sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Dois novos livros de Philip R. Davies

Excelente notícia. Vem aí novo livro de Philip R. Davies. Publicação prevista para dezembro de 2007.

DAVIES, P. R. The Origins of Biblical Israel. London: T & T Clark, 2007, 192 p. - ISBN 9780567043818.

Diz a editora:
The book starts from the problem defined by recent archaeological discovery about the societies that formed the backbone of the kingdoms of Israel and Judah, their origins and their relationship. It has become clear that the biblical notion of a 12-tribe 'nation' united by descent and religion does not correspond to these findings. The challenge is not to argue endlessly about how far the differing accounts can be reconciled, as a prolongation of an old debate about biblical 'historicity', but to try and understand what historical, social and cultural process led to the production of the biblical portrait of an Israel of 12 tribes embracing two kingdoms. Davies argues for the importance of the role of Bethel as a royal sanctuary, then a central sanctuary of the Neo-Babylonian and Persian province of Judah. In particular, the figure of Jacob as the ancestor of 'Israel', associated with Bethel, became the eponym of the biblical 'all Israel' and the name 'Israel' survived as the name of a new society, even as Jerusalem was re-established as the major, and subsequently the only, official Judaean temple.

E não vamos nos esquecer que há outro livro de Philip R. Davies programado para maio de 2008, como já anotara em + Novidades:

DAVIES, P. R. On the Origins of Judaism. London: Equinox Publishing, 2008, 224 p. ISBN 9781845533267.

Deste livro diz a editora:
This book covers several basic issues in the formation of early Judaism. It explores the identity of those who produced and canonized the Hebrew Bible and subsequently shaped its interpretation, re-examines the significance and impact of Second Isaiah, and the books of Ezra and Nehemiah, traces the root of Jewish apocalyptic literature, and the possible origins of the exodus story. Two final chapters consider the mechanics of table fellowship in diaspora Judaism and consider the ethical systems of the Hebrew Bible and of the Athenian tragedians in the light of their respective social and political structures. Some of these essays have previously appeared but all have been revised.

E apresenta o seguinte sumário:

1. Introduction: The Bible and Judaism

Part One: Judaism and the Hebrew Bible
2. Who really wrote the Bible?
3. The roots of biblical and Jewish law
4. The biblical foundations of Judaism
5. God of Cyrus, God of Israel
6. How Did Ezra meet Nehemiah?

Part Two: The roots of Jewish Apocalyptic Literature
7. The Social World of Apocalyptic Literature
8. The Origin of Evil according to Early Judaism

Part Three: Judaism in the Diaspora
9. Getting in and out of Egypt
10. Eating and Drinking among Greeks and Romans
11. Greek and Jewish Tragedy Compared

Egiptologia no Brasil

Está na ANBA - Agência de Notícias Brasil-Árabe, assinada por Isaura Daniel, a seguinte notícia: Egiptólogos brasileiros se reúnem em Curitiba [Obs.: link quebrado].

"Pesquisadores brasileiros vão dividir a partir de hoje (30), em Curitiba, os seus conhecimentos a respeito do Egito Antigo. Até o sábado (01) o Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade) vai receber egiptólogos e estudiosos do assunto vindos de várias partes do Brasil. Eles vão participar do 2° Encontro Nacional de Estudos Egiptológicos. O tema será a religião no cotidiano do Egito Antigo. Segundo o coordenador do encontro, Moacir Elias Santos, são esperadas cerca de 150 pessoas. Serão abordados, por exemplo, como os faraós associavam sua propaganda política à religião, o culto aos animais que ocorria na época e os textos dos sarcófagos, antigas tumbas. Também farão parte dos painéis temas extras ao assunto principal, como a herança dos obeliscos egípcios na atualidade, elementos das charges e caricaturas egípcias na imprensa brasileira e a presença do Egito Antigo na literatura infanto-juvenil. De acordo com Santos, que também é professor adjunto e responsável pela disciplina de História Antiga e Arqueologia do curso de História da Uniandrade, o encontro terá como conferencistas grandes autoridades em egiptologia, como Juan José de Castilhos, do Instituto Uruguaio de Egiptologia, e Maurício Elvis Schneider, do Círculo Brasileiro de Egiptologia. Participarão do encontro como palestrantes especialistas de universidades dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná".

Leia a notícia completa. Versão em inglês: Egyptologists from Brazil to meet in Curitiba [link quebrado].

Agradeço a Andie, do Egyptology News, pela dica.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Debate entre Finkelstein e Mazar em livro

Está para sair em livro, agora em setembro de 2007, o debate entre os arqueólogos Israel Finkelstein e Amihai Mazar ocorrido em outubro de 2005 no International Institute for Secular Humanistic Judaism - IISHJ - de Farmington Hills, MI, USA.

FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. ISBN 9781589832770.


Three decades of dialogue, discussion, and debate within the interrelated disciplines of Syro-Palestinian archaeology, Israelite history, and Hebrew Bible on the question of the relevance of the biblical account for reconstructing early Israel's history have created the need for a balanced articulation of the issues and their prospective resolutions. This book brings together for the first time and under one cover, the currently emerging "centrist" paradigm as articulated by Israel Finkelstein and Amihai Mazar, two leading figures in the field of early Israelite history and archaeology. Although these two authors advocate distinct views of early Israel's history, they nevertheless share the position that the material cultural data, the biblical traditions, and the ancient Near Eastern written sources are all significantly relevant to the historical quest for Iron Age Israel. The results of their research are featured here in accessible, parallel syntheses of the historical reconstruction of early Israel with the aim of facilitating comparison and contrast of their respective interpretations. The two histories presented in Quest are based on invited lectures the authors delivered in October 2005 at the International Institute for Secular Humanistic Judaism's Sixth Biennial Colloquium in Detroit, Michigan.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Novo livro do Cassio: lançamento em 3 de setembro

Hoje Cássio Murilo Dias da Silva enviou-me dois pequenos textos com autorização para publicá-los no Observatório Bíblico. Quero lembrar aos leitores que Cássio estará lançando seu novo livro Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. ISBN 9788515033072, no dia 3 de setembro próximo, como noticiei no link acima.

Os textos abaixo são um Curriculum Vitae do autor e um press-release do livro.

"Meu nome, Cássio Murilo Dias da Silva. Sou nascido em Jundiaí e criado em Campo Limpo Paulista.

Fiz o ensino médio e fundamental em Campo Limpo, nas escolas 'Francisco Monlevade' e 'XV de Outubro'. Cursei a Filosofia no Seminário de Jundiaí e a Teologia na PUC de Campinas. Entre 1988 e 1992, cursei o Mestrado no Instituto Bíblico de Roma, e para lá voltei em 2001, para obter o Doutorado nas chamadas 'Ciências Bíblicas'. Trata-se de um estudo aprofundado da Bíblia e de tudo o que a ela se relaciona: as línguas antigas, a história antiga, a sociedade e a cultura do povo de Jesus.

Nesta semana lanço meu terceiro livro: Leia a Bíblia como literatura.

