domingo, 31 de agosto de 2008

Fundamentalismo Hoje

Reproduzo do site do CEBI:

Evangélicos e católicos discutem fundamentalismo religioso

Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 8h18min - por Rev. Haroldo Mendes

"Aconteceu em São Paulo nos dias 21 e 22 de agosto o Seminário Fundamentalismo Hoje. Promovido pelo Fórum Ecumênico Brasil (FE-BRASIL) e organizado pela ASTE, CESE e KOINONIA, o evento foi realizado no Instituto Salesiano Pio XI, no Alto da Lapa na capital paulista.

Entidades ecumênicas e igrejas de várias partes do Brasil e exterior estavam representadas. Entre elas destacamos KOINONIA, CONIC, CAIC, CMI (Genebra), Centro Ecumênico Diego de Medellín (Chile), ICEC (Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos) ligado à Igreja Assembléia de Deus Betesda, PROFEC, CLAI, ASTE, entre outras. Além das entidades ecumênicas, também houve a presença da Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

As palestras foram proferidas por especialistas e teólogos. A abertura do seminário foi feita pelo Rev. Zwinglio Mota Dias, doutor em teologia pela Universidade de Hamburgo (Alemanha), professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da UFJF, pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e editor da revista Tempo e Presença, de KOINONIA. Ele colocou com bastante clareza a realidade do fundamentalismo. No seu entendimento, os fundamentos são necessários para nossa identidade cristã. Entretanto: 'É necessária a alteridade para se revelar ao outro que também construiu sua identidade a partir de seus fundamentos. O diálogo só é possível se houver uma abertura ao diferente. O negativo no fundamentalismo é a intransigência de querer conquistar o outro, que é visto como uma ameaça' (...)

Sobre o fundamentalismo no contexto da Igreja Católica Apostólica Romana, a responsável foi a Professora Brenda Carranza, doutora em ciências sociais, professora-pesquisadora convidada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Para a Dra. Brenda o fundamentalismo moderno é uma reação à modernidade. Fundamentalismo não é uma ideologia, mas uma atitude. A atitude fundamentalista tem como princípio dois elementos: a defesa da verdade inegociável; a premissa de que minha interpretação da verdade é a correta. Segundo ela, existem quatro tipos de fundamentalismo: científico, cultural, religioso, político-religioso. Brenda destacou que os elementos de identificação do fundamentalismo na Igreja Católica Romana são o Papa, mariologia, sacramentos, eucaristia e mediação dos santos. Ela ressaltou também que para entender o fundamentalismo da Igreja Católica Romana há que se entender o incômodo causado pela renovação carismática católica, que estabelece uma relação com Deus sem mediação (...)

Já no contexto Evangélico ou protestante, a explanação ficou com o Rev. Leonildo Silveira Campos, pastor da Igreja Presbiteriana Independente, teólogo e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo. Leonildo traçou um histórico do fundamentalismo protestante, desde seu início nas primeiras décadas do século XX nos EUA até chegar ao Brasil. Para ele, o protestantismo brasileiro recebeu a influência do pietismo e do evangelicalismo norte americano. 'Não há diálogo. Todavia, o discurso é fundamentalista, mas a prática é relativista. Diante desse quadro, nossa participação como ecumênicos fica muito difícil. Há o relacionamento ecumênico com vários grupos afins, porém com os pentecostais temos grande dificuldade para o diálogo e ações conjuntas', reforçou Leonildo..."

Leia o texto completo clicando aqui.

Leia Mais:
Fundamentalismo em debate
Fundamentalismo: um desafio ecumênico
Fundamentalismo: um desafio permanente
Fundamentalismo: um modo de estar no mundo

sábado, 30 de agosto de 2008

Resenhas na RBL: 27.08.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Michael F. Bird
The Saving Righteousness of God: Studies on Paul, Justification and the New Perspective
Reviewed by Martin Meiser

William P. Brown, ed.
Engaging Biblical Authority: Perspectives on the Bible as Scripture
Reviewed by Craig L. Blomberg

Reta Halteman Finger
Of Widows and Meals: Communal Meals in the Book of Acts
Reviewed by Steve Walton

Ronald E. Heine
Reading the Old Testament with the Ancient Church: Exploring the Formation of Early Christian Thought
Reviewed by Martin C. Albl

Alastair Hunter
Wisdom Literature
Reviewed by Jurie le Roux

Joel S. Kaminsky
Yet I Loved Jacob: Reclaiming the Biblical Concept of Election
Reviewed by B. J. Oropeza

James A. Metzger
Consumption and Wealth in Luke's Travel Narrative
Reviewed by Kenneth Litwak

Mareike Rake
"Juda wird aufsteigen!": Untersuchungen zum ersten Kapitel des Richterbuches
Reviewed by Klaas Spronk

Ruth Anne Reese
2 Peter and Jude
Reviewed by Wilhelm Pratscher

David M. Scholer, ed.
Social Distinctives of the Christians in the First Century: Pivotal Essays by E. A. Judge
Reviewed by Tsalampouni Ekaterini

Svensk Exegetisk Årsbok: Psykologi och Exegetik
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

terça-feira, 26 de agosto de 2008

John Collins x Israel Knohl: A Visão de Gabriel

Quem estiver acompanhando o debate sobre o texto apocalíptico escrito com tinta em pedra, e que, aparentemente, antes da época de Jesus, fala da ressurreição do Messias ao terceiro dia, caso que pode ser visto aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, não pode perder, de jeito nenhum, o embate de idéias entre John Collins, da Yale University, USA, e Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém, que pode ser lido no biblioblog de John Hobbins, Ancient Hebrew Poetry em duas postagens de hoje, 26 de agosto de 2008:

Os biblioblogs e a hegemonia do inglês

O meu post Top Bible Blogs? He was only joking! do dia 23 deste mês, provocou alguma repercussão. Veja o post, com data de 25/08/2008, de Douglas Mangum, em seu blog Biblia Hebraica: Top Foreign Language Bible Blogs?

De modo geral, Douglas Mangum tem razão. Para quem é falante nativo da língua inglesa, especialmente para os americanos (dos EUA), deve parecer tremenda perda de tempo ficar "lutando" para aprender outra língua moderna, já que (quase) todas as obras são traduzidas para o inglês e boa parte é produzida diretamente em inglês. Sem dúvida, é a língua franca de nossos dias.

Brincamos por aqui que, mesmo quando queremos falar mal do domínio do idioma inglês, somos obrigados a falar em inglês para sermos compreendidos... Mas ainda consideramos que a principal língua bíblica é o alemão (Deutsch)! Nesta ordem: Alemão, Hebraico, Grego, Aramaico...

Em meu post eu quis brincar, mas também provocar, como já fiz outras vezes. É só ler, por exemplo, o que escrevi, em 18 de setembro de 2007: Biblical Studies Carnival: considere 10 linguas! A experiência do pluralismo lingüístico europeu talvez nos faça ver o mundo com outros olhos.

