quinta-feira, 10 de julho de 2008

Teólogos em debate com Clodovis Boff sobre a TdL

Na REB n. 270, volume 68, de abril de 2008, nas p. 277-299, pode ser lido o artigo de Luiz Carlos Susin e Érico João Hammes, A Teologia da Libertação e a questão de seus fundamentos: em debate com Clodovis Boff.

Há uma nota de rodapé que diz: Colaboraram para este texto: Jung Mo Sung, Delir Brunelli, Márcio Fabri dos Anjos, Vera Bombonatto, Benedito Ferraro, Maria Clara Bingemer, Afonso Soares e Afonso Murad.

Diz a Síntese/Abstract do artigo, esta disponível online:
Este artigo debate com Clodovis Boff as suas afirmações de que a Teologia da Libertação acabou por inverter a relação entre Deus e o pobre, colocando o pobre no lugar de Cristo. Em réplica, aqui sustentamos que o pobre não é apenas uma decorrência cristológica, mas antes um “lugar teológico” privilegiado para compreender Cristo e Deus do ponto de vista da teologia cristã, inclusive seu teste de veracidade. O artigo debate também a metodologia de Clodovis, que segue uma lógica linear, de sabor escolástico, e não considera suficientemente a complexidade do círculo hermenêutico e a tradição bíblica que obriga a incorporar o paradoxo e o escândalo da quenose como categoria bíblica. Por fim, a categoria de quenose não pode se ater a uma memória textual, mas entra em círculo hermenêutico com a quenose atual dos pobres e de todos os que estão em situação de vulnerabilidade, aos quais é dado o Reino de Deus.


This article engages in a debate with Clodovis Boff with regard to his statements that the Theology of Liberation, by replacing Christ with the poor, ended by inverting the relationship between God and the poor. In refutation of this, we affirm here that the poor are not just a christological consequence but more a privileged “theological place” to understand Christ and God from the point of view of christian theology, and even to test their veracity. The article also disputes Clodovis’ methodology which, in our view, follows a linear logic of a somewhat scholastic flavour, and does not take into sufficient consideration the complexity of the hermeneutic circle and the biblical tradition that forces us to incorporate the paradox and the scandal of the kenosis as a biblical category. Finally the category of kenosis cannot be limited to a textual memory; it enters into a hermeneutic circle with the present kenosis of the poor and of all those who are still in a situation of vulnerability and to whom the Kingdom of God is given.

Lembro que é interessante ler a entrevista publicada pela IHU On-Line, em 08/06/2008, Teologia da Libertação após Aparecida volta ao fundamento? Entrevistas com Luiz Carlos Susin e Érico Hammes, da qual falei em minha postagem A postura de Clodovis Boff causa enorme espanto.

Links para outros textos, inclusive o de Clodovis Boff, em português e espanhol, estão citados em O texto de Clodovis Boff sobre a TdL e a pastoral.

3 comentários:

Tony disse...

Gostei muito do que fez nosso amigo Clodovis Boff. Deus o abençoe.
Como seria bom se o Leonardo Boff se corrigisse ao invés de criticar o irmão Clodovis que escolheu o caminho da Verdade.

Em efeito, em seu ensaio, Clodovis Boff critica o fundamento sobre o que se apóia a teologia da libertação, não a teórica, senão a “realmente existente”. Segundo ele, o engano “fatal” no que ela incorre consiste em colocar ao pobre como “primeiro princípio operativo da teologia”, substituindo a Deus e a Jesus Cristo.
"Desde este engano de princípio só podem derivar-se efeitos funestos. [...] Quando o pobre adquire o estado de ‘primum’ epistemológico, o que acontece com a fé e sua doutrina a nível de teologia e de pastoral? [...] O resultado inevitável é a politização da fé, sua redução a instrumento para a libertação social”.
"A 'pastoral da libertação' torna-se um braço entre tantos do ‘movimento popular’. A Igreja se faz semelhante a uma ONG e assim se esvazia também fisicamente: perde empregados, militantes e fiéis. Os de fora’ experimentam pouca atração por uma ‘Igreja da libertação’, já que, para a militância, dispõem já das ONGs, enquanto que para a experiência religiosa têm necessidade de muito mais do que uma simples libertação social. Além disso, pelo fato de não perceber a extensão e a relevância social da atual inquietação espiritual, a teologia da libertação se mostra culturalmente míope e historicamente anacrônica, ou seja alienada por seu tempo".
Na segunda parte de seu ensaio, o autor mostra como a teologia da libertação pode “salvar-se” com seus frutos positivos só retornando a seu fundamento original, que se encontra no documento final da conferência de Aparecida.
Esse documento, escreve, é a “limpa demonstração” de como é possível conjugar corretamente a fé à ação liberadora. A diferença da teologia da libertação, que “parte do pobre e encontra a Cristo”, Aparecida “parte de Cristo e encontra ao pobre”, tendo bem claro que “o principio-Cristo inclui sempre ao pobre sem que o principio-pobre inclua necessariamente a Cristo. [...] A fonte original da teologia não é outra do que a fé em Cristo”.


http://blogdotonyhenrique.blogspot.com/

Aurelio disse...

Fico muito feliz em ver a decisão de Clodovis Boff. Chega de pessoas que querem, de dentro da Igreja, transformá-la numa anarquia, ou numa ONG de defesa do pobre. É muito básico: se é teologia, tem que ter o Deus de Jesus como fundamento. Se se coloca o pobre como fundamento, o que teremos aí é uma pobrologia, no máximo.
Paz e Bem!
Aurélio (demaus@ig.com.br)

airtonjo disse...

Pobrologia, ptocologia o Cristología? Las extrañas acusaciones de Clodovis Boff.

Postar um comentário