domingo, 18 de fevereiro de 2018

Qual era a aparência de Jesus?

Jesus de Nazaré é, sem dúvida, o homem mais famoso que já existiu. Sua imagem está por toda parte. Ele é o tema de milhões de objetos devocionais e obras de arte.

Mas qual era a aparência de Jesus de Nazaré? Qual era a cor de sua pele? E sua altura? O que ele vestia?

Para responder a esta questão, já por outros abordada - confira a reconstrução digital feita pela BBC aqui, aqui e aqui -, a estudiosa das origens cristãs Joan E. Taylor examina, em livro recente, as evidências históricas e as imagens predominantes de Jesus na arte e na cultura.


Os evangelhos não dizem se ele era alto ou baixo, se bonito ou não, se frágil ou forte... À primeira vista, nada de especial o distinguia dos outros. Lucas 3,23 fala de sua idade apenas: "Ao iniciar o ministério, Jesus tinha mais ou menos trinta anos", o que também é impreciso, sabemos hoje.

Em geral, não percebemos estas lacunas nos evangelhos porque, graças a todas as imagens de Jesus que temos, pensamos que conhecemos sua aparência. Mas o Jesus que reconhecemos tão facilmente é o resultado da história cultural. Será que se encontrássemos Jesus de Nazaré na rua, um judeu da Palestina do século I, seríamos capazes de reconhecê-lo?


Diz Joan E. Taylor em seu artigo What did Jesus really look like, as a Jew in 1st-century Judaea? (publicado em The Irish Times em 9 de fevereiro de 2018):

In the Gospels, he is not described, either as tall or short, good-looking or plain, muscular or frail. We are told his age, as “about 30 years of age” (Luke 3:23), but there is nothing that dramatically distinguishes him, at least at first sight.

We do not notice this omission of any description of Jesus, because we “know” what he looked like thanks to all the images we have. But the Jesus we recognise so easily is the result of cultural history. The early depictions of Jesus that set the template for the way he continues to be depicted today were based on the image of an enthroned emperor and influenced by presentations of pagan gods. The long hair and beard are imported specifically from the iconography of the Graeco-Roman world. Some of the oldest surviving depictions of Jesus portray him as essentially a younger version of Jupiter, Neptune or Serapis. As time went on the halo from the sun god Apollo was added to Jesus’s head to show his heavenly nature. In early Christian art, he often had the big, curly hair of Dionysus.

The point of these images was never to show Jesus as a man, but to make theological points about who Jesus was as Christ (King, Judge) and divine Son. They have evolved over time to the standard “Jesus” we recognise.

So can we imagine Jesus appropriately in terms of the evidence of the 1st century?

O livro

TAYLOR, J. E. What Did Jesus Look Like?  London: Bloomsbury T&T Clark, 2018, 288 p. - ISBN 9780567671509.

TAYLOR, J. E. What Did Jesus Look Like?  London: Bloomsbury T&T Clark, 2018.


Jesus Christ is arguably the most famous man who ever lived. His image adorns countless churches, icons, and paintings. He is the subject of millions of statues, sculptures, devotional objects and works of art. Everyone can conjure an image of Jesus: usually as a handsome, white man with flowing locks and pristine linen robes.

But what did Jesus really look like? Is our popular image of Jesus overly westernized and untrue to historical reality?

This question continues to fascinate. Leading Christian Origins scholar Joan E. Taylor surveys the historical evidence, and the prevalent image of Jesus in art and culture, to suggest an entirely different vision of this most famous of men.

Confira mais sobre o livro aqui e aqui.

Overall, then, we can arrive at a general image of Jesus as an average man: he was probably around 166 cm (5 feet 5 inches) tall, somewhat slim and reasonably muscular, with olive-brown skin, dark brown to black hair, and brown eyes. He was likely bearded (but not heavily, or with a long beard), with shortish hair (probably not well kept) and aged about 30 years old at the start of his mission. His precise facial features will, nevertheless, remain unknown.


A autora esboça uma imagem de Jesus mais ou menos assim: ele provavelmente tinha cerca de 1,66 m de altura, um pouco magro e razoavelmente musculoso, com a pele oliva, cabelo castanho escuro a preto e olhos castanhos. Ele provavelmente usava barba escura, curta e desleixada, e estava na faixa dos 30 anos no início de seu ministério. E se vestia de maneira muito simples. Suas características faciais precisas, no entanto, permanecem desconhecidas.