Por outro lado, em 29 de setembro de 2006 publiquei um post com o seguinte título: Por que os links da Ayrton's Biblical Page apontam, em grande parte, para páginas em inglês? Isto aconteceu quando tomei conhecimento, via El País, de que a Internet no habla español. Vale reler o post: naquele momento, apenas 4,6% das páginas da Internet eram em espanhol, enquanto que 45% eram em inglês, segundo o articulista. E o texto diz, em determinado ponto: "Si se divide el número de usuarios por el número de páginas del mismo idioma, el inglés tiene el ratio más elevado con un 1,47, después se coloca el francés con un 1,25 y el alemán con un 1,23. El de España, con un 0,58".

O que ainda dá razão a Douglas Mangum, embora só contemple, neste caso, uma língua, o espanhol.

Mas existe o outro lado: o livro de Mario Liverani, Oltre la Bibbia: Storia Antica di Israele. 6a. ed. Roma-Bari: Laterza, [2003] 2007, 526 p. - ISBN 9788842070603, só provocou repercussão na comunidade biblioblogueira quando foi traduzido do original italiano de 2003 para o inglês e publicado no final de 2005 como Israel's History and the History of Israel. [London: Equinox Publishing. Paperback em 2007: ISBN 9781845533410].

Neste caso, enquanto o mundo de língua inglesa, em boa parte, apenas ouvia falar do livro de Liverani e aguardava sua tradução, eu já o utilizava em italiano desde o início de 2004... É só ver os posts da época nos biblioblogs e o alvoroço que causou a publicação da obra em língua inglesa, sinal de que muitos biblistas o consideravam inacessível em italiano!

Mas um caso é apenas um caso. Não se pode generalizar.

N.B.: Na lista Best Blogs about Biblical Studies, do UnSpun by Amazon, há alguns biblioblogs em outras línguas. Veja mais para o final da lista.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Construindo Profecia e Profetas em Yehud

Com previsão de publicação para outubro de 2009, este livro sobre profetas e livros proféticos, organizado por Diana Edelman, da Universidade de Sheffield, Sheffield, Reino Unido, e Ehud Ben Zvi, da Universidade de Alberta, Edmonton, Canadá, parece interessante. Seu título: A Produção da Profecia: Construindo Profecia e Profetas em Yehud.


EDELMAN, D.; BEN ZVI, E. (eds.) The Production of Prophecy: Constructing Prophecy and Prophets in Yehud. London: Equinox Publishing, 2009, 256 p. - ISBN 9781845534998 (Hardback) - ISBN 9781845535001 (Paperback).

O livro é fruto de pesquisa sobre a construção da profecia e dos livros proféticos durante a época persa (538-332 a.C.) apresentada nos Encontros Anuais da EABS - European Association of Biblical Studies [Associação Européia de Estudos Bíblicos] - de 2006 e 2007.

A profecia bíblica aparece nesta época como um fenômeno escrito, possivelmente orientado para leituras públicas específicas. Os autores estudam a relação dos livros proféticos com outros textos, como os Livros dos Reis e a Obra Histórica Deuteronomista, além, é claro, de abordar o contexto social e ideológico no qual os livros proféticos surgem. A obra trabalha também com a construção de figuras de profetas do passado e as relaciona com a construção mais ampla do passado em Yehud, nome da província judaica na época persa. Os capítulos deste livro trazem abordagens genéricas, metodológicas e comparativas, além de tratar de questões e/ou livros específicos, como o Dêutero-Isaías, Jeremias, Amós e Jonas.

Além de Diana Edelman e Ehud Ben Zvi, vejo os nomes de Philip R. Davies, Rainer Albertz, Erhard Gerstenberger, Ernst Axel Knauf, Thomas Römer e Rannfrid I. Thelle. De todos estes autores, o único de quem ainda nada li é este último, Rannfrid I. Thelle, que me parece ser um norueguês da Universidade de Oslo. Quanto aos outros, posso recomendá-los "de olhos fechados", pois são velhos conhecidos dos estudos de História de Israel e da Obra Histórica Deuteronomista.

Da página da Editora, transcrevo, em inglês, a Descrição e o Sumário do livro:
Description

The editors have organized a long-term research program on Israel and the Production and Reception of Authoritative Books in the Persian and Hellenistic Periods at the Annual Meeting of the European Association of Biblical Studies. The first announced topic of enquiry was the construction of prophecy and prophetic books during the Persian period, for which dedicated sessions were held at the EABS meetings in 2006 and 2007. The present volume includes revised versions of the presentations made by Rainer Albertz, Ehud Ben Zvi, Philip R. Davies, Diana Edelman, Erhard S. Gerstenberger, Ernst Axel Knauf, Thomas C. Römer, and Rannfrid I. Thelle.

The general image that emerges from the volume is that of biblical prophecy as a written phenomenon, though perhaps open to selected public readings. The relationship between prophetic and other authoritative written texts (e.g., the Book of Kings, the Deuteronomistic History) is explored, as well as the general social and ideological setting in which the prophetic books emerged. The volume deals with the construction of images of prophets of the past and relates them to the general construction of the past in Yehud. It includes both general, methodological and comparative contributions and studies on particular issues/books (e.g., Deutero-Isaiah, Jeremiah, Amos and Jonah).

Contents
1. Diana Edelman and Ehud Ben Zvi, Introduction
2. Ehud Ben Zvi, Towards an Integrative Study of the Production of Authoritative Books in Ancient Israel
3. Diana Edelman, From Prophets to Prophetic Books: The Fixing of the Divine Word
4. Philip R. Davies, The ‘Booth of David’ and the Function of the Book of Amos
5. Ehud Ben Zvi, The Concept of Prophetic Books and its Historical Setting
6. Rainer Albertz, Public Recitation of Prophetical Books? The Case for the First Edition of Deutero-Isaiah
7. Erhard S. Gerstenberger, Postexilic Prophecy: Socio-Historical and Cultic Origins; Zoroastrian Analogies, and its Relationship to Torah
8. Ernst Axel Knauf, Kings among the Prophets
9. Diana Edelman, Jonah Among the Twelve: The Extended Family of God and The Triumph of Torah over Prophecy
10. Thomas C. Römer, The Formation of the Book of Jeremiah as a Supplement to the so-called Deuteronomistic History
11. Rannfrid I. Thelle, Babylon in Jeremiah: Reflections of a Discourse on Power in the Persian Period

Veja outros lançamentos de estudos bíblicos previstos para 2008/2009 em + Novidades.

