sábado, 30 de abril de 2011

Norman K Gottwald por Roland Boer

Será que existe alguém aqui no Brasil que lida com Bíblia Hebraica / Antigo Testamento e/ou com História de Israel que ainda não conhece Norman K Gottwald? E sua teoria da revolta camponesa ou da retribalização, para explicar as origens de Israel? E que nunca tropeçou em seu "tijolaço" de quase mil páginas chamado The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel, 1250-1050 B.C.E. Maryknoll, New York: Orbis Books, 1979 [2. ed. 1999], em português: As Tribos de Iahweh: Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004 [1. ed. 1986]?

Roland Boer, Professor no Departamento de Teologia da Universidade Newcastle, Austrália, autor do blog Stalin's Moustache, publicou ontem, 29/04/2011, na Monthly Review, o artigo:

Norman Gottwald: A Pioneering Marxist Biblical Scholar

Assim começa o artigo:
Norman Gottwald belongs to a rare breed -- an American Marxist biblical scholar. More than one jarring juxtaposition in that epithet! Unfortunately, he is less well known outside the relative small circle of biblical scholars than he should be. In order to introduce him to a wider audience, let me say a little about his scholarly achievements and then some more concerning his activism.

Ou seja: para que Gottwald possa ser conhecido por um público mais amplo, para além do limitado círculo dos estudiosos de Bíblia, Roland Boer vai apresentar seu trabalho acadêmico, pioneiro em suas propostas, e seu engajamento político, consistente com suas pesquisas e sua visão de mundo. E isto sob a ótica do marxismo.

Destaco três pequenos trechos do artigo:
:: "In contrast to the flowering of Marxist approaches to the Bible today, Gottwald first began work in the 1950s, when the US academy was largely hostile to such approaches. After a few relatively conventional starts -- an introduction to the Bible and a study of the biblical book of lamentations -- Gottwald set his mind to a comprehensive study of the origins of ancient Israel. The result, after more than a decade of work, was The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel 1250-1050 B.C.E., first published in 1979 and reprinted many times after that. The content of the argument was as controversial as its method. Gottwald argued that early Israel arose out of a peasant revolution within Canaan between 1250 and 1050 BCE" (...)

:: "The lasting heritage of Gottwald's work falls into three categories. First, the argument that Israel was indigenous to Canaan is now widely agreed among scholars. They may not have been conscious of being 'Israel' until quite late (after 400 BCE), but their economic, social and religious shape is distinctly Canaanite. Second, Gottwald almost single-handedly established social-scientific research on the Bible as a viable and promising enterprise. Social-scientific theory, comparative work and sophisticated sociological analysis is now well accepted and widely used. Third, Gottwald showed how productive Marxist methodology can be. He may have deployed Durkheim and Weber, but the core method is Marxist. So we find complex treatments of mode of production, means and relations of production, ideology and culture" (...)

:: "There is another, even lesser-known side to Gottwald, the long-time activist. Gottwald is at pains to point out that the various phases of his scholarship are inseparable from his experiences of activism of more than half a century. He is one of the few remaining radical biblical scholars who was immersed the heady excitement of the 1960s" (...) "Gottwald saw the importance of Marx for both his scholarly and political work".

Lembro ainda que Roland Boer coordenou um painel em Congresso Anual da SBL (Society of Biblical Literature, USA), que foi publicado em livro com o título Tracking "The Tribes of Yahweh": On the Trail of a Classic. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2002, 216 p. - ISBN: 082646050X, no qual foi feito um balanço de "As Tribos de Iahweh", 20 anos após sua publicação, avaliando seus impactos e implicações nos estudos bíblicos. Contribuiram para esta avaliação David Jobling, Frank Frick, Charles Carter, Carol Meyers, Jacques Berlinerblau, Itumeleng Mosala, Gerald West, Roland Boer e o próprio Norman Gottwald. Alguns trechos podem ser lidos no Google books.

Por outro lado, um balanço de "As Tribos de Iahweh", feito pelo próprio Gottwald, pode se lido no texto Revisiting The Tribes of Yahweh.

Atualização:
Um belo testemunho sobre Gottwald foi escrito por Claude Mariottini em seu blog. Claude é biblista brasileiro, que vive e ensina nos Estados Unidos. Estudou com Gottwald no Graduate Theological Union, em Berkeley, Califórnia.

Resenhas na RBL - 28.04.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Francesco Cocco
Sulla Cattedra di Mosè: La legitimazione del potere nell'Israele post-esilico (Nm 11; 16)
Reviewed by Donatella Scaiola

Joel B. Green, ed.
Methods for Luke
Reviewed by Robert M. Fowler

Knut Holder and Louis C. Jonker, eds.
Global Hermeneutics? Reflections and Consequences
Reviewed by Susanne Scholz
Reviewed by Gerrie Snyman

Niko Huttunen
Paul and Epictetus on Law: A Comparison
Reviewed by Gitte Buch-Hansen

Rolf A. Jacobson, ed.
Soundings in the Theology of Psalms: Perspectives and Methods in Contemporary Scholarship
Reviewed by Beat Weber

Henning Graf Reventlow and Yair Hoffman, eds.
The Decalogue in Jewish and Christian Tradition
Reviewed by Michael Tilly

Christopher D. Stanley
The Hebrew Bible: A Comparative Approach
Reviewed by Bradford A. Anderson

Shemaryahu Talmon
Text and Canon of the Hebrew Bible
Reviewed by James A. Sanders

Hans-Friedrich Weiss
Frühes Christentum und Gnosis: Eine rezeptionsgeschichtliche Studie
Reviewed by Ismo Dunderberg

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Última Ceia na quarta e não na quinta-feira?

Primeiro leia a notícia, em português:

. A Última Ceia teria acontecido na quarta, e não na quinta-feira - Folha.com (da France Presse): 18/04/2011 - 12h26
. Pesquisador afirma que Última Ceia ocorreu em uma quarta-feira - BBC Brasil: Atualizado em 18 de abril, 2011 - 12:57 (Brasília) 15:57 GMT

Depois, leia o artigo de Colin J. Humphreys, o autor da proposta, publicado na revista The Bible and Interpretation em abril de 2011 [onde há também um link para o livro]:

. The Mystery of the Last Supper: Reconstructing the Final Days of Jesus

Por último, leia as considerações sobre o assunto de um especialista em Novo Testamento, Mark Goodacre, publicadas em seu NT Blog - Friday, April 22, 2011:

. Dating the Last Supper a Day Early?


Observo que:
. Quando se tenta explicar cientificamente um acontecimento narrado em um texto bíblico - seja ele o Êxodo do Egito ou a Última Ceia de Jesus - partindo do próprio texto e não de conclusões resultantes de múltiplas análises exegéticas do texto, os resultados costumam ser frágeis ou mesmo desastrosos. Mesmo fecundado com recursos da mais avançada ciência, o texto dá à luz não a uma explicação científica, mas a uma apologia [que, em grego, significa 'defesa', 'justificação']
. Não se pode saltar diretamente da leitura de um texto bíblico para o acontecimento narrado por ele: texto bíblico não é reportagem
. Além do que, é péssimo hábito ler mal o texto, vendo o que está em nossa cabeça - pressupostos não discutidos - e não o que o texto diz...
. Para se entender um texto bíblico deve-se levar em conta, pelo menos, quatro elementos na sua leitura: o texto e seu contexto, de um lado; nós e o nosso contexto, de outro lado. É estabelecida assim a seguinte correlação: o texto está para o seu contexto, assim como nós estamos para o nosso contexto. Deste modo, a identidade do sentido não é procurada no contexto ou na mensagem, mas na relação entre contexto e mensagem
. Como explico aqui e aqui.

Finkelstein: sobre a arqueologia da Cidade de Davi

In the Eye of Jerusalem’s Archaeological Storm [No olho do furacão arqueológico de Jerusalém]

