domingo, 23 de setembro de 2007

Hauser bate forte na teoria das fontes do Pentateuco

No Forum SBL de setembro 2007, Alan J. Hauser, Professor da Appalachian State University, Boone, Carolina do Norte, USA, publicou um artigo sobre a situação atual da pesquisa do Pentateuco, com o título de Sources of the Pentateuch: So Many Theories, So Little Consensus [Fontes do Pentateuco: tantas teorias, tão pouco consenso].

Hauser critica, neste artigo, fortemente, as muitas tentativas pós-wellhausenianas de explicação do Pentateuco que ainda permanecem no campo da teoria das fontes. Ele insiste que é preciso verificar com mais rigor os pressupostos metodológicos subjacentes a tais teorias: "In source-critical studies, the energy and focus have typically been on discerning the details and content of the sources. Rarely has there been a serious look at underlying methodological presuppositions. I want to raise a few of these methodological issues, pointedly".

Hauser concorda com a insuficiência do consenso wellhauseniano. Mas também vê a falência das propostas posteriores, que não conseguem construir um novo consenso e atribui este fato a uma teimosa acomodação a pressupostos que deveriam ser questionados.

O modelo das fontes do Pentateuco, que insiste em sobreviver nas atuais propostas, é, para o autor, o problema maior. Ele diz, por exemplo: "... a key flaw of source criticism is that, rather than reexamining its conceptual framework, and rather than probing for its methodological flaws, it continues to generate nuanced reiterations of its central construct, assuming that the best way to study the Pentateuch is to divide it into its sources, place each into its own proposed historical context, and then interpret the content in this conceptual framework. Source-critics have rarely questioned the cogency and usefulness of this approach".

Ele conclui que
Factors that should challenge the center of source criticism include our growing awareness of the complex interrelationships among the many parts of the Pentateuch, as well as with other ancient Israelite literature, both oral and written; the difficulty of reconstructing the particulars of historical contexts for specific periods/events in ancient Israelite history; our imperfect understanding of ancient Israelite literature, its conventions, its variety, and the ways in which creative writers played on these; and the promise of new methods that can help us better evaluate the text of the Pentateuch. Taken as a whole, these factors demonstrate the need for a thoroughgoing reassessment of the foundation on which source critical studies have been based for well over a century.

Entretanto: se alguém pensa que vai encontrar, neste artigo, uma solução para o problema do Pentateuco, desista...

Para mim, está claro: enquanto algumas questões fundamentais da História de Israel não forem resolvidas, não se chegará a um novo consenso acerca de quem, quando e como foi composto o Pentateuco.

O que sabemos do antigo Israel através da Bíblia Hebraica, para nós, hoje, não é mais uma resposta. É um problema. Como já notava, em 1992, Philip R. Davies.

Ora, no ano seguinte, em 1993, também Rolf Rendtorff já afirmava, com todas as letras: “Os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião (...) Não é por acaso que uma das mudanças mais importantes estejam ocorrendo com as hipóteses sobre as origens de Israel”. E completava: “Um dos muitos pontos de incerteza é a questão da identidade de Israel” (RENDTORFF, R. The Paradigm is Changing: Hopes and Fears. Em LONG, V. P. (ed.) Israel’s Past in Present Research: Essays on Ancient Israelite Historiography. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1999, p. 60-61 - ISBN 9781575060286. O artigo de Rendtorff, à época professor em Heidelberg, foi reimpresso da revista Biblical Interpretation 1 (1993), p. 34-53).

Leia Mais:
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