Coisa grande: mil vezes a massa da Via Láctea

"Divagarzim" vamos ampliando a visão de onde estamos. Quem sabe um dia descobrirei, de fato, doncôvim, oncotô, proncovô, concossô... Afinal, sou mineiro! E acabei de ler esta notícia da France Presse:

Astrônomos descobrem grupo de galáxias gigante
O observatório astronômico europeu XMM-Newton encontrou o maior grupo de galáxias jamais visto no universo, uma descoberta que pode confirmar a existência da energia negra, anunciou nesta segunda-feira em um comunicado a ESA (agência espacial européia). Batizado 2XMM J083026+524133, o grupo deve conter "uma massa correspondente a mil galáxias" e foi observado quando o XMM-Newton, que tem como missão estabelecer um catálogo de fontes cósmicas emissoras de raios X (planetas, cometas, quasares etc) estava focalizado outro objeto. O J083026+524133 foi visto porque forma uma mancha muito brilhante. Observado em seguida com um potente telescópio de Arizona, se revelou um grupo de galáxias com mil vezes a massa de nossa galáxia, a Via Láctea. "A presença deste grupo confirma existência de um elemento misterioso, a energia negra, suposta responsável pela aceleração da expansão do Universo", destacou em um comunicado Georg Lamer, do Instituto de astrofísica de Potsdam (Alemanha). Segundo os astrofísicos, a maior parte do grupo situado a 7,7 bilhões de anos-luz seria formada de um gás a temperatura de 100 milhões de graus Celsius.

Fonte: Folha Online: 25/08/2008 - 17h39

sábado, 23 de agosto de 2008

Top Bible Blogs? He was only joking!

Os mais importantes biblioblogs?

Só se forem eliminadas as outras quase 7 mil línguas existentes no mundo e estabelecido o inglês como língua única...

Sei que um dos que gostam de contar esta piada (joke) é o dinamarquês Niels Peter Lemche:
- Quem fala muitas línguas é?
Poliglota
- Quem fala três línguas é?
Triglota ou trilíngüe
- Quem fala duas línguas é?
Bilíngüe
- Quem fala uma só língua é?
Norte-americano


Ou:

Question: If you say a person that speaks two languages is bilingual, and person that speaks three languages is trilingual, and many languages is a polyglot ... what do you call a person who speaks only one language?
Answer: An American.

Pergunta: Se uma pessoa que fala dois idiomas é bilíngüe, e uma que fala três idiomas é trilingüe, e muitos idiomas é poliglota... como se chama a pessoa que fala somente um idioma?
Resposta: um Americano.

Claro que há, entre os biblioblogueiros norte-americanos, honrosas exceções, como os poliglotas John Hobbins, Jim West e uma meia dúzia de outros!

Dica vista em John Hobbins, que me levou a Douglas Mangum e que me fez lembrar de Niels Peter Lemche em ANE-2 de 17 de dezembro de 2006.

Leia:
Enquete/Poll: Na sua opinião, quantos idiomas deveria um biblista dominar?
Metade das línguas do mundo corre risco de sumir, aponta estudo - Folha Online: 20/09/2007 - 09h58
Quantos idiomas deveria um biblista dominar?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Resenhas dos livros de Grabbe e Oakman

Acabei de ler e recomendo a leitura das resenhas de dois livros. O primeiro de Lester L. Grabbe sobre História de Israel. O segundo de Douglas E. Oakman sobre a prática de Jesus no mundo rural da Palestina do século I.

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, 328 p. - ISBN 9780567032546. Resenha de Brian B. Schmidt, da Universidade de Michigan, Ann Arbor, Michigan, USA. Publicada pela Review of Biblical Literature em 09/08/2008.

Estou trabalhando com este livro. É realmente muito interessante. Não é um livro de História de Israel, mas um livro de historiografia sobre as possibilidades e dificuldades da escrita de uma História de Israel hoje. Leia mais sobre isso aqui.

O resenhista concorda que o livro é fundamental para quem trabalha na área, embora faça, sobre alguns detalhes, seus questionamentos. Diz Brian B. Schmidt, por exemplo:
Ancient Israel is a tremendously informed and useful book that readers will find very helpful in a variety of contexts, whether for general pedagogical purposes or as a reader in the seminar context or as a reference tool in the research environment. It is a welcome change of course, given that progress in the field otherwise had all but become stagnant in the rather polarized, late twentieth-century world of minimalism versus maximalism (although one might aver that such a polarizing stage constitutes a predictable [and necessary?] one in the process of intellectual advancement). Readers will be immensely indebted to Professor Grabbe for Ancient Israel. It invites extensive and detailed engagement.

Observo, porém, que na lista de obras sobre História de Israel citadas na primeira nota eu acrescentaria mais autores e livros, especialmente os obras do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica, todas editadas por Lester L. Grabbe, que é o coordenador do grupo, como se pode ver aqui, na bibliografia.


OAKMAN, D. E. Jesus and the Peasants. Eugene, OR : Cascade Books, 2008, 348 p. - ISBN 9781597522755. Resenha de Ernest van Eck, da Universidade de Pretória, Pretória, África do Sul. Publicada pela Review of Biblical Literature em 09/08/2008.

O resenhista termina sua avaliação assim:
The book is a tour de force of Oakman’s repertoire: the economics of first-century Palestine, his knowledge of historical Jesus studies and Q, his brilliant insights when reading the biblical text, to name but a few. His interpretations, especially of the parables, are fresh and challenging. He shows convincingly that the meanings of Jesus’ parables always have to be accessed vis-à-vis their original audience and sociopolitical and socioeconomic context. If one is interested in understanding the message of Jesus against the backdrop of the realities of first-century Palestine peasantry, this book is a must.

Sobre Douglas E. Oakman, recomendo a leitura de meu post Jesus e os camponeses: novo livro de D. Oakman e insisto com o leitor para que faça uma parada aqui e leia, pelo menos, o primeiro item deste artigo. Veja que leitura Oakman faz do Pai Nosso!

Religiao como meio de vida?

Meios reestruturam mundo religioso, diz professor
O coordenador da 6. Conferência sobre Meios, Religião e Cultura, reunida de 11 a 14 de agosto em São Paulo, e professor da Universidade de Colorado, Estados Unidos, Stewart Hoover, sustentou que a religião midiatizada está gerando não só um maior nível de visibilidade das diversas expressões religiosas, mas propiciando profunda reestruturação no modo de administrar o poder, de viver a espiritualidade e de posicionar-se na esfera pública.

Um dos pioneiros na pesquisa sobre tele-evangelismo e o impacto midiático das igrejas, Hoover mencionou duas tendências da religião contemporânea sobre as quais os meios desempenham um papel importante. O pesquisador observou, em primeiro lugar, uma forte tendência às buscas autônomas e encontros des-institucionalizados com o mundo da espiritualidade. “As pessoas constroem hoje sua religiosidade sem depender de nenhuma regulação orgânica”, sublinhou. Hoover destacou que os meios se converteram em espaços através dos quais se constrói o mercado que permite com que uma demanda religiosa diversificada chegue às pessoas com maior fluidez e sem a formalidade das mediações tradicionais. “Neste contexto, os sujeitos sociais modernos atuam de maneira cada vez mais autônoma e pragmática em contraste com aquelas expressões e práticas culturais ‘místicas’ ou efervescentes”, afirmou. Segundo a análise do professor estadunidense, isso não significa que as manifestações religiosas contemporâneas sejam mais triviais ou inconsistentes na atualidade. Ao contrário, isso implica que as pessoas hoje se percebam como consumidores ativos ou fiéis religiosos pró-ativos dos recursos disponíveis no mercado religioso global. Ao mesmo tempo, o “crente” de hoje tornou-se um produtor dos novos discursos religiosos des-institucionalizados.