The City of David, Beyond the Politics and Propaganda

By Israel Finkelstein

Forward - April 26, 2011

Archaeological activity in Jerusalem has been sucked into a whirlwind of conflicting political agendas, and the site commonly referred to as “the City of David” is in the eye of the storm. At issue is a place of seminal importance for the Jewish people and indeed for anyone who cherishes the heritage of Western civilization. When dealing with archaeology in Jerusalem, one must first know the facts. Otherwise it is easy to be led astray by unfounded historical interpretations or to succumb to misinformation from those pursuing their own political agendas. The City of David is a long and narrow six-hectare ridge that stretches to the south of the Temple Mount, outside the Old City of Jerusalem. It is the subject of an explosive mix of territorial disputes, political propaganda and conspiracy theories. But it is first and foremost a remarkable archaeological site that has been intensively explored by British, French, German and Israeli archaeologists starting as far back as the mid-19th century (...) From the outset of modern exploration, the City of David produced exciting discoveries. Truly thrilling finds include the Siloam Inscription, a late-8th-century BCE Hebrew inscription that commemorates the hewing of a water tunnel under the ridge. Other important recent discoveries are the Pool of Siloam, dating from the Roman period, and the monumental street that connected it with the Temple Mount — places that were frequented by thousands during the three pilgrimage festivals each year. But is the ridge south of the Temple Mount the location of the actual city of King David? This is one of the most excavated spots on the face of the earth, but so far fieldwork has not yielded any monuments from the 10th century BCE, the time of King David. Recent claims by an archaeologist working at the site regarding the supposed discovery of the palace of King David and the city-wall built by King Solomon are based on literal, simplistic readings of the biblical text and are not supported by archaeological facts. The supposed “palace” features walls from different periods, none dating — as far as I can judge — from the 10th century BCE. And the “wall” of Solomon cannot be considered a true fortification and cannot be dated as early as the 10th century BCE. In light of this context, some scholars think that the remains of the Jerusalem of King David’s time are located under the surface of today’s Temple Mount. This, however, does not diminish the tremendous importance of the City of David ridge. Scholars agree that starting in the late 8th century BCE, it was part of the enlarged city of Jerusalem. Illustrious biblical figures, such as Kings Hezekiah and Josiah and the prophets Isaiah and Jeremiah, probably strolled here at that time. Monuments unearthed here include impressive fortifications from the Bronze Age, the Kingdom of Judah and the period of the Hasmoneans, as well as water installations associated with the nearby Gihon Spring, ancient Jerusalem’s main water source. The Pool of Siloam is associated with the New Testament story of Jesus’ healing of a man who was blind from birth. This site should be revered as one of humanity’s great landmarks. Were it not for the political controversy surrounding the site, it would doubtless be high on the list of world heritage sites. Allegations are sometimes heard in the media that work in the City of David is unlawful and not executed to the standards of modern archaeology. This is untrue. Fieldwork there is carried out according to law and — taking into account the difficulties of excavating in a built-up area — using sound field methods. All excavation projects are directed by seasoned archaeologists and inspected by the Israel Antiquities Authority (...) The City of David’s monuments and antiquities — some yet to be discovered — are too important to be allowed to fall victim to politics or neglect. Whatever our political views, we need to be vigilant in maintaining this place as a tangible link to a rich past and as a site of honest historical inquiry.

Leia o texto completo.

Resenhas na RBL - 20.04.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ehud Ben Zvi and James D. Nogalski
Two Sides of a Coin: Juxtaposing Views on Interpreting the Book of the Twelve/the Twelve Prophetic Books
Reviewed by Marvin A. Sweeney

Katell Berthelot, Thierry Legrand, and André Paul, eds.
Torah: Genèse
Reviewed by Kristin De Troyer

Gitte Buch-Hansen
"It Is the Spirit That Gives Life": A Stoic Understanding of Pneuma in John's Gospel
Reviewed by Cornelis Bennema

Terence L. Donaldson
Jews and Anti-Judaism in the New Testament: Decision Points and Divergent Interpretations
Reviewed by Jeffrey S. Siker

Susan E. Hylen
Imperfect Believers: Ambiguous Characters in the Gospel of John
Reviewed by R. Alan Culpepper

Paul D. Korchin
Markedness in Canaanite and Hebrew Verbs
Reviewed by John Lubbe

Michael Lakey
Image and Glory of God: 1 Corinthians 11:2-16 as a Case Study in Bible, Gender and Hermeneutics
Reviewed by William O. Walker Jr.

Anthony Le Donne
The Historiographical Jesus: Memory, Typology, and the Son of David
Reviewed by Alan Kirk

Jürg Luchsinger
Poetik der alttestamentlichen Spruchweisheit
Reviewed by James Alfred Loader

Michael W. Martin
Judas and the Rhetoric of Comparison in the Fourth Gospel
Reviewed by Tom Thatcher

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

A saga de Thompson: de Tübingen a Copenhague

Sobre a impressionante saga pessoal e intelectual de Thomas L. Thompson, já contei alguma coisa em meu artigo sobre o debate atual nas áreas de Pentateuco e de História de Israel. Recomendo a leitura, em dois diferentes artigos, dos itens Patriarcas? Que Patriarcas e Thomas L. Thompson (Dinamarca). Thomas L. Thompson é hoje Professor Emérito da Universidade de Copenhague, Dinamarca.

Feito isso, gostaria de chamar a atenção para dois textos recentes sobre Thomas L. Thompson:

:: Uma entrevista que Thompson deu a Thomas Verenna, do blog The Musings of Thomas Verenna e que foi dividida em 4 partes. Duas já foram publicadas [atualização em 08.05.2013: infelizmente a entrevista, partes 1 e 2, desapareceu do blog de Thomas Verenna, mas pode ser recuperada na WayBackMachine]:

. An Interview With Thomas L. Thompson: Part 1 of 4 - Personal Life and Beliefs: April 11, 2011

. An Interview With Thomas L. Thompson: Part 2 of 4 - Thoughts on Scholarship: April 13, 2011

:: Um artigo escrito por Thomas Thompson para a revista The Bible and Interpretation, publicado agora em abril, On the Problem of Critical Scholarship: A Memoire, no qual ele relata as controvérsias provocadas por sua tese sobre a (não) historicidade de Abraão.

Alguns dos personagens que aparecem no artigo de Thompson, uns pouco conhecidos por aqui, outros bastante conhecidos: Herbert Haag, Kurt Galling, Abraham Malamat, Shalom Paul, William Dever, Joseph Fitzmeyer, James Ross, Georg Fohrer, Hans Küng, Joseph Ratzinger, Leonard Swidler, Robert Wright, John Huesman, Dean McBride, Jeff Tigay, James Ross, John Van Seters, Jack Sasson, Matityahu Tsevat, William Thompson, Sara Japhet, Gösta Ahlström, Philip Davies, Niels Peter Lemche...

Os lugares onde Thompson estudou ou lecionou: Tübingen, Alemanha; Jerusalém, Israel; Philadelphia, Estados Unidos; Chapel Hill, Estados Unidos; Chicago, Estados Unidos; Milwaukee, Estados Unidos; Copenhague, Dinamarca.

Devo dizer que este relato me toca de um modo curioso. Os acontecimentos narrados por Thompson cobrem o período de 1971 a 1993. Mas, entre 1971, quando completou sua tese de doutorado, e 1975, quando, sem ter permissão para defendê-la, deixou Tübingen, na Alemanha, eu passava de dois a três meses por ano bem pertinho dali, em Böblingen.

Estudante de graduação em Teologia e depois de pós em Bíblia, em Roma, ia, com outros colegas brasileiros, para a Alemanha, para trabalhar na Daimler durante as férias de verão, fabricando carros Mercedes Benz em Sindelfingen. Fui à famosa cidade universitária de Tübingen a passeio apenas. Não conhecia pessoalmente ninguém de lá. Sabia que Hans Küng, cuja eclesiologia estudara bastante na Gregoriana, lecionava ali...

terça-feira, 19 de abril de 2011

O que Casey nos conta sobre Jesus de Nazaré?

O livro de Maurice Casey sobre Jesus de Nazaré está fazendo barulho desde o fim do ano passado. Há reações como: é uma obra-prima, é um livro de leitura obrigatória... E muito mais.

As resenhas estão aparecendo, além de um colóquio com o autor na lista de discussão Biblical Studies. Aqui aponto algumas das resenhas que li.

O livro é um relato de um historiador independente sobre a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré. O britânico Maurice Casey é Professor Emérito de Línguas e Literatura do Novo Testamento na Universidade de Nottingham, Reino Unido. Outro livro recente de Casey também foi muito comentado: The Solution to the 'Son of Man' Problem. London: T & T Clark, 2009, 416 p. - ISBN 9780567030702 (Paperback). Hardcover: 2007, xiv + 359 p. - ISBN 9780567030696.

CASEY, M. Jesus of Nazareth: An independent historian's account of his life and teaching. London: T & T Clark, 2010, 576 p. - ISBN 9780567645173.

Michael Kok on Casey - Sheffield Biblical Studies: November 5, 2010
The OOs has been much quieter compared to the heyday for the study of the historical Jesus in the 80s/90s (Sanders, Horsley, Wright, Crossan, Borg, collectively Jesus Seminar, etc) and recently William Arnal questioned the academic legitimacy of the quest (cf. Symbolic Jesus, 73-78), so time will tell if Maurice Casey’s Jesus of Nazareth or Dale Allison’s Constructing Jesus (see Loren Rosson’s review) help revitalize this area. I approach this review of select chapters with a fellow postgraduate with a bit of trepidation, knowing Prof. Casey’s expertise on the subject far exceeds my own. This book is a must-read, especially Casey’s proficiency in reconstructing the underlying Aramaic of the sayings material (close to the ipsissima verba?), detailed knowledge of the Jewish background and unrivalled expertise on the Son of Man debate.

Christopher Markou On Casey, Ch. 2 - Sheffield Biblical Studies: November 14, 2010
It is my task to offer my thoughts on the second chapter of Maurice Casey’s Jesus of Nazareth. First however, it would be prudent of me to offer some general comments about the book and some of my opinions on it. Casey’s latest work is nothing short of a magnum opus, the sort of work a scholar can produce only at the culmination of a distinguished career of scholarship. It seems unfitting for someone such as myself who has yet to begin their own career to have the task of critiquing such a work, but I can confess to being daunted by Professor Casey’s mastery of the subject matter and can only hope that within my own career I am able to produce a monograph of such quality and argumentation. Jesus of Nazareth: An Independent Historian’s Account of His Life and Teaching is both comprehensive and commanding in its scope and argumentation and should certainly take its place as the most important work on the life of the historical Jesus since Sanders’ The Historical Figure of Jesus.

