domingo, 31 de outubro de 2010

Avalos para Lemche: os estudos bíblicos devem mudar

Na revista online The Bible and Interpretation, neste mês de outubro, Niels Peter Lemche argumenta que os estudos bíblicos são necessários, respondendo a Hector Avalos O fim dos estudos bíblicos como uma obrigação moral.

Na mesma revista, Avalos retruca: I want to end THE WAY the Bible is studied. Ou seja, o que Avalos propõe é acabar com a maneira como a Bíblia é estudada hoje, não com todo e qualquer estudo da Bíblia.

"In my vision, the study of the Bible would simply be undertaken in the same way we study Homer’s Iliad, and nothing more", diz Avalos.

Leia o ensaio To What End? A Response to Niels Peter Lemche

Lembro ao leitor brasileiro que este problema - discutir a relevância de um texto religioso em uma sociedade secularizada - me parece muito mais europeu e/ou norte-americano do que brasileiro. Por enquanto...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

J. Alberto Soggin: 1926-2010

Morreu na quarta-feira, 27 de outubro de 2010, um dos mais interessantes professores com quem estudei no Pontifício Instituto Bíblico de Roma: J. Alberto Soggin.

Possuidor de uma enorme cultura, ele era um brilhante estudioso da Bíblia. Com ele trabalhei temas como as tradições patriarcais no Gênesis e os Cantos do Servo de Iahweh no Dêutero-Isaías.

No site do PIB, leio:

Prof. Alberto SOGGIN (1926-2010)

Il 27 ottobre 2010 è deceduto a Roma all’età di 84 anni, il Prof. Alberto SOGGIN, pastore della chiesa valdese.


Professore di Antico Testamento alla Facoltà Valdese di Teologia di Roma e di lingua e letteratura ebraica all’Università di Roma «La Sapienza», era stato professore invitato all’Istituto Biblico dal 1970 al 1999.

Aveva concluso la sua collaborazione con l’Istituto il 13 novembre 1999 con una conferenza pubblica (http://www.biblico.it/doc-vari/conferenza_soggin.html). In quella occasione il Decano della Facoltà Biblica, P. Stephen Pisano, presentò la collaborazione del prof. Soggin con il Biblico con queste parole:


Il Professore Soggin ha cominciato la sua collaborazione con noi nel 1970-71 con un corso sull’Introduzione al Pentateuco. E da quel momento, fino all’anno accademico scorso [1998-99], ha insegnato ben 27 corsi semestrali all’Istituto. Se si guardano i titoli dei vari corsi si può avere un’idea della grande varietà dei suoi interessi accademici, sempre nel campo dell’esegesi dell’Antico Testamento e della Storia d’Israele. Fra i suoi corsi tenuti al Biblico si trovano: «Le tradizioni su Abramo», «Introduzione ai Profeti d’Israele prima dell’Esilio», «Osservazioni sui testi del Servo di Jahwe nel Deutero- e nel Trito-Isaia», «Introduzione alle origini d’Israele», «Esegesi del libro dei Giudici», «Il profeta Amos» solo per menzionare alcuni dei temi trattati da lui in questi ultimi quasi trent’anni.


La sua gentile e competente collaborazione non si è però fermata solo al livello dell’insegnamento. Ha sempre partecipato attivamente alla vita accademica e sociale dell’Istituto. È stato uno dei più fedeli partecipanti al raduno annuale dei professori alla fine di quasi ogni anno accademico, e la sua presenza lì, spesso accompagnata dalla gentile Signora Soggin, ci ha dato l’occasione di uno scambio professionale e fraterno. La sua presenza tra noi e questo scambio hanno sempre significato per l’Istituto anche un contatto e un dialogo con la grande tradizione valdese.

Leia mais sobre Soggin no biblioblog de John F. Hobbins, que conviveu com ele bem mais do que eu: In Memoriam Jan Alberto Soggin (1926-2010). E no blog de Jim West: J. Alberto Soggin has Died e The Memorial Service for Jan Alberto Soggin.

Veja uma lista de algumas das publicações de J. Alberto Soggin aqui.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por que a Folha precisa do processo contra Dilma?

Reproduzo, na íntegra, o artigo de Carta Maior, publicado hoje, 28/10/2010. É indispensável uma leitura atenta.


Amicus Curiae Virtual - A ação cautelar da Folha de S.Paulo

Com indisfarçável interesse de interferir no processo eleitoral, a Folha de S.Paulo ajuizou uma ação cautelar no STF para ter acesso ao processo que a ditadura militar moveu contra Dilma Rousseff. A Carta Maior (cujo nome é inspirado, justamente, na Constituição Federal do Brasil) abriu o espaço para que um amigo da Corte (figura rotineira em nosso sistema jurídico) possa expor a verdadeira intenção da Folha, aliada à falta de fundamento legal de sua pretensão. Entre fraudar o processo eleitoral e expor desnecessariamente a cidadã Dilma ou “dar um novo xerox” à Folha, não se pode ter dúvidas: preserva-se o processo democrático e a pessoa humana. O artigo é do advogado Márcio Mello Casado.

Márcio Mello Casado( *)

A Folha de São Paulo ajuizou em 25 de outubro de 2010 uma ação cautelar no Supremo Tribunal Federal (nº 2727), cuja intenção é obter o acesso às cópias do processo penal número 366/70, no Superior Tribunal Militar, em que foi ré a candidata Dilma Roussef.

A Ação cautelar foi distribuída à Ministra Cármen Lúcia. Ao receber o processo, ela determinou que fosse ouvido o Presidente do Superior Tribunal Militar, bem como que a Folha juntasse cópias do recurso extraordinário que citava no corpo da petição inicial.

O Presidente do Superior Tribunal Militar e a Folha atenderam aos pedidos da Ministra e a cautelar, neste momento, está nas mãos dela e pode ser despachada a qualquer momento.

POR QUE A FOLHA, NA ANTE-SALA DO VOTO, QUER TRAZER DE VOLTA AO DEBATE O PROCESSO IMPOSTO PELA DITADURA MILITAR CONTRA A CANDIDATA DILMA ROUSSEFF?

Carta Maior, cujo nome é inspirado justamente na Constituição Federal do país, abriu espaço para que um Amicus Curiae – um amigo do tribunal ou, em termos literais, um amigo da corte - possa expor a verdadeiro objetivo desta ação, aliado à falta de fundamento legal para o seu pleito.

A figura do amicus curiae, o amigo do Tribunal, tornou-se rotineira no sistema jurídico através da Lei 9.868/99, art. 7º, Parágrafo 2º (O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou entidades).

Em uma medida cautelar como a que a Folha ingressou, o amicus curiae formal, dificilmente seria aceito, visto que a admissão dele estaria vinculada às Ações Direta de Inconstitucionalidade e Declaratória de Constitucionalidade.

No entanto, um amigo do Tribunal, alguém que tenha interesse em informá-lo e, porque não, também à sociedade, pode fazê-lo fora dos autos.

Desorganização ou má intenção?

A Folha está preocupada em informar o cidadão brasileiro sobre a vida e a militância da candidata Dilma Rousseff durante a ditadura militar. Tais informações, segundo alega, somente podem ser obtidas por meio do acesso aos arquivos que estão no Superior Tribunal Militar.

