quinta-feira, 5 de março de 2015

Cadernos de Teologia?

Cadernos de Teologia: outra revista citada em minhas publicações e, assim como os Cadernos do Cearp, por não ter sido indexada junto aos órgãos competentes, talvez seja pouco conhecida.

Esta foi uma revista acadêmica da FTCR - Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas -  da PUC-Campinas, que teve 11 números publicados entre outubro de 1995 e maio de 2002. Também desta revista fui o redator.

No primeiro número, Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Metropolitano de Campinas e grão-chanceler da PUC-Campinas, diz em sua "Mensagem de Abertura":

Com agrado, acolho a sugestão de dizer uma palavra, no início desta publicação. Uma palavra de esperança, de votos, de bênção. A semente que aqui se lança possa, à semelhança daquela da parábola, produzir muitos frutos de vida. É a Esperança que acalentamos (...) Será um grande serviço de reflexão em torno de temas que interessam a este "Cadernos de Teologia". Que seja capaz de realizar plenamente sua missão...

E José Arlindo de Nadai, então Diretor da FTCR, no editorial deste primeiro número, acrescenta:

É com alegria e esperança que apresentamos o primeiro número de "Cadernos de Teologia" do Instituto de Teologia e Ciência Religiosas - ITCR, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUCCAMP [Nota: a FTCR, naquela época, ainda era denominada ITCR]. Alegria porque, finalmente, conseguimos realizar um sonho acalentado há tantos anos! Esperança, pois, pretendemos manter periodicamente a publicação, como um serviço à comunidade. Escolhemos [para este primeiro número] a questão dos Essênios e os Manuscritos de Qumran pela atualidade do debate e avanço das pesquisas. E também pelo interesse de nossos professores e alunos do Instituto.

Quando começou, quem organizava os Cadernos de Teologia?

Diretor Responsável: José Arlindo de Nadai
Redator: Airton José da Silva
Secretário: Luiz Carlos F. Magalhães

Conselho Editorial:
Airton José da Silva
Benedito Ferraro
Éder Doniseti Justo
José Arlindo de Nadai
José Carlos de Oliveira
Luiz Carlos F. Magalhães

A revista, semestral, com tiragem de 500 exemplares distribuídos gratuitamente, trazia regularmente artigos e outras contribuições dos professores e estudantes da FTCR.

Para exemplificar, transcrevo os sumários dos números 1 e 11, primeiro e último publicados:


Número 1: ano 1 - outubro de 1995

Artigos
Airton José da Silva - Os Essênios e os Manuscritos do Mar Morto
Cássio Murilo Dias da Silva - Qumran e Jesus, Jesus e Qumran
Benedito Ferraro e Márcio Tangerino - Reino e Democracia

Pesquisas
Paulo Sérgio Lopes Gonçalves - A Igreja dos pobres nas obras de Leonardo Boff
Sávio Carlos Desan Scopinho - A epistemologia em questão
Wilson Denadai - A morte como símbolo de transformação

Notas Bibliográficas
SHANKS, H. Para compreender os Manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993 - José Carlos de Oliveira
VANDERKAM, J. C. Os Manuscritos do Mar Morto hoje. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995 - Éder Donisete Justo
GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: Edição Fiel e Completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995 - Airton José da Silva

Notícias
Semana Teológica: Globalização da Economia - Alexandre Sanches Ximenes
Curso Noturno - Teologia para Leigos: "Guia do Aluno"
Diretório Acadêmico João XXIII - Luiz Carlos F. Magalhães


Número 11: ano 8 - maio de 2002

Artigos
Ruy Rodrigues Machado - Oriente Médio: Geopolítica, Terrorismo e Guerra
Paulo Sérgio Lopes Gonçalves - A Pesquisa na Universidade Católica
Pedro Carlos Cipolini - Teologia do Episcopado
José Antonio Trasferetti - Pastoral da Família e AIDS. Comunicação, Saúde e Conscientização
Cássio Murilo Dias da Silva - Estudo Exegético de Jeremias 5,1-9 - Um Esboço
Sandro de Souza Portela - A Universidade Solidária e a Teologia

Resenhas
GNILKA, J. Jesus de Nazaré: mensagem e história. Petrópolis: Vozes, 2000 - Rodrigo Catini Flaibam
MOLTMANN, J. Trindade e Reino de Deus: uma contribuição para a teologia. Petrópolis: Vozes, 2000 - Rodrigo Catini Flaibam
BARREIRO, A. Igreja, Povo Santo e Pecador: estudo sobre a dimensão eclesial da fé cristã e o pecado na Igreja, a crítica e a fidelidade à Igreja. 2. ed. São Paulo: Loyola 2001 - Alexander Luiz Dezotti


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Sobre minhas publicações 

Cadernos do Cearp?

