sábado, 28 de janeiro de 2006

Big Brother is watching you

Sempre fui fanático por ficção científica. De Júlio Verne a Arthur Clarke... Ficção que vai se tornando realidade. Recentemente vi a notícia de que um "planeta-irmão" da Terra foi descoberto, usando um técnica prevista por Einstein em 1912.

Mas Arthur Clarke, mapeando, em 2005, os próximos 95 anos, prevê, entre outras coisas, que, por volta de 2010, apesar de protestos a favor da privacidade, o monitoramento de toda a vida na Terra torna-se lei, criando uma espécie de Big Brother que elimina todas as formas de violência. A referência está em Ficção das origens: Arthur Clarke, na coleção Exploradores do Futuro, da Scientific American Brasil, São Paulo: Duetto Editorial, 2005, p. 11.

Será que ele acertou a última parte, o fim de todas as formas de violência? Abaixo, reuni 5 trechos de reportagens que sairam entre 16 de dezembro de 2005 e 26 de janeiro de 2006.


Google enfrenta críticas por se autocensurar na China

Folha Online - 26/01/2006 - 11h39

A decisão do Google de censurar o conteúdo oferecido aos internautas chineses foi duramente criticada. Segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias Associated Press, a ação representa a vitória do governo chinês, que monitora informações na internet e pune aqueles que expõem opiniões oposicionistas - diversos blogueiros já foram presos por este motivo (...) Apesar de todas as críticas, afirma a Associated Press, o Google não tem muito com o que se preocupar. Protestos parecidos já foram realizados quando Yahoo! e Microsoft concordaram em colaborar com o governo chinês, e nenhuma delas sofreu processos ou boicotes por isso. O serviço de blogs da Microsoft na China, por exemplo, barra termos como "democracia" e "direitos humanos". Além disso, alguns especialistas que estudam a internet na China afirmam que a censura não pode conter a força da internet. Apesar de a vigilância ser constante e muito rigorosa, é impossível controlar todo o conteúdo que será acessado pelos internautas locais - isso significa que, mesmo com mais dificuldades, eles lerão as informações da rede.


Google se nega a divulgar aos EUA dados sobre buscas

Folha Online - 20/01/2006 - 11h25

O gigante das buscas Google se recusou a cumprir uma intimação do governo norte-americano que vai contra a política de privacidade da companhia - a administração Bush gostaria de saber o que milhões de pessoas estão procurando na internet com a ajuda da popular ferramenta. Segundo a empresa, o governo quer uma lista com todos os termos digitados na caixa de buscas durante uma semana específica - caso elaborado, este documento teria milhões de palavras. Além disso, o Google deveria fornecer cerca de 1 milhão de endereços virtuais contidos em seu banco de dados e selecionados a esmo. A intimação, afirma a agência de notícias Associated Press, mostra como os sites de busca podem ser úteis para os governos, quando eles querem controlar a população. Para justificar o pedido, representantes dos EUA falam que estas informações são "vitais" para o cumprimento de leis que protegem crianças contra a pedofilia. Com a recusa do Google - a intimação chegou à empresa em meados do ano passado -, o advogado Alberto Gonzales, que representa os EUA, pediu nesta semana que um juiz de San José interviesse no caso e fizesse outra requisição oficial para a entrega das informações. Ontem, o Yahoo! confirmou à Associated Press ter recebido uma intimação parecida. "Não revelamos qualquer informação pessoal de nossos usuários", afirmou a empresa. A Microsoft - dona da ferramenta de buscas MSN - se recusou a dizer se recebeu um pedido oficial deste tipo. Para especialistas, este caso preocupa por ir contra as políticas de privacidade das empresas de busca (...) Este tipo de preocupação em relação ao direito à privacidade aumentou ainda mais quando se soube que, depois dos ataques de 11 de setembro, os EUA tiveram acesso à comunicação de civis sem autorização oficial para fazê-lo.