O que me chamou mais a atenção foi o seguinte trecho:

A emergência dos denominados “blogs” da fé em países como a Austrália, o crescimento acelerado da indústria musical midiática na América Latina, o massivo consumo global de sites religiosos na Internet, a luta dos pentecostais para se apropriar de meios comerciais na Nigéria, a “hibridização” dos rituais religiosos midiáticos em comunidades rurais italianas, as transições do tele-evangelismo norte-americano, e as resignificações da cultura oral em espaços digitais na Índia representam apenas alguns dos exemplos mencionados neste fórum e que configuram o novo mapa midiático da religião contemporânea global.

Leia o texto completo na ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação. Por Rolando Pérez - São Paulo, 19 de agosto de 2008.

Reproduzido também na IHU On-Line em 20/08/2008.

Leia Mais:

Supermercado religioso na América Latina
Heterodoxia como rebeldia?
A midiatização das experiências religiosas
Religião, auto-ajuda e Teologia
Sacerdote: as vantagens de uma profissão
Para onde vai a Teologia no Brasil?
Leonardo Boff: a moda Deus
Conservadorismo politico-religioso na Internet
Pastors at Evangelical Churches Jump on Blogs and Podcasts
God on the Internet

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O direito de espernear

Os EUA na geopolítica mundial depois do conflito na Geórgia
O que salta aos olhos neste conflito é a completa desmoralização da liderança americana. Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano durante anos, batucou seus queridos tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. O New York Times relatou que duas altas autoridades americanas chegaram ao ponto de afirmar que os EUA estão aprendendo a hora de ficarem calados. Enquanto isso, McCain declarava que no século XXI, as nações não invadem outras nações, talvez imaginando que as invasões americanas no Afeganistão e no Iraque aconteceram no século XVIII...

A análise é de Idelber Avelar, Professor do Departmento de Espanhol e Português da Tulane University, New Orleans. Texto originalmente publicado no blog O Biscoito Fino e a Massa.

Leia em Carta Maior ou no blog O Biscoito Fino e a Massa: 14/08/2008

Leia Mais:
Entenda o conflito no Cáucaso

sábado, 16 de agosto de 2008

Libânio fala sobre Teologia e Igreja na atualidade

Leia a entrevista do teólogo João Batista Libânio à IHU On-Line, publicada hoje, 16/08/2008.

Libânio fala sobre vários temas atuais da Teologia e da Igreja.

'A Teologia não se dá mal com o discurso não metafísico, por isso ela pode falar muito bem na pós-modernidade'. Entrevista especial com João Batista Libânio

Resenhas na RBL: 15.08.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Paul J. Achtemeier
Jesus and the Miracle Tradition
Reviewed by Michael Labahn

Roland Boer, ed.
Bakhtin and Genre Theory in Biblical Studies
Reviewed by David W. Williams

Maria Brutti
The Development of the High Priesthood during the Pre-Hasmonean Period: History, Ideology, Theology
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Lester L. Grabbe
Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It?
Reviewed by Brian B. Schmidt

Leslie Houlden, ed.
Decoding Early Christianity: Truth and Legend in the Early Church
Reviewed by Robert M. Bowman Jr.

Karen L. King
The Secret Revelation of John
Reviewed by Francis Dalrymple-Hamilton

Sarianna Metso
The Serekh Texts
Reviewed by Eric F. Mason

Douglas E. Oakman
Jesus and the Peasants
Reviewed by Ernest van Eck

Richard Liong-Seng Phua
Idolatry and Authority: A Study of 1 Corinthians 8.1-11.1 in the Light of the Jewish Diaspora
Reviewed by Scott E. McClelland

Tom Thatcher, ed.
What We Have Heard from the Beginning: The Past, Present, and Future of Johannine Studies
Reviewed by Cornelis Bennema

Nancy M. Tischler
Thematic Guide to Biblical Literature
Reviewed by Gerbern Oegema

Valerie M. Warrior
Roman Religion
Reviewed by Honora Howell Chapman

Francis Watson
Paul, Judaism, and the Gentiles: Beyond the New Perspective
Reviewed by James D. G. Dunn

Supermercado religioso na América Latina

Fragmentação religiosa representa um desafio às igrejas e aos comunicadores
A América Latina experimenta um processo de diversificação e fragmentação das ofertas religiosas num contexto em que as tradicionais instituições perderam uma quota importante de seu poder cultural histórico, observou o coordenador do Programa de Pastoral da Comunicação do Centro Evangélico de Estudos Pastorais na América Central (CEDEPCA), Dennis Smith.

Em espanhol: La fragmentación religiosa latinoamericana es un desafío a iglesias y comunicadores, afirma Dennis Smith
América Latina experimenta hoy un proceso de diversificación y fragmentación de las ofertas religiosas en un contexto en el cual las tradicionales instituciones religiosas han perdido una cuota importante de su poder cultural histórico, sostuvo Dennis Smith, coordinador del Programa de Pastoral de la Comunicación del Centro Evangélico de Estudios Pastorales en Centro America (CEDEPCA).

Leia na ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação. Por Rolando Pérez - São Paulo, 15 de agosto de 2008.

Reproduzido também na IHU On-Line em 16/08/2008.

Heterodoxia como rebeldia?

Confira em Somos secularizados, mas nos interessamos por Deus.

Reportagem publicada por El País no dia 6 passado: Somos laicos, pero nos interesa Dios.
En una España cada vez más agnóstica, crece la curiosidad por lo sagrado - Hay un auténtico 'boom' editorial - La gente busca versiones de la religión distintas a la oficial

Reportagem traduzida para o português e reproduzida por IHU On-Line em 16/08/2008.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A midiatização das experiências religiosas

Estudiosos debatem midiatização das experiências religiosas
Estudiosos do fenômeno da religião e das mídias, reunidos na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) para a 6a. Conferência sobre Meios, Religião e Cultura, analisam as implicações da midiatização das experiências religiosas no contexto de uma sociedade plural e diversa (...) A conferência de São Paulo reúne 200 pesquisadores, de 26 países. Ela é organizada pela Comissão Internacional sobre Meios, Religião e Cultura, a Umesp e a Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) na América Latina. O evento teve início na segunda-feira, 11, e se estende até amanhã.

No debate apareceu também a blogosfera. Diz o texto:
O professor Paul Teusner, da Universidade RMIT, de Melbourne, Austrália, apresentou as conclusões de sua investigação sobre a emergência da religiosidade juvenil na “blogosfera”. O estudo de Teusner indica que o uso das novas tecnologias, como a Internet, está gerando novas identidades religiosas e novos processos de interação entre os fiéis, bem como entre a própria comunidade religiosa tradicional.