Em minhas publicações tenho citado esta revista. O que é? Ou, o que foi?

Cadernos do Cearp: uma revista acadêmica do Curso de Teologia do CEARP - Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto - que teve 13 números elaborados (entretanto, apenas 11 publicados) entre maio de 1994 e maio de 2001. Fui o seu redator.

No primeiro número, Dom Arnaldo Ribeiro, Arcebispo Metropolitano, deixou uma mensagem na qual, entre outras coisas, diz:

Na reunião de avaliação dos trabalhos escolares do CEARP - Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto - no final de 1993, foi apresentada, com muitos pormenores uma sugestão nascida nas avaliações feitas entre alunos e professores: chegou a hora de termos um órgão de divulgação de nossos estudos e da nossa vida acadêmica, criando a possibilidade de partilha com outros Centros de estudos teológicos (...) Os esforços iniciais chegam à sua plena realização. Surge o número inicial de Cadernos do CEARP. Uma nova vitória dos dedicados Professores, bem como dos estudantes que desejam sua Escola cada dia melhor, em tudo. Isto aqui é só uma simples apresentação, para dizer da minha alegria, das minhas esperanças. Com o meu abraço de parabéns...

E Francisco de Assis Correia, então Diretor do CEARP, no editorial deste primeiro número, acrescenta:

Com este primeiro número de Cadernos do CEARP, o nosso Curso de Teologia dá mais um passo, ainda que modesto. O objetivo deste órgão é: dinamizar o debate teológico existente, divulgar as pesquisas feitas pelo corpo docente e discente, dar a conhecer ao clero da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto e aos outros Institutos de Teologia do Estado de São Paulo o trabalho do CEARP...

Quando começou, quem organizava os Cadernos do Cearp?

Diretor: Francisco de Assis Correia
Redator: Airton José da Silva
Secretário: Edmar Roberto Prandini

Conselho Editorial:
Airton José da Silva
Alfeu Piso
Edmar Roberto Prandini
Francisco de Assis Correia
Paulo Cezar Mazzi
Paulo Fernando de Mello Cunha

A revista, com tiragem de 300 exemplares distribuídos gratuitamente, trazia regularmente artigos e outras contribuições dos professores e estudantes da Teologia do Cearp e, eventualmente, de convidados das Semanas Teológicas.

Para exemplificar, transcrevo os sumários dos números 1 e 11, primeiro e último publicados:

Número 1: ano 1 - maio de 1994

Artigos
1. DO PRADO, J. L. G. Para que teus dias se prolonguem: a família, fonte de vida
2.CORREIA, F. A.  A família: uma leitura do texto-base da CF 94 sob a ótica da alteridade
3. MASIN, J. Paternidade e maternidade responsáveis e os métodos de planejamento familiar

Sínteses
1. PIVATTI, C. Síntese na área de cristologia sistemática
2. RICARDO, P. L. Liturgia - celebrar o encanto da vida

Notas bibliográficas
1. MARCÍLIO, M. L. (org.) A família, mulher, sexualidade e Igreja na História do Brasil. São Paulo: Loyola, 1993 (Edmar Roberto Prandini)
2. FERRARO, B. Cristologia em tempos de ídolos e sacrifícios. São Paulo: Paulinas, 1993 (Paulo C. Mazzi)
3. BYRNE, B. Paulo e a mulher cristã. São Paulo: Paulinas, 1993 (Paulo F. de Mello Cunha)

Notícias
1. Planejamento familiar e métodos naturais
2. Religiosidade e cultura popular