Mike Kok on Casey ch. 3 - Sheffield Biblical Studies: December 1, 2010
Here Casey covers the standard methodology in the study of the HJ: multiple attestation, double dissimilarity, embarrassment, plausibility, Aramaic, and so on.

Mike Kok: concluding thoughts on Casey and the historical Jesus - Sheffield Biblical Studies: January 2, 2011
This will be my last review of Casey’s magnus opus before I retire back to the world outside of blogdom J. I skip sections on upbringing, baptism, monotheism or ethics, for though I differ on an interpretation here or there, overall I agree with Casey’s portrait of a pious eschatological prophet. I would further like to wed Casey’s reconstruction with the social implications noted by a Horsley or a Crossan, such as how Jesus’ reign of God or ethics confronted social or economic disparities in first century Galilee/Judaea or Roman imperialism mediated through the native aristocracy and temple elites (...) So to turn to Ch. 9, Casey introduces Scribes, Pharisees, or Priests.


Did Jesus Rise from the Dead? Casey on Jesus: 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 (de 7 partes, publicadas durante esta Semana Santa) - Deane Galbraith: Bulletin for the Study of Religion - 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23 de abril de 2011 [também aqui]
Released late in 2010, Maurice Casey’s historical reconstruction of the life and teachings of Jesus has become the major reference work in the controversial New Testament subdiscipline of historical Jesus studies. This seven-part review of Jesus of Nazareth will engage especially with the twelfth and final chapter of the book (“Did Jesus Rise from the Dead?”) – each part to appear daily over ”Holy Week”. One of the great benefits of Casey’s Jesus of Nazareth for contemporary Jesus scholarship is the way it has taken a great big broom to the accumulated rubbish and detritus which has recently cluttered the field. Casey is never afraid to challenge head-on – often abrasively; always decisively – some of the more blatantly apologetic arguments and conclusions issued recently by more conservative scholars, in a field which has, in these latter days, become dominated by conservative reactionism. This particular quality of Jesus of Nazareth may very well be, if I dare to predict it, the major benefit of the book for critical posterity. Given the sheer volume of quasi-academic, faith-based approaches to the person of Jesus, Casey has arguably cleared the field - for a little while at least - allowing more critical scholars (whether Christian or otherwise) to offer genuine criticism without being bogged down with the sheer weight of defences of the faith presented in the guise of scholarship. At least… here’s hoping that will be the case!

domingo, 17 de abril de 2011

Frase do dia - 17.04.2011

Omnia disce. Videbis postea nihil esse superfluum.

Aprenda tudo. Você vai descobrir, mais cedo ou mais tarde, que nenhum conhecimento é supérfluo.

Hugues de Saint-Victor (1096–1141), Didascalicon, VI, 3

A (pen)última polêmica de Jacobovici: cravos da cruz

Simcha Jacobovici - aquele do Sepulcro Esquecido de Jesus, The Lost Tomb of Jesus, ou Tumba de Talpiot, de 2007 - afirma que dois cravos encontrados em um tumba em Jerusalém podem ter sido usados na crucificação de Cristo, hipótese que foi criticada e causou polêmica entre especialistas em arqueologia. Há consenso entre os biblioblogueiros de que este é mais um "achado" pseudoarqueológico, talvez comprado ali no ferro-velho da esquina... It is the consensus amongst expert bloggers is that Simcha Jacobovici’s claims about “The Nails of the Cross” are dubious...

Vários links para o "caso" podem ser clicados em The Biblioblog Reference Library, no post:

The Nails Of The Cross

Atualização: 19/04/2011
Joe Zias- ‘More Amazing Dis-Grace- The JESUS NAILS: The Naked Truth vs. The Naked Archaeologist’ - Jim West: Zwinglius Redivivus 19/04/2011 · 06:41

Protestantismo e catolicismo no Brasil: Paul Freston

Em entrevista à IHU On-Line, publicada em 16/04/2011, o cientista social Paul Charles Freston fala sobre

Protestantismo e catolicismo na América Latina: desafios da democracia e do pluralismo religioso

"Pesquisas recentes indicam o crescimento do pentecostalismo no Brasil. Há, portanto, e isso é inegável, uma mudança no status religioso nacional. Segundo o sociólogo Paul Freston, o motivo deste declínio da Igreja Católica se dá porque o pluralismo e a democracia se apresentam como os grandes desafios para a religião. 'É difícil manter a hegemonia na sociedade civil porque ela é cada vez mais independente, autônoma e plural. Assim, as ditaduras, mesmo aquelas que perseguiram a Igreja, eram situações mais favoráveis para a manutenção da posição social da Igreja', explicou durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone. Paul Charles Freston nasceu na Inglaterra e é brasileiro naturalizado. Graduou-se em História e Antropologia Social pela University of Cambridge (Inglaterra) e fez mestrado em Latin American Studies pela University of Liverpool. Também é mestre em Christian Studies pela Regent College. Já no Brasil, fez doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas. Recebeu o título de pós-doutor pela University of Oxford. Atualmente, é pesquisador sênior da Baylor University (EUA) e professor na Universidade Federal de São Carlos (SP)".

Um trecho:

[No contexto atual] o que ocorre é uma mudança no status público da Igreja Católica, mas também de uma transição protestante que é o fato de que muito dificilmente o protestantismo vai chegar a ser maioria em algum país latino-americano. Certamente, no Brasil a perspectiva não é essa. Prevejo que nas próximas décadas o crescimento protestante vai estabilizar, vai chegar num patamar e se estabilizar. Ficaremos entre 20 e 35%. Quando estabilizar aí tudo muda. Essa é a questão. Teremos um quadro religioso totalmente transformado nesse país; teremos um protestantismo que já não cresce como hoje. Não vai haver o mesmo triunfalismo e o mesmo jeito aguerrido. Vão ser produzidos outros tipos de líderes, outras relações entre as diferentes religiões e com a política. Vai ser muito diferente do que é hoje. Ao mesmo tempo, a Igreja Católica vai estabilizar. Porém, de uma forma diferente do que sempre foi. Pode até ser minoria; é possível que o censo do ano passado já dê uma minoria católica no estado do Rio de Janeiro, não no país todo. E quando estabilizar os “fiéis” da Igreja serão descritos como mais praticantes, identificados, compromissados. As relações entre católicos e protestantes serão bem diferentes e, além disso, teremos um setor razoavelmente grande de pessoas adeptas a outras religiões ou “sem religião”. Essa situação pluralista vai ser mais difusa e não vai haver uma protestantização.

Leia a entrevista.

Resenhas na RBL - 14.04.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Herbert Basser
The Mind behind the Gospels: A Commentary to Matthew 1-14
Reviewed by Robert H. Gundry
Reviewed by Timothy Howell

Kathleen E. Corley
Maranatha: Women's Funerary Rituals and Christian Origins
Reviewed by Susan Miller

Stefano Cotrozzi
Expect the Unexpected: Aspects of Pragmatic Foregrounding in Old Testament Narratives
Reviewed by Philip Nel

S. White Crawford, A. Ben-Tor, J. P. Dessel, W. G. Dever, A. Mazar, and J. Aviram, eds.
"Up to the Gates of Ekron": Essays on the Archaeology and History of the Eastern Mediterranean in Honor of Seymour Gitin
Reviewed by Carl S. Ehrlich

Gershon Galil
The Lower Stratum Families in the Neo-Assyrian Period
Reviewed by John MacGinnis

Kathy Reiko Maxwell
Hearing between the Lines: The Audience as Fellow-Worker in Luke-Acts and its Literary Milieu
Reviewed by Jean-François Racine

Dietmar Neufeld and Richard E. DeMaris, eds.
Understanding the Social World of the New Testament
Reviewed by Renate Viveen Hood

Erwin Ochsenmeier
Mal, souffrance et justice de Dieu selon Romains 1-3: Étude exégétique et théologique
Reviewed by Paul Sanders

Klaus Seybold
Poetik der prophetischen Literatur im Alten Testament
Reviewed by Heinz-Dieter Neef

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Resenhas na RBL - 07.04.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Hannes Bezzel
Die Konfessionen Jeremias: Eine redaktionsgeschichtliche Studie
Reviewed by John Engle

Dereck Daschke and Andrew Kille, eds.
A Cry Instead of Justice: The Bible and Cultures of Violence in Psychological Perspective
Reviewed by J. Dwayne Howell

Gary N. Knoppers and Lester L. Grabbe, with Deirdre N. Fulton, eds.
Exile and Restoration Revisited: Essays on the Babylonian and Persian Periods in Memory of Peter R. Ackroyd
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Elizabeth Struthers Malbon, ed.
Between Author and Audience in Mark: Narration, Characterization, Interpretation
Reviewed by Tom Shepherd

Scott B. Noegel and Gary A. Rendsburg
Solomon's Vineyard: Literary and Linguistic Studies in the Song of Songs
Reviewed by George Athas
Reviewed by Jonathan Kaplan

Barbara Nevling Porter, ed.
What Is a God? Anthropomorphic and Non-anthropomorphic Aspects of Deity in Ancient Mesopotamia
Reviewed by Aren M. Maeir

Jeremy Schipper
Parables and Conflict in the Hebrew Bible
Reviewed by George Savran

Jacques Vermeylen
Jérusalem centre du monde: Développements et contestations d'une tradition biblique
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Mark M. Yarbrough
Paul's Utilization of Preformed Traditions in 1 Timothy: An Evaluation of the Apostle's Literary, Rhetorical, and Theological Tactics
Reviewed by Korinna Zamfir


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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um agregador para a biblioblogosfera: The Biblioblog Reference Library

Steve Caruso, de Highland Park, New Jersey, EUA, que publica The Aramaic Blog, criou uma genial biblioteca de referência para a biblioblogosfera:

The Biblioblog Reference Library

Com quase três centenas de biblioblogs (atualmente) indexados, o agregador (de feeds) permite ao leitor o acesso às postagens de maneira ágil e fácil.