Há, aí, desde logo, um problema ético. A atuação da candidata Dilma Rousseff durante a ditadura não pode ser medida pela régua de um processo dirigido pela supremacia do torturador sobre a vítima indefesa.

Qualquer informação contida nestes arquivos estará parcial ou, mais provavelmente, contaminada na íntegra por esse indutor de violência conhecida e comprovada. Ademais, qualquer condenação que tenha sido imposta à candidata Dilma, por um Estado de Exceção, foi acobertada pela Lei da Anistia.

Mas a Folha está preocupada em informar o cidadão brasileiro, o que, além de louvável, não deixa de ser uma surpresa. Justo neste momento, a Folha resolveu colocar-se como defensora da liberdade de imprensa e reputa como de indiscutível interesse público informações contidas em um processo penal dirigido e com provas obtidas pelas mãos e métodos criminosos.

Ressalvadas as deformidades das informações aí contidas, é evidente, no entanto, que se trata de documento –até para a ilustração do regime que o promoveu-- dotado de algum interesse histórico. O acesso a ele deveria ser franqueado a todos, assim como todos os arquivos da época da ditadura deveriam ser abertos ao público, que tem o direito à memória e à história da sociedade em que vive.

Visto desse ângulo, teria pertinência o pedido da a Folha de acesso aos autos, justo neste momento?

A resposta é não, por dois motivos:

a) em primeiro lugar porque ela já obteve o que reivindica. Em 12 de Marco 2009, por meio da jornalista Fernanda Odilla, o jornal já extraiu cópias do processo em questão;

b) sobretudo, porém, não há interesse público algum neste material datado e induzido pelo regime de exceção, no momento. Exceto o interesse unilateral da Folha e, eventualmente, o da própria candidata Dilma Rousseff que, todavia, jamais se manifestou nesse sentido.

Há, no entanto, circunstâncias antecedentes que autorizam suspeitar das motivações mais profundas que orientam o pleito do veículo paulista.

A Folha, em 2009, produziu a matéria intitulada: “Grupo de Dilma planejava seqüestrar Delfim”. Esta matéria foi rechaçada, de forma veemente, pelo jornalista Antonio Roberto Espinosa (http://www.torturanuncamais-rj.org.br/noticias.asp?Codnoticia=214&ecg).

Ou seja, quando teve acesso aos documentos do processo da candidata Dilma, a Folha já fez deles um uso distorcido que reforçam as suspeitas em torno dessa segunda investida, em curso há dois meses.

A verdade é que os reais interesses que movem a Folha não são pautados pelo interesse público. A Folha deseja, como já o fez, elaborar matéria depreciativa, partindo de dados (que já tem, porém legitimados pela autorização desta Corte) produzidos há quarenta anos por métodos e motivações de um regime de exceção instruído com elementos de prova produzidos por criminosos travestidos de agentes do Estado.

Interesses individuais foram argüidos pelo STM ao negar o novo acesso, no meio da campanha eleitoral. Entretanto, estes são os direitos mais caros aos cidadãos e que são os pilares de uma democracia: privacidade, dignidade da pessoa humana, honra e imagem. Ou um candidato à Presidência da República não pode ter tais direitos preservados? Evidente que sim. A candidata Dilma é, antes, a pessoa humana Dilma.

Ela estava no Brasil, lutando pela democracia. Foi perseguida, presa, torturada e processada por seus algozes. A Folha quer agora surfar eleitoralmente nos resultados de um processo violento pautado pelo pau-de-arara, choques e agressões morais.

A Folha jamais poderá ter acesso a tais documentos? Estamos convencidos que o acesso deve ser franqueado; a Folha pode produzir a matéria que bem entender sobre a candidata Dilma ou qualquer outro candidato. Mas, neste momento, o que está sendo chamado de liberdade de imprensa serve justamente para fraudar o processo da liberdade democrático em um de seus mais sagrados momentos: o voto universal dos brasileiros e brasileiras.

Sejamos francos, a Folha tem os documentos do processo. Certamente, não os perdeu. Deseja novas cópias para esquentar e legitimar a matéria já citada que, no ano passado, foi ridicularizada pela opinião política do país.

Nem a revista Veja, que pediu cópia do mesmo processo, em 26 de fevereiro de 2010, por meio do repórter Luiz Otávio Bueno Cabral, teve coragem de prosseguir na empresa de violar a vida privada, a intimidade, a honra e a imagem da candidata Dilma.

Dentro de uma idéia de proporcionalidade e choque de interesses, todos protegidos pela Constituição Federal (liberdade de imprensa, dignidade da pessoa humana e liberdades individuais), neste momento, parece-nos que liberar para cópias um processo penal, cuja processada já foi anistiada, é subverter a Carta Maior. Depois de publicada a matéria, nenhuma Ação de Indenização será capaz de restabelecer não só a honra da candidata, mas o processo eleitoral que pode restar irremediavelmente viciado. Tais riscos, certamente, estão acima dos interesses INDIVIDUAIS da Folha.

Não cabe a Cautelar no STF

Do ponto de vista processual, a cautelar apresentada pela Folha não é cabível. E quem afirma isto é o próprio Supremo Tribunal Federal, em inúmeros julgados anteriores, que culminaram na edição das súmulas 634 e 635, as quais, expressamente, determinam, sucessivamente: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem” e “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade”.

Ademais, o próprio recurso extraordinário apresentado pela Folha é completamente vazio de fundamento, eis que se opõe a pedido de vistas, regimentalmente previsto no STM. O mérito do mandado de segurança da Folha ainda não foi decidido. Haverá supressão de um grau de jurisdição se a cautelar pretendida pela Folha for concedida.

Qualquer medida cautelar necessita, para sua concessão, além de fumaça de um bom direito (e aqui não há nenhuma) do denominado perigo na demora. O caso em exame traz um pedido da Folha para ter acesso a fatos ocorridos há quarenta anos atrás, aos quais –repetimos-- ela já teve acesso; quer agora usar esta Corte para legitimar o que já possui! Pior, são fatos, do ponto de vista do Estado Democrático de Direito, não mais relevantes, visto que a eventual condenação foi objeto de anistia.

Conclusão

Entre fraudar o processo eleitoral e expor desnecessariamente a cidadã Dilma Rousseff ou “dar um novo xerox” à Folha , que almeja um endosso desta Corte para seus objetivos escusos, não se pode ter dúvidas: preserva-se o processo democrático e a pessoa humana.

(*) Advogado. Mestre em Direito PUC/SP. Doutorando em Direito PUC/SP

domingo, 24 de outubro de 2010

Os Manuscritos do Mar Morto e a história de sua descoberta

Segundo a editora, Os Manuscritos do Mar Morto: Uma História Completa, Volume I, é o primeiro de dois volumes que oferece a mais completa descrição da descoberta dos manuscritos e de sua história nos últimos 60 anos.

FIELDS, W. W. The Dead Sea Scrolls: A Full History. Volume I. Leiden: Brill, 2009, 608 p. - ISBN 9789004175815

Who discovered the Dead Sea Scrolls? When and where were they discovered? How were they saved? Who bought them and who paid for them? Who has them now and who owns them? Will more be discovered? Have all the scrolls been published? Are some still hidden away? Were there conspiracies to suppress some scrolls? Preceded by The Dead Sea Scrolls: A Short History, 2006 [resenha na RBL por Eric F. Mason, 28/03/2009], The Dead Sea Scrolls, A Full History, vol. 1, is the first of a projected two volumes offering a more complete account of the discovery of the scrolls and their history over the past 60 years since the first scrolls were discovered in a cave near the Dead Sea. Weston W. Fields, Th.D., Ph.D., has been Executive Directory of the Dead Sea Scrolls Foundation in Jerusalem since 1991.

