quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Alerta vermelho

Como escapar do fim do mundo

Leonardo Boff

Chegamos a um tal acúmulo de crises que, conjugadas, podem pôr fim a este tipo de mundo que nos últimos séculos o Ocidente impôs a todo o globo. Trata-se de uma crise de civilização e de paradigma de relação com o conjunto dos ecossistemas que compõem o planeta Terra, relação de conquista e de dominação. Não temos tempo para acobertamentos, meias-verdades ou simplesmente negação daquilo que está à vista de todos. O fato é que assim como está, a humanidade não pode continuar. Caso contrario, vai ao encontro de um colapso coletivo da espécie. É tempo de balanço face à catástrofe previsível. Inspira-nos uma escola de historiadores bíblicos que vem sob o nome de escola deuteronomista, derivada do livro do Deuteronômio que narra a tomada de Israel e a entronização de chefes tribais (juízes). A escola refletiu sobre 500 anos da história de Israel, a idade do Brasil, fazendo uma espécie de balanço das várias catástrofes políticas havidas, especialmente, a do exílio babilônico...

Leia o texto completo na Adital - dezembro de 2008

Leia Mais:
Meio ambiente - Environment

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Comblin fala das acusações de Clodovis à TdL

As estranhas acusações de Clodovis Boff

José Comblin

Como vários amigos, fiquei estupefato quando li as acusações feitas por Clodovis Boff à teologia que ele chama de teologia de libertação. Não existe nenhuma instituição chamada teologia da libertação de tal modo que muitos podem perguntar-se se são da teologia da libertação ou não. A acusação feita à chamada teologia da libertação é totalmente indefinida. Clodovis não cita nomes e não dá nenhuma referência, nenhuma a obras de alguns autores que seriam incriminados. Não cita as páginas em que estão os erros. A acusação é a seguinte...

Leia o texto completo na Adital - dezembro de 2008

Leia Mais:
Teólogos em debate com Clodovis Boff
Quem é Comblin?

domingo, 28 de dezembro de 2008

A tragédia de Gaza



Leia:
Oriente Médio - Links para várias páginas sobre a crise no Oriente Médio - Ayrton's Biblical Page
Se Gaza cair, Cisjordânia cairá depois - Artigo de Sara Roy, Professora do Harvard's Center for Middle Eastern Studies, publicado na London Review of Books - Carta Maior: 28/12/2008


Atualização: 30/12/2008 - 11h45

Relator da ONU se diz chocado com inação de comunidade internacional sobre Gaza

O relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos, Richard Falk, afirmou à BBC nesta terça-feira estar chocado pelo fato de a comunidade internacional não estar fazendo mais para pressionar Israel a interromper seus ataques à faixa de Gaza (...)

"Israel está cometendo uma série chocante de atrocidades usando armamentos modernos contra uma população indefesa, atacando uma população que já vem enfrentando um bloqueio severo por muitos meses e ignorando a possibilidade do restabelecimento de um cessar-fogo que a liderança do Hamas havia proposto", afirmou Falk.

"Estou chocado pela incapacidade da comunidade internacional em tomar ações mais decisivas em resposta ao que está ocorrendo", disse.

Para Falk, Israel já estava violando a lei internacional antes dos ataques, por conta de seu bloqueio à faixa de Gaza.

"O próprio bloqueio viola as duas obrigações mais fundamentais de um poder de ocupação. Primeiro, de não punir coletivamente a população civil, e, segundo, de garantir que a população do território ocupado tenha suprimentos de alimentos e medicamentos suficientes", afirmou.

Para ele os bombardeios israelenses são "um ato de agressão incondicional contra uma população indefesa pela qual Israel tem responsabilidades especiais de acordo com as Convenções de Genebra e em relação às normas da ONU".

Fonte: Folha Online - BBC Brasil: 30/12/2008 - 10h03

sábado, 27 de dezembro de 2008

Josefo, a sociedade judaica e as origens cristãs

MASON, S. Josephus, Judea, and Christian Origins: Methods and Categories. Peabody, MA: Hendrickson, 2009, 464 p. - ISBN 9781598562545. Publicação prevista para março de 2009.

The book comprises eleven chapters in three parts:
  • Part I: Josephus, Interpretation and Historical Method
  • Part II: Josephus and Judaean Society
  • Part III: Josephus and Christian Origins
Da Introdução, que pode ser lida na página da Hendrickson, destaco:
The only reason to produce a new academic book is to contribute something coherent for scholarly reflection. In the past year I began to think that a number of my published and unpublished papers, on Josephus, Judean society, and Christian origins, had such a unifying theme and so could usefully be brought together in one volume. Driving my research for a number of years has been a set of questions related to historical and literary-interpretative methods, and the relationship between these two. What is history? What does it mean to read Josephus (or any other ancient narrative)? What is the relationship between reading the narrative and reconstructing the past —whether the past behind the story or the past represented by the text’s own existence as an artifact itself? (...) On the historical side of the ledger, one of my primary concerns has been with the appropriateness of our standard categories (...) The more that I have worked on the Eastern Mediterranean under Roman rule, the more I have become convinced that some of our most basic analytical categories, such as “religion,” “Judaism,” and even “gospel,” do not map onto ancient conceptions or language. And if they do not, what are the implications of that disparity for our analysis? What categories should we use instead? And so, I seemed to have in hand the promise of a coherent contribution: “methods and categories” in the study of Josephus, Judea, and Christian origins.

Steve Mason is Professor of History and Canada Research Chair in Greco-Roman Cultural Interaction at York University, Toronto. He is the author of Flavius Josephus on the Pharisees: A Composition-Critical Study (2001) and general editor of the twelve-volume series Flavius Josephus: Translation and Commentary.

Agradeço a Michael Helfield, do biblioblog Toshunka, onde vi a indicação do livro no post Latest work from Steve Mason: Josephus, Judea, and Christian Origins.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Entrevista com Finkelstein em Sciences et Avenir

N. T. Wrong, em postagem de hoje em seu blog homônimo, chama a atenção para uma entrevista de Israel Finkelstein publicada na revista Sciences et Avenir, com data de 17 de dezembro de 2008.

Veja a entrevista aqui. Em francês.

Pour Israël Finkelstein, dans Sciences et Avenir de décembre 2008, "les textes sacrés ne sont pas des comptes-rendus historiques". Découvrez l'interview de Finkelstein dans S & A de décembre dans la suite de cette note (...) Propos recueillis à Megiddo par Bernadette Arnaud - Extrait de la revue Sciences et Avenir : 17 décembre 2008

Finkelstein Interview in Sciences et Avenir, December 2008

Tributo a Israel Finkelstein

FANTALKIN, A.; YASUR-LANDAU, A. (eds.) Bene Israel: Studies in the Archaeology of Israel and the Levant during the Bronze and Iron Ages in Honour of Israel Finkelstein. Leiden: Brill, 2008, xx + 247 p. - ISBN 9789004152823

Este livro é uma homenagem - um Festschrift - ao arqueólogo Israel Finkelstein, prestada, simbolicamente, por 12 de seus ex-alunos. Os ensaios abordam vários aspectos da arqueologia de Israel e do Levante durante as Idades do Bronze e do Ferro.

This collection of twelve papers, dedicated to Professor Israel Finkelstein, deals with various aspects concerning the archaeology of Israel and the Levant during the Bronze and Iron Ages. Although the area under discussion runs from southeastern Turkey (Alalakh) down to the arid zones of the Negev Desert, the main emphasis is on the Land of Israel. This collection provides the most recent evaluation of a number of thorny issues in Israeli archaeology during the Bronze and Iron Ages and specifically addresses chronology, state formation, identity, and agency. It offers, inter alia, a fresh look at the burial practices and iconography of the periods disscussed, as well as a re-evaluation of the subsistence economy and settlement patterns. This book is finely illustrated with more than sixty original drawings.

