sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O hábito da vigilância hermenêutica: métodos

A Introdução à S. Escritura compreende 2 horas semanais, no primeiro semestre de Teologia. Mais do que estudar o surgimento e o conteúdo dos vários livros bíblicos, a disciplina é voltada para a compreensão/apreensão de alguns métodos de leitura dos textos bíblicos. Esta opção se justifica, pois a introdução a cada um dos livros é feita a partir das disciplinas que abordam áreas específicas da Bíblia ao longo do curso de Teologia.

Um dos problemas típicos desta disciplina é a carga horária exígua que lhe é, em geral, atribuída. Até porque, ao tomar contato com a moderna metodologia de abordagem dos textos bíblicos, a desmontagem de noções ingênuas adquiridas na educação anterior e a dificuldade em abandonar certezas que beiram o fundamentalismo requerem tempo e paciência. Além disso, conseguir a convivência da criticidade que se vai progressivamente adquirindo em sala de aula com as necessidades pastorais dos envolvidos no processo de aprendizagem, exige a construção de uma linguagem hermenêutica adequada, outra questão espinhosa.

Por isso, uma tarefa que se impõe a quem se envereda por esse caminho, é a comparação e o confronto da teoria exegética crítica com as leituras cotidianas e costumeiras da Bíblia. Isto é feito pelos alunos, que coletam e analisam os dados necessários.

Costumo orientar este processo através de uma série de questões que são propostas para a análise de uma leitura bíblica feita no ambiente pastoral dos estudantes.

I. Ementa
A disciplina privilegia o nascimento e a estruturação dos vários métodos de leitura da Sagrada Escritura, especialmente os modernos métodos histórico-críticos, sócio-antropológicos e populares.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno a visualização das diversas problemáticas envolvidas na abordagem dos textos bíblicos no contexto e no pensamento contemporâneos.

III. Conteúdo Programático

1. A leitura histórico-crítica
  • A crítica textual
  • A crítica literária
  • A crítica das formas
  • A história da redação
  • A história da tradição
2. A leitura sócio-antropológica
  • Por que uma leitura sócio-antropológica da Bíblia?
  • Origem e características do discurso sociológico
  • Origem e características do discurso antropológico
  • A Bíblia e a leitura sócio-antropológica
  • Algumas dificuldades da leitura sócio-antropológica
3. A leitura popular
  • Ler a vida com a ajuda da Bíblia
  • A opção pelos pobres
  • Da Bíblia à Sociedade: passagem para o Político
4. Oficina bíblica: leitura de textos selecionados
  • Mc 6,30-44: a primeira multiplicação dos pães
  • Lc 3,21-22: o batismo de Jesus
  • Mt 2,1-12: a visita dos magos
  • Jo 2,1-12: as bodas de Caná
IV. Bibliografia
Básica
DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. - ISBN 9788515033072.

MESTERS, C. Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999, 206 p.

ZENGER, E. et al. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003, 560 p. - ISBN 9788515023288.

Complementar
ALMADA, S. (org.) Interpretação Bíblica em Busca de Sentido e Compromisso. Diversas aproximações ao texto de Lucas 1-2: Caleidoscópio de métodos, exegese e hermenêutica. RIBLA, Petrópolis, n. 53, 2006/1.

BUSHELL, M. BibleWorks 8. Norfolk, VA: BibleWorks, 2008 (software para o estudo da Bíblia). Acesso em: 04 fevereiro 2009.

CARTER, C. E.; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology: Social-Scientific Approaches to the Hebrew Bible. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1996, 574 p. - ISBN 9781575060057.

CHALCRAFT, D. J. (ed.) Social-Scientific Old Testament Criticism. London: T & T Clark, 2006, 400 p. - ISBN 9780567040848

DA SILVA, A. J. A visita dos magos: Mt 2,1-12. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica da Bíblia Hebraica. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica do Novo Testamento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Notas sobre alguns aspectos da leitura da Bíblia no Brasil hoje. REB, Petrópolis, v. 50, n. 197, p. 117-137, mar. 1990. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Por que milagres? O caso da multiplicação dos pães. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 22, 1989, p. 43-53.

DE OLIVEIRA, E. M. et al. Métodos para ler a Bíblia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, 1991.

DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2003, 526 p. - ISBN 8535606432.

EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento: Introdução aos Métodos Lingüísticos e Histórico-Críticos. São Paulo: Loyola, 1994, 238 p. - ISBN 9788515010561.

ELLIOT, J. H. What is Social-Scientific Criticism? Minneapolis: Augsburg Fortress, 1993, 174 p. - ISBN 9780800626785.

ESLER, P. F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in Its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005. xvii + 420 p. - ISBN 0800637674.

KONINGS, J.; RIBEIRO, S. H. et al. Bíblia: Teoria e Prática. Leituras de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, 2008.

KONINGS, J. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. São Paulo: Loyola, 2005, 360 p. - ISBN 9788515030569.

PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA A Interpretação da Bíblia na Igreja. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 1999.

REIMER, H.; DA SILVA, V. (orgs.) Hermenêuticas Bíblicas: Contribuições ao I Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica. São Leopoldo: Oikos Editora/UCG/ABIB, 2006, 252 p.

REIMER, I. R.; SCHWANTES, M. (org.) Leituras Bíblicas Latino-Americanas e Caribenhas. RIBLA, Petrópolis, n. 50, 2005/1.

ROHRBAUGH, R. L. (ed.) The Social Sciences and New Testament Interpretation. Peabody, Mass: Hendrickson, 2004, 240 p. - ISBN 9781565634107.

SCHNELLE, U. Introdução à exegese do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2004, 192 p. - ISBN 9788515024919.

SIMIAN-YOFRE, H. (ed.) Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2000, 200 p. - ISBN 9788515018499.

TATE, W. R. Interpreting the Bible: A Handbook of Terms and Methods. Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006, viii + 482 p. - ISBN 9781565635159.

TREBOLLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Introdução à História da Bíblia. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000, 741 p. - ISBN 8532614370.

WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento: Manual de Metodologia. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal/Paulus, 2002, 407 p. - ISBN 852330598X.


Leia Mais:
Em busca da competência hermenêutica

2 comentários:

OSWALDO disse...

Amigo, poderia re-editar o texto que saiu muito confuso?

Veja isto:

"O hábito da vigilância hermenêutica: métodos "

airtonjo disse...

Oswaldo,

Não há nenhuma necessidade de reeditar um texto claro.

Isto que você viu é uma falha - temporária - na codificação do seu navegador (o meu também às vezes faz isso!). É só recarregar a página que conserta.

Ou ainda: limpar o cache do navegador e recarregar. No IE 8 clique em Ferramentas > Excluir Histórico de Navegação, deixando marcados os itens exigidos. No Firefox 3.6 clique em Ferramentas > Limpar histórico recente. No Google Chrome 5.0.xxx clique em Opções > Configurações avançadas > Limpar dados de navegação. E assim por diante!

Ou use um programa que faz limpeza no computador: como o CCleaner, por exemplo.

Lembre-se que a codificação do navegador geralmente fica no automático, mas você pode determiná-la em Exibir > Codificação etc.

O texto não está confuso. Veja:

O hábito da vigilância hermenêutica: métodos

Um abraço e boa leitura

Airton

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