segunda-feira, 20 de abril de 2009

O show do eu: só existe quem é visto?

Essas produções [os blogs e similares] estão aí na maioria dos casos para ornamentar o “eu” do autor [sublinhado meu].

A inquietação inicial, que motivou a escrita deste livro foi o surgimento dos blogs [sublinhado meu]...

Maria Paula Sibilia, argentina, está se referindo ao seu livro: O Show do Eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, 288 p. - ISBN 9788520921296.

Leia três entrevistas da autora em Notícias - IHU On-Line:

:: Paula Sibilia: “Antes o íntimo era secreto, agora se torna público na Internet” - 24/09/2008
:: Show do eu: a vitrine da própria personalidade - 23/11/2008
:: Facebook, MySpace, Orkut e Twitter. ''Só é o que se vê'' - 19/04/2009

Diz, por exemplo, na entrevista mais recente, publicada ontem:
Se quisermos “ser alguém”, precisamos exibir permanentemente aquilo que supostamente somos. Nos últimos anos, portanto, têm cristalizado uma série de transformações profundas nas crenças e valores em que nossos modos de vida se baseiam, e a “espetacularização do eu” faz parte dessa trama.

E:

Porque na atual “sociedade do espetáculo” só é o que se vê. Portanto, se algo (ou alguém) não se expõe nas telas globais, se não está à vista de todos — sob os flashes dos paparazzi ou, pelo menos, sob a lente de uma modesta webcam caseira —, então nada garante que realmente exista. Esses são os valores que têm se desenvolvido intensamente nos últimos tempos, uma época na qual, por diversos motivos, se enfraqueceram as nossas crenças em tudo aquilo que não se vê, em tudo aquilo que permanece oculto.

Ora, o livro eu não li, só ontem tomei conhecimento de sua existência. Mas as entrevistas, apesar de colocarem o problema, me parecem ser frágeis nas explicações das razões sociais desta inegável realidade. Gostaria de ver o tema tratado com mais profundidade. No livro, talvez?

Mas, de alguma maneira, aí cabem também os biblioblogs e os biblistas que os produzem? Ou não?

O que você acha?

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