Número 11: ano 6 - maio de 1999

Artigos
1. O “Novo Clero”: Arcaico ou Moderno? - Luiz Roberto Benedetti
2. Projeto Genoma Humano (PGH): Utopia do Homem Geneticamente Perfeito - Valdomiro José de Souza
3. Ainda Sobre os Transplantes de Órgãos - Francisco de Assis Correia
4. Solidariedade x Caridade - Mário José Filho
5. A Leitura Sócio-Antropológica da Bíblia Hebraica - Airton José da Silva
6. O Ser Humano: Ser de Necessidade e de Criatividade - Carlos Barbosa
7. Teologia e Método - Leandro Carlos dos Santos Pupin

Notas Bibliográficas
1. REEVES, H. Um pouco mais de azul: a evolução cósmica. São Paulo: Martins Fontes, 1998 - Antonio Élcio de Souza e Fábio Renato Brazolin de Carvalho
2. HAUGHT, J. F. Mistério e Promessa: Teologia da Revelação. São Paulo: Paulus, 1998 - André Luiz Massaro


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Leitura socioantropológica do Novo Testamento

Leitura Socioantropológica do Novo Testamento. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000.


1. A Antropologia do Mundo Mediterrâneo e o NT

No outro artigo falamos só da Bíblia Hebraica e das questões que ela propõe a uma leitura sociológica. Mas se considerarmos mais especificamente o Novo Testamento hoje com o auxílio da antropologia, perceberemos que o mundo mediterrâneo no qual ele foi gestado tem muito menos em comum com o Ocidente moderno do que imaginamos. É que costumamos olhar o texto com os parâmetros sociais atuais e não conseguimos, frequentemente, perceber a diferença do mundo antigo.

Considerações deste gênero são feitas, por exemplo, por Richard L. Rohrbaugh, na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociais e a Interpretação do Novo Testamento”, obra escrita por membros do The Context Group, “uma associação de estudiosos interessados no uso das Ciências Sociais como um instrumento heurístico na interpretação do Novo Testamento” que ao longo de mais de uma década vem trabalhando com a questão da antropologia do mundo mediterrâneo, visto como uma unidade cultural onde foi escrito o NT.

O autor nos oferece alguns exemplos que apontam para o risco da projeção de nossa visão moderna de mundo para o universo do NT. Tomemos a questão da expectativa de vida hoje nos países ricos e nas cidades pré-industriais do Império Romano: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (não contabilizados, portanto, como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos, 90% já desaparecido, chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”.

É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados, já que um pobre em Roma, no século I de nossa era, tinha uma expectativa de vida de 30 anos, quando muito. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose, seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (...) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”*.


Continue a leitura clicando aqui. A bibliografia, no final do texto, foi atualizada em 2012.


Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450.


* Três notas de rodapé foram omitidas neste trecho aqui transcrito.


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Origem do discurso socioantropológico

O Discurso Socioantropológico: Origem e Desenvolvimento. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 2000. 

O objetivo deste artigo é esboçar um panorama da origem e do desenvolvimento de duas ciências sociais que estão sendo hoje muito utilizadas na leitura da Bíblia. Trata-se da Sociologia e da Antropologia Cultural ou Social, somadas no discurso que caracterizamos como Socioantropológico. Em inglês, a terminologia comumente utilizada é Social-Scientific Criticism.

Continue a leitura clicando aqui. A bibliografia, no final do texto, foi atualizada em 2012.

Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450.


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Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica

Leitura Socioantropológica da Bíblia Hebraica. Cadernos do Cearp, Ribeirão Preto, n. 11, p. 75-98, 1999.

Philip R. Davies, exegeta britânico, ao falar dos métodos usados na leitura da Bíblia nas últimas duas décadas, sugere que a combinação das abordagens literárias e sociológicas apresenta hoje o mais promissor caminho para o avanço dos estudos da Bíblia Hebraica. É que estas abordagens examinam não somente a literatura e a realidade social de Israel, mas também as forças sociais subjacentes à produção da literatura bíblica, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto. Além disso, sublinha ainda Philip R. Davies, estas abordagens situam Israel no seu contexto histórico apropriado e questionam preconceitos teológicos que, frequentemente, estorvam os especialistas em exegese bíblica.