EUA mantêm desde 2001 megaoperação secreta de espionagem

Folha Online - 30/12/2005 - 21h29

Os Estados Unidos mantêm, desde os ataques de 11 de setembro de 2001, o maior programa secreto de espionagem e prisões de estrangeiros desde o fim da Guerra Fria, informa nesta sexta-feira o jornal americano "The Washington Post". Isso inclui permissões da CIA [agência de inteligência americana] de prender suspeitos terroristas vinculados à rede Al Qaeda em qualquer país do mundo, e usar técnicas de tortura condenadas como violações aos direitos humanos. O programa, batizado pela sigla GST, também permitiria à agência americana estabelecer uma rede de inteligência com serviços secretos de vários países, manter prisões clandestinas fora dos Estados Unidos, e mover prisioneiros para qualquer lugar do globo. Nos últimos dois anos, vários aspectos dessa operação secreta vieram a público, e provocaram vários protestos de civis contra a ação do governo Bush e também em países que colaboram com os EUA. Apesar disso, todos os programas continuam a operar, de acordo com membros do governo ouvidos pelo jornal americano.


EUA monitoram civis sem autorização legal, diz jornal

Folha Online - 16/12/2005 - 11h05

À procura de evidências de terrorismo, e sob recomendação do presidente George W. Bush, a Agência de Segurança Nacional americana monitora secretamente ligações e e-mails de civis residentes nos EUA que se comunicavam com pessoas no exterior, segundo texto publicado no site do jornal "The New York Times" desta sexta-feira. O monitoramento, que passou a ser feito meses após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, não teve autorização da Justiça americana, geralmente necessária para realizar esse tipo de espionagem, informa o jornal. De acordo com o "New York Times", sob uma ordem presidencial, assinada em 2002, a agência de inteligência americana começou a monitorar todos as ligações telefônicas internacionais e mensagens vindas de provedores de internet de outros países de milhares de pessoas que moram nos Estados Unidos, em um esforço de descobrir se a rede terrorista Al Qaeda "está infiltrada no país". Muitos detalhes do programa são mantidos em sigilo, mas fontes consultadas pelo jornal disseram que a agência americana "vigia sem direitos mais de 500 pessoas simultaneamente nos Estados Unidos, a qualquer momento. A lista de pessoas vigiadas muda de tempos e tempos (...) e, sendo assim, o número de pessoas monitoradas no país pode chegar a milhares. No exterior, entre 5.000 e 7.000 pessoas, suspeitas de atividades terroristas, são vigiadas simultaneamente", diz o "New York Times".


Casa Branca inicia campanha para defender espionagem nos EUA

Folha Online - 20/01/2006 - 17h55

A Casa Branca defenderá o programa para espionar residentes nos EUA sem permissão judicial, em uma campanha de relações públicas anunciada hoje que pretende enfraquecer os que afirmam que as escutas violam a Constituição. Como parte da campanha, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, visitará na quarta-feira (25) a Agência Nacional de Segurança (NSA), órgão que vem fazendo interceptações de telefonemas e e-mails sem autorização prévia de um juiz desde 2002. Na segunda-feira (23), Michael Hayden, ex-chefe da NSA, falará a favor do programa em um discurso no Clube Nacional da Imprensa, e na terça-feira (24) será a vez do promotor-geral dos EUA, Alberto Gonzales, informaram fontes governamentais. Os discursos acontecerão antes da realização de audiências no Congresso sobre o programa, cuja existência, revelada pelo jornal "The New York Times" no mês passado, causou grande polêmica nos EUA. A primeira audiência acontecerá em 6 de fevereiro no Comitê Judicial do Senado e terá a participação de Gonzales. Uma coalizão de associações não-governamentais, na qual se incluem o Centro de Direitos Constitucionais e a União de Liberdades Civis dos EUA, processou o governo para interromper a interceptação das comunicações sem supervisão judicial.

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