocêntrica que, ao afirmar a premissa de ser o homem o centro de tudo o que existe, contribui para arraigar a convicção de que o mundo foi feito para a espécie humana”. O que é um equívoco.

Leia a entrevista do historiador Carlos Alberto Pereira Silva à IHU On-Line, publicada em 16/11/2011.


Alguns trechos:

Diante da crise civilizatória multidimensional, potencializada pela expansão do desenvolvimento, as alternativas para a emergência de um consumo parcimonioso das riquezas naturais estão vinculadas à superação da insensata aposta no crescimento econômico ilimitado. Para que haja a propagação de modos de vida frugais, faz-se necessário que ocorra o questionamento do desenvolvimento predatório, excludente e consumista. Para isso precisamos nos livrar da palavra desenvolvimento, mesmo que ela venha acompanhada do adjetivo sustentável. Portanto, a superação do consumismo desenfreado existente em nossa época, na qual quase tudo é efêmero, supérfluo e descartável, exige uma profunda mudança nos valores, ideias e atitudes ainda predominantes na cultura ocidental. E isso exige uma verdadeira metamorfose cultural. Podemos iniciar essa metamorfose insurgindo contra os estímulos ditados pelas grandes corporações desenvolvimentistas, que são indutoras da compulsiva conjugação dos verbos modernizar, desenvolver, competir, lucrar, consumir, crescer, ostentar, aparecer, acumular, substituir e descartar...

A lógica apontada pelo desenvolvimento é essencialmente errada porque em seu interior está contida a insensata promessa de continuidade do crescimento econômico num mundo em que as riquezas naturais são finitas. Para iniciarmos uma mudança de rumos, compatível com os limites impostos pela biosfera, devemos descolonizar o nosso imaginário, ainda dominado pela crença nos supostos benefícios gerados pelo desenvolvimento. Para isso é necessário introjetarmos a ideia de que uma vida melhor independe do aumento da produção e do consumo de bens materiais. Certamente, ao interiorizarmos essa ideia, questionaremos as bases fundamentais do desenvolvimento e passaremos a adotar práticas socioambientais convergentes como os verbos redistribuir, reduzir, desmercadorizar, diminuir, reciclar, reutilizar, desmercantilizar, redistribuir, perenizar, reaprender e reencantar...

Nós ainda estamos vivendo em conformidade com a ética antropocêntrica que, ao afirmar a premissa de ser o homem o centro de tudo o que existe, contribui para arraigar a convicção de que o mundo foi feito para a espécie humana. A origem dessa compreensão está estampada na narrativa judaico-cristã sobre a criação do universo na qual, conforme o relato bíblico, Deus teria ordenado ao homem: “enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Acolhida entusiasticamente pela cultura ocidental, essa sentença foi incorporada ao conhecimento científico moderno através das palavras de Francis Bacon que, que em nome da ciência, deixou como legado este conselho: “devemos subjugar a natureza, pressioná-la para entregar seus segredos, amarrá-la a nosso serviço e fazê-la nossa escrava”. Diante dessa antiga crença, se o nosso descentramento parece algo impossível de acontecer, é fundamental então que passemos a enxergar a terra e os outros seres vivos também como centro do mundo. A partir daí, ao interiorizarmos essa premissa ecoantropocêntrica, veremos que a nossa espécie é integrante de uma ampla comunidade de vida e terminaremos por concluir que o mundo não nos pertence.

Eu penso que, em razão dos humanos serem tributários de uma história anterior ao seu surgimento, as convicções que atestam a capacidade de destruição da Terra e o extermínio da vida nela existente por parte da espécie humana revelam-se falsas. Para mim, por sermos apenas “um punhado de mar”, a afirmação, largamente difundida nos dias atuais, de que devemos proteger a natureza porque o futuro do planeta está em nossas mãos é completamente ingênua e presunçosa. Portanto, mesmo que essa afirmação esteja fundada em preocupações com a situação do planeta, os seus defensores não reconhecem a grandiosidade, nem tampouco a capacidade de resiliência que a Terra possui frente às agressões empreendidas pelos humanos. Assim sendo, se reconhecermos que estamos apenas maltratando a Terra e não a destruindo, acredito que iremos implementar ações preenchidas pelo egoísmo inteligente que alicerça-se no sincero princípio de que o cuidado com Terra e os outros seres vivos significa uma tentativa, quiçá vã, de cuidarmos de nós mesmos...

Ao constatar que o desenvolvimento possui a capacidade de transformar quase tudo em bens consumíveis, percebo que a incansável busca do corpo perfeito também está vinculada à reprodução da sociedade do crescimento fundada no ter sobre o ser. No atual contexto, onde o desejo do corpo perfeito tornou-se uma nova utopia, a indústria da beleza e da “boa forma” tem aumentado a sua riqueza com a manutenção da pobreza espiritual das consumidoras e consumidores dos seus produtos.