Jesus, em esboço de Joan Taylor,  What Did Jesus Look Like?  London: Bloomsbury T&T Clark, 2018, p. 192 (Figure 76)

Joan E. Taylor publicou recentemente dois artigos sobre este tema:

:. What did Jesus really look like, as a Jew in 1st-century Judaea? - The Irish Times: February 9, 2018

:. What did Jesus wear? - The Conversation: February 8, 2018


Joan E. Taylor é Professora de Origens Cristãs e Judaísmo do Segundo Templo no King's College de Londres, Reino Unido.

Veja uma resenha do livro por Jim West, publicada em 09.02.2018, aqui.

 Diz ele:

The title of the book poses a question:  what did Jesus look like?  At first blush it may seem that the aim of the book is to answer that question of the man known as Jesus of Nazareth but in fact the question, more fully stated, which this book addresses is far more comprehensive than merely wondering what Jesus of Nazareth looked like.  It wonders how Jesus has been imagined through the entire history of Christianity.  What did Jesus look like to the Byzantines?  What did he look like to Europeans?  How has he been portrayed in art and icon? The result of Taylor’s incisive study is a spectacular survey (...) Jesus, with lice…   This book is genius.  A term I am not used to using of books, or most authors and scholars.  But here it applies to both book and scholar.  Pure genius.  Read it and you’ll not regret a page of it.



Leia Mais:
Jesus Histórico no Observatório Bíblico

Um tempo de magia e milagres: a aurora do cristianismo

Pesquisando as origens do cristianismo, este livro analisa por que foi que as pessoas,  primeiro na Judeia e, em seguida, no mundo mediterrâneo romano e grego, tornaram-se suscetíveis à nova religião. Robert Knapp procura respostas em uma ampla exploração de religião e vida cotidiana de 200 a.C. até o final do século primeiro d. C.


KNAPP, R. The Dawn of Christianity: People and Gods in a Time of Magic and Miracles. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017, XVI + 303 p. - ISBN 9780674976467. 

KNAPP, R. The Dawn of Christianity: People and Gods in a Time of Magic and Miracles. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017


Exploring the origins of Christianity, this book looks at why it was that people first in Judea and then in the Roman and Greek Mediterranean world became susceptible to the new religion. Robert Knapp looks for answers in a wide-ranging exploration of religion and everyday life from 200 BC to the end of the first century.

Survival, honour and wellbeing were the chief preoccupations of Jews and polytheists alike. In both cases, the author shows, people turned first to supernatural powers. According to need, season and place polytheists consulted and placated vast constellations of gods, while the Jews worshipped and contended with one almighty and jealous deity.

Professor Knapp considers why any Jew or polytheist would voluntarily dispense with a well-tried way of dealing with the supernatural and trade it in for a new model. What was it about the new religion that led people to change beliefs they had held for millennia and which in turn, within four centuries of the birth of its messiah, led it to transform the western world? His conclusions are as convincing as they are sometimes surprising.


Robert Knapp is Professor Emeritus of Classics at the University of California, Berkeley. Confira mais aqui.


Leia a resenha de Giovanni Alberto Cecconi, Università degli Studi Firenze, Italia - Bryn Mawr Classical Review 2018.02.20.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Septuaginta

“Habitando um número considerável de judeus em nosso território (…) e desejoso de lhes ser agradável (…), nós decidimos mandar traduzir vossa Lei do hebraico para o grego, para termos estes livros também em nossa biblioteca, com os outros ‘livros do rei'” (O rei Ptolomeu II Filadelfo ao sumo sacerdote Eleazar, segundo a Carta de Aristeias a Filócrates, séc. II a.C.). 

RAHLFS, A. ; HANHART, R. (eds.) Septuaginta. Editio altera. Stuttgart:  Deutsche Bibelgesellschaft, 2007.
Em 2006 a International Organization for Septuagint and Cognate Studies (IOSCS) estabeleceu o dia 8 de fevereiro como International Septuagint Day (Dia Internacional da Septuaginta), uma data para celebrar a Septuaginta (= LXX, Setenta) e incentivar seu estudo.

Para a origem da Septuaginta, recomendo o início de meu artigo Quem somos nós? Falam autores judeus antigos.