Na mesma direção sinaliza Norman K. Gottwald, quando diz que a leitura sociológica fecha a porta “firme e irrevogavelmente, às ilusões idealistas e supernaturalistas que ainda impregnam e enfeitiçam nossa perspectiva religiosa”, quando abordamos um texto bíblico. E acrescenta: "Cumpre que tanto Iahweh como 'seu' povo sejam desmistificados, desromantizados, desdogmatizados e desidolizados. Somente quando realizarmos esta desmitologização da fé javista, e dos seus derivados judaico e cristão, seremos capazes, aqueles dentre nós que foram formados e alimentados por esses símbolos judeus e cristãos curiosamente ambíguos, de alinharmos coração e cabeça, de combinarmos teoria e prática".

Vale lembrar aqui outro aspecto: a aplicação das Ciências Sociais ao estudo da Bíblia vem conseguindo responder satisfatoriamente a questões que a clássica “teologia bíblica” não conseguiu abordar de modo adequado até agora.

É igualmente importante salientar que a leitura sociológica da Bíblia está relacionada especialmente com os métodos histórico-críticos e com a leitura popular. Na medida em que toda abordagem sociológica de um texto histórico é também uma abordagem histórica, a leitura sociológica tem complementado e corrigido a leitura histórico-crítica. Especialmente importante é a percepção de que sua colaboração se faz necessária quando a historiografia não se contenta em descrever as ações dos grupos dominantes de determinada sociedade, mas a história quer revelar a atividade total de um povo. Do mesmo modo, a leitura popular que vem sendo feita entre nós se beneficia das contribuições das Ciências Sociais. No estudo do contexto em que foram escritos os textos bíblicos, por exemplo, costuma-se olhar os quatro lados da situação enfocada: os lados econômico, social, político e ideológico. Esta é uma atitude sociológica, entre outras que poderiam ser aqui citadas.

É sobre esta atitude que David J. Chalcraft, organizador de um livro sobre a aplicação das Ciências Sociais ao Antigo Testamento, diz: “A crítica social científica não deve se restringir a modelos e teorias preditivas no seu esforço para reconstruir o que está ‘atrás dos textos’: mais do que isso, ela abarca toda uma série de questões, teorias, conceitos e metodologias. Ela, e isso é o mais importante, implica em ‘modos de pensar’ sociológico e antropológico”*.


Este artigo foi publicado na Ayrton's Biblical Page. Confira: Leitura Socioantropológica da Bíblia Hebraica. A bibliografia foi atualizada em 2012.

Lembro que este texto está presente também no seguinte livro:

DIAS DA SILVA, C. M., com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 355-450. 


* Cinco notas de rodapé, presentes nesta introdução, foram aqui omitidas.


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segunda-feira, 2 de março de 2015

Biblical Studies Carnival 108

Seleção de postagens dos biblioblogs em fevereiro de 2015.

Biblical Studies Carnival – February 2015

Trabalho feito por Jennifer Guo em seu blog.

E há também The February Carnival: The ‘Love is in the Air’ Edition. By Jim West.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O EI está mesmo destruindo artefatos assírios?

O terrível do terrorismo é que ele ocupa as mentes. Nas guerras e guerrilhas precisa-se ocupar o espaço físico para efetivamente triunfar. No terror não. Basta ocupar as mentes, distorcer o imaginário e introjetar medo (Leonardo Boff).

Primeiro, a notícia:

Estado Islâmico destrói estátuas milenares da civilização assíria no Iraque; veja vídeo - Opera Mundi 26/02/2015
O EI (Estado Islâmico) divulgou, nesta quinta-feira (26/02), um vídeo em que integrantes do grupo jihadista aparecem destruindo diversas estátuas e esculturas com mais de três mil anos com marretas (...)  O material era parte do patrimônio cultural da civilização assíria, que habitou o norte do Iraque e da Síria desde o século X a.C. (...) As estátuas destruídas são parte da coleção do museu de Mossul, capital da província de Nínive e que é controlada pelo EI desde junho de 2014 (continua).
Em seguida, por recomendação de Charles E. Jones, na lista ANE-2, uma análise do episódio:

For a good preliminary analysis of today's video of the destruction in Mosul Museum and Nineveh have a look at Sam Hardy's Conflict Antiquities: Islamic State has toppled, sledgehammered and jackhammered (drilled out) artefacts in Mosul Museum and at Nineveh.