“…The twelve authors included here, a symbolic metaphor, represent in fact only a fraction of Israel’s many students. Professor Finklestein’s ongoing commitment to the training and guiding of students will no doubt continue to produce a steady flow of new archaeologists. More “Bene” and “Benot” Israel indeed.”

Os editores: Alexander Fantalkin, Universidade de Tel-Aviv, Israel, e Assaf Yasur-Landau, Universidade da Califórnia, Santa Cruz, USA.

Leia mais no blog de Jim West, no post Israel Finkelstein’s Festschrift - 23 de dezembro de 2008.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal: mito de fundação ou manifesto político?

Natal: uma mitologia?
A revista Riforma, n° 49, 19-12-2008, publicação semanal dos evangélicos batistas, metodistas e valdenses italianos, publicou em sua última edição uma carta de um de seus leitores questionando a credibilidade do Natal, que mais parece, segundo sua opinião, uma lenda, um "mito de fundação". Questionado pelo leitor, Paolo Ricca, colaborador da revista, mais adiante, responde à carta.


Leia o texto em Notícias - IHU On-Line: 23/12/2008


Por outro lado, acaba de sair em português o livro de BORG, M. J.; CROSSAN, J. D. O primeiro Natal: O que podemos aprender com o nascimento de Jesus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, 304 p. - ISBN 9788520921470.

Original inglês: The First Christmas: What the Gospels Really Teach About Jesus's Birth. New York: HarperOne, 2007, 272 p. - ISBN 9780061430701.

Para os autores, "o tema comum por trás das narrativas [do nascimento e infância de Jesus] é a rejeição do projeto imperial de Roma, que dominava um quarto da população do planeta na época, em favor de um projeto alternativo para a humanidade, representado por Jesus e seu evangelho. 'As histórias do primeiro Natal são, em geral, anti-imperiais. Em nosso contexto, isso significa afirmar, seguindo as histórias da natividade, que Jesus é o Filho de Deus (e o imperador não é), que Jesus é o Salvador do mundo (e o imperador não é), que Jesus é o Senhor (e o imperador não é), que Jesus é o caminho para a paz (e o imperador não é)', escrevem os autores", explica Reinaldo José Lopes na reportagem Histórias bíblicas de Natal têm viés político, diz pesquisa, publicada no G1 em 22/12/2008 - 09h32.

Leia o texto completo.

Paulo de Tarso: tema de capa da IHU On-Line

Paulo de Tarso: a sua relevância atual

Este é o tema de capa da edição 286 da IHU On-Line, publicada ontem, 22/12/2008.

As entrevistas:
  • Hermann Häring: Paulo, o universalismo e a Ética Mundial
  • Alain Gignac: A redescoberta de Paulo pela pós-modernidade
  • Rémi Brague: Antecipando os slogans da modernidade
  • Jean-Claude Eslin: O universalismo paulino
  • Jerome Murphy O’Connor: Paulo: um novo sentido para a igreja de hoje
  • Maria Clara Bingemer: Paulo e a Carta aos Romanos: a Igreja e a Sinagoga
  • Diane Kuperman: Fraternidade judaico-cristã: a busca pelo diálogo
  • Eduardo Pedreira: Um plantador de igrejas
Veja todas as edições da IHU On-Line.

II Simpósio de Teologia da PUC-Rio aborda Paulo

O II Simpósio Internacional de Teologia da PUC-Rio acontecerá de 31/3/2009 a 02/4/2009 e terá como tema Paulo Apóstolo, diante do Judaísmo e do Helenismo.

Fazem palestras ou participam de debates especialistas como: Florentino García Martínez (Lovaina), Edgard Leite Ferreira Neto (UERJ), Milton Schwantes (UMESP), Jesus Hortal Sanchez (PUC-Rio), Romano Penna (Roma), Johan Konings (FAJE-BH), Cláudia Andréa Prata Ferreira (UFRJ), Henrique Fortuna Cairus (UFRJ), Dom José Antônio Peruzzo (Bispo de Palmas - PR), André Leonardo Chevitarese (UFRJ), Marta Braga (UCP) e Ricardo Lengruber (BENNETT).

Veja todos os detalhes do evento clicando aqui.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Paulo de Tarso: um mestre que faz pensar?

A redescoberta de Paulo pela pós-modernidade. Entrevista especial com Alain Gignac

Alain Gignac é enfático ao dizer que a redescoberta de Paulo de Tarso pela pós-modernidade se dá em dois sentidos. “Paulo alimenta a (pós)modernidade, e esta permite redescobrir Paulo”. Um mestre que faz os filósofos ocidentais pensarem, mesmo os ateus. “Para todos esses filósofos, a leitura das cartas foi determinante como catalisador de seu próprio pensamento – que não se situava necessariamente na linha de Paulo e, mesmo seguidamente se opunha a ele”. E Paulo nos confronta na época de individualismo e consumismo exacerbados em que vivemos, provoca Gignac: “Na história da literatura, trata-se do primeiro escritor a se expressar em ‘eu’ com tal força. Mas o ‘eu’ de Paulo é livre e inscrito em uma comunidade, não é individualista e isolado, nem escravo e alienado”.

Enquanto forem lidas, suas cartas continuarão nos forçando a refletir. Por isso, “não há momento propício para ler Paulo, mas ao contrário, a leitura de Paulo pode criar um momento propício, o momento capaz de criar o novo”. Analisando as críticas de Nietzsche a Paulo, Gignac aponta que o filósofo alemão “dissocia Jesus e Paulo para opô-los e para atacar o apóstolo se servindo de um Jesus que lhe convém”. E completa: “O cristianismo não está fundado em Jesus, mas no Cristo – ou seja, uma interpretação pascal da vida e da morte de Jesus”. A respeito da morte na cruz, o teólogo destaca que Paulo sabe que esta é uma “morte vergonhosa, mas ele está longe de dizer que se trata de uma morte gloriosa. Paulo não exclui o sofrimento nem o escândalo da morte. Sua retórica não visa à sublimação, mas marca fortemente o paradoxo”.

Gignac é professor assistente na Faculdade de Teologia e Ciências da Religião da Universidade de Montreal, Canadá, desde 1999, onde leciona Novo Testamento. Especializado no corpus paulino, ele se interessa pelos métodos de análise sincrônica (retórica, estrutural, narratológica e intertextual) e os seus impactos hermenêuticos. A sua investigação Ler a Carta aos Romanos hoje, subvencionada pelo governo canadense, propõe-se reler Romanos com estes métodos, mas também aborda o horizonte do questionamento moderno/pós-moderno: como o escrito paulino propõe uma identidade e um agir no seu leitor? De sua produção acadêmica, citamos Juifs et chrétiens à l'école de Paul de Tarse. Enjeux identitaires et éthiques d'une lecture de Rm 9-11. Montréal: Médiaspaul, 1999; [Commentaire de la Lettre aux Romains. Paris: Cerf, en préparation].

A entrevista foi concedida por e-mail, com exclusividade à IHU On-Line.

Confira a entrevista em Notícias - IHU On-Line: 21/12/2008

Alain Gignac
Sommaire des intérêts de recherche
Rédaction d’un commentaire scientifique synchronique sur la Lettre aux Romain; lecture du corpus paulinien en contexte postmoderne (Lyotard, "déconstruction" de Rm 1); réception de Romains par des philosophes contemporains (Alain Badiou, Jacob Taubes, Giorgio Agamben); analyse narratologique de la Lettre aux Galates.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Faustino Teixeira comenta livro de Martini

Uma fé que transborda fronteiras: diálogos com o Cardeal Martini

"Em tempos de “inverno eclesial”, Martini aponta o sonho de uma Igreja corajosa e ousada. Tem no horizonte o impulso profético que sinaliza o desafio de transmitir aos outros não as decepções da vida, mas os sonhos mais decisivos. E esses sonhos “nunca envelhecem”, escreve Faustino Teixeira, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPCIR-UFJF).

