sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Livros de Collins e Boccaccini publicados pela Paulus

Dois importantes livros na área bíblica foram traduzidos para o português e recentemente publicados pela Paulus. Até onde sei, Gabriele Boccaccini jamais fora traduzido por aqui. Acho que John Collins também não.

Cito originais e traduções:

COLLINS, J. J. The Apocalyptic Imagination. An Introduction to Jewish Apocalyptic Literature. 2. ed. Grand Rapids, MI/Cambridge, U.K.: Eerdmans, 1998, xiii + 337 p. - ISBN 9780802843715.

The Apocalyptic Imagination by John Collins, professor of Hebrew Bible at the University of Chicago Divinity School, is one of the most widely praised studies of Jewish apocalyptic literature ever written. This second edition of Collin's study represents a complete updating and rewriting of the original work published by Crossroad in 1984. The author discuss apocalypse as a literary genre, explore the phenomenon and function of apocalypticism in the ancient world, study a wide range of individual apocalyptic texts, and examine the apocalyptic character of early Christianity. Especially noteworthy is the chapter on the Dead Sea Scrolls.


COLLINS, J. J. A imaginação apocalíptica: Uma introdução à literatura apocalíptica judaica. São Paulo: Paulus, 2010, 480 p. - ISBN 9788534932448.

A imaginação apocalíptica, de John Collins, é um dos mais amplamente elogiados estudos de literatura apocalíptica judaica jamais escrito. E esta segunda edição [1. edição: 1984; 2. edição: 1998] do estudo de Collins representa uma atualização e uma reescrita completas da obra original. Especialmente digno de nota é o capítulo sobre os Manuscritos do Mar Morto, que agora considera todos os textos recentemente publicados. Outros capítulos discutem a apocalíptica como um gênero literário, exploram o fenômeno e a função da apocalíptica no mundo antigo, estudam uma ampla gama de textos apocalípticos individuais e examinam o caráter apocalíptico do cristianismo primitivo.


BOCCACCINI, G. Beyond the Essene Hypothesis: The Parting of the Ways between Qumran and Enochic Judaism. Grand Rapids, MI/Cambridge, UK: Eerdmans, 1998, 230 p. - ISBN 9780802843609.

This volume offers a provocative new view of the ideology of the Qumran sect, the ancient desert community closely related to the Dead Sea Scrolls. Grabriele Boccaccini moves beyond the Essene hypothesis and posits a unique relationship between what he terms "Enochic Judaism" and the group traditionally know as the Essenes. Boccaccini argues that the literature of Qumran betrays the core of an ancient and distinct variety of Second Temple Judaism. Tracing the development of this tradition, Boccaccini shows that the Essene community at Qumran was really the offspring of the Enochic party, which in turn contributed to the birth of parties led by John the Baptist and Jesus.


BOCCACCINI, G. Além da hipótese essênia: A separação entre Qumran e o judaísmo enóquico. São Paulo: Paulus, 2010, 280 p. - ISBN 9788534932356.

Gabriele Boccaccini se move para além da hipótese essênia e postula uma relação única entre o que ele denomina “judaísmo enóquico” e o grupo tradicionalmente conhecido como os essênios. Construindo sua tese em cima do que os relatos históricos nos dizem sobre os essênios e a partir de uma análise sistemática dos documentos encontrados em Qumran, Boccaccini argumenta que a literatura revela o núcleo de uma variedade antiga e distinta de judaísmo do segundo templo. Seguindo o desenvolvimento dessa tradição, Boccaccini mostra que a comunidade essênia em Qumran era realmente o produto do partido enóquico, que, por sua vez, contribuiu para o nascimento dos grupos conduzidos por João Batista e por Jesus. Uma resenha publicada na RBL pode ser lida aqui.


Leia Mais:
Apocalíptica: Busca de um Tempo sem Fronteiras
Os Essênios: a Racionalização da Solidariedade

Resenhas na RBL: 30.12.2010

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:


Alejandro F. Botta and Pablo R. Andiñach, eds.
The Bible and the Hermeneutics of Liberation
Reviewed by Jeremy Punt

François Bovon
New Testament and Christian Apocrypha: Collected Studies II
Reviewed by Christopher R. Matthews

Athalya Brenner, Archie Chi Chung Lee, and Gale A. Yee, eds.
Genesis
Reviewed by John Anderson

Gregg Gardner and Kevin L. Osterloh, eds.
Antiquity in Antiquity: Jewish and Christian Pasts in the Greco-Roman World
Reviewed by Matthew W. Mitchell

E. Grypeou and H. Spurling, eds.
The Exegetical Encounter between Jews and Christians in Late Antiquity
Reviewed by Judith M. Lieu

Olav Hammer, ed.
Alternative Christs
httReviewed by Brent Landau

Thomas Holsinger-Friesen
Irenaeus and Genesis: A Study of Competition in Early Christian Hermeneutics
Reviewed by Ludger Schwienhorst-Schönberger

Aren M. Maeir and Pierre de Miroschedji, eds.
"I Will Speak the Riddles of Ancient Times": Archaeological and Historical Studies in Honor of Amihai Mazar on the Occasion of His Sixtieth Birthday
Reviewed by Gilbert Lozano

Hilary Marlow
Biblical Prophets and Contemporary Environmental Ethics
Reviewed by Norman Habel

Steven L. McKenzie
Introduction to the Historical Books: Strategies for Reading
Reviewed by Patrick Russell

Juha Pakkala and Martti Nissinen, eds.
Houses Full of All Good Things: Essays in Memory of Timo Veijola
Reviewed by Carly Crouch

Lorenzo Scornaienchi
Sarx und Soma bei Paulus: Der Mensch zwischen Destruktivität und Konstruktivität
Reviewed by Christof Landmesser

Mark S. Smith
God in Translation: Deities in Cross-Cultural Discourse in the Biblical World
Reviewed by Christopher B. Hays

Peter S. Williamson
Ephesians
Reviewed by Markus Lang

Joel Willitts
Matthew's Messianic Shepherd-King: In Search of 'The Lost Sheep of the House of Israel'
Reviewed by Don Garlington

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Apocalíptica: bibliografia foi atualizada

A bibliografia de meu artigo Apocalíptica: Busca de um Tempo sem Fronteiras foi atualizada em 29 de dezembro de 2010.

Confira.

Resenhas na RBL: 24.12.2010

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Mark Andrew Brighton
The Sicarii in Josephus's Judean War: Rhetorical Analysis and Historical Observations
Reviewed by Shayna Sheinfeld

Colleen M. Conway
Behold the Man: Jesus and Greco-Roman Masculinity
Reviewed by Ronald R. Clark

Thomas B. Dozeman
Exodus
Reviewed by Wolfgang Oswald

Benjamin H. Dunning
Aliens and Sojourners: Self as Other in Early Christianity
Reviewed by Judith Lieu

Troels Engberg-Pedersen
Cosmology and Self in the Apostle Paul: The Material Spirit
Reviewed by L. Ann Jervis

Hermann Gunkel; K. C. Hanson, ed.
Israel and Babylon: The Babylonian Influence on Israelite Religion
Reviewed by Michael S. Moore

Bruce Hansen
'All of You Are One': The Social Vision of Galatians 3.28, 1 Corinthians 12.13 and Colossians 3.11
Reviewed by Kobus Kok

William H. Jennings
Storms over Genesis: Biblical Battleground in America's Wars of Religion
Reviewed by Phillip Michael Sherman

Isaac Kalimi
The Retelling of Chronicles in Jewish Tradition and Literature: A Historical Journey
Reviewed by Rivka Ulmer

Kirsten Nielsen, ed.
Receptions and Transformations of the Bible
Reviewed by Donatella Scaiola

Rodrigo F. de Sousa
Eschatology and Messianism in LXX Isaiah 1-12
Reviewed by Tyler Mayfield

Jerry L. Sumney
The Bible: An Introduction
Reviewed by Gail Streete

Anthony C. Thiselton
The Living Paul: An Introduction to the Apostle's Life and Thought
Reviewed by Stephan Joubert
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Richard Valantasis
The Making of the Self: Ancient and Modern Asceticism
Reviewed by Andrew T. Lincoln

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Online: Anais dos três últimos Congressos da SOTER

Confira na revista Ciberteologia, na seção de Livros Digitais. Formato pdf.

O que é a revista Ciberteologia? Veja aqui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal

Dois antropólogos italianos falam sobre nossas festas de dezembro.

Marino Niola, da Università degli Studi Suor Orsola Benincasa, Napoli, em artigo publicado no jornal La Repubblica em 20/12/2010.

E Augusto S. Cacopardo, da Università di Firenze, que publicou recentemente um livro sobre as festas de inverno no Hindu Kush, entre o Afeganistão e a Caxemira.

