domingo, 21 de setembro de 2008

Fundamentalismo, marketing e poder político

Edir Macedo prega que evangélicos tomem o poder

Deus tem um plano político para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil, segundo as palavras do bispo Edir Macedo, fundador e chefe da Igreja Universal, no livro “Plano de poder”, lançado a duas semanas das eleições.

A partir de uma leitura política do Antigo Testamento, Macedo incita os evangélicos à mobilização partidária, seguindo o “projeto de nação” que Deus teria sonhado para os hebreus, que ele chama de cristãos. O livro tem co-autoria de Carlos Oliveira, diretor presidente do jornal “Hoje em Dia”, de Minas Gerais. “Tudo é uma questão de engajamento, consenso e mobilização dos evangélicos. Nunca, em nenhum tempo da história do evangelho no Brasil, foi tão oportuno como agora chamá-los de forma incisiva a participar da política nacional”, escreve Macedo, estimando em 40 milhões a comunidade de evangélicos no país: “A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal” (...) É para essa comunidade, que Macedo chama de cristãos com exclusividade (ele exclui os cristãos católicos brasileiros), que Deus teria feito os planos de governo. No texto — repleto de expressões de linguagem de marketing e administração —, Macedo lança as bases para uma militância evangélica político-partidária (...) Silvana Suaiden, professora de Teologia da PUC-Campinas, vê fundamentalismo por parte de Macedo. "O bispo Macedo faz uma leitura fundamentalista da Bíblia. O que ele entende por povo cristão? Para ele, é, sobretudo, o povo da Iurd. Utilizar a Bíblia para amparar essa tese, principalmente nas eleições, quando existe esse projeto de sustentação da base de políticos evangélicos? É uma jogada". A especialista explica: "A Bíblia tem de ser lida no contexto em que foi escrita. Ler o Antigo Testamento e dizer que ali está escrito que Deus tem um plano para os cristãos, quando não há uma referência aos cristãos? Isso não tem sustentação teológica. Ele (Macedo) pode tentar explicar, mas isso não existe. Pode servir ao discurso do pastor-candidato, mas não se sustenta teologicamente".

Leia o texto completo em Notícias - IHU On-Line: 21/09/2008. Veja no artigo também as opiniões de Roberto Romano, professor de Filosofia na Unicamp, sobre o projeto de Macedo. A reportagem é do jornal O Globo, de 21/09/2008 e foi escrita por Tatiana Farah.

O livro: MACEDO, E.; OLIVEIRA, C. Plano de Poder: Deus, os cristãos e a política. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008, 128 p. - ISBN 9788578600198.

3 comentários:

Daniel Clark disse...

Pessoalmente, como alguém que tem estuda a IURD como parte da minha tese de doutorado, tenho relutância em aplicar o termo "fundamentalista" à IURD. Especialmente porque:

1)Não predomina uma interpretação literalista da Escritura. Na realidade ocorre uma forma de "reader-response" na qual a Bíblia é usada de maneira seletiva, e muitas vezes simbólica, para embasar as idéais de Macedo

2) Algumas posições da IURD, como a defesa do aborto, e a distribuição de preservativos no combate à AIDS, não caracterizam um movimento fundamentalista.

3) A IURD não adota a postura antagônica à cultura, e especialmente a cultura brasileira, dos fundamentalistas. A Rede Record seria bem diferente se fosse administrado por fundamentalistas.

4) A postura política da IURD não apresenta uma ideologia de uma direita religiosa, como o "religious right" fundamentalista americano, mas muito mais uma postura pragmática de aumentar o próprio poder, desse modo podendo até aliar-se a partidos de esquerda quando conveniente.

5) Grupos que se auto-denominam fundamentalistas tendem a rejeitar a teologia da prosperidade, e a IURD também.

Se não é fundamentalista, o que a IURD é? Isso é uma outra controvérsia!

Emanuel Pfoh disse...

Estimado Airton,

en Argentina la IURD tiene mucha influencia en los sectores bajos de la población. Afortunadamente, no ha logrado obtener poder político.
Saludos cordiales,

Emanuel

Pericário disse...

Gostei da forma com a qual você escreveu sobre o assunto. Eu acho isso tudo um absurdo mais da parte dos defensores desta causa do que do próprio Edir Macedo, pois pelo que sabemos, ele não é lá uma das pessoas mais confiaveis. Fiz inclusive um post sobre o assunto, se possível, gostaria que você visitasse até porque, se não tiver problema, coloquei este post/blog como referência sobre o assunto.

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