Leia o texto completo. Fonte: Notícias - IHU On-Line: 20/12/2008

O artigo também é publicado pelo sítio amai-vos.

Num tempo carente de vozes proféticas, o livro do Cardeal Martini revela-se auspicioso. Acende a chama de esperança nos cristãos que acreditam num novo modo de ser Igreja [conclui Faustino].

Leia Mais:
Diálogos Noturnos, de Carlo Martini, em português

Ecos de Darwin

IX Simpósio Internacional IHU Ecos de Darwin

:: Apresentação
Com o objetivo de debater a importância e as repercussões da obra de Charles Darwin por ocasião dos 200 anos de seu nascimento e dos 150 anos da publicação da primeira edição da Origem das Espécies, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU - conjuntamente com o PPG em Filosofia da Unisinos e com o apoio do Colégio Anchieta de Porto Alegre, promove o IX Simpósio Internacional IHU Ecos de Darwin a ser realizado na Unisinos, de 9 a 12 de setembro de 2009

:: Realização
Início: 09 de setembro de 2009
Término: 12 de setembro de 2009
Horário: conforme o programa
Duração total: 40 horas
Local: Anfiteatro Pe. Werner – Av. Unisinos, 950 – São Leopoldo – RS

:: Objetivo
. Expor as raízes históricas da teoria darwiniana na Origem das Espécies
. Discutir as implicações da revolução científica, metodológica e epistemológica do evolucionismo darwiniano
. Explorar as novas perspectivas epistemológicas, éticas, sociais e religiosas suscitadas pela discussão do pensamento darwiniano

:: Público-alvo
Professores (as), pesquisadores (as), estudantes universitários(as) e comunidade em geral

:: Programa
Cf. a página de Eventos do IHU

Leia Mais:
Darwin, discutido 200 anos depois - Notícias - IHU On-Line: 20/12/2008
Criacionismo
Criacionismo, design inteligente e teoria da evolução
The Complete Work of Charles Darwin Online
Intelligent design, criacionismo e evolucionismo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mesters assessora Curso de Verão em Goiânia

Nos 20 anos do Curso de Verão em Goiânia, Mesters é o assessor
O Curso de Verão de Teologia e Educação Popular de Goiânia completa 20 anos e terá como seu assessor principal o frei Carlos Mesters. O curso se realiza de 5 a 10 de janeiro de 2009, na IFITEG 7ª. Criado em 1990, o Curso de Verão tem como meta a formação popular na esfera bíblica, teológica, pastoral e de compromisso ecumênico transformador em relação às Igrejas e à sociedade. Naquele ano, foi assumido pela Arquidiocese de Goiânia, como desdobramento do Curso de Verão do CESEP, São Paulo, que há dois anos vinha acontecendo no Auditório do Tuca-PUC e tinha como objetivo desafogar a grande demanda de São Paulo, acolhendo os interessados da região Norte e Centro-Oeste. No curso de 2009, frei Carlos Mesters, um dos mais conhecidos biblistas do Brasil, vai ajudar a refletir sobre Paulo e as comunidades [sublinhado meu], tema que se relaciona ao ano Paulino da Igreja Católica Romana, instituído para comemorar os 2000 anos do nascimento do apóstolo Paulo...

Leia a notícia completa no site do CEBI - Notícia publicada no dia 16 de dezembro de 2008 - 9h03min

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

OpenOffice Portable 3.0 foi liberado para download

Foi liberada hoje a versão 3.0.0 da suíte OpenOffice.org Portable. Para quem usa pen drive...

OpenOffice.org Portable 3.0 Released - Submitted by John T. Haller on December 18, 2008 - 5:08am

O download pode ser feito aqui.

Confira, em português, o BrOffice (OpenOffice.org) e verifique esta lista, com links, de aplicativos portáteis.

Se, eventualmente, ainda não estiver familiarizado com o assunto, vá para o "Leia Mais".


Leia Mais:
Portable Applications - Aplicativos Portáteis
Usando Aplicativos Portateis - Portable Apps
Aplicativos portateis: fazendo e aprendendo

Ferramentas online para a pesquisa bíblica

Leia no Tyndale Tech: New Essencial Research Tools

David Instone-Brewer explica como funcionam algumas ferramentas interessantes para a pesquisa. Em nosso caso, para a pesquisa bíblica, como: Zotero, Google Docs, Evernote e FLV Converter...

Leia Mais:
Recursos online para o estudo da Bíblia

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Caros Amigos entrevista Protógenes Queiroz

De não se perder...

Para que não desapareça nos meandros do esquecimento o momento atual...

Na Caros Amigos, ano XII, n. 141, dezembro de 2008.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

De Asherah a asherah

Um artigo de Judith M. Hadley em The Bible and Interpretation, publicado agora, em dezembro de 2008, que pode interessar a estudiosos da área:

Evidence for Asherah

Asherah has appeared paired with Yahweh in positive ways. Furthermore, the early eighth century BCE prophets do not condemn Asherah worship. The worship of Asherah was evidently acceptable before the Deuteronomistic reform movement gained momentum in the seventh century BCE, but since the text of the Bible was significantly composed or edited by the Deuteronomistic school or even later, this fact is not immediately apparent.

E uma observação: Much of this article is an abridgement of Hadley 2000. Esta é uma referência a seu mais conhecido estudo sobre o assunto:

The Cult of Asherah in Ancient Israel and Judah: Evidence for a Hebrew Goddess. Cambridge: Cambridge University Press, 2000, xv + 262 p. - ISBN 9780521662352.

Que por sua vez é resultado de sua dissertação produzida em Cambridge em 1989.

Em uma resenha publicada na CBQ 63, n. 3, July 2001, p. 520-521, William J. Fulco, da Loyola Marymount University, Los Angeles, CA, elogia muito o estudo de Judith M. Hadley e o considera indispensável para toda e qualquer pesquisa posterior sobre a religião de Israel no contexto do Antigo Oriente Médio.

Agradeço a Jim West, em cujo blog vi a dica.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Free Books in Biblical Studies and Related Fields

Uma lista de livros gratuitos online sobre Estudos Bíblicos e áreas afins. Alguns clássicos da história da exegese podem ser encontrados nesta lista, e só por isto ela já vale a pena.

A lista é baseada em Google Books ou Pesquisa de Livros do Google, Archive.org e outros sites. São livros disponíveis para leitura online, mas os que têm o nome do autor em vermelho permitem o download em formato pdf.

Lista compilada por Bob Buller, Danny Zacharias, Mark Vitalis Hoffman.

A list of Online Free Books in Biblical Studies and Related Fields. Google Books, Archive.org, & web-based content. By Bob Buller, Danny Zacharias, Mark Vitalis Hoffman.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Diálogos Noturnos, de Carlo Martini, em português

Paulus anuncia a publicação do mais debatido livro do biblista e cardeal Carlo Martini, Jerusalemer Nachtgespräche: Über das Risiko des Glaubens.


MARTINI, C. M.; SPORSCHILL, G. Diálogos noturnos em Jerusalém: Sobre o risco da fé. São Paulo: Paulus, 2008, 160 p. - ISBN 9788534929660

Leia Mais:
Conversazioni notturne a Gerusalemme
A travessia de Carlo Martini, biblista
Martini pide la reforma de la Iglesia
O testamento de Martini

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mario Liverani: História antiga de Israel

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: História antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008, 544 p. - ISBN 9788515035557.