Leia a reportagem de Rolando Pérez na ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação. Em português e espanhol.

Lugo toma posse como Presidente do Paraguai

Amanhã, dia 15 de agosto de 2008, Lugo toma posse como Presidente do Paraguai.

Leia em Notícias, IHU On-Line, de 14/08/2008:

Quem é Fernando Lugo? Um perfil do novo presidente do Paraguai

Leia mais sobre Lugo clicando aqui.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Crânios da Idade da Pedra descobertos na Galiléia

Arqueólogos israelenses descobriram na Baixa Galiléia, em escavações realizadas em Yiftah'el, três crânios esculpidos, da Idade da Pedra, do Período Neolítico B Pré-cerâmico, diz a IAA - Israel Antiquities Authority. Os crânios têm mais de 8 mil anos de idade.

O Dr. Hamoudi Khalaily, diretor da escavação, explica que os crânios estão esculpidos, um fenômeno que se identifica com o Neolítico. A prática inclui a reconstrução de todos os traços faciais do morto esculpidos com distintos materiais, como, por exemplo, uma argamassa especial. Os crânios modelados são a imagem do falecido que ficava na consciência dos sobreviventes e os guiava nas decisões que tomavam no seu dia-a-dia. Práticas semelhantes foram igualmente identificadas em descobertas feitas na Síria, Turquia e Jordânia.

Na página da IAA leio:
Three Extraordinary Skulls were found in Excavations in the North
The 9,000 year old skulls, which were found sculpted, attest to the development of ancestor worship from then until the present. The skulls were apparently placed on benches in a house where they would inspire the younger generation to continue in the ways of their forefathers. A similar custom was also identified in Syria, Turkey and Jordan.


In excavations that are currently being conducted at the Yiftah’el archaeological site, near the Movil Junction in the Lower Galilee, three extraordinary skulls from the New Stone Age (Pre-pottery Neolithic B) were discovered. The skulls are 8,000-9,000 years old and were buried in a pit adjacent to a large public building (...)

According to Dr. Hamoudi Khalaily, director of the excavations at the site on behalf of the Israel Antiquities Authority, “The skulls were found plastered – that is to say sculpted – which is a phenomenon that is identified with the New Stone Age. The practice included the reconstruction of all of the facial features of the deceased by means of sculpting the skull with a variety of materials such as plaster that was specifically intended for this. It should be noted that the reconstruction of the facial features was not always done in accordance with their real location on the skull. On the skulls that were found in the excavation the nose was entirely reconstructed; the mouth was accentuated and the eyes were restored by means of three shells placed in each of the orbits. The rest of the facial features were reconstructed with a “plaster mask”. As mentioned above, the skulls were found in a pit next to a large rectangular building whose walls were built of mudbricks and floors were made of thick, high quality plaster. Especially noteworthy in the building were depressions that were fashioned in the floor and later sealed. Dr. Khalaily says, “It seems that these depressions were used as graves beneath the floors. The funerary practice at this time consisted of burying the dead beneath the plaster floors, inside the buildings. Some time thereafter, the residents would dig up the grave, retrieve the skull from the rest of the skeleton and recover the grave. Later they would then mold the skull in the image of the deceased and keep it inside the house. This custom is known in the scientific literature as “ancestor worship”. The molded skull is actually the image of the deceased that remained in the survivors’ consciousness, and it guided them in the various decisions they made in their everyday life. Evidence from sites that are contemporary with Yiftah’el indicates that the molded skulls were placed on shelves or benches inside buildings, which were specifically constructed for this purpose. After a period of time, during which the successor established his status and it was accepted by society, the need of the father image lessened and in another ceremony the skulls were buried in a separate pit, within the precincts of the building or nearby”.

The three molded skulls that were found at Yiftah’el join some fifteen other similar skulls that have been found to date at Jericho, Beisimoun, Kefar HaHoresh, ‘Ain Ghazal in Jordan and at a site near Damascus. According to Dr. Khalaily, “The manner in which the skulls from Yiftah’el are buried and how they are shaped resemble those that were discovered at the Neolithic site of Tell Aswad and it seems that there was a connection between Yiftah’el and the Syrian site, which is located c. 200 kilometers away”...

Veja também as fotos na página da IAA.

Leia mais sobre a descoberta no blog BiblePlaces, de Todd Bolen, no post Plastered Skulls Found in Galilee.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O livro de Knohl 'O Messias antes de Jesus'

Muita gente anda falando do caso do texto apocalíptico escrito com tinta em uma pedra, em hebraico, que, aparentemente, antes da época de Jesus, fala da ressurreição do Messias ao terceiro dia. E, nesta empreitada, batalha firme o Professor Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Leia sobre isso aqui, aqui, aqui e aqui. Quer dizer, faz tempo que Israel Knohl busca fundamento mais sólido para o conceito em questão.

Pois eu tenho aqui comigo uma resenha de um livro de Israel Knohl sobre o assunto que pode interessar aos curiosos. Foi escrita por André Luiz Fávero, que, à época, cursava o terceiro ano de Teologia na FTCR da PUC-Campinas e foi publicada na revista Cadernos de Teologia, ano VII, setembro de 2001, n. 10, p. 115-121. Eu era o redator da revista.

André leu o livro em inglês e o debateu em classe, nas aulas de Novo Testamento do Professor Herminio Andrés. No mesmo ano de 2001, o livro foi publicado em português pela Editora Imago.

Além da resenha de André, o leitor interessado pode ler outra resenha publicada por um especialista em Qumran, o Professor Eibert J. C. Tigchelaar, do Qumran Institute, Groningen, Holanda, publicada na RBL em 16/04/2001. Ele não se mostra muito entusiasmado com as hipóteses de Israel Knohl, quando diz, por exemplo: "Knohl’s booklet is well written, well translated, and published in a very nice manner. The intended audience is the educated but non-specialist public. Many readers may be attracted or even convinced by Knohl’s arguments, which are well developed and carefully woven together. Yet, specialists in the many fields covered by Knohl will question his assumptions, interpretations, and argumentation. Occasionally his statements are incorrect..."


KNOHL, I. The Messiah before Jesus: The Suffering Servant of the Dead Sea Scrolls. Traduzido por David Maisel. Berkeley: University of California Press, 2000, xiv + 145 p. - ISBN 9780520215924 [edição de 2002: 9780520234000]

Tradução brasileira: O Messias Antes de Jesus: O Servo Sofredor dos Manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 2001, 148 p. - ISBN 8531207797 [disponível na Saraiva, por exemplo]

Vamos à resenha de André.

O livro de Israel Knohl, The Messiah before Jesus. The Suffering Servant of the Dead Sea Scrolls [O Messias antes de Jesus. O Servo Sofredor dos Manuscritos do Mar Morto], de 2000, traduzido para o inglês por David Maisel, é um daqueles livros que se pode chamar de audacioso. Desafia os cem anos do ponto de vista dominante no estudo do Novo Testamento e cutuca ainda mais incomodamente algumas áreas da Teologia Sistemática, da Cristologia, da revelação como um todo.