Um trecho do texto diz:
There is no doubt that the Islamic State is profiting from the illicit trade in antiquities. Although the criminals have destroyed some ancient artefacts (whether complete objects or fragmentary reconstructions), they have also destroyed a lot [some] of modern reproductions – as is visible, for example, around 00h03m58s. [The reinforcing steel (“rebar”) is the “skeleton” that connects fragments in reproductions.] All this video really shows is that they are willing to destroy things that they can’t ship out and sell off.
O que parece estar acontecendo é a destruição de material que eles não conseguem vender. Seriam reproduções modernas das antigas peças assírias... É bem provável que o Estado Islâmico esteja mesmo é lucrando muito com o mercado ilegal de artefatos arqueológicos da Mesopotâmia.

Leia Mais:
O retorno dos jihadistas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Marcos, hoje aclamado, já foi negligenciado

Hoje aclamado pelos especialistas, o evangelho de Marcos foi negligenciado na época patrística. Como ele conseguiu sobreviver?

Michael J.  Kok, que mantém um blog dedicado ao estudo acadêmico de Marcos, escreve, neste fevereiro, em The Bible and Interpretation, um artigo que aborda o tema de seu recente livro.

O artigo: Why Did the Gospel of Mark Survive?

A revista explica:
In spite of the virtually unanimous ecclesiastical tradition that the evangelist Mark was the interpreter of Peter, the most prestigious leader among the Apostles in Christian memory, the Gospel of Mark was mostly neglected in the Patristic period. Moreover, the explicit Patristic comments about the evangelist Mark reveal some ambivalence about the Gospel’s literary and theological value. This paper will explore the reasons why some later Christian intellectuals were hesitant to embrace Mark, especially highlighting their concerns that Mark could be read as amenable to the theological views of their opponents.


O livro: The Gospel on the Margins: The Reception of Mark in the Second Century. Minneapolis: Fortress Press, 2015, 240 p. - ISBN 9781451490220. Para Kindle, aqui.

Diz a editora:
Scholars of the Gospel of Mark usually discuss the merits of patristic references to the Gospel's origin and Mark's identity as the "interpreter" of Peter. But while the question of the Gospel's historical origins draws attention, no one has asked why, despite virtually unanimous patristic association of the Gospel with Peter, one of the most prestigious apostolic founding figures in Christian memory, Mark's Gospel was mostly neglected by those same writers. Not only is the text of Mark the least represented of the canonical Gospels in patristic citations, commentaries, and manuscripts, but the explicit comments about the Evangelist reveal ambivalence about Mark's literary or theological value. Michael J. Kok surveys the second-century reception of Mark, from Papias of Hierapolis to Clement of Alexandria, and finds that the patristic writers were hesitant to embrace Mark because they perceived it to be too easily adapted to rival Christian factions. Kok describes the story of Mark's Petrine origins as a second-century move to assert ownership of the Gospel on the part of the emerging Orthodox Church.


Este livro é o resultado de sua tese de doutorado na Universidade de Sheffield, Reino Unido, concluída em 2013, sob a orientação do Professor James G. Crossley:

Kok, Michael J (2013) The Gospel on the Margins: The Ideological Function of the Patristic Tradition on the Evangelist Mark. PhD thesis, University of Sheffield. 

O texto da tese, em pdf, pode ser baixado gratuitamente, assim como outras interessantes teses disponíveis neste site.


Leia Mais:
Marcos: um relato da prática de Jesus
Roteiro para uma leitura de Marcos
Sobre algumas leituras de Marcos
O milagre da multiplicação dos pães
Por que milagres? O caso dos pães em Marcos

Resenhas na RBL - 13.02.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Philippe Abadie
Des héros peu ordinaires: Théologie et histoire dans le livre des Juges
Reviewed by Michael S. Moore

Michael Carasik, ed.
The Commentators’ Bible: The JPS Miqra’ot Gedolot: Numbers
Reviewed by Bálint Károly Zabán

Jeffrey L. Cooley
Poetic Astronomy in the Ancient Near East: The Reflexes of Celestial Science in Ancient Mesopotamian, Ugaritic, and Israelite Narrative
Reviewed by Stephen C. Russell

Rebecca S. Hancock
Esther and the Politics of Negotiation: Public and Private Spaces and the Figure of the Female Royal Counselor
Reviewed by Christine Mitchell
Reviewed by Michael S. Moore

