terça-feira, 27 de março de 2007

300 de Esparta: Ocidente versus Oriente?

O filme 300 de Esparta entra em cartaz no Brasil na sexta-feira, 30 de março de 2007.

Veja, sobre isso, quatro links: o site oficial do filme em inglês, outro site sobre o filme em português, uma resenha do filme, escrita pelo Professor emérito de História Antiga da Pennsylvania State University, USA, Eugene N. Borza, da qual transcrevo pequenos trechos e, finalmente, uma reportagem de CartaCapital sobre o espetáculo à parte que foi a divulgação do filme para os jornalistas no Rio de Janeiro.

O Prof. Eugene N. Borza chama a atenção para vários aspectos do filme, entre eles o aspecto histórico. Diz que sua fidelidade histórica não pode ser avaliada, já que ele não pretende ser historicamente preciso. O filme é uma fantasia, não uma reconstrução do que aconteceu no confronto entre espartanos e persas no ano 480 a.C. no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia.

Por outro lado, diz o resenhista, história ou fantasia, neste filme, os asiáticos, particularmente Xerxes, são representados como a verdadeira encarnação do mal e da tirania, em oposição aos espartanos que representam a liberdade e a justiça. O Oriente é sórdido, mau, o lado escuro da força, enquanto o Ocidente representa a beleza e a luz. Ele considera esta dicotomia mais séria ainda, pois os dois lados, persa e grego, são historicamente injustiçados em suas motivações e ações pela distorcida fantasia que enfeita o filme e encanta os espectadores ocidentais.

Difícil é ver como uma postura destas poderia ser considerada politicamente correta, ou mesmo neutra, por parte de Teerã, nas atuais circunstâncias de confronto dos Estados Unidos e Reino Unido com o Irã. Para quem não se tocou, os iranianos atuais são os herdeiros dos persas antigos...

300

300 de Esparta

Spartans Overwhelmed at Thermopylae, Again (by Eugene N. Borza - Archeology: March 22, 2007)
To judge this film's adherence to historical fact (insofar as we understand it) is to do it a disservice, for the film does not even pretend to be historically accurate (...) This film is not even science fiction, a genre based on an extension of reality. In fact, 300 is one step removed from sci-fi: it is fantasy (...) But, for devotees of historical nitpicking: a few nits. There is no attempt to explain the complex issues faced by the Greek city-states confronting the Persian advance. Leonidas is portrayed as intending to take his 300 Spartans up to Thermopylae in order to defeat the Persians and fight for freedom. Setting aside the simple-minded ideology about liberty, reason, and justice (like other Greeks, the Spartans themselves had a long history of attempting to coerce if not actually enslave other peoples when it suited their interests), it is ludicrous to suggest that a great Spartan general like Leonidas would believe that 300 men could thwart the advance of tens--perhaps hundreds--of thousands of Asian troops. Leonidas' motivation is not credible, even in a comic book. The actual Spartan stand at Thermopylae as a delaying action is both credible and historical (...) The Asians, in particular Xerxes (chillingly played by the Brazilian actor Rodrigo Santoro), are portrayed as the embodiment of evil and mindless tyranny, as opposed to the Spartans who represent freedom and justice. This stark dichotomy is unfortunate. It is an unnecessary misrepresentation of both Persians and Greeks to have set up both sides in unrelieved black and white: the East as sordid, evil, and dark, while the West represents beauty and light. I do not read into this, as some have, a subliminal commentary on current events, but I'll bet that this film will not be shown in Tehran. Indeed, the racist implications of the film have already been condemned by Iranians who have not even seen it (...) It does history and the Persians a real disservice in portraying the Asians entirely as degenerates.

Talents em Copacabana
O lançamento de 300 de Esparta mostra como um sucesso é construído

Eles são sempre chamados talents. E quem não souber o que é talent, que providencie um dicionário. Nas junkets dos blockbusters, com entrevistas em formato round-table e première no red carpet, muitas são as expressões estrangeiras. Prática consagrada dos grandes estúdios, a junket, trocando em miúdos, é um evento destinado a reunir jornalistas dos mais variados veículos e países para a divulgação de um filme embalado para o sucesso. A palavra junket também pode designar piquenique ou festa. Pois aconteceu no Brasil, pela primeira vez, uma junket de porte e feições internacionais. Na segunda-feira 19 e na terça 20, cerca de 60 jornalistas latino-americanos reuniram-se no suntuoso Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, para acompanhar o talent tour do filme 300 de Esparta, que entra em cartaz em 550 salas do País na sexta-feira 30. O primeiro dia foi reservado para jornais e revistas. O segundo, para as tevês. Se a estratégia é velha conhecida dos jornalistas da área cultural, o mesmo não se pode dizer do público. Explicitar esses mecanismos invisíveis é uma boa maneira de compreender de que modo um filme é preparado como produto para consumo (cont.) Fonte: Ana Paula Sousa, em CartaCapital de 27 de março de 2007 - Ano XIII - Número 437.

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