Ele diz na apresentação de sua criação, em Introducing The Biblioblog Reference Library (Beta), post publicado em 11 de abril:
... One Biblioblogger decided to find a way to bring together all of the rapid research, commentary and genuine peer review that had been done by his fellow Bibliobloggers into one organized, indexed, and searchable place. The Biblioblog Reference Library is the fruit of that brainstorming, combining over 270 Biblioblog feeds with full text search. In the future, there are hopes to fully develop a number of specialized indexes that go over key commentary on pertinent Biblical Studies issues as well as a Press Room to aid news reporters towards getting the story right the first time. Will this be successful? Only time shall tell. In the meantime...


Leia Mais:
A list of the blogs that are currently indexed in the Library
Biblioblogs
Complete List of Biblioblogs
The Complete List of Biblioblogs (RSS): a biblioblog OPML file compiled by Tim Ricchuiti

domingo, 10 de abril de 2011

O projeto tribal bíblico deveria ser abandonado?

Que as hipóteses de Albrecht Alt e Martin Noth para explicar as origens e a estrutura social do Israel pré-monárquico são insuficientes, a gente já sabe. Mas...

José Ademar Kaefer, Doutor em S. Escritura e Professor no ITESP - Instituto São Paulo de Estudos Superiores -, escreveu na revista Espaços, 18/2, de 2010, p. 169-177, o artigo

Tribalismo na História de Israel: perspectiva de estudos ainda válida?

Kaefer é autor do livro Un pueblo libre y sin reyes: La función de Gn 49 y Dt 33 en la composición del Pentateuco. Estella: Verbo Divino, 2006, 352 p. - ISBN 9788481692365. Do livro se diz: En este trabajo monográfico, José Ademar Kaefer se ocupa de la formación del pueblo de Israel. Su punto de partida es el estudio de dos textos, Gn 49 y Dt 33, tanto a nivel sincrónico como diacrónico.

No artigo Tribalismo na História de Israel Kaefer lembra que os estudos do Pentateuco e dos livros históricos (que prefiro chamar de OHDtr: Obra Histórica Deuteronomista, enquanto outros não gostam deste rótulo!) sofreram significativa reviravolta nas duas últimas décadas. "Textos, até então, considerados antigos, receberam nova datação, bem mais recente da que se supunha, o que colocou em cheque as grandes teorias de estudiosos como Albrecht Alt, John Bright, Martin Noth, G. E. Mendenhall, Norman Gottwald etc. Com isso, assuntos como tribalismo, projeto tribal, tribos de Israel, tornaram-se temas suspeitos e sobre os quais pesa hoje uma grande interrogação. Em compensação as pesquisas recentes voltaram sua atenção à literatura pós-exílica, menos complexa e muito mais segura quanto ao seu contexto vital".

Entretanto, uma observação, aqui necessária: a afirmação do autor, feita pouco antes disso, de que "o estudo sobre a formação do povo de Israel, que dominou o palco da pesquisa bíblica no século passado, deixou de mostrar interesse nas duas últimas décadas" não é referendada pela quantidade enorme de pesquisas e estudos atualmente desenvolvidos e publicados. Veja bibliografia aqui, aqui e aqui.

O estudo das origens de Israel continua a ser tarefa fundamental. O antigo Israel, de solução que era - porque antes nos parecia muito bem conhecido através da Bíblia Hebraica - tornou-se, hoje, um problema a ser enfrentado, isto quando não se considera o texto bíblico como fonte primária, mas, muito mais apropriadamente, como fonte secundária, e a arqueologia tem a maturidade para deixar de ser "bíblica" e se tornar arqueologia da Palestina. Recomendo, sobre isto, conferir um item de meu esboço de "História de Israel", As fontes: seu peso, seu uso e uma postagem de 28 de janeiro de 2007 no Observatório Bíblico, onde falo de Uma brilhante defesa de Finkelstein.

Mas, voltando ao artigo de Kaefer, ele afirma, em seguida:
"O que fica, então, do tribalismo ou do projeto tribal na Bíblia? Acreditamos que o avanço da pesquisa bíblica, de forma alguma, deve levar-nos ao abandono desse assunto. Antes, devemos, a partir de novas descobertas, rever e enriquecer tal referência, tão essencial para o estudo e ação pastoral libertadora. A passagem bíblica que nos propomos a estudar para ajudar-nos a lançar luzes sobre o complexo tema das tribos de Israel é Gn 49,19" [sobre Gad]. E a estela de Mesha, rei de Moab, encontrada em Dibon no século XIX, que faz referência a Gad.

No final, após o estudo destas duas fontes sobre a tribo de Gad, o autor define:
"Em uma situação semelhante à de Gad se encontrava a maioria das pequenas tribos do interior de Canaã e arredores mencionadas em Gn 49, Zabulon, Issacar, Dã, Aser e Neftali, continuamente espoliadas pelo poder de turno; ora pelo Egito, ora pelas grandes tribos como Efraim e Judá, ou algum monarca local, e ora pelos fenícios. Portanto, a ideia de uma grande união e organização das 12 tribos em torno de um único santuário, formulada por Noth e outros, nunca existiu. O esboço desse projeto delineado na literatura bíblica não passa de um sonho dos teocratas do Segundo Templo. A própria distância entre as diversas tribos, que eram mais de 12, além de suas diferenças culturais, não tornaria isso viável. Além disso, os poderes locais tinham outros interesses".

E conclui:
"O que resta, então do projeto tribal, esta proposta tão encantadora, que manteve acesa a utopia dos pequenos na luta por um mundo mais igualitário e justo? O que resta desta proposta, cujos rastros perpassam toda a literatura do Primeiro e Segundo Testamento, denunciando os poderes centralizadores das monarquias de ontem e de hoje? Resta a aldeia comunitária, não mais na magnitude que se imaginava antes, mas com a mesma proposta e que, pela partilha e vivência cotidiana, sobrevive no interior de Canaã, apesar das cidades-estado, das monarquias e dos templos, até onde a história de Israel alcança".

Termino com três observações:
. o texto, querendo ou não, mostra o impasse a que se chega quando se tenta fazer história de Israel (exclusivamente ou primordialmente) a partir de textos bíblicos escritos no período do Segundo Templo
. mostra a necessidade de superação da "arqueologia bíblica" em benefício de uma arqueologia da Palestina (ou outro nome válido que se queira dar àquele território)
. dá razão, por outro lado, às várias propostas do surgimento de Israel de maneira fragmentada, a partir de Canaã, através de lentas e complexas mudanças econômicas, políticas, sociais e religiosas. É o caso de se conferir, sobre isso, os possíveis cenários de uma evolução pacífica e gradual de (parte de) Canaã para Israel.

sábado, 9 de abril de 2011

Os códices de chumbo na blogosfera

Uma boa postagem sobre os falsos códices de chumbo do começo do cristianismo, com vários links interessantes, foi publicada hoje por James F. McGrath em seu blog Exploring Our Matrix:

Fake Codices Take The Lead Around the Blogosphere [Códices falsificados assumem a liderança na blogosfera]

Observe que o autor faz uma brincadeira com a palavra inglesa lead, que significa: 1. liderança; 2. chumbo...