Leia uma resenha aqui.

Leia Mais:
Os Manuscritos do Mar Morto no Observatório Bíblico e na Ayrton's Biblical Page

Novo texto de Finkelstein sobre a monarquia unida em Israel

O mais recente texto de Israel Finkelstein sobre o reino unido de Davi e Salomão é A Great United Monarchy? Archaeological and Historical Perspectives e está nas páginas 3-28 do livro

KRATZ, R. G.; SPIECKERMANN, H. (eds.) One God - One Cult - One Nation: Archaeological and Biblical Perspectives. Berlin: Walter de Gruyter, 2010, 463 p. - ISBN 9783110223576.

Do livro diz a editora:
Recent archaeological and biblical research challenges the traditional view of the history of ancient Israel. This book presents the latest findings of both academic disciplines regarding the United Monarchy of David and Solomon ('One Nation’) and the cult reform under Josiah ('One Cult’), raising the issue of fact versus fiction. The political and cultural interrelations in the Near East are illustrated on the example of the ancient city of Beth She'an/Scythopolis and are discussed as to their significance for the transformation in the conception of God ('One God’). The volume contains 17 contributions by internationally eminent scholars from Israel, Finland and Germany.

Die jüngere archäologische und bibelwissenschaftliche Forschung stellt das traditionelle Bild der Geschichte des antiken Israel infrage. Der vorliegende Band führt neueste Forschungsergebnisse beider Wissenschaftsdisziplinen zusammen und stellt die Frage nach der historischen Faktizität oder literarischen Fiktionalität des Davidisch-Salomonischen Großreichs ('One Nation') und der Kultreformmaßnahme unter Josia ('One Cult'). Die politischen und kulturellen Wechselbeziehungen innerhalb des Vorderen Orients werden am Beispiel der antiken Stadt Beth She'an/Scythopolis veranschaulicht und in ihrer Bedeutung für den Wandel des Gottesbildes ('One God') problematisiert. Der Sammelband enthält siebzehn englischsprachige Beiträge von international anerkannten Forschern aus Israel, Finnland und Deutschland.

Entre os autores estão, além de Israel Finkelstein, Amihai Mazar, Erhard Blum, Alexander Rofé, Markus Witte, Reinhard G. Kratz, Hanspeter Schaudig, Ze'ev Herzog, Juha Pakkala, Gabriel Mazor, Katharina Heyden, Hermann Spieckermann, Matthias Köckert, Ephraim Stern, Michael Segal e Christoph Auffarth. O sumaário do livro pode ser visto no site da editora Walter de Gruyter. Os ensaios estão em inglês.

O texto de Israel Finkelstein começa dizendo que:
"Twelve years have passed since I first presented – to the German Institute in Jerusalem – my ideas on the chronology of the Iron Age strata in the Levant and how it impacts on our understanding of the biblical narrative on the United Monarchy of ancient Israel. I was naïve enough then to believe that the logic of my ‘correction’ was straightforward and clear. Twelve years and many articles and public debates later, however, the notion of Davidic conquests, Solomonic building projects, and a glamorous United Monarchy – all based on an uncritical reading of the biblical text and in contradiction of archaeological finds – is still alive in certain quarters. This paper presents my updated views on this matter, and tackles several recent claims that archaeology has now proven the historicity of the biblical account of the great kingdom of David and Solomon".

Leia Mais:
Israel Finkelstein faz palestra no Brasil (veja os links no final do post)
Israel Finkelstein no Observatório Bíblico e na Ayrton's Biblical Page

Biblioteca Digital de Fernando Pessoa

A Biblioteca que pertenceu ao escritor português Fernando Pessoa (Lisboa, 1888-1935) foi colocada online. São 1142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

Diz Inês Pedrosa na Apresentação:
Procurámos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacámos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros. Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.

O acesso se faz através do site Casa Fernando Pessoa.

sábado, 23 de outubro de 2010

Lemche para Avalos: os estudos bíblicos são necessários

Na revista online The Bible and Interpretation, neste mês de outubro, Niels Peter Lemche argumenta que os estudos bíblicos são necessários, respondendo a Hector Avalos O fim dos estudos bíblicos como uma obrigação moral.

Este texto de Avalos foi publicado em BOER, R. (ed.) Secularism and Biblical Studies. London: Equinox Publishing, 2010, 224 p. - ISBN 9781845533755.

Leia o ensaio Why Biblical Studies Are Necessary.

Leia Mais:
Avalos publica livro contra os estudos bíblicos 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Manuscritos do Mar Morto serão colocados na Internet

Os Manuscritos do Mar Morto serão digitalizados e colocados na Internet. Isto foi amplamente noticiado pelos jornais em 2008. Veja meu post Manuscritos do Mar Morto estarão online, de 1 de setembro de 2008.

Agora, no site da IAA - Israel Antiquities Authority - na seção "Press Office", com data de 19 de outubro de 2010, se lê:

Israel Antiquities Authority, Partner with Google R&D Center in Israel

Israel Antiquities Authority, Partner with Google R&D Center in Israel – To Make Dead Sea Scrolls Available On-line. With Lead Funding from the Leon Levy Foundation and a Major Donation of the Arcadia Foundation. "Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library" Will Enable Imaging, Digitization of 900-Manuscript Collection.

As part of the celebrations on the occasion of the 20th anniversary of its establishment, the Israel Antiquities Authority is launching a unique project – The Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library – to document the entire collection of the Dead Sea Srolls.

A major lead gift from the Leon Levy Foundation, with additional major funding from the Arcadia Foundation and the support of Yad Hanadiv Foundation, will enable the Israel Antiquities Authority to use the most advanced and innovative technologies available to image the entire collection of 900 manuscripts comprising c. 30,000 Dead Sea Scrolls fragments in hi-resolution and multi spectra and make the digitized images freely available and accessible to anyone anywhere in the world on the internet. This is the first time that the collection of Scrolls will be photographed in its entirety since the 1950’s.

The IAA announced this morning that it is collaborating with the Google R&D center in Israel in this milestone project to upload not only all of the digitized Scrolls images but also additional data online that will allow users to perform meaningful searches across a broad range of data in a number of languages and formats, which will result in unprecedented scholarly and popular access to the Scrolls and related research and scholarship and should lead to new insights into the world of the Scrolls.

The innovative imaging technology to be used in the project has been developed by MegaVision, a U.S. based company, and will be installed in the IAA’s laboratories in early 2011. The MegaVision system will enable the digital imaging of every Scroll fragment in various wavelengths in the highest resolution possible and allow long term monitoring for preservation purposes in a non-invasive and precise manner. The images will be equal in quality to the actual physical viewing of the Scrolls, thus eliminating the need for re-exposure of the Scrolls and allowing their preservation for future generations. The technology will also help rediscover writing and letters that have “vanished” over the years; with the help of infra-red light and wavelengths beyond, these writings will be brought “back to life”, facilitating new possibilities in Dead Sea Scrolls research. Uploading the images to the internet will be achieved with the assistance of Google-Israel and will be accompanied by meta-data including transcriptions, translations and bibliography.

