sexta-feira, 17 de abril de 2015

Superando obstáculos nas leituras de Jeremias

Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

Nos anos 90 publiquei Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992. Neste livro trato da vida Jeremias a partir de sua vocação, narrada em Jr 1,4-19.

E, em determinado ponto, a questão do "ser profeta" precisou ser colocada. E não só em 600 a.C., mas também hoje. Podemos falar de profetas e profecia hoje? Vale a pena ser profeta? Como ler os profetas hoje? Como ler Jeremias hoje? Hoje, retomo estas questões.

O mundo mudou muito, contudo as crises vividas por Jeremias ainda acontecem. Em contextos diferentes, é claro. Mas ninguém pode negar que os problemas da opressão, do domínio, da manipulação da religião, da falsa consciência são mais atuais do que nunca. E é aí que entra Jeremias: ele pode, com suas palavras tão antigas e tão atuais, nos ajudar a enfrentar as agudas situações de crise neste terceiro milênio.

Isto depende, porém, de um enfoque correto, de uma abordagem adequada dos textos de Jeremias. O que nem sempre é fácil. Persistem ainda muitos obstáculos. Que, curiosamente, não vêm da antiguidade e da complexidade dos textos do profeta, mas de nossa época e de nosso olhar: há toda uma mentalidade, uma secular visão de mundo que nos domina, de tal modo que quase sempre a sobrepomos ao texto bíblico, ocultando o seu sentido original e inutilizando-o frente aos problemas reais do mundo atual.

Por isso, o que aqui proponho é a abordagem de alguns dos obstáculos hermenêuticos mais comuns, nos quais constantemente tropeçamos quando lemos Jeremias. O filósofo francês da ciência Gaston Bachelard (1884-1962) trabalhou de maneira muito interessante a questão dos obstáculos epistemológicos, noção na qual me inspirei para falar de obstáculos hermenêuticos.

Bachelard explica: "Quando se procuram as condições psicológicas do progresso da ciência, logo se chega à convicção de que é em termos de obstáculos que o problema do conhecimento científico deve ser colocado. E não se trata de considerar obstáculos externos, como a complexidade e a fugacidade dos fenômenos, nem de incriminar a fragilidade dos sentidos e do espírito humano: é no âmago do próprio ato de conhecer que aparecem, por uma espécie de imperativo funcional, lentidões e conflitos. É aí que mostraremos causas de estagnação e até de regressão, detectaremos causas de inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos. O conhecimento do real é luz que sempre projeta algumas sombras. Nunca é imediato e pleno. As revelações do real são recorrentes. O real nunca é 'o que se poderia achar' mas é sempre o que se deveria ter pensado. O pensamento empírico torna-se claro depois, quando o conjunto de argumentos fica estabelecido. Ao retomar um passado cheio de erros, encontra-se a verdade num autêntico arrependimento intelectual. No fundo, o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos".

Creio que podemos considerar os obstáculos hermenêuticos, a partir do que foi dito, como armadilhas do pensamento. Isto servirá de alerta e alarme para nós. Pois só uma constante vigilância ideológica manterá aberta a nossa mente para a experiência da criação do sentido que acontece na operação de leitura dos textos proféticos.

Esta é a introdução do artigo. O sumário deste número de Estudos Bíblicos pode ser visto aqui.

O livro sobre Jeremias está esgotado. Minha sugestão é ler o texto Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Há uma bibliografia adequada no final, atualizada em 2012. E mais diretamente ligado a este texto, recomendo: Vale a pena ler os profetas hoje?


Leia Mais:
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A ignorância continua atrevida e polifacética

Quem gostava de dizer que a ignorância é atrevida e polifacética era o valadarense romanizado Juarez Dutra, meu amigo, bibliotecário do Colégio Pio Brasileiro nos meus tempos de estudante em Roma. Ele dizia que a frase era de Zaratustra - aquele famoso "amigo do Nietzsche" -, quando, na verdade, era uma boa invenção dele mesmo, para ser dita diante de um absurdo desmedido. Daqueles que a gente é obrigado a ouvir com certa frequência...

Pois veja:

  • 71,30% acreditam que Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Lula, é sócio da gigante de alimentos Friboi 
  • 64,10% acham que o Partido dos Trabalhadores pretende implantar uma ditadura comunista no Brasil
  • 70,90% entendem que a política de cotas nas universidades gera mais racismo
  • 53,20% juram que a facção criminosa PCC é um braço armado do Partido dos Trabalhadores
  • 60,40% acham que o programa bolsa-família “só financia preguiçoso”
  • 42,60% acreditam que o PT trouxe 50 mil haitianos para votar em Dilma Rousseff nas últimas eleições
  • 55,90% dizem que o Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil
  • 85,30% acham que os desvios da Petrobras são o maior caso de corrupção da história do Brasil

Quem e quando? Na Paulista. Em 12.04.2015. Na maioria (52,70%) homens, brancos (77,40%), com educação superior completa (68,50%), idade acima de 45 anos e classes de renda A e B.