As historias do antigo Israel sempre foram concebidas como uma espécie de paráfrase da narrativa bíblica. Esta obra de Mario Liverani, porém, é uma tentativa de reescrita da história de Israel que leva em consideração os resultados da crítica textual e literária, as contribuições da arqueologia e da epigrafia e que foi desenvolvida segundo os critérios da moderna metodologia historiográfica. Desta perspectiva resultam duas histórias: uma história normal dos dois pequenos reinos de Israel e Judá, semelhante àquelas de tantos outros pequenos reinos da região. E uma história inventada, construída pelos judaítas durante e após o exílio babilônico, que projetam no seu passado os problemas e as esperanças de sua época.

Leia Mais:
. História de Israel de Liverani em português
. Mario Liverani: homenagem e bibliografia 
. Pode uma 'História de Israel' ser escrita?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Max Weber e o judaísmo antigo segundo Chalcraft

CHALCRAFT, D. Max Weber and the Sociology of Biblical Social Worlds. London: T & T Clark, 2009, 224 p. - ISBN 9780567027580. Publicação prevista para setembro de 2009.

Description
The volume provides new Weberian readings and reconstructions of social and cultural processes in ancient Israel and formative Judaism as evidenced in the literary and material remains of the society. It places Weber's Ancient Judaism into the context of Weber's considered as a whole, and establishes that there is more to the legacy of Weber in biblical studies than reliance on the Ancient Judaism text suggests. Readers are introduced to the central themes in Weber's sociology, including his distinctive methodological positions, and are taken through a series of studies that utilize Weber's concepts and theories relating to law, charisma, stratification, work ethics, disenchantment and rationalization in relation to Biblical social worlds. These applications are considered critically, and the overall aim is to establish what a Weberian approach to ancient Biblical would be constituted by at the same time as integrating Weber's approach with the best in contemporary social science criticism and, when necessary, to develop a neo- and post - Weberian stance in relation to certain social variables and social processes.

David J. Chalcraft é Professor de Sociologia Clássica na Universidade de Derby, Reino Unido. Seus estudos de Bíblia foram feitos na Universidade de Sheffield e de Sociologia na Universidade de Oxford.

Chalcraft has long been associated with the interpretation of the life and work of Max Weber, being a co-founder of the international journal 'Max Weber Studies' co-editor of 'The Protestant Ethic Debate: Max Weber’s Replies to His Critics 1907-1910' (Liverpool University Press, 2001) and of 'Max Weber Matters: Interweaving Past and Present' (Ashgate, 2008). He has also contributed to the growing field of social scientific biblical criticism.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Resenhas na RBL: 04.12.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ignacio Carbajosa and Luis Sánchez Navarro, eds.
Entrar en lo antiguo: Acerca de la relación entre Antiguo y Nuevo Testamento
Reviewed by David Creech

Lutz Edzard and Jan Retsö, eds.
Current Issues in the Analysis of Semitic Grammar and Lexicon I: Oslo-Göteborg Cooperation 3rd-5th June 2004; II: Oslo-Göteborg Cooperation 4th-5th November 2005
Reviewed by Frederick E. Greenspahn

Paul Foster, ed.
The Writings of the Apostolic Fathers
Reviewed by Taras Khomych

Robert P. Gordon
The God of Israel
Reviewed by Ben C. Ollenburger

Christiana de Groot and Marion Ann Taylor, eds.
Recovering Nineteenth-Century Women Interpreters of the Bible
Reviewed by Caryn A. Reeder

Hans-Josef Klauck
Ancient Letters and the New Testament: A Guide to Context and Exegesis
Reviewed by Matthew D. Montonini

Nikolaos Lazaridis
Wisdom in Loose Form: The Language of Egyptian and Greek Proverbs in Collections of the Hellenistic and Roman Periods
Reviewed by John S. Kloppenborg

Mary E. Mills
Alterity, Pain, and Suffering in Isaiah, Jeremiah, and Ezekiel
Reviewed by Hallvard Hagelia

Ilana Pardes
Melville's Bibles
Reviewed by Mark Elliott

Peter M. Phillips
The Prologue to the Fourth Gospel: A Sequential Reading
Reviewed by John Painter

Thomas Römer and Konrad Schmid, eds.
Les Dernières Rédactions du Pentateuque, de L'Hexateuque et de L'Ennéateuque
Reviewed by John Engle

Andreas Schüle
Der Prolog der hebräischen Bibel: Der literar- und theologiegeschichtliche Diskurs der Urgeschichte (Genesis 1-11)
Reviewed by Karl Möller

Christopher R. Seitz
Prophecy and Hermeneutics: Toward a New Introduction to the Prophets
Reviewed by Julia M. O'Brien

Hagith Sivan
Between Woman, Man and God: A New Interpretation of the Ten Commandments
Reviewed by William Marderness

J. Samuel Subramanian
The Synoptic Gospels and the Psalms as Prophecy
Reviewed by Thomas J. Kraus
Reviewed by Edward J. Mills III

Sigve K. Tonstad
Saving God's Reputation: The Theological Function of Pistis Iesou in the Cosmic Narratives of Revelation
Reviewed by Tobias Nicklas

Ben Witherington III
The Letters to Philemon, the Colossians, and the Ephesians: A Socio-Rhetorical Commentary on the Captivity Epistles
Reviewed by Timothy Gombis

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Livro sobre Deuteronomista em português

Vi hoje na Editora Vozes que o livro de Thomas RÖMER, The So-Called Deuteronomistic History: A Sociological, Historical and Literary Introduction. New Edition. London: T & T Clark, 2007, x + 202 p. ISBN 9780567032126, que comentei no ano passado, foi traduzido para o português:


RÖMER, T. A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008, 208 p. - ISBN 9788532637550


Thomas Römer tem pesquisado as questões mais relevantes da OHDtr por mais de duas décadas e esta introdução é bem-vinda. Após uma introdução à temática e à história da pesquisa, o autor enfrenta o desafio de questões bastante complexas, como: Por que e como o deuteronomismo surgiu como uma “escola” na época da hegemonia assíria na Palestina? Os livros que compõem a OHDtr querem difundir idéias que interessam a alguém ou a alguma instituição no momento em que a obra foi elaborada? Do ponto de vista sociológico e ideológico o que acontece com esta obra durante o exílio babilônico e a época persa? A OHDtr é uma literatura de crise? Qual a influência que ela exerce sobre a identidade do período pós-exílico? 

Thomas Römer tenta responder a tais questões com uma solução de compromisso entre as mais difundidas hipóteses sobre a origem da OHDtr, notadamente as soluções de Harvard e de Göttingen. 

Ele defende uma desenvolvimento da obra em três estágios, com uma primeira edição anterior ao exílio (Harvard – F. M. Cross), uma segunda edição durante o exílio (a tese de M. Noth) e uma edição final no pós-exílio (a edição DtrN de Göttingen – R. Smend).


Leia Mais:
A OHDtr em Estudos Bíblicos
A Obra Histórica Deuteronomista na revista Estudos Bíblicos
Bibliografia comentada sobre a OHDtr
RIBLA: Profetas Anteriores ou OHDtr

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lista de Biblioblogs

Mais uma? Não. Esta já existia. Apenas fiz uma reforma em uma lista de Biblioblogs que mantenho na Ayrton's Biblical Page.

A lista era pequena e minha pretensão foi, além de colocar os títulos e titulares dos biblioblogs, também o país de origem dos respectivos... Mas, desisti deste último ponto, pois não consegui a identificação de todos. Como o Jim West observou hoje, no Biblical Studies Carnival, alguns biblioblogueiros - raros, na verdade - nem o sobrenome usam colocar...