According to Shuka Dorfman, IAA General Director, “we are establishing a milestone connection between progress and the past to preserve this unique heritage for future generations. At the end of a comprehensive and profound examination we have succeeded in recruiting the best minds and technological means to preserve this unrivalled cultural heritage treasure which belongs to all of us, so that the public with a click of the mouse will be able to freely access history in its fullest glamour. We are proud to be embarking on a project that will provide unlimited access to one of the most important archaeological finds of the 20th Century, crucial to Biblical studies and the history of Judaism and early Christianity. We are profoundly grateful to Shelby White and the Leon Levy Foundation for their lead major gift and to the Arcadia Foundation for its major gift to this project.”

Professor Yossi Matias, Director of Google-Israel R&D center, said that “We are proud to take part in a project that will share the IAA’s National Treasures with the entire world. This project will enrich and preserve an important and meaningful part of world heritage by making it accessible to all on the internet. We shall continue with this historical effort to make all existing knowledge in archives and storages available to all”.

The announcement this morning comes after 3 years of research in which the IAA investigated the best imaging technologies, information systems, and preservation methods and raised the necessary funds to begin the project. Pnina Shor is the project manger on behalf of the IAA and is assisted by academic institutions and the best professionals in their respective fields in Israel and abroad, including Prof. Steve Weiner from the Weitzman Institute, Prof. Zeev Aizenshtat from the Hebrew University of Jerusalem, Dr. Gregory Bearman, formerly a principal scientist at the jet Propulsion Laboratory, California Institute of Technology, Dianne van der Reyden, Director of the Library of Congress Preservation Directorate, Washington, USA, and Prof. Emilio Marengo and Marcello Manferdi from Eastern Piemont University, Italy.

About The Leon Levy Foundation: The Leon Levy Foundation, founded in 2004, is a private, not-for-profit foundation created from the estate of Leon Levy, a legendary investor with a longstanding commitment to philanthropy. The Foundation's overarching goal is to continue the tradition of humanism characteristic of Mr. Levy by supporting scholarship at the highest level, ultimately advancing knowledge and improving the lives of individuals and society at large.

About the Arcadia Foundation: Arcadia is the charitable foundation of Lisbet Rausing and Peter Baldwin. Since inception in 2001 Arcadia has awarded in excess of $192 million. For more details on Arcadia please visit their website.
The Israel Antiquities Authority is the preeminent organization in the field of Israeli and Biblical archaeology. It is responsible for all matters of archaeology in Israel including land and marine excavations, development and protection of archaeological sites, archaeological research, education, publication, conservation and restoration of objects and sites, and presentation of archaeological material in Israel and abroad. It is the custodian of the National Collections, including nearly 1 million archaeological objects among them the Dead Sea Scrolls, and more than 20,000 archaeological sites throughout Israel. The archaeological work conducted in the country is both universal in preserving the heritage of all humankind and the historic record of human culture in the world of Israel, and at the same time uniquely meaningful to the Jewish people and the State of Israel.

Ou seja: o Google entrou no jogo e parece que agora o projeto desencanta.

Leia a notícia, em português, aqui.

Outra nota, em inglês, aqui.

E, finalmente, no blog do Jim, a reprodução completa da nota do IAA.

Leia Mais:
Manuscritos do Mar Morto - várias postagens no Observatório Bíblico
Os Essênios: a Racionalização da Solidariedade - artigo na Ayrton's Biblical Page

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O apoio a Dilma no Rio de Janeiro em 18 de outubro

Artistas e intelectuais repetem um palanque como o de 1989
É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.

Leia o artigo de Gilberto Maringoni, publicado em Carta Maior, 19/10/2010.


Ato reúne centenas de artistas e intelectuais em apoio à Dilma
Centenas de artistas e intelectuais, além de parlamentares, jornalistas, ambientalistas e militantes, lotaram o tradicional Teatro Casa Grande, no bairro do Leblon, e levaram seu apoio à petista. Do lado de fora, cerca de mil pessoas tentavam entrar no teatro. Com um nível de emoção acima da média até aqui registrada nesta campanha, o ato lembrou antigas jornadas da esquerda carioca e teve direito a palavras de ordem, lágrimas e uma pequena manifestação de rua após o evento.

Leia o texto escrito por Maurício Thuswohl e publicado em Carta Maior em 19/10/2010.

Atualização: 20.10.2010 - 11h00
Ato na PUC-SP defende Dilma e critica uso de religião na campanha
Veja no YouTube: Em São Paulo, em 19 de outubro, juristas e intelectuais defendem eleição de Dilma

Manifesto dos cristãos pela eleição de Dilma

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos...

Para acessar a lista de mais de 600 signatários do manifesto, clique aqui.

Atualização: 20.10.2010 - 10h30
O Manifesto foi lido e entregue a Dilma no evento de 18 de outubro no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Leia mais aqui.

Boff explica porque é importante derrotar Serra

Em artigo publicado por Notícias: IHU On-Line de 19/10/2010, o teólogo Leonardo Boff explica que "votar em Dilma é garantir as conquistas feitas em favor das grandes maiorias e consolidar um Estado, cuja Presidenta saberá cuidar do povo, pois é da essência do feminino cuidar e proteger a vida em todas as suas formas".

Por outro lado, "é importante derrotar o candidato da oposição José Serra. Ele representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste de belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado para permitir atuação livre do capital privado nacional, articulado com o mundial. Os ideólogos do PSDB que sustentam Serra consideram como irreversível o processo de globalização pela via do mercado, apesar de estar em crise. Dizem, nele devemos nos inserir, mesmo que seja de forma subalterna. Caso contrário, pensam eles, seremos condenados à irrelevância histórica. Isso aparece claramente quando Serra aborda a política externa. Explicitamente se alinha às potências centrais, imperialistas e militaristas que persistem no uso da violência para resolver os problemas mundiais, ridicularizando o intento do Presidente Lula de fundar uma nova diplomacia baseada no dialogo e na negociação sincera na base do ganha-ganha. O destino do Brasil, dentro desta opção, está mais pendente das megaforças que controlam o mercado mundial do que das decisões políticas dos brasileiros. A autonomia do Brasil com um projeto próprio de nação, que pode ajudar a humanidade, atribulada por tantos riscos, a encontrar um novo rumo salvador, está totalmente ausente em seu discurso".