O primeiro - Metodologia de exegese bíblica - apresenta as técnicas necessárias para se ler a Bíblia de modo científico. O segundo - Aquele que manda a chuva sobre a face da terra - é a minha tese doutoral, um estudo profundo de alguns trechos do Antigo Testamento, nos quais Deus aparece como o criador e o dominador das chuvas. Este terceiro livro reelabora de modo mais simples várias coisas que já haviam aparecido no Metodologia, mas agora com uma linguagem mais acessível e, por outro lado, com algumas complementações.

Este livro constitui uma 'caixa de ferramentas' para quem já tem algum contato com a Bíblia na oração e na catequese, mas não está satisfeito somente com isso e quer mais. Não é uma introdução à Bíblia, e sim uma introdução à leitura da Bíblia como uma obra literária, que não perde nada para os grandes romances ou livros de aventura ou as poesias clássicas.

Isso não diminui em nada o valor da Bíblia. Bem ao contrário, recoloca a Bíblia em seu devido lugar, pois ela não é uma palavra de Deus que 'caiu do céu em dia de limpeza', e sim a Palavra de Deus em palavras humanas. Neste novo livro, mostro como os autores bíblicos usaram o que tinham de melhor para transmitir com respeito, veneração e amor a mensagem de Deus. Por isso, o título do livro é um desafio, mas também um conselho: 'leia a Bíblia como literatura'”.


Até aqui o Curriculum. Agora o press-release:

Leia a Bíblia como literatura: este título quer ser uma provocação, quase um desafio, e nos convida a ler a Bíblia, não como um depósito de verdades ou um repertório de conselhos a serem utilizados na pregação e da doutrinação, e sim lê-la pelo simples prazer de ler uma obra bem escrita.

Sacrilégio? De forma alguma. Se assim o fosse, os primeiros sacrílegos seriam os autores humanos que emprestaram a Deus palavras, conceitos, figuras literárias e os muitos outros elementos que compõem o texto bíblico. De fato, os livros bíblicos não perdem em nada para as grandes obras da literatura universal, nem os autores sagrados são inferiores a tantos mestres da literatura mundial. Todavia, nossa preocupação em ler os textos bíblicos para dele extrair mensagens espirituais quase sempre faz com que não percebamos como os textos bíblicos são bem formulados, com uma profundidade poética impressionante e com um vigor narrativo invejável.

Leia a Bíblia como literatura quer abrir horizontes e oferecer um instrumental acessível aos que já amam a Palavra de Deus e querem aprender a amá-la ainda mais".

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Resenhas na RBL - 28.08.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Elizabeth Boase
The Fulfilment of Doom? The Dialogic Interaction between the Book of Lamentations and the Pre-exilic/Early Exilic Prophetic Literature
Reviewed by Bradley C. Gregory

Michael Carasik
Theologies of the Mind in Biblical Israel
Reviewed by David Lambert

John A. Dennis
Jesus' Death and the Gathering of True Israel: The Johannine Appropriation of Restoration Theology in the Light of John 11.47-52
Reviewed by Mary L. Coloe

Thomas B. Dozeman and Konrad Schmid, eds.
A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation
Reviewed by J. Harold Ellens

Jörg Frey, Jan G. van der Watt, and Ruben Zimmerman, eds.
Imagery in the Gospel of John: Terms, Forms, Themes, and Theology of Johannine Figurative Language
Reviewed by Dorothy Lee

Zev Garber, ed.
Mel Gibson's Passion: The Film, the Controversy, and Its Implications
Reviewed by Timothy D. Finlay

Annalisa Guida and Marco Vitelli, eds.
Gesù e i messia di Israele: Il messianismo giudaico e gli inizi della cristologia
Reviewed by Ilaria Ramelli

Michael W. Holmes
The Apostolic Fathers in English
Reviewed by Hennie Stander

Jon D. Levenson
Resurrection and the Restoration of Israel: The Ultimate Victory of the God of Life
Reviewed by Stephen L. Cook

Antti Mustakallio, ed., in collaboration with Heikki Leppä and Heikki Räisänen
Lux Humana, Lux Aeterna: Essays on Biblical and Related Themes in Honour of Lars Aejmelaeus
Reviewed by Korinna Zamfir

Anson F. Rainey and R. Steven Notley
The Sacred Bridge: Carta's Atlas of the Biblical World
Reviewed by Oded Borowski

Ben-Zion Rosenfeld and Joseph Menirav
Markets and Marketing in Roman Palestine
Reviewed by Michael Trainor

C. Kavin Rowe
Early Narrative Christology: The Lord in the Gospel of Luke
Reviewed by Joel B. Green

Gregory Tatum
New Chapters in the Life of Paul: The Relative Chronology of His Career
Reviewed by Eve-Marie Becker

Gerd Theissen
The Bible and Contemporary Culture
Reviewed by Christian Danz

Sobre o Coloquio "A Biblia e suas Traduções”

Como noticiado neste blog, em 23 de julho passado, no post UFMG: The Bible and its Translations, foi realizado nos dias 22 a 24 de agosto na Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, MG, o I Colóquio Internacional "A Bíblia e suas Traduções".

Dois colegas do grupo "Biblistas Mineiros" estiveram presentes: Johan Konings, que apresentou um trabalho, e Telmo Figueiredo, que enviou-me por e-mail alguns detalhes do evento e os resumos dos trabalhos. Diz Telmo que um livro com todas as Conferências e Comunicações será publicado pela Editora da UFMG possivelmente até o final deste ano [Obs.: saiu em 2009, veja no final do post]. E complementa com uma boa notícia: Algo importante a ser observado é que os estudos literários sobre a Bíblia entraram, para valer, no gosto de várias Faculdades de Letras do país e que núcleos de estudos judaicos e bíblicos têm sido formados em várias Universidades, o que é um grande avanço em nosso país.

Dos 27 resumos dos trabalhos apresentados, escolhi sete, meio ao acaso, a modo de exemplo do que lá foi debatido.

:: A tradução bíblica na perspectiva dos estudos da religião
> Tradução, tradição e o presente eterno do texto sagrado - Prof. Dr. Steven Engler, Mount Royal College, Canadá - PUC/SP, Brasil
No caso de textos sagrados, a idéia do texto único e original ganha uma grande força normativa. Neste contexto, a tradução interlingual se torna parte da transmissão de uma tradição religiosa. Esta apresentação coloca insights retirados dos debates sobre "a invenção da tradição" e das teorias antropológicas e sociológicas da dádiva, salientando as funções sociais de duas idéias: a transmissão pura do original dentro de uma comunidade e a transmissão fora destes limites sociais. Uma das funções da "ideologia da dádiva pura" (Jonathan Parry) é de legitimar o presente contingente (no sentido temporal) através do presente puro (no sentido econômico) do texto sagrado.

:: A Bíblia e os seus tradutores
> Tradução e Ideologia - Prof. Lysias Oliveira Santos, Seminário Teológico de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Nesta comunicação, espera-se, apresentar uma versão resumida de uma pesquisa sobre as motivações externas que podem interferir no ato tradutivo da Bíblia. Essa pesquisa abrange um levantamento no campo da teoria da tradução e, especificamente, da tradução da Bíblia. Sendo assim, propõe-se um método e uma tentativa de sua aplicação em algumas situações em que as motivações externas parecem ser fatores de influência direta no resultado da tradução.