Annewies van den Hoek and John J. Herrmann Jr.
Pottery, Pavements, and Paradise: Iconographic and Textual Studies on Late Antiquity
Reviewed by Lee M. Jefferson

Brian Howell
In the Eyes of God: A Contextual Approach to Biblical Anthropomorphic Metaphors
Reviewed by Michael B. Hundley

Simon J. Joseph
Jesus, Q, and the Dead Sea Scrolls: A Judaic Approach to Q
Reviewed by Michael Labahn

Shula Keshet
‘Say You Are My Sister’: Danger, Seduction, and the Foreign in Biblical Literature and Beyond
Reviewed by Nancy Nam Hoon Tan

Nili Wazana
All the Boundaries of the Land: The Promised Land in Biblical Thought in Light of the Ancient Near East
Reviewed by Esias E. Meyer


>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Importante papiro do NT muda de nome

O P75, papiro do começo do século III, ou um pouco antes, é um dos mais antigos testemunhos do texto do Novo Testamento. Pois o Bodmer Papyrus XIV-XV (P75) passa a se chamar Hanna Papyrus 1 (Mater Verbi), em homenagem à familia Hanna que, em 2007, o comprou e doou à Biblioteca Vaticana.

Veja a nota, em italiano:

"La biblioteca Apostolica Vaticana desidera esprimere la sua profonda gratitudine alla famiglia Hanna e alla Solidarity Association per aver donato alla Biblioteca, nel gennaio 2007, uno fra i più importanti e preziosi manoscritti dei Vangeli, il Papiro Hanna 1 (Mater Verbi), precedentemente conservato presso la Bibliotheca Bodmeriana a Cologny, in Svizzera. Vergato agli inizi del III secolo d.C., è uno dei più antichi testimoni superstiti del testo del Nuovo Testamento.

Originariamente conteneva per intero i Vangeli di Luca e di Giovanni, in questo ordine; oggi, circa 1.800 anni dopo, conserva ancora circa la metà di entrambi i Vangeli in condizioni soddisfacenti, tra cui la versione lucana del Padre Nostro (Lc 11,1-4). Per alcuni passi, come Gv 6,12-16, è addirittura il testimone più antico.

Noto agli studiosi come P75 questo papiro è una delle fonti più importanti per la ricostruzione del testo dei Vangeli; è anche il più antico manoscritto in cui si vede, in un'unica pagina, la transizione tra la fine di un Vangelo e l'inizio del seguente, il che costituisce la prima testimonianza diretta dell'ordine dei libri nel canone dei Vangeli".


O P75 pertencia à Biblioteca Bodmeriana, que fica em Cologny, Suíça.

Leia também: A New Name for P75, texto escrito por Peter M. Head no blog Evangelical Textual Criticism.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Codex Vaticano está online

O Codex Vaticano está disponível online.

O Codex Vaticano (B), assim chamado porque desde o século XV está na Biblioteca Vaticana, contém, além do AT quase todo na versão da LXX, a maior parte do NT. É do séc. IV, vem provavelmente do Egito e é um dos melhores textos do NT.

Leia um pouco sobre o Codex Vaticano e outros textos antigos do NT aqui.

Codex Vaticanus (B) is now available on-line including LXX and NT. The Vatican Library has digitised Codex Vaticanus. It is an majuscule manuscript that dates to the mid-fourth century and contains almost the entire Christian canon in Greek.

Leia Mais:
Textos Originais e Traduções Antigas da Bíblia/Original Texts & Old Translations

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O que é a apocalíptica?

Apocalíptica: Busca de um Tempo sem Fronteiras. Artigo publicado na Ayrton's Biblical Page em 1999. 


1. Filha e Herdeira da Profecia

O verbo grego kalýpto significa "cobrir", "esconder", "ocultar", "velar". Neste sentido ele é usado, por exemplo, em Lc 23,30 ou 2Cor 4,3. Aqui, Paulo diz: "Por conseguinte, se o nosso evangelho permanece velado (kekalymménon) está velado (kekalymménon) para aqueles que se perdem...".