Leia: Dilma: garantir conquistas e consolidar avanços

Pesquisa Vox Populi: Dilma sobe, Serra cai

Vox Populi: Dilma tem 51%, Serra tem 39% e indecisos somam 4%

Em novo levantamento, petista sobe 3 pontos, tucano cai 1 ponto e indecisos recuam 2 pontos

Por Ricardo Galhardo - Último Segundo: 19/10/2010 05h00

Pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta terça-feira mostra que a vantagem da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em relação ao tucano José Serra aumentou para 12 pontos percentuais [sublinhado meu]. Segundo o Vox Populi, Dilma tem 51% contra 39% de Serra. Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de 8 pontos (Dilma tinha 48% e Serra 40%). Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%. Se forem considerados apenas os votos válidos (sem os brancos, nulos e indecisos) a vantagem subiu de 8 para 14 pontos [sublinhado meu]. Dilma tinha 54% e passou para 57%. Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. A candidata do PT tem o melhor desempenho na região Nordeste, onde ganha por 65% a 28%. Já Serra leva a melhor no Sul, onde tem 50% contra 41% da petista. No Sudeste, que concentra a maior parte dos eleitores, Dilma tem 47% contra 40% do tucano. O Vox Populi ouviu 3 mil eleitores entre os dias 15 e 17 de outubro (...) Depois de toda a polêmica envolvendo temas religiosos como o aborto, Serra atingiu 44% entre os entrevistados que se declararam evangélicos. Dilma tem 42%. Entre os que se declararam ateus, Dilma vence por 49% a 36%. Entre os católicos praticantes Dilma tem 54% contra 37% do tucano. No segmento dos católicos não praticantes a petista consegue seu melhor desempenho, 55% contra 37% de Serra [sublinhado meu]. A petista ganha em todas faixas etárias. Já no recorte que leva em conta a escolaridade dos pesquisados, Serra vence entre os que tem nível superior por 47% a 40% da petista. No eleitorado com até a 4ª série do ensino fundamental Dilma tem 55% contra 38% do tucano. Serra também vai melhor entre o eleitorado com mais renda. Entre os que declararam ganhar mais de cinco salários mínimos, ele tem 44% contra 42% da petista. Dilma tem seu melhor desempenho entre os mais pobres, que ganham até um salário mínimo, 61% a 31%. Embora seja mulher Dilma tem índices melhores entre os homens. Conforme o levantamento ela tem 54% contra 38% de Serra no eleitorado masculino e 48% contra 40% do tucano no eleitorado feminino. No recorte que leva em consideração a cor da pele Dilma atinge 59% entre os entrevistados que se declararam negros contra 29% de Serra. Entre os brancos, a petista tem 45% contra 44% do tucano. Segundo o Vox Populi, 89% dos entrevistados disseram estar decididos enquanto 9% admitiram que ainda podem mudar de ideia. Entre os eleitores de Dilma a consolidação do voto é maior, 93%. No eleitorado de Serra, 89% disseram que estão decididos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dom Tomás Balduíno fala sobre as eleições 2010

Em Notícias: IHU On-Line, de 18/10/2010, Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e presidente honorário da CPT nacional, fala sobre as eleições de 31 de outubro.

E explica porque Serra não pode vencer.

Faltando duas semanas para a realização do segundo turno, religiosos/as católicos/as e evangélicos/as lançaram uma carta declarando o voto na candidata do PT Dilma Rousseff. A IHU On-Line entrevistou, por telefone, Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e presidente honorário da CPT nacional, que também assinou o documento. Na entrevista, ele fala sobre a necessidade de escrever o documento em apoio à Dilma. “A questão não é o amor à Dilma, mas o ódio ao projeto de Serra. A opção por Dilma é simbólica, o significado da opção por Dilma é o mesmo de Lula, é a possibilidade da caminhada dos Sem Terra, dos negros, dos índios sem repressão”, explica.


Leia:

"Trata-se de derrotar a 'direitona' que é contra os pobres, negros, índios e camponeses". Entrevista especial com Dom Tomás Balduíno

Nota da CNBB sobre as eleições antes do 1º turno

Nota da CNBB na proximidade das eleições

Constantes interpelações têm chegado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB a respeito de seu posicionamento em relação às eleições do próximo dia 3 de outubro.

Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País.

Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós.

Reafirmamos, portanto, o que diz a Declaração: “A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular.

Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro”.

Brasília, 16 de setembro de 2010 - 11h11

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Contato: http://www.cnbb.org.br/site/fale-conosco

Nota da CNBB sobre as eleições após o 1º turno

Nota da CNBB em relação ao Momento Eleitoral

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que “falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”. Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010 - 15h55


Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Contato: http://www.cnbb.org.br/site/fale-conosco

Declaração do Presidente da IECLB sobre as eleições

Pelo fim da guerra santa nas eleições

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB tem exercido na área pública e no cenário político uma postura de vigilância profética e de ação calcada no princípio do amor ao próximo. Não tem perseguido interesses próprios institucionais, mas tem buscado, no âmbito de sua responsabilidade, servir as pessoas em suas necessidades físicas e espirituais.

Em seu próprio nome e em sua Constituição, a IECLB adotou deliberadamente a designação de ser igreja no Brasil, com “todas as consequências que daí resultarem para a pregação do Evangelho neste país e a corresponsabilidade para a formação da vida política, cultural e econômica de seu povo”, como formulado pelo Pastor Presidente H. Dohms já em 1949, no Concílio constitutivo da então denominada Federação Sinodal. Marco histórico foi também o chamado Manifesto de Curitiba, adotado no Concílio Geral de 1970, quando em meio ao período mais sombrio do regime militar, a IECLB estabeleceu critérios claros de distinção entre Igreja e Estado, entre esferas pública e privada, sem, contudo, separá-los como autônomas ou estanques. Realçou, por isso mesmo, o papel de vigia da igreja, por exemplo, na denúncia de infrações aos direitos humanos.

Um princípio fundamental da Reforma, no século XVI, e parte integrante da confessionalidade luterana, é também o total respeito à consciência de cada pessoa e a suas próprias decisões de fé, ainda que a Igreja deva proclamar sempre e em todos os lugares os valores da Palavra de Deus. Entre estes se destacam o cuidado para com toda a criação, a dignidade de todo ser humano como criatura criada à imagem de Deus e a edificação de comunidades acolhedoras e fraternas, nas quais não haja exclusões e onde, por isso mesmo, gozam de especial carinho todas as pessoas pobres, as que padecem necessidades ou sofrem injustiças e opressão.

Esses são princípios básicos que norteiam quem é cristão em seu discernimento ético e também na avaliação das propostas políticas em debate na Nação. Repudiamos como incompatível com a fé cristã todas as tentativas de “sacralizar” o embate político, sobretudo qualquer tentativa de “satanizar”ou “demonizar” pessoas ou forças políticas adversárias. Quem o faz deve se perguntar e ser questionado se não está sendo ele próprio instrumento da injustiça e do mal. Já há quase cinco séculos, o Reformador Lutero repudiou completamente o conceito de “guerra santa” como falsificação da palavra de Deus. Devemos resistir à tentação de reintroduzi-lo em nossas consciências e na vida política.

Uma preocupação especial temos com o uso, melhor dito, o abuso da internet. Nesta campanha, ela tem se revelado como instrumento poderoso não apenas para a difusão de notícias e opiniões, bem como para análises da realidade, mas também, em larga medida, para disseminar calúnias e difamações, muitas vezes de forma acobertada pelo anonimato ou até mesmo fazendo uso indevido de nomes de pessoas ou entidades respeitáveis e conceituadas.

Exortamos, portanto, a todas as pessoas, em particular os membros da IECLB, a que não se deixem seduzir por acusações oportunistas ou temáticas diversionistas, nem se deixar levar por emoções artificialmente induzidas.Ao contrário, examine-se com sobriedade, à luz dos valores de nossa convicção evangélica, acima arrolados, a nossa realidade, suas mazelas e suas belezas, o momento peculiar que vivemos como Nação, a qualidade de vida que temos e pretendemos alcançar. Avaliem-se também as propostas de programa da candidata Dilma e do candidato Serra. Em que consistem? Qual seu alcance e resultado? Avançam a justiça e a solidariedade no país? São exequíveis ou apenas promessas de campanha?