Li dois interessantes textos de Tavis Bohlinger, com bibliografia no final do segundo:

BOHLINGER, T. The Origin of the LXX. theLAB - The Logos Academic Blog - February 8, 2018

BOHLINGER, T. The Influence of the LXX. theLAB - The Logos Academic Blog - February 9, 2018

E duas entrevistas:

Interview with Dr James K. Aitken - Interaction of Traditions: February 8, 2018

International LXX Day: An Interview with T. Muraoka - William A. Ross: Septuaginta &C. - February 8, 2018


Leia Mais:
Estudos sobre a Septuaginta em 2016
LXX Resources
LXX Scholar Interviews

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

As diferentes tradições do hebraico bíblico

Uma visão abrangente e sistemática dos diferentes períodos, fontes e tradições da língua hebraica bíblica.


GARR, W. R. ; FASSBERG, S. E. (eds.) A Handbook of Biblical Hebrew. Volume 1: Periods, Corpora, and Reading Traditions; Volume II: Selected Texts. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2016, 370 p. - ISBN 978-1575063713.


GARR, W. R. ; FASSBERG, S. E. (eds.) A Handbook of Biblical Hebrew. Volume 1: Periods, Corpora, and Reading Traditions; Volume II: Selected Texts. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2016


Biblical Hebrew is studied worldwide by university students, seminarians, and the educated public. It is also studied, almost universally, through a single prism - that of the Tiberian Masoretic tradition, which is the best attested and most widely available tradition of Biblical Hebrew. Thanks in large part to its endorsement by Maimonides, it also became the most prestigious vocalization tradition in the Middle Ages. For most, Biblical Hebrew is synonymous with Tiberian Biblical Hebrew.

There are, however, other vocalization traditions. The Babylonian tradition was widespread among Jews around the close of the first millennium CE; the tenth-century Karaite scholar al-Qirqisani reports that the Babylonian pronunciation was in use in Babylonia, Iran, the Arabian peninsula, and Yemen. And despite the fact that Yemenite Jews continued using Babylonian manuscripts without interruption from generation to generation, European scholars learned of them only toward the middle of the nineteenth century. Decades later, manuscripts pointed with the Palestinian vocalization system were rediscovered in the Cairo Genizah. Thereafter came the discovery of manuscripts written according to the Tiberian-Palestinian system and, perhaps most importantly, the texts found in caves alongside the Dead Sea.

What is still lacking, however, is a comprehensive and systematic overview of the different periods, sources, and traditions of Biblical Hebrew. This handbook provides students and the public with easily accessible, reliable, and current information in English concerning the multi-faceted nature of Biblical Hebrew. Noted scholars in each of the various fields contributed their expertise. The result is the present two-volume work. The first contains an in-depth introduction to each tradition; and the second presents sample accompanying texts that exemplify the descriptions of the parallel introductory chapters.


Outra opção interessante:

SÁENZ-BADILLOS, A. Storia della lingua ebraica. Brescia: Paideia, 2007, 384 p. - ISBN 9788839407351.


Lembrando que:

O texto hebraico já está fixado no século II d.C. Nos séculos seguintes os escribas copiam novos rolos, procurando limitar os erros de transcrição ao mínimo. Para a compreensão correta do texto eles começam a fazer anotações nas margens, assinalar palavras duvidosas etc. No século V entram em ação os chamados massoretas. O termo vem do hebraico masar = “transmitir” e os massoretas são os “transmissores” do texto. Além de fazer anotações sobre o texto, estes sábios judeus sentem a necessidade de vocalizá-lo e acentuá-lo, para se obter um texto mais uniforme e fixo. Neste processo cada escola segue um método diferente, como a oriental, sediada na Mesopotâmia e a ocidental, na Palestina. Depois de muitas peripécias, prevalece a escola de Tiberíades (Palestina) aí pelo ano 900 d.C. E em Tiberíades as famílias Ben Neftali e Ben Asher. Desta última temos dois manuscritos importantíssimos: o manuscrito massorético mais antigo, Codex do Cairo, escrito e vocalizado por Moisés ben Asher, data do ano 895, mas só contém os profetas (anteriores e posteriores). O mais precioso é, porém, o Codex de Aleppo, quase completo, escrito e vocalizado por Aarão ben Moisés ben Asher, até 930. Pertencia à sinagoga de Aleppo e é salvo da destruição em 1948, sendo levado para Israel. Um terceiro manuscrito importante é o Codex de Leningrado, baseado nos manuscritos de Aarão ben Moisés ben Asher. Este contém todo o AT e é escrito em 1008. A melhor edição crítica que possuímos hoje – que é a Bíblia Hebraica Stuttgartensia – baseia-se principalmente neste manuscrito [nota 2 de Os essênios: a racionalização da solidariedade].