Para ser direto, a obra refere-se à figura messiânica de Jesus, tentando demonstrar que ele era tido como herdeiro e sucessor do Messias descrito nos Manuscritos do Mar Morto.

O autor, professor do Departamento de Bíblia da Universidade Hebraica de Jerusalém, tentando entender a relação entre cristianismo e judaísmo, questiona: qual foi o contexto judaico da carreira messiânica de Jesus? Como podemos resolver o mistério da personalidade de Jesus e do seu auto-entendimento messiânico? Ele se considerava como o Messias? Se sim, por que ele recomendava o “segredo messiânico” a seus discípulos, impedindo-os de publicá-lo? Jesus realmente previa seus sofrimentos, sua morte e ressurreição? Ele se via como um redentor divino?

A proposta do autor é realmente mostrar que Jesus se considerava como o Messias e verdadeiramente esperava ser rejeitado, morto e ressuscitado depois de três dias e isso era exatamente o que ele acreditava ter acontecido ao líder messiânico que viveu uma geração antes da sua.

O autor se baseia no fato de que em certos hinos encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, que foram recentemente publicados, esse Messias descreveu-se como sentado num trono celestial, rodeado de anjos. Ele se considerava como o “Servo Sofredor” que traria uma nova era, uma era de redenção e absolvição em que não haveria mais pecado ou culpa. Esta audaciosa idéia trouxe-lhe a rejeição e a excomunhão por parte dos fariseus sob a liderança de Hillel.

Foi a primeira vez que surgiu no judaísmo a concepção de um messianismo catastrófico, em que a humilhação, a rejeição e a morte do Messias eram consideradas partes inseparáveis do processo redentor.

Este Messias assim entendido é, para o autor, o elo de ligação perdido para o nosso entendimento do modo como o cristianismo emergiu do judaísmo. Jesus nasceu por volta do tempo em que este Messias morreu.

No primeiro capítulo o autor faz uma reconstrução imaginária de um dia na vida do Messias, baseada em fontes literárias do período e em descobertas arqueológicas feitas em Qumran, no palácio de Herodes em Massada e em escavações em Jerusalém. Narra esse dia como marcado por dois importantes momentos na vida do Messias de Qumran: sua participação na vida da comunidade essênia, enquanto estes tramam sua ascensão ao trono, e sua atuação junto à corte, no palácio de Herodes, onde ninguém sequer suspeita de sua pretensão messiânica.

No chamado Rolo de Ação de Graças, em dois hinos aí inseridos com o passar de um certo tempo, e em três outros manuscritos encontrados na gruta 4, tem-se o material a partir do qual o autor desenvolve sua tese.

O primeiro hino, conhecido pelos estudiosos como o Hino da Auto-Glorificação, escrito em primeira pessoa, assim diz:

“Quem tem sido desprezado como eu?
E quem tem sido rejeitado pelos homens como eu?
E quem se compara a mim em tolerar (suportar) o mal?
....................................
Quem é como eu dentre os anjos?
Eu sou o amado do rei, a companhia dos santos”.

Entre a dicotomia e a semelhança com certos trechos vétero-testamentários, sobretudo com Is 53, o autor vai explicando as doutrinas formadas a respeito do Messias e a concepção do mesmo a respeito de si.

A combinação do status divino e do sofrimento neste hino é desconhecida na literatura judaica. É a expressão original de uma personalidade histórica ativa na comunidade de Qumran. Quem fala no hino é o líder da seita de Qumran que via a si mesmo como o Messias e assim era considerado pela comunidade.

Pode-se supor que quem fala no primeiro hino, que se via nos termos do “Servo Sofredor” descrito por Isaías, era considerado por sua comunidade como alguém que, através de seus sofrimentos, pagaria pelos pecados de todos os membros de sua seita.

O segundo hino, por sua vez, é essencialmente um chamado aos membros da comunidade para agradecer a Deus pela Salvação que ele tem trazido sobre eles.

Contrariando Bultmann e toda uma corrente teológica, o autor afirma que a interpretação messiânica de Isaías 53 não foi descoberta na Igreja Cristã. Ela já havia sido desenvolvida pelo Messias de Qumran. Olhando para esses fatos, deveríamos considerar a possibilidade da descrição de Jesus como a combinação do “Filho do Homem” e o “Servo Sofredor” não ter sido uma invenção posterior da Igreja. Talvez o Jesus histórico realmente visse a si mesmo dessa forma, sendo que tal fusão já havia sido feita por seu predecessor, o Messias de Qumran.

Mas qual foi a natureza da conexão histórica entre Jesus e o Messias de Qumran? É possível que Jesus o tenha conhecido pessoalmente? Não, porque, como vimos, o nascimento de Jesus foi por volta da morte deste Messias. Mas esse movimento messiânico existiu na segunda metade do primeiro século antes de Cristo.

O autor começa sua procura do ambiente histórico do Messias qumrânico com a discussão sobre duas obras apocalípticas: o Oráculo de Hystaspes e o Livro do Apocalipse, bem conhecido por nós, cristãos. Na sua visão, estes apocalipses contam-nos sobre a violenta morte do Messias de Qumran. O autor tenta, pois, datar os eventos descritos nessas obras. Considerando que numa obra apocalíptica o autor geralmente descreve os eventos de seu tempo como uma profecia sobre o futuro, o contexto destas obras pode ser claramente entendido à luz da situação política do Império Romano durante a segunda metade do primeiro século a.C., logo antes da vida e do ministério de Jesus. Isto ele faz baseando-se no então conhecido Oráculo de Hystaspes. E a partir de algumas passagens do Livro do Apocalipse, bem como da relação entre este e o citado oráculo, o autor afirma, após longa e acurada fundamentação: “No Livro do Apocalipse nós encontramos a história de duas testemunhas messiânicas. Na literatura do Mar Morto também encontramos dois Messias – o Messias sacerdotal e o Messias real”.

Podemos assumir que a tradição concernente ao assassinato do Messias que encontramos nas duas obras apocalípticas veio de membros da seita de Qumran ou de algum círculo próximo a eles. Assim, parece que os líderes messiânicos cujas mortes foram relatadas nestas fontes pertenciam à comunidade de Qumran.

Como os dois líderes messiânicos foram mortos em 4 a.C., eles certamente estiveram ativos no período precedente a este ano, ou seja, durante o reinado de Herodes Magno (37-4 a.C.), o que corresponde precisamente à data em que foram escritos as quatro cópias dos dois hinos messiânicos anteriormente citados. Pode-se, então, assumir que um dos dois Messias mortos em 4 a.C. foi o herói dos hinos messiânicos de Qumran. Em conformidade com a descrição nos hinos ele não tinha nenhum caráter sacerdotal; este, então, foi o Messias real.

Os hinos messiânicos sugerem que por poucos anos os membros da seita de Qumran pensaram que a era de redenção havia chegado. Mas a realidade provava ser diferente. Seu líder messiânico foi morto pelos soldados romanos e seu corpo foi deixado sem sepultura na rua por três dias, como o de um criminoso.