Assim, decida cada qual em sua consciência.

Porto Alegre, 14 de outubro de 2010

Dr. Walter Altmann
Pastor Presidente da IECLB

Contato: http://www.luteranos.com.br/pages/Contato.html

Declaração do Regional Sul 1 da CNBB sobre as eleições

Declaração sobre as Eleições

Os bispos católicos do Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), do Estado de São Paulo, em sintonia com a DECLARAÇÃO SOBRE O MOMENTO POLITICO NACIONAL, da 48ª Assembleia Geral da Conferência (Brasília, maio de 2010), esclarecem que não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor.

O Regional Sul 1 da CNBB desaprova a instrumentalização de suas Declarações e Notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos.

Reafirma, outrossim, as orientações quanto a critérios e princípios gerais a serem levados em conta no discernimento sobre o momento político, já oferecidos pela 73ª Assembleia Geral do Regional Sul 1 (Aparecida, junho de 2010), expressos na Nota VOTAR BEM.

Recomenda, enfim, a análise serena e objetiva das propostas de partidos e candidatos, para que as eleições consolidem o processo democrático, o pleno respeito aos direitos humanos, a justiça social, a solidariedade e a paz entre todos os brasileiros.

Indaiatuba (Itaici), SP, 16 de outubro de 2010.

Dom Nelson Westrupp - Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 e Bispos do Regional Sul 1


Contato Regional Sul 1
Presidente: Dom Nelson Westrupp
Vice-Presidente: Dom Benedito Beni dos Santos
Secretário: Dom Airton José dos Santos
Secretário Executivo: Pe. Nelson Rosselli Filho

Endereço:
Rua Conselheiro Ramalho, 726 - Bairro Bela Vista
01325-000 - SÃO PAULO - SP
Fone: (11) 3253-6788
Fax: (11) 3253-4749
E-mail: cnbbs1@cnbbsul1.org.br e secexecutivo@cnbbsul1.org.br
Site: http://www.cnbbsul1.org.br/

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ressentimento disfarçado em indignação moral

Na atual campanha eleitoral, percebe-se, não sem espanto e crescente receio de trágico desfecho, a aliança da mais feroz direita política brasileira com setores ultraconservadores das igrejas, tanto católica como evangélicas.

Ora, as camadas médias da população brasileira vivem, no seu dia-a-dia, contradições enormes e, por isso, tornam-se presas fáceis de invencionices e intrigas propagadas e ampliadas, à exaustão, pela mídia, constituída, no Brasil atual, pelas elites, como partido político.

Os indivíduos destas camadas costumam ser portadores de típicos "desvios" alienantes em sua mundivisão. Tais como perceber o capital sempre transfigurado em valor, os bens de consumo em status, as situações em oportunidades e as pessoas em degraus para a ascensão social.

Tais contradições são sublimadas na fuga do real através do discurso de valoração da existência (a famosa defesa genérica da vida cabe aqui), transformando, através da subjetivização radical da realidade, o ressentimento, que é um sentimento considerado negativo e inaceitável, em indignação moral, vista como atitude positiva e corajosa.

Acrescente-se a isso, vindo de "pastores do povo", o teologismo, que consiste em considerar a interpretação teológica e/ou religiosa como a única versão verdadeira do real.

Eles esvaziam, com tal atitude, o Político e o Social de seus conteúdos, rejeitando sua autonomia, como se só a leitura teológica e/ou religiosa da realidade fosse a verdadeira. É, na maioria das vezes, um discurso dogmático, ideológico, autoritário e anticientífico.

Pior. Na medida em que as igrejas dão voz e vez ao povo, através da intervenção de uma pretensa consciência crítica hierarquizada e institucionalizada, elas se legitimam em sua prática religiosa pelo processo de identificação do "povo brasileiro" com "povo de Deus".

Esta atitude é paralela à do populismo político que explora a ideia de unidade nacional para manter o domínio das elites sobre as classes populares. Os dois jogos se completam e se amparam na relação entre o político e o religioso.

Esta atitude soteriológica tem suas regras: cada ato humano, mais ou menos político, pouco importa, é transfigurado pela leitura teológica e/ou religiosa que o insere no plano divino global de salvação do homem.

De certo modo, são as igrejas recriando a sociedade brasileira mediante o filtro teológico e/ou religioso. Neste caso, as tradições religiosas são usadas por líderes eclesiásticos como "chaves sagradas" para entrar na consciência do povo e lhe dar a medida da realidade.

As consequências políticas de tal atitude soteriológica são evidentes: potencializam-se as estruturas eclesiásticas para atingir a estrutura social e "salvar" o povo. Salvando-se o povo, salvam-se as igrejas.

Enfim, neste processo é muito comum situar do lado do profano uma série de conceitos relativos ao mundo e à história, como, por exemplo, a práxis política, em oposição ao sagrado e a seus "valores inegociáveis".

Este dualismo é capenga, já que assim se opõem como duas grandezas iguais Deus e a Humanidade, revelação e razão, graça e pecado. Ousaria até dizer que a satanização de pessoas e grupos políticos, ora em curso, coloca no mesmo nível Deus e o Diabo. Como duas grandezas iguais...

Quando se insiste nesta visão dualista, a salvação seria o seu conhecimento enunciado num conjunto doutrinal, celebrado em um rito e organizado em uma instituição. Esta visão acabaria opondo Igreja e Mundo, levando a prática dos cristãos ao sectarismo, ao clericalismo e ao apolitismo.

Somando-se a tudo isto uma boa dose de discurso competente, o risco é real. Discurso competente? Falo da manipulação que transforma interesses em realidade, e nesse processo oculta as raízes históricas dos problemas abordados.

Sobre coisas deste tipo já escrevi algumas vezes. Recomendo a leitura de três textos:
. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos n. 107. Petrópolis: Vozes, 2010, p. 50-62
. Vale a pena ler os profetas hoje? - Artigo online, publicado na Ayrton's Biblical Page
. No artigo online Ler a Bíblia no Brasil hoje, o item 2.2. A opção pela classe média

Por fim, recomendo também a leitura do artigo de Luís Carlos Lopes, publicado na Carta Maior em 11/10/2010, sob o título Intriga, intrigantes e mentirosos ameaçando a República do Brasil.

Onde se mostra como a manipulação das consciências precisa do medo e da mentira para funcionar. Os intrigantes precisam de uma audiência dócil e pouco informada, capaz de aceitar qualquer bobagem que lhes seja empurrada por alguma autoridade de seu mundo.

Resenhas na RBL: 08.10.2010

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Joel S. Burnett
Where Is God? Divine Absence in the Hebrew Bible
Reviewed by Joel Williams

Lynn H. Cohick
Women in the World of the Earliest Christians: Illuminating Ancient Ways of Life
Reviewed by Colleen Conway

A. Joseph Everson and Hyun Chul Paul Kim, eds.
The Desert Will Bloom: Poetic Visions in Isaiah
Reviewed by Todd Hibbard

Susan R. Garrett
No Ordinary Angel: Celestial Spirits and Christian Claims about Jesus
Reviewed by Charles Gieschen

Timothy C. Gray
The Temple in the Gospel of Mark: A Study in Its Narrative Role
Reviewed by Stephan Witetschek
Reviewed by Vicki Phillips

David M. Jacobson and Nikos Kokkinos, eds.
Herod and Augustus: Papers Presented at the IJS Conference, 21st-23rd June 2005
Reviewed by Joshua Schwartz

Peter T. O'Brien
The Letter to the Hebrews
Reviewed by Martin Karrer

Martin Vahrenhorst
Kultische Sprache in den Paulusbriefen
Reviewed by Nils Neumann

William M. Wright IV
Rhetoric and Theology: Figural Reading of John 9
Reviewed by Adele Reinhartz

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

sábado, 9 de outubro de 2010

Os fundamentalismos e as eleições de 2010

Na Carta Maior há um artigo de Luís Carlos Lopes, publicado em 05/10/2010, que vale a pena ser lido, pois constata-se que um dos problemas que afloraram nesta eleição [outubro de 2010] é o da emergência dos fundamentalismos religiosos católicos e protestantes, tentando influir nas decisões políticas do país.