Leia Mais:
Códices de chumbo do começo do cristianismo?
Links para textos sobre os códices de chumbo

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Resenhas na RBL - 31.03.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Jeffrey Boss
Human Consciousness of God in the Book of Job: A Theological and Psychological Commentary
Reviewed by William J. Kynes

D. A. Carson and Douglas J. Moo; Andrew David Naselli, ed.
Introducing the New Testament: A Short Guide to Its History and Message
Reviewed by Adam Winn

James R. Edwards
The Hebrew Gospel and the Development of the Synoptic Tradition
Reviewed by James P. Sweeney

Allie M. Ernst
Martha from the Margins: The Authority of Martha in Early Christian Tradition
Reviewed by Joseph Oryshak

Sidney Greidanus
Preaching Christ from Ecclesiastes: Foundations for Expository Sermons
Reviewed by Jordan M. Scheetz

Thomas R. Hatina, ed.
Biblical Interpretation in Early Christian Gospels: Volume 3: The Gospel of Luke
Reviewed by Mikeal C. Parsons

T. M. Lemos
Marriage Gifts and Social Change in Ancient Palestine: 1200 BCE to 200 CE
Reviewed by Anselm C. Hagedorn

Horst Seebass
Genesis I: Urgeschichte (1,1-11,26)
Reviewed by John Engle

Eric C. Stewart
Gathered around Jesus: An Alternative Spatial Practice in the Gospel of Mark
Reviewed by Elizabeth Struthers Malbon

N. Wyatt
The Archaeology of Myth: Papers on Old Testament Tradition
Reviewed by Uwe F. W. Bauer

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Resenhas na RBL - 24.03.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Daphna Arbel, J. R. C. Cousland, and Dietmar Neufeld
"...And So They Went Out": The Lives of Adam and Eve as Cultural Transformative Story
Reviewed by Deborah Rooke

Ehud Ben Zvi, Diana Edelman, and Frank Polak, eds.
A Palimpsest: Rhetoric, Ideology, Stylistics, and Language Relating to Persian Israel
Reviewed by Bob Becking

Martin Hengel; ed. Claus-Jürgen Thornton
Studien zur Christologie: Kleine Schriften IV
Reviewed by Lars Kierspel

Horace D. Hummel
Ezekiel 21-48
Reviewed by Ralph K. Hawkins

AnneMarie Luijendijk
Greetings in the Lord: Early Christians in the Oxyrhynchus Papyri
Reviewed by Pieter W. van der Horst

Maarten J. J. Menken and Steve Moyise, eds.
The Minor Prophets in the New Testament
Reviewed by Michael Labahn

Dermot Anthony Nestor
Cognitive Perspectives on Israelite Identity
Reviewed by Frank H. Polak

Marco Nobile
Saggi su Ezechiele
Reviewed by Donatella Scaiola

Kelli S. O'Brien
The Use of Scripture in the Markan Passion Narrative
Reviewed by Maarten J. J. Menken

Horst Seebass
Numeri: Kapitel 22,2-36,13
Reviewed by John Engle

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Mar Morto está morrendo, mas ainda pode ser salvo

Veja o show de slides na Scientific American: o Mar Morto está perdendo cerca de 1 metro de profundidade por ano, com a diminuição contínua de sua água.

The Dead Sea Is Disappearing, but Could Be Saved [Slide Show]

By Mark Fischetti - April 4, 2011

The surface of the Dead Sea, already 424 meters below sea level, is falling by a meter a year. Jordanians to the east, Israelis to the west, and Syrians and Lebanese to the north are pumping so much freshwater from the Jordan River that almost none reaches the sea any more. Israel and Jordan are also siphoning water from the lake to extract valuable minerals, hastening the decline. Photojournalist Eitan Haddok has traveled from Paris to the Middle East many times to document the sea's retreat, as scientists try to understand the repercussions. Here are some additional Haddok images and insights to consider.

View the slide show - All photographs by Eitan Haddok

Leia Mais:
O Mar Morto está morrendo
Israel e palestinos se aliam para salvar o mar Morto
Mar Morto pode desaparecer até 2050, advertem analistas

domingo, 3 de abril de 2011

Links para textos sobre os códices de chumbo

Em Explorator 13.50, publicado hoje por David Meadows, há duas dezenas de links sobre os citados códices de chumbo...

Procure por:

The BBC picked up the lead codices story, and it exploded all over the web

Veja também, em Rogueclassicism, o post Lead Codices – Once More into the ‘Reach’, publicado hoje.

Atualização: 04/04/2011
:: The Latest on the Fake Lead Codices - James F. McGrath: Exploring Our Matrix - Monday, April 4, 2011


O que é Explorator?
. Explorator é um boletim semanal sobre arqueologia e história, distribuído livremente via e-mail. Representa os frutos do trabalho da 'divisão de pesquisa de mídia' de The Atrium. Excelente fonte de informação sobre a arqueologia e a história do Antigo Oriente Médio e sobre a História Antiga em geral.
. Explorator is a free weekly newsletter representing the fruits of the labours of 'media research division' of The Atrium. Various on-line news and magazine sources are scoured on a daily basis for news of the ancient world (broadly construed: practically anything relating to archaeology or history prior to about 1700 or so is fair game) and they are delivered to your mailbox free of charge every Sunday morning.

sábado, 2 de abril de 2011

Visualização dinâmica em blogs do Blogger

O Blogger está oferecendo, de uns dias para cá, a possibilidade de apresentar o conteúdo de um blog de várias formas novas e interessantes, chamadas de Visualizações Dinâmicas ou Dynamic Views.

Entretanto, essas visualizações dinâmicas funcionarão em um blog do Blogger somente se alguns requisitos forem cumpridos:

> O blog deve ser público. Os leitores não precisam fazer login para visualizar o blog
> O blog precisa estar com os feeds totalmente ativados. Na guia Configurações > Site feed, deve estar ativada a opção Completa ou Até jump break para seu Feed de postagem.
> As visualizações dinâmicas devem estar ativadas. Na guia Configuração > Formatação, a opção para Ativar visualizações dinâmicas deve estar definida como Sim.

Se uma das condições acima não for verdadeira, os usuários que tentarem acessar as visualizações dinâmicas do blog serão levados para uma página de destino e redirecionados para o blog original em alguns segundos.

Se todas as condições acima forem verdadeiras, os leitores poderão acessar cinco visualizações dinâmicas de um blog do Blogger apenas incluindo /view no final do endereço do blog. Funciona em qualquer navegador.

Teste com o meu blog - ou, se tiver seu próprio blog, teste no seu:
. Observatório Bíblico em visualização dinâmica: flipcard
. Observatório Bíblico em visualização dinâmica: mosaic
. Observatório Bíblico em visualização dinâmica: sidebar
. Observatório Bíblico em visualização dinâmica: snapshot
. Observatório Bíblico em visualização dinâmica: timeslide

Para explicações detalhadas de cada modo de visualização, visite o blog do Adelson Smania, Gerenciando Blog, e leia a postagem publicada em 31/03/2011: Visualizações Dinâmicas no Blogger.

Para o navegador Chrome, o Google oferece uma extensão que, ao ser instalada, detecta um blog do Blogger e exibe um botão com as cinco formas de visualização dinâmica. Instale e use a extensão Blogger Dynamic Views (by Google)

Leia Mais:
E vem aí muito mais novidades para o Blogger! - Juliana: Dicas Blogger: 15/03/2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Códices de chumbo do começo do cristianismo?

Podem ser falsos. Quase certamente são falsos...

É o que defende a maioria dos biblioblogueiros, embora o assunto ainda esteja em animada discussão.

A notícia da "descoberta" dos códices - veja fotos aqui - pode ser lida na reportagem da BBC Brasil:

Jordânia busca repatriação de relíquias tidas como ‘maior descoberta da história cristã’

Robert Pigott - Correspondente de temas religiosos da BBC News - BBC Brasil - Atualizado em 29 de março, 2011 - 10:57 (Brasília) 13:57 GMT

"O governo da Jordânia tenta repatriar livros feitos de chumbo que, segundo suspeitas de especialistas, parecem ser os mais antigos da história cristã, tendo sobrevivido quase 2 mil anos em uma caverna do país do Oriente Médio".

As relíquias, que estão atualmente em Israel, poderiam trazer à luz novos dados para nosso entendimento sobre o nascimento do cristianismo e sobre a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo. O conjunto de cerca de 70 livros – cada um com entre 5 e 15 “folhas” de chumbo presas por aros de chumbo – foi aparentemente descoberto em um vale remoto e árido no norte da Jordânia, entre 2005 e 2007. Uma enchente expôs dois nichos dentro da caverna, um deles marcado com um menorá, candelabro que é símbolo do judaísmo. Um beduíno jordaniano abriu os nichos e o que encontrou ali dentro parece ser uma extremamente rara relíquia dos primórdios do cristianismo. Essa é a visão do governo da Jordânia, que alega que os livros foram contrabandeados para Israel por outro beduíno. O beduíno israelense que atualmente guarda os livros nega tê-los contrabandeado e alega que as antiguidades são peças que sua família possui há cem anos. O governo jordaniano disse que fará “todos os esforços, em todos os níveis” para repatriar as relíquias.


O diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, Ziad Al-Saad, diz que os livros parecem ter sido feitos por seguidores de Jesus nas décadas seguintes a sua crucificação. “Talvez eles sejam mais significativos que os pergaminhos do Mar Morto (relíquias descobertas nos anos 1940 que contêm textos bíblicos)”, disse Saad. “Talvez eles precisem de mais interpretação e conferência de autenticidade, mas a informação inicial é muito animadora. Parece que estamos diante de uma descoberta importante e significativa, talvez a mais importante da história da arqueologia.” Ante alegações tão fortes, quais são as provas? As “folhas” dos livros – a maioria delas do tamanho de um cartão de crédito – contêm textos escritos em hebraico antigo, a maior parte em código. Se as relíquias forem de fato de origens cristãs, em vez de judaicas, são de grande significado. Um dos poucos a ter visto a coleção é David Elkington, acadêmico que estuda arqueologia religiosa e líder de uma equipe britânica empenhada em levar os livros a um museu na Jordânia. Elkington alega que os livros podem ser “a maior descoberta da história cristã”. “É de tirar o fôlego a ideia que tenhamos contato com objetos que podem ter sido portados pelos primeiros santos da Igreja.” O acadêmico diz que as relíquias contêm sinais que seriam interpretados, pelos cristãos da época, como imagens de Jesus e de Deus e da “chegada do messias”...