Em 14 de abril de 2007 eu havia criado uma lista chamada Best Blogs about Biblical Studies, a partir de um sistema de listas da livraria Amazon.com chamado UnSpun by Amazon.com. Eu comecei e os colegas biblioblogueiros foram preenchendo a lista.

Nem sei bem em que data, mas agora, em 2008, este sistema de listas foi desativado pela Amazon.com e tudo foi para o "espaço" [UnSpun has been shut down]. É o que se lê, ao clicar no antigo link:

Thank you for your interest in UnSpun by Amazon. UnSpun has been shut down. If you are interested in lists, you can create an Amazon Listmania List at www.amazon.com/listmania.

Mesmo assim, valeu a pena enquanto durou, pois ficamos muito bem colocados, apesar de algumas controvérsias geradas pela lista. Quem estiver interessado, pode ler sobre este "caso" em:
Pois bem: além de usar a "falecida" UnSpun para fazer a atualização da presente lista de Biblioblogs, percorri também outras renomadas listas como as de Aantekeningen bij de Bijbel - Ancient Hebrew Poetry - Biblioblogs.com - N. T. Wrong.


O resultado pode ser visto aqui. Quase duas centenas de biblioblogs. Talvez sirva a alguém.

Biblioblog Top 50 - Novembro de 2008

Como fez no mês passado, N. T. Wrong, em seu biblioblog homônimo, lista os 50 biblioblogs mais frequentados no mês de novembro de 2008.

Até que não estou mal na "foto": no mês passado o Observatório Bíblico era o quinto colocado. Agora é o quarto. Subi um ponto. Viva.

Veja a lista em: Biblioblog Top 50 - November 2008

Biblioblogueiro de dezembro 2008: Mark V. Hoffman

Brandon Wason, em Biblioblogs.com, entrevista Mark Vitalis Hoffman, do biblioblog Biblical Studies and Technological Tools, escolhido como o biblioblogueiro do mês de dezembro de 2008.

Biblical Studies Carnival XXXVI

Seleção das melhores postagens de novembro de 2008.

Competente trabalho, como sempre, feito por Jim West, em seu biblioblog Dr Jim West.

domingo, 30 de novembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Khirbet Qeiyafa=Sha'arayim?

Leia primeiro: Qual seria o nome antigo de Khirbet Qeiyafa?

Em seguida, leia em The Journal of Hebrew Scriptures, volume 8, 2008, o texto de Yosef Garfinkel e Saar Ganor, Khirbet Qeiyafa: Sha'arayim.

Abstract:
Khirbet Qeiyafa is a 2.3 hectare fortified early 10th century BCE site, located in the Judean Shephelah, atop a hill that bordered the Elah Valley from the north. This is a key strategic location in the biblical kingdom of Judah, on the main road from Philistia and the Coastal Plain to Jerusalem and Hebron in the hill country. It is the only site in the Kingdoms of Judah and Israel with two gates. This unique feature provides a clear indication of the site's identity as biblical Sha'arayim, a place name that means “two gates” in Hebrew. Sha'arayim is mentioned three times in the Bible (Jos 15:36; 1 Sam 17:52 and 1 Ch 4:31-32). It is located near the Elah valley, associated with King David twice, and not mentioned in conjunction with any other later First Temple period tradition. This accords with the archaeological and radiometric data that indicate a single-phase settlement in the early 10th century BCE at Khirbet Qeiyafa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Estela de Kuttamuwa: foto, texto e tradução

No biblioblog de John Hobbins, Ancient Hebrew Poetry, os interessados podem ler:

:: Kuttamuwa Inscription Lines 1-5: Image, Text and Translation - November 27, 2008

:: Kuttamuwa Inscription Lines 6-13: Image, Text and Translation - November 28, 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CEBI estreita parcerias com entidades européias

Comitiva do CEBI vai à Europa para estreitar parcerias

CEBI - 25/11/2008: 14h04

Uma comitiva formada pelo Frei Carlos Mesters, por Lúcia Weiler e pelo secretário executivo do CEBI, Edmilson Schinelo, embarcou nesta segunda-feira, 24 de novembro, para a Europa, em missão junto às entidades parceiras da cooperação internacional e comunidades locais. A viagem de 15 dias – o retorno é no dia 10 de dezembro - inicia pela Holanda, passa pela Alemanha e termina na Suíça.

Leia a notícia completa no site do CEBI.

Simpósio sobre leitura e ensino da Bíblia no Brasil

Leitura e ensino da Bíblia no Brasil é tema de simpósio

CEBI - 25/11/2008 - 13h49

A Leitura e Ensino da Bíblia no Brasil é o tema do Simpósio que Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE) promove de 15 a 18 de dezembro de 2008, em São Leopoldo. O evento será realizado no Seminário Concórdia da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), com participação de Milton Schwantes, Paulo Teixeira e Vilson Scholz.

A programação do simpósio conta com uma mesa redonda com professores da área de Bíblia sobre o ensino das disciplinas bíblicas nas escolas de teologia. Também será assunto do evento o panorama da hermenêutica no Brasil, bem como as percepções sobre leituras da Bíblia.

Além disso, haverá uma oficina sobre ferramentas para o ensino das línguas bíblicas e outra sobre o ensino da metodologia exegética.

As inscrições podem ser feitas junto ao site da ASTE.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Kuttamuwa Stele from Zincirli

Leia em Biblia Hebraica, de Douglas Mangum, sobre a apresentação da nova inscrição de Zincirli por Dennis Pardee e David Schloen no Congresso da SBL em Boston: SBL: Kuttamuwa Stele from Zincirli.

E em Ketuvim, de Jim Getz: Kuttamuwa Inscription Update: Pardee’s transcription.

Leia Mais:
Zincirli

sábado, 22 de novembro de 2008

Trends - Tendências

N. T. Wrong retornou aos Biblioblogs [Obs.: blog deletado] de sua lista, já mencionada aqui, e os classificou segundo a sua maior ou menor atividade em Red Hot, Regular, Rare, Dying, usando cores específicas:

"...I felt the need to add an additional classification, indicating the level of biblical-studies-related activity on each biblioblog".

Muito interessante [Obs.: não há mais link - blog interrompido]

Zincirli

BibleWorks 8

BibleWorks 8 já está disponível.

BibleWorks has launched version 8 with a tremendous array of innovative tools, essential resources and interactive capabilities! Now users can have more Bible translations (190+), 35 original language texts and morphology databases, 29 lexical-grammatical references, plus a wealth of practical reference works, giving them tightly integrated databases with powerful morphology and analysis tools (BibleWorks User Forums).

Veja as características e as novidades desta nova versão clicando aqui.

