domingo, 2 de dezembro de 2007

Morreu John Strugnell (1930-2007)

Em 30 de novembro passado, morreu, em Boston, o Professor John Strugnell, aos 77 anos (1930-2007).

Strugnell trabalhou cerca de 40 anos com os Manuscritos do Mar Morto. Vi a notícia no PaleoJudaica.com, de Jim Davila, que trabalhou com ele nos Manuscritos na década de 80 e testemunha: "He was a giant in the field" [Ele era um gigante na área].



Sobre a publicação dos Manuscritos, escrevi em meu artigo Os Essênios: a Racionalização da Solidariedade, no item Publicação:

Para trabalhar com os fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto é constituída, na década de 50, uma equipe internacional no Museu Arqueológico da Palestina, em Jerusalém Oriental, pertencente à Jordânia. O chefe da equipe é o dominicano francês R. de Vaux. Com ele trabalham Frank Moore Cross, americano, presbiteriano; J. T. Milik, polonês, católico; John Allegro, inglês, agnóstico; Jean Starcky, francês, católico; Patrick Skehan, americano, católico; John Strugnell, inglês, presbiteriano [depois, católico]; Claus-Hunno Hunziger, alemão, luterano. Predominam especialistas de Harvard (USA), École Biblique (Jerusalém) e Oxford (Inglaterra).

Com a morte de R. de Vaux em setembro de 1971, a função de editor-geral passa para seu colega dominicano Pierre Benoit, que por sua vez, ao morrer em 1987, passa o cargo para John Strugnell [Obs.: em 1984 já haviam sido feitos os preparativos para esta sucessão, conforme narra VANDERKAM J. C. Os Manuscritos do Mar Morto Hoje. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995, p. 229. - ISBN 9788573020120. Original: The Dead Sea Scrolls Today. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1994, 224 p. - ISBN 9780802807366. See chapter 7: Controversies about the Dead Sea Scrolls].

Durante todos estes anos, a equipe continua pequena. Quando um pesquisador morre ou se retira, é substituído por outro e pronto. Strugnell, porém, lutará por duas coisas: pela expansão do pequeno grupo original encarregado dos manuscritos e pela inclusão nesta equipe de pesquisadores judeus.

Entretanto, cresce no meio acadêmico mundial a insatisfação com a demora na publicação dos documentos. Alguns nomes se destacam neste protesto, como Robert Eisenman, da Universidade do Estado da Califórnia e Philip Davies da Universidade de Sheffield, Reino Unido. Eles tentam o acesso aos manuscritos, mas são barrados por J. Strugnell. Hershel Shanks, fundador da Biblical Archaeology Society começa, então, vigorosa campanha pelo acesso aos Manuscritos.

Após polêmica entrevista aos jornais, em dezembro de 1990, John Strugnell é demitido do cargo pela Israel Antiquities Authority (IAA), que indica Emanuel Tov como editor-chefe e amplia a equipe para cerca de 50 pesquisadores. Em 2001 a publicação dos Manuscritos foi concluída. Confira bibliografia aqui e aqui.

Para fotos de vários pesquisadores dos Manuscritos do Mar Morto, incluindo Strugnell ainda jovem, clique aqui.

Atualizando: 02.12.2007 às 16h00
Para se compreender o episódio da demissão de John Strugnell é fundamental a leitura do comentário de Joe Zias ao post de Jim West John Strugnell’s Death [Obs.: blog apagado, link perdido]. Tenho gravado um documentário televisivo sobre os Manuscritos do Mar Morto, que uso em sala de aula, no qual este episódio é narrado. Pois para mim, a demissão de Strugnell, desde que vi aquele documentário, sempre me pareceu um equívoco: o que vi foi um grande intelectual, estressado e muito doente, que foi erroneamente julgado como anti-semita e injustamente punido. Joe Zias começa assim: A brilliant scholar and a decent man, mistreated by the press due to some medical problems which many people in the academic world suffer from. I knew John for many years...

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