Leia o texto completo.

O que dizem os biblioblogueiros?

No Biblical Studies Carnival 61, publicado hoje, Darrell Pursiful diz:

"The big archeological news at the end of the month had to do with a number of miniature lead codices that might possibly be very early Christian artefacts. Jim West provided the press release. Jim Davila, John Byron, and Doug Chaplin weighed in. Larry Hurtado (speaking, I think, for most if not all of us) told Ziad al-Saad, director of Jordan’s Department of Antiquities and author of the press release, to “Chill, dude.” Larry doesn’t like to be played when it comes to scholarly issues. James McGrath and Tom Verenna provided roundups of responses. The rogueclassicist thinks the whole thing is silly. April DeConick says, 'Come on.'"

Mark Goodacre, em seu NT Blog, escreve hoje: The Lead Codices a Fake [Códices de chumbo, uma falsificação]. E fornece também alguns links. Confira.

Vamos aguardar...

Última atualização: 30/04/2011
:: Random Thoughts on the fake metal codices - Jim Davila: PaleoJudaica - 02/04/2011 (Via Mark Goodacre)
:: Fake Metal Codices: Media Fail - Jim Davila: PaleoJudaica - 03/04/2011
:: Philip Davies on Lead Codices - Philip Davies: Sheffield Biblical Studies - 04/04/2011
:: Metal Codices To Be Examined by Multiple Labs - Todd Bolen: BiblePlaces Blog - 29/04/2011
:: A recap of the evidence that the metal codices are fakes - Jim Davila: PaleoJudaica - 29/04/2011

BiblioblogNED Top 30 - Março de 2011

Para os biblioblogs em neerlandês, veja a lista BiblioblogNED Top 30 - Março de 2011.

O que é o BiblioblogNED?

Leia:
BiblioblogNED: uma rede de biblioblogs em holandês

Outros depoimentos sobre José Comblin: 1923-2011

Última atualização: 08/04/2011

:: Comblin, o profeta da ironia afetuosa - Marcelo Barros: Adital - 31/03/2011
Hoje saí da UTI de um hospital de Olinda, no qual me abriram o peito e me recauchutaram o coração fragilizado, com duas pontes de safena. No reencontro com a vida, ainda no leito de uma enfermaria, fico sabendo da partida do padre José Comblin, meu velho professor de Teologia e amigo de tantos anos e companheiro de lutas e esperanças. A um teólogo de fama mundial e de projeção pastoral como foi o padre Comblin, não faltarão testemunhos de muitos irmãos e irmãs que com ele conviveram e trabalharam por tantos anos. Eu fui apenas um dos seus alunos em todo o curso de Teologia e nem pertenci ao grupo mais ligado a ele na Teologia da Enxada ou mesmo no instituto de vida missionária que ele animava. Entretanto, fui marcado por sua figura e sua doutrina e tenho algumas experiências próprias que podem ser úteis que agora sejam recordadas. Há pouco mais de uma semana, escrevi um pequeno artigo, defendendo a atualidade e a pertinência de sua profecia eclesial e popular. Ele me respondeu com uma breve mensagem de agradecimento e depois me mandou um texto maior explicando suas críticas ao estilo atual do poder na Igreja Católica. Conheci o padre Comblin quando ele ainda era muito jovem, em 1964. Dom Hélder Câmara, então novo arcebispo de Olinda e Recife, trouxera uma equipe célebre de professores de Teologia. Entre eles estava o padre Comblin que, durante seus primeiros anos no Nordeste, ficou hospedado no mosteiro dos beneditinos. Naqueles anos, justamente, eu entrei no Mosteiro com a ânsia de renovação que motivava minha geração. Apesar de ser o tempo em que o Concílio Vaticano II propunha para a Igreja um novo Pentecostes, a maioria dos monges se apegava às velhas tradições. Apesar de ser muito discreto e viver outras preocupações pastorais, Comblin não deixava de ser irônico e quase sarcástico. E aquilo me atraía. No meu tempo de noviciado, li em francês "O Cristo no Apocalipse” onde se vê um Comblin exegeta e pouco conhecido. Li também, já em português "A Ressurreição”, um belo livro da Herder no qual ele, antes do Vaticano II, sustentava que o fato teológico mais marcante para o século XX tinha sido a revalorização teológica e espiritual do mistério pascal e da ressurreição de Jesus. Quando comecei a fazer Teologia no Seminário de Camaragibe, ele era o coordenador do curso. Na minha juventude, eu o achava contraditório. De um lado, ele ensinava uma teologia profunda, mas tradicional (não tradicionalista) e eu compreendia pouco isso. Esperava dele intuições inventivas e estas não apareciam, ao menos para mim. Sei que, neste tempo, ele produziu obras impressionantes como Théologie de la Paix, Théologie de la Ville e um estudo sobre Catolicismo Popular no Brasil. Mas, na época, não tive acesso a estas obras. Suas aulas eram dadas em um tom monocórdio, só interrompidas aqui e ali pelas risadas de alunos que festejavam as ironias do Comblin, aparentemente demolidoras, mas no fundo construtivas. Mais tarde, em 1968, o Instituto de Teologia do Recife nomeia uma equipe de três professores e três alunos para elaborar uma proposta de nova temática e nova metodologia teológica. O coordenador da equipe era Comblin e eu fazia parte dos três alunos que tinham de discutir com ele as propostas dos alunos. Eu tinha a sensação de que ele mal nos escutava, mas me surpreendi quando, depois de muitos debates ácidos, ele assumiu nossas propostas e estas foram, em sua maioria, implementadas. No mesmo ano, um escrito interno com o qual Comblin preparava a conferência episcopal de Medellin e propunha uma revolução social, extravasou para a imprensa. Ele que tinha ido a Europa foi proibido pela ditadura militar de voltar ao Brasil. Quando lhe perguntaram quem poderia, até o final do ano, coordenar o seu curso de Teologia dos Sacramentos, (estávamos em agosto), tive a surpresa e o orgulho de saber que ele escolhera o meu nome. Eu era apenas um dos alunos da classe do terceiro ano. A partir daí, sim, eu o assumi como um mestre de vida e procurava ler e estudar tudo que ele escrevia. A partir de então, descobri como ele inovava sua doutrina. Seu livro em dois volumes "Teologia da Revolução” foi meu batismo nos caminhos do que depois chamaríamos teologia da libertação. Nos anos 70, ele estava fora do Brasil e tivemos poucos contatos. Nos anos 80, o reencontrei mais velho e o achei mais aberto e comunicativo, sempre muito atento aos amigos. Um homem fiel às amizades e às relações. Era um intelectual de erudição raríssima, capaz de dissertar sobre Teologia, Política, Bíblia, Economia e muitos outros assuntos com uma competência incrível, ao mesmo tempo que punha em prática sua visão de uma teologia popular e seu carinho por um instituto para formar padres, missionários/as e religiosos /as que viessem do campo e não precisassem sair do meio rural. Algumas discussões com ele nortearam-me a vida. Por exemplo, a tentativa de libertar a Teologia cristã de sua base helenista (filosófica grega) ainda muito forte em nossa Igreja. Também, me impressionavam sempre a sua capacidade de criticar livremente a estrutura monárquica e absolutista do Vaticano. Mesmo um interesse imenso por uma vida religiosa mais popular e mais inserida, menos centrada nas estruturas das congregações. Nos últimos anos em que vivi no mosteiro de Goiás, sempre passou a Páscoa conosco. No Brasil, temos a graça de contar com teólogos e teólogas dos mais abertos e criativos do mundo, mas a contribuição própria do padre Comblin tem sido sempre a de uma liberdade interior de dizer o que pensa e ser um profeta crítico e irônico sempre capaz de lera história e as estruturas eclesiásticas a partir dos empobrecidos e das grandes causas da América Latina. Em 2006, com Dom Tomás Balduíno e com ele, fomos observadores internacionais das eleições presidenciais da Venezuela e, bem mais do que outros companheiros, eu o vi muito aberto ao bolivarianismo. Quem o conheceu de perto sabe que sua ironia era profunda, mas não era de ruptura e sim de afeição. Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara, Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram. Que sua herança teológica e profética seja por nós mantida e continuada.