:: A Bíblia e a criação do mundo
> As múltiplas faces de Eva na poesia hebraica - Profª. Drª. Nancy Rozenchan, USP
Utilizando quatro poemas da literatura hebraica contemporânea, a presente comunicação se propõe contrapor a eles três correntes que resumem as muitas transformações que a figura prototípica de Eva experimentou em sua rota tanto na literatura judaica como fora dela: de ser intimamente associada ao mal, de ser identificada com desejos carnais, e, por ter sido ela que teve tratos com a serpente, de ser dona de um poder demoníaco fatal. Serão abordados poemas (em tradução) de Iaacov Fihman, que indica a essência ambivalente da personagem Eva; de T. Carmi, que se centra sobre o poder e a força positiva do conhecimento feminino, de Ionatan Ratosh, além de ressaltar relações básicas homem/mulher, expressando um movimento constante entre domínio e ser dominado; além do uso metafórico do relato bíblico, de Dan Paguis, um dos mais impressionantes de que se tem conhecimento na poesia hebraica.

:: A Bíblia, o cinema, as artes
> Escândalos e blasfêmias: o sagrado e o profano na obra de Pasolini - Prof. Dr. Luiz Nazario, UFMG
Embora Pasolini não acreditasse na divindade de Cristo, acreditava na força poderosa que chamava de Sagrado e dizia que seria um louco se deixasse essa dimensão exclusivamente aos padres, como se o Sagrado fosse um monopólio da Igreja. Evidentemente, a tradição cristã nas igrejas e catedrais, na arte sacra e na hagiografia contava muito para Pasolini, e sua obra é testemunha disso. Mas, para ele, o Sagrado não era, necessariamente, o que a Igreja definia como tal. Para Pasolini, o Sagrado era uma força poderosa que existia dentro de todo ser humano; a mesma força que Freud chamou de Eros, em eterna luta contra Tânatos; a própria energia vital que cada um, ao longo da existência, dirige singularmente a objetos diversos: os religiosos a Deus, os burgueses ao dinheiro, os militantes ao poder. Pasolini dirigia essa energia ao sexo dos jovens e rapazes do povo.

:: A Bíblia e suas metáforas
> Destraduzindo a Bíblia: a realização utópica de Haroldo de Campos do signo Bíblico - Prof. Dr. Enrique Mandelbaum, USP
Haroldo de Campos, em suas traduções da Bíblia, realiza um intenso diálogo hermenêutico-ecumênico e suscita uma fantástica cenografia espiritual para enuclear o signo bíblico. Desse modo, ele traz, à cena, uma leitura que implica e reúne a história das leituras bíblicas.

> O Apocalipse como obra aberta - Prof. Bruno Loureiro Fernandes, UNI-BH
O Apocalipse foi utilizado em narrativas ficcionais (O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault, A Misteriosa Chama da Rainha Loana); e em trabalhos teóricos (Apocalípticos e integrados), pelo escritor e pesquisador italiano Umberto Eco. Sua visão do texto do Evangelho Segundo São João parece enfatizar seu caráter poético, bem como inserir a narrativa bíblica no conceito de "obra aberta", por ele desenvolvido em obra homônima. O objetivo desta comunicação é, sobretudo, refletir sobre os textos literários do autor à luz de sua teoria.

:: Desafios da Tradução: Bíblia Hebraica e Cristã
> O problema da tradução da Bíblia no Brasil hoje - Prof. Dr. Johan Konings, FAJE, Belo Horizonte
O panorama atual das traduções no Brasil; o texto: questões documentais, sócio-histórico-culturais, lingüísticas; tradução e exegese; a comunidade interpretadora e a alteridade do texto; tradução para a leitura fiel em nosso meio; traduções formais, traduções dinâmicas e paráfrases; traduções eruditas e traduções pastorais.

Atualização sobre o livro: GOHN, C.; NASCIMENTO, L. (orgs.) A Bíblia e suas traduções. São Paulo: Humanitas, 2009, 300 p. - ISBN 9788577321087

A atual guerra do Peloponeso contra o fogo

Não a antiga guerra, entre Atenas e Esparta, de 431 a 404 a.C., mas a atual, contra os devastadores incêndios que se espalharam pela Grécia, em especial na região do Peloponeso. As ruínas da antiga Olímpia foram salvas com muito esforço.

Se não tomarmos juízo, a pequena nave, vulgo Planeta Terra, pode ficar muito danificada para sustentar a vida.

Por aqui, região de Ribeirão Preto, região de canaviais, o clima está muito ruim, com uma névoa seca que tomou conta do ar, de ontem para cá, com atmosfera totalmente cinza, enfumaçada.

Haze, em inglês, aponta o Weather Watcher para a região: névoa seca, em associação com a poeira, fumaça e outros poluentes.

domingo, 26 de agosto de 2007

Estudo do clima ajuda a explicar a Historia

Veja, em artigo do jornal israelense Haaretz, de 23/08/2007, como o estudo das mudanças climáticas ocorridas no passado ajuda a explicar situações históricas, como o (des)povoamento de uma região e deslocamentos de grupos humanos em um território.

Aqui, na região costeira de Canaã, na Idade do Bronze.

Researchers say communities abandoned the coastal plain in the Bronze Age due to climate change and flooding

(Via Explorator 10.18)

Grecia em chamas, patrimonio cultural em risco


Informe-se:
Fight to save Olympic birthplace - BBC News: 26 August 2007, 18:52 GMT (com mapa dos incêndios)
Grécia já conta 56 mortos em incêndios; Olímpia é salva - Folha Online: 26/08/2007 - 15h25 (com imagem de satélite da Nasa)
Incêndios ameaçam ruínas antigas de Olímpia na Grécia - BBC Brasil: 26 de agosto, 2007 - 10h10 GMT (com galeria de fotos)

Direito à Memória e à Verdade

Brasil merece "comissão da verdade" sobre 64
A regra de que a História sempre é escrita pelos vitoriosos foi quebrada pelo livro Direito à Memória e à Verdade, obra que relata os 11 anos de trabalho da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. Pela primeira vez, um documento oficial do governo federal conta a história dos derrotados pela ditadura militar de 1964 (...) O Estado brasileiro assume a versão de que a repressão política decapitou, esquartejou, estuprou, torturou e ocultou cadáveres, entre outros atos cruéis, de opositores da ditadura que já estavam presos e que não tinham como reagir. "A maioria das mortes se deu na prisão, sob intensas torturas", afirma o livro, que é produzido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. A obra será divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto (...) Em 1995, o então presidente Fernando Henrique Cardoso teve a coragem de editar uma lei que fez o Estado brasileiro assumir a responsabilidade pela morte de "causas não naturais" dos opositores da ditadura. Foi um grande avanço. Lula, que tinha feito muito menos nessa área do que o antecessor, dá agora um passo importante ao bancar um livro que diz com todas as letras como aconteceram essas mortes de "causas não naturais" (...) O livro traz um resumo sobre 475 casos. Desses, 339 foram apreciados pela comissão de mortos e desaparecidos (...) Editado com tiragem de 5.000 exemplares e 500 páginas, o documento... Leia o texto completo escrito por Kennedy Alencar na Folha Online de 26/08/2007.