A base que os defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff chamam de “apoio popular” é formada por cidadãos de perfil extremamente conservador, propensos a acreditar em mitos urbanos e com baixo grau de cultura política. Sob orientação do filósofo Pablo Ortellado, da USP, e da socióloga Esther Solano, da Unifesp, dezenas de pesquisadores organizados pelo núcleo de debates Matilha Cultural, de São Paulo, entrevistaram 571 participantes da manifestação de domingo (12/4), em toda a extensão da Avenida Paulista. O resultado é estarrecedor. E esclarecedor.

Leia: Breviário do perfeito midiota - Luciano Martins Costa: Observatório da Imprensa - 16/04/2015. Também aqui.

Mas nem tudo está perdido. Ainda. Para recuperar sua confiança no Homo sapiens, leia, por exemplo, os textos de Roberto Mangabeira Unger.


Leia Mais:
Protests in Brazil: Tropical tea party - The Economist: Apr 18th 2015. Também aqui.
Economist trata manifestações como Tea Party brasileiro - Brasil 24/7: 17.04.2015
Tea Party: extrema-direita furiosa

Resenhas na RBL - 10.04.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Angelika Berlejung, Jan Dietrich, and Joachim Friedrich Quack, eds.
Menschenbilder und Körperkonzepte im Alten Israel, in Ägypten und im Alten Orient
Reviewed by Mark W. Hamilton

William P. Brown
Wisdom’s Wonder: Character, Creation, and Crisis in the Bible’s Wisdom Literature
Reviewed by James Alfred Loader

Martin J. Buss
Toward Understanding the Hebrew Canon: A Form-Critical Approach
Reviewed by Colin Toffelmire

Nuria Calduch-Benages, ed.
Wisdom for Life: Essays Offered to Honor Prof. Maurice Gilbert, SJ, on the Occasion of His Eightieth Birthday
Reviewed by Katharine Dell

Volkmar Fritz
The Emergence of Israel in the Twelfth and Eleventh Centuries B.C.E.
Reviewed by Lester L. Grabbe

Hadi Ghantous
The Elijah-Hazael Paradigm and the Kingdom of Israel: The Politics of God in Ancient Syria-Palestine
Reviewed by Aren M. Maeir

Addison Hodges Hart
Taking Jesus at His Word: What Jesus Really Said in the Sermon on the Mount
Reviewed by Joshua Chatraw

Steven L. McKenzie and John Kaltner, eds.
New Meanings for Ancient Texts: Recent Approaches to Biblical Criticism and Their Applications
Reviewed by Emmanuel Nathan

R. W. L. Moberly
Old Testament Theology: Reading the Hebrew Bible as Christian Scripture
Reviewed by Trent C. Butler
Reviewed by Wilhelm J. Wessels

Roger Mohrlang
Paul and His Life-Transforming Theology: A Concise Introduction
Reviewed by Bas van Os

Francis J. Moloney
The Resurrection of the Messiah: A Narrative Commentary on the Resurrection Accounts in the Four Gospels
Reviewed by Richard I. Pervo

Joy A. Schroeder
Deborah’s Daughters: Gender Politics and Biblical Interpretation
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Dennis E. Smith and Joseph B. Tyson, eds.
Acts and Christian Beginnings: The Acts Seminar Report
Reviewed by Susana Funsten

William J. Subash
The Dreams of Matthew 1:18–2:23: Tradition, Form, and Theological Investigation
Reviewed by Bart J. Koet


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Resenhas na RBL - 03.04.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Itzhak Benyamini
Narcissist Universalism: A Psychoanalytic Reading of Paul’s Epistles
Reviewed by Kari Syreeni

Wim M. de Bruin
Isaiah 1–12 as Written and Read in Antiquity
Reviewed by Ibolya Balla

Trevor J. Burke and Brian S. Rosner, eds.
Paul as Missionary: Identity, Activity, Theology, and Practice
Reviewed by Ronald R. Clark

J. Patout Burns Jr.
Romans: Interpreted by Early Christian Commentators
Reviewed by Daniel Patte
Reviewed by Adam Ployd

Beverly Roberts Gaventa, ed.
Apocalyptic Paul: Cosmos and Anthropos in Romans 5–8
Reviewed by Timothy Gombis