Leia Mais:
O Hebraico
Lista de manuscritos do AT disponíveis online

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Sobre as visões no livro do profeta Amós

O artigo

New Perspectives on Amos: The Vision Reports in 7:1–8:2 

By Göran Eidevall - Professor of Hebrew Bible - University of Uppsala, Sweden

The Bible and Interpretation - January 2018


To sum up, I contend that the vision reports in Amos 7–8 cannot be dated to the 8th century. Rather, they appear to be literary products from the post-monarchic period. But why would someone add such “pseudepigraphic” material, presented as visions seen by Amos himself? I suggest, and here I agree with Georg Steins, that the vision reports represent profound theological reflections, in an attempt to cope with the catastrophe that took place in 586 BCE.

Em síntese, sustento que as narrativas de visões em Amós 7-8 não podem ser datadas no século VIII a.C. Na verdade, elas parecem ser uma produção literária pós-monárquica. Mas por que alguém acrescentaria este material "pseudepígrafo" como sendo visões tidas pelo próprio profeta Amós? Eu sugiro, e aqui concordo com Georg Steins, que as narrativas de visão representam profundas reflexões teológicas na tentativa de lidar com a catástrofe ocorrida em 586 a.C.


O livro

EIDEVALL, G. Amos: A New Translation with Introduction and Commentary. New Haven, CT: Yale University Press, 2017, 312 p. - ISBN 9780300178784.

EIDEVALL, G. Amos: A New Translation with Introduction and Commentary. New Haven, CT: Yale University Press, 2017

As part of the Hebrew Bible, the Book of Amos has been studied for more than two thousand years. This much-needed new edition includes an updated English translation of the Hebrew text and an insightful commentary. While previous scholarship speculated on reconstructions of the life of Amos, Eidevall analyzes this prophetic book as a literary composition, rejecting the conventional view of the book of Amos’s origin and providing a new rationalization for the form and meaning of the text.
Göran Eidevall, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Uppsala, Suécia


Em meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. [2011, download pdf] escrevi nas páginas 37-38:

Muitos especialistas acreditam que para se captar bem a mensagem de Amós devemos começar sua leitura pelas cinco visões simbólicas, narradas em Am 7,1-3; 7,4-6; 7,7-9; 8,1-3; 9,1-4. Isto porque estas visões constituiriam os sinais que o profeta percebe no cotidiano da vida e que simbolizam a situação da nação israelita. O que acaba determinando sua decisão de anunciar o castigo e a ruína do país, dizem alguns[1].

Quer dizer: de certo modo, as visões preenchem, em Amós, o mesmo papel dos textos de vocação em Isaías, Jeremias ou Ezequiel.

"Trata-se de uma trajetória vocacional. Amós percorre todo um caminho visionário. As próprias visões deixam entrever isso, com bastante nitidez. A visão dos gafanhotos (cf. 7,1-3) cabe no início do ano agrícola. A da seca (cf. 7,4-6), em pleno verão. A do cesto (cf. 8,1-3), dá-se no outono. Estas visões cobrem, no mínimo, meio ano. Talvez seja o perí­odo em que Amós é preparado, de modo incisivo, para seu ministério", observa M. Schwantes[2].

Amós nestes episódios via, quem sabe, coisas absolutamente normais, do cotidiano - exceto o último episódio, o da queda do santuário -, mas de um ponto de vista novo, profético, tornando-as símbolo da realidade maior, mais significativa[3].


Notas:

1. Cf. SCHÖKEL, L. A. ; SICRE DIAZ, J. L. Profetas II. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002, p. 984-985. Outros autores, entretanto, afirmam que as visões aconteceram após o início de sua pregação, e tentam reconstruir cronologicamente a evolução de sua pregação e de seu pensamento. Outros, ainda, colocam as visões após a atividade profética de Amós, quando ele teria voltado para Judá.

2. SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012, p. 38 [cf. também as páginas 183-203]; cf. Idem, Jacó é pequeno. Visões em Amós 7-9.  2. ed.  RIBLA, Petrópolis/São Paulo/São Leopoldo, n. 1, p. 81-92, 1990.

