quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo o SAB

SAB Levanta-te, vai à grande cidade (Jn 1,2): Introdução ao estudo do profeta Jonas. São Paulo: Paulinas, 2010, 48 p.

Por Thiago Cezar Giannico

Este é um roteiro para o Mês da Bíblia estruturado em 4 encontros, precedidos por uma Introdução e seguidos por uma Celebração de Encerramento. O SAB, Serviço de Animação Bíblica, tem como proposta ajudar as pessoas, grupos e comunidades a ler a Bíblia no contexto onde ela nasceu e, à sua luz, iluminar a realidade da vida do povo facilitando o diálogo criativo e transformador entre Palavra e vida.

Os quatro encontros, no centro do livro, tratam dos seguintes temas:
1. O chamado e a fuga de Jonas: O profeta resistente
2. Três dias de retiro com Jonas: Na fuga, Jonas encontra a salvação
3. Levanta-te e vai à grande cidade: "Vai e anuncia a mensagem que eu te disser"
4. Deus rico em misericórdia: A salvação é para todos.

Inserido entre os livros proféticos por preferir um oráculo de Deus, o livro de Jonas possui uma forma narrativa, aproximando-se mais de um conto ou de uma lenda popular, por seus elementos míticos e fabulosos e, especialmente, por seu conteúdo sapiencial.

Ao chamar o personagem de "Jonas, filho de Amitai" em 1,1, o anônimo autor está usando uma ficção literária ao colocar em cena um antigo profeta com este nome do tempo de Jeroboão II, citado em 2Rs 14,25.

Além disso, "o Jonas deste livro não é um herói, não faz nenhuma façanha, não é um santo; ao contrário, ele desobedece a Deus, contesta suas ações e nem de longe é o principal ator na cena. Deus é realmente o personagem central da história" (p. 5-6). É ele quem comanda todas as ações.

Jonas, por outro lado, foge de Deus porque deve levar uma mensagem a um povo estrangeiro, inimigo e opressor dos israelitas. Jonas tem uma atitude nacionalista, é intolerante. Para ele, só a nação judaica tem salvação. Ele não quer entender que a misericórdia de Deus se estende a todos aqueles que se convertem de suas más ações.

Esta atitude de Jonas, somada a outros elementos teológicos e linguísticos, nos indica que o livro pode ser datado por volta do século IV A.E.C. [= Antes da Era Comum]. "É um escrito pós-exílico e representa uma corrente mais aberta, tolerante e universalista do judaísmo que se formou neste período. Pode ser uma reação à política nacionalista de Esdras e Neemias" (p. 8), que chegou a desmanchar os casamentos dos israelitas com mulheres estrangeiras.

A história de Jonas acabou ficando muito famosa por causa do "grande peixe" - que na imaginação popular virou uma "baleia" - mandado por Deus para salvá-lo. No ventre do peixe, diz o conto, Jonas refletiu sobre sua situação, sua infidelidade e sua covardia e sobre a salvação de Deus que é para todos.

Ao prosseguir em sua missão em Nínive, Jonas fica muito descontente com a misericórdia divina que perdoa até o pior inimigo, desde que ele mude de vida. Enquanto os marinheiros e os ninivitas se comportam como autênticos javistas, Jonas, adorador de Javé, representando a comunidade israelita fechada e nacionalista que se considerava como a única escolhida, não se converte até o final.

Assim entendido, o livro deixa um recado claro, "presente na oposição entre a atitude de aversão de Jonas contra os ninivitas, ou seja, dos israelitas contra os estrangeiros, e a atitude misericordiosa de Deus para com toda a humanidade" (p. 34-35). O relato de Jonas mostra, como mensagem maior, que Deus ama incondicionalmente a todos e quer que todos sejam salvos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Thiago Giannico, como sempre uma pessoa maravilhosa! Estou impressionada com o talento dele e ele tem muito e de sobra! Thi, parabéns querido!

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