:: Preito de gratidão ao Pe. José Comblin - Luís Weel: Adital - 01/04/2011
O que dizer neste momento do falecimento de Pe. José Comblin? Conheci este grande guerreiro antes de ver em pessoa. Nos anos de 1962-1966 estudei teologia no seminário diocesano da diocese de Haarlem (Holanda). Foi aí que encontrei um livro dele em holandês "Ik zag een nieuwe hemel en een nieuwe aarde”= (Vi um novo céu e uma nova terra). O livro me fez sonhar da perspectiva de uma nova era que estava para iniciar no tempo do Concílio Vaticano II. Nem de longe tinha consciência que o apóstolo João, querido de Jesus, tinha escrito o livro do apocalipse como carta de consolação às comunidades de cristãos oprimidos e perseguidos. A grande realidade do tempo de João é que a boa nova da grande alegria passa por um vale de lágrimas. "Quem semeia entre lágrimas, recolhe a cantar”. Empolgado com a perspectiva de uma igreja renovada e a chegada do Reino da Justiça e Paz, fraternidade e partilha, resolvi me oferecer para o serviço da missão. Os caminhos de Deus são misteriosos. Cheguei no Nordeste do Brasil em junho do ano 1970. Levei um grande susto ao ver e sentir os clamores dos oprimidos que como ovelhas eram abatidas e massacradas. Minha primeira tentação era, após cinco anos conforme o contrato entre os bispos, voltar para minha terra. Senti-me incapaz de enfrentar as inúmeras situações de miséria revoltante, brutalidade e morte sem sentido. Porém fiquei continuando, muitas vezes chorando e não querendo mais ouvir os gritos silenciosos de grandes multidões de pobres que não sabiam para onde ir e o que fazer para se libertarem. Naquela época não queria ser um turista que está aí para passear sem compromisso. Foi a partir dos anos de 1973 que aos poucos fui conhecer o Pe. José, que dedicava sua vida com inteligência, ciência, fortaleza e teimosia à causa dos marginalizados no campo, plantando a boa semente do Evangelho nos corações dos preferidos de Jesus, como por último plantou ainda uns dias atrás o pé de Pau Brasil para dar sombra à cova de sua sepultura. A imagem me faz lembrar o profeta Jonas, que, após o cumprimento da missão se sentia debaixo de uma árvore para ter sombra e contemplou que sua mensagem aos Ninivitas deu outros resultados que os esperados por ele. Ele ficou frustrado ainda mais quando a sombra que buscava debaixo da árvore desapareceu. A árvore secou. Sem dúvida vai demorar muito antes que o pau Brasil, plantado por Pe. José vai dar a sombra que está procurando. O pau Brasil cresce muito lento. Também podemos dizer que isso não importa. Paz do cemitério não é a verdadeira paz. A melodia de Luís Gonzaga ressoe na minha cabeça: "Minha vida é andar por este país, para ver se um dia descanso feliz, guardando as recordações das terras onde passei, andando pelos sertões e amigos que lá deixei... Não sinto dor ou saudade neste momento. Somente gratidão por sua coerência com o Evangelho e a vivência até o último suspiro com o projeto de Deus para com os pequenos desta terra. Rezo e espero que Deus me dê um pouco de sua coragem de perseverar até o fim no cumprimento da missão. Obrigado Pe. José por sua vida e seu exemplo. Pêsames para você Monica, companheira e servidora fiel que tem dedicado sua vida de serva humilde à causa da evangelização e apoio a Pe. José em todos os momentos. Sem dúvida é você que mais do que qualquer um vai sentir a ausência do nosso guerreiro. Só as palavras do Evangelho ajudam para passar pelo vale de sombras: "Não tenhas medo. Estou com você até os confins do tempo”. Ao acompanhar, daqui da Holanda, o enterro que está acontecendo por volta deste horário, ouço na minha mente a canção do salmo: "Se Deus nos levar pra casa do nosso exílio, isso será nosso grande sonho”. Adeus a todos.

:: A liberdade cristã: um dos núcleos da teologia de José Comblin. Entrevista especial com João Batista Libanio - IHU: 02/04/2011
Comblin reuniu várias qualidades fundamentais como teólogo que manifestam a força do seu pensamento e o peso da sua influência. Sem ser estritamente exegeta, tinha excelente formação bíblica. Produziu uma série de comentários bíblicos (Atos, epístolas de São Paulo), estudos profundos nesse campo e detalhada reflexão sobre a Palavra de Deus (A força da palavra, Ed. Vozes, 1986), não descuidando o leitor popular (Introdução geral ao comentário bíblico: leitura da Bblia na perspectiva dos pobres. Petrópolis: Vozes, 1985). Possuía vasta cultura histórica. Isso lhe dava segurança sobre o passado para analisar com rigor e seriedade o momento atual. Os adversários e desafetos ficavam desarmados diante das críticas que ele fazia, porque elas carregavam enorme peso histórico. Tinha aguda capacidade de análise das situações. Foi pioneiro na crítica da Ideologia da Segurança Nacional que desmascarou os regimes militares da América Latina e abriu os olhos da Igreja que se tinha embarcado no apoio a eles (A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973). Escreveu obras significativas que permanecem até hoje como referência. Os dois livros, publicados, em francês, sobre a teologia da revolução e da prática revolucionária marcaram momento na teologia contemporânea (Théologie de la révolution: théorie. Paris: Universitaires, 1974). E, a partir do olhar do nosso continente, foi um dos iniciadores da teologia da libertação e a projetou no cenário mundial. Na qualidade de professor de Lovaina, belga, europeu, a sua palavra em prol da teologia da libertação tinha maior força. Não se tratava de simples moda de países do Terceiro Mundo, mas recebia o impulso de figura do mundo teológico europeu. Nas críticas à Instituição eclesial e a certas práticas cristãs e doutrinais, baseava-se muito na teologia do Espírito Santo. Sem dúvida, desempenhou papel pioneiro na teologia, ao corrigir certo eclesiasticismo, apelando para a pessoa do Espírito Santo. Divulgou o famoso dito de que três brancuras na Igreja católica relegaram para segundo plano a figura do Espírito Santo: a hóstia, a Virgem Maria e o solidéu branco (do Papa). Ele retomou a longa tradição da Igreja anterior a tal deslocamento para acentuar a importância do Espírito Santo durante toda a história e, de modo especial, nos dias atuais (O Espírito Santo e a libertação: o Deus que liberta seu povo. Petrópolis: Vozes, 1987). A temática da liberdade cristã, fazendo eco ao livro de Lutero, constituiu importante núcleo de sua teologia. A ela, naturalmente, vinculava a pessoa de Jesus, sob o signo do homem livre em face do templo, do sábado, das formas religiosas e rituais de seu tempo. Tinha, por isso, preferência por São Paulo, sobre quem escreve livro simples, mas profundamente sugestivo, na perspectiva de homem que se sustentava com o trabalho das próprias mãos (Paulo: trabalho e missão. São Paulo: FTD, 1991). De maneira sistemática, ele produziu um breve curso de teologia para leigos que prestou e ainda presta serviço aos estudantes, publicado pelas editoras Paulinas sobre Jesus Cristo, Espírito Santo, Igreja e Sabedoria cristã. A cidade moderna com os desafios à fé e à pastoral constituiu-se-lhe preocupação constante. Em francês, publicou amplo e importante estudo sobre ela que apareceu em versão simplificada em português (Teologia da cidade. São Paulo: Paulinas, 1991), depois completado por outro pequeno e sugestivo livro (Viver na cidade: pistas para a pastoral urbana. São Paulo: Paulus, 1996). Imaginar o futuro para a fé cristã, para a Igreja, para a pastoral ofereceu-lhe campo de pensar utopias e a partir delas voltar-se para o presente e mostrar a distância entre ambos. Nessa linha escreveu livros de peso (Cristãos rumo ao século XXI: nova caminhada da libertação. São Paulo: Paulus, 1996; Desafios aos cristãos do século XXI. São Paulo: Paulus, 2000). A eclesiologia mereceu belo estudo volumoso sobre o Povo de Deus no espírito do Concílio Vaticano II (O povo de Deus. São Paulo: Paulus, 2002). Ele soube valorizar tal concílio e a pessoa do papa João XXIII e lamentar a perda de sua herança nas últimas décadas.

Leia a entrevista completa.

:: Pe. José Comblin, Pregador da Palavra de Deus - Domingos Zamagna: Adital - 04/04/2011
Acabo de participar da Missa de 7º dia em sufrágio do Pe. José Comblin. Presidida por Dom Angélico Sândalo, emérito de Blumenau, ao lado de outros bispos eméritos, foi realizada no Convento dos Dominicanos, em cuja Escola de Teologia (hoje intitulada Instituto Bartolomeu de Las Casas, afiliado à Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino – Angelicum, em Roma) o Pe. Comblin lecionou durante mais de uma década. Ali fui aluno deste extraordinário mestre e, como centenas e milhares de pessoas, pude aprender com ele as maravilhas da fé cristã. Nossa amizade já durava 46 anos, quando recebi, da querida amiga comum Ana Flora Anderson, a notícia de seu falecimento. Falando dele para alunos ,dentre os quais muitos seminaristas, a maior parte nem sequer sabe quem foi este teólogo. Alguns se recordavam que sobre ele pairava uma proibição de dar conferências em instituições católicas, inclusive na PUC-SP...