3. "O profeta é um vidente na medida em que ele, em todas as coisas, mediante estas e acima destas, vê Iahweh, Deus de Israel e Senhor do mundo, operando e no ato de vir", diz FUEGLISTER, N. Arrebatados por Iahweh: anunciadores da palavra. História e estrutura do profetismo em Israel. In SCHREINER, J. (ed.) Palavra e Mensagem. São Paulo: Paulus, 1978, p. 196.  C. MESTERS observa no seu Deus, ondes estás? 5. ed. Belo Horizonte: Vega, 1976 [16. ed. Petrópolis: Vozes, 2010], p. 48, que na medida em que o profeta vive integrado na vida do povo, tudo o que ele vê o faz lembrar-se da situação de injustiça em que vive o povo. "São os fatos que começam a falar. Tudo se torna apelo. Assim, pouco a pouco, cresce uma consciência em Amós. Já MAILLOT, A. ; LELIÈVRE, A. Atualidade de Miqueias: Um grande "profeta menor". São Paulo: Paulus, 1980, p. 26, garantem que "é este ver em profundidade, este ver, que ultrapassa o acidental e atinge o essencial, que os profetas sentiram como uma 'visão'".

Leia Mais:
Literatura Profética 2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Biblical Studies Carnival 143

Seleção de postagens dos biblioblogs em janeiro de 2018.

The January 2018 Biblical Studies Carnival 143

Trabalho feito por Bob MacDonald em seu biblioblog Dust.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Literatura Pós-Exílica 2018

A Literatura Pós-Exílica é estudada no segundo semestre do segundo ano de Teologia no CEARP. Com enorme abrangência e carga horária limitada, apenas 4 horas semanais, esta disciplina aborda 4 momentos:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos: de Ezequiel a Joel
2. Romance, novela, conto: de Rute a Judite
3. Historiografia: a Obra Histórica do Cronista e 1 e 2 Macabeus
4. A literatura apocalíptica: Daniel e os apocalípticos apócrifos (ou pseudepígrafos).

São privilegiados, pelo minguado do tempo, os momentos 2 e 4. Os profetas são vistos mais rapidamente, pois o profetismo já foi estudado no primeiro semestre; e, infelizmente, a historiografia é apenas mencionada. Já o item 2 é fundamental para se entender o complexo universo de conflitos em que se busca uma identidade judaica - que acaba plural - e o item 4, a apocalíptica, é a porta que deve ser cuidadosamente aberta para a entrada, no semestre seguinte, em o mundo do Novo Testamento.

Dispostos cronologicamente os livros, teríamos o seguinte panorama desta enorme literatura:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
Ezequiel: 593-571 a.C.
Dêutero-Isaías (Is 40-55): cerca de 550
Ageu: 29.8 a 18.12.520
Zacarias 1-8: 18.12.520 a 7.12.518
Trito-Isaías (Is 56-66): entre 520 e 510
Malaquias: entre 480 e 450
Zacarias 9-14: final séc. IV - início séc. III
Joel: séc. IV ou III

2. Romance, novela, conto
Rute: ca. 450 a.C.
Jonas: ca. 450
Ester (hebr.): ca. 350
Tobias: ca. 200
Judite: ca. 150

3. Historiografia
OHCr: 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias: séc. IV a. C.
1 e 2 Macabeus: entre 90 e 70

4. A literatura apocalíptica (seleção)
Daniel: 164 a. C.
O livro etiópico de Henoc: séc. II-63 a.C.
O livro eslavo de Henoc: séc. I d.C.
O livro dos Jubileus: 100 a.C.
Os Salmos de Salomão: 63-40 a.C.
Os Testamentos dos 12 Patriarcas: 130-63 a.C.
Os Oráculos Sibilinos: séc. I a.C.
Assunção de Moisés: 30 a.C.-30 d.C.
O Apocalipse siríaco de Baruc: 75-100 d.C.
O IV livro de Esdras: fim do séc. I d.C.