Após a morte do Messias, seus fiéis criaram uma “ideologia catastrófica”, fazendo uma releitura de Is 53,3-4.9-12. A rejeição do Messias, sua humilhação e sua morte foram pensadas terem sido preditas nas Escrituras e sendo estágios necessários no processo de redenção. Os discípulos acreditaram que o Messias humilhado e traspassado havia ressuscitado depois de três dias e que estava para reaparecer na terra como redentor, vitorioso e juiz. Acreditavam que ele houvera subido aos céus nas nuvens, como ele havia descrito sobre si em seu hino, e que certamente retornaria, descendo das nuvens do céu rodeado por anjos. Assim, o Messias também cumpriria a visão de Daniel sobre o “Filho do Homem”.

O autor, Israel Knohl, acredita que a figura do Messias qumrânico e a ideologia messiânica a ele ligada tiveram uma profunda influência sobre Jesus e sobre o desenvolvimento do messianismo cristão. Afirma que Jesus foi influenciado em seus últimos anos por essa outra tradição religiosa , da qual ele recebeu sua doutrina messiânica por um encontro com aqueles que mantiveram o legado do Messias de Qumran. Essa teria sido a “Cristologia de Jesus”.

Durante sua vida, o Messias de Qumran havia se autodefinido como a combinação do “Filho do Homem”, que se assenta no céu num trono de poder, e o “Servo Sofredor”, que leva sobre si todas as tristezas. Este Messias atribuiu a si as palavras de Isaías 53: “Desprezado e rejeitado pelos homens”. Temos aqui clara evidência de que a idéia de um Messias sofredor já existia uma geração antes de Jesus.

Jesus esperava que o destino do “Filho do Homem” fosse similar ao do Messias de Qumran. Ele predisse que o “Filho do Homem” seria morto, assim como o Messias qumrânico foi morto pelos soldados romanos. E ele esperava que o “Filho do Homem” ressuscitasse depois de três dias, como foi acreditado que o Messias de Qumran tivesse sido ressuscitado “depois de três dias”.

De acordo com a idéia que Jesus recebeu dos discípulos do Messias de Qumran, o sofrimento e a morte do Messias formava parte inseparável do destino messiânico. Assim, tomar a missão sobre si era naturalmente muito difícil, o que se vê retratado no episódio de Jesus no Jardim do Getsêmani. A luta interna da alma de Jesus tinha agora alcançado seu clímax. Ele iria, pois, seguir o caminho de seu predecessor, o “Servo Sofredor” dos Manuscritos do Mar Morto.

No último capítulo o autor sugere uma identidade histórica para o Messias anterior a Jesus. Embora “especulando” criteriosamente, afirma que a validade da tese principal de seu livro não depende da aceitação da suposição desse capítulo. Ele apresenta o líder qumrânico Menahem como o provável Messias anterior a Jesus. Este personagem histórico fora “amigo” do rei Herodes e membro de sua corte e, após a morte deste, teria tentado a tomada de poder tramada clandestinamente já há muito tempo com os membros de sua seita. Tal peripécia falhou, pois este não conseguiu o esperado e necessário apoio das elites farisaicas da época, que acabaram por excomungá-lo e ocasionaram sua morte em virtude de interpretarem trechos de seu hino como expressão de pura e explícita blasfêmia. Declararam-no, bem como a seus discípulos, como os que “não têm parte com o Deus de Israel”.

O que tenho dito é, bem resumidamente, a tese do autor. Vale dizer que esta sua obra, além de traduzida para um inglês acessível a nível intermediário e de ser escrita de modo a traçar um desenvolvimento muito lógico, detalhado e claro das idéias, ainda traz dois apêndices contendo na íntegra os dois hinos a que me referi anteriormente e um interessante comentário a respeito de cada um. É, ainda, muito rica em notas, as quais evidenciam a cientificidade e o domínio do assunto no trabalho exaustivo que ousou não só confeccionar como também publicar.

Pontuadas suas idéias e os traços de sua obra, penso que cabe aqui interpelar o leitor sobre algumas provocações ou apontamentos que o próprio autor parece querer fazer – e dos quais não seria justo esquivarmo-nos, se quisermos preservar a abertura aos contundentes desafios que as novas pesquisas possam sempre nos lançar à face, sem o que o estudo teológico perderia o seu caráter científico.

Assim, se sua tese for digna de adesão, podemos nos perguntar: o fato de Jesus ter consciência de seu dramático fim, uma vez que se mantivesse – e se manteve – fiel ao projeto em que acreditava, pois sabia também com quem e com o quê estava lidando, derivaria tanto de uma suficiente visão da política de dominação do Império Romano em sua região – como a cristologia latino-americana entende – ou derivaria, talvez, mais dessa noção messiânica um tanto quanto mais fatalista, pois então já dita e escrita como profecia e assim esperada por um grupo religioso significante por realizar-se como tal? Ainda que assim fosse, o cumprimento até ao fim de sua missão perderia a grandeza de seu compromisso ou de seu mérito?

Outras questões: não teria, de fato, o cristianismo surgido, em alguns de seus aspectos, como seu messianismo, de uma significativa influência de um grupo revolucionário, a seita de Qumran, diferentemente do que sempre se pensou a respeito da mesma – que fosse revolucionária? Até que ponto entenderíamos o grupo de Jesus como um grupo sem pretensões de poder, ainda que para atingi-lo reconhecessem a necessidade do aparente fracasso? Se assim influenciado, poderíamos entender o cristianismo nascente como um grupo de resistência pacífica tal qual se tem entendido ultimamente?

Ainda outras questões: o que os sinóticos afirmam, como, por exemplo, quando das predições da paixão, morte e ressurreição de Jesus, feitas por ele mesmo, não deveria ser entendido, tal qual está escrito, como fato verdadeiramente histórico e não como construção teológico-catequética das primeiras comunidades? E a exegese bíblica, tão altamente conceituada de tempos para cá, poderia manter-se tão estável e intocável no que se refere a todas as outras interpretações tendentes a negar a historicidade dos fatos escritos a despeito das pretensões teológico-catequéticas dos hagiógrafos?

De fato, há teses com as quais nos deparamos e que nos remete à já conhecida tensão por que passa toda ciência, no caso, a teológica, a saber: tudo permanece tal qual até que não se prove o contrário. As desestabilizações causadas é que se transformam nos mais eficazes trampolins que nos lançam para o mais profundo e próximo da verdade, que está sempre por ser alcançada. É a angústia e a motivação do fazer teológico. É o princípio curativo para a dogmatização cega e a possibilidade que irrompe para o aprendizado. É o convite provocativo e irresistível ao “sapere aude” – tenha a coragem de te servir de teu próprio entendimento [Nota minha: frase de Kant, veja a nota 5].