Concomitantemente à disseminação da corpolatria, a existência de vínculos entre a lógica desenvolvimentista e o crescimento da violência física e simbólica em nossas sociedades explicita-se quando verificamos que, em nome do desenvolvimento, o valor das pessoas é medido pelo que elas possuem e não pelo o que elas são. Assim, assentado na concorrência e no individualismo, o desenvolvimento cinde as sociedades através da imposição do lema “salve-se quem puder”, contribuindo decisivamente para a propagação da cultura da violência...

O padrão de consumo existente nos países materialmente desenvolvidos deve ser reduzido porque, além de não ser capaz de garantir uma autêntica satisfação para os indivíduos, o consumismo constitui-se num fator que tem gerado drásticas alterações nos ecossistemas. Ao incorporarem o consumo excessivo como dimensão vital da existência, parcelas significativas das sociedades ocidentais, na desenfreada busca dos recursos naturais, tornam-se responsáveis pelos desmatamentos, poluições, assoreamento dos rios, envenenamento dos mares e degradação do ambiente urbano. Conforme a publicação “O Estado do Mundo”, os 16% mais ricos do mundo são responsáveis por cerca de 80% do consumo mundial. Considerando que os países materialmente ricos são grandes consumidores de energia, ao discutirmos o problema da superpopulação, possivelmente iremos concluir, como sugeriu Paul Elrich, que há “um número demasiado grande de pessoas ricas” e que são eles que superpovoam a terra...

Leia o texto completo e veja os links no final da entrevista.

Leia Mais:
A sociedade atual e a metafísica da destruição
Alerta de Hawking: vivendo assim, seremos extintos
Artigos de Leonardo Boff

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Programa do seminário do Bíblico para professores

Como noticiado em junho no post PIB cria seminário para professores de Bíblia, o primeiro seminário oferecido pelo Bíblico tem a orientação dos professores José Luis Sicre Díaz e Georg Fischer e será realizado de 23 a 27 de janeiro de 2012. O tema será o profetismo, privilegiando os textos de Isaías e Jeremias.

A programação está disponível, em italiano, na página do Pontifício Instituto Bíblico. Veja o arquivo, em pdf, aqui.

O seminário de 2012 será em italiano. Mas a notícia pode ser lida em Italiano ou em English.

Ayrton's Biblical Page comemora hoje 12 anos

Ayrton's Biblical Page foi criada em 10 de novembro de 1999 e, hoje, 10 de novembro de 2011, completa 12 anos de existência!

Parabéns, Congratulations, Felicitaciones, Congratulazioni, Glückwünsche.


A página aguarda as benevolentes manifestações de seus visitantes fiéis...

domingo, 6 de novembro de 2011

Neil Asher Silberman virá ao Brasil em 2012

Josué Berlesi, Professor de História Antiga na Universidade Federal do Pará, em Cametá, enviou-me, via e-mail, a seguinte notícia:

"Segue a mensagem que recebi do Prof. Anderson Zalewski:

O Professor Neil Silberman estará na Unicamp [Universidade Estadual de Campinas - SP], entre 20 de maio e 3 de junho de 2012, para diversas atividades, patrocinadas pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp. Tratará, em particular, de temas de Arqueologia Pública, em nosso Laboratório de Arqueologia Pública, coordenado pela Profa. Dra. Aline Vieira de Carvalho, e da Arqueologia Bíblica. Ficará hospedado na Casa do Professor Visitante, no campus da Unicamp, e será uma satisfação receber colegas e alunos. Peço, por favor, que divulguem esta informação entre seus colegas, alunos e listas".

Como se sabe, Neil Asher Silberman, é co-autor, com Israel Finkelstein (que já esteve no Brasil - leia aqui), do clássico The Bible Unearthed (A Bíblia não tinha razão). Atualmente é Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Massachusetts- Amherst, Estados Unidos.

Observo também que a tese de doutorado de Josué Berlesi, ainda em andamento na Universidade de Buenos Aires, Argentina, trata da História de Israel: Consideraciones teórico-metodológicas acerca de la historia de Israel en los currículos académicos de Historia: un análisis de los modos de recepción de la historiografia de Israel en Brasil y en la Argentina

Leia Mais
Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman no Observatório Bíblico e na Ayrton's Biblical Page
Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman na biblioblogosfera

Congresso Continental de Teologia: visite o site

Congresso Continental de Teologia 2012

Data: de 8 a 11 de outubro de 2012

Local: Unisinos - São Leopoldo - RS - Brasil

Leia Mais:
Congresso Continental de Teologia no Observatório Bíblico

sábado, 5 de novembro de 2011

O mundo em crise: o que fazer?