I. Ementa
Procura compreender a vivência dos judaítas no exílio, lendo os profetas Ezequiel e Dêutero-Isaías. De igual modo, no pós-exílio, através do estudo dos profetas da reconstrução, tais como Ageu, Zacarias, Trito-Isaías e outros. Aborda também os romances, novelas e contos (Rute, Jonas, Ester, Tobias, Judite), que apontam para a construção de uma identidade judaica, tanto dentro do país como na diáspora. A literatura histórica da época, através da Obra Histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias), também é tratada. Finalmente, a significativa literatura apocalíptica, tanto canônica, como Daniel, quanto apócrifa, até Qumran. É um momento privilegiado para a preparação dos estudos neotestamentários, no contexto dos domínios persa, grego e romano sobre a Palestina. O multifacetado encontro entre o judaísmo e o helenismo é abordado em detalhes.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno conhecer a complexidade dos vários judaísmos surgidos no pós-exílio, suas teologias e o ambiente carregado de especulações apocalípticas em que se deu a pregação de Jesus e a escrita do Novo Testamento.

III. Conteúdo Programático
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
:: Ezequiel
:: Dêutero-Isaías (Is 40-55)
:: Ageu
:: Zacarias 1-8
:: Trito-Isaías (Is 56-66)
:: Malaquias
:: Zacarias 9-14
:: Joel

2. Romance, novela, conto
:: Rute
:: Jonas
:: Ester
:: Tobias
:: Judite

3. Historiografia
:: A obra histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias)
:: 1 e 2 Macabeus

4. A literatura apocalíptica
:: Daniel
:: Os apócrifos apocalípticos

IV. Bibliografia
Básica
ARANDA PÉREZ, G. et al. Literatura judaica intertestamentária. 2. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2013, 528 p. - ISBN 8527606097.

COLLINS, J. J. A imaginação apocalíptica: Uma introdução à literatura apocalíptica judaica. São Paulo: Paulus, 2010, 480 p. - ISBN 9788534932448.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004, 1416 p. I: - ISBN 8505006992; II: - ISBN 8534919917.

Complementar
BOCCACCINI, G. Além da hipótese essênia: A separação entre Qumran e o judaísmo enóquico. São Paulo: Paulus, 2010, 280 p. - ISBN 9788534932356.

CHAPMAN, H. H. ; RODGERS, Z. (eds.) A Companion to Josephus. Chichester, West Sussex, UK: Wiley Blackwell, 2016, XVI + 466 p. - ISBN 9781444335330.

DA SILVA, A. J. Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Flávio Josefo, homem singular em uma sociedade plural. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Leitura socioantropológica do Livro de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, p. 107-120, 2008. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Mês da Bíblia 2010: o livro de Jonas. Observatório Bíblico, 7 de maio de 2010.

DA SILVA, A. J. Os essênios: a racionalização da solidariedade. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Paideia grega e Apocalíptica judaica. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 113, p. 11-22, 2012.

DA SILVA, A. J. Religião e formação de classes na antiga Judeia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 120, p. 413-434, 2013.

DIEZ MACHO, A.; PIÑERO, A. (eds.) Apócrifos del Antiguo Testamento I-VI. Madrid: Cristiandad, 1982-2009 [Vol. VI: - ISBN 9788470575426].

JOSEFO, F. História dos Hebreus: obra completa. 5. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007, 1568 p. - ISBN 9788526306417.

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997, 184 p. - ISBN 8505006798. Resumo do livro no Observatório Bíblico.

KONINGS, J.; RIBEIRO, S. H. et al. Bíblia: Teoria e Prática. Leituras de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, 2008.

LIM, T. H. The Dead Sea Scrolls: A Very Short Introduction. 2. ed. New York: Oxford University Press, 2017, 168 p. - ISBN 9780198779520.

REIMER, H. et al. Segundo Isaías: Is 40-55. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 89, 2006.

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016, 536 p. - ISBN 9788532652416.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Daniel: reino de Deus x Imperialismo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 104 p. - ISBN 8534903131.


Leia Mais:
Preparando meus programas de aula para 2018
História de Israel 2018
Língua Hebraica Bíblica 2018
Pentateuco 2018
Literatura Deuteronomista 2018
Literatura Profética 2018

Literatura Profética 2018


Abordarei agora a Literatura Profética, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 4 horas. A Literatura Profética trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas pré-exílicos. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária. Os profetas do exílio e do pós-exílio são estudados na Literatura Pós-Exílica, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas pré-exílicos, de Amós a Jeremias, passando por Oseias, Isaías, Miqueias, Habacuc e outros. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas pré-exílicos com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas pré-exílicos
:: Amós
:: Oseias
:: Isaías
:: Miqueias
:: Sofonias
:: Naum
:: Habacuc
:: Jeremias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998, 144 p. - ISBN 8534910634. Versão atualizada em 2011. Disponível online.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004, 1416 p. I: - ISBN 8505006992; II: - ISBN 9788534919913.