Leia Mais:

Livro relata abusos sexuais contra presos da ditadura - Folha Online: 26/08/2007 - 08h43

sábado, 25 de agosto de 2007

Congresso da SBL 2007

É só dar uma passada pelos biblioblogs. Na maioria deles, há, nestes dias, dados sobre o próximo Congresso Anual da SBL, que acontecerá em San Diego, CA, de 17 a 20 de novembro de 2007.

O Congresso Anual da Society of Biblical Literature (SBL) é a maior reunião de biblistas do mundo. Contam-se aos milhares.

Passe pala página e veja o programa, disponível online. Tem tudo o que você possa imaginar, e mais um pouco, sobre estudos bíblicos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ainda sobre o projeto de ética mundial de Hans Küng

Na edição 232 da IHU Online, revista do Instituto Humanitas Unisinos, com data de 20 de agosto de 2007, há uma entrevista com os Professores Dr. Vicente de Paulo Barretto, pesquisador da Pós-Graduação em Direito – Unisinos, e Dr. Alfredo Culleton, pesquisador da Pós-Graduação em Filosofia – Unisinos, com o título Ética mundial e Direito: uma contribuição de Hans Küng. Veja as páginas 58-60.

Hoje, 23/08/2007, no evento IHU Idéias, das 17h30 às 19h00 (agora!) eles estão discutindo a importância do projeto de ética mundial de Hans Küng e a sua contribuição para a área do Direito.

Lembro, mais uma vez, que Hans Küng estará no Brasil a partir de 22 de outubro. Além da Unisinos, o teólogo de Tübingen também proferirá palestras na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, no Goethe-Institut de Porto Alegre, na Universidade Católica de Brasília, na Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro e na Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais.

Ah! O tema de capa deste número da IHU Online é o grande mineiro Carlos Drummond de Andrade, o poeta que tinha o sentimento do mundo! No dia 17 passado lembramos os 20 anos da morte de Drummond.

Se quiser acessar os números anteriores da IHU Online, clique aqui.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Resenhas na RBL - 22.08.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Jouette M. Bassler
Navigating Paul: An Introduction to Key Theological Concepts
Reviewed by William S. Campbell
Reviewed by Robert A. Bryant
Reviewed by David J. Downs

Charles B. Cousar
An Introduction to the New Testament: Witnesses to God's New Work
Reviewed by Greg Carey

James R. Davila
The Provenance of the Pseudepigrapha: Jewish, Christian, or Other?
Reviewed by Johann Cook

Carol Dempsey
Jeremiah: Preacher of Grace, Poet of Truth
Reviewed by Mitchel Modine

Sigurd Grindheim
The Crux of Election: Paul's Critique of the Jewish Confidence in the Election of Israel
Reviewed by Justin K. Hardin

David Instone-Brewer
Traditions of the Rabbis from the Era of the New Testament: Volume 1: Prayer and Agriculture
Reviewed by Carol Bakhos

Yonatan Kolatch
Masters of the Word: Traditional Jewish Bible Commentary from the First through the Tenth Centuries
Reviewed by Alex P. Jassen

Paul Lawrence
The IVP Atlas of Bible History
Reviewed by Christoph Stenschke

Edmondo Lupieri
A Commentary on the Apocalypse of John
Reviewed by Craig R. Koester

Lee Martin MacDonald
The Biblical Canon: Its Origin, Transmission, and Authority
Reviewed by David Chapman

Maurizio Marcheselli
«Avete qualcosa da mangiare?»: Un pasto, il risorto, la comunità
Reviewed by Ilaria Ramelli

Melvin K. H. Peters, ed.
XII Congress of the International Organization for Septuagint and Cognate Studies, Leiden, 2004
Reviewed by Michael Tilly

Henning Graf Reventlow
Die Eigenart des Jahweglaubens: Beiträge zur Theologie und Religionsgeschichte des Alten Testaments
Reviewed by Mark W. Hamilton

Chantal Reynier
Paul de Tarse en Méditerranée: Recherches autour de la navigation dans l'Antiquité (Ac 27-28, 16)
Reviewed by Odette Mainville

Dieter Sänger and Ulrich Mell, eds.
Paulus und Johannes: Exegetische Studien zur paulinischen und johanneischen Theologie und Literatur
Reviewed by John Paul Heil

Peter Schäfer
Jesus in the Talmud
Reviewed by Catherine Hezser

Juliane Schlegel
Psalm 88 als Prüfstein der Exegese: Zu Sinn und Bedeutung eines beispiellosen Psalms
Reviewed by Christiane de Vos

Mark D. Thompson
A Clear and Present Word: The Clarity of Scripture
Reviewed by Francois Viljoen

Morreu Volkmar Fritz

O arqueólogo alemão Volkmar Fritz morreu ontem aos 69 anos de idade. Acabo de ver a notícia nas listas ANE-2 e Biblical Studies. Veja mais detalhes em um destes endereços.

Conheci o trabalho de Volkmar Fritz através de três de seus livros: um coordenado por ele e Philip Davies e dois escritos por ele:
:: FRITZ, V.; DAVIES, P. R. (eds.) The Origins of the Ancient Israelite States. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996, 219 p. ISBN 1850757986. Mais aqui, item 5.

:: FRITZ, V. The City in Ancient Israel. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1995, 197 p. ISBN 1850754772

:: FRITZ, V. Die Entstehung Israels im 12. und 11. Jahrhundert v. Chr. Stuttgart: Kohlhammer, 1996, 223 p. ISBN 3170123319. Leia mais em A origem de Israel nos séculos 12 e 11 a.C.: comentando um livro de Volkmar Fritz.

Resenhas no JHS em 2007

As seguintes obras foram recentemente resenhadas pelo Journal of Hebrew Scriptures:

Aaron, David H. Etched in Stone: The Emergence of the Decalogue. London: T & T Clark, 2006.

Anderson, Cheryl, Women, Ideology and Violence: Critical Theory and the Construction of Gender in the Book of the Covenant and Deuteronomic Law. London: T & T Clark, 2005.

Bergen, Wesley J. Reading Ritual: Leviticus in Postmodern Culture. London: T & T Clark, 2005.

Dirksen, Peter B. 1 Chronicles. Leuven: Peeters, 2005.

Edelman, Diana The Origins of the Second Temple: Persian Imperial Policy and the Rebuilding of Jerusalem. London: Equinox Publishing, 2005.

Esler, Philip F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2006.

Hamilton, Mark W. The Body Royal: The Social Poetics of Kingship in Ancient Israel. Leiden: Brill, 2005.

Lipschits, Oded The Fall and Rise of Jerusalem: Jerusalem under Babylonian Rule. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2005.

Sweeney, Marvin A. Form and Intertextuality in Prophetic and Apocalyptic Literature. Tübingen: Mohr Siebeck, 2005.

Veja também:
Resenhas no JHS: Volume 7 - 2007

domingo, 19 de agosto de 2007

Hans Küng vem ao Brasil em outubro

Nos dias 21 a 29 de outubro de 2007 o teólogo Hans Küng, de Tübingen, Alemanha, estará no Brasil, com uma programação muito interessante.