Brasilianista fala sobre a Igreja no Brasil

Kenneth P. Serbin, o brasilianista que citei no post Uma prece pelos civis inocentes mortos no Iraque? está lançando nestes dias seu livro sobre a Igreja Católica no Brasil:


SERBIN, K. P. Padres, Celibato e Conflito Social: Uma História da Igreja Católica no Brasil. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 448 p. - ISBN 9788535912746.


Original inglês: Needs of the Heart: A Social and Cultural History of Brazil's Clergy and Seminaries. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 2006, xix + 457 p. - ISBN 9780268041199.

Leia a entrevista de Kenneth P. Serbin à IHU On-Line. Foi publicada ontem, dia 11, em Notícias:

'Cão-de-guarda moral'. A Igreja no Brasil, hoje. Entrevista especial com Kenneth Serbin

A entrevista pode ser lida também na Revista IHU On-Line desta semana. É a edição 268, de 11/08/2008. Veja a seção Entrevista da Semana. O título: “Cão-de-guarda moral”. A nova Igreja brasileira.

Kenneth P. Serbin é Professor da Universidade de San Diego, USA. Visite sua Home Page.

E, para quem, eventualmente, nunca ouviu falar, um brasilianista é um estrangeiro especializado em assuntos brasileiros.

Entenda o conflito no Cáucaso

Duas análises do conflito no Cáucaso:

sábado, 9 de agosto de 2008

Precisando de literatura grega antiga?

Pois no Tyndale Tech, de David Instone-Brewer - Tyndale House, Cambridge, Reino Unido - leio o post Searching Ancient Greek Literature:

The bread and butter of New Testament studies is finding out how a word is used elsewhere. Usually this means looking it up in a good lexicon, but a real scholar does a word search. This has recently got a whole lot easier. TLG and Perseus are still the best sources, but now there are new ways to use them, including instant lexical help which isn't restricted to the speed of the web. Whether you want to do word searches throughout all Greek literature, or you just want to quickly look up a Greek word now and then, read on. I also want your help adding to the ultimate list of 5000 early Greek texts and translations.

A lista de recursos, explicados detalhadamente, é a seguinte:
  • TLG - 'All' of Greek literature, in Greek
  • Perseus - the earliest Greek literature, with English
  • Electronic lexicons for Greek - quicker and better than paper
  • Diogenese - the key to reading untranslated Greek
  • Fonts - the easiest Unicode for Mac & PC
  • Finding translations on the web
Visite o blog Tyndale Tech e examine você mesmo os valiosos recursos para o estudo do grego.

Leia mais sobre línguas antigas aqui.

Cassio Murilo autografa livro na Expocatólica

Edições Loyola promove hoje, 9 de agosto, às 16h00, na ExpoCatólica, sessão de autógrafos com Cássio Murilo Dias da Silva, autor de Leia a Bíblia como literatura.

O objetivo do livro é abordar as diversas formas de interpretar a Bíblia e as técnicas literárias utilizadas, como, por exemplo, delimitação do texto, figuras de linguagem e gêneros literários. A obra, que integra a coleção Ferramentas Bíblicas, é um manual de metodologia bíblica, uma cartilha, que oferece ferramentas para o estudo do texto bíblico de modo mais profundo. Trata das línguas originais da Bíblia (hebraico, aramaico e grego para o Antigo Testamento e grego para o Novo Testamento) e suas traduções, bem como do fundamentalismo, segundo o qual a Bíblia deve ser lida "ao pé da letra", sem a necessidade de se estudar o universo em que surgiu.

Cássio Murilo é Doutor em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Publicou também por Edições Loyola o livro Aquele que manda a chuva sobre a face da terra, da coleção Bíblica Loyola.

Lembro que foi lançada ontem, dia 8, a segunda obra da coleção Ferramentas Bíblicas:

SANTOS, A.-A. G. Gramática do grego do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2008, 344 p. - ISBN 9788515035311.

Fontes: Loyola e Cássio Murilo

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Resenhas na RBL: 06.08.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Efrain Agosto
Servant Leadership: Jesus and Paul
Reviewed by Stephan Joubert

L. William Countryman
Dirt, Greed, and Sex: Sexual Ethics in the New Testament and Their Implications for Today
Reviewed by Will Deming

April D. DeConick
The Thirteenth Apostle: What the Gospel of Judas Really Says
Reviewed by Arie W. Zwiep

William Loader
Enoch, Levi, and Jubilees on Sexuality: Attitudes towards Sexuality in the Early Enoch Literature, the Aramaic Levi Document, and the Book of Jubilees
Reviewed by Jessica Tinklenberg deVega

Meir Lubetski, ed.
New Seals and Inscriptions, Hebrew, Idumean and Cuneiform
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Jill Middlemas
The Templeless Age: An Introduction to the History, Literature, and Theology of the Exile
Reviewed by Lester L. Grabbe

Joy A. Schroeder
Dinah's Lament: The Biblical Legacy of Sexual Violence in Christian Interpretation
Reviewed by Yael Shemesh
Reviewed by Ron Clark

Oskar Skarsaune and Reidar Hvalvik, eds.
Jewish Believers in Jesus
Reviewed by Elizabeth Boddens Hosang and Bart J. Koet

Kimberly B. Stratton
Naming the Witch: Magic, Ideology, and Stereotype in the Ancient World
Reviewed by Thomas J. Kraus

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Navegando na maionese

O assunto não é novo, continua controvertido, ainda será debatido, acho que dificilmente chegará a algo mais consistente, mas...

Já falei dele aqui, em Morte e ressurreição do Messias no judaísmo e, como escrevi, "este caso é bem capaz de criar muito frufru por causa da desinformação generalizada que existe sobre o assunto ou da eventual má-fé de algumas pessoas...".

Por isso, quem estiver interessado no assunto, veja antes de mais nada a tradução do texto em Index of links on the Apocalypse of Gabriel. Em inglês. Há até mais de uma, escolha a sua!

E agora me diga se não tem gente que anda navegando na maionese...

Procure no Google por Mashiach ben Yosef ou Mashiah ben Yosef.

Eu avisei!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Biblioblogueiro de agosto 2008: Scot McKnight

Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista Scot McKnight, do biblioblog Jesus Creed, escolhido como o biblioblogueiro do mês de agosto de 2008.

Leia mais aqui sobre Scot McKnight.

Phoenix Confirms Martian Water

:: Sonda confirma existência de água em Marte
:: Phoenix Mars Lander
:: I can now say I'm the first mission to Mars to touch and then *taste* the water
:: Eu posso dizer agora que eu sou a primeira missão a Marte a tocar e depois "provar" a água

:: Marte pode ter sido um planeta azul, com um vasto oceano [atualização em 20 de julho de 2010]
:: Sedimentos indicam que Marte pode ter abrigado mar [atualização em 20 de julho de 2010]

Biblical Studies Carnival XXXII

Seleção das melhores postagens de julho de 2008.

Excelente trabalho feito em três partes, One, Two, Three, por John Hobbins, em seu biblioblog Ancient Hebrew Poetry.