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016, 536 p. - ISBN 9788532652416.

Complementar
CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Arrancar e destruir, construir e plantar. A vocação de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 15, p. 11-22, 1987.

DA SILVA, A. J. Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992, 143 p. - ISBN 8505012666.

DA SILVA, A. J. O discurso de Jeremias contra o Templo. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 129, p. 85-96, 2016. Disponível online.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Texto na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

DA SILVA, A. J. Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo na Ayrton's Biblical Page.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008, xiv + 389 p. - ISBN 9781906055134. Disponível online.

MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016, 168 p. – ISBN 9788534943048.

NISSINEN, M. Prophets and Prophecy in the Ancient Near East. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2003, 296 p. - ISBN  9781589830271. Disponível online.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012, 208 p. - ISBN 8535614346.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2011, 638 p. - ISBN 9788598481340.

WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006, 392 p. - ISBN 8599459031.

Leia Mais:
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Literatura Deuteronomista 2018

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes - a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia - e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Artigo na Ayrton's Biblical Page, 2017.

RÖMER, T. A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008, 208 p. - ISBN 9788532637550.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco. Chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014, 304 p. - ISBN 8515024527.

Complementar
DA SILVA, A. J. et al. Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, 2005.

DA SILVA, A. J. Bibliografia comentada sobre a OHDtr. Observatório Bíblico - 24 de fevereiro de 2007.

DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005.

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 43-87 - ISBN 8532628281.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. - ISBN 8589876187.

GONZAGA DO PRADO, J. L. A invasão/ocupação da terra em Josué: Duas leituras diferentes. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 28-36, 2005.

JACOBS, M. R.; PERSON, R. F. Jr. (eds.) Israelite Prophecy and the Deuteronomistic History: Portrait, Reality, and the Formation of a History. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2013, 254 p. - ISBN 9781589837492. Disponível online.

PERSON, R. F. Jr. The Deuteronomic School: History, Social Setting and Literature. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002, xviii + 306 p. - ISBN 9781589830240. Disponível online.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 88 p. - ISBN 8534908923.


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Pentateuco 2018

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Tempo que atualmente se tornou curto, pois há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. A redação do Pentateuco em três tempos
2. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco
3. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21
4. Códigos do Antigo Oriente Médio
5. O Código da Aliança: Ex 20,22-23,19
6. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25
7. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24
8. Caim e Abel: Gn 4,1-26
9. Patriarcas pré-diluvianos - de Adão a Noé: Gn 5,1-28.30-32
10. O dilúvio: Gn 6,5-9,19
11. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9
12. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1
13. A história de José: Gn 37,5-50,26
14. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, 176 p. - ISBN 9788532603319.

SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2009, 144 p. - ISBN 857311844X.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014, 304 p. - ISBN 8515024527.

Complementar
BOUZON, E. O Código de Hammurabi. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, 240 p. - ISBN 8532607780.

BRANDÃO, J. L. Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, 336 p. – ISBN 9788551302835.

CRÜSEMANN, F. A Torá. Teologia e História Social da Lei do Antigo Testamento. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, 599 p. - ISBN 9788532623607.

DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia. Artigo na Ayrton's Biblical Page, 2018.

DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215. - ISBN 853561110X

DA SILVA, A. J. Pequena bibliografia sobre o Livro do Êxodo, o Pentateuco e o Êxodo do Egito. Observatório Bíblico: 19 de julho de 2011.

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. - ISBN 9781589831636. Disponível online.

DOZEMAN, T. B.; RÖMER, T.; SCHMID, K. (eds.) Pentateuch, Hexateuch, or Enneateuch? Identifying Literary Works in Genesis through Kings. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, 324 p. - ISBN 9781589835429. Disponível online.

GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco.  2. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2004, 328 p. - ISBN 9788527610575.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

MESTERS, C. Bíblia, livro da aliança. São Paulo: Paulus, 2017, 80 p. - ISBN 9788534944373.

SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016, 282 p. – ISBN 9788535641486.

STORNIOLO, I. Mandamentos, ontem e hoje (Entrevista com Pe. Ivo Storniolo). Vida Pastoral, São Paulo, n. 149 , p. 27-29, nov./dez. 1989. Disponível online.

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