terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Mesters e Orofino

MESTERS, C.; OROFINO, F. A parábola de Jonas. São Leopoldo: CEBI, 2010, 36 p. - ISBN 9788577330935

Por Tiago Nascimento Nigro

Carlos Mesters é um frade carmelita holandês, missionário no Brasil desde 1949. Cursou Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na École Biblique de Jerusalém e recebeu o título de Doutor Honoris Causa do Instituto Teológico São Paulo (ITESP). Idealizador do CEBI, Mesters é um dos principais exegetas brasileiros. Francisco Orofino é biblista e educador popular. É também assessor nacional do CEBI. Fez doutorado em Teologia Bíblica na PUC-Rio.

Ao introduzirem o leitor na compreensão do livro de Jonas, os autores traçam o perfil do profeta, as características do livro, o contexto no qual foi escrito, o sentido da obra, os personagens, algumas surpresas que surgem na parábola de Jonas e descrevem a estrutura do livro do profeta de Javé.


Diante dos desafios do seu tempo, o povo daquela época elaborou a parábola de Jonas para ajudar o pessoal a tomar uma posição frente às coisas que estavam acontecendo. Esse é o convite proposto pelos autores: reler a parábola de Jonas frente aos desafios que enfrentamos nos dias atuais.

Para trabalhar essas questões e atingir os objetivos, os autores dividem a obra em cinco círculos bíblicos a serem realizados nas comunidades. Cada círculo contém dicas para preparar o ambiente e, em seguida, passos para que o leitor e a comunidade possam olhar bem o que acontece na história de Jonas, passos que consistem numa leitura lenta e atenta do texto bíblico, num momento de silêncio e em perguntas para orientar a reflexão.

Os frutos que cada um colhe nesse primeiro passo motivam a dar o segundo passo, isto é, a partir do que cada um descobriu acerca da parábola do livro de Jonas, partilhar em comunidade a sua reflexão.

Para facilitar o trabalho, Mesters e Orofino propõem uma série de perguntas para ajudar na partilha. Após a partilha todos são convidados, a partir das descobertas feitas, a fazer preces a Deus, a assumir um compromisso, um passo para discernir o caminho espiritual. Mantendo o espírito orante do encontro, os autores propõem a oração de um salmo ou de um trecho bíblico e a relembrar com um texto a fina ironia da novela de Jonas.

No primeiro círculo intitulado “O fugitivo dorminhoco”, a comunidade é convidada a ler o primeiro capítulo do livro de Jonas, que descreve, com fina ironia, como Jonas recebeu o chamado de Deus, mas não quis atender e fugiu. O capítulo conclui com o reconhecimento por parte de Jonas de seu erro, pois a tempestade violenta era um apelo de Deus para que Jonas assumisse a missão. Para acabar com a tempestade, os marinheiros jogam Jonas no mar e este foi engolido por um peixe bem grande, acalmando o mar.

“A oração do penitente engolido” é o tema do segundo círculo que descreve como Jonas, lá no fundo da barriga do peixe, começou a orar. Ele ficou três dias e três noites na barriga do peixe, orou a Deus e foi cuspido na praia.

Tendo como referência o capítulo 3 do livro de Jonas, o terceiro círculo conta como Jonas recebeu de novo a ordem de Deus para falar ao povo de Nínive. O profeta fugitivo finalmente obedece e começa a pregar a penitência ao povo de Nínive e o povo se converte. Deus acolheu o seu esforço e não o destruiu nem o castigou.

No último capítulo do livro de Jonas informa-se que quem não gostou dessa situação foi o profeta. O título do quarto círculo, “O profeta egoísta que quer Deus só para si”, faz alusão ao profeta de Javé que se afastou indignado, ficou olhando de longe e reclamou com Deus. A falsa imagem de Deus em Jonas fez dele um grande egoísta. E a parábola termina sem dar a resposta de Jonas à pergunta final de Deus. Hoje quem deve dar resposta somos nós.

No quinto e último capítulo do círculo, Mesters e Orofino nos convidam a ver como a história de Jonas repercutiu na história do povo de Deus e como Jesus olhou no espelho a parábola de Jonas, mencionando o texto do Evangelho de Mateus em que Jesus fala do sinal de Jonas.

Deste modo, com uma linguagem simples e até divertida, com textos dinâmicos e de fácil compreensão, Mesters e Orofino elaboraram um livro a ser trabalhado nos grupos bíblicos e nas várias pastorais da Igreja. Proporcionam aos leitores motivações para a leitura, meditação e partilha da parábola de Jonas, identificando-nos com o profeta e com a vida do povo de Nínive, pois é no espelho da novela de Jonas que vejo o que acontece comigo, conosco.

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