Reconhecido como um dos maiores teólogos vivos da atualidade, ele iniciará seu giro pelo Brasil na Unisinos, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Hans Küng passará também por Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro e Juiz de Fora.

Na mesma página do IHU foi publicada hoje uma entrevista com Manfredo Araújo de Oliveira, Doutor em Filosofia e Professor Titular da Universidade Federal do Ceará, sobre o Projeto de Ética Mundial de Hans Küng.

Manfredo atua principalmente no campo da Ética. Leia O Projeto de Ética Mundial de Hans Küng. Entrevista especial com Manfredo Araújo de Oliveira.

Veja a programação das atividades de Hans Küng no Brasil na página do Instituto Humanitas Unisinos (IHU). Ao clicar nos links da notícia, é possível acessar várias outras matérias sobre Hans Küng e a Fundação Ética Mundial (Stiftung Weltethos) por ele presidida. Lembro que a página da Fundação pode ser acessada, além do alemão, também em inglês, francês e espanhol.

sábado, 18 de agosto de 2007

Gn 1-11 na Vida Pastoral

O número de setembro-outubro de 2007 – ano 48, n. 256 - da revista Vida Pastoral publicada pela Paulus tem 4 artigos sobre Gn 1-11. Foram escritos pela equipe do Centro Bíblico Verbo, de São Paulo. Recomendo a leitura, pois explica de maneira clara e com linguagem simples textos que usamos muito e que, com freqüência, são mal compreendidos.

Vida Pastoral é uma revista bimestral para sacerdotes e agentes de pastoral e é distribuída gratuitamente às instituições cadastradas no Anuário Católico do Brasil e a particulares que a solicitarem. Passe numa das livrarias da Paulus ou mande um e-mail para assinaturas@paulus.com.br e veja como conseguir um número ou a assinatura anual [também disponível online].

No editorial deste número diz o redator Pe. Claudiano Avelino dos Santos sobre os artigos de Gn 1-11:
A percepção de que a criação é obra da bondade de Deus é antiga. A Bíblia nos traz nos primeiros onze capítulos do Gênesis relatos teológicos que expressam essa convicção. Não são relatos jornalísticos ou teses científicas. São, antes disso, textos de fé que, com linguagem própria, ajudam a, não obstante as mazelas presentes no mundo, manter a esperança. E mais para o final, após apresentar os 4 artigos, diz o redator: As reflexões que o Centro Bíblico Verbo apresenta a respeito desses capítulos são oportunas para um tempo em que a preocupação com o futuro da Terra é tema urgente.

Os artigos são os seguintes:
. Deus viu que tudo era muito bom! Uma introdução a Gênesis 1-11 – Maria Antônia Marques – p. 3-11
. Colcha de memórias: uma leitura de Gn 1,1-2,4a – Cecília Toseli e Maria Antônia Marques – p. 12-19
. Vós sereis como deuses: uma leitura de Gênesis 2,4b-3,24 – Shigeyuki Nakanose – p. 20-28
. A maldade do homem era grande sobre a terra: uma leitura de Gênesis 6,1-9,17 – Equipe do Centro Bíblico Verbo – p. 29-35

Para saber mais, recomendo:
:: Três livros bem acessíveis sobre Gn 1-11:
. CENTRO BÍBLICO VERBO Deus viu que tudo era muito bom: entendendo o livro de Gênesis 1-11. São Paulo: Paulus, 2007, 160 p. ISBN 9788534927
. MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 19. ed. Petrópolis: Vozes, 2009, 152 p. ISBN 8532603319
. SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2009, 141 p. ISBN 857311844X

:: Dois livros, de nível acadêmico, para aprofundamento, sobre a formação do Pentateuco:
. DE PURY, A. (org.) O Pentateuco em questão: as origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002, 324 p. ISBN 8532615899
. SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003, 304 p. ISBN 8515024527. Resenha disponível emhttp://www.airtonjo.com/novidades2003b.htm>. Acesso: 18 agosto 2007. Veja também O Pentateuco de Jean-Louis Ska.

:: Um artigo sobre a situação atual dos estudos do Pentateuco e da História de Israel:
. DA SILVA, A. J. A História de Israel no Debate Atual. Acesso: 18 agosto 2007 [atualizando: 15 de maio de 2010].

:: Uma lista com cerca de 50 comentários do livro do Gênesis:
. Para quem tem interesse no estudo do Gênesis

Leia a Biblia como literatura

É o convite que nos faz Cássio Murilo Dias da Silva em seu mais recente livro. Que será lançado no dia 3 de setembro de 2007, às 19h30, no Anfiteatro da Cúria, em Jundiaí, SP.

DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. ISBN 9788515033072

Sendo este o primeiro volume da nova coleção Ferramentas Bíblicas. Para mais informações sobre o lançamento do livro: Tel. 11 4586 1122.

Ainda: no dia 22 de setembro, das 8 às 17h, estará acontecendo no Auditório de Edições Loyola, em São Paulo, um curso com Cássio Murilo sobre Leituras Literárias da Bíblia. Na página da editora, clique em Cursos Loyola > Detalhes. Mais informações: cursos@loyola.com.br ou Tel. 11 6914 1922 ramal 250.

Quando chegar o livro, darei mais informações.

Para saber mais sobre o autor e suas publicações, leia:
:: Loyola publica tese de doutorado de Cássio Murilo Dias da Silva
:: Apresentação de Metodologia de Exegese Bíblica
:: Resenha de Metodologia de Exegese Bíblica

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Resenhas na RBL - 16.08.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

François Bovon
Luke the Theologian: Fifty-Five Years of Research (1950-2005)
Reviewed by Christoph Stenschke

Theodore W. Burgh
Listening to the Artifacts: Music Culture in Ancient Palestine
Reviewed by Benjamin Porter

Trevor J. Burke
Adopted into God's Family: Exploring a Pauline Metaphor
Reviewed by Mary L. Coloe

Monika Christoph
Pneuma und das neue Sein der Glaubenden: Studien zur Semantik und Pragmatik der Rede von Pneuma in Röm 8
Reviewed by Volker Rabens

John B. Cobb Jr. and David J. Lull
Romans
Reviewed by John Dunnill

C. D. Elledge
Life after Death in Early Judaism: The Evidence of Josephus
Reviewed by Daniel Maoz

Robert P. Gordon and Johannes C. de Moor, eds.
The Old Testament in Its World: Papers Read at the Winter Meeting, January 2003, The Society for Old Testament Study and at the Joint Meeting, July 2003, The Society for Old Testament Study and Het Oudtestamentisch Werkgezelschap in Nederland en België
Reviewed by Gerald A. Klingbeil

Mark Leuchter
Josiah's Reform and Jeremiah's Scroll: Historical Calamity and Prophetic Response
Reviewed by Marvin A. Sweeney

Timothy J. M. Ling
The Judaean Poor and the Fourth Gospel
Reviewed by Bruce J. Malina

Ulrich Luz and Axel Michaels
Encountering Jesus and Buddha: Their Lives and Teachings
Reviewed by Migaku Sato

Ehud Netzer
The Architecture of Herod, the Great Builder
Reviewed by Peter Richardson

Séamus O'Connell
From Most Ancient Sources: The Nature and Text-Critical Use of the Greek Old Testament Text of the Complutensian Polyglot Bible
Reviewed by Anneli Aejmelaeus

Silvia Schroer, ed.
Images and Gender: Contributions to the Hermeneutics of Reading Ancient Art
Reviewed by Davina C. Lopez

Markus Vinzent
Der Ursprung des Apostolikums im Urteil der kritischen Forschung
Reviewed by Jens Schroeter

Abraham Wasserstein and David Wasserstein
The Legend of the Septuagint: From Classical Antiquity to Today
Reviewed by John Mason

Ben Witherington III
Letters and Homilies for Hellenized Christians: Volume 1: A Socio-Rhetorical Commentary on Titus, 1-2 Timothy and 1-3 John
Reviewed by Raymond F. Collins

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Como seria a Terra com humanos?