Leia Mais:
BibleWorks 8 - Bible Software Review, by Rubén Gómez: November 20th, 2008
BibleWorks version 8 announced - Biblical Studies and Technological Tools, by MGVH: November 20, 2008
O que é BibleWorks?
Como usar o BibleWorks 8

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Resenhas na RBL: 20.11.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Hector Avalos
Fighting Words: The Origins of Religious Violence
Reviewed by J. Harold Ellens

Bob Becking
From David to Gedaliah: The Book of Kings as Story and History
Reviewed by Marvin A. Sweeney

Jason Beduhn and Paul Mirecki, eds.
Frontiers of Faith: The Christian Encounter with Manichaeism in the Acts of Archelaus
Reviewed by Tobias Nicklas

Roland Boer, ed.
Bakhtin and Genre Theory in Biblical Studies
Reviewed by Timothy J. Sandoval

Susan Brayford
Genesis
Reviewed by Jan Joosten

Rhonda Burnette-Bletsch
Studying the Old Testament: A Companion
Reviewed by Steed Vernyl Davidson

Stephen K. Catto
Reconstructing the First-Century Synagogue: A Critical Analysis of Current Research
Reviewed by Birger Olsson
Reviewed by Jonathan Bernier

Nicola Denzey
The Bone Gatherers: The Lost Worlds of Early Christian Women
Reviewed by Paul Dilley

Deborah L. Ellens
Women in the Sex Texts of Leviticus and Deuteronomy: A Comparative Conceptual Analysis
Reviewed by Naomi Steinberg

Richard A. Horsley
Scribes, Visionaries, and the Politics of Second Temple Judea
Reviewed by Lester L. Grabbe

Paul Joyce
Ezekiel: A Commentary
Reviewed by Corrine Carvalho
Reviewed by Steven S. Tuell

Adriane B. Leveen
Memory and Tradition in the Book of Numbers
Reviewed by James W. Watts

David R. Nienhuis
Not by Paul Alone: The Formation of the Catholic Epistle Collection and the Christian Canon
Reviewed by Patrick J. Hartin

Matthew B. Schwartz and Kalman J. Kaplan
The Fruit of Her Hands: A Psychology of Biblical Woman
Reviewed by Corinne Blackmer

Jan G. van der Watt, ed.
Identity, Ethics, and Ethos in the New Testament
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Géza G. Xeravits and József Zsengellér, eds.
The Book of Maccabees: History, Theology, Ideology (Papers of the Second International Conference on the Deuterocanonical Books, Pápa, Hungary, 9-11 June, 2005)
Reviewed by Pierre Keith

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Congresso da SBL 2008

O Congresso Anual da SBL - Society of Biblical Literature - acontece em Boston, MA, entre os dias 21-25 de novembro de 2008.

Todas as informações na página da SBL.

Para saber quais biblioblogueiros participam do Congresso e o que apresentarão, veja:

Bibliobloggers Presenting at SBL - Douglas Mangum, Biblia Hebraica - November 2, 2008 (Updated: 11/6/08)

E o Congresso Internacional será em Roma, em 2009, para celebrar o Centenário do PIB - Pontifício Instituto Bíblico. De 30 de junho a 4 de julho. Veja na página da SBL.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mauro Pesce fala sobre o Sínodo

"Così l'esegesi cattolica va verso l'isolamento": Intervista a Mauro Pesce sul sinodo dei vescovi

(...) Del Sinodo e di altri temi abbiamo parlato con Mauro Pesce, biblista, professore di Storia del Cristianesimo all'Università di Bologna, nonché autore (insieme a Corrado Augias) del best seller Inchiesta su Gesù: Chi era l'uomo che ha cambiato il mondo. 22 ed.: 2008. Milano: Mondadori, 2006, 263 p. - ISBN 9788804560012 [Obs.: informação ampliada por mim] duramente attaccato da autorevoli voci del mondo cattolico istituzionale proprio per aver avvicinato il grande pubblico all'approccio storico ai Vangeli e alle fonti del cristianesimo delle origini.

(...) "A me sembra che questo Sinodo, più che una sintesi, un approfondimento o un ulteriore progresso rispetto all’atteggiamento che la Chiesa ha avuto nell’interpretazione della Bibbia dai tempi di Leone XIII (con l’enciclica Providentissimus Deus) fino al Concilio Vaticano II, abbia al contrario promosso un arretramento e un restringimento. È stato l’espressione di una particolare corrente teologica che oggi è maggioritaria in certi ambienti ecclesiastici cattolici, ma che non è l’unica teologia cattolica contemporanea e ovviamente nemmeno l’unica teologia importante manifestatasi negli ultimi cinquant’anni. Il Messaggio finale del Sinodo mi è sembrato fortemente ecclesiocentrico; non primariamente teocentrico e neppure primariamente cristocentrico. Per quanto non si dica più che fuori della Chiesa cattolica non vi è alcuna salvezza, la Chiesa cattolica diventa il punto di riferimento unico per il messaggio cristiano agli uomini lungo l’asse Rivelazione-Cristo-Chiesa-Missione. A mio avviso ci si sarebbe potuti servire di una teologia più teocentrica, in cui si riconosca che l’agire di Dio nel mondo si manifesta attraverso una pluralità di disegni per l’umanità che non possono essere tutti riassunti nella Bibbia o che veda già nella Bibbia un’apertura ad altre manifestazioni di Dio. Anche la cristologia con questo restringimento ecclesiologico si impoverisce, perché Cristo viene immaginato soltanto come una specie di ricapitolazione cristiana dell’Antico Testamento. Penso ai contributi che altre teologie potevano dare: dalla concezione di Clemente Alessandrino di una rivelazione di Dio che si diffonde nel mondo, alla pluralità delle vie di salvezza di San Tommaso Moro nel suo libro L’Utopia, al cardinale Nicola Cusano, per arrivare ai grandi teologi del ‘900 come Karl Rahner".

Leia a entrevista completa na Adista, nº 79, 15/11/2008. Ou na página de Mauro Pesce.

Ou, ainda, na tradução para o português que está em Notícias - IHU On-Line 17/11/2008, da qual transcrevo pequeno trecho:

‘Desse jeito, a exegese católica caminha rumo ao isolamento’. Entrevista com Mauro Pesce

(...) Sobre o Sínodo e outros temas, falamos com Mauro Pesce, biblista, professor de História do Cristianismo na Universidade de Bolonha, assim como autor (junto com Corrado Augias) do bestseller "A Vida de Jesus Cristo" [A Vida de Jesus Cristo: O Homem que mudou o mundo. Queluz de Baixo, Barcarena: Presença, 2008, 220 p. - ISBN 9789722339124], duramente atacado por vozes expoentes do mundo católico institucional por ter aproximado o grande público à abordagem histórica dos Evangelhos e às fontes do cristianismo das origens.

"O Sínodo dos bispos é um grande evento porque, em se tratando de uma assembléia coletiva do episcopado – mesmo tendo só um valor consultivo e não deliberativo –, certamente não deixará de produzir efeitos importantes, mesmo além da eventual encíclica que o papa poderá escrever sobre a interpretação da Bíblia hoje. É também um acontecimento muito importante, sobre o qual é necessário refletir com atenção. Parece-me que esse Sínodo, mais do que uma síntese, um aprofundamento ou um progresso posterior com relação à postura que a Igreja teve sobre a interpretação da Bíblia desde os tempos de Leão XIII (com a encíclica “Providentissimus Deus”) até o Concílio Vaticano II, promoveu, pelo contrário, um retrocesso [italiano: arretramento] e um restringimento. Foi a expressão de uma corrente teológica particular que hoje é majoritária em certos ambientes eclesiásticos católicos, mas que não é a única teologia católica contemporânea, nem obviamente a única teologia importante que se manifestou nos últimos 50 anos. A Mensagem final do Sínodo me pareceu fortemente eclesiocêntrica; não primariamente teocêntrica nem primariamente cristocêntrica. Mesmo que não se diga que fora da Igreja católica não há salvação, a Igreja católica se torna o único ponto de referência para a mensagem cristã aos homens pelo eixo Revelação-Cristo-Igreja-Missão. Na minha opinião, eles poderiam ter se servido de uma teologia mais teocêntrica, em que se reconheça que o agir de Deus no mundo se manifesta por meio de uma pluralidade de formas para a humanidade que não podem ser todas resumidas na Bíblia ou que veja já na Bíblia uma abertura a outras manifestações de Deus".