Fundamentalismos religiosos são ameaça à democracia brasileira

Destaco quatro trechos:

:: "Um dos problemas que afloraram nesta eleição é o da emergência dos fundamentalismos religiosos católicos e protestantes, tentando influir nas decisões políticas do país. Até mesmo a famosa organização fascista-católica Opus Dei, de grande penetração na Península Ibérica, estaria presente em São Paulo, apoiando o candidato oficial do PSDB. O fundamentalismo de origem protestante renovada teria tido o seu peso nas eleições em vários níveis. Padres e pastores ultraconservadores instaram seus fiéis a apoiarem determinados candidatos e participaram na rede de intrigas sociomidiáticas que vem caracterizando esta eleição. Esta atitude vinha sendo desenvolvida em várias campanhas e problemas nacionais. Desta vez, surgiu com maior força e, talvez, para ficar".

:: "O problema dos grupos religiosos fundamentalistas não é de natureza teológica. Eles demonstram possuir, onde atuam, uma visão política antiga que flerta com o fascismo. Segundo estas organizações, as verdades que acreditam devem ser estendidas a todos. As pessoas deveriam simplesmente obedecer como cordeiros a determinação desta minoria. Apesar de numerosos, eles são minoria e não são tão organizados como parecem ser. Suas opiniões flutuam como folhas ao vento, porque são determinadas pelo que ouvem nos seus templos e nas redes de comunicação que dominam. O recado que passaram é que existem e precisam ser considerados. Entretanto, não é difícil ver que suas convicções, quando ultrapassam o terreno religioso, são facilmente moldáveis pelas exigências que pesam sobre todo mundo, vindas da sociedade de consumo e do espetáculo, isto é, do capitalismo contemporâneo".

:: "É difícil imaginar que todos os eleitores que votaram sob a influência fundamentalista sejam tão radicais, e acreditem na teoria e na prática que suas verdades são inabaláveis. Certamente, entre as ovelhas existem muitas que podem ser desgarradas e entre os padres, os pastores, nem todos, são tão obedientes assim às ordens da conservação. Como quaisquer seres humanos, eles têm dúvidas e esperam ser ensinados a partir de outras fontes de autoridade, além das que se apropriaram de suas consciências. É provável que alguns queiram ser eles mesmos, por não serem absolutamente alienados ou loucos. Esses podem vir a rejeitar posturas de grupo que não contemplem diferenças individuais. Podem se dividir e votar no segundo turno de modo diverso".

:: "Para convencê-los é preciso repolitizar o debate [sublinhado meu]. A agenda básica do país não é a perseguição às religiões minoritárias e às suas crenças. Espera-se que isto jamais seja o mote de qualquer governo. O Brasil é um país tolerante a qualquer crença e a qualquer movimento religioso. As pessoas devem ser livres para acreditar no que quiserem, mas precisam ser educadas para entender que suas crenças e o modo em que vivem não são únicos. Alguém precisa lhes dizer que não se está na Idade Média, na época do nazifascismo e da ditadura militar. Todos podem ser livres responsavelmente, sabendo os limites sociais de suas liberdades. Ninguém deve impor aos outros, o que acredita como certo e inelutável. A luta é pelo convencimento livre de pressões e imposições é uma conquista que abrange a todos. Mesmo que se saiba que o problema de alguns é o da falta de escolas sérias e de mídias que realmente complementem o processo educacional".

Leia Mais:
Fundamentalismo Hoje
Fundamentalismo: um desafio permanente
Fundamentalismo: um modo de estar no mundo
Fundamentalismo em debate
Fundamentalismo: um desafio ecumênico

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eleições 2010: algumas análises do primeiro turno

Estou reunindo em meu twitter algumas análises dos resultados do primeiro turno das Eleições 2010.

Quem estiver interessado, pode acessar os links, a partir de 4 de outubro, em dois lugares diferentes:

. Em meu twitter

. No airtonjo's tweetbook

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Universidades precisam ter mestrado e doutorado

MEC torna mais rígidas regras para universidade
O ministro da Educação, Fernando Haddad, homologa hoje uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estabelece regras mais rígidas para que instituições de ensino superior tenham o status de universidade. Passam a ser exigidos pelo menos dois programas de doutorado e quatro de mestrado. As atuais universidades terão até 2016 para se adaptar - atualmente quase a metade delas não conta com esse requisito mínimo.

A reportagem é de Luciana Alvarez e Fábio Mazzitelli e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 05/10/2010.

Segundo levamento feito pelo Estado com base em dados da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), das 187 universidades federais e particulares do País, 91 não têm os programas de pós-graduação exigidos pela nova norma. Delas, 12 são federais; as demais são instituições particulares. A resolução não vale para entidades estaduais e municipais, que seguem leis específicas, mas representantes de universidades federais também contestam a validade da medida. São Paulo é o Estado com o maior número de universidades sem o novo nível mínimo obrigatório de pesquisa [sublinhado meu]. São 24, todas particulares. No Sudeste, 43 das 80 universidades terão de se adaptar para não perder o título. O Centro-Oeste é a região com situação mais confortável. Tem 14 universidades e apenas 4 delas ainda não têm os 2 doutorados e 4 mestrados. No Norte, o Amapá tem apenas uma universidade, a Universidade Federal do Amapá (Unifap), e ela ainda não atende a essa nova exigência, pois oferece apenas um curso de doutorado. O "rebaixamento" para centros universitários ou faculdades tira da instituição parte de sua autonomia. "Nos anos 1980 e 1990, muita instituição virou universidade só em busca da autonomia, sem dar contrapartida em extensão e pesquisa. Dentro desse novo instrumento, muitas terão dificuldade de sobreviver como universidade", acredita o reitor da Universidade Nove de Julho (Uninove), Eduardo Storopoli, que classifica a medida do MEC como um "avanço na avaliação do ensino superior". "Uma universidade que está mal avaliada desde os anos 1990 pode cair até para faculdade", diz. Muitas instituições de ensino particular, porém, não concordam com as novas regras e chegaram a entrar com recurso, que foi rejeitado pelo CNE. Roberto Covac, representante legal do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, que reúne faculdades, centros universitários e universidades, diz que o grupo argumentou que faltou diálogo com o setor. "Outro problema é que a regra é única para um País muito grande, com realidades muito diferentes", afirmou. "Sem dúvida é uma conquista, amplamente discutida com a sociedade", diz Paulo Speller, presidente da Câmara de Educação Superior do CNE. "Temos um bom prazo para as universidades se adaptarem. Não acredito que teremos problema com descredenciamentos."