O mundo em crise: o que fazer?

Especial de Carta Maior, com várias análises: Tariq Ali, Noam Chomsky, Michael Moore, Richard Sennett, Ignacy Sachs, John Kozy, Daniel Ben Saïd, Susan George. E mais...

Perseus Digital Library está disponível para download

Perseu é uma enorme biblioteca digital de textos clássicos do mundo greco-romano que podem ser consultados online nas línguas originais e alguns em tradução para o inglês.

Agora os milhares de textos de Perseu podem ser baixados gratuitamente a partir do site da Logos. Neste caso, é necessário instalar o Logos Bible Software.

Conheça Perseus Digital Library. Clique aqui para ver as coleções disponíveis para download no site da Logos, e aqui para instalar o Logos Bible Software. Uma boa exposição das vantagens desta oferta pode ser encontrada aqui.


The Perseus Collections are focused primarily on Greek and Latin classics, like Aristotle and Plato. They also cover the history, literature, philosophy, and culture of the Greco-Roman world—important contextual sources for biblical scholars. Additionally, they contain other key works of Renaissance literature, and literature from early America. In short, Perseus is a library of the West’s most enduring and influential classics. With Perseus, you get a massive amount of valuable content—over 1,500 resources. Even better, all Perseus collections are completely free!

Resenhas na RBL - 28.10.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Darrell L. Bock and Robert L. Webb, eds.
Key Events in the Life of the Historical Jesus: A Collaborative Exploration of Context and Coherence
Reviewed by Richard Horsley

William P. Brown
Psalms
Reviewed by Harry P. Nasuti

Christopher Bryan
The Resurrection of the Messiah
Reviewed by Peter Smit

A. R. Pete Diamond and Louis Stulman, eds.
Jeremiah (Dis)Placed: New Directions in Writing/Reading Jeremiah
Reviewed by Michael Avioz

Frances Flannery, Colleen Shantz, and Rodney A. Werline, eds.
Experientia, Volume 1: Inquiry into Religious Experience in Early Judaism and Christianity
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Scott W. Hahn
Kinship by Covenant: A Canonical Approach to the Fulfillment of God's Saving Promises
Reviewed by Pablo T. Gadenz

Rolf A. Jacobson, ed.
Soundings in the Theology of Psalms: Perspectives and Methods in Contemporary Scholarship
Reviewed by Jeffery M. Leonard

Peter Landesmann
Die Darstellung "Der zwölfjährige Jesus unter den Schriftgelehrten" im Wandel der Zeiten
Reviewed by James R. McConnell

Riemer Roukema
Jesus, Gnosis and Dogma
Reviewed by James F. McGrath

J. Randall Short
The Surprising Election and Confirmation of King David
Reviewed by David G. Firth

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Biblioblog Top 50 - Outubro de 2011

Esta é a lista dos 50 biblioblogs mais frequentados no mês de outubro de 2011 segundo The Biblioblog Reference Library.

Biblioblog Rankings – October 2011

Publicada por Steve Caruso em The Biblioblog Top 50.

Observatório Bíblico é o #17.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As duas lutas de Lula: contra o câncer e o preconceito

Peço licença para reproduzir na íntegra o texto de Maria Inês Nassif, porque é ímpar. Foi publicado na Carta Maior em 31/10/2011.

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

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Blogueiros: Carta de Foz do Iguaçu

Blogueiros de 23 países aprovam Carta de Foz do Iguaçu
Documento defende luta por liberdade de expressão, contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor, por novos marcos regulatórios da comunicação, pelo acesso universal à banda larga de qualidade e contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Próximo encontro já está marcado para novembro de 2012, também em Foz do Iguaçu.

Bloggers from 23 countries approve Foz do Iguaçu Letter
The document defends the struggle for freedom of expression, the struggle against any kind of censure or political persecution from public powers and companies from the sector, for new regulatory frameworks for communications, for universal access to broadband internet and against any attempt of coercion or censure on the internet. The next meeting has already been set for 2012, also in Foz do Iguaçu.

Blogueros de 23 países aprueban Carta de Foz do Iguaçu
Documento defiende lucha por libertad de expresión, contra cualquier tipo de censura o persecución política de los poderes públicos y de las corporaciones del sector, por nuevos marcos regulatorios de la comunicación, por el acceso universal a banda ancha de calidad y contra cualquier intento de cercenamiento y censura en Internet. Próximo encuentro ya está marcado para noviembre del 2012, también en Foz do Iguaçu.

Fonte: Carta Maior

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