Leia Mais:
Quem é Mauro Pesce?
O debate sobre o livro Inchiesta su Gesù continua

domingo, 16 de novembro de 2008

Entrevista com Johan Konings sobre o Sínodo

Está em Notícias - IHU On-Line de 16/11/2008: Sínodo dos Bispos atualizou o Concílio Vaticano II. Entrevista especial com Johan Konings

Konings, Mestre em Filologia Bíblica, 1968, e Doutor em Teologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica, 1972, é coordenador de nosso grupo de estudos bíblicos que se reúne em Belo Horizonte, os "Biblistas Mineiros". É Professor da FAJE, Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia, de Belo Horizonte, MG.
Konings participou do Sínodo como assessor, e faz, nesta entrevista, uma avaliação bastante positiva do que lá aconteceu. Destaco três trechos da entrevista:

:: (...) "O Sínodo [realizado de 5 a 26 de outubro] de 2008 teve como tema: 'A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja'. Nota-se a intenção de continuar e de atualizar o Concílio, insistindo na 'missão', termo que não estava no texto do Concílio. Pois desde o Concílio percebeu-se que missão não é apenas ir aos indígenas da Amazônia, mas às tribos de nossa juventude urbana e aos pagãos de nossas avenidas e campi universitários. Olhando assim, achei o Sínodo fabuloso. Foi uma oportunidade para, através da voz de 253 bispos, eleitos por seus confrades de cada região, conhecer a situação e os projetos das mais diversas regiões onde a Igreja está presente neste mundo globalizado. E pode-se dizer que não se deu um passo para trás em relação ao Concílio, mas que, pelo contrário, se mostrou uma vontade unânime de avançar".

:: (...) "Nas proposições, ou seja, nas sugestões votadas em plenário para serem apresentadas ao Papa, aparecem claros avanços: o desejo de que a Bíblia seja mais divulgada, estudada com os devidos métodos científicos que a Igreja vem fomentando com toda a força nos últimos cinqüenta anos, claramente expostos no importantíssimo documento da Pontifícia Comissão Bíblica de 1993; o desejo de que o estudo leve à contemplação, à oração e à prática da comunhão fraterna; a valorização do trabalho dos leigos, dos agentes de pastoral bíblica, especialmente das mulheres, para as quais se pede seja estendida a ordenação ao ministério de leitorato; que os pobres sejam 'artífices de sua própria história', impulsionados pela Palavra de Deus acolhida nas suas comunidades; que a Bíblia esteja em todas as famílias, inclusive nas línguas dos povos pequenos e pobres; que a pastoral bíblica não seja uma pastoral ao lado das outras, mas a inspiração que permeie todas as pastorais; que finalmente se leve a sério o enriquecimento bíblico da Liturgia a partir do Vaticano II e o valor de uma homilia bem preparada pelo estudo e pela oração - além de bem proferida; essas e tantas outras foram expressões do desejo praticamente unânime dos bispos de avançar na linha do Concílio Vaticano II".

:: "Quanto à hermenêutica ou interpretação, toda escuta e toda leitura é uma interpretação, pois senão, não se entende nada. Os fundamentalistas pensam que eles não interpretam, mas interpretam sem que saibam, e reforçam interpretações subliminares sem se darem conta disso. Ora, interpretação sempre tem uma dupla interface - por isso se chama 'inter'-pretação: é interlocução, mediação entre o texto que representa o evento Jesus no seu momento fundador, abordado com métodos históricos e literários, e o nosso texto de hoje, o texto de nossa vida, em nossa sociedade, em nosso mundo político-econômico-social-cultural-ecológico etc., assimilado com a nossa psicologia pessoal e coletiva. Colocar tudo isso em diálogo é hermenêutica, é leitura. Também no caso da Bíblia".

Leia Mais:
Carlos Mesters fala sobre o Sínodo
Em defesa das conquistas da exegese acadêmica
Sínodo dos Bispos - Synod of Bishops in Rome
Martini: a leitura da Bíblia e o Sínodo de 2008

Resenhas na RBL: 15.11.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Hector Avalos
The End of Biblical Studies
Reviewed by Ulrich H. J. Körtner

Ward Blanton
Displacing Christian Origins: Philosophy, Secularity, and the New Testament
Reviewed by Clare K. Rothschild

Marcus J. Borg and John Dominic Crossan
The Last Week: A Day-by-Day Account of Jesus's Final Week in Jerusalem
Reviewed by Craig L. Blomberg

Katherine J. Dell
Opening the Old Testament
Reviewed by Bill T. Arnold
Reviewed by George Heider

Brad E. Kelle and Megan Bishop Moore
Israel's Prophets and Israel's Past: Essays on the Relationship of Prophetic Texts and Israelite History in Honor of John H. Hayes
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Jens Kreinath, Jan Snoek, and Michael Stausberg, eds.
Theorizing Rituals: Issues, Topics, Approaches, Concepts, Annotated Bibliography
Reviewed by Brian B. Schmidt

Daniel A. Smith
The Post-Mortem Vindication of Jesus in the Sayings Gospel Q
Reviewed by William Arnal

Fred Strickert
Rachel Weeping: Jews, Christians, and Muslims at the Fortress Tomb
Reviewed by Samuel Thomas

Emily Teeter and Douglas J. Brewer
Egypt and the Egyptians
Reviewed by Roxana Flammini

Ben Zion Wacholder
The New Damascus Document: The Midrash on the Eschatological Torah of the Dead Sea Scrolls: Reconstruction, Translation and Commentary
Reviewed by Gregory L. Doudna

Jürgen Zangenberg, Harold W. Attridge, and Dale B. Martin, eds.
Religion, Ethnicity and Identity in Ancient Galilee: A Region in Transition
Reviewed by Christoph Stenschke

sábado, 15 de novembro de 2008

Fotos da tumba de Herodes Magno

No site do National Geographic há interessantes recursos virtuais para se ver a tumba de Herodes Magno, descoberta no ano passado.

Visite Photo Gallery: Herod's Tomb

Dica vista no Blog di Antonio Lombatti, a quem agradeço.

Outra sugestão, vista na lista Biblical Studies: Herod's Lost Tomb.

Leia Mais:
Descoberto o sepulcro de Herodes Magno
Tumba de Herodes: notícia se espalha rapidamente
Tumba de Herodes: comunicado da Universidade Hebraica
Fotos da tumba de Herodes
Tumba de Herodes e conflito no Oriente Médio
Tumba de Herodes em territorio palestino ocupado
Tumba de Herodes: mais fotos

Você já leu algum livro ou artigo de Ivo Storniolo?

Ivo Storniolo tratava a Bíblia com habilidade de refinado artista. Você já leu algum livro ou artigo de Ivo Storniolo, falecido em setembro deste ano?

Vá para enquetes e responda. Vá à página da Paulus e digite na busca o nome deste grande biblista para conhecer seus muitos escritos.

Se, por outro lado, quiser ver como Ivo irritava algumas pessoas, leia, por exemplo:
Claro que isto está no Google... é só buscar por "Ivo Storniolo".

Mas eu queria colocar aqui algo que não está no Google e que costumo utilizar em minhas aulas de Pentateuco como introdução ao estudo mais detalhado de Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21, que trazem o texto do Decálogo ou, mais popularmente, Dez Mandamentos.

Durante o ano de 1989, Ivo Storniolo escreveu uma sequência de artigos no folheto litúrgico-catequético O Domingo. O tema desses artigos foi Mandamentos, Hoje. Reproduzo aqui trechos da entrevista com Ivo Storniolo, publicada na Vida Pastoral 149 (novembro/dezembro de 1989), p. 27-29, sob o título “Mandamentos, ontem e hoje

A partir daqui, palavras do Ivo:

Ao começar a tarefa, deparei-me com a questão da metodologia: como iria abordar esse tema tão importante? De um lado eu sabia que o povo cristão já conhecia os mandamentos pelo catecismo. De outro, sabia também que muitos ignoravam o texto bíblico. Decidi então tratar o assunto comparando o texto dos mandamentos segundo o catecismo com a versão dos mandamentos segundo a Bíblia. Pronto. Para muitos, pareceu que eu estava criticando o catecismo, e até querendo “jogar o catecismo no lixo”. Não foi isso que pretendi.