Na LXX, kalýpto é usado no mesmo sentido em Ex 24,15;27,2; Nm 9,15; 1Rs 19,13 e em muitos outros lugares. Ex 24,14 diz: "Depois, Moisés e Josué subiram à montanha. A nuvem cobriu (ekálypsen) a montanha". Nm 9,15 diz: "No dia em que foi levantada a Habitação, a Nuvem cobriu (ekálypsen) a Habitação, ou seja, a Tenda da Reunião...". O verbo hebraico assim traduzido é khâsah, "cobrir", "ocultar".

A preposição grega apó indica um movimento de afastamento ou retirada de algo que está na parte externa de um objeto. Assim é usada em Mt 5,29: "Caso o teu olho direito te leve a pecar, arranca-o e lança-o para longe de ti (apó sou)".

Em hebraico, o verbo gâlâh é usado com o significado de "despir", "descobrir", "revelar", "desvelar". Ex 20,26 diz: "Nem subirás o degrau do meu altar, para que não se descubra (thigâleh) a tua nudez". E 1Sm 2,27: "Um homem de Deus veio a Eli e lhe disse: 'Assim diz Iahweh. Eis que me revelei (nighlêthî) à casa de teu pai...'".

Dn 2,29 usa o verbo gâlâh para a revelação do que deve acontecer: "Enquanto estavas sobre o teu leito, ó rei, acorriam-te os pensamentos sobre o que deveria acontecer no futuro, e aquele que revela (weghâlê') os mistérios te deu a conhecer o que deve acontecer".

A LXX traduz o verbo gâlâh pelo grego apokalýptô, que significa "descobrir", "revelar", "desvelar", "retirar o véu".

O NT usa o mesmo verbo neste sentido. Mt 10,26, por exemplo: "Não tenhais medo deles, portanto. Pois nada há de encoberto que não venha a ser descoberto (apokalyfthêsetai)". Ou Lc 10,22: "Tudo me foi entregue por meu Pai e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, e quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (apokalýpsai)".

Deste verbo deriva o substantivo feminino grego apokálypsis, "revelação", "apocalipse". Em Gl 2,2 Paulo diz a propósito de sua ida a Jerusalém: "Subi em virtude de uma revelação (apokálypsin)...". E o livro do Apocalipse começa assim: "Revelação (apokálypsis) de Jesus Cristo...".

De "apocalipse" deriva "apocalíptica" e é exatamente com esse nome que designamos uma corrente de pensamento e uma literatura surgidas em Israel entre os anos 200 a.C. e 100 d.C., mais ou menos.


Continue a leitura clicando no link do título do artigo. A bibliografia, no final do texto, foi atualizada em 2014.


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SOTER '99: Mysterium Creationis

SOTER 99': Mysterium Creationis: um olhar interdisciplinar sobre o Universo. Cadernos de Teologia, Campinas, n. 6, p. 133-148, 1999. 

Este artigo foi publicado na Ayrton's Biblical Page. Confira:  Mysterium Creationis: Um Olhar Interdisciplinar sobre o Universo.

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Os instrumentos da helenização

Os instrumentos da helenização. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 61, p. 23-37, 1999.


"Verificou-se desse modo, tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros (...) que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar" (2Mc 4,13a.14a).


A chegada dos poderosos exércitos macedônios com Alexandre Magno em 332 a.C., mas, principalmente, as várias guerras travadas por seus sucessores na regiões da Síria e da Palestina constituem, sem dúvida, eficaz elemento de helenização das populações locais. A fundação de novas cidades ou a transformação de várias cidades orientais em póleis constituem outro mecanismo fundamental de mudança de mentalidade e estilo de vida. Nas cidades, a língua grega que se difunde sempre mais e a educação aristocrática desenvolvida nos ginásios completam este quadro de transformação social, levando à assimilação de grandes camadas da população à nova realidade.

O assunto deste artigo é este: verificar como os vários mecanismos da sociedade e da cultura grega carreiam para a Palestina os valores do dominador estrangeiro.

Uma versão ampliada deste artigo foi publicada na Ayrton's Biblical Page. A bibliografia foi atualizada em 2012. Continue a leitura clicando aqui.


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SOTER '98: Experiência Religiosa

SOTER '98: "Experiência Religiosa: Risco ou Aventura?". Cadernos do Cearp, Ribeirão Preto, n. 10, p. 47-61, 1998.

Este artigo foi publicado na Ayrton's Biblical Page. Confira: "Experiência Religiosa: Risco ou Aventura?"

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