Enquanto em seu livro Alan Weisman projeta como seria a Terra sem humanos (The World Without Us), hoje é um bom dia para olharmos como anda a Terra com humanos...

:: Mais de 400 mortos no norte do Iraque em explosões - Veja quem são os Yazidi

:: Terremoto no Peru chegou a 8 graus na escala Richter e deixa centenas de mortos e milhares de feridos

:: O que pensa o presidente da Philips do Brasil, do "Cansei", sobre o Piauí - Veja quem são os golpistas do "Cansei" - O "culto ecumênico" do dia 17 - Nota Movimento Cansei

:: Crise imobiliária nos EUA provoca turbulência no mercado

Livro de Lester Grabbe sobre o Período Persa


Este é o primeiro de 4 volumes previstos por Lester L. Grabbe para Uma História dos Judeus e do Judaísmo no Período do Segundo Templo. Este volume cobre a época persa, sendo que a edição em capa dura (hardcover) saiu em 2004, enquanto esta, em brochura (paperback), é de 2006.

Esta obra é a expansão de um estudo anteriormente publicado com o título de Judaism from Cyrus to Hadrian. 2 vols. Minneapolis: Fortress, 1992. Ela se tornou necessária, pois ocorreu, principalmente a partir de 1990, uma verdadeira explosão de publicações de livros e artigos sobre o Judaísmo do Segundo Templo. Quem estuda História de Israel ou qualquer área do Antigo Testamento sabe da enorme importância em se conhecer o chamado período pós-exílico, pois foi nas épocas persa e grega que a maioria dos textos da Bíblia Hebraica foi escrita.

Rasgados elogios a esta obra de Lester L. Grabbe foram feitos por John W. Betlyon, da Pennsylvania State University, USA, na resenha escrita para a CBQ de julho de 2007, p. 545-546.

John W. Betlyon conclui assim sua resenha:
Tendo escrito um trabalho que interessa a historiadores, biblistas, arqueólogos e a todos os estudiosos do Período Persa (ca. 550-331 AEC), Grabbe prestou um tremendo serviço ao reunir tantas fontes a novas idéias e possíveis interpretações deste período histórico. Embora o leitor possa não concordar com todas as conclusões de Grabbe, sua pesquisa e seu rigor são impecáveis.

Ora, a obra de 1992 já era muito boa. Portanto, é preciso ir à luta: ler esta também... e torcer para que saiam logo os outros volumes.

Leia mais sobre esta e outras obras de Lester L. Grabbe aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

CBQ de julho 2007

Acabo de receber mais um número da revista The Catholic Biblical Quarterly (CBQ) publicada pela Catholic Biblical Association of America. É o vol. 69, n. 3, July 2007. O segundo número, dos três anuais.

Há sete artigos neste número da CBQ. Talvez dois sejam interessantes para meus estudos.

Mas o que me chama mais a atenção são os 62 livros resenhados nas p. 537-632. Pelo menos 17 destas resenhas são de minha área e precisam ser lidas.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Como seria a Terra sem humanos?

E se todos os seres humanos fossem varridos de repente do planeta Terra? Como seria o mundo sem o Homo sapiens?

:: WEISMAN, A. O Mundo sem Nós. São Paulo: Planeta, 2007, 384 p. ISBN 9788576653028.
São muitas as questões levantadas pelo Professor de Jornalismo da Universidade do Arizona Alan Weisman nesta investigação científica, que acabou de sair aqui com o título de O Mundo sem Nós. Após entrevistar especialistas – zoólogos, biólogos, engenheiros e paleontólogos, – Weisman faz revelações fascinantes e, ao mesmo tempo, perturbadoras sobre o impacto da humanidade no planeta. Nós fomos responsáveis pela extinção de várias espécies, e a natureza sobreviveu. Mas o que aconteceria se, atacados por um vírus, desaparecêssemos? Quais seriam as primeiras criações humanas a sumir? E as últimas?

:: WEISMAN, A. The World Without Us. New York: St. Martin’s Press, 2007, 336 p. ISBN 9780312347291.
In The World Without Us, Alan Weisman offers an utterly original approach to questions of humanity’s impact on the planet: he asks us to envision our Earth, without us (...) In this far-reaching narrative, Weisman explains how our massive infrastructure would collapse and finally vanish without human presence; which everyday items may become immortalized as fossils; how copper pipes and wiring would be crushed into mere seams of reddish rock; why some of our earliest buildings might be the last architecture left; and how plastic, bronze sculpture, radio waves, and some man-made molecules may be our most lasting gifts to the universe.

:: Alan Weisman's Web Site

:: Terra sem humanos - An Earth Without People
Uma nova forma de avaliar o impacto da humanidade sobre o ambiente é pensar como o mundo se sairia se todas as pessoas desaparecessem (...) Nesse longo exercício de pensamento, Weisman não especifica exatamente o que elimina o Homo Sapiens, em vez disso ele simplesmente assume o desaparecimento repentino de nossa espécie e projeta a seqüência de eventos que provavelmente ocorreria nos anos, décadas e séculos a seguir. Segundo Weisman, uma grande parte de nossa infra-estrutura física começaria a ruir quase que imediatamente. Sem equipes para a manutenção das ruas... Leia a entrevista com Alan Weisman, feita pelo editor da Scientific American, Steve Mirsky, na Scientific American Brasil, edição 63, agosto de 2007, ou, em inglês, pagando, aqui.

:: Livro escancara divórcio fatal entre os humanos e o planeta: Folha Online: 12/08/2007 - 09h19

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Estudo sociologico sobre seitas no judaismo antigo

CHALCRAFT, D. J. (ed.) Sectarianism in Early Judaism: Sociological Advances. London: Equinox Publishing, 2007, 256 p. ISBN 9781845530846.

Este livro apresenta oito estudos - inovadores, segundo a editora - que exploram o fenômeno das seitas no judaísmo antigo e a história das teorias sociológicas sobre movimentos sectários.

Os colaboradores abordam fontes clássicas e contemporâneas da sociologia da religião, como os trabalhos de Max Weber, Ernest Troeltsch, Bryan Wilson, Stark e Bainbridge, Mary Douglas. Leia mais sobre a sociologia (weberiana) das seitas aqui.

Entre os autores estão, além de David J. Chalcraft, Lester L. Grabbe e Philip R. Davies, de quem já li alguns livros, também Peirluigi Pironavelli, Eyal Regev, Cecilia Wassen, Jutta Jokiranta, Albert I. Baumgarten...

