sábado, 7 de outubro de 2006

Quantos idiomas deveria um biblista dominar?

Jim, I agree with you... Jim, defendo a mesma postura sua: um biblista precisa ter domínio das línguas bíblicas - hebraico, aramaico e grego, no mínimo, mais latim (porém, dependendo da área específica de estudos precisa de outras línguas antigas, como acádico, ugarítico, copta...) - e de algumas línguas modernas, especialmente inglês, francês, alemão e se possível também o italiano e o espanhol. Do contrário ficará extremamente limitado em suas possibilidades bibliográficas.

Por que digo isso? Porque Jim está engajado em uma discussão com Noah Tutak, do blog Two Tack’s Thoughts, cuja posição sobre o assunto pode ser lida aqui. Jim, por sua vez, argumenta no post Should Biblical Scholars Only Read English? [Obs.: blog apagado: 22.03.2008] que, para um norte-americano que lê apenas inglês, o caminho para o conhecimento bíblico permanece extremamente limitado. Ele defende, com razão, o conhecimento das línguas bíblicas e de algumas línguas modernas, as mesmas que cito acima. Ainda reclama, dizendo que, nesta área, os USA estão em franca decadência.


Mas, no contexto brasileiro, eu perguntaria: Poderia um biblista brasileiro ler somente português? Claro que não, pois seria um biblista extremamente limitado. Obras importantes demoram, às vezes, até 10 ou mais anos para serem traduzidas por aqui. E, em muitos casos, mal traduzidas. Como dizia o saudoso amigo Frei Rosário, da Serra da Piedade, Caeté, MG, para Benjamim, Emanuel e eu, enquanto tomávamos o seu vinho acompanhado de saborosos queijos: "Vocês exegetas têm a obrigação de ler qualquer obra em sua língua original, jamais leiam traduções".

Contudo, é preciso reconhecer que, assim como um norte-americano tem uma certa ojeriza de outras línguas por ser o inglês o idioma atualmente dominante no mundo, um brasileiro costuma viver isolado de outros povos e tem enorme resistência em aprender outras línguas. E nem preciso mencionar a fraqueza de nossa estrutura escolar no ensino de línguas. Quem consegue aprender inglês numa escola pública? The book is on the table... Se estiver noutro lugar, já não dá para falar!

Felizmente os nossos biblistas costumam ter outra postura. A não ser no meio neopentecostal - onde conhecida algaravia acaba sendo confundida com "língua" e a razão perde, de longe, para a emoção - temos, pela própria condição de isolamento, que aprender as línguas dos principais povos produtores de pesquisa bíblica. Além disso, muitos de nós fazemos pós-graduação na Europa, onde o pluralismo lingüístico é muito grande.

Meus professores europeus na pós-graduação de Bíblia não costumavam ler menos de 10 línguas. Muitos professores brasileiros de Bíblia que conheço alcançam esta média. E os que estão aquém? Deveriam seriamente pensar em ir além!

2 comentários:

Anônimo disse...

10 languages! Now that would be something! I'm a bit behind the curve on that one (having only Hebrew, Greek, Aramaic, German, French, Italian, and Spanish [and Ugaritic - but it's rather hard to find anyone around here to discuss it with]). I suppose I really ought to work on Danish - but it's devilishly hard! Oh- and I've signed anonymously so that no one thinks I'm trying to be boastful- because that would just be reprehensible.

airtonjo disse...

J... er... anonymous: You can try Portuguese (Brazilian), and the idiom of Minas Gerais, the important "mineiro". And so you are qualified to be a biblical scholar...

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