Barbara Green
Jeremiah and God’s Plans of Well-Being
Reviewed by Lissa M. Wray Beal

Richard H. Hiers
Women’s Rights and the Bible: Implications for Christian Ethics and Social Policy
Reviewed by L. Juliana Claassens

William S. Kurz
Acts of the Apostles
Reviewed by Thomas E. Phillips
Reviewed by Troy M. Troftgruben

A. James Murphy
Kids and Kingdom: The Precarious Presence of Children in the Synoptic Gospels
Reviewed by Marianne Blickenstaff

Ruth Poser
Das Ezechielbuch als Trauma-Literatur
Reviewed by Michael S. Moore

Robert M. Price
The Amazing Colossal Apostle: The Search for the Historical Paul
Reviewed by Corneliu Constantineanu
Reviewed by Glenn E. Snyder

Ephraim Stern
The Material Culture of the Northern Sea Peoples in Israel
Reviewed by Raz Kletter


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Resenhas na RBL - 27.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Miryam T. Brand
Evil Within and Without: The Source of Sin and Its Nature as Portrayed in Second Temple Literature
Reviewed by Rodney A. Werline

Ronald E. Clements
Jerusalem and the Nations: Studies in the Book of Isaiah
Reviewed by Bo H. Lim

John A. Cook and Robert D. Holmstedt
Beginning Biblical Hebrew: A Grammar and Illustrated Reader
Reviewed by Bálint Károly Zabán

Jason von Ehrenkrook
Sculpting Idolatry in Flavian Rome: (An)Iconic Rhetoric in the Writings of Flavius Josephus
Reviewed by Patrick McCullough

David A. Fiensy and Ralph K. Hawkins, eds.
The Galilean Economy in the Time of Jesus
Reviewed by Ulrich Busse
Reviewed by Sarah E. Rollens

André Gagné and Jean-François Racine, eds.
En marge du canon: Études sur les écrits apocryphes juifs et chrétiens
Reviewed by Edmon L. Gallagher

Jonathan S. Greer
Dinner at Dan: Biblical and Archaeological Evidence for Sacred Feasts at Iron Age II Tel Dan and Their Significance
Reviewed by Aren M. Maeir

Helen R. Jacobus, Anne Katrine de Hemmer Gudme, and Philippe Guillaume, eds.
Studies on Magic and Divination in the Biblical World
Reviewed by Craig A. Evans

David Marcus
Scribal Wit: Aramaic Mnemonics in the Leningrad Codex
Reviewed by Christopher Dost

Susan Marks
First Came Marriage: The Rabbinic Appropriation of Early Jewish Wedding Ritual
Reviewed by Joshua Schwartz

David R. Nienhuis and Robert W. Wall
Reading the Epistles of James, Peter, John and Jude as Scripture: The Shaping and Shape of a Canonical Collection
Reviewed by John Kloppenborg

John Painter and David A. deSilva
James and Jude
Reviewed by Darian Lockett

Luis Sánchez Navarro
Escudriñar las Escrituras: Verbum Domini y la interpretación bíblica
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

C. S. Song
In the Beginning Were Stories, Not Texts: Story Theology
Reviewed by Michelle J. Morris


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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Leitura socioantropológica do livro de Rute

Leitura socioantropológica do Livro de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, p. 107-120, 2008.  

O começo do meu artigo já foi transcrito neste blog. Aqui. Sobre os outros artigos do n. 98 da Estudos Bíblicos, confira aqui e aqui.


Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]
Leitura do livro de Rute: algumas dificuldades
International Biblical Studies Writing Month
Bibliografia sobre Rute
Resenhas de livros sobre Rute
Enquete sobre Rute

O contexto da Obra Histórica Deuteronomista

O Contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005.

O conteúdo deste artigo pode ser lido, em parte, em minha História de Israel online, nos itens O reino de IsraelO reino de Judá. Ali, a bibliografia foi atualizada em 2012.

O começo do meu artigo já foi transcrito neste blog. Aqui. Sobre os outros artigos do n. 88 da Estudos Bíblicos, confira aqui.

Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]
Literatura Deuteronomista 2015

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A origem dos antigos Estados israelitas

A Origem dos Antigos Estados Israelitas. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 78, p. 18-31, 2003.

Este artigo foi incorporado à minha História de Israel online, no item Os Governos de Saul, Davi e Salomão. Ali, a bibliografia foi atualizada em 2011.

As questões abordadas pelo artigo:
O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido, composto pelas tribos de Israel e Judá, dominando todo o território da Palestina e, posteriormente, sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção, não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico, por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim, o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a.C.? Além da Bíblia Hebraica, onde mais podemos buscar respostas?