>> Publicação prevista para setembro de 2007.

Para esta e outras publicações recentes, veja + Novidades. Para o sumário do livro, veja a página da editora Equinox.

Diz a editora:
This book presents eight new and path-breaking studies which explore the phenomenon of sects in ancient Judaism and the history of sociological theorizing of sectarian movements. Contributors draw on a full range of classical and contemporary sources in the sociology religion including the work of Max Weber, Ernest Troeltsch, Bryan Wilson, Stark and Bainbridge, Mary Douglas. The book represents a self-conscious foregrounding of sociological issues which the authors apply to their deep knowledge of the history and texts of the so-called sectarian communities. Critical consideration is given to the contexts in which Jewish sectarianism is to be understood, layers of redaction in the texts, the trajectories of sectarian groups, the location of sectarianism within a long term history of Judaism as well as in the context of the Second Temple; the relations between sects and the wider society, between themselves and between other religious and political movements are considered. Critical approaches are adopted to the reception and application of Weber’s ideas and for the first time a comprehensive survey of the contributions of Weber and Bryan Wilson, rooted in the development of their own work across time, is provided. The limits as well as the potentialities of their typologies and sociological theories are considered. Overall the book breaks out of a non reflective and non informed use of sociological typologies to ground conceptualization of sects and their histories in a purposeful sociological context, making controlled use of sociological theory, concepts and substantive findings of other sectarian movements. The book does not argue for any one sociological method or typology but only leads by example by showing the need to be cautious with the use of comparative material, and to ground theorizing in the very texts of the sociological theorist studied just as careful attention needs to be paid to the textual, historical and material evidence that remains.

The Jesus Project: um deus-nos-acuda

"False report, of course, is the culture in which blogging thrives". R. Joseph Hoffmann.

Ou: Falsa informação, naturalmente, é a cultura na qual prospera o blogar, disse o "chefe" do The Jesus Project em Jesus Project v. Jesus Squad?

Ei, moço, devagar com o andor! Não bastasse o controvertido projeto, agora o ataque gratuito e generalizado aos biblioblogueiros que discutiram um assunto que parece mal-arranjado desde o começo? Isto pode acabar em destempero ou... sinônimos aqui.

O que aconteceu?

Nem vou entrar na discussão, que acho absurda, mas leia, sobre o caso, nesta seqüência (se o inglês estiver difícil, use algum tradutor disponível na web, como a Ferramenta de Idiomas do Google, o Babel Fish do Altavista, o FreeTranslation, ou outros que podem ser encontrados em Online Dictionaries and Translators):

:: Introducing The Jesus Project by R. Joseph Hoffmann - Presidente do Committee for the Scientific Examination of Religion (CSER)

:: Jesus Project update - Higgaion, by Christopher Heard (03 Aug 2007)

:: The Jesus Project - The Forbidden Gospels Blog, by April DeConick

:: Statement by R. Joseph Hoffmann: Jesus Project v. Jesus Squad?, by R. Joseph Hoffmann

:: The Jesus Project - NT Gateway Weblog, by Mark Goodacre

:: Hoffmann Responds to blogdom on The Jesus Project - Thoughts on Antiquity, by Chris Zeichmann

:: The Jesus Project: on not being responsible - Metacatholic, by Doug Chaplin

:: Jesus Project update - Higgaion, by Christopher Heard (14 Aug 2007)


E fique de olho, porque vai sair mais bafafá!

Google Reader Trends: 13 de agosto de 2007

Repito aqui a introdução que fiz no post Google Reader Trends de 9 de junho de 2007.

No Google Reader Trends é possível ver alguns aspectos interessantes dos itens inscritos em meu blogroll. Como os blogs mais frequentemente atualizados nos últimos 30 dias e, na outra ponta, os inativos.

Reporto aqui os top 45 itens dos últimos 30 dias, lembrando - somente aos distraídos! - que a data atual é: 9 de junho de 2007, 11h45, horário de Brasília.

Enfatizo, porém, que esta estatística é do Google Reader, não minha, e que indica a quantidade média diária de posts publicados por um blog, ou outro item inscrito no Blogroll, não a qualidade de seu conteúdo!

Portanto, não cabe aqui qualquer juízo de valor de um blog e a estatística não deve ser usada para medir a excelência acadêmica de nenhum blogueiro ou biblioblogueiro. Vejo biblioblogs excelentes, por exemplo, no fim da lista.

Hoje, 13 de agosto de 2007, 11h02, horário de Brasília (confira um World Clock), vejo a seguinte lista dos top 40 itens dos últimos 30 dias (hoje tenho 163 itens inscritos no blogroll), que pode ser comparada com a de dois meses e 4 dias atrás:

Your subscription trends for the last 30 days - Frequently updated: Items/Day
:: Dr Jim West 5.3
:: Egyptology News 4.0
:: Blog di Antonio Lombatti 3.2
:: PaleoJudaica.com 2.6
:: Egyptology Blog 2.5
:: Jesus Creed 2.4
:: Better Bibles Blog 1.8
:: AKMA’s Random Thoughts 1.8
:: Exploring Our Matrix 1.6
:: Ancient Hebrew Poetry 1.6
:: Observatório Bíblico 1.5
:: Higgaion 1.4
:: Iyov 1.2
:: NT Gateway Weblog 1.2
:: Sibboleth 1.2
:: Lingamish 1.1
:: The Forbidden Gospels Blog 1.1
:: Faith and Theology 1.1
:: Pisteuomen 1.1
:: Withering Fig 1.1
:: Abnormal Interests 1.1
:: What's New in Abzu 1.0
:: Chrisendom 1.0
:: About Ancient/Classical History 1.0
:: Aantekeningen bij de Bijbel 1.0
:: Schenck Thoughts 1.0
:: Idle Musings of a Bookseller 0.9
:: Euangelion 0.9
:: Årstein Justnes' Blogg 0.8
:: Best Blogs about Biblical Studies 0.8
:: Top Theology Blogs 0.8
:: Biblische Ausbildung 0.8
:: Novum Testamentum 0.8
:: Bibbiablog 0.8
:: Exegetisk Teologi 0.7
:: Targuman 0.7
:: Iconic Books 0.7
:: What's New in Papyrology 0.7
:: EvolutionBlog 0.7
:: Ben Witherington 0.7

domingo, 12 de agosto de 2007

Lester Grabbe: como escrever uma História de Israel?

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, 328 p. ISBN 9780567032546.

As histórias de Israel escritas nas últimas décadas ainda deixam questões básicas de metodologia sem respostas. Por exemplo: como escrevemos uma História de Israel? Como nós podemos saber algo sobre a História de Israel?

Em Antigo Israel: o que nós sabemos e como nós sabemos, Lester L. Grabbe, Professor de Bíblia Hebraica e Judaísmo Antigo na Universidade de Hull, Reino Unido, investiga o que nós sabemos através de uma verificação das fontes e como nós sabemos através de uma discussão metodológica e avaliação das evidências. Grabbe não escreve aqui uma História de Israel, mas reúne e analisa os materiais necessários para a escrita de uma História de Israel.

