sábado, 4 de dezembro de 2010

Avalos responde a seus críticos

O debate sobre a relevância ou não dos estudos bíblicos e como eles deveriam ser feitos na atualidade dá mais um passo com um texto de Hector Avalos em The Bible and Interpretation:

Six Anti-Secularist Themes: Deconstructing Religionist Rhetorical Weaponry

Diz Avalos:
Here, I concentrate on the rhetorical weapons that are being deployed by religionist biblical scholars against efforts to reform the field of biblical studies so that it might function like all other fields in modern academia---a completely secular enterprise with methodological naturalism at its core (...) Contrary to the objections expressed by many of my opponents, I am trying to save biblical studies in public academia, but saving it requires a thorough reorientation and secularization. Faith-based approaches in biblical studies need to realize that their days in public academia are numbered if they don’t fully integrate with the approaches we find in the rest of the Humanities and Social Sciences.


Ou seja:
Avalos diz que aqui ele se concentra em rebater estudiosos defensores da manutenção do aspecto religioso (ou seria teológico?) nos estudos bíblicos e que lutam contra seus esforços para reestruturar o campo nos moldes dos campos de pesquisa das Ciências Humanas e Sociais na academia moderna. Em síntese: Avalos propõe uma urgente secularização dos estudos acadêmicos da Bíblia em escolas públicas, não-confessionais.

O leitor já deve ter percebido que, para além da retórica que parece colocar em confronto religião x secularização, trata-se de uma discussão sobre metodologia - possivelmente não só, mas principalmente. Metodologia que, é claro, sendo desenvolvida por pessoas concretas em contextos políticos e sociais diferentes, envolve e carrega consigo opções anteriores. As escolhas éticas precedem, queiramos ou não, o método. Em qualquer campo científico.

No meu entender, nenhum método é apolítico, assim como nenhum exegeta o é.

I argue that there is no apolitical method, just as there is no apolitical biblical scholar.

Um comentário:

Rodrigo disse...

Ele é um erudito respeitável; contudo, parece querer ressuscitar um tipo de positivismo objetivista morto no século XIX.

Então, como ele pode dizer "como obrigação moral?" Só aí ele se contradiz.

A se levá-lo a sério, dever-se-ia também livrar os estudos bíblicos das leituras feministas, pós-colonialistas, etc., em nome de uma leitura "neutra" de que todo mundo ouviu falar, mas ninguém nunca viu.

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