Fonte: Notícias: IHU On-Line - 05/10/2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Biblioblogs: tema do Bulletin for the Study of Religion

Bulletin for the Study of Religion, vol 39, no 3 (setembro de 2010) está tratando dos biblioblogs. Bulletin for the Study of Religion é uma revista da Equinox Publishing, London.

Em seu blog, diz a revista:
"The September issue of the Bulletin is now available online! You can find it here. There are articles on biblioblogging by Jim West, James McGrath, Robert Cargill, Roland Boer, and James Crossley. In addition, there is a follow up by Mike Grimshaw on the debate about the place of postmodern theology in the discipline of religious studies. As always, the editorial is accessible for free..."

Sobre os biblioblogs, diz Craig Martin no Editorial:
"When I began following blogs, I had no intention of following academic Bible blogs. I studied the Bible in undergrad and graduate school, and I teach introductory Bible courses at my college, but by no means am I a Bible scholar. However, there are few blogs on religious studies in general, while there is a plethora of blogs on the Bible and biblical studies. (I have never heard an entirely satisfactory explanation for this phenomenon, apart from the suggestion that Bible scholars tend to be Christians with an inclination toward spreading their views, i.e. evangelization.) Consequently, in lieu of more general academic religion blogs, I began following some of the academic Bible blogs. I quickly discovered that biblioblogging (as it is called) is a phenomenon of sorts. There are hundreds of bibliobloggers, there are special biblioblogger circles (with their own special graphic icons), there are sites dedicated to ranking Bible blogs by popularity, and there is even a biblioblogging carnival (although the latter seems to have recently died out). Biblioblogging is of such importance that it has even been recognized by the Society of Biblical Literature. This issue of the Bulletin is dedicated to biblioblogging. I have asked Jim West to introduce biblioblogging and offer a brief history of sorts. James McGrath, Robert Cargill, and Roland Boer have contributed reflections on the importance of blogging. The last contribution, by James Crossley, offers a critique of certain Bible blogs, specifically focusing on the ideological work they have done in support of US foreign policy".

O editorial pode ser lido online. Os artigos, porém, não são gratuitos.

Artigos, Autores e Abstracts:
:: Blogging the Bible: A Short History - Jim West
'Blogging' as an enterprise of Biblical scholars commenced in the middle years of the first decade of the 21st century. It's beginnings, early years, controversies, and outlook are described in what follows.

:: Biblioblogging Our Matrix: Exploring the Potential and Perplexities of Academic Blogging - James Frank McGrath
The phenomenon of "biblioblogging" has not only brought Biblical studies into close contact with popular new media and modes of communication, but also regularly brings the public and private, the peer-reviewed and the popular, into close proximity with one another. This article explores some of the reasons why an increasing number of academics in Biblical studies blog, as well as some of the ways in which blogging can serve the needs of the academy.

:: The Benefit of Blogging for Archaeology - Robert R. Cargill
Blogging (or “web logging”) has evolved from online journaling to a multi-million dollar enterprise involving over 100 million blogs worldwide. And while journalists and news organizations have been quick to adopt blogging as a publishing tool, the academy has been slow to adopt the technology as a legitimate scholarly enterprise. This article argues that blogging is the next logical step for independent scholars and researchers who seek to publish their original work, and that universities should begin accepting blogging as a legitimate scholarly endeavor. Specifically, archaeologists should embrace blogging because of its ease of use, decreased time to publication, affordability, ability to publish multiple forms of media, and for the increased exposure publishing online brings to a scholar’s work. The article details the impact of blogging on existing publishing models, the peer-review process, and discusses the numerous benefits of blogging for archaeology.

:: Why Do I (Biblio)Blog? - Roland Boer
This article answers in some detail the question as to why I blog, at times on the Bible.

:: Biblioblogging, 'Religion', and the Manufacturing of Catastrophe - James Crossley (veja também aqui)
Building on a previous analysis of 'biblioblogging' and its relationship to the mass media, this article looks at the ways in which 'bibliobloggers' handled the recent tragic events in Haiti. As is typically the case in the handling of US foreign policy, biblioblogging largely fell into line with the dominant positions in the mass media on the specific problems faced in Haiti which mask or deflect colonial/postcolonial interventions. Similarly, some bibliobloggers turned to the issue of theodicy with significantly vague concepts of 'religion' and 'God' being used to both (partially) explain suffering and deflect the more troubling narratives. Finally, some consideration is given to the ideological function of loving to hate the far right, with particular reference to the ways in which Pat Robertson's comments on Haiti were discussed by bibliobloggers.

A Bíblia como Palavra de Deus: revista Concilium

O fascículo 335 (2010/2) da Revista Internacional de Teologia Concilium reflete sobre A Bíblia como Palavra de Deus.

Organizado por Dennis Gira, Diego Irarrázaval e Marie-Theres Wacker.

Páginas mais visualizadas em setembro de 2010

Segundo o Google Analytics, as 10 páginas da Ayrton's Biblical Page mais visualizadas durante o mês de setembro de 2010 foram as seguintes:

1. A História de Israel no debate atual
2. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - O Positivismo de Comte e Durkheim e a Crítica Marxista
3. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - Durkheim propõe uma teoria do fato social
4. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - A sociologia compreensiva
5. História de Israel: Sumário
6. Grego Bíblico
7. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias
8. Ler a Bíblia no Brasil hoje
9. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías
10. Noções de Hebraico Bíblico

Compare com o mês de agosto de 2010.

Visitas aos textos dos alunos para o Mês da Bíblia 2010

Os textos escritos pelos alunos do Segundo Ano de Teologia do CEARP para o Mês da Bíblia 2010 fizeram sucesso.

Ficaram entre os 16 posts mais acessados do Observatório Bíblico no mês de setembro de 2010, de acordo com as estatísticas do Google Analytics.

Observo que, neste período, 933 posts [de um total de 2.150] foram visualizados 14.215 vezes. Tempo médio no post: 00:03:08

Na lista abaixo, os textos dos alunos estão com links para os respectivos posts.


1. Mês da Bíblia 2010: o livro de Jonas

2. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Mesters e Orofino - Por Tiago Nascimento Nigro

3. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo o Centro Bíblico Verbo - Por Anderson Luís Moreira

4. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo o SAB - Por Thiago Cezar Giannico

5. Mês da Bíblia 2010: texto-base

6. Jesus morreu na sexta-feira, 7 de abril de 30, quando tinha cerca de 36 anos de idade

7. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Balancin e Ivo - Por Daniel Bento Bejo

8. O livro de Jonas na Vida Pastoral

9. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Schökel e Sicre - Por Paulo Martins Junior

10. Eleições 2010: como votar?

11. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Mercedes Lopes - Por Tibério Teixeira da Silva Filho

12. Mês da Bíblia 2010: textos apresentados pelos alunos

13. Ouvir, Ler e Escrever: o curso de Língua Hebraica Bíblica

14. 50 pessoas que podem salvar o planeta

15. O estudo do livro do Eclesiastes é o desafio para o Mês da Bíblia de 2006

16. Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Nelson Kilpp - Por Mateus Pereira Martins

BiblioblogNED Top 30 - Setembro de 2010

Para conhecer os 30 biblioblogs em neerlandês mais acessados em setembro de 2010, visite:

BiblioblogNED Top 30 - zaterdag 2 oktober 2010