Natale nel Kashmir: ecco le origini pagane di Gesù Bambino
Per ritrovare l´origine del Natale bisogna andare sugli altipiani dell´Hindu Kush, tra Afghanistan e Kashmir. Dove vivono gli ultimi pagani. Sono i fieri Kalasha, gelosi custodi delle loro remotissime tradizioni indoeuropee. Questi uomini che sapevano d´antico già nel 330 avanti Cristo, quando Alessandro Magno li incontrò durante la sua marcia verso Jelalabad, ci rivelano le radici della nostra storia e della nostra religione. Il loro grandioso rito solstiziale d´inverno, dodici giorni che iniziano con la discesa del dio tra gli uomini e si concludono con l´inizio del nuovo anno, è infatti l´archeologia vivente della natività. A dirlo è l´antropologo Augusto Cacopardo in un libro appena uscito per l´editore Sellerio. Il titolo, più che eloquente, è Natale pagano (Sellerio, pp. 476, euro 20). Argomento è la millenaria gestazione di una festa che non sarebbe stata inventata dal cristianesimo ma comincia molto prima. In realtà sono stati in molti a sostenere che la madre di tutte le festività dell´Occidente nasce da antichi riti agrari e astronomici precristiani. Come quelli dell´Atene di Pericle, culla della democrazia occidentale, dove nell´ultima decade di dicembre si addobbava un albero sempreverde con coppe e otri in onore di Dioniso, il dio del vino che offre in pasto il suo corpo e il suo sangue. Mentre a Roma, sempre in dicembre, durante i Saturnali si ornavano le case con abeti e altri alberi perenni, simboli della vita che continua. Il tutto culminava nella festa di Mitra, il dio solare nato in una grotta e rappresentato come un bambino risplendente di luce. La sua nascita coincideva con il solstizio d´inverno, quando le giornate cominciano ad allungarsi e il sole ha il sopravvento sulle tenebre. Stessa cosa facevano i Celti dell´Europa del Nord che nello stesso periodo offrivano alle divinità della luce composizioni di vischio e rami di abete. Il libro di Cacopardo aggiunge a queste ipotesi storiche una prova vivente. I Kalasha, che hanno resistito a ogni tentativo di cristianizzazione e di islamizzazione, continuano infatti a professare una religione sorprendentemente simile a quella dell´antichità. Questi montanari variopinti che Fosco Maraini trovava più antichi che esotici, appaiono come l´eco presente di un tempo lontanissimo, il riverbero di un passato remoto miracolosamente conservato in una bolla della storia. Sospesa a duemila metri sulle alture rarefatte di Birir, a due passi dai teatri di guerra dell´Afghanistan. Questi portatori sani di un´origine altrove scomparsa ci fanno toccare con mano lo spirito della religione prima dell´arrivo dei monoteismi. E soprattutto ritrovare il politeismo degli antichi popoli indoeuropei, spesso ancora presente sotto traccia nel nostro folklore. E perfino nelle nostre grandi solennità religiose. La grandiosa festa del solstizio d´inverno, che i Kalasha chiamano Chaumos, è a tutti gli effetti un natale prima del Natale. È la matrice ideale della nostra notte incantata. Con il dio luminoso Indr - parente stretto di Indro, nome locale dell´arcobaleno, nonché di Indra, signore della folgore nel pantheon induista - che discende a visitare gli uomini nel periodo più buio dell´anno e dispensa loro la sua energia come un dono benefico. Se si aggiungono i rami di vischio, le abbuffate rituali di lenticchie di montagna, la notte di vigilia in attesa dell´avvento del dio, i doni ai bambini e i fuochi che rischiarano la notte innevata, gli ingredienti del nostro Natale ci sono tutti. A parte "Jingle Bells". Ma non è poi così grave. Non sarebbe Gesù bambino a fare il Natale, dunque, ma il natale a fare Gesù bambino. Sembra questo il messaggio degli ultimi pagani. Che pare fatto apposta per dar ragione a Sant´Agostino il quale diffidava i cristiani dal celebrare il sole a dicembre perché era roba da idolatri. O a quei sacerdoti francesi che, alla fine degli anni Cinquanta, bruciarono il fantoccio di Babbo Natale sul sagrato della cattedrale di Digione considerandolo un simbolo perverso di paganesimo e al tempo stesso di consumismo. Che sono, a pensarci bene, il prima e il dopo della modernità. Due estremi della storia mescolati insieme. A conclusione di un cammino millenario di cui gli ultimi pagani continuano ancora oggi a celebrare l´inizio.

Este texto pode ser lido em português em Notícias: IHU On-Line, de 22/12/2010.

O livro citado no texto acima é:

CACOPARDO, A. Natale Pagano: Feste d'inverno nello Hindu Kush. Palermo: Sellerio, 2010, 480 p. - ISBN 9788838924873.

Dele se diz:
Questo libro è il frutto di una straordinaria ricerca iniziata più di 30 anni fa fra i Kalasha, una piccola popolazione del Pakistan che, oltre che per l’etnografia, presenta un interesse particolare anche per la storia delle religioni e per gli studi di indoeuropeistica. Essa ci offre infatti l'unico esempio oggi esistente di religione praticata da un popolo di lingua indoeuropea che non si sia lasciata assorbire da uno dei grandi sistemi religiosi storici – Induismo, Buddismo, Zoroastrismo, Cristianesimo, Islam. Sono in tutto solo poche migliaia e vivono tra i monti del nord-ovest del Pakistan lungo il confine afghano ad altitudini che sfiorano i 2.000 metri. La ricerca sul campo si è focalizzata in particolare sul ciclo festivo invernale. Il grandioso complesso festivo del solstizio d’inverno – il Chaumos – costituisce il fulcro del sistema rituale Kalasha e racchiude in sé gli ideali a cui si ispira l’intera cultura. In secondo luogo – una prospettiva che abbiamo voluto esprimere con l’ossimoro che abbiamo scelto per titolo – può forse aiutarci a comprendere meglio dove affondino le radici pre-cristiane delle nostre “feste di dicembre”; è infatti opinione largamente condivisa che le festività cristiane incentrate sul Natale si siano sovrapposte a cicli festivi pagani – celtici, germanici, slavi, italici – che celebravano il solstizio d'inverno. “Le origini di questa ricerca – racconta l’Autore – rimontano ormai a più di trent’anni fa quando, poco più che ventenne, raggiunsi via terra il Pakistan nord-occidentale per la mia prima ricerca sul campo fra i Kalasha.


Leia Mais:
Natal: uma mitologia?
Natal: mito de fundação ou manifesto político?
Jesus que nasce para todos: como as religiões interpretam o Natal

Resenhas na RBL: 19.12.2010

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Joel S. Baden
J, E, and the Redaction of the Pentateuch
Reviewed by David Carr

Maurice Casey
The Solution to the 'Son of Man' Problem
Reviewed by Panayotis Coutsoumpos

Tom Holmén, ed.
Jesus from Judaism to Christianity: Continuum Approaches to the Historical Jesus
Reviewed by Steven M. Bryan

Bruce W. Longenecker and Kelly D. Liebengood, eds.
Engaging Economics: New Testament Scenarios and Early Christian Reception
Reviewed by Markus Lang

Jesús Luzarraga
El Padrenuestro desde el arameo
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Kevin B. McCruden
Solidarity Perfected: Beneficent Christology in the Epistle to the Hebrews
Reviewed by Martin Karrer

Alice Mouton
Rêves hittites: Contribution à une histoire et une anthropologie du rêve en Anatolie ancienne
Reviewed by Michael S. Moore

Daniel A. Smith
Revisiting the Empty Tomb: The Early History of Easter
Reviewed by Michael R. Licona

John Strazicich
Joel's Use of Scripture and the Scripture's Use of Joel: Appropriation and Resignification in Second Temple Judaism and Early Christianity
Reviewed by Douglas Watson

Emma Wasserman
The Death of the Soul in Romans 7: Sin, Death, and the Law in Light of Hellenistic Moral Psychology
Reviewed by Karl-Wilhelm Niebuhr

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Enquetes sobre o Natal? - Biblical Polls

Enquetes sobre o Natal?

Visite a página das Enquetes Bíblicas - Biblical Polls e vote.

Para o tema proposto nas 5 novas enquetes, pode ser útil a leitura de meu artigo A Visita dos Magos: Mt 2,1-12

Feliz Natal!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

WikiLeaks: mais leituras

Friday, 10th of December
09:34:13 Assange e os donos da democracia - Luiz Gonzaga Belluzzo: CartaCapital 10/12/2010
09:57:59 Animação chinesa explica o caso WikiLeaks 
10:13:46 Dilma Rousseff, na saúde e na doença - Ou: como Uncle Sam escarafuncha nossa Presidente - Natalia Viana: CartaCapital
14:15:01 As portas do paraíso: as revelações do WikiLeaks. É o diabo na rua no meio do redemunho! - L. C. Lopes: Carta Maior
19:25:52 Todo mundo da direita vai jurar que os processos na Suécia nada têm a ver com o Wikileaks - Flávio Aguiar: RBA 09/12/10

Sunday, 12th of December
11:19:43 A política depois do WikiLeaks - Maria Cristina Fernandes: Valor 10/12/2010, reproduzido pelo IHU em 12/12/2010
17:09:28 Entrevista com Julian Assange realizada pelo TED em julho deste ano. Legendas em português - Vermelho 12/10/2010
17:17:09 Julian Assange: Why the world needs WikiLeaks - Video on TED. Subtitles Available in 27 languages - Posted Jul 2010
17:23:34 Julian Assange: Homens capazes e generosos não criam vítimas, eles cuidam das vítimas - Vídeo no TED - Julho de 2010
17:25:09 Julian Assange: Há outra maneira de cuidar das vítimas, que é vigiar os autores do crime. Isso está no meu caráter - TED

