domingo, 3 de fevereiro de 2008

África? Desde que as potências ocidentais...

Jim West fala hoje, em seu blog, da violência na África, em ‘God Left Africa A Long Time Ago’ [Obs.: blog falecido, link sepultado: 23.03.2008] e, entre outras coisas, menciona:
"Sudan, Chad, Kenya, and other ‘death zones’ keep Africa in the news- and not in a good way. What’s going on there? Are death and violence simply the way disputes are best settled? Clearly not. So why, then, are they the chosen means by so many in Africa?"

Acabo de ler um artigo em Carta Maior: A questão do Quênia. Escrito por Flávio Aguiar no dia 31.01.2008. Recomendo. Nada entendo da África. Mas gostaria de entender.

Minha compreensão é que devemos falar da África no plural: há muitas "Áfricas", geográfica, étnica, cultural e politicamente distribuídas no continente africano. Não se pode simplificar. Depois, há o que Tim Bulkeley já escreveu como comentário ao post do Jim: a violência hoje existente na África é resultado, em grande parte, da intervenção colonialista e imperialista do Ocidente. Por onde passaram as potências capitalistas, exacerbou-se o rastro de ódio. Muitos especialistas dizem ser esta a causa maior, embora não a única, das guerras atuais.

O que choca um ocidental dos Estados Unidos ou da Europa é que lá a guerra é "suja". Como diz Flávio Aguiar:
[O que vemos no Quênia são] "massacres mútuos entre Kikuyus e Luos, perpetrados a golpes de machete, de porretes, ou com pneus em chamas presos aos pescoços das vítimas. São imagens de uma 'guerra suja', em contraste com as 'guerras limpas', intervenções cirúrgicas e assépticas para os interventores, apesar dos milhares de mortos do outro lado, que as potências do mundo hoje costumam patrocinar e praticar".

Mas toda guerra, para os derrotados, é suja. Como diz Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas: "Guerra diverte - o demo acha". Ou guerra é "só o contrário do que assim não seja".

Mas deve existir, Jim, algumas centenas de bons livros, em inglês, que analisam com competência a situação das várias "Áfricas" e contextuam historicamente os correntes conflitos.

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