(...) Mas não bastava conhecer o texto bíblico. Os mandamentos não caíram do céu, como um presente aleatório de Deus. Presente a gente dá na hora certa, para comemorar algum grande acontecimento. Os mandamentos apareceram na hora certa, para coroar a grande luta que o povo de Deus fez para conquistar uma nova forma de viver, superando um sistema de sociedade que explorava e oprimia as pessoas. Os mandamentos eram a grande carta para construir uma nova forma de vida, a fim de que todos pudessem viver de forma digna, com igualdade fundamental, preservada pela justiça, que cria fraternidade e partilha. E aqui veio uma segunda incompreensão. As pessoas não estão muito acostumadas a pensar que os textos bíblicos têm raízes. Pensam que tudo caiu do céu, sem porquê nem para quê. A tarefa que o povo de Deus fez naquele tempo deve se repetir com os mandamentos. Enquanto não fazemos a mesma luta, os mandamentos ficam sendo apenas provocação para aquela luta fundamental entre a Vida e a Morte, que se repete a cada dia na vida do povo.

E aí vem um outro ponto que, creio, foi difícil de aceitar para muitos. Os mandamentos provocam. Se não vivemos numa sociedade igualitária, fundada na justiça, os mandamento se tornam provocadores, inquietantes, e não nos deixam dormir “como anjos”.

(...) Enquanto introduzi e comentei os cinco primeiros mandamentos não houve reação (...). Do sexto mandamento para a frente a reação foi imediata. A cada mandamento uma classe determinada de pessoas se manifestou. Coisa engraçada. Meu comentário sobre o sexto mandamento afetou principalmente pessoas de Igreja. Quando expliquei que o texto bíblico falava de adultério e não de castidade recebi muita cartas perguntando: fora o adultério, a gente pode fazer tudo? Tudo o quê? Sabe lá Deus. Já prevendo isso, escrevi sobre a sexualidade, explicando bem que ela é função geradora de vida (...) Houve uma chuva de protestos (...) Aí escrevi sobre a castidade e, em boa ou má hora, achei de citar, juntos, Fernando Pessoa e Santo Agostinho. O primeiro dizendo que “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”, e o outro: “ame e faça o que você quiser”. Foi a conta. Acharam que eu estava dizendo que pode tudo. Tudo o quê? Sei lá o que anda pela cabeça das pessoas, mas percebi que cada um lê o que quer, e não o que está escrito. A essas pessoas pergunto eu: Será que as pessoas com alma grande e que amam farão qualquer coisa? Para mim, alma é a interioridade de onde nasce o amor, faculdade que tem um discernimento superior para decidir o que fazer a cada momento, de forma muito mais perfeita do que qualquer lei ou regra. Mas a incompreensão foi grande. Será que essas pessoas perderam a alma, nunca a tiveram, ou nunca amaram?

(...) Quando escrevi sobre o sétimo mandamento a incompreensão começou [através dos grandes meios de comunicação]. Primeiro porque eu disse que “lucro é roubo puro”. Comecei a receber cartas de empresários, reclamando que o que eu dizia era generalização, que eles agora achavam duro ir à Igreja etc. Ora, nem direta nem indiretamente pretendi criticar pessoas. Pretendi fazer uma crítica estrutural ao sistema econômico em que vivemos. Um empresário entendeu isso muito bem, e me perguntou por escrito: “Como posso ser justo dentro de um sistema injusto?” Simplesmente não pode. Dentro de um sistema injusto, o máximo que se pode ser é honesto para com o sistema, e injusto para com as pessoas. Dentro dele todos nós nos tornamos, em grau maior ou menor, conivente com a injustiça, que é exatamente o contrário do projeto de Deus.

(...) Muita gente ficou irritada quando dei aquele exemplo (real) da prostituta que protege trombadinhas da polícia e depois os abençoa. Certa pessoa ficou chateadíssima e me escreveu, sem assinar: “Pronto. Agora as prostitutas viraram professoras de moral”. Pois é. Jesus dizia que as prostitutas vão nos preceder no Reino (Mt 21,31). E tem o caso daquela adúltera que, apesar de ser pega em flagrante, estava sozinha para ser linchada, e linchamento previsto por lei. E o adúltero, cadê ele? Esse nunca foi pego. O adúltero somos todos nós, hipócritas consumados, que temos a coragem de fazer Deus assinar as injustiças que cometemos. Jesus não deixou a coisa por menos, e até hoje ele continua a rabiscar no chão, desprezando nossas farisaicas questiúnculas... (leia Jo 8,1-11).

A celeuma, porém, aumentou quando escrevi que “Deus abençoa e legitima o roubo feito pelo pobre”. Pois é. Quando o pobre tem que roubar para comer, a coisa chegou às raias do desespero, e só quem passou por isso é capaz de compreender e compadecer-se (= sofrer junto), deplorando todo esse sistema social que nega os bens da vida a quem suou por ela. São Gregório Magno dizia que “quando damos aos indigentes algo de que necessitam, estamos lhes devolvendo o que lhes pertence e não estamos lhes dando o que é nosso. Estamos antes pagando uma dívida de justiça do que realizando uma obra de misericórdia” (ML 77,87). Nossa esmola é devolução, pagamento de dívida. E São João Crisóstomo diz que “o ladrão pobre nunca furta. Só retoma o que é seu".

(...) Acho que há coisas muito graves [por trás dessas críticas]. Primeiro as pessoas em geral não lêem o que está escrito, e sim o que lhes convém e não abala o modo de viver em que se acomodaram. Quando algo lhes incomoda, elas tentam a todo custo dar um jeito. Todos nós temos a nossa fronteira de ego: quem está dentro dela é nosso amigo, pensa e vive como nós. Os que pensam e vivem de forma diferente são inimigos e devem ficar fora da fronteira. Não é a melhor solução, mas é a mais cômoda. Também temos a questão do nosso quadro de referências. Ele é uma espécie de superestrutura, formada lentamente pela educação familiar, escolar, social e pelos meios de comunicação, todos eles refletindo a consciência coletiva de um determinado tempo e de suas condições. Quando chega um fato novo, ele imediatamente se choca com o quadro de referência, e aí vem a questão. Ou o fato novo encontra um lugar ou não. É uma questão vital, porque o quadro de referência dirige nossa vida toda, nossa visão e ação no mundo. Quando o fato novo não se encaixa no quadro, tendemos ou a rejeitar o fato ou a mudar o quadro de referência. Mudar não é fácil. É conversão.

(...) A compreensão dos mandamentos é extremamente chocante para nós que não vivemos numa sociedade igualitária. Aí eles se tornam provocadores, e acabamos descobrindo que temos medo da fraternidade, da justiça, da partilha, enfim, de sermos humanos como Deus quer, isto é, à imagem e semelhança dele próprio (Gn 1,26-27).

Acho que isso explica um pouco as reações. Mas devo dizer também que recebi muitos elogios e muito apoio. Muita gente simples não escreve nem carta e nem em jornal, mas fala. E eu descubro então que há muita gente aberta para Deus e para o seu projeto. A certeza de compreensão de milhões de pessoas me encoraja a caminhar para a frente, sem desanimar com os obstáculos. Afinal, se Deus não desiste de acreditar em nós, apesar de tudo, por que é que nós vamos desistir?