Monday, 13th of December
08:42:04 WikiLeaks: Petroleiras americanas eram contra novas regras para pré-sal e Serra prometeu alterá-las - Folha 13/12/2010
09:54:28 WikiLeaks: Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal - Natália Viana: CartaCapital 13/12/2010
11:09:25 Blog do Barão do Rio Branco: como será a diplomacia após o WikiLeaks - Vitor Knijnik: Blogs do Além - CartaCapital
12:09:30 Os estranhíssimos 'estupros' de Julian Assange - Antônio Martins: Ópera Mundi 13/12/2010
12:12:15 Why are wars not being reported honestly? - John Pilger: The Guardian 10 December 2010
19:44:50 WikiLeaks e a nova fronteira da comunicação, na visão de Natália Viana - Entrevista na RBA 13/12/2010
19:56:53 Abaixo-assinado pelo fim da perseguição ao Wikileaks - Avaaz: Carta Maior

Tuesday, 14th of December
07:42:48 WikiLeaks latest and Julian Assange's court appeal: live updates - Matthew Weaver: The Guardian 14 Dec 2010
08:08:56 Die Botschaftsdepeschen. Alle Artikel, Hintergründe und Fakten - Der Spiegel Online
14:47:58 Just to recap, Assange will remain in prison, at least until the appeal is heard - The Guardian 5.44pm
14:57:21 Suécia decide apelar contra libertação e Assange pode permanecer mais 48 horas preso - Folha 14/12/2010
15:12:27 Las autoridades suecas no repararán en gastos para mantener Assange en la cárcel - El País 14/12/2010

Leia Mais:
WikiLeaks: algumas leituras

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Pentateuco na pesquisa europeia recente

Ultimamente o post publicado no Observatório Bíblico, em 20 de setembro de 2006, com o título Mais uma vez o Javista se despede do Pentateuco. Mas para onde ele estaria indo? tem sido bastante acessado.

Este post é uma apresentação do livro de DOZEMAN, Thomas B; SCHMID, Konrad. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. - ISBN 9781589831636. Como diz o título, o livro trata da composição do Pentateuco na interpretação europeia recente.

Lembro aos interessados que este livro - assim como dezenas de outros - além de estar à venda no site da SBL ou na Amazon, por exemplo, agora está disponível online, gratuitamente, para quem vive no Brasil e em vários outros países, a partir do Projeto ICI da SBL.

Clique aqui ou aqui (PDF) para fazer o download do livro. E boa leitura.

Claro, para saber as razões desta discussão em torno do Javista, e do Pentateuco em geral, basta clicar aqui, ou aqui.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A ocupação dos territórios palestinos por Israel

EUA desistem de tentar convencer Israel a paralisar construções em territórios palestinos

O governo norte-americano abandonou os esforços para convencer Israel a congelar as construções em assentamentos judaicos em territórios palestinos, segundo fontes da Casa Branca e do Departamento de Estado. A paralisação das obras é uma das exigências dos palestinos para retomar as negociações diretas de paz. No mês passado, Washington ofereceu a Israel um pacote de incentivos em troca de uma nova paralisação de 90 dias nas construções em assentamentos na Cisjordânia. Mas, segundo fonte do governo, os esforços para convencer Israel fracassaram. “Nós vínhamos buscando uma suspensão [nas construções] como forma de criar as condições para a retomada das negociações”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. “Depois de esforços consideráveis, concluímos que isso não cria uma base sólida para trabalhar por nosso objetivo comum de um acordo [de paz]”, afirmou (...) Os assentamentos em territórios palestinos são considerados ilegais pela lei internacional, mas essa interpretação é contestada por Israel. O processo de paz deverá ser abordado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em um discurso na próxima sexta-feira (10/12).

Leia o texto completo.

Fonte: Ópera Mundi - 08/12/2010 - 10h05

Pois é. Sem comentários!

Leia Mais:
Brasil reconhece Estado palestino com fronteiras anteriores a 1967, diz Itamaraty
Oriente Médio
Oriente Médio no Observatório Bíblico

Assange, Kafka e Orwell

O texto publicado hoje, 8 de dezembro de 2010, por Idelber Avelar em seu blog O Biscoito Fino e a Massa é de proveitosa leitura. Recomendo:

Wikileaks: O 1º preso político global da internet e a Intifada eletrônica

O que Assange tem a ver com Kafka e Orwell?

Idelber explica:
Como em Kafka, o crime de Assange não é uma entidade com existência positiva, para a qual você possa apontar. Assange é um personagem que vem direto d'O Processo, romance no qual K. será sempre culpado por uma razão das mais simples: seu crime é não lembrar-se de qual foi seu crime. Essa é a fórmula genial que encontra Kafka para instalar a culpa de K. como inescapável: o processo se instala contra a memória.

E mais:
À semelhança do 1984 de Orwell, o caso Wikileaks gira em torno da vigilância global mas, como notou Umberto Eco num belo texto, ela foi transformada em rua de mão dupla. O Grande Irmão estatal o vigia, mas um geek com boas conexões nas embaixadas também pode vigiar o Grande Irmão. Essa vigilância em mão dupla é ao mesmo tempo uma demonstração do poder da internet e um lembrete amargo de quais são os seus limites.

Leia Mais:
WikiLeaks: algumas leituras

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

WikiLeaks: algumas leituras

:: Sunday, 28th of November
16:07:46 Los secretos de la diplomacia de Estados Unidos, al descubierto - El País 28/11/2010
18:45:36 US embassy cables: global coverage. All the global coverage of the release of 250,000 leaked US diplomatic cables

:: Monday, 29th of November
10:29:41 Wikileaks: as operações anti-terror no Brasil. Em segredo, Brasil monitora e prende suspeitos - Luis Nassif Online 29/11/2010
10:35:40 A estratégia de divulgação da Wikileaks - Luis Nassif Online 29/11/2010 
19:33:41 As carpideiras do regime militar: WikiLeaks, o golpe em Honduras e a mídia brasileira - Cynara Menezes: CartaCapital

:: Thursday, 2nd of December
10:04:47 Por dentro do WikiLeaks - Natália Viana: Ópera Mundi 30/11/2010 - 13h01

:: Friday, 3rd of December
14:51:28 Após veto dos EUA, o site WikiLeaks passa a usar domínios na Suíça e na Alemanha - Folha 03/12/2010

:: Saturday, 4th of December
10:07:01 Robert Fisk, do Independent, comenta os documentos publicados pelo WikiLeaks - Carta Maior 30/11/2010

:: Tuesday, 7th of December
14:07:09 Por dentro do Wikileaks 2: muito além do furo - Natália Viana: Ópera Mundi 07/12/2010
16:00:35 La verdad sobre el 'Cablegate' - El País 04/12/2010
16:40:11 `The truth will always win’ - Julian Assange writes - Media Diary Blog: The Australian 07/12/2010
16:42:45 O artigo de Julian Assange - Luis Nassif Online 07/12/2010 17h04
19:17:53 O cerco ao WikiLeaks - Antonio Luiz M. C. Costa: CartaCapital 07/12/2010 18h26

:: Wednesday, 8th of December (atualização)
09:02:36 Piratas vingadores e espiões em diligência: o caso WikiLeaks - Umberto Eco: Presseurop
09:12:27 Natalia Viana, em parceria com CartaCapital: conteúdo do WikiLeaks em primeira mão
09:17:57 Assange, Kafka e Orwell
17:25:38 WikiLeaks US embassy cables: live updates - The Guardian
17:51:50 Sob intensas críticas, Twitter rechaça acusação de censura sobre caso WikiLeaks - Folha 08/12/2010 14h15
18:03:07 Anonymous: los enemigos de los enemigos de Wikileaks - Blog Trending Topics: El País 08/12/2010
21:19:31 Facebook e Twitter suspendem perfis de grupo que atacava sites antiWikiLeaks - Folha: 08/12/2010 21h11

:: Thursday, 9th of December
09:12:49 Wikileaks, vazamentos e uma nova diplomacia mundial - Rafael Tsavkko Garcia: Ópera Mundi 09/12/2010 09h07
13:08:43 Presidente presta solidariedade em público ao WikiLeaks - Blog do Planalto 09/12/2010 13h08
13:11:29 Lula presta solidariedade a criador do WikiLeaks - Marina Terra: Ópera Mundi 09/12/2010 13h00
13:19:44 Em vídeo: Lula manifesta solidariedade ao WikiLeaks - Blog do Miro 09/12/2010
13:28:19 Natalia Viana: em parceria com CartaCapital, conteúdo do WikiLeaks em primeira mão. Leia o blog
13:39:01 Brazilian President Lula speaks out in defence of Wikileaks - Blog do Planalto 09/12/2010 13h08
14:08:11 Lula, presidente de Brasil: la detención de Assange atenta contra la libertad de expresión - El País 09/12/2010
14:39:32 O pessoal do WikiLeaks está comemorando o apoio dado pelo presidente Lula a Assange - Natalia Viana: CartaCapital 09/12/2010
15:23:18 Lula declara apoio ao WikiLeaks! [English Version - Versione Italiana - Versión en Español] - Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian 09/12/2010  

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Observatório Bíblico comemora seu quinto aniversário

Observatório Bíblico está comemorando seu quinto aniversário: foi criado no dia 7 de dezembro de 2005. Até aqui 2198 postagens foram publicadas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Avalos responde a seus críticos

O debate sobre a relevância ou não dos estudos bíblicos e como eles deveriam ser feitos na atualidade dá mais um passo com um texto de Hector Avalos em The Bible and Interpretation:

Six Anti-Secularist Themes: Deconstructing Religionist Rhetorical Weaponry

Diz Avalos:
Here, I concentrate on the rhetorical weapons that are being deployed by religionist biblical scholars against efforts to reform the field of biblical studies so that it might function like all other fields in modern academia---a completely secular enterprise with methodological naturalism at its core (...) Contrary to the objections expressed by many of my opponents, I am trying to save biblical studies in public academia, but saving it requires a thorough reorientation and secularization. Faith-based approaches in biblical studies need to realize that their days in public academia are numbered if they don’t fully integrate with the approaches we find in the rest of the Humanities and Social Sciences.