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:: O método do mestre José Comblin - Luiz Carlos Susin: IHU On-Line 04/04/2011
Quando morre um mestre, fica para os que o conheceram uma herança inelutável: a continuidade de seu ensinamento e ao mesmo tempo a pergunta: “quem pode substituir um mestre?” Na morte de José Comblin, um intelectual cristão, talvez muitos somados possam cobrir um pouco o vazio e dar continuidade a um modo tão radical de ser cristão e de ser intérprete dos caminhos do cristianismo e da humanidade. E o que, nesses dias de luto, mais me ocorre é a lembrança do método tão ao seu estilo. Kierkegaard escreveu sobre o verdadeiro mestre: conduz o discípulo à perplexidade, provocando a descoberta de suas falsidades como ponto de partida de seu caminho para a verdade e para a liberdade. Desde 1985 tive a ocasião de estar regularmente nos encontros da Associação de Teologia e Ciências da Religião, do Brasil, da qual fui presidente na virada de milênio, e de poder escutar perplexo as análises que nosso mestre, nosso “patriarca”, nas palavras de Leonardo Boff , recorrentemente era convidado a fazer para começarmos nossos congressos anuais. Dizíamos com o mesmo bom humor que ele mantinha inalterado, que se tratava de uma “metralhadora giratória”! Mas nós também o cercávamos por todos os lados e o cobríamos de questões. Essa “metralhadora giratória” não era aleatória ou gratuita e sem fundamentos, nem provinha de críticas que superassem a esperança e a paciência. Provinha de uma visão de grande alcance e de uma liberdade sem ideologias. Nem mesmo as mais delicadas e às vezes constrangedoras, as ideologias eclesiásticas. Como um médico concentrado no diagnóstico, ele passava pelos diferentes níveis da realidade humana: internacional, nacional, e nossa, dos teólogos. E por diferentes regiões: a política, a economia, os movimentos sociais, as igrejas, e até nossos pequenos mundinhos de sacristia e academia. Apalpava onde estava a dor, o sintoma, e então disparava o diagnóstico; às vezes usava o bisturi para dar o retoque. E a gente saia meio doído, meio tonto, buscando se localizar de novo, obrigando-nos a discutir, a pesar bem os argumentos, a retomar o fio da meada e alinhavar melhor as nossas ideias. Algo se sabia de antemão: Comblin nos obrigava a pensar, até por uma questão de sobrevivência! Ele não inventava, ele fazia uma leitura dos acontecimentos, dos movimentos da história, e colocava sua leitura diante de nossos olhos: dava o que pensar.

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:: José Comblin: um desafio à intelligentzia brasileira - Leonardo Boff: Brasil de Fato - 04/04/2011, reproduzido por IHU On-Line: 05/04/2011
No dia 27 de março morreu aos 88 anos de idade perto de Salvador o teólogo da libertação José Comblin. Belga de nascimento, optou por trabalhar na América Latina, pois se dava conta de que o Cristianismo europeu era crepuscular e via em nosso Subcontinente espaço para a criatividade e um novo ensaio em contacto especialmente com a cultura popular. Ele encarnava o novo modo de fazer teologia, inaugurado pela Teologia da Libertação, que é ter um pé na miséria e outro na faculdade de teologia. Ou dito de outro modo: articular o grito do oprimido com a fé libertadora da mensagem de Jesus, partindo sempre da realidade contraditória e não de doutrinas e buscar coletivamente uma saida libertadora para ela (...) Ele é um dos melhores representantes do novo tipo de intelectual que caracteriza os teólogos da libertação e os agentes de pastoral que estão nesta caminhada: operar a troca de saberes, vale dizer, tomar a sério o saber popular, de experiências feito, banhado de suor e sangue, mas rico em sabedoria, e articulá-lo com o saber acadêmico, crítico e comprometido com as transformações sociais. Essa troca enriquece a uns e a outros. O intelectual repassa ao povo um saber que o ajuda avançar e o povo obriga o intelectual a pensar os problemas candentes e se enraizar no processo histórico. A Intelligentzia brasileira possui uma dívida social enorme, nunca saldada, para com os pobres e marginalizados. Em grande parte as universidades representam macroaparelhos de reprodução da sociedade discricionária e fábricas formadoras de quadros para o funcionamento do sistema imperante. Mas há de se reconhecer também, não obstante seus limites, o fato de que foi e é também um laboratório do pensamento contestatário e libertário. Mas não houve ainda um encontro profundo entre a universidade e a sociedade, fazendo uma aliança entre a inteligência acadêmica e a miséria popular. São mundos que caminham paralalelos e não são as extensões universitárias que irão cobrir esse fosso. Tem que ocorrer uma verdadeira troca de saberes e de experiências. Ignorante é aquele que imagina ser o povo ignorante. Este sabe muito e descobriu mil formas de viver e sobreviver numa sociedade que lhe é adversa. Se há um mérito cultural nos teólogos da libertação (eles existem aqui e pelo mundo afora e Roma não conseguiu exterminá-los) é terem feito este casamento. Por isso não se pode pensar num teólogo da libertação senão metido nos dois mundos, para juntos tentarem gestar uma sociedade mais equalitária que, no dialeto cristão, tenha mais bens do Reino que são justiça, dignidade, direito, solidariedade, compaixão e amor. O Padre José Comblin nos deixou o exemplo e o desafio.

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:: O que José Comblin nos contou em 2007? - Eduardo Hoornaert: IHU On-Line: 05/04/2011
Por ocasião dos sessenta anos da ordenação sacerdotal de José Comblin, um bom grupo de amigos(as) e missionários(as) se reuniu no santuário de Ibiapina em Santa Fé (Arara), no brejo paraibano, para festejar a data, reatar os contactos, fortalecer a rede e reanimar o espírito. José tinha 85 anos e estava particularmente eufórico. Ele nos confidenciou detalhes sobre sua vida, algo que não costumava fazer.

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:: Agradecimento a um mestre - IHU On-Line: 05/04/2011
No sábado, dia 2 de abril, na Igreja Santo Domingo, em São Paulo, foi celebrada da missa de 7º dia de falecimento do Padre José Comblin. A missa foi presidida por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau SC. Na celebração eucarística foi lida a mensagem "Agradecimento a um mestre", assinada, entre outros, por 160 teólogos e teólogas, agentes de pastoral e bispos.

Leia a mensagem.

:: Comblin: pedagogo, profeta e santo. Entrevista especial com D. Sebastião Soares e D. Luiz Cappio - IHU On-Line: 08/04/2011
Pe. José Comblin vivia em Barra, no interior da Bahia, há dois anos. Escolheu viver lá porque achava que a diocese da cidade era uma das poucas que estava, efetivamente, ao lado dos pobres. D. Luiz Cappio conviveu com ele durante esses últimos anos de vida e conta, na entrevista que concedeu por telefone à IHU On-Line, sobre como foram esses últimos momentos da vida de Comblin. “Nós estabelecemos um entrosamento muito grande por ocasião do meu segundo jejum em Sobradinho, quando ele esteve lá comigo durante um tempo bastante grande, sendo muito solidário e muito fraterno na nossa luta contrária ao projeto de transposição de águas do rio São Francisco”, conta D. Cappio que, então convidou Comblin para residir na diocese de Barra. Dom Luiz Flávio Cappio vive na Bahia, onde está à frente da diocese de Barra. Em 2005 e 2007 fez jejum em protesto contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco. Em 2008, a organização Pax Christi Internacional (Bélgica) lhe deu o prêmio da Paz do mesmo ano, por sua luta em defesa da vida na região do São Francisco. Em 2009, recebeu o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, da Fundação Kant (Alemanha).

"Sem dúvida a morte de José Comblin é um momento de grande dor para a Igreja e particularmente para quem o conheceu mais de perto". Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, bispo da Diocese Anglicana do Recife, reconhece que falar postumamente sobre o grande teólogo e amigo é desafiador. Porém, "ouso acrescentar que é um grande momento de ressaltar a relevância da profecia na Igreja e na sociedade". Ele também concedeu uma entrevista, por e-email, à IHU On-Line sobre Pe. Comblin. Nascido em Alagoas, Dom Sebastião Armando Gameleira Soares é bispo da Diocese Anglicana do Recife (região Nordeste), da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. É mestre em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, e em Ciências Bíblicas, pelo Instituto Bíblico de Roma, e em Filosofia, pela Universidade Lateranense, também em Roma. É também especialista em sociologia e bacharel em direito. Há mais de 25 anos, assessora o Centro de Estudos Bíblicos - Cebi, tendo assumido sua Direção Nacional e sua Coordenação Nacional do Programa de Formação, além da coordenação e da assessoria do Curso Extensivo de Formação de Biblistas. Também colabora na assessoria ao Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e à Educação Popular - Cesep, de São Paulo.

Confira a entrevista com Dom Cappio.

Confira a entrevista com Sebastião Gameleira Soares.

Leia Mais:
Morreu o teólogo José Comblin
Depoimentos sobre José Comblin: 1923-2011
Mais depoimentos sobre José Comblin: 1923-2011

Biblical Studies Carnival 61

Seleção das melhores postagens dos biblioblogs, de língua inglesa, em março de 2011.

Biblical Studies Carnival LXI – March Madness Edition

Trabalho feito por Darrell Pursiful, do blog Dr. Platypus.

Biblioblog Top 50 - Março de 2011

Esta é a lista dos 50 biblioblogs mais frequentados no mês de março de 2011:

Publicada por Jeremy em The Biblioblog Top 50.

Observatório Bíblico é o #10.

Há também uma lista Top 10, resultado de votos da comunidade biblioblogueira:

March 2011 Top 10 Biblioblogs