O esquema do artigo na revista Estudos Bíblicos:
1. Nascimento e morte da monarquia a partir dos textos bíblicos
2. A ruptura do consenso
3. As fontes: seu peso, seu uso
4. Dois exemplos de fontes primárias: as estelas de Tel Dan e de Merneptah
5. A questão teórica: como se forma um estado antigo?
6. Buscando outras soluções: Lemche e Finkelstein
Bibliografia

Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]
Finkelstein recebe prêmio por livro sobre Israel

A visita dos Magos

A Visita dos Magos: Mt 2,1-12. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2002. A bibliografia foi atualizada em 2010.

Abordo o assunto da seguinte maneira:

1. O Método: Prestar Atenção a Três Momentos
2. Como é Construído Mt 2,1-12?
3. Impossibilidade Histórica
4. Mateus, um Evangelho Anti-Semita?
5. O Sentido de Mt 1-2
6. Os Elementos Mais Importantes de Mt 2,1-12
6.1. Herodes Magno
6.2. A Data do Nascimento de Jesus
6.3. Jesus Nasceu em Belém ou em Nazaré?
6.4. Os Magos
6.5. A Estrela de Belém
Bibliografia


Leia Mais:
Sobre minhas publicações [links para todos os artigos publicados]
As Viagens dos Reis Magos

Recent Research in History of Israel

The History of Israel in the Current Research. Journal of Biblical Studies, Riverview, MI, 1:2 (Apr.-Jun. 2001).

Este artigo, publicado em uma revista online norte-americana, traz o mesmo conteúdo de A História de Israel no debate atual. Embora o título esteja em inglês, o artigo foi publicado em português.

This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and non-biblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this.  It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research.

Este artigo quer traçar um panorama das mudanças pelas quais vem passando a “História de Israel” nos últimos anos, apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. O consenso existente até meados da década de 70 do século XX foi rompido. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de “História de Israel” não é mais aceita. O uso dos textos bíblicos como fonte para a “História de Israel” é questionado por muitos. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos, afasta-nos cada vez mais do gênero histórico, e as “estórias bíblicas” são abordadas com outros olhares. A construção de uma “História de Israel” feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. Uma “História de Israel e dos Povos Vizinhos”, melhor, uma “História da Síria/Palestina” ou uma “História do Levante” parece ser o programa para os próximos anos.


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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Top 50 Biblioblogs: Spring 2015 Report

Esta é mais recente lista de frequência dos biblioblogs, segundo Peter Kirby:

Top 50 Biblioblogs: Spring 2015 Report

Publicada também em The Biblioblog Top 50:

Top 50 Biblioblogs – March 2015 quarter

Observatório Bíblico é o #2.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Biblical Studies Carnival 109

Seleção de postagens dos biblioblogs em março de 2015.

March Biblical Studies Carnival

Trabalho feito por Jacob J. Prahlow em seu blog Pursuing Veritas.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Resenhas na RBL - 20.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Alex Damm
Ancient Rhetoric and the Synoptic Problem: Clarifying Markan Priority
Reviewed by C. Clifton Black

Michael Fieger, Jutta Krispenz, and Jörg Lanckau, eds.
Wörterbuch alttestamentlicher Motive
Reviewed by Trent Butler

John Harrison and James D. Dvorak, eds.
The New Testament Church: The Challenge of Developing Ecclesiologies
Reviewed by Robert Matthew Calhoun

Knut Martin Heim
Poetic Imagination in Proverbs: Variant Repetitions and the Nature of Poetry
Reviewed by Bálint Károly Zabán

Rüdiger Jungbluth
Im Himmel und auf Erden: Dimensionen von Königsherrschaft im Alten Testament
Reviewed by Sven Petry

Ian Christopher Levy, Philip D. W. Krey, and Thomas Ryan, eds.
The Letter to the Romans
Reviewed by Anders Runesson

Herbert Marks, ed.
The English Bible, King James Version: The Old Testament
Reviewed by David G. Burke

Francis J. Moloney, SDB
Love in the Gospel of John: An Exegetical, Theological, and Literary Study
Reviewed by Catrin H. Williams

JoAnn Scurlock and Richard H. Beal, eds.
Creation and Chaos: A Reconsideration of Hermann Gunkel’s Chaoskampf Hypothesis
Reviewed by Craig W. Tyson

Christopher R. Seitz
The Character of Christian Scripture: The Significance of a Two-Testament Bible
Reviewed by Stephen J. Andrews

Anna Rebecca Solevåg
Birthing Salvation: Gender and Class in Early Christian Childbearing Discourse
Reviewed by Sarah E. Rollens