Ou seja:
Avalos diz que aqui ele se concentra em rebater estudiosos defensores da manutenção do aspecto religioso (ou seria teológico?) nos estudos bíblicos e que lutam contra seus esforços para reestruturar o campo nos moldes dos campos de pesquisa das Ciências Humanas e Sociais na academia moderna. Em síntese: Avalos propõe uma urgente secularização dos estudos acadêmicos da Bíblia em escolas públicas, não-confessionais.

O leitor já deve ter percebido que, para além da retórica que parece colocar em confronto religião x secularização, trata-se de uma discussão sobre metodologia - possivelmente não só, mas principalmente. Metodologia que, é claro, sendo desenvolvida por pessoas concretas em contextos políticos e sociais diferentes, envolve e carrega consigo opções anteriores. As escolhas éticas precedem, queiramos ou não, o método. Em qualquer campo científico.

No meu entender, nenhum método é apolítico, assim como nenhum exegeta o é.

I argue that there is no apolitical method, just as there is no apolitical biblical scholar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

BiblioblogNED Top 30 - Novembro de 2010

Para conhecer os 30 biblioblogs em neerlandês mais acessados em novembro de 2010, visite:

BiblioblogNED Top 30 - woensdag 1 december 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Biblioblog Top 50 - Novembro de 2010

Esta é a lista dos 50 biblioblogs mais frequentados no mês de novembro de 2010:

Jim’s real theme song & the biblioblog rankings for November

Publicada por Jeremy Thompson em Free Old Testament Audio Website Blog.

Observatório Bíblico é o #16.

Biblical Studies Carnival 57

Biblical Studies Carnival 57 (November 2010)

Seleção das melhores postagens dos biblioblogs em novembro de 2010.

Trabalho feito por Deane Galbraith, do blog Bulletin for the Study of Religion.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SBL 2010: considerações e links interessantes

Jim Davila agrupou, hoje, no PaleoJudaica, uma série de links interessantes e fez algumas considerações sobre o que aconteceu no Congresso da SBL em Atlanta. Confira:

Random SBL 2010 Reflections and Links

E no Exploring Our Matrix, de James F. McGrath, vale a pena conferir o post do dia 23/11/2010:

Bloggership: The #SBL10 Session on Blogging and Online Publication

Atualização em 27.11.2010:
The Full #SBL10 Blogger Session and More - Exploring Our Matrix
The SBL 2010 Experience - Scotteriology

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Encontro de Lula com a blogosfera brasileira

"Nunca antes na história deste país" um Presidente da República recebeu a blogosfera e tratou de maneira tão clara e descontraída de tantos temas importantes.

Isto aconteceu hoje. O Presidente Lula recebeu, na parte da manhã, no Palácio do Planalto, um grupo de blogueiros para uma entrevista que durou pouco mais de duas horas. E que foi transmitida pela Internet, conseguindo forte audiência.

Veja o vídeo aqui, aqui ou aqui.

E, no Twitter, busque pela hashtag #lulablogs, para ver as várias manifestações que esta entrevista gerou.

Sobre os bastidores da entrevista, clique aqui e aqui.

domingo, 21 de novembro de 2010

Visão inquisitorial continua a assombrar os brasileiros

Mídias e os tempos sombrios da ditadura militar

O artigo de Luís Carlos Lopes, publicado na Carta Maior em 19/11/2010, começa assim:

"A intriga e a calúnia continuam a assombrar aos brasileiros. As grandes mídias insistem na desqualificação da presidenta eleita. Foram como abutres aos arquivos oficiais do Estado para conseguir combustível, insistindo na tese de que a eleita é uma ‘criminosa’, não tendo por isto condições e legitimidade para governar. Querem continuar um processo que já foi encerrado.

Agora, o objetivo não é mais de ganhar a eleição. Já perderam. O que desejam é paralisar a eleita, fazendo-a reviver o pesadelo de sua juventude. Lembrar o que ela já foi, obviamente, na versão parcial e difamatória a que estão acostumados. Afinal, o Estado sempre foi ‘pilotado’ por homens que jamais se levantaram contra a simbiose desse com as elites do país".

E diz mais adiante:

"Para manter a ordem intacta, eles tentam de tudo. Com uma das mãos acenam com a aceitação da vontade popular, com a outra brandem, por meio das grandes mídias, suas armas preferidas: a intriga e a calúnia. Dilma, mulher e guerrilheira nos anos de chumbo do Brasil, é muito mais do que eles conseguem tolerar. Temem que ela vá além de Lula, fazendo, por exemplo, o que sua colega da Argentina fez. Acabando com a impunidade dos criminosos da época da ditadura, abrindo para valer os arquivos secretos dos militares e dizendo a todos qual é a verdadeira história destas mídias que tanto a difamam.

Dilma nem chegou ao governo e já enfrenta uma onda de acusações. Como nada podem falar do presente, foram buscar no passado lenha para acender suas fogueiras prediletas. Esta visão inquisitorial tem uma triste história no Brasil, desde o passado colonial. Isto só vai acabar quando seus fundamentos socioculturais forem enfrentados em profundidade. Os armários dessa gente têm mais esqueletos do que os ingênuos imaginam. Basta abri-los e deixar entrar a luz purificadora do sol".

O artigo termina nos lembrando que:

"A história do país continua sendo ensinada como uma arte do esquecimento. Não chega à maioria das escolas as verdades reais do passado do país. Por isso, é fácil destacar fatos isolados, pinçá-los, sem qualquer escrúpulo e gritar que a Dilma é alguém pouco confiável. Com isto, se quer paralisá-la, impedir sua marcha e conter qualquer ímpeto mais profundo do seu futuro governo. Espera-se que ela não peça desculpas pelo que foi no passado e que aproveite a oportunidade para denunciar os que a agridem".


Leia Mais:
A ditadura militar no Brasil: Google - WorldCat - DHnet - + bibliografia
Projeto Brasil Nunca Mais: Versão Integral Online

sábado, 20 de novembro de 2010

Biblioblogueiro do Mês: Setembro de 2006

Fui escolhido em 2006 como o biblioblogueiro do mês de setembro. Na ocasião fui entrevistado por Jim West, e esta entrevista foi publicada no site Biblioblogs.com [aqui na Wayback Machine em 30 de junho de 2008], definido como an aggregate of blogs geared toward Biblical Studies, ou seja, um agregado de blogs voltados para os Estudos Bíblicos.

Verifico, entretanto, que, infelizmente, o site foi desativado e o domínio foi posto à venda. Lá não se encontra mais nenhuma entrevista, nem a minha, nem as dos outros biblioblogueiros entrevistados. A última entrevista, me parece, foi publicada em julho de 2009. Em outubro de 2009, os responsáveis diziam que estavam remodelando o site. Each Month we feature a different blog and interview the blog’s writer, dizia o site [Atualização: 29/06/2013 - As entrevistas foram recuperadas. Confira aqui]

Por tudo isso é que estou reproduzindo aqui, no Observatório Bíblico, minha entrevista.


Blogger of the Month for September 2006

Jim West Interviews Airton José da Silva

Editorial Note: Airton José da Silva is the author of the site Ayrton’s Biblical Page.

JW: Professor da Silva, would you please introduce yourself to our readers?

AS: Airton está bom. Eu nasci em 1950 em Patos de Minas, Minas Gerais, Brasil, e vivi meus primeiros nove anos na fazenda de meus pais. Minha família é de tradição católica, e acabei fazendo estudos de Filosofia em dois tradicionais seminários de Minas Gerais. Em 1970, aos 19 anos, fui para a Europa para estudar Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Itália, onde fiquei 6 anos, tendo obtido o Mestrado em Teologia Bíblica, curso que foi feito parcialmente na Gregoriana e parcialmente no Pontifício Instituto Bíblico (= PIB).

Ao voltar ao Brasil, após algum tempo em minha cidade trabalhando como assessor exegético para a diocese, transferi-me em 1979 para Ribeirão Preto, SP, para lecionar na Faculdade de Teologia local e também na Faculdade de Teologia da PUC de Campinas, SP. Vivo em Brodowski, pequena cidade próxima a Ribeirão Preto. Dedico-me exclusivamente à Bíblia, e, de vários anos para cá, somente à Bíblia Hebraica.

JW: Thank you. Would you care to tell us how you became interested in academic study of the Bible?

AS: As causas mais remotas devem estar ligadas ao fato de eu ter crescido, no Brasil, em um ambiente no qual ocorreu intenso processo de reforma eclesial, desencadeado pelo Concílio Vaticano II e pela Conferência de Medellín, levando, como se sabe, à legitimação e ampliação da Teologia da Libertação. A conseqüente renovação dos estudos teológicos, os novos espaços conquistados pela Bíblia na liturgia, na catequese e na pastoral devem ter exercido forte influência em minhas escolhas. Pouco a pouco a Bíblia deixou, em minha juventude, de ser “coisa de protestante”, preconceito bastante difundido entre os católicos brasileiros da época, para ser, de novo, o livro da Igreja, de todas as igrejas cristãs.