A questão mais importante sobre a história do antigo Israel é: como nós sabemos o que sabemos? Esta questão nos conduz às questões fundamentais deste estudo de Lester L. Grabbe: Quais são as fontes para a História de Israel e como devemos avaliá-las? Como fazê-las "falar" através da névoa dos séculos?

Grabbe analisa fontes originais, incluindo inscrições, papiros e arqueologia e examina os maiores problemas existentes quanto ao uso do texto bíblico para a escrita de uma História de Israel.

>> Publicação prevista para dezembro de 2007.

Diz a editora:
A number of 'histories of Israel' have been written over the past few decades yet the basic methodological questions are not always addressed: how do we write such a history and how can we know anything about the history of Israel? In Ancient Israel Lester L. Grabbe sets out to summarize what we know through a survey of sources and how we know it by a discussion of methodology and by evaluating the evidence. Grabbe’s aim is not to offer a history as such but rather to collect together and analyze the materials necessary for writing such a history. His approach therefore allows the reader the freedom, and equips them with the essential methodological tools, to use the valuable and wide-ranging evidence presented in this volume to draw their own conclusions. The most basic question about the history of ancient Israel, how do we know what we know, leads to the fundamental questions of the study: What are the sources for the history of Israel and how do we evaluate them? How do we make them 'speak' to us through the fog of centuries? Grabbe focuses on original sources, including inscriptions, papyri, and archaeology. He examines the problems involved in historical methodology and deals with the major issues surrounding the use of the biblical text when writing a history of this period. Ancient Israel makes an original contribution to the field but also provides an enlightening overview and critique of current scholarly debate. It can therefore serve as a 'handbook' or reference-point for those wanting a catalog of original sources, scholarship, and secondary studies.

Para outros livros de Lester L. Grabbe ou por ele coordenados, confira Bibliografia > História de Israel.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Le Monde Diplomatique Brasil nas bancas

Leia esta ótima notícia sobre a edição em português do Le Monde Diplomatique em:
:: Agora, também nas bancas
:: Le Monde Diplomatique no Brasil

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

What is the New Perspective on Paul?

Uma rápida e clara introdução à Nova Perspectiva nos posts de Scot McKnight, publicados em seu blog Jesus Creed de 6 a 10 de agosto de 2007. Não deixe de ler os muitos comentários.

:: New Perspective 1 - E. P. Sanders
:: New Perspective 2 - James Dunn
:: New Perspective 3 - N. T. Wright
:: New Perspective 4 - I wish now to state what we have to do when we start talking about the “New Perspective”...
:: New Perspective 5 - The crux of the fierce criticism of the New Perspective on Paul is what I will call an Augustinian anthropology... (atualizado em 10.08.2007)

Veja também (atualizado em 10.08.2007):
:: Bibliografia comentada sobre Paulo
:: Further Reading on the New Perspective
:: N. T. Wright Page, unofficial website
:: Simon Gathercole on the New Perspective on Paul, post de Mark Goodacre em NT Gateway Weblog
:: The Paul Page, dedicada à Nova Perspectiva

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

No Brasil temos muitos blogs e poucos biblioblogs

Se o Brasil é o quinto colocado no mundo em número de leitores de blogs e o terceiro entre os que mais têm blogueiros, como diz esta pesquisa feita pela McCann para a Intel - leia no Circuito Integrado e no IDG Now - por que temos tão poucos biblioblogueiros?

Agora, quantidade é uma coisa e qualidade é outra. Será que estes muitos blogs produzidos no Brasil têm, de fato, conteúdo que vale a pena? Quantos estão ligados à academia? Quantos tratam apenas de banalidades?

Leia Mais:
Estudo sobre a blogosfera: BU e UFMG
Pesquisa sobre a blogosfera brasileira
State of the Blogosphere

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Saber x ideologia: ainda o discurso competente

Creio que o post anterior possa ter gerado alguma confusão. Talvez os leitores sejam levados a tomar a categoria "competência" como sinônimo de "saber", como se eu estivesse negando a necessidade da ciência e defendendo o senso comum. Não é bem isso o que quero dizer.

Nehemias, um leitor do blog - a quem agradeço - fez, no comentário, algumas ressalvas ao post O discurso competente: dissimulador da dominação. Tentei esclarecer o que quis dizer, também no comentário, mas acho que ainda não ficou bom. Vou tentar explicar melhor.

O já citado filósofo francês da ciência, Gaston Bachelard, compõe a sua obra a partir de uma dupla vertente: a científica e a poética. Para Bachelard, o tempo só tem a realidade do instante, daí ser o conhecimento uma obra temporal. Se para Bergson o instante é duração, gerando um processo de continuidade, e nos transformando na condensação da história que vivemos, para Bachelard, ao contrário, o instante é trágico, pois ele é a solidão que nos isola de nós mesmos e dos outros. Como vencer esta solidão? Com a ciência e a poesia.

Passo a citar Hilton Japiassú, Para ler Bachelard. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976, p. 22-23: O tempo é a consciência dessa solidão. A coragem aparece como a necessidade de se lutar contra a solidão. É assim que teremos acesso a nós mesmos, aos homens e às coisas. Nós somos nossa decisão. Nossos valores se inscrevem no término de uma ação através da qual fazemos os instantes que vivemos, quer dizer, nosso tempo. Devemos nos definir pela tendência que tivermos de nos ultrapassar e de nos transformar. Para tanto, dois caminhos se apresentam: de um lado, a ciência e a técnica vencem a solidão criando um prolongamento de nós mesmos e uma sociedade; de outro, a poesia e a imaginação libertam-nos da servidão da história e das referências da memória, para nos fazer descobrir homens e coisas. O homem é ao ao mesmo tempo Razão e Imaginação.

Limitando-me aqui à vertente científica, quero dizer que, segundo Bachelard, o conhecimento é uma operação na qual a ciência cria seus próprios objetos pela destruição dos objetos da percepção comum, dos conhecimentos imediatos. A ciência é uma ação eficaz e devemos utilizá-la para agir sobre o mundo e transformá-lo. Portanto, o progresso científico se faz por rupturas com o senso comum, com as opiniões primeiras e com as pré-noções da filosofia espontânea (cf. BACHELARD, G. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999, 314 p. ISBN 8585910117).

Mas gostaria de ir além, voltando a Marilena Chauí, na citada obra Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2006, 367 p. ISBN 9788524911903.

Falando da diferença entre saber e ideologia, Chauí nos mostra que o saber é um trabalho. Trabalho para elevar à dimensão do conceito uma situação de não-saber. Situação gerada por uma experiência imediata obscura que pede clarificação. Obscuridade que é o caráter indeterminado da experiência. O saber é, portanto, o trabalho para determinar esta indeterminação, tornando-a inteligível. Daí, só há saber quando se aceita o risco da indeterminação que faz nascer a reflexão. Por outro lado, a ideologia recusa a indeterminação que habita a experiência. Ela neutraliza a história, abole as diferenças, oculta as contradições e desarma as interrogações. No saber as idéias são produto de um trabalho, são históricas. Na ideologia, o conhecimento se transforma em idéia instituída.

Bom, daqui para a frente é só reler o post anterior para clarear o que são discursos instituídos e competentes.