Michael D. Swartz
The Signifying Creator: Nontextual Sources of Meaning in Ancient Judaism
Reviewed by Joshua Schwartz

Abraham Terian, trans.
Magnalia Dei: Biblical History in Epic Verse by Grigor Magistros
Reviewed by Adam Carter McCollum

Benyamim Tsedaka and Sharon Sullivan, eds.
The Israelite Samaritan Version of the Torah: First English Translation Compared with the Masoretic Version
Reviewed by James R. Blankenship

J. Ross Wagner
Reading the Sealed Book: Old Greek Isaiah and the Problem of Septuagint Hermeneutics
Reviewed by Johann Cook


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Resenhas na RBL - 13.03.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Robert B. Chisholm Jr.
A Commentary on Judges and Ruth
Reviewed by Mark E. Biddle

John W. Daniels Jr.
Gossiping Jesus: The Oral Processing of Jesus in John’s Gospel
Reviewed by Peter J. Judge

John Goldingay
Isaiah 56-66: Introduction, Text, and Commentary
Reviewed by Johanna Erzberger

Steven A. Hunt, D. Francois Tolmie, and Ruben Zimmermann, eds.
Character Studies in the Fourth Gospel: Narrative Approaches to Seventy Figures in John
Reviewed by Craig R. Koester

Demetrios S. Katos
Palladius of Helenopolis: The Origenist Advocate
Reviewed by Jon F. Dechow

Phillip J. Long
Jesus the Bridegroom: The Origin of the Eschatological Feast as a Wedding Banquet in the Synoptic Gospels
Reviewed by Marianne Blickenstaff

Roberto Martínez
The Question of John the Baptist and Jesus’ Indictment of the Religious Leaders: A Critical Analysis of Luke 7:18–35
Reviewed by Brian C. Dennert
Reviewed by Bart J. Koet

Benjamin J. Segal
A New Psalm: The Psalms as Literature
Reviewed by Hallvard Hagelia

N. T. Wright
Pauline Perspectives: Essays on Paul, 1978–2013
Reviewed by Russell Morton


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terça-feira, 24 de março de 2015

Pode uma História de Israel ser escrita?

Pode uma 'História de Israel' Ser Escrita? Observando o debate atual sobre a História de Israel. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2001. A bibliografia foi atualizada em 2011.

Em julho de 1996 foi realizado em Dublin, Irlanda, o Primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica, do qual participaram pesquisadores escolhidos.

Diz Lester L. Grabbe no primeiro parágrafo do livro por ele editado - e que traz os resultados do Seminário - Can a ‘History of Israel’ Be Written? [Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita?]. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997 [London: T. & T. Clark, 2005 - ISBN 0567043207]:

“O grupo surgiu das frustrações que eu, em primeiro lugar, venho sentindo acerca da atual situação do debate sobre como escrever a história de Israel e Judá nos segundo e primeiro milênios AEC e no século I da EC” (p. 11).

E continua:

“Nos últimos anos, um certo número de estudiosos – a maioria deles europeus por origem ou adoção – tem feito um ataque radical sobre o modo como a história de ‘Israel’ tem sido escrita. Mesmo aqueles outrora considerados radicais não escaparam da crítica. Este movimento, a princípio minoritário, causou pouco impacto no debate. Recentemente, porém, ele adquiriu personalidade, mas a resposta foi o surgimento de protestos, incluindo a sugestão de que tais tendências são perigosas, ou que podem ser tranquilamente ignoradas ou – de modo curioso – ambas as coisas ao mesmo tempo” (p. 11).

Lester L. Grabbe está se referindo à controvérsia existente entre a postura maximalista “que defende que tudo nas fontes que não pode ser provado como falso deve ser aceito como histórico” e a postura minimalista “que defende que tudo que não é corroborado por evidências contemporâneas aos eventos a serem reconstruídos deve ser descartado” (E. Knauf, citado por H. Niehr no mesmo livro, na p. 163). Os autores “minimalistas” são também conhecidos como membros da “Escola de Copenhague”.

Retomando Grabbe:

“Isto sugeriu que o tempo estava maduro para algo mais organizado, que abordasse as questões centrais de maneira sistemática e que determinasse quais são as reais posições e problemas (...). A tarefa inicial foi agrupar especialistas europeus que estavam, de maneira geral, convencidos de que existe, de fato, um problema” (p. 11-12).

O artigo apresenta algumas das mais importantes publicações dos participantes do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica [foram realizados 17 seminários entre 1996 e 2012] e procura explicar suas posições no atual debate sobre a História de Israel.


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