A opção pelos estudos acadêmicos de Bíblia, porém, ocorreu, de maneira mais imediata, em Roma. Eu diria que fui influenciado especialmente por brilhantes colegas brasileiros que estudavam no PIB, e com os quais eu convivi no Colégio Pio Brasileiro, e por alguns professores da Gregoriana que me fizeram gostar de Bíblia, como G. Bernini de quem, se dizia, dormia com os livros de G. Von Rad debaixo do travesseiro…

E, que não me levem a mal os teólogos, mas fui influenciado até pelas atitudes autoritárias de alguns professores de Teologia — rigorosos jesuítas — que me desgostavam por defenderem, em minha opinião, certas idéias que tinham mais a ver com crença do que com ciência. Não sei bem porque, mas sempre vi os estudos bíblicos como mais científicos e objetivos do que outras áreas da Teologia. Embora, confesso ter ficado fascinado com as leituras de Küng, Moltmann, Metz, Rahner, Congar, Schillebeeckx, Gutiérrez, Boff…

Por outro lado, em meus devaneios de criança, olhando a paisagem do alto das montanhas da fazenda onde nasci — Minas Gerais é o mais montanhoso dos Estados brasileiros - eu me via realizado no dia em que fosse um cientista… Não ria! Sonhos de criança! Mas, voltando à realidade, na escola sempre gostei de História, Geografia, Línguas e Literatura. Li muito, desde cedo, desde os 4 anos de idade, por influência de minha avó materna, filha de uma professora famosa na região. Eu era “o bisneto da Professora” e devia, um dia, ser professor, diziam ao meu redor.

Em Roma, estudei em uma Universidade com colegas de umas 75 nacionalidades diferentes e com professores de uma dezena de países. Convivi com muitas línguas e culturas e com a História que transpira da própria cidade de Roma. Creio que os ingredientes para o estudo acadêmico da Bíblia já estavam de certo maneira à mão. Bastava que, no momento certo, fossem levados ao fogo. E foi o que ocorreu: em determinado momento eu tive a certeza de que queria ser um biblista pelo resto de minha vida.

JW: Why Hebrew Bible in particular?

AS: Na verdade, trabalhei um bom tempo com o Novo Testamento, estudando e lecionando especialmente o Evangelho de Marcos, as Cartas de Paulo e o Grego do NT. Tive a oportunidade de estudar com Jacques Dupont, por exemplo, o que me levou às parábolas e ao tema de minha Dissertação de Mestrado sobre Mt 25,1-13, com orientação do Professor Ugo Vanni.

Por outro lado, estava começando naqueles anos o uso cada vez mais persistente dos métodos sincrônicos nos estudos bíblicos, e eu me envolvi com estudos lingüísticos e literários de Saussure, Benveniste, Barthes, Greimas, Umberto Eco, Genette, Todorov e tantos outros que nem me arrisco a citar todos.

Além disso, motivado pela luta contra a ditadura militar que persistia no Brasil desde 1964, luta na qual a Igreja estava fortemente envolvida, embrenhei-me pelo marxismo e pela leitura sociológica da Bíblia. Na França saía, naquela época, a obra de Fernando Belo, na qual Marx e Marcos caminhavam lado a lado, numa mistura bastante exótica até de abordagem estruturalista de Barthes com o marxismo de Althusser e a psicanálise de Lacan. Esta obra, por exemplo, gerou grande entusiasmo entre os estudantes de Bíblia.

Apesar de tudo isso, desde a época de Roma eu era fascinado pela História do Antigo Oriente Médio e pela Literatura Profética. O já citado professor Bernini me ensinou a gostar de Jeremias, e no PIB estudei com Alonso Schökel, José Alberto Soggin, Ernst Vogt, Robert North, Rémi Lack e outros professores de Bíblia Hebraica. Se tento avaliar hoje mais corretamente as suas posturas, não creio que fossem hipercríticos — no PIB da época sempre se caminhava com independência, mas prudência — porém, eram mestres que nos incentivavam a encontrar nossos próprios caminhos. Isto tudo teve sua participação em minhas escolhas.

JW: As a scholar of the Bible, what drew you to “blogging” about it?

AS:Quando comecei a ler sistematicamente os biblioblogs de Mark Goodacre, James Davila e o seu, foi que surgiu a idéia de começar o meu próprio blog. Como tenho uma página dedicada a estudos acadêmicos de Bíblia desde 1999, percebi que um biblioblog poderia ser a solução para algumas coisas que estava querendo fazer com mais agilidade. Como, por exemplo, ter um espaço mais flexível para comentar a relação da Bíblia com o mundo atual, acompanhar o debate acadêmico sobre a “História de Israel”, noticiar descobertas arqueológicas importantes e/ou polêmicas, transmitir em português para meus visitantes - que nem sempre lêem inglês ou alemão - os temas mais significativos do debate bíblico atual, estabelecer contato com outros biblioblogueiros, comentar os atuais conflitos do Oriente Médio.

Assim, quando acompanhei, através dos biblioblogs, o debate de 2005 na SBL CARG - The Pleasures, Pains and Prospects for Biblioblogging — vi que era chegada a hora: o Observatório Bíblico foi criado no dia 07/12/2005 e neste dia escrevi: “Este biblioblog é uma ferramenta jornalística associada ao meu site, do qual faz parte. Quer oferecer ao visitante comentários recentes sobre as interpretações arqueológicas, históricas e exegéticas relevantes para o estudo da Bíblia (…) Para ficar sabendo o que está acontecendo no mundo dos estudos bíblicos, venha visitar, com freqüência, o Observatório Bíblico”.

JW: Do you think that blogging will continue to be an important instrument for scholarly work?

AS: Esta não é um pergunta fácil de ser respondida, pois implica em apostar em desconhecido futuro. Mas, em princípio, minha resposta é positiva. E cheia de esperanças. Acredito que este seja um espaço privilegiado para um debate aberto e franco sobre o trabalho acadêmico, desde que não seja um substitutivo do mesmo.

Percebo, contudo, vários riscos no blogar: pode tornar-se uma espécie de vício para quem gosta de escrever, tomando precioso tempo que poderia ser dedicado à leitura de livros e artigos e à pesquisa exegética, já que um computador ligado o tempo todo na Internet é uma séria ameaça a muitas outras atividades, porque é, de fato, muito envolvente; pode substituir as páginas tradicionais na web, coisa que eu não gostaria de fazer com a minha, porque creio que aquele é um espaço que possibilita maior profundidade acadêmica; de repente, todos nós podemos estar muito ocupados escrevendo sobre as mesmas coisas, sem acrescentar muita coisa ao conhecimento humano; podemos ficar envolvidos na leitura de feeds por várias horas diárias… e há mais riscos.

Mesmo assim, acredito que, sendo criteriosos, temos uma formidável ferramenta ao nosso alcance, coisa jamais sonhada quando eu era um estudante em Roma e lutava com uma máquina de escrever manual para fazer meus trabalhos que só eram acessíveis a dois ou três amigos. Um blog é uma ferramenta democrática.

JW: What sort of blogs do you make use of yourself?

AS: Principalmente biblioblogs. Uma parte está em meu blogroll, mas há mais biblioblogs em meu leitor de feeds. Consulto também alguns blogs de grandes jornais de alguns países e blogs de TI.

JW: Your blog always contains a variety of interesting pieces. You have wide ranging interests. Do you think the Bible has relevance for today or is it simply a collection of ancient documents of interest only to antiquarians?

AS: Vejo que, na leitura da Bíblia aqui no Brasil, há duas tendências: uma, que faz da leitura bíblica um instrumento para incentivar a organização popular e a consciência crítica, mas não pára na Bíblia e sim desemboca na vida; outra que produz uma reificação da Bíblia, conduzindo a uma espécie de “sionismo cristão”, tendo como meta a Igreja, na reestruturação de uma neocristandade. Estou com a primeira tendência: sempre defendi que a Bíblia tem relevância para o mundo atual.

Porém, a leitura bíblica quando aplicada à realidade atual pode ser por demais genérica, privilegiando uma linguagem utópica e encontrando sensíveis dificuldades em fazer a passagem dos princípios éticos para propostas políticas concretas. Tal leitura tende a fazer da política objeto de crença, e isto é muito ruim. Estas dificuldades, entretanto, podem ser enfrentadas com o uso de instrumentos sócio-analíticos válidos, tanto na leitura da Bíblia quanto na leitura da realidade social atual. Enquanto a leitura histórico-crítica ajuda a desvendar melhor o próprio texto da Bíblia, a mediação sócio-analítica ajuda a compreender melhor o contexto. Donde a pertinência de uma abordagem sociológica.

JW: If you had to restrict your blogging to either Hebrew Bible related items or to current events, which would you choose, and why?

AS: Coerente com minhas convicções, eu não faria essa escolha, ou a Bíblia ou a realidade atual. Isto por várias razões, das quais cito três:

1) A permanência só na Bíblia a absolutiza e a torna vítima das atrações do populismo, um fenômeno muito forte no Brasil. Explico: na medida em que as igrejas dão voz e vez ao povo através da intervenção da consciência crítica hierarquizada e institucionalizada, elas se legitimam em sua prática pelo processo de identificação do “povo brasileiro” com o “povo de Deus”. Esta atitude é semelhante à do populismo político brasileiro que explora a idéia de unidade nacional para manter o domínio das elites sobre as classes populares. Os dois jogos se completam e se amparam na relação entre o político e o religioso. Esta atitude soteriológica tem suas regras: cada ato humano, mais ou menos político, pouco importa, é transfigurado pela leitura teológica que o insere no plano divino global de salvação do homem. De certo modo, as igrejas recriam a sociedade brasileira mediante o filtro teológico. E é aí que aparece o papel da Bíblia: ela é usada pelas igrejas como “chave sagrada” para entrar na consciência do povo e lhe dar a medida da realidade. Repito o que disse acima: este processo é muito ruim, pois estamos lidando com um jogo invertido, já que não há real interesse em transformar as estruturas sociais em benefício do povo, mas sim em salvaguardar os privilégios das igrejas. No Brasil atual temos muita religião e pouca fé…

2) A segunda razão é, para mim, evidente: o estudioso do mundo bíblico não pode ficar alheio aos graves conflitos que acontecem hoje no mundo. É espantoso que um biblista consiga “tirar água de pedra” quando está analisando um texto bíblico, mas seja incapaz de sair de sua “torre de marfim” para a “torre de Babel” do mundo atual e dialogar com a pluralidade das culturas e das linguagens. No caso dos atuais conflitos do Oriente Médio, o silêncio dos biblistas sobre o que acontece ali é o resultado de uma cumplicidade com aqueles que estão matando multidões de seres humanos para sustentar os excessos do consumismo capitalista. O biblista é um privilegiado por sua formação e pelos instrumentos de análise ao seu alcance: como ele pode viver no mundo atual como se ele não existisse? Não vejo inocentes nesta situação…

3) Por último eu diria que quatro elementos devem ser levados em conta em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional: a. os contextos da época bíblica; b. a produção dos textos bíblicos; c. os contextos atuais; d. os leitores atuais dos textos. O sentido da Bíblia, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos. Ou seja: da Bíblia não devemos esperar fórmulas a copiar ou técnicas a aplicar, mas o que ela pode nos oferecer é o que eu chamaria de “competência hermenêutica”, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos as situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados.

JW: Your blog is in Portuguese. Do you have any plans on expanding to a bilingual edition?

AS: Isto é uma limitação, pois o português é pouco conhecido, enquanto o inglês é a “língua geral” do mundo atual. Porém não tenho, por enquanto, planos de fazer uma edição bilíngüe, já que isto aumentaria meu trabalho de maneira significativa. Mas não descarto a hipótese. Um dia, quem sabe…

JW: I’d like to change subjects now. What do you do for fun? What are your hobbies outside academic interests?

AS: Como é costume no Brasil, jogava futebol quando estudante. Nos tempos de Roma estudei alguns anos de violão clássico, mas hoje não me dedico mais, só aprecio a boa música. Gosto de ouvir os clássicos e o jazz. Descanso lendo literatura e, por incrível que isso possa parecer, física relativista e quântica, pelo menos em nível de divulgação, já que não tenho estudos superiores nesta área. Admiro Einstein acima de tudo e gosto de cosmologia. Gosto de Fórmula 1 e sou um fã incondicional de Ayrton Senna. Mas o que mais gosto é das montanhas de Minas Gerais, onde costumo me refugiar quando em férias.

JW: What one thing about you might our readers find unusual or particularly interesting?

AS: Quando estudante em Roma, passava parte de minhas ferias de verão na Alemanha, trabalhando na Daimler-Benz em Sindelfingen, a atual DaimlerChrysler, e isto foi uma experiência diferente: morar em uma família alemã em Böblingen, de cultura e costumes tão diferentes, trabalhar em uma fábrica de mais de 30 mil operários me ajudou a entender “outros mundos”. E para terminar: meu maior sonho como biblista é um dia escrever um comentário a Jeremias, meu profeta preferido.

JW: Professor, thank you for your time. Your blog is highly informative and we thank you for it.

AS: Foi uma honra. Obrigado por esta entrevista em setembro, nosso Mês da Bíblia, em homenagem a São Jerônimo, o Homem da Bíblia, falecido em Belém em 30 de setembro de 420 aproximadamente.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Jim Davila fala sobre os biblioblogs no século XXI

Este é o texto da palestra de Jim Davila, do PaleoJudaica, a ser apresentada no dia 22 próximo, no Congresso de 2010 da SBL - Society of Biblical Literature -, que acontece em Atlanta, Georgia, USA, de 20 a 23 deste mês de novembro.

Seu tema: A ascensão do biblioblogar na primeira década do século XXI: What Just Happened: The rise of "biblioblogging" in the first decade of the twenty-first century

© James R. Davila, University of St. Andrews

2010 Annual Meeting of the Society of Biblical Literature in Atlanta

S22-209 SBL Blogger and Online Publication Section


Destaco alguns pontos, usando suas próprias palavras, intercaladas, às vezes, com acréscimos meus:

:: This paper "concerns the rise and development of 'biblioblogging' or blogging devoted to the area of academic biblical studies. Many aspects of this topic were treated in my two earlier papers [on biblioblogging published in 2005: here and here] and I have made some effort here to avoid overlapping with them (...) I will begin with some brief background notes on the rise of computer and Internet applications to biblical studies, then say a few words about the rise of biblioblogging, and then draw on the predictions I made in 2005 as a launching point for discussing further developments over the last five years".

:: Após descrever o surgimento de várias listas de discussão dedicadas a temas acadêmicos do mundo bíblico, especialmente na década de 90 do século XX, Jim Davila conclui: "The 1990s were a heady era in which we learned to take for granted that we could trade notes to colleagues around the world anywhere, anytime, at the speed of light. And so the stage was set for the blog".

:: Em seguida ele explica que "the advent of the 'biblioblog,' a blog with a substantial amount of content on academic biblical studies, came either with PaleoJudaica [March 2003] or with New Testament scholar AKMA Adam's more diary-style blog, AKMA's Random Thoughts, in January of 2002".

:: Falando sobre o crescente número de biblioblogs que apareceu nos anos seguintes, diz de uma de suas projeções: "One prediction was (in late November of 2005) that over the next couple of years the exponential increase in the number of biblioblogs would continue. At the time I was aware of thirty more biblioblogs, making the total close to fifty. Exponential growth would then produce about 100 at the beginning of 2007 and 200 at the beginning of 2008. Statistics have been hard to come by, but I have located one supposedly comprehensive list of biblioblogs in September of 2009 which named 362 blogs 'which deal primarily with matters concerning scholarly or academic biblical studies' and another 262 'which have a different primary focus (e.g. theology, ancient Near Eastern archaeology, devotional and homiletic approaches to the Bible) or are commercial rather than personal blogs – yet which contain some biblical studies material.' PaleoJudaica is listed in the first category, although I don't really think of it as dealing primarily with the Bible. This gives us a total of 585 blogs that have at least some academic Bible-related content [O meu biblioblog, Observatório Bíblico, foi criado no dia 7 de dezembro de 2005. Sobre as listas de biblioblogs, veja também aqui].

:: Após falar de outras projeções, Jim Davila começa a tratar da contribuição dos biblioblogs para a área dos estudos bíblicos. São seis itens, aqui citados de modo esquemático, mas ele sempre dá exemplos:

. "First, it has made possible the rapid dissemination of information on new discoveries and other matters of interest – as well as dissemination of accessible specialist commentary on such matters – to a vastly enlarged audience" (...)
. "Second, blogging helps to put a personal face on biblical scholarship by allowing scholars to speak with an informal public voice different from the voice of academic publication" (...)
. "Third, blogging encourages biblical scholars to interact publicly with popular culture" (...)
. "Fourth, blogging has also generated some interesting discussions and controversies within the field and its professional organizations" (...)
. "Fifth, a new development, and a sign of the times, is that blogging has helped scholars to mobilize in support of their colleagues in an era of job cuts and financially threatened departments" (...)
. "Sixth and finally, I think it is fair to say that biblioblogging has contributed at least a little to the accelerating erosion of the authority of the mainstream media" (...)

Assim Jim Davila conclui sua exposição:

:: "To conclude, blogging has found a solid niche in academic biblical studies in the first decade of the twenty-first century. It has enriched the field in numerous ways and its expansion over the decade has been exponential, at least until recently. Moreover, the contributions of blogging have been amplified rather than diluted by the advent in recent years of additional new media such as Facebook, Twitter, and podcasts. All three are routinely used in synergy with blogs and I believe, although I cannot prove statistically, that dissemination of blog posts through these other media routinely increases blog traffic rather than reducing it. We are nowhere near a zero-sum game within the new media. And all indicators are that biblioblogging will be with biblical studies for a long time to come".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Como encontrar livros e artigos online

Leia no blog Tyndale Tech:

Finding and Reading Online Books & Periodicals

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Roland Boer: considerações sobre o debate Lemche-Avalos

O debate entre Lemche e Avalos sobre a relevância ou não dos estudos bíblicos na atualidade, mencionado aqui no blog, continua.

Agora, com a contribuição de Roland Boer, na mesma The Bible and Interpretation, em novembro, com o ensaio:

Elitism, Colonialism, and the Independence of Biblical Studies: Reflections on the Lemche-Avalos Debate

Roland Boer é o organizador do livro Secularism and Biblical Studies. London: Equinox Publishing, 2010, 224 p. - ISBN 9781845533755, que reacendeu o debate.

Ele diz:
Lemche asserts, without evidence, that the Bible is increasingly important in our modern world. Avalos, by contrast, is caught: on the one hand, he argues that the Bible is increasingly irrelevant, but on the other, he argues that the Bible is a dangerous book, so much so that its influence should be eliminated from our world. Both are correct, but not in ways they would expect.

Sobre o Congresso Continental de Teologia em 2012

Leio no Blog do IHU em 17 de novembro de 2010: Adital e IHU discutindo o Congresso Continental de Teologia

Leia também em Notícias: IHU On-Line, de 27/08/2010: Congresso Latino-Americano de Teologia: uma análise da situação sociorreligiosa-eclesial atual. Entrevista especial com Agenor Brighenti


Leia Mais:
Congresso Continental de Teologia em 2012

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Download de livros de Bíblia no Projeto ICI da SBL

Se você lê inglês e vive em um destes países, poderá fazer o download gratuito de vários livros interessantes sobre Bíblia, em formato PDF, clicando aqui.

Veja a lista de livros disponíveis para download gratuito.

Você pode também fazer o download gratuito do importante e valioso JBL - Journal of Biblical Literature. Clique aqui.

Diz a SBL:
Welcome to the International Cooperation Initiative (ICI) Online Books page. This ICI project provides free online PDF files to scholars and students who would not otherwise have access to these resources. In addition to books published by SBL, resources from our partners Brown Judaic Studies, Catholic Biblical Association, and Sheffield Phoenix Press are also accessible. SBL invites other academic publishers to join this expanding list. Persons who are identified through our technology as being from a country with a GDP per capita substantially lower than the average GDP per capita of the USA and the European Union will be able to see links below to the publishers and the PDF publications.

domingo, 7 de novembro de 2010

Páginas mais visualizadas em outubro de 2010

Segundo o Google Analytics, as 10 páginas da Ayrton's Biblical Page mais visualizadas durante o mês de outubro de 2010 foram as seguintes:

1. A História de Israel no debate atual
2. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - Durkheim propõe uma teoria do fato social
3. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - A sociologia compreensiva
4. História de Israel: Sumário
5. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento - O Positivismo de Comte e Durkheim e a Crítica Marxista
6. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias
7. Grego Bíblico
8. Ler a Bíblia no Brasil hoje
9. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías
10. Noções de Hebraico Bíblico

Compare com o mês de setembro de 2010.

Posts mais visualizados em outubro de 2010

Segundo o Google Analytics, os 10 posts do Observatório Bíblico mais visualizados durante o mês de outubro de 2010 foram os seguintes:

1. airtonjo's tweetbook
2. Jesus morreu na sexta-feira, 7 de abril de 30, quando tinha cerca de 36 anos de idade
3. Ressentimento disfarçado em indignação moral
4. Mês da Bíblia 2010: o livro de Jonas
5. Eleições 2010: como votar?
6. Dois estudos sobre o profeta Jeremias
7. Os fundamentalismos e as eleições de 2010
8. Leonardo Boff critica recuo de Clodovis Boff
9. Ouvir, Ler e Escrever: o curso de Língua Hebraica Bíblica
10. Entrevista com Johan Konings sobre o Sínodo

Compare com o mês de setembro de 2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tim Bulkeley: estudos bíblicos, uma disciplina dividida

O debate entre Lemche e Avalos sobre a relevância ou não dos estudos bíblicos na atualidade, mencionado aqui no blog, continua.

Agora, com a contribuição de Tim Bulkeley, na mesma The Bible and Interpretation, em novembro, com o ensaio:

The End of Scripture and/or Biblical Studies


Seu parágrafo final diz:
What is needed is a frank recognition that there are two (related but different) disciplines studying the biblical texts. Then their practitioners need to identify more clearly what they do similarly and what they do differently. In such an environment, discussion of whether any, all, or no religious study of Scripture is scholarly might be possible without a slinging match. But that, of course, is not the world we live in, so we will no doubt continue to read abusive missives aimed from one set of trenches to another in the religious, as in the historical, wars.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

BiblioblogNED Top 30 - Outubro de 2010

Para conhecer os 30 biblioblogs em neerlandês mais acessados em outubro de 2010, visite:

BiblioblogNED Top 30 - maandag 1 november 2010

Biblical Studies Carnival - Outubro de 2010

Oktoberfest Biblical Studies Blog Carnival Extravaganza!

Seleção de algumas postagens em inglês, consideradas as melhores de outubro de 2010.

Trabalho feito por Jonathan Robinson em seu biblioblog Xenos ou ξἐνος.

Biblioblog Top 50 - Outubro de 2010

Esta é a lista dos 50 biblioblogs mais frequentados no mês de outubro de 2010:

October Biblioblog Rankings

Publicada por Jeremy Thompson em Free Old Testament Audio Website Blog.

Observatório Bíblico é o #13.

Presidente Dilma

Dilma Rousseff, eleita Presidente da República, em 31.10.2010

Sobre as eleições de 2010:
:: Siga-me no Twitter - http://twitter.com/airtonjo
:: airtonjo's tweetbook - link na coluna direita (sidebar) do blog

domingo, 31 de outubro de 2010

Avalos para Lemche: os estudos bíblicos devem mudar

Na revista online The Bible and Interpretation, neste mês de outubro, Niels Peter Lemche argumenta que os estudos bíblicos são necessários, respondendo a Hector Avalos O fim dos estudos bíblicos como uma obrigação moral.

Na mesma revista, Avalos retruca: I want to end THE WAY the Bible is studied. Ou seja, o que Avalos propõe é acabar com a maneira como a Bíblia é estudada hoje, não com todo e qualquer estudo da Bíblia.

"In my vision, the study of the Bible would simply be undertaken in the same way we study Homer’s Iliad, and nothing more", diz Avalos.

Leia o ensaio To What End? A Response to Niels Peter Lemche

Lembro ao leitor brasileiro que este problema - discutir a relevância de um texto religioso em uma sociedade secularizada - me parece muito mais europeu e/ou norte-americano do que brasileiro. Por enquanto...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

J. Alberto Soggin: 1926-2010

Morreu na quarta-feira, 27 de outubro de 2010, um dos mais interessantes professores com quem estudei no Pontifício Instituto Bíblico de Roma: J. Alberto Soggin.

Possuidor de uma enorme cultura, ele era um brilhante estudioso da Bíblia. Com ele trabalhei temas como as tradições patriarcais no Gênesis e os Cantos do Servo de Iahweh no Dêutero-Isaías.

No site do PIB, leio:

Prof. Alberto SOGGIN (1926-2010)

Il 27 ottobre 2010 è deceduto a Roma all’età di 84 anni, il Prof. Alberto SOGGIN, pastore della chiesa valdese.


Professore di Antico Testamento alla Facoltà Valdese di Teologia di Roma e di lingua e letteratura ebraica all’Università di Roma «La Sapienza», era stato professore invitato all’Istituto Biblico dal 1970 al 1999.

Aveva concluso la sua collaborazione con l’Istituto il 13 novembre 1999 con una conferenza pubblica (http://www.biblico.it/doc-vari/conferenza_soggin.html). In quella occasione il Decano della Facoltà Biblica, P. Stephen Pisano, presentò la collaborazione del prof. Soggin con il Biblico con queste parole:


Il Professore Soggin ha cominciato la sua collaborazione con noi nel 1970-71 con un corso sull’Introduzione al Pentateuco. E da quel momento, fino all’anno accademico scorso [1998-99], ha insegnato ben 27 corsi semestrali all’Istituto. Se si guardano i titoli dei vari corsi si può avere un’idea della grande varietà dei suoi interessi accademici, sempre nel campo dell’esegesi dell’Antico Testamento e della Storia d’Israele. Fra i suoi corsi tenuti al Biblico si trovano: «Le tradizioni su Abramo», «Introduzione ai Profeti d’Israele prima dell’Esilio», «Osservazioni sui testi del Servo di Jahwe nel Deutero- e nel Trito-Isaia», «Introduzione alle origini d’Israele», «Esegesi del libro dei Giudici», «Il profeta Amos» solo per menzionare alcuni dei temi trattati da lui in questi ultimi quasi trent’anni.


La sua gentile e competente collaborazione non si è però fermata solo al livello dell’insegnamento. Ha sempre partecipato attivamente alla vita accademica e sociale dell’Istituto. È stato uno dei più fedeli partecipanti al raduno annuale dei professori alla fine di quasi ogni anno accademico, e la sua presenza lì, spesso accompagnata dalla gentile Signora Soggin, ci ha dato l’occasione di uno scambio professionale e fraterno. La sua presenza tra noi e questo scambio hanno sempre significato per l’Istituto anche un contatto e un dialogo con la grande tradizione valdese.

Leia mais sobre Soggin no biblioblog de John F. Hobbins, que conviveu com ele bem mais do que eu: In Memoriam Jan Alberto Soggin (1926-2010). E no blog de Jim West: J. Alberto Soggin has Died e The Memorial Service for Jan Alberto Soggin.

Veja uma lista de algumas das publicações de J. Alberto Soggin aqui.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por que a Folha precisa do processo contra Dilma?

Reproduzo, na íntegra, o artigo de Carta Maior, publicado hoje, 28/10/2010. É indispensável uma leitura atenta.


Amicus Curiae Virtual - A ação cautelar da Folha de S.Paulo

Com indisfarçável interesse de interferir no processo eleitoral, a Folha de S.Paulo ajuizou uma ação cautelar no STF para ter acesso ao processo que a ditadura militar moveu contra Dilma Rousseff. A Carta Maior (cujo nome é inspirado, justamente, na Constituição Federal do Brasil) abriu o espaço para que um amigo da Corte (figura rotineira em nosso sistema jurídico) possa expor a verdadeira intenção da Folha, aliada à falta de fundamento legal de sua pretensão. Entre fraudar o processo eleitoral e expor desnecessariamente a cidadã Dilma ou “dar um novo xerox” à Folha, não se pode ter dúvidas: preserva-se o processo democrático e a pessoa humana. O artigo é do advogado Márcio Mello Casado.

Márcio Mello Casado( *)

A Folha de São Paulo ajuizou em 25 de outubro de 2010 uma ação cautelar no Supremo Tribunal Federal (nº 2727), cuja intenção é obter o acesso às cópias do processo penal número 366/70, no Superior Tribunal Militar, em que foi ré a candidata Dilma Roussef.

A Ação cautelar foi distribuída à Ministra Cármen Lúcia. Ao receber o processo, ela determinou que fosse ouvido o Presidente do Superior Tribunal Militar, bem como que a Folha juntasse cópias do recurso extraordinário que citava no corpo da petição inicial.

O Presidente do Superior Tribunal Militar e a Folha atenderam aos pedidos da Ministra e a cautelar, neste momento, está nas mãos dela e pode ser despachada a qualquer momento.

POR QUE A FOLHA, NA ANTE-SALA DO VOTO, QUER TRAZER DE VOLTA AO DEBATE O PROCESSO IMPOSTO PELA DITADURA MILITAR CONTRA A CANDIDATA DILMA ROUSSEFF?

Carta Maior, cujo nome é inspirado justamente na Constituição Federal do país, abriu espaço para que um Amicus Curiae – um amigo do tribunal ou, em termos literais, um amigo da corte - possa expor a verdadeiro objetivo desta ação, aliado à falta de fundamento legal para o seu pleito.

A figura do amicus curiae, o amigo do Tribunal, tornou-se rotineira no sistema jurídico através da Lei 9.868/99, art. 7º, Parágrafo 2º (O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou entidades).

Em uma medida cautelar como a que a Folha ingressou, o amicus curiae formal, dificilmente seria aceito, visto que a admissão dele estaria vinculada às Ações Direta de Inconstitucionalidade e Declaratória de Constitucionalidade.

No entanto, um amigo do Tribunal, alguém que tenha interesse em informá-lo e, porque não, também à sociedade, pode fazê-lo fora dos autos.

Desorganização ou má intenção?

A Folha está preocupada em informar o cidadão brasileiro sobre a vida e a militância da candidata Dilma Rousseff durante a ditadura militar. Tais informações, segundo alega, somente podem ser obtidas por meio do acesso aos arquivos que estão no Superior Tribunal Militar.

Há, aí, desde logo, um problema ético. A atuação da candidata Dilma Rousseff durante a ditadura não pode ser medida pela régua de um processo dirigido pela supremacia do torturador sobre a vítima indefesa.

Qualquer informação contida nestes arquivos estará parcial ou, mais provavelmente, contaminada na íntegra por esse indutor de violência conhecida e comprovada. Ademais, qualquer condenação que tenha sido imposta à candidata Dilma, por um Estado de Exceção, foi acobertada pela Lei da Anistia.

Mas a Folha está preocupada em informar o cidadão brasileiro, o que, além de louvável, não deixa de ser uma surpresa. Justo neste momento, a Folha resolveu colocar-se como defensora da liberdade de imprensa e reputa como de indiscutível interesse público informações contidas em um processo penal dirigido e com provas obtidas pelas mãos e métodos criminosos.

Ressalvadas as deformidades das informações aí contidas, é evidente, no entanto, que se trata de documento –até para a ilustração do regime que o promoveu-- dotado de algum interesse histórico. O acesso a ele deveria ser franqueado a todos, assim como todos os arquivos da época da ditadura deveriam ser abertos ao público, que tem o direito à memória e à história da sociedade em que vive.

Visto desse ângulo, teria pertinência o pedido da a Folha de acesso aos autos, justo neste momento?

A resposta é não, por dois motivos:

a) em primeiro lugar porque ela já obteve o que reivindica. Em 12 de Marco 2009, por meio da jornalista Fernanda Odilla, o jornal já extraiu cópias do processo em questão;

b) sobretudo, porém, não há interesse público algum neste material datado e induzido pelo regime de exceção, no momento. Exceto o interesse unilateral da Folha e, eventualmente, o da própria candidata Dilma Rousseff que, todavia, jamais se manifestou nesse sentido.

Há, no entanto, circunstâncias antecedentes que autorizam suspeitar das motivações mais profundas que orientam o pleito do veículo paulista.

A Folha, em 2009, produziu a matéria intitulada: “Grupo de Dilma planejava seqüestrar Delfim”. Esta matéria foi rechaçada, de forma veemente, pelo jornalista Antonio Roberto Espinosa (http://www.torturanuncamais-rj.org.br/noticias.asp?Codnoticia=214&ecg).

Ou seja, quando teve acesso aos documentos do processo da candidata Dilma, a Folha já fez deles um uso distorcido que reforçam as suspeitas em torno dessa segunda investida, em curso há dois meses.

A verdade é que os reais interesses que movem a Folha não são pautados pelo interesse público. A Folha deseja, como já o fez, elaborar matéria depreciativa, partindo de dados (que já tem, porém legitimados pela autorização desta Corte) produzidos há quarenta anos por métodos e motivações de um regime de exceção instruído com elementos de prova produzidos por criminosos travestidos de agentes do Estado.

Interesses individuais foram argüidos pelo STM ao negar o novo acesso, no meio da campanha eleitoral. Entretanto, estes são os direitos mais caros aos cidadãos e que são os pilares de uma democracia: privacidade, dignidade da pessoa humana, honra e imagem. Ou um candidato à Presidência da República não pode ter tais direitos preservados? Evidente que sim. A candidata Dilma é, antes, a pessoa humana Dilma.

Ela estava no Brasil, lutando pela democracia. Foi perseguida, presa, torturada e processada por seus algozes. A Folha quer agora surfar eleitoralmente nos resultados de um processo violento pautado pelo pau-de-arara, choques e agressões morais.

A Folha jamais poderá ter acesso a tais documentos? Estamos convencidos que o acesso deve ser franqueado; a Folha pode produzir a matéria que bem entender sobre a candidata Dilma ou qualquer outro candidato. Mas, neste momento, o que está sendo chamado de liberdade de imprensa serve justamente para fraudar o processo da liberdade democrático em um de seus mais sagrados momentos: o voto universal dos brasileiros e brasileiras.

Sejamos francos, a Folha tem os documentos do processo. Certamente, não os perdeu. Deseja novas cópias para esquentar e legitimar a matéria já citada que, no ano passado, foi ridicularizada pela opinião política do país.

Nem a revista Veja, que pediu cópia do mesmo processo, em 26 de fevereiro de 2010, por meio do repórter Luiz Otávio Bueno Cabral, teve coragem de prosseguir na empresa de violar a vida privada, a intimidade, a honra e a imagem da candidata Dilma.

Dentro de uma idéia de proporcionalidade e choque de interesses, todos protegidos pela Constituição Federal (liberdade de imprensa, dignidade da pessoa humana e liberdades individuais), neste momento, parece-nos que liberar para cópias um processo penal, cuja processada já foi anistiada, é subverter a Carta Maior. Depois de publicada a matéria, nenhuma Ação de Indenização será capaz de restabelecer não só a honra da candidata, mas o processo eleitoral que pode restar irremediavelmente viciado. Tais riscos, certamente, estão acima dos interesses INDIVIDUAIS da Folha.

Não cabe a Cautelar no STF

Do ponto de vista processual, a cautelar apresentada pela Folha não é cabível. E quem afirma isto é o próprio Supremo Tribunal Federal, em inúmeros julgados anteriores, que culminaram na edição das súmulas 634 e 635, as quais, expressamente, determinam, sucessivamente: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem” e “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade”.

Ademais, o próprio recurso extraordinário apresentado pela Folha é completamente vazio de fundamento, eis que se opõe a pedido de vistas, regimentalmente previsto no STM. O mérito do mandado de segurança da Folha ainda não foi decidido. Haverá supressão de um grau de jurisdição se a cautelar pretendida pela Folha for concedida.

Qualquer medida cautelar necessita, para sua concessão, além de fumaça de um bom direito (e aqui não há nenhuma) do denominado perigo na demora. O caso em exame traz um pedido da Folha para ter acesso a fatos ocorridos há quarenta anos atrás, aos quais –repetimos-- ela já teve acesso; quer agora usar esta Corte para legitimar o que já possui! Pior, são fatos, do ponto de vista do Estado Democrático de Direito, não mais relevantes, visto que a eventual condenação foi objeto de anistia.

Conclusão

Entre fraudar o processo eleitoral e expor desnecessariamente a cidadã Dilma Rousseff ou “dar um novo xerox” à Folha , que almeja um endosso desta Corte para seus objetivos escusos, não se pode ter dúvidas: preserva-se o processo democrático e a pessoa humana.

(*) Advogado. Mestre em Direito PUC/